Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 maio

Acordo que aprovou o orçamento impositivo é derrota para Caiado e meia vitória para a oposição (e o bloco independente): por insegurança, ninguém quis testar a sua força no plenário

Governo e oposição (mais o bloco independente) chegaram a um acordo na Assembleia e aprovaram uma nova configuração para o orçamento impositivo, que prevê a obrigatoriedade do pagamento das emendas apresentadas pelos deputados ao Orçamento Geral do Estado. Nenhum dos lados tinha convicção sobre a sua força no plenário, todos cederam alguma coisa e, no final das contas, ficou estabelecido que o percentual reservado aos parlamentares será de 0,7% em 2020, exclusivamente nas rubricas da Saúde e da Educação; de 0,9% em 2021, sendo 70% para Saúde e Educação e os 30% restantes a livre escolha: e de 1,2% em 2022, divididos da mesma forma.

 

Além disso, as emendas foram retiradas da coluna de “restos a pagar”, lugar onde estavam e que permitiria ao Executivo pagar ou não. Ou então escolher quais pagar. No novo projeto, elas terão que ser quitadas automaticamente. E, em 2022, ano eleitoral, isso terá que acontecer até julho, dando aos deputados que se candidatarem à reeleição a chance de colher resultados positivos antes da data do pleito. Cá entre nós, é motivo de festa, principalmente para os oposicionistas

 

Sim, ficou bom para todos, na Assembleia, embora não como a oposição e o bloco independente desejavam. Mesmo assim, uma meia vitória. Para a base governista, sobrou um gosto ruim. Em qualquer Parlamento do mundo, toda vez que as forças da situação são obrigadas a engolir  alguma solução, trata-se de uma derrota. A ordem era rejeitar o projeto, mas parece que faltou confiança para levar a decisão para o voto. O acordo impôs um desgaste ao Palácio das Esmeraldas, que mais uma vez não conseguiu o que queria no Legislativo, mas não um tropicão ostensivo e acachapante como quando Lissauer Vieira foi eleito para a presidência garganta abaixo de Caiado. E deu algum tempo para que articuladores como o secretário de Governo Ernesto Roller continuem tentando formatar a margem de segurança necessária para que questões importantes como a segunda parte da reforma administrativa sejam submetidas à Assembleia.

02 maio

Falência do Hospital Materno-Infantil, que visitou uma dezena de vezes, e assassinato de professor em Valparaíso, mostram a Caiado que é hora de menos discurso e mais ação

Com o início do oitavo mês desde que foi eleito, a 7 de outubro do ano passado, o governador Ronaldo Caiado está sob o impacto de dois fatos tão tristes quanto desgastantes, que, a rigor, não são da sua total responsabilidade direta, mas de alguma forma dizem respeito às suas obrigações para com a sociedade: o fechamento do Hospital Materno-Infantil, em Goiânia, e o assassinato de um professor, dentro de uma escola, em Valparaíso, no Entorno de Brasília.

 

São situações que têm pouco a ver com política e muito com a presença do governo na vida dos cidadãos goianos, garantindo o atendimento à saúde e a segurança, deveres mínimos de qualquer governo. Mas, vá lá, admita-se que parte tem a ver com os erros e as omissões dos governos passados. Parte. Não há como isentar a atual gestão – ainda mais quando Caiado desde a posse, fez questão de visitar várias vezes o Hospital Materno-Infantil, leiloar carros de luxo do Palácio das Esmeraldas para repassar os recursos ao estabelecimento e até achar tempo para inaugurar uma incubadora. O governador também esteve em Valparaíso, no mês passado, cidade que fica em uma região notoriamente marcada pelo descontrole da violência e falta de ação efetiva das forças policiais, principalmente em operações de repressão. Nem no caso do HMI nem no da criminalidade, no Entorno e no resto de Goiás, foram adotadas providências fortes e convincentes o suficiente para evitar tragédias, valendo registrar que, há um mês, morreu uma criança de cinco anos nos corredores do hospital, sob o silêncio e falta de reação da Secretaria de Saúde.

 

O escritor Paulo Coelho é um místico que acredita que a vida envia sinais e que devemos nos esforçar para entendê-los e atuar de acordo. Acredite nisso quem quiser. Caiado, que fala demais e desenvolve dia a noite a teoria de um Estado mergulhado em calamidade financeira e administrativa, além de passar muito, mas muito tempo mesmo em Brasília, andando pelo Senado e visitando autoridades do governo federal atrás de uma ajuda que ainda não veio nem se sabe quando virá, se é que virá, recebeu os seus sinais através do fechamento do HMI e da morte desnecessária do professor – e não é preciso doses de misticismo para acreditar neles. São sinais claros. Está passando da hora de dar passos à frente na gestão, diminuir um pouco o discurso e oferecer para a sociedade o cardápio que foi prometido na campanha: mudança.

30 abr

Com Jânio Darrot na presidência, PSDB goiano abre mão de se renovar e se propõe a ser mais do mesmo, continuar na rabeira de Marconi e fugir do debate sobre o futuro de Goiás

Depois de 20 anos como o mais importante partido político de Goiás, o PSDB terminou dando com os burros n’água: tomou uma tunda sem precedentes na última eleição e foi reduzido a pouco mais que pó de traque, mas, com a eleição agora do prefeito de Trindade Jânio Darrot para a sua presidência, mostra que não aprendeu a lição e se propõe a andar para trás, longe de se esforçar pela reconciliação com o eleitorado goiano e menos ainda disposto a qualquer tipo de discussão sobre o futuro de Goiás.

 

Jânio Darrot no comando mostra que o partido preferiu sucumbir ao controle do ex-governador Marconi Perillo e à defesa do seu suposto legado, uma ilusão que, já nas urnas do ano passado, mostrou ser deletéria e catastrófica. Tanto que as entrevistas que ele, Jânio, está dando e os releases que distribui apenas repetem mantras superados do falecido Tempo Novo, como a afirmação de que “Marconi revolucionou Goiás com as suas obras”, “Marconi fez o melhor governo da história”, “Marconi é o maior político da história de Goiás, “O PSDB tem uma história bonita” e outras bobagens que não dizem nada aos goianos que observam o governo de Ronaldo Caiado e se preocupam com os temas que ele, Caiado, coloca na mídia como consequência da nova realidade que ele representa para o Estado.

 

É simples: com Jânio Darrot, os tucanos fogem do debate que realmente interessa e que passa pelas propostas para o futuro de Goiás, assunto sobre o qual, depois de 20 anos de poder, até teriam credencial para dar palpites. Em vez disso, a escolha é puramente o culto à personalidade Marconi e a celebração do passado.

30 abr

Massacrado nas urnas, PSDB goiano segue em marcha à ré, recusa qualquer autocrítica e vai eleger Jânio Darrot como presidente para fugir da renovação e preservar a influência de Marconi

Um partido que elegeu apenas um deputado federal, somente seis estaduais e viu os seus candidatos majoritários – Marconi Perillo e Zé Eliton – humilhados por uma surra histórica nas urnas, teria obrigatoriamente que se propor um processo de reoxigenação, discutindo os erros do passado e procurando se reposicionar para tentar recuperar a confiança dos eleitores e verdadeiramente discutir rumos para Goiás. Esse deveria ser o PSDB goiano, que na próxima sexta-feira, dia 3, no auditório Costa Lima da Assembleia Legislativa, das 8hs ao meio dia, vai eleger o seu novo comando regional, que, de novo, não tem nada.

 

Jânio Darrot, prefeito de Trindade, será eleito para a presidência dos tucanos estaduais. Ele é o nome que o ex-governador Marconi Perillo escolheu, com a missão de preservar os seus interesses e garantir que a estrutura do partido e a cota de R$ 300 mil mensais que recebe do fundo partidário continuem a seu serviço. Marconi, acossado por um cerco judicial pesado, com mais de uma dezena de denúncias por improbidade e pelo menos um inquérito criminal por recebimento de propinas, não quer saber de nenhuma renovação e menos ainda não aceita ficar relegado a segundo plano em uma eventual refundação do partido – passo que seria correto, mas que não virá.

 

O PSDB deixou de ter inteligência em Goiás há muito tempo. Não aconteceu por acaso a dura derrota que o partido colheu nas últimas eleições. Foram erros e mais erros, a começar pelo lançamento de um candidato a governador sem nenhum apelo eleitoral, Zé Eliton, com uma vice, Raquel Teixeira, idem. Nem um nem outro tinham qualquer apelo político, a não ser se prestar ao papel de extensão de Marconi, mesma função que Jânio Darrot está aceitando agora. É mais um equívoco e caminho para novas e futuras derrotas.

30 abr

A pergunta que ninguém sabe responder e O Popular faz de novo nesta terça: por que Caiado, parlamentar experiente como poucos, não consegue formar uma base na Assembleia?

O governador Ronaldo Caiado caminha para mais uma derrota de impacto na Assembleia Legislativa. O primeiro revés, como se sabe, foi a eleição de Lissauer Vieira para a presidência do Poder, atropelando o candidato do Palácio das Esmeraldas (Álvaro Peixoto). O próximo vem aí: será a aprovação da ampliação do orçamento impositivo para 1,2%, com obrigatoriedade de pagamento para as emendas dos deputados – valor de R$ 7,5 milhões para cada um – até o mês de julho de cada ano. Caiado não quer isso de jeito nenhum, mas vai ter que engolir.

 

Há pelo menos 50 anos que não se registra um governador sem o respaldo da Assembleia. O último foi Otávio Lage, na década de 60. É difícil entender como é que Caiado, que foi deputado e senador durante mais de 20 anos e tem experiência parlamentar profunda, não consegue o que todo e qualquer governo tem como rotina, que é a garantia de aprovação dos seus projetos no Legislativo. Uma das regras fundamentais do poder é que não se brinca com fogo, sob risco de se queimar e virar cinzas. Largar os deputados para lá é colocar em risco a governabilidade é pior, é caminhar à beira do abismo.

 

Mas por que Caiado não consegue formatar a sua base de apoio na Assembleia. São muitas as respostas. O próprio presidente  da Casa, Lissauer Vieira, avalia que tem gente demais atrapalhando as articulações. E citou um: o secretário de Desenvolvimento Social, ex-prefeito de Santa Terezinha e caiadista histórico Marcos Cabral, cuja função não tem nada a ver com palpitar em política. Outro fator apontado por Lissauer Vieira é que o governador apontou o seu secretário de governo Ernesto Roller como seu negociador com os deputados, mas não dá a ele a credencial e a força necessárias. Assim, não funciona. O chefão da Assembleia ainda citou a fraqueza do líder do governo, Bruno Peixoto, que acerta soluções com os colegas, mas também não as vê concretizadas.

 

À boca pequena, comenta-se que a primeira dama Gracinha também tem interferido. Mulher de governador se metendo na política é veneno puro. Dizem que ela não só gosta, mas tem o sonho de se candidatar algum dia e estaria construindo o seu projeto. O problema é que a interlocução com Gracinha deixa os deputados arrepiados, já que têm o receio, fundado, de que ela leve reclamações ou se queixe de um ou de outro ao marido. É preciso pisar em ovos no relacionamento com a dita cuja. Consta ainda que a primeira-dama & família estariam pressionando Caiado para não ceder à “velha política” e evitar fazer concessões fisiológicas a quem quer que seja, mesmo porque há o compromisso com a “mudança” prometida na campanha e que, certamente, foi fundamental na sua eleição.

 

Foi certamente por isso que o deputado Humberto Aidar mandou um duro recado ao Palácio das Esmeraldas, ao afirmar, em declarações publicadas pelos jornais, que Caiado precisa mostrar quem manda no governo. É claro que está se referindo a Gracinha e ao seu rigoroso controle sobre as nomeações e demais decisões de importância, que ela tem nas mãos através do secretário da Casa Civil Anderson Máximo, aquele que não dá um passo sem antes pegar na barra da saia da primeira-dama.

 

Pelo sim, pelo não, a classe política estadual se acostumou a um governador, nos últimos 20 anos, que sabia mexer o doce em matéria de angaria apoio e simpatia. Marconi Perillo fez e desfez, sem jamais tropeçar em obstáculos na Assembleia. Caiado está com a sua gestão semiparalisada, sem condições de avançar com questões importantes, como a segunda parte da reforma administrativa, para a aprovação legislativa. Está travado e não consegue de avançar com o seu projeto de governo, que ninguém sabe ainda qual é.

29 abr

Orçamento impositivo de 1,2%, que a Assembleia vai aprovar nos próximos dias contra a vontade de Caiado, garantirá R$ 7,5 milhões em emendas a cada deputado e pagamento obrigatório até julho

É muito maior do que o governador Ronaldo Caiado imagina a derrota que ele vai colher nos próximos dias no plenário da Assembleia, quando os deputados estaduais aprovarão a ampliação do orçamento impositivo para 1,2%: é que, além de garantir um limite anual de R$ 7,5 milhões (valor de acordo com a peça orçamentária atual) em emendas para cada um dos 41 parlamentares, o pagamento passará a ser obrigatório e automático até o mês de julho de cada ano. Outro detalhe que importa é que essas emendas serão retiradas  da rubrica de “restos a pagar”, o que elimina a hipótese de que o governo venha a selecionar as que devem pagas e as que não – todas serão, como o nome diz, impositivas.

 

No total, essa nova despesa vai ultrapassar mais de R$ 300 milhões anuais, o que, na visão do Palácio das Esmeraldas, compromete a política de rigor fiscal que Caiado deseja implantar, mas não conseguiu ainda exatamente porque não tem respaldo na Assembleia para viabilizar as alterações de que necessita na estrutura administrativa e financeira do Estado. O pior de tudo é que o governo não conseguiu montar uma base de apoio legislativa e está fragilizado entre os deputados: o orçamento impositivo só não foi aprovado na semana passada porque, na iminência de ir à apreciação, foi contido por um desesperado  e incomum pedido de vistas do deputado Bruno Peixoto, que recorreu ao artifício apenas para tentar ganhar tempo.

 

Mas Bruno Peixoto é obrigado a devolver o projeto até o início da sessão desta terça-feira, 30 abril, se houver (quarta é o Dia do Trabalho e costuma não haver quorum em véspera de feriados). Existindo número suficiente de deputados, o orçamento impositivo vai ser inapelavelmente aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e depois em plenário, em primeira votação. Será mais um tropeção de proporções monumentais para Caiado na Assembleia.

29 abr

Lissauer Vieira enxerga Caiado por trás da denúncia que o Ministério Público fez contra ele em Rio Verde, acatada pela Justiça, e age nos bastidores da Assembleia contra o governo

Desceu a nível zero o relacionamento entre o presidente da Assembleia Legislativa Lissauer Vieira e o governador Ronaldo Caiado, por conta de uma denúncia do Ministério Público contra Lissauer por improbidade, no caso de uma emenda orçamentária do deputado que foi aplicada em um show sertanejo em Rio Verde. A denúncia originou um processo que acabou bloqueando mais de R$ 1,2 milhões do deputado, depois que o Tribunal de Justiça reformou a decisão de juiz local que não concedeu a indisponibilidade de bens.

 

Para o presidente da Assembleia, Caiado andou mexendo os pauzinhos para forçar a tramitação da ação, através da sua filha Anna Vitória – que sabidamente foi a responsável pela nomeação do novo procurador-geral de Justiça Ailton Vechi e tem acesso ao MP e ao TJ. As sanções requeridas pelo promotor de Rio Verde e restabelecidas pelos desembardores terima a ver com o desejo de retaliar Lissauer Vieira, depois da sua vitória na disputa pela presidência da Assembleia, passando por cima dos interesses do Palácio das Esmeraldas (que queria Álvaro Guimarães no posto).

 

Amigos e assessores próximos contam que o parlamentar rioverdense está magoadíssimo com o governador e também se prepara para dar o troco, atuando para aprovara emenda que aumenta para 1,2% o orçamento impositivo, limite que o governo do Estado simplesmente não aceita de jeito nenhum. Segundo o Jornal Opção, Lissauer Vieira já comunicou ao secretário de Governo Ernesto Roller que o orçamento impositivo será aprovado nos próximos dias pela Assembleia – mesmo contrariando o Palácio das Esmeraldas, que quer a rejeição do projeto. Será mais uma derrota política de peso para Caiado.

 

Leia mais aqui.

27 abr

Governo e aliados comemoram pesquisa que, na verdade, é péssima para Caiado e mostra que ele passa por um processo de desgaste e só tem, hoje, a aprovação de um terço dos goianos

É muita ingenuidade: aliados do governador Ronaldo Caiado comemoram nas redes sociais a pesquisa do instituto Paraná, divulgada pelo Jornal Opção e em seguida pelo site Mais Goiás, supostamente mostrando uma aprovação de mais de 59% para o novo governo. Um exemplo foi o líder de Caiado na Assembleia, Bruno Peixoto, que chegou a parabenizar o governador pelo bom desempenho.

 

Não é bem assim. A pesquisa, na verdade, é muito preocupante para o Palácio das Esmeraldas. Mostra que Caiado tem apenas 36% de ótimo e bom e já chega a 25,7% na soma dos quesitos ruim e péssimo. Regular são 35,5%, mas quem é que deseja um governo apenas regular? Como a soma desses itens deve incluir os que se recusaram a opinar, ou seja, 2,9%, foi corrigido (pelos detalhes publicados pelo Mais Goiás) um erro da matéria do Jornal Opção, onde os números totalizaram 97,2%, enquanto o correto é 100,1% (o instituto explicou que o 0,1% refere-se ao seu sistema de arredondamento dos índices e deve ser desprezado).

 

36% de aprovação, perto de se iniciar o oitavo mês de Caiado desde que foi eleito, a 7 de outubro do ano passado, é um resultado que deveria levar o governo a levantar as suas antenas. A festa com a pesquisa se baseou no percentual de 59,9% que o governador alcançou nas respostas a uma pergunta que não serve para aferir a receptividade de governos ou governantes e que se resume apenas a uma indagação sobre aprovação ou desaprovação. Ninguém leva esse quesito a sério. Todos vocês, leitoras e leitores, viram as pesquisas sobre o presidente Jair Bolsonaro e sabem que ele tem 37% de ótimo e bom e que, portanto, a sua popularidade está em xeque e caiu muito desde a eleição. A exemplo de Caiado, quando a pergunta foi “aprova ou desaprova?”, Bolsonaro também conseguiu seus 57% e nem assim a imprensa nacional concluiu que o seu governo vai bem. Prevaleceu a soma do ótimo e bom como veredito real sobre a sua gestão.

 

Caiado, desde a eleição até agora, perdeu quase a metade do apoio que tinha entre os goianos. Essa é a conclusão que deve ser tirada da pesquisa do instituto Paraná. Fora daí, achar que o novo governo tem a aprovação de 59,9% da população, praticamente o mesmo resultado das urnas, é pura ilusão.

27 abr

Três fatores inviabilizam a formatação de uma base confiável para Caiado na Assembleia: a falta de poder de Ernesto Roller, a arrogância dos secretários de fora e a caderneta da primeira-dama Gracinha

É bem possível que o governador Ronaldo Caiado já tenha tomado ou esteja perto de tomar uma decisão inusitada: vai tocar a sua gestão sem apresentar projetos de importância à Assembleia Legislativa, onde, hoje, não tem a certeza de que consegue aprovar qualquer coisa, dado o clima hostil entre o Palácio das Esmeraldas e os deputados estaduais.

 

É quase impossível governar assim. Mas Caiado parece não ter opção. Do que ele fez até agora para conquistar o apoio do Legislativo, nada deu certo. Nem mesmo apelar para o apetite fisiológico dos parlamentares, oferecendo cotas de R$ 30 mil em nomeações e direito a indicação de duas diretorias ou superintendências. Muitos aceitaram, inclusive gente da oposição, como os deputados Diego Sorgatto, do PSDB, ou Virmondes Cruvinel, ex-PPS e atual Cidadania, e Tiago Albernaz, do Solidariedade, esses dois últimos antigamente ligadíssimos ao ex-governador Marconi Perillo. Mesmo assim, o destino de eventuais matérias de importância que venham a ser submetidas à Assembleia continua incerto, obrigado o governo a adiar temas estratégicos como a segunda parte da reforma administrativa.

 

Três fatores atravancam a formatação de uma base de apoio legislativo a Caiado. O primeiro é a falta de poder do secretário de Governo Ernesto Roller, encarregado das negociações com os deputados. Roller não tem poder de decisão e precisa, a cada passo, submeter seus acertos a apreciação superior, no caso a primeira-dama Gracinha, encarregada informal de receber, avaliar e tornar realidade, quando achar que deve, as indicações recebidas. Além disso, o secretário padece de uma crise de relacionamento com o deputado Iso Moreira, com quem disputa penetração no nordeste goiano. Iso e Roller são adversários figadais, que não trocam nem um cumprimento educado. E, para azar do secretário, Iso é hoje o mais eficiente conspirador dos bastidores da Assembleia, tanto que foi nomeado líder do recém-criado bloco independente, que pretende se comportar nem como governista nem como oposicionista, mas exatamente como o nome indica, ou seja, de modo autônomo, o que é um mau sinal para o governo.

 

O segundo obstáculo para o advento da tal base na Assembleia é o desprezo que os secretários que vieram de fora, a maioria no governo Caiado, dedicam aos deputados. Uns, por falta de experiência e conhecimento da política estadual. Outros, por arrogância mesmo. Amontoam-se casos em que nomes recomendados pelos parlamentares foram nomeados, porém em seguida rechaçados – o que, por exemplo, aconteceu na Saneago, onde o presidente Ricardo Soavinski recusou-se a dar posse a indicados de deputados (e até do governador – leia mais aqui), ou na Secretaria de Comunicação, que teve um irmão do deputado Humberto Aidar aboletado para uma superintendência, mas depois colocado para fora pela titular da pasta Valéria Torres.

 

A primeira-dama Gracinha Caiado e a sua inseparável caderneta, onde registra cuidadosamente cada sugestão não só dos deputados, como também dos políticos em geral, é o terceiro ponto a emperrar a definição de uma maioria pró-Caiado na Assembleia. Ela anota, mas não dá garantia de que haverá uma solução e só avança com o que acha válido para o governo e para o marido. Muitos deputados estranham que a primeira-dama tenha essa função e menos ainda se sentem à vontade para apresentar as suas listas – que Gracinha, por sua vez, também não recebe sem um olhar de quem acredita que essa é uma prática da “velha política” que precisa ser varrida do Estado. Ao delegar responsabilidades políticas para a própria mulher, Caiado impôs a si próprio um risco elevado. Além de expô-la, esqueceu-se que ela é, digamos assim, uma figura reverencial, pelos seus laços matrimoniais, que a revestem de uma aura virtuosa e sagrada. Quem ousaria reclamar ou incomodá-la para discutir pleitos não atendidos ou picuinhas municipais e se arriscar a tomar uma reprimenda de caráter pessoal do governador?

 

Tudo isso somado, deu no inevitável. O governo Caiado está totalmente fragilizado na Assembleia. Começa assim, perdendo votações e levando tropeções de maior ou menor tamanho. Mas onde termina é que mora o perigo.

27 abr

Articulação política do governo Caiado é disfuncional e tem a família como origem das dificuldades de relacionamento com a classe política e especialmente com os deputados estaduais

O governo comandado por um dos políticos mais experimentados da história de Goiás, com uma longa carreira parlamentar, não consegue formatar uma base de apoio na Assembleia Legislativa e por isso está mergulhado em uma semiparalisia, com os seus passos contidos pelo receio de submeter à apreciação dos deputados a segunda parte da reforma administrativa  e vê-la simplesmente derrubada – o que configuraria uma derrota de proporções tão catastrófica quanto foi a eleição de Lissauer Vieira para presidente da Assembleia passando por cima dos interesses do Palácio das Esmeraldas.

 

segunda parte da reforma administrativa é essencial para os necessários e indispensáveis cortes de gastos e para adequar o governo à visão operacional de Caiado e sua equipe. Ela vem sendo adiada sucessivamente porque, por um lado, o governador não sabe exatamente o que pretende, enquanto, por outro, não tem nenhuma garantia de que os deputados estaduais a ratificarão. Mas por que o Executivo, com o poderio da sua máquina de distribuir benesses e até mesmo com o “balcão de negócios” que Caiado abriu para negociar cargos com os parlamentares, não consegue assegurar algo tão trivial como o respaldo da Assembleia, algo que os 10 últimos governadores antecessores do atual conseguiram com facilidade?

 

Para responder a essa questão, é preciso ir a fundo. E se deparar com a influência que a família de Caiado exerce sobre ele, em especial sua mulher Gracinha, a filha Anna Vitória e o genro Alexandre Hsiung. Eles têm uma concepção em comum: acham que o marido, pai e sogro foi eleito para mudar as práticas políticas em Goiás e afastar de vez os costumes envelhecidos que, no passado, ajudaram a gerar escândalos e a desgastar as administrações do PSDB e do antigo PMDB. Gracinha, de todos a que mais sugestiona a conduta do governador, é quem mais defende esse ponto de vista: Caiado tem a missão sagrada de implantar a “nova política” no Estado e por isso deve ser manter puro, à distância e jamais ceder nas negociações fisiológicas mesmo com aqueles que o apoiaram desde o início da sua campanha.

 

Nunca se viu, no governo de Goiás, uma família tão ativa e dominante quanto a de Caiado. Não à toa, isso se expressa nas duas dezenas de nomeações de parentes, que o Palácio das Esmeraldas assumiu sem a menor preocupação com a opinião de quem quer que seja. O jornal O Popular chegou a publicar uma reportagem de uma página sobre a infestação de Caiados na administração e nada. Eles não dera a menor bola. Com a primeira-dama Gracinha no papel de grande mentora da rejeição à política tradicional e com o seu indiscutível poder sobre o seu companheiro, não é de se estranhar que o governo, no pouco que tem de articulação com os deputados, seja tão disfuncional.

26 abr

Pesquisa do instituto Paraná, publicada pelo Jornal Opção, confirma que Caiado perdeu quase metade do capital político que ganhou na eleição e só tem 36% de bom e ótimo

O governador Ronaldo Caiado, que superou a marca dos 60% dos votos na sua eleição, perdeu quase a metade desse capital político, conforme pesquisa do instituto Paraná, divulgada agora há pouco pelo Jornal Opção. O levantamento aponta Caiado com 6,6% de ótimo e  29,4% de bom (somando 36% de aprovação, portanto) , contra 25,7% de ruim e péssimo (a reportagem já apresentou esses quesitos totalizados e não os detalhou separadamente) e 35,5% como regular.

 

A matéria não revela quem encomendou a pesquisa nem traz dados importantes como regiões geográficas, cidades ou faixas da população consultadas. Os números também não batem: a soma de ótimo+bom+regular+ruim+péssimo deveria fechar em 100%, mas chega apenas a 97,2%.

 

O instituto Paraná é de credibilidade mediana, depois que a sua imagem foi afetada na campanha presidencial de 2014, quando divulgou índices apontando para uma vitória confortável de Aécio Neves no 2º turno contra Dilma Rousseff.

 

A pesquisa sobre o desempenho de Caiado tem outros itens, todos favoráveis ao governador. Em um deles, diante da pergunta direta sobre se o entrevistado aprova ou desaprova a atual gestão, 59,9% disseram que sim e 33,5% informaram que não. Com os 6,7 que não quiseram responder, o total foi a 100,1%  – conta também estranha, já que igualmente deveria ter concluído com 100%.

26 abr

PSDB goiano é uma casa em ruínas, empurrada para a periferia. Mesmo assim, há uma disputa pela sua presidência. O segredo? Um cofre cheio de ouro enterrado no quintal

O último pleito transformou o PSDB goiano em pó. O partido, depois da fragorosa derrota nas urnas, quando seus ícones Marconi Perillo e Zé Eliton tomaram uma surra e apenas seis deputados estaduais e um federal conseguiram se eleger, assemelha-se a uma casa velha, em escombros, empurrada para a periferia. Não deveria valer grande coisa, mas, mesmo com as paredes e o telhado ameaçando desabar de vez, há ainda quem se interesse. Dois prefeitos – Jânio Darrot, de Trindade, e Carlão da Fox, de Goianira – estão engalfinhados em uma disputa pela presidência do PSDB estadual.

 

O que justifica essa briga, que envolve forças outrora poderosas, como, por exemplo, o ex-governador Marconi Perillo, que manobra nos bastidores para que o seu candidato do peito, Jânio Darrot, seja entronizado? A resposta, leitor, está no cofre de ouro enterrado no quintal do partido. Trata-se da cota do bilionário fundo partidário, que rende ao diretório de Goiás em torno de R$ 300 mil mensais. E eventualmente mais dinheiro pode vir do diretório nacional. Em tempos de vacas magras, com os tucanos completamente alijados do poder depois da vitória de Ronaldo Caiado, trata-se de uma pequena fortuna.

 

E que pode ser gasta quase que à vontade. Exige-se prestação de contas para a Justiça Eleitoral, mas os critérios são frouxos. Quem ganhar o comando do partido poderá contratar secretárias, assessores, advogados, pagar publicidade, viagens, carros, combustível, alugar aviões, telefones celulares, restaurantes e mais uma infinidade de despesas que no final das contas serão convenientes para a sobrevivência dos líderes tucanos no Estado, em especial Marconi. É por isso que Jânio Darrot, um empresário riquíssimo, que ainda detém a relativamente bem situada prefeitura de Trindade, foi escolhido para presidir o partido. Ele será o eleito, realizando-se, mais uma vez, a vontade soberana de Marconi. Jânio não precisa da estrutura do partido, nem pessoalmente nem para fazer política e por isso é o nome ideal para administrar a valiosa caixa forte partidária. Será apenas um preposto de confiança, com a missão de facilitar as demandas do ex-governador.

26 abr

Acreditem, leitora e leitor: 3 semanas depois de completar 100 dias de governo, Caiado continua prestando contas. Nesta sexta, deu entrevista repetindo pela enésima vez tudo o que já foi dito

Na manhã desta sexta-feira, 26 de abril, o governador Ronaldo Caiado foi à Rádio Brasil Central para uma entrevista com radialistas de todo o Estado. Seria normal, não fosse o tema abordado: a prestação de contas dos 100 dias do novo governo.

 

Acontece que esses 100 dias foram completados há três semanas. Caiado escreveu um artigo em O Popular, promoveu uma solenidade no Palácio Pedro Ludovico, protagonizou uma livre no Facebook, publicou um Power Point e uma dezena de cards nas redes sociais, reuniu 28 deputados estaduais no cineminha do Palácio das Esmeraldas e deu exatamente 13 entrevistas a veículos de comunicação os mais diversos, tudo sobre o mesmo tema, ou seja, a tal prestação de contas.

 

Os 100 dias, portanto, já passam de 120 e parecem não ter fim. Assemelham-se a uma overdose de ufanismo e autoexaltação. No , pouca coisa de relevante foi apresentada, decorrência de um erro grave cometido com a decisão de postegar e posteriormente parcelar o pagamento de dezembro do funcionalismo. Isso abriu uma crise que se tornou dominante nas manchetes da imprensa e acabou se transformando no principal fato dos tais 100 dias, matando no berço a hipótese de uma agenda positiva para o governo. Essa é a verdade.

26 abr

Base de Caiado na Assembleia se esboroa antes mesmo do primeiro teste: como explicar que um governador que passou a vida no Parlamento não consiga respaldo dos deputados para o seu governo?

Mexeu para cá, mexeu para lá e deu em nada. Esse é o resultado de toda a anunciada e desgastante movimentação do governador Ronaldo Caiado na tentativa de formatar uma base de apoio na Assembleia Legislativa, inclusive com notícias públicas e constrangedoras sobre um “balcão de negócios” aberto para comprar o votos de deputados (é bom lembrar que a denúncia foi feita por um aliado de Caiado, o deputado Major Araújo). No final das contas, a tal base simplesmente não existe, deixando o governo estadual acuado contra a parede quanto aos projetos que necessita aprovar para levar adiante a mudança que foi prometida durante a campanha – caso da reforma administrativa, que, perto de se iniciar o oitavo mês desde que o novo governador foi eleito, continua na estaca zero, já que a sua remessa à apreciação da Assembleia traz o risco de uma rejeição.

 

Por enquanto, Caiado continua sem contar com qualquer respaldo parlamentar e isso deixa a sua gestão semiparalisada. O seu temperamento imperial o impede de adular os deputados ou sequer perder algum tempo conversando com eles. Vejam bem, leitora e leitor: Caiado, sobre si próprio, pensa que veio de cima para baixo, ou seja, do cenário nacional para a província. Não tem que perder tempo com picuinhas de deputados, nenhum deles interessado no sucesso do seu governo e unicamente agarrados aos seus interesses pessoais. Não confia neles e eles, por sua vez, também devolvem a desconfiança. Para os 41 membros da Assembleia, pouco importa que o governador tenha sido eleito para o Palácio das Esmeraldas em um inédito 1º turno e com mais de 60% dos votos dos goianos.

 

O presidente Jair Bolsonaro também está penando no relacionamento do governo federal com o Congresso. Caiado, tal como Bolsonaro, tem uma longa carreira parlamentar, mais de 20 anos atuando como deputado e senador. É de se estranhar que ambos enfrentem problemas com o Parlamento, justamente a área em que têm experiência e que conhecem como a palma da mão. No caso de Goiás, é preciso entender a personalidade do governador e o seu sentimento de superioridade e ideia de que é portador de desígnios quase divinos – a missão de reconstruir Goiás – que estaria muito acima de simples e defeituosos mortais como os deputados estaduais.

 

Caiado se esforçou para formatar uma base de apoio na Assembleia. Engoliu a sua própria palavra para abrir o “balcão de negócios” e ofereceu cotas de R$ 30 mil em nomeações, além de diretorias e superintendências, permitindo inclusive que os deputados indicassem parentes para esses cargos. O Diário Oficial não economizou tinta para a farra que se seguiu. O que não dá para entender é que, mesmo assim, o Palácio das Esmeraldas continua sem garantia de aprovação de matérias na Assembleia. Apesar das prebendas, os deputados, aparentemente, não gostaram do jeito como são tratados por um governador que foi parlamentar durante mais de 20 anos consecutivos.

 

Um grupo independente de 14 deputados foi formado, às margens dos interesses do Palácio das Esmeraldas. É uma espécie de “Centrão” estadual, que parece querer dominar as votações na Assembleia. Seu primeiro feito será empurrar goela abaixo do governador o orçamento impositivo de 1,2%, tornando obrigatório e automático o pagamento das emendas aprovadas pela Assembleia. É jogo jogado. Vai se transformar em realidade, logo, logo. E configurar mais uma derrota política para o governo.

25 abr

Perto de iniciar o 8º mês desde que foi eleito, Caiado continua adiando a reforma administrativa. Sinal claro de que tem dúvida sobre o que fazer e também de que ainda não formou base na Assembleia

Daqui a poucos dias o governador Ronaldo Caiado entra no oitavo mês desde que foi eleito, a 7 de outubro do ano passado. É uma eternidade. Mesmo assim, ele segue sem preencher postos importantes da sua administração (a estratégica Goinfra, ex-Agetop, só tem duas diretorias nomeadas) e sem ainda apresentar a segunda parte da sua reforma administrativa, que vai dizer muito do seu projeto de governo e da sua coragem para realmente cortar a fundo para tentar reduzir as despesas e levar o Estado ao reequilíbrio fiscal.

 

Vamos ficar aqui no tema da reforma administrativa. Antes de Caiado começar o mandato, ela já era um tema prioritário, por se constituir no instrumento de definição do modelo de gestão do novo governo e, evidentemente, pela urgência com que deveria ser encarada, logo nos primeiros dias da gestão. Vejam o caso do presidente Jair Bolsonaro, que anunciou a sua antes de assumir e a concretizou logo na semana da sua posse. Caiado prometeu resolver o assunto em fevereiro, assim que a Assembleia iniciasse os trabalhos. Adiou para março. Adiou para abril. E, como o mês está se esgotando, deve agora ficar para maio.

 

O significado de tanta postergação é fácil de deduzir: por um lado, Caiado não sabe exatamente o que fazer e hesita sobre o conteúdo da reforma, enquanto, por outro, não tem também confiança na suposta base de apoio que formou na Assembleia e não pode correr o risco de enviar o projeto e colher uma derrota, que pode vir tanto pela rejeição da matéria quanto pela aprovação de alterações através de emendas dos deputados. Não à toa, ele já admitiu recuar da decisão de incluir no pacote a redução de 20% dos cargos comissionados – que, em vez de serem extintos, ficariam marotamente guardados na gaveta para uma eventual necessidade. É algo típico dos políticos. Ninguém, no poder, quer podar a sua própria capacidade para distribuir benesses e angariar apoio.

 

Uma reforma administrativa está na gênese de todo governo e é o momento em que o governante informa a sociedade sobre o que pretende para o futuro É ela que teoricamente começaria a trazer a mudança que Caiado levantou como bandeira de campanha e ajudou a convencer os goianos a escolher o seu nome nas urnas. Se for um fiasco, ou seja, se não mostrar realmente inovação e economia, vai quebrar as expectativas e ajudar a enterrar a nova gestão.

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