Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt e convidados sobre política, cultura e economia

30 jan

Lágrimas no Palácio: Caiado esculhamba deputados, diz que o poder de “nomear” o presidente da Assembleia é do governador, chama Lucas Calil de “inimigo” e joga Dr. Antônio em crise de choro

Beiram o inacreditável os acontecimentos da madrugada desta quarta-feira, 30 de janeiro, dentro do Palácio das Esmeraldas.

 

Logo no começo da noite, Caiado iniciou uma operação para chamar deputados estaduais para uma conversa sobre a escolha do novo presidente da Assembleia e reafirmar que o seu candidato é Alvaro Guimarães, de cuja eleição não abre mão.

 

Quem atendeu ao convite se arrependeu. Extrapola todos os limites da diplomacia e cortesia política o que Caiado disse. O tom que ele adotou foi de esculhambação, chamando deputados da sua base e que o acompanham pioneiramente desde a campanha, como Iso Moreira e Dr. Antônio, de “traidores” – claro, em razão de terem se engajado no movimento que defende a independência da Assembleia e a definição de um presidente não submisso ao Executivo. Cláudio Meirelles, outro que apoiou Caiado, também recebeu o mesmo adjetivo. Influenciado pelo colega Diego Sorgato, do PSDB, mas próximo ao governo, Lucas Calil cometeu o erro de também ir ao Palácio e acabou sendo chamado de “inimigo” pelo governador, além de presenciar os horrores que foram ditos ao Dr. Antônio, que entrou em crise convulsiva de choro.

 

Caiado foi duríssimo. A vários deputados, reafirmou que o direito de “nomear” o presidente da Assembleia é do governador. Garantiu que não aceita o voto contrário a Álvaro Guimarães e que considera a articulação de um bloco de 23 parlamentares para eleger Lissauer Vieira para a presidência como uma declaração de guerra da Assembleia. Lembrou que o seu nome é Ronaldo Ramos Caiado e que não é da sua natureza ceder a chantagem ou, pior ainda, a extorsão. Quem ouviu, ficou perplexo. Um dos deputados disse a este blog que “jamais seria capaz de imaginar um governador fazendo e falando o que Caiado fez e falou”.

 

O resultado? Lissauer Vieira está consolidado como o próximo presidente da Assembleia. E Caiado vai passar à história como o 1º governador, depois da redemocratização (1982) a ser derrotado em uma eleição para o comando do Legislativo.

30 jan

Caiado reage mal ao movimento de independência da Assembleia, vara a madrugada em reuniões com deputados no Palácio e avisa que não aceita outro presidente que não Álvaro Guimarães

O processo de escolha do novo presidente da Assembleia, que entrou na reta final (a eleição em plenário será às 15 horas da próxima sexta, 1º de fevereiro), gerou a primeira crise política de envergadura do governo Ronaldo Caiado: ao movimento de independência que já congrega  em torno de 30 parlamentares, dispostos colocar no comando do Legislativo um nome que não represente submissão ao Executivo, Caiado reagiu convidando deputados para reuniões que vararam a madrugada no Palácio das Esmeraldas – quando avisou que se chama Ronaldo Ramos Caiado e que não vai abrir mão da eleição do seu candidato a presidente, Álvaro Guimarães.

 

O problema é que o posicionamento do governador veio tarde demais. Pelo menos 27 deputados já selaram um pacto para a consagração de Lissauer Vieira, do PSB, como o próximo titular do Legislativo, com o compromisso de “zerar” a Assembleia, afastar a influência do ex-governador Marconi Perillo e dos seus aliados ex-presidentes (que até hoje detêm o controle de diretorias, contratos e nomeação de funcionários comissionados) e redistribuir essas benesses entre os próprios integrantes do Poder. Não é pouca coisa e pode representar, para cada um, incluindo os seus salários e vantagens pessoais, uma margem de manobra em torno de R$ 250 mil reais por mês, muito superior ao padrão que sempre vigorou.

 

O tom autoritário de Caiado e a sequência de erros cometidos na articulação – em especial o distanciamento em relação aos parlamentares desde que a eleição foi consumada e a desastrada visita que fez à Assembleia, quando tratou alguns deputados de forma considerada “desrespeitosa” – acabaram inviabilizando a candidatura de Álvaro Guimarães (que, pessoalmente, também mostrou inaptidão para a articulação de bastidores). A isso, cabe acrescentar como fator negativo o rompante de quase fúria diante do movimento de independência da Assembleia simbolizado pela candidatura de Lissauer Vieira.

