Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

01 fev

Esclarecimento: secretário de Governo Ernesto Roller não teve a mulher nomeada para a OVG

Em contato com este blog, o secretário de Governo Ernesto Roller esclareceu que não teve a mulher ou qualquer parente nomeado para a Organização das Voluntárias de Goiás nem qualquer outra área da administração, conforme circulou entre os deputados estaduais durante as conversações sobre  a definição do novo presidente da Assembleia.

 

O blog verificou e, de fato, não confirmou a informação. Nossas escusas ao secretário Roller.

01 fev

Definição do significado de “conchavo” é fundamental para que se entenda o governo Caiado e para saber se é ou não uma gestão diferente das anteriores, que ele tanto critica

Desde que ganhou a eleição e principalmente depois de empossado, o governador Ronaldo Caiado vem repetindo que acabou a era do “conchavo” em Goiás, que, segundo ele, seria a rotina das administrações passadas. Em especial no caso da extinção das 5 secretarias extraordinárias, Caiado foi muito claro ao dizer que se tratavam de pastas destinadas a abrigar apaniguados políticos, sem utilidade para o Estado, e que isso seria o que mais caracterizou o “conchavo” nos governos de Marconi Perillo e Zé Eliton.

 

O novo governador, querendo ou não, acabou chamando a atenção para os limites dos componentes políticos de todo e qualquer governo. No seu primeiro mês de mandato, ele praticamente não fez “conchavos”, entendendo-se a expressão, como ele fez ao referir-se às secretarias extraordinárias, como sinônimo da nomeação de políticos para cargos na administração. E pagou um preço alto, perdendo o apoio da maioria dos deputados no processo de escolha do novo presidente da Assembleia, praticamente todos reclamando de que não foram ouvidos ou prestigiados com “conchavos” por Caiado.

 

Mas “conchavo” é algo tão pernicioso assim ou, pragmaticamente falando, trata-se de uma necessidade vital para o andamento estável de todo e qualquer governo? E Caiado, ao nomear, por exemplo, um ex-prefeito de Americano do Brasil, cidade localizada na região onde tem fazenda, como vice-presidente da Saneago, apesar de não ter nenhum conhecimento na área de saneamento, fez um “conchavo” ou não? E nas nomeações políticas que já anunciou que fará em fevereiro, atendendo a recomendações de deputados e prefeitos, estará ou não promovendo “conchavos”?

 

Falar demais dá nisso. Não há governo, em parte alguma do mundo, sem “conchavos”. Caiado já os está fazendo e vai obrigatoriamente se afundar com centenas, talvez milhares deles. Tudo o que um governo faz fora da área técnica… é “conchavo” político. Acumulam-se na Secretaria de Governo maços e maços de ofícios de políticos indicando nomes para cargos em praticamente todas as pastas – e claro que nessa onda entram pessoas qualificadas, mas também gente sem a menor capacitação. “Conchavo” é assim mesmo. E Caiado não vai escapar de fazer. Não vai ser fácil e quem sabe será impossível fazer o seu governo diferente dos anteriores.

01 fev

Jayme Rincón assume ser o dono dos mais de R$ 1 milhão apreendidos com ele e seu motorista, mas dá à Polícia Federal uma versão que não é sustentada por Beto Rassi, sua principal testemunha de defesa

As investigações da Operação Lava Jato, com seus desdobramentos nas Operações Cash Delivery e Compadrio, prosseguem a todo vapor, na esfera das diligências e apurações que estão sendo desenvolvidas pela Polícia Federal, sob orientação do Ministério Público Federal.

 

Além do arresto dos bens imóveis do ex-governador Marconi Perillo e do ex-presidente da Agetop Jayme Rincón, há mais novidades. E uma delas é uma bomba: Rincón, em novos depoimentos à PF, admitiu ser o dono dos mais de R$ 1 milhão de reais apreendidos com ele e seu motorista, alegando ter recebido a quantia do empreiteiro Luiz Alberto Rassi, conhecido como Beto Rassi, em decorrência de negócios de venda de imóveis em Aparecida. O problema é que, chamado a se manifestar, como principal testemunha da defesa, Beto Rassi confirmou que, sim, fez o pagamento em moeda a Rincón, mas… em 2016. Como parece pouco provável que alguém guarde um numerário tão elevado por tanto tempo, a situação jurídica do ex-presidente da Agetop pode ter se complicado muito e parece tornar irreversível a sua condenação, dentre outros crimes por lavagem de dinheiro e peculato.

 

Beto Rassi é figura presente em todos os inquéritos e apurações que envolvem tanto Marconi quanto Rincón, desde a deflagração da Operação Monte Carlo, na qual apareceu em gravações discutindo negócios dentro do governo do Estado com o também empresário Carlos Cachoeira. Ele chegou a ser sócio de Marconi em aquisições de imóveis e foi também o empreiteiro responsável para construção da milionária obra do prédio que hoje abriga o Tribunal de Contas do Estado. Estranhamente, confirmou a versão de Rincón, mas deu uma data que acabou agravando as circunstâncias penais do seu ex-parceiro de negócios.

 

Pode anotar, leitora e leitor: vai ser muito difícil para Marconi e seu ex-auxiliar na Agetop escaparem de consequências mais sérias nessas ações policiais em que estão enrolados.

01 fev

Assembleia com novo presidente não submisso ao Executivo representa avanço histórico para Goiás e dará a Caiado um contrapeso e um freio que, no final das contas, serão até educativos para ele

Talvez sem muita consciência de que acabariam alcançando esse objetivo, o movimento da maioria dos deputados estaduais que na tarde desta sexta-feira, 1º de fevereiro, elegerá Lissauer Vieira como o novo presidente da Assembleia, não submisso ao Executivo, vai dar uma contribuição histórica para o desenvolvimento político de Goiás ao vestir no Legislativo o figurino da independência que servirá de contrapeso e de freio que no final das contas será positivo para o mandato do governador Ronaldo Caiado – e principalmente por se tratar de Caiado.

 

Qualquer criança, ao observar e avaliar o primeiro mês do novo governo, será capaz de dar o diagnóstico correto: é uma gestão lenta, excessivamente fechada em si mesmo, formada em sua maioria por secretários que nunca pisaram no Estado e portanto obviamente não o conhecem, com um indiscutível componente de autoritarismo personalizado no estilo do próprio governador, que não ouve e não consulta ninguém. Não existe um processo de afinamento de decisões, tomadas até agora sem um processamento padrão e muito na base do improviso, criando cada vez mais arestas e queimando à toa o formidável capital político que Caiado conquistou ao vencer em 7 de outubro com votação recordista e ainda por cima no 1º turno. Esse caminho se tornou inviável com o que aconteceu e será consolidado na tarde desta sexta no Legislativo e terá que ser substituído por algo mais palatável para os políticos e para os goianos.

 

A derrota do governo na disputa pela presidência da Assembleia não é pouca coisa e não apenas por ser inédita diante dos últimos 40 anos e mais ainda por ter sido decorrente de erros infantis de articulação política, gerados por uma certa arrogância e prepotência. Vai prejudicar a imagem de Caiado inclusive nacionalmente, pois está em sentido contrário ao que se esperava de alguém com mais de 30 anos de experiência parlamentar. Ocorre que, do ponto de vista dos interesses da sociedade, que é a beneficiária de uma gestão que se mostre equilibrada e responsável nos seus atos, pode se tratar de um avanço: a Assembleia, enfim, poderá realmente moderar a ação do Executivo, que a partir de hoje terá que se mostrar cauteloso e prudente em dobro ou em triplo com relação aos projetos e aos temas que submeterá à apreciação da Casa. Bom, mas muito bom para Goiás. E necessário para chamar Caiado de volta à realidade: se ele ganhou sozinho a eleição para governador, sozinho não governará jamais, porque são momentos diferentes e desiguais.

 

O passo que a Assembleia está dando é muito superior à mudança que Caiado propôs na campanha, mas ainda não implantou na administração do Estado. O Legislativo passou à frente do Executivo, que agora será obrigado a correr atrás, com doses extras de humildade e abertura para o diálogo. E às custas do desperdício do primeiro mês do novo governo porque, de verdade, o jogo começa a partir de agora.

01 fev

Caiado fala bobagens (fiado para funcionários com salário atrasado, concordata do Estado, vender bens de Marconi para pagar a folha) incompatíveis com quem deveria conhecer a lei e respeitar o bom senso

A coleção de besteiras que o governador Ronaldo Caiado desfiou neste seu primeiro mês de mandato é absolutamente incompatível com o elevado padrão de comportamento institucional que se exige de uma autoridade investida na chefia de um Poder Executivo estadual.

 

Tem algo errado quando um governante pede a prefeitos que avalizem funcionários públicos com salários atrasados para que comprem fiado em farmácias e supermercados. Nem factível a providência é, muito menos legal e, pior ainda, caracterizaria alguma humilhação para os servidores e além de tudo o mais, caso fosse levada adiante, estaria impondo sacrifícios a empresários que nada têm a ver com as dificuldades do Estado.

 

E a “concordata” do Estado, a que Caiado e seus secretários de Governo Ernesto Roller e da Economia Cristiane Schmidt referiram-se inúmeras vezes durante o transcorrer de janeiro, ao falar da crise fiscal em que Goiás se meteu? O instituto da concordata foi extinto da legislação brasileira há mais de uma década. Se ainda existisse, não poderia ser aplicado a entes do Poder Público, mas somente a pessoas jurídicas privadas. No caso de Ernesto Roller, vale lembrar que ele deveria saber da impropriedade de uso do termo, já que é advogado, enquanto Caiado e Cristiane ainda têm uma desculpa porque um é médico e outra economista.

 

Houve mais extravagâncias, porém a última foi a que mirou mais longe na esquisitice: após o anúncio de que a Justiça Federal tinha arrestado os bens imóveis do ex-governador Marconi Perillo e do presidente da Agetop Jayme Rincón, Caiado comemorou a decisão informando que venderia esses bens e destinaria o dinheiro arrecadado para o pagamento dos salários atrasados dos servidores estaduais. Isso, leitor, só aconteceria no mundo de fantasia da cabeça do governador, já que o arresto apenas coloca os imóveis em indisponibilidade até que haja uma sentença, transitada em julgado, reconhecendo a culpa de Marconi e Rincón e os condenando a ressarcir os prejuízos que causaram nem se tem clareza ainda a quem, se ao Estado ou se à União.

 

Bens arrestados não são vendidos, portanto, a não ser após a sentença condenatória final do processo, o que está longe de acontecer e, aliás, nem vai acontecer durante o atual mandato de Caiado, dada a lentidão da Justiça brasileira e aos meios de defesa disponíveis para qualquer acusado. Portanto, o que ele falou, falou com desconhecimento de causa. Provavelmente, quis fazer marketing às custas da infelicidade de Marconi, Rincón e do funcionalismo, o que é igualmente condenável.

01 fev

Arresto do patrimônio de Marconi comprova que ele é alvo de um processo judicial pesado, está com a reputação manchada e por um longo, longo tempo não tem chances de voltar para a política

A decisão da Justiça Federal de arrestar os bens patrimoniais do ex-governador Marconi Perillo prova que a perseguição judicial a ele não está para brincadeiras: o tucano é alvo de um processo judicial pesado, está com a reputação manchada – a se julgar pela repercussão nacional que a medida alcançou, com amplo destaque no Jornal Nacional – e em função dos desgastes acumulados com as investidas do Ministério Público Federal e da Polícia Federal não tem a menor chance de voltar à política, pelo menos por um longo tempo.

 

Além do arresto propriamente dito, Marconi foi também constrangido pela divulgação da lista de imóveis apreendidos, com a revelação de propriedades que ninguém sabia que ele detinha, como lotes no Alphaville, em Goiânia, apartamento de luxo em Goiânia e mais um apartamento em uma das praias de Guarujá. Outro motivo de embaraço para o ex-governador foi que, junto com ele, foi também atingido pela deliberação de captura de bens o ex-presidente da Agetop Jayme Rincón, que se tornou figura carimbada em escândalos de corrupção em Goiás e com o qual, em seu depoimento à PF, Marconi negou peremptoriamente ter qualquer relacionamento pessoal, tendo jurado às autoridades policiais que conhece Rincón apenas por tratativas profissionais decorrentes da sua presença na equipe de governo durante seus dois últimos mandatos.

 

Após perder a eleição para o Senado, na qual ficou em 5º lugar e em seguida passar 24 horas na cadeia, o tucano-mor de Goiás sinalizou um afastamento do cenário político, mudou-se para São Paulo – onde também tem apartamento – e, de fato, esteve desaparecido por algum tempo. Mas não durou muito. Animal político por excelência, com gosto acentuado pelas manobras dos bastidores do poder, Marconi voltou e, já no processo de escolha do novo presidente da Assembleia, tentou interferir com telefonemas aos deputados e articulações inicialmente a favor da candidatura de Álvaro Guimarães, que não prosperou, e depois contra o governador Ronaldo Caiado, qualquer que fosse o candidato – obrigando os parlamentares comprometidos com a postulação vitoriosa de Lissauer Vieira à decisão coletiva de não atender suas chamadas, para evitar contaminação.

31 jan

Novo crime bárbaro, a morte de uma moça sequestrada em casa, fecha recorde de violência em janeiro e testa a capacidade do governo Caiado para ir além do discurso na área de segurança

Paula Fernanda Barbosa tinha 19 anos e estava em casa, em Planaltina, quando surgiram três homens que a levaram a força. No dia seguinte, apareceu morta em um matagal, com o corpo perfurado (não se sabe ainda se por tiros) e com sinais de brutalização sexual.

 

Mais um crime bárbaro, dentre os tantos deste janeiro que já ganhou o título de mês recordista, nos últimos anos, em matéria de homicídios violentos, diante dos quais a Secretaria de Segurança, sob o comando do delegado federal aposentado Rodnei Miranda, simplesmente calou-se, passando uma impressão de falta de reação.

 

Janeiro está indo embora deixando sem respostas o primeiro teste para a política de segurança do governo Ronaldo Caiado, área em que o compromisso estabelecido desde a campanha, repetido depois e confirmado após a posse, seria o restabelecimento da paz e da tranquilidade para os goianos. Nem o governador nem as autoridades policiais ocuparam qualquer espaço na mídia ou nas redes sociais para evidenciar que houve alguma mudança de postura, alguma rearticulação do aparato de segurança ou mesmo qualquer novidade capaz de convencer a população de que ou os crimes vão diminuir ou serão punidos com presteza ou serão enfrentados com dureza e determinação. Ou seja: nem o discurso de que tudo vai ser resolvido é entoado mais.

 

Caiado, com toda a sua experiência, sabe que em segurança pública o que vale é a sensação. E ele mesmo, nos primeiros dias depois de assumir o governo, participou da apresentação de uma quadrilha de roubo a bancos onde, junto com autoridades da polícia, anunciou que “o clima já mudou”, referindo-se possivelmente a um suposto aumento da eficiência no combate ao crime. Mas aí janeiro continuou e acabou desmentindo Caiado com a crueldade dos seus casos de mortes violentas. É preciso uma solução já.

31 jan

Fiasco na Assembleia, o primeiro e mais sério tropeção político do governo Caiado, vai para a conta de Ernesto Roller, que agora corre o risco até de deixar a Secretaria de Governo

Nos bastidores do Palácio das Esmeraldas e também da Assembleia, a responsabilidade pelo fiasco da candidatura de Álvaro Guimarães, com os seus reflexos negativos como primeiro e mais sério tropeção político do governo Ronaldo Caiado, está sendo toda jogada no colo do secretário de Governo Ernesto Roller.

 

Roller foi audacioso ao renunciar a dois anos de mandato na prefeitura de Formosa para assumir a pasta a que, oficialmente, foi entregue a coordenação do relacionamento com os deputados, prefeitos e a classe política em geral. Chegou, assim, cheio de moral, com o currículo robustecido pela jogada que fez de Lincoln Tejota o vice de Caiado e balançou os adversários, ideia e articulação inteiramente dele. Já na secretaria, a certa altura a candidatura de Álvaro Guimarães começou a fazer água e se noticiou que Roller estaria entrando de corpo e alma na parada, claro, para definir o resultado a favor das conveniências do governo. Um pequeno gesto do secretário também ajudou a esvaziar as suas credenciais: ele nomeou a própria mulher para um cargo na OVG, quer dizer, atendeu primeiro aos seus interesses, sem nunca, até hoje, ter encaminhado os dos próprios deputados.

 

E aí a situação se complicou: os deputados receberam muito mal a intervenção do secretário. Isso se agravou com o seu comportamento impaciente, às vezes ríspido também, aliás definido por um dos parlamentares abordados como “estúpido”. Roller, como se sabe, tem o gene dos Caiado no sangue, pertence a um ramo da família que deixou para trás o sobrenome, mas é da gema. Dizem que caiadismo e autoritarismo são sinônimos, o que pode ser exagero, mas é verdade que houve muita prepotência para provocar e empurrar a Assembleia a uma reação em defesa da sua afirmação e na recusa a dobrar os joelhos na direção da Praça Cívica.

 

Se der ouvidos aos deputados estaduais, que o estão humilhando com uma derrota que terá repercussão nacional e acrescentará um ingrediente de fragilidade à sua imagem, Caiado não manterá Roller na Secretaria do Governo – no comando da qual perdeu em menos de um mês a capacidade de diálogo com a Assembleia. Como em política todo espaço vazio é imediatamente ocupado, quem se projetou nas conversas com os deputados foi o secretário de Desenvolvimento Social Marcos Cabral, ex-prefeito, habilidoso, respeitoso e sobretudo conciliador. Basta chamar qualquer deputado, aleatoriamente, e Caiado receberá para sugestão trocar de lugar Cabral e Roller e desobstruir os canais de comunicação com o Legislativo – brincar com isso é brincar com fogo.

31 jan

Derrota de Caiado no processo de sucessão na Assembleia é completa (o governo não fará nem os presidentes de comissões importantes) e será lembrada com destaque pela história política de Goiás

Ninguém é capaz de lembrar da derrota de um governador no processo de sucessão na Assembleia Legislativa e, de fato, pelo menos desde a redemocratização, de 1982 para cá, não há notícia de uma única ocasião em que o presidente do Poder não tenha sido eleito em consonância com a orientação e os interesses do Palácio das Esmeraldas.

 

Logo Ronaldo Caiado, que contabiliza 30 anos de mandatos e tem experiência profunda com assuntos parlamentares, é que vai quebrar essa rotina histórica e passar para a posteridade como o primeiro Chefe do Executivo, em Goiás, a perder uma eleição para o comando da Assembleia – e o mais incrível é que perdeu cometendo erros infantis e violando as regras mais básicas da articulação política, como, por exemplo, quando em pleno processo de negociações de bastidores na disputa pela presidência foi até o prédio da Alameda dos Buritis para uma reunião em que desacatou deputados com ironias pesadas e até mesmo deboche em alguns momentos.

 

O terreno em que vicejou a rebeldia de um grupo de parlamentares, interessados em “zerar” a Assembleia e dar a ela mais dignidade no relacionamento com os demais Poderes, foi adubado pelo próprio Caiado com uma mistura de arrogância desprezo pelos deputados estaduais, com os quais, por mais absurdo que isso possa parecer, praticamente não teve contato desde que foi eleito em 7 de outubro do ano passado. Resultado: além de não eleger o nome que lançou para a presidência (ignorando outra lei da política, que é a não interferência ostensiva em outras esferas de poder), o governador não terá o consolo sequer de ter representantes da sua preferência  dirigindo as comissões mais importantes do Legislativo, basicamente duas: a CCJ, Comissão de Constituição e Justiça, e a Comissão Mista. Ambas serão presididas por nomes da confiança do grupo vencedor (Humberto Aidar, do MDB, deve ficar com a CCJ), que não serão submetidos à aprovação palaciana.

 

A derrota de Caiado, portanto, é completa. Mas não é total, porque não há entre os vencedores – por enquanto – a disposição de fazer oposição ao governo. Isso vai depender do comportamento que o governador terá daqui para frente.

31 jan

Caiado não fez o presidente que queria para a Assembleia, mas isso não significa que ele terá problemas de governabilidade e apenas terá que ser mais respeitoso e cuidadoso com o Legislativo

A definição da maioria dos deputados estaduais pela eleição de Lissauer Vieira, do PSB, para a presidência da Assembleia não trará prejuízos ou dificuldades para o governador Ronaldo Caiado em relação aos interesses do Executivo junto ao Poder, mas, em compensação, exigirá que o Palácio das Esmeraldas assuma uma postura de respeito e cuidado no trato com o Legislativo.

 

Lissauer Vieira e os parlamentares que articularam a sua candidatura vitoriosa – entre eles Iso Moreira, Cláudio Meirelles e Humberto Aidar – não têm a menor intenção de fazer oposição ao governo. Eles partiram do princípio, corretíssimo, de que a Assembleia, nos novos tempos da política no Brasil, deve ter autonomia e não mais dobrar os joelhos na direção na Praça Cívica, que é o que vigorava até agora. Houve uma mudança em Goiás, o próprio Caiado é resultado desse sentimento que contaminou os goianos, cabendo ao Parlamento também se adaptar a essa nova realidade

 

Como nunca, a Assembleia necessita de uma faxina urgente, eliminando excessos como as mais de 15 diretorias, as malandragens na tramitação de projetos como as emendas jabutis, o elevado e desnecessário quantitativo de funcionários comissionados e os supersalários, que sobrevivem na Casa A isso, acrescente-se a influência nefasta de ex-presidentes e até mesmo do ex-governador Marconi Perillo, que agora, finalmente, será exorcizada – algo que não se tinha como certo na hipótese de eleição de Álvaro Guimarães, o candidato do peito de Caiado.

 

Nesse sentido, Goiás ganha com Lissauer Vieira – bastando apenas que ele cumpra os compromissos que representa.

30 jan

Derrota de Caiado será acachapante: Lissauer Vieira caminha para ser eleito presidente da Assembleia, na sexta-feira, 1º de fevereiro, com os votos de todos os 41 deputados

O deputado estadual Lissauer Vieira, do PSB, tem chances de ser eleito presidente da Assembleia, na sessão da próxima sexta-feira, 1º de fevereiro, às 15 horas, com os votos de todos os 41 parlamentares estaduais.

 

A derrota política do governador Ronaldo Caiado será muito, mas muito maior do que o imaginado a princípio. Até mesmo Álvaro Guimarães, o candidato que não vingou apresentado por Caiado, deve votar em Lissauer Vieira – nome hoje totalmente identificado com uma declaração de independência, não de oposição, mas de recusa à submissão ao Palácio das Esmesraldas.

 

Álvaro Guimarães já entregou os pontos. Articuladores de Caiado, sem rumo, estão se arriscando a falar na hipótese de uma terceira candidatura, que seria o deputado Henrique César, do PSC, mais votado na eleição passada, mas essa estratégia não deve dar frutos e provavelmente nem será tentada.

30 jan

Ernesto Roller, Lincoln Tejota e Samuel Belchior – os articuladores de Caiado na Assembleia que só fizeram piorar as coisas e sem querer ajudaram a construir a candidatura independente de Lissauer Vieira

Deputado estadual, para o governador Ronaldo Caiado, era um tipo de personagem da política que, até a noite desta terça-feira, simplesmente não existia. Desde que foi eleito, a 7 de outubro do ano passado, Caiado nunca ligou a mínima para qualquer um dos 41 eleitos para a Assembleia, nunca telefonou ou atendeu telefonemas deles, não cumprimentou nenhum pela vitória nas urnas, jamais cogitou pedir ou ouvir sugestões de nomes para o governo e menos ainda de políticas públicas. E assim , coerentemente, “nomeou” Álvaro Guimarães como próximo presidente da Assembleia, cabendo aos colegas do Poder elegê-lo de cabeça baixa, cumprindo os desígnios superiores do Palácio das Esmeraldas.

 

E isso, leitora e leitor, sendo Caiado um político de formação 100% parlamentar, que nunca exerceu cargo algum no Executivo e pautou sua carreira de 30 anos por uma sucessão de mandatos no Congresso Nacional. Deveria, como poucos, conhecer a a cabeça e o coração dos deputados estaduais goianos que foram eleitos com ele, tratá-los com respeito e dignidade todos e com carinho especial os da sua base e, pronto, estariam estabelecidos os pilares para a sua governabilidade, a partir inclusive da eleição de um nome de confiança para a presidência da Assembleia.

 

Como Caiado nunca quis saber de nada do que acontece no velho prédio da Alameda dos Buritis, ele imperialmente escolheu Álvaro Guimarães e deixou o barco correr. Há duas semanas, com o reconhecimento das primeiras dificuldades, escalou três prepostos para falar em seu nome com os parlamentares: Ernesto Roller, secretário de Governo; Lincoln Tejota, vice-governador; e Samuel Belchior, que não tem cargo, mas é uma espécie de articulador informal do caiadismo. Os três receberam a missão de calafetar as frestas e consolidar a eleição do candidato do peito do governador para suceder a Zé Vitti.

 

E o que aconteceu? Os três protagonizaram uma trapalhada histórica. De cara, tiveram que começar pedindo desculpas pelas grosserias que o governador fez com três deputados, durante um debate sobre a situação financeira do Estado. Depois, não tinham o que dizer sobre as expectativas em relação a participação no governo. “Você vota no Álvaro e depois a gente vê”, foi a mensagem. Só que na Assembleia tem de tudo, mas não tem bobo. Bobo não se elege deputado. Roller e Tejotinha estão com a vida feita, com cargos e farta nomeação inclusive de parentes. Belchior, ingenuamente, por ter ainda a cabeça do deputado que foi, foi conversando e se solidarizando com quem se sentia ignorado e esquecido por Caiado. Os três articuladores, assim, acabaram colaborando para produzir um resultado exatamente ao contrário do que foi encomendado… ajudando a consagrar Lissauer Vieira.

 

Essa eleição para presidente da Assembleia vai ficar na história.

30 jan

Presidência da Assembleia está perdida para Caiado e não adianta trocar Álvaro Guimarães por outro nome. Deputados do movimento pela independência vão se fechar em um hotel até a hora da eleição, na sexta-feira

São favas contadas: a presidência da Assembleia está perdida para o governador Ronaldo Caiado, que será obrigado a assistir sem ter como reagir à eleição do deputado Lissauer Vieira, do PSB, como representante do grupo de 24 deputados que defende a independência do Poder frente ao Executivo e quer também promover a limpeza da Casa, isto é, afastar a influência do ex-governador Marconi Perillo e dos ex-presidentes seus aliados (que até hoje controlam diretorias, contratos e a nomeação de comissionados).

 

Caiado cometeu todos os erros possíveis, dos mais grotescos até os puramente infantis, na condução do processo de escolha do novo comandante do Legislativo – peça fundamental para a governabilidade de qualquer um que esteja aboletado na cadeira principal do Palácio das Esmeraldas. Desde a sua eleição, em 7 de outubro, passou a ignorar solenemente os deputados estaduais, nunca chamou nenhum deles para conversar sobre o governo, não pediu nem recebeu indicações para nomeações, não deu sequer um telefonema de congratulações pela vitória no pleito. Para piorar, visitou sem necessidade a Assembleia, há poucos dias, onde, em um debate para explicar a situação de calamidade financeira do Estado, acabou desrespeitando três parlamentares – Talles Barreto e Hélio de Sousa, do PSDB, e Lucas Calil, do PSD. O comportamento absolutamente descortês do governador sinalizou para o tipo de tratamento que ele poderia dar a todos os integrantes do Poder, caso o seu candidato, Álvaro Guimarães, fosse entronizado como o novo presidente e passasse a simbolizar a submissão dos deputados a Caiado.

 

Como o que está ruim sempre pode piorar, deputados foram chamados na noite e madrugada desta quarta-feira ao Palácio para ouvir reprimendas de Caiado e afirmações estapafúrdias, como a de que é seu direito “nomear” quem conduz o Parlamento goiano, além de ameaças do tipo “se estão me testando, eu compro a briga e vou até o fim, quem não estiver comigo, é meu inimigo”.

 

Não funcionou e só serviu para reforçar ainda mais a unidade do grupo de 24 deputados que estão com Lissauer Vieira e que, a partir de hoje, deve se internar em um hotel de Goiânia, provavelmente o Castro’s, na avenida República do Líbano(ou um hotel fazenda em Anápolis), para se livrar de pressões de último hora e consolidar o pacto de poder do grupo – que acredita já ter alcançado 33 votos e acha até que pode chegar às 15 horas do dia 1º de fevereiro, sexta-feira, com a unanimidade do plenário.

30 jan

Até sexta, deputados não atenderão telefonemas de Caiado e prepostos, consolidando a eleição de Lissauer Vieira como declaração de independência da Assembleia perante o Executivo (mas não oposição)

Os deputados estaduais engajados no movimento de independência da Assembleia perante o Executivo e na proposta de “zerar” o Poder, com o afastamento da influência do ex-governador Marconi Perillo e ex-presidentes aliados seus, decidiram não atender a eventuais telefonemas do governador Ronaldo Caiado e de seus prepostos, pelo menos até o desfecho da sessão marcada para as 15 horas da próxima sexta-feira, 1º de fevereiro, em que o novo presidente do Legislativo será eleito.

 

São pelo menos 23 parlamentares fortemente engajados nessa articulação, número que deverá subir para mais de 30 e até chegar à unanimidade, já que é cada vez mais improvável uma disputa em plenário com a manutenção da candidatura de Álvaro Guimarães ou mesmo pela sua substituição por um outro nome, como, por exemplo, o de Henrique César, que recebeu do Palácio das Esmeraldas a sugestão de se apresentar à disputa pela presidência. Nem com Álvaro insistindo nem como um fato novo como Henrique César haveria chances de reversão das expectativas pró-Lissauer.

 

Antes, esses mesmos deputados – liderados por Iso Moreira, Cláudio Meirelles e Humberto Aidar, dentre outros – já haviam resolvido também não atender a telefonemas de Marconi, que vinha assediando alguns deles na tentativa de manifestar apoio e ajudar na construção da primeira derrota política de importância para o governo Caiado.

 

Nas últimas horas, depois de ter mantido distância do processo de indicação do novo presidente da Assembleia, Caiado passou a ligar para parlamentares, além de acionar prepostos como o secretário de Governo Ernesto Roller, o vice-governador Lincoln Tejota e o seu articulador informal Samuel Belchior, todos esforçando-se para convencer os deputados da necessidade e conveniência da eleição de Álvaro Guimarães, pela sua identificação com o novo governador – “seria melhor para todos”, é o argumento genérico utilizado, porém mais uma vez errado, já que embute uma espécie de ameaça caso venha a prevalecer outro nome, que “seria ruim para todos”.

 

Mas é tarde demais. Nem com afagos nem com intimidação a  consagração de Lissauer Vieira será evitada.

30 jan

Constrangido, Álvaro Guimarães quer desistir de disputar a presidência da Assembleia, só continua por pressão de Caiado e dificilmente irá à eleição no plenário

Decano da Assembleia e parlamentar experimentado que tem bom relacionamento com todos os colegas, independentemente de partido ou qualquer outra posição política, o deputado Álvaro Guimarães mostra-se constrangido com os últimos acontecimentos na esfera do relacionamento Legislativo-Executivo e quer desistir de disputar a presidência da Casa, só mantendo o seu nome, até agora, por pressão do governador Ronaldo Caiado.

 

Todos os erros possíveis, mesmos os que podem se classificados como infantis, foram cometidos tanto por Álvaro quanto pelo Palácio das Esmeraldas na condução do processo sucessório na Assembleia. Mas nada supera o péssimo tratamento que Caiado deu aos deputados desde que foi eleito, faltando aos princípios mais elementares da liturgia política e, em alguns momentos, ultrapassando até o bom senso ao maltratar alguns deles (tal como ocorreu na infeliz visita que fez à Assembleia, quando debateu em termos pouco polidos, da sua parte, com Talles Barreto, Hélio de Souza e Lucas Calil, situação que piorou com os acontecimentos da madrugada desta quarta-feira no Palácio das Esmeraldas).

 

Nenhum deputado, estadual ou federal, recebeu até hoje um telefonema de Caiado. Ele não cumprimentou qualquer um deles pela eleição, não chamou ninguém para ouvir opiniões sobre o governo ou pedir nomes para compor a administração ou, minimamente, saber quais seriam as demandas de um ou de outro – afinal foram eleitos com expressivas votações e assumiram compromissos com as suas bases. O governador parece ter considerado como natural que a Assembleia, diante da sua autoridade moral e da sua eleição com expressiva votação em 1º turno, se ajoelhasse perante o seu comando e, no final das contas, escolhesse um presidente que o agradaria, segundo notícias da imprensa (porque nem isso ele disse a qualquer deputado, ou seja, não comunicou sequer que tinha interesse na eleição de Álvaro Guimarães).

 

O resultado vai ser colhido sexta-feira, com a consagração tranquila de Lissauer Vieira para presidente da Assembleia. Antes da sessão, Álvaro Guimarães desistirá da candidatura, se, até lá, ela ainda estiver de pé. Pode apostar, leitora e leitor.

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