Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 abr

Marconi não aprende com a derrota e insiste em permanecer preso ao que já ficou para trás: ““Nunca devemos deixar de olhar o passado”, é o conselho dele aos candidatos a presidência do PSDB

Pelo menos dois dos candidatos à presidência estadual do PSDB, que terá o seu novo ocupante escolhido no próximo dia 4 de maio, conversaram com o ex-governador Marconi Perillo sobre o futuro do partido em Goiás e ouviram o mesmo conselho, que pode ser resumido em uma única frase: “Nunca devemos deixar de olhar o passado”, conforme contou um dos postulantes, o prefeito de Goianira Carlão da Fox.

 

Foram poucas palavras. Porém, dizem muito sobre a cabeça atual de Marconi. A exemplo do que aconteceu na campanha eleitoral fracassada do ano passado, quando ficou em 5º lugar para o Senado e só ganhou em duas cidades, Palmeiras e Mimoso, o tucano-mor de Goiás prova mais uma vez que não consegue se libertar dos seus bons tempos de governo e continua achando que as obras e realizações do seu período merecem a gratidão dos seus colegas de partido e dos goianos. Esse discurso saudosista foi fundamental para a construção da monumental surra que tomou nas urnas, quando o eleitor só olhou para trás para conferir os malfeitos e preferiu escolher os seus candidatos com as vistas bem assentadas à frente.

 

Marconi fez a campanha sem apresentar propostas para a sua atuação como senador, focando apenas nas suas realizações como governador e quase que exigindo gratidão e reconhecimento pelos seus feitos. Isso, em política, é um erro crasso. O próprio ex-governador ganhou pela primeira vez em 1998 como um candidato absolutamente desconhecido, que, no entanto, foi abraçado pela população no lugar de um adversário com um currículo de obras jamais visto antes (Iris Rezende). Deveria, por isso, saber que voto não é agradecimento e sim um aceno para os dias que virão e daí entenderia porque Ronaldo Caiado ganhou.

 

A razão do conselho aos candidatos à presidência do PSDB estadual é fácil de entender: Marconi quer que o partido se comprometa com a chamada defesa do seu legado, entendendo que os tucanos de Goiás devem gastar o seu tempo enaltecendo as suas administrações e exaltando um suposto significado positivo para o Estado. Paciência. Essa estória de “legado” é pura ilusão. Se o ex-governador não enxerga que falatório é matéria vencida, que o Tempo Novo já era e que “olhar para o passado” só vai aprofundar os desgastes do partido e a dessintonia que o levou ao fiasco eleitoral no ano passado, azar dele.

25 abr

Daniel Vilela errou tragicamente ao não compor com Caiado e levar o MDB ao pior resultado da sua história em Goiás. A conta agora chegou e o preço que ele está pagando é bem mais alto que o imaginado

A candidatura de Daniel Vilela ao governo do Estado, tendo como base um partido rachado e como aliadas legendas que só levaram o apoio pessoal dos seus dirigentes, pode ser definida agora, já perto da marca de oito meses desde a data do pleito, a 7 de outubro do ano passado, como um erro de consequências trágicas para o jovem filho de Maguito Vilela e seus poucos seguidores.

 

Daniel Vilela era estrela em ascensão no Congresso Nacional. Relatou matérias de importância como a reforma trabalhista e chegou até a presidir a Comissão de Constituição e Justiça, a mais destacada da Câmara Federal. Essa sólida carreira parlamentar estava apenas no início e tinha continuidade garantida, já que a reeleição como deputado federal seria um passeio. Isso virou fumaça. Só que os prejuízos não se limitaram a essa simples interrupção de uma trajetória de sucesso.

 

Uma composição com Ronaldo Caiado, desde sempre o candidato destinado a vencer a corrida pela governadoria, teria dado a Daniel Vilela a vice-governadoria e o colocado para brilhar no palco da política estadual, anos-luz à frente de quem ficou com a vaga, o contido e reservado Lincoln Tejota. Ele poderia também ter sido candidato a senador, no lugar de Jorge Kajuru e não se duvida de que seria eleito. Se alguém acha que fazer essas afirmações em retrospectiva parece fácil, sim, é mesmo. Porém, mesmo na época anterior à eleição, também era igualmente seguro prever a vitória de Caiado e dos seus dois senadores, como estão aptos a atestar os leitores das postagens deste blog naquele período.

 

Daniel Vilela preferiu arriscar a candidatura a governador, enquanto pelo menos a metade do MDB (com os seus  cinco principais prefeitos) debandava para o caiadismo. Ganhou o apoio do PP, do PRB e do PHS, contudo,  por imposição dos diretórios nacionais. Resultado: só os dirigentes dessas agremiações se alinharam com ele, não levando nenhum deputado, prefeito, vereador ou qualquer liderança de expressão. Com Caiado monopolizando a atenção do eleitorado como o grande nome da oposição ao Tempo Novo, restou ao emedebista a tentativa de se colocar tanto contra o governo tucano quanto contra o representante do DEM. Obviamente, não colou.

 

Meses depois da derrota, com o menor número de votos da história do MDB em Goiás, com apenas três deputados estaduais eleitos e nem um único federal, Daniel Vilela deve estar começando a se conscientizar do tamanho da sua tragédia pessoal. Raramente aparece no noticiário. Não tem agenda, ou seja, não há aonde ir. Neste ano, tem feito duas ou três postagens por mês nas suas antes movimentadas redes sociais. E só consegue alguma visibilidade quando ataca Caiado, o que até o menos informado dos eleitores enxerga como dor de cotovelo.

 

É de se perguntar, leitora e leitor: para quê serviu a aventura da candidatura sem base a governador? E que diferença teria feito a opção pela composição com Caiado no perfil oposicionista de Daniel Vilela? Foi tudo um equívoco monumental, que agora cai como uma pedra de Sísifo sobre a sua cabeça.

24 abr

Caiado foi para o Fórum de Governadores, em Brasília, esperando o anúncio do plano de socorro financeiro aos Estados, como prometido pelo ministro Paulo Guedes, porém… mais uma vez deu em nada

O governador Ronaldo Caiado é incansável. Quer dizer: ele não se cansa de levar dribles do ministro da Economia Paulo Guedes, que desde a eleição do ano passado vem prometendo a ele um socorro financeiro a Goiás que nunca mostra o menor sinal de que pode vir a acontecer. Nesta semana, mais uma vez, Caiado embarcou esperançoso para Brasília, esperando ouvir o que seria música para os seus ouvidos: o anúncio do Plano de Equilíbrio Financeiro, nome pomposo do programa prometido por Guedes e que consistiria em algum tipo de afrouxamento de regras para que os Estados possam contrair empréstimos ou então receber alguma antecipação por conta de leilões futuros do pré-sal cuja arrecadação, em parte, deverá caber às unidades federativas.

 

Caiado participou de mais um Fórum de Governadores, que tem a serventia de servir de tribuna para a choradeira dos governadores, todos sonhando com apoio financeiro de Brasília, alguns já em situação de desespero – entre esses últimos, Caiado. O goiano já está entrando no oitavo mês desde que foi eleito, repetindo quase todo dia que está na expectativa de um milagre que o governo federal prometeu (Paulo Guedes disse várias vezes a ele que tinha interesse em amparar Goiás), só que nunca deu passo além das palavras. É uma realidade: todas as equipes econômicas de todos os presidentes, de Fernando Henrique Cardoso para cá, têm a maior ojeriza quanto a liberar recursos para os Estados, cientes de que estariam alimentando a gastança e a irresponsabilidade fiscal, já que dinheiro fácil corresponderia ao mesmo que estimular os governadores a não fazer o dever de casa e a não tomar medidas impopulares de contenção de gastos.

 

Paulo Guedes também foi ao convescote. E falou muito, mas não tocou no tal Plano de Equilíbrio Financeiro, deixando a ansiosa plateia embasbacada em um primeiro momento, decepcionada no fim do encontro. Saíram todos frustrados, inclusive Caiado, o mais apaixonado defensor da abertura das burras do governo federal para os Estados. Sem saber o que fazer, restou ao governador bajular o ministro e propagandear apoio à reforma da previdência, que, para ser aprovada pelo Congresso, depende de algo que os chefes dos Executivos estaduais não têm a oferecer: os votos dos deputados e senadores. Isso, aliás, quem repetiu ao presidente Jair Bolsonaro, dias atrás, foi um dos maiores aliados que Caiado teve na sua eleição, o deputado federal José Nelto. Em uma audiência no Palácio do Planalto, Nelto não só garantiu ao capitão que nenhum governador tem força para mobilizar votos dos congressistas e ainda foi mais longe: aconselhou Bolsonaro a não ajudar os governadores, que precisam é mostrar serviço e tomar iniciativas dentro da sua própria esfera de competência para resolver os seus problemas.

23 abr

Se há um prognóstico a ser tirado dos primeiros meses de Caiado, é que o seu governo será rotineiro, contido, de reorganização do Estado e pouco ousado na definição de novas propostas ou rumos

Se continuar no ritmo e estilo que mostrou até aqui, perto de iniciar o quinto mês do seu mandato, o governador Ronaldo Caiado deverá fazer uma gestão dentro de padrões rotineiros, voltado para a reorganização do Estado, incluída aqui uma solução para a crise fiscal e o consequente advento de uma certa racionalidade financeira – até onde for possível em termos de poder público. E o governador que o suceder – ele já disse que não será candidato à reeleição – receberá uma herança benigna e poderá levar Goiás a um novo salto de desenvolvimento.

 

Caiado já mostrou que não é de ousadias ou vôos de águia, mas antes dominado por uma extrema prudência e, em vez dos olhos nos céus, pés muito pregados no chão. Dizem que não confia nem na própria sombra. Suas características pessoais de autossuficiência parecem preencher a ausência de um perfil executivo, próprio de quem passou a vida dando expediente no Congresso Nacional – onde se fala muito e se decide pouco. Disparadamente, ele é o governador de Goiás mais verborrágico da história, a ponto até de se comprometer e de se desgastar sem necessidade pelos seus excessos orais, a exemplo da promessa que fez, para compensar a pança que deu nos servidores quanto ao pagamento de dezembro, de que no seu governo a folha de pessoal seria quitada dentro do mês trabalhado. Não deu certo, tal como avisou a secretária da Economia Cristiane Schmidt, logo que tomou conhecimento da notícia.

 

O pagamento só foi feito dentro do mês em janeiro. Daí em diante, desandou e teve mês em que só foi finalizado depois do dia 10. O assunto, a propósito, tornou-se a rosa dos ventos da administração de Caiado. Folha de pessoal, em Goiás, é tema de qualquer conversa de botequim ou de mesa de almoço de domingo. Isso prejudicou o novo governo e a sua imagem. Fora a questão dos salários, o espaço ocupado foi o das medidas de economia – sempre anunciadas sem comprovação fática – e das denúncias contra os governos passados, pontos que deverão ocupar a agenda do Palácio das Esmeraldas daqui até o último dia de Caiado. Podem apostar, leitora e leitor.

 

O que fez e faz falta, desde a eleição, é a formulação de um projeto de futuro, algo mais consistente, enfim, sobre o que o governador deseja para Goiás, globalmente, além das meras medidas internas de sistematização da máquina administrativa. Mas nem nesse particular, que parece ser o seu forte, Caiado avançou, adiando sucessivamente a dita segunda parte da sua reforma administrativa, depois de uma primeira parte nada alvissareira, que, no final das contas, terminou aumentando o tamanho do governo e expandindo as suas despesas. Está passando da hora de dizer o que pretende para Goiás.

 

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22 abr

O balanço dos 100 dias de Caiado também deveria servir para o dos 100 dias de Marconi Perillo e Zé Eliton na oposição e o resultado é igualmente pífio

Venhamos e convenhamos: o balanço dos primeiros 100 dias do governador Ronaldo Caiado não foi assim algo que pudesse merecer algum destaque ou atenção, não passando de um amontoado de microfatos rotineiros e sem qualquer repercussão na vida dos goianos – os mesmos que elegeram Caiado no 1º turno, com um recorde de mais de 60% dos votos, provavelmente na expectativa de mudanças fundamentais para Goiás, pelo que se vê ainda em espera.

 

Mas… como foram os mesmos primeiros 100 dias na oposição dos dois principais nomes dos governos passados, Marconi Perillo e o seu substituto tampão Zé Eliton? Um fiasco igual ao de Caiado. Marconi escafedeu-se para São Paulo, onde alega trabalhar como consultor da Companhia Siderúrgica Nacional, apesar de não ter nenhuma experiência na área. Nesse período, foi acossado por uma enxurrada de ações judiciais e passou quase todo o tempo emitindo notas em que procurou se defender e se explicar diante dos malfeitos de que foi acusado. Já Zé Eliton simplesmente desapareceu, tendo também direito a um momento sob os holofotes quando foi alvo de uma operação policial destinada a esclarecer propinas que o teriam beneficiado. De resto, chegou a ser cogitado para presidir o PSDB estadual, mas a hipótese foi sumariamente afastada pela ostensiva falta de entusiasmo que provocou.

 

Nem um, Marconi, nem outro, Zé Eliton, têm hoje na política estadual um papel minimamente correspondente aos cargos de importância que exerceram e que os projetaram como figuras de primeira linha do poder em Goiás. Zé menos ainda que Marconi. Nem para entrevistas os dois são procurados. E ambos se recusaram a fazer o que os teria dignificado, ou seja, uma autocrítica sobre os anos de glória, quando é claro que houve acertos, talvez menos que os erros que custaram a massacrante derrota que colheram nas urnas.

22 abr

Destituição de Lúcia Vânia do comando do PSB em Goiás decorre de regra não escrita seguida pelos partidos: cúpulas nacionais só entregam os diretórios nos Estados a quem tem mandato no Congresso

Era mais do que previsível. Simplesmente inevitável. A destituição da ex-senadora Lúcia Vânia do comando estadual do PSB estava destinada a acontecer desde que ela perdeu a reeleição, em 7 de outubro do ano passado, em razão de uma regra não escrita seguida religiosamente por todos os partidos políticos brasileiros de alguma expressão: as cúpulas nacionais só entregam os diretórios nos Estados a quem tem mandato no Congresso Nacional. No caso do PSB, o novo presidente será o recém-eleito deputado federal Elias Vaz.

 

Não adianta espernear. Do ponto de vista dos dirigentes dos diretórios nacionais, nada é mais importante do que o número de cadeiras no Senado e mais especialmente ainda na Câmara. Primeiro, pelo poder de barganha que as bancadas adquirem conforme o seu tamanho nas decisões sobre projetos de importância. Segundo, pelo acesso ao bilionário fundo partidário, que destina dinheiro para as legendas conforme o quantitativo de deputados federais, essa, hoje, a principal preocupação de todas as agremiações.

 

Lúcia Vânia, portanto, assim que foi derrotada, ficou sem utilidade e passou a ser um corpo estranho que fatalmente acabaria rejeitado pelo PSB, partido que se propõe um perfil ideológico, mas, na prática, é fisiológico como qualquer outro – de olho no fluxo de caixa. Quem não tem mandato, assim, não é prioridade do partido. Foi o que aconteceu com Lúcia Vânia. Defenestrada do PSB, ela anuncia que vai para o Cidadania, antigo PPS, partido que, no momento, é dirigido em Goiás pelo seu sobrinho Marcos Abrão. Atenção: Marcos Abrão também dançou na reeleição, junto com a tia. Daí, se algum político com mandato federal se interessar pelo Cidadania goiano, ele será colocado para fora em questão de minutos. A ex-senadora, portanto, está dando mais um passo perigoso.

18 abr

Vaia a Caiado na procissão do Fogaréu, na Cidade de Goiás, é exibida no Jornal Anhanguera e serve de alerta: algo não vai bem no governo que foi eleito em 1º turno e com mais de 60% dos votos dos goianos

O governador Ronaldo Caiado foi vaiado na noite desta quarta-feira, 17 de abril, em um evento não oficial (a Procissão do Fogaréu) na Cidade de Goiás.

 

Populares e turistas presentes entoaram espontaneamente apupos e gritaram “Fora!” para o governador goiano. Testemunhas afirmam que não havia militantes políticos no local.

 

A vaia poderia até ter passado despercebida, mas foi registrada em celulares e o vídeo acabou sendo exibido no Jornal Anhanguera 1ª Edição desta quinta-feira, sem maiores comentários. A TV informou que procurou a assessoria de imprensa do Palácio das Esmeraldas para comentários, mas não foi atendida.

 

Mas está claro: é muito cedo para que um governante que foi eleito em 1º turno e com mais de 60% dos votos dos goianos enfrente desgastes, sinal inequívoco de algo não vai bem com a sua gestão.

18 abr

Eleito para zerar e moralizar a Assembleia, Lissauer Vieira mantém as vantagens do grupo de Marconi Perillo, aumenta os gastos mensais e quer torrar R$ 120 milhões em nova e desnecessária sede

A expectativa de uma mudança das práticas que ajudaram a construir a má imagem da Assembleia Legislativa nos últimos anos, que embalou a eleição de Lissauer Vieira para a presidência, frustrou-se completamente.

 

Quem é que não se lembra dos dias épicos em que os deputados estaduais enfrentaram o governador Ronaldo Caiado, derrotaram o seu candidato in pectore Álvaro Dias e elegeram um presidente inesperado, que representaria a afirmação da independência do Poder Legislativo e o compromisso de fazer uma limpeza – eliminando as vantagens do grupo político do ex-governador Marconi Perillo e se propondo a uma moralização administrativa, reduzindo os milhares de cargos comissionados que servem aos parlamentares e as quase 20 diretorias que nunca tiveram, em sua maioria, outra finalidade que não agasalhar apaniguados? Ou, minimamente, com o objetivo de reconciliar a Assembleia com a opinião pública estadual, depois de anos e anos de divórcio?

 

Pois tudo isso deu em nada. Lissauer Vieira como presidente, provou que é um ótimo e provinciano vereador de Rio Verde. Sua principal realização, até agora, é a transferência da capital do Estado para a maior cidade do Sudoeste goiano, com direito a um vendaval de despesas para custear uma praxe atrasada e detraquê – hoje, perdeu o sentido até mesmo a inútil e sem sentido mudança temporária da capital para a Cidade de Goiás, que ocorre todos os anos no final de julho como uma espécie de manifestação de remorso histórico pela construção de Goiânia.

 

Para piorar, o novo presidente da Assembleia manteve intactos os privilégios do grupo político de Marconi Perillo. Ex-deputados tucanos foram nomeados para diretorias que, na verdade, deveriam ter sido extintas, dada a falta de justificativa para a sua existência. A transparência, já crítica antes, desceu a níveis ainda mais baixos. Com três meses de gestão, não há dados no portal específico no site da Alego. Não satisfeito com o número excessivo de cargos, Lissauer Vieira está implantando uma reforma administrativa, para aumentar ainda o absurdo contingente de servidores comissionados listado na folha de pagamento. E ainda tem a cereja do bolo, representada pelos R$ 120 milhões que serão torrados, nos próximos anos, na construção de uma nova sede para o Legislativo, no Park Lozandes, não se sabe para quê nem por quê – anunciados em uma cerimônia para a qual foi convidado o governador Ronaldo Caiado, que, prudentemente, não apareceu.

 

Lissauer Vieira é um presidente fraco, sem agenda institucional de peso, que gasta o tempo com compromissos miúdos e sem importância. Não tem opinião sobre os principais desafios que Goiás enfrenta. Não é ouvido nem levado a sério pela imprensa e sua comunicação se limita a postagens superficiais nas redes sociais. Ele é a cara de um projeto de renovação que, precocemente, não deu certo.

 

Leia aqui sobre a viagem de Lissauer Vieira e Humberto Aidar aos Estados Unidos, por conta da Assembleia

18 abr

Aumento da passagem de ônibus, às vésperas do feriado (para evitar reações) e sem qualquer contrapartida das empresas, é ato irresponsável que iguala prefeituras e governo do Estado

Nesta sexta-feira santa, data escolhida para aproveitar o feriado prolongado e esvaziar possíveis reações populares, a passagem de ônibus na Grande Goiânia sobe para R$ 4,30 reais, aumento que foi autorizado pelas prefeituras do entorno da capital e pelo governo do Estado, basicamente os entes que detêm a maioria na Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo.

 

Um deputado estadual (Alysson Lima) e um vereador (Lucas Kitão) integram a CDTC e cumpriram o seu papel votando contra o reajuste, sob a justificativa – corretíssima – de que ele estaria sendo aplicado sem exigência de nenhuma contrapartida por parte das empresas concessionárias. Isso deveria ser um critério mínimo. Quanto ao resto, foi um vexame. E um show de irresponsabilidade. Um dos representantes do governo do Estado na CDTC, o presidente da importantíssima Agência Goiania de Regulação, Eurípedes Barsanulfo, sequer compareceu. A secretária estadual de Meio-Ambiente, Andréa Vulcanis, outra que tem assento na Câmara em nome do governo do Estado, esteve na reunião, mas para votar a favor do aumento – e saiu sem esclarecer por quê o fez? O prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, também membro e gestor da cidade que tem o segundo maior contingente de passageiros do sistema de transporte coletivo, não apareceu. E, para culminar, o prefeito de Goiânia Iris Rezende fez o que nunca fez antes e participou da sessão, votando pela liberação do aumento.

 

A CDTC aprovou a majoração da passagem sem a menor preocupação em dar uma satisfação para a população que é obrigada a andar de ônibus. A exigência de contrapartidas por parte das empresas, por exemplo, é tradição na maioria das capitais brasileiras. Exemplos recentes foram Natal e Belo Horizonte, cujas tarifas só subiram depois de um severo plano de reciprocidades assumido pelos detentores das concessões, que incluíram até o compromisso de gerar mais empregos e trocar, no caso da capital mineira, 30% da frota por ônibus novos, a curto prazo. Além disso, foram obrigados a vender passagens pela internet, para facilitar a vida dos usuários. Em Natal, as empresas vão cuidar dos pontos e suas respectivas coberturas, livrando a prefeitura desse custo, a título de compensação.

 

Em Goiânia, com a conivência as instituições públicas com cadeira na CDTC, as prefeituras principalmente de Goiânia e de Aparecida e o governo do Estado, que têm o dever de cuidar dos interesses da população, as empresas ganharam o que queriam a custo zero. É uma vergonha.

17 abr

Iris tem mais de R$ 1 bilhão para obras, mas permite que os dois maiores viadutos que construiu em Goiânia entrem em decadência, sem manutenção e com problemas que ameaçam as suas estruturas

O Viaduto João Alves de Queiroz, conhecido popularmente como Viaduto da T-63, e o Viaduto Latif Sebba, na Praça do Ratinho, assinalados no horizonte urbano por enormes e pontudas estruturas metálicas, de estilo construtivista, estão em processo de decadência visual e possivelmente também estrutural, já que não recebem qualquer manutenção por parte da prefeitura de Goiânia.

 

Quem conhece o estilo administrativo do prefeito Iris Rezende sabe que deixar ao léu obras já concluídas é parte importante da sua estratégia para economizar e amontoar dinheiro no caixa. Não é à toa que ele está sentado sobre uma montanha de recursos, mais de R$ 1 bilhão, que vai usar agora para alavancar o seu mandato, depois dos dois primeiros anos iniciais de aparente inércia. Inércia, na verdade, que não passou de economia forçada para gerar o saldo bilionário que financiará um pacote de investimentos por toda a capital e tem também a finalidade subjacente de recuperar a imagem do prefeito. O problema é que, para chegar a essa situação de conforto financeiro, Iris promoveu cortes radicais de gastos, inclusive quanto a manutenção não só dos dois maiores viadutos goianienses, como de todos os demais, inclusive pontes, em um total de 68 unidades que estão em petição de miséria, segundo levantamento do CREA-GO.

 

É claro que vocês, leitora e leitor, ao passar por esses dois grandes viadutos, já notaram o péssimo estado em que se encontram, com a ferrugem tomando conta dos espetos que tentam infrutiferamente agulhar o céu, sem falar nas placas amassadas, pixações, desgastes nas paredes cimentadas e corrosões de todo tipo (e, à noite, parte da iluminação queimada). Teimosamente, Iris não manda fazer o conserto, mesmo o site da prefeitura anunciando ufanisticamente que se tratam dos dois mais conhecidos cartões postais de Goiânia. Na prática, os viadutos necessitam de uma conservação permanente e não eventual, pelas suas características que extrapolam o simples aspecto rotineiro de ponto de passagem do tráfego da cidade. É uma pena.

16 abr

Mudanças anunciadas no Passe Livre Estudantil são retrocesso, vão esvaziar o seu objetivo de apoio à juventude e indicam que é melhor assumir a intenção de extinguir em vez de desfigurar o programa

O governador Ronaldo Caiado já deve ter percebido que o governo de Goiás implantou uma série de programas sociais que exercem uma forte pressão sobre o caixa estadual e até colaboram para o seu esfrangalhamento. Essa é a verdade que ninguém quer enfrentar: não há dinheiro para gastar com Renda Cidadã, Bolsa Universitária, Passe Livre Estudantil, subsídio para a passagem no Eixo Anhanguera e mais alguns. A chamada rede de proteção social criada e implantada nos governos do Tempo Novo não foi precedida por qualquer planejamento e mais se assemelha a uma colcha de retalhos emendada na base do improviso, até dar no monstrengo disfuncional que hoje está em vigor.

 

Tudo bem: o objetivo é beneficiar pessoas e famílias que, de alguma forma, necessitam de apoio. Essa é uma obrigação do Estado. Mas, como não há uma máquina de fabricar dinheiro na Secretaria da Economia, seria preciso, no mínimo, reorganizar os programas sociais e dar a eles uma nova roupagem, por um lado aliviando o rombo financeiro que eles alargam, por outro tornando-os mais eficazes e com o maior alcance possível.

 

Veja o caso do Passe Livre Estudantil, que Caiado quer modificar, criando uma série de restrições para conceder o benefício – hoje sugando quase R$ 8 milhões por mês dos cofres públicos. Em um ano, quase R$ 100 milhões. O novo governo quer apertar os critérios, passando a exigir que seus beneficiários tenham inscrição no Bolsa Família ou no Renda Cidadã, além de comprovar renda familiar de no máximo três salários mínimos. Exagerando, dos 100 mil estudantes que estão no programa, não vão sobrar mais do que meia dúzia. Nesse rumo, é melhor extinguir o Passe Livre.

 

Caiado alega que programa social tem que ir para quem precisa, sugerindo que, hoje, há quem receba o passe livre sem realmente necessitar. É uma falácia. O mais provável é que existam, além do contingente já favorecido, mais e mais estudantes que por um motivo ou outro não foram incluídos, mas deveriam estar lá. E não há filhos de famílias de classe média ou ricas usando o passe livre para andar de ônibus, seja para passear, seja para ir às aulas, por um motivo simples: só o faz quem não tem carro ou moto e é obrigado a se espremer nos coletivos urbanos.

 

O Passe Livre Estudantil e sua possível remodelação é mais um equívoco do governo Caiado, que deveria ter se proposto a uma avaliação a fundo de todos os programas sociais e a a uma modernização de tudo o que é distribuído com objetivo de atender aos segmentos carentes da população. Há aí propostas mais do que superadas, reclamando uma abordagem inovadora e livre de interesses eleitoreiros. Por que Caiado, com a credencial que recebeu das urnas e está perdendo a validade aos poucos, não o faz?

16 abr

Atualização: nesta terça, Caiado faz mais uma prestação de contas, agora para 28 deputados estaduais reunidos no Palácio das Esmeraldas

O jornal O Popular informou há pouco que o governador Ronaldo Caiado fez, nesta terça, 16 de abril, mais uma prestação de contas sobre os seus 100 dias de gestão, agora perante uma plateia formada por 28 deputados estaduais.

 

Desde o fim da semana passada até hoje, Caiado já fez inúmeros discursos, entrevistas e falas à imprensa apresentando os dados e informações do que considera como o balanço dos seus 100 dias de governo. Nesta segunda, 15 de abril, à noite, ele comandou um live no Facebook sobre o assunto.

 

É um recorde absoluto.

16 abr

Maratona de prestação de contas pelos 100 dias de Caiado ainda não acabou, mas revelou um governo que ainda não adotou medidas de profundidade e está à procura de um rumo para Goiás e os goianos

Até a noite desta última segunda-feira, 15 de abril, o governador Ronaldo Caiado ainda estava prestando contas dos seus 100 dias de mandato, ao protagonizar uma live no Facebook sobre o assunto. Como sempre, Caiado falou muito sobre essa primeira centena do seu governo, assim como não economizou o palavrório nos eventos anteriores, como a entrevista coletiva, discursos em solenidades e falas à imprensa em que apresentou o que entende ser um balanço rico e proveitoso sobre os seus passos iniciais no Executivo – aliás, ele só foi econômico e sintético no artigo que publicou em O Popular, naturalmente limitado pela pouca disponibilidade de espaço que o jornal oferece aos seus articulistas.

 

Claro, um governante que fala de si próprio e da sua gestão sempre envereda pela auto-exaltação e trata de arrendondar os fatos conforme o reflexo do  sucesso que enxerga ao olhar no espelho. É natural. No caso de Caiado, ele mostrou uma vontade enorme de mostrar acertos, mas esbarrou na pouca relevância da maioria dos dados que exibiu. Tropeçou também ao citar, por conta dos 100 dias passados, objetivos que ainda serão perseguidos no futuro. Para quem, mais uma vez, esperou extrair do aranzel do governador uma visão de futuro para Goiás ou, dizendo de outra maneira, o rumo que pretende para o Estado, o que veio foi insuficiente e, pior, misturado com micromedidas que, vá lá, têm a sua importância, mas estão longe de possuir um significado quanto a um conceito de governo capaz de atender as demandas dos goianos.

 

Caiado continua o parlamentar verborrágico que sempre foi e ainda não vestiu o figurino de Executivo. Ele não se incomoda nem com a sua comparação com o presidente Jair Bolsonaro, que, aos trancos e barrancos, já abriu uma agenda tão ampla quanto auspiciosa para o Brasil: reforma da previdência, pacote anticrime, início da discussão sobre a reforma tributária, reaproximação com os Estados Unidos, modernização das relações trabalhistas e muito mais, isso nos mesmos 100 dias que Caiado desperdiçou com firulas e erros graves como o drible que aplicou no funcionalismo ao deixar de pagar os salários de dezembro – ideia infeliz que, hoje, parece ter sido adotada para atender a finalidades políticas, ou seja, caracterizar Goiás como um Estado em situação de calamidade financeira e necessitado de ajuda federal.

 

Governo mesmo, de propostas de profundidade e decisões que tenham repercussão na macroestrutura social e econômica, Caiado ainda não começou.

 

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15 abr

CPI da Celg-Enel está nas mãos de procuradores da Assembleia e técnicos do TCE que não entendem de energia e ainda não focaram no que importa: quanto de lucros obtidos em Goiás foi remetido para Roma?

A Assembleia Legislativa arvorou-se a instalar duas Comissões Parlamentares de Inquérito para os quais os deputados não têm o menor preparo quanto a desenvolver as investigações: a da privatização da Celg, com as subsequentes vantagens que foram oferecidas à sua nova proprietária, a Enel, e a dos Incentivos Fiscais, que teoricamente visaria a apuração da farra dos últimos anos na distribuição a torto e a direito de isenções de ICMS para empresas privilegiada.

 

No caso da CPI da Celg-Enel, os deputados escolhidos para a sua composição não têm a menor noção do terreno que estão pisando. O assunto é complexo, envolve peculiaridades do mercado brasileiro de energia e da estratégia de privatização de estatais e até é possível aceitar  que a comissão seja integrada por parlamentares despreparados quanto ao objeto que estão esquadrinhando, mas não há como perdoar que cometam o erro de não buscar assessoria adequada e tecnicamente qualificada.

 

É que a CPI requisitou o auxílio dos procuradores da Assembleia e de experts do Tribunal de Contas pensando ter resolvido o desafio de suprir a falta de conhecimento dos deputados, mas só fez piorar as coisas – leia mais. Nem uns nem outros possuem qualquer aptidão na matéria em exame, qual seja a modelagem em cima da qual se fez a venda da Celg e, no passo a seguir, as obrigações assumidas pela Enel e como a empresa está se saindo. De resto, CPI é um mecanismo complexo, fortemente político, que a soma dos deputados que integram essa mais a assessoria que escalaram dá em um total que está longe de atender as metas perseguidas.

 

Por exemplo: até hoje, depois de várias reuniões, em que, aliás, precipitadamente os deputados tentaram convocar para depor os ex-governadores Marconi Perillo e Zé Eliton, antes mesmo de delimitado um universo fático para as averiguações, não se falou nem de longe no que mais importa no caso da Enel – qual seja a revelação dos valores que foram remetidos a Roma, na Itália, onde fica a sede da companhia, a título de lucros obtidos em Goiás, em vez da aplicação desses recursos na manutenção e ampliação da rede de energia elétrica do Estado – notoriamente em crise. Que a Enel expatriou dividendos, não há dúvidas, mesmo porque são de sua propriedade outros valiosos ativos de eletricidade no país, como a antiga Eletropaulo, em São Paulo, e isso implica em um faturamento gigantesco. O que interessa é saber se, em vez de usar esse dinheiro para resgatar os compromissos da empresa aqui no Estado, os donos italianos preferiram embolsar a grana. Aí, é grave. Mas a CPI não se interessou.

15 abr

Projeto político de João Dória, que passa pela mudança do nome do PSDB e por uma “faxina ética” no partido, tem reflexos em Goiás: é um tiro mortal no seu querido amigo Marconi Perillo

O governador de São Paulo João Dória assumiu de fato o comando nacional do PSDB e de imediato abriu duas frentes para o futuro do partido: uma, a mudança do seu nome, através de pesquisa que já foi encomendada, outra, a realização de uma “faxina ética”, destinada a afastar todos os nomes envolvidos em escândalos de corrupção, entre os quais foram citados os ex-governadores do Paraná Beto Richa e de Minas Gerais Eduardo Azeredo.

 

Trocar o nome do PSDB é uma grande bobagem. Não altera em nada a difícil situação dos tucanos, que foram fragorosamente derrotados na eleição do ano passado, com exceção do próprio Dória – o sumo sacerdote e talvez único vitorioso do partido. No máximo, pode ser que, ao descartar essas quatro letrinhas fatídicas, a legenda se livra de um recall negativo e talvez insuperável, principalmente em um país como o Brasil, onde a formalidade e a superficialidade são a marca de uma população ainda aguardando oportunidade para ser melhor educada.

 

Mas a “faxina ética” é coisa séria. E, em Goiás, atinge com um tiro mortal no já politicamente cambaleante ex-governador Marconi Perillo, que tem uma situação jurídica pior que a de Richa ou a de Azeredo ou a dos dois somada, pelo volume de processos com que passou a ser encurralado pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Federal. O detalhe curioso é que Marconi é um dos melhores amigos de João Dória, com quem tem uma longa convivência e a quem prestigiou, quando estava no governo, com milhões em reais em verbas publicitárias para suas revistas e promoções, como o encontro anual de lideranças políticas denominado LIDE, de responsabilidade das empresas do governador paulista – que retribuiu arranjando para o tucano de Goiás, depois da queda, um trabalho para amenizar o ostracismo, ou seja, um contrato de consultoria na poderosa Companhia Siderúrgica Nacional.

 

Ora, se Richa e Azeredo, segundo a estratégia de Dória, precisam ser afastados para que o PSDB fique livre da contagiosa doença moral dos seus associados mais problemáticos, porque seria diferente com Marconi? Estão todos no mesmo balaio judicial, os três com passagem pela cadeia, um deles, Azeredo, até já cumprindo pena e trancafiado por alguns anos. Não há nenhuma diferença entre esses governadores, a não ser quanto a gravidade maior ou menor das delicadas condições atuais em que estão metidos. Não é verdade que pau que dá em Chico também bate em Francisco?

 

Se quiser salvar e levantar o que sobrou do PSDB, o rumo definido por Dória – que tem a pretensão de disputar a presidência da República em 2022 – é acertado, para azar de Marconi.

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