30 jan

Janeiro mais violento dos últimos 2 anos deixa a área de segurança do novo governo sem reação e coloca para Rodnei Miranda o desafio de mostrar o que veio fazer em Goiás

A política de segurança pública dos Estados tem dependência direta da liderança e presença de quem ocupa o comando do setor, exemplos que podem vistos em José Mariano Beltrame, que fez um trabalho revolucionário no conturbado Rio de Janeiro, ou, em Goiás, na passagem bem sucedida do procurador Demóstenes Torres pela Secretaria de Segurança, melhor período da pasta nas últimas décadas e tanto assim que de lá Demóstenes saiu para ganhar em 1º lugar nada mais nada menos que uma eleição para o Senado.

 

Pode-se dizer que o secretário de Segurança e sua imagem, decorrente de quem é e de tudo o que faz, é 50% (ou grande parte) das possibilidades de êxito quanto ao esforço de qualquer governo para levar paz e tranquilidade para a população. É a ação consistente do titular da pasta que transmite a afamada e tão buscada sensação de segurança para a sociedade. Ele é um símbolo do poder do Estado para reprimir a bandidagem. No Espírito Santo, Rodnei Miranda, o delegado federal aposentado que Ronaldo Caiado trouxe para cuidar da polícia goiana, também foi secretário de Segurançla (por duas vezes) e se saiu tão bem que, na sequência, tal como Demóstenes Torres, também colheu um sensacional trunfo eleitoral, ganhando um mandato na Assembleia Legislativa com 69 mil votos, na época a maior votação da história capixaba.

 

Em tese, é um ótims antecedente. Mas… sempre tem um mas e Rodnei Miranda, que no período de transição entre a eleição e a posse de Caiado foi o único secretário anunciado a gerar resultados, antecipando indicações de nomes na sua área e mesmo indicações de rumo a seguir, encontra-se encalacrado. Este janeiro, que está se encerrando, acabou se transformando no mês mais violento dos últimos dois anos em Goiânia. Quase 40 homicídios, com novidades poucas vezes vistas, como decapitações, vilipêndio de cadáver e chacina de jovens.

 

É preciso dar respostas. A que Rodnei Miranda ofereceu, depois de dois dias em silêncio, mas pressionado pelos repórteres de O Popular,  é perto de caricata: houve, sim, “leve alta” no número de homicídios, porém nos últimos dias do mês apurou-se uma tendência de queda. É sério, leitora e leitor. Foi isso que o secretário de Segurança mandou dizer a O Popular sobre a onda de assassinatos em janeiro.

 

Ninguém pode culpar diretamente a política de segurança de qualquer governo pela ocorrência de crimes bárbaros como os que aconteceram nas últimas semanas em Goiânia. Mas cabe uma avaliação sobre a reação das autoridades. O que foi e está sendo feito para combater essas ocorrências lamentáveis? Por que os titulares das delegacias e setores policiais envolvidos não se manifestam? Por que apresentam desculpas esfarrapadas em vez de ação e determinação para sinalizar que nenhum ato de violência será tolerado? É o que se espera do novo secretário e do novo governo: que janeiro e suas vítimas não tenham sido em vão.

30 jan

Assessoria ruim e inexperiente expõe Caiado ao divulgar informação falsa de que a 1º parte da reforma administrativa economizaria R$ 98 mil/mês. Na verdade, serão ridículos R$ 10,7 mil/mês, ou seja… nada

No momento em que o governador Ronaldo Caiado insiste no discurso de calamidade financeira e na necessidade de “cortar no osso” para superar a crise fiscal do Estado, pegou mal a sua assessoria divulgar informações – falsas – de que a 1º parte da reforma administrativa economizaria R$ 98 mil reais por mês ou R$ 5 milhões durante os quatro anos do novo governo.

 

O secretário da Casa Civil, Anderson Máximo, e o líder de Caiado na Assembleia, Bruno Peixoto, deram ampla propaganda para a tal “economia”. O governador, por sorte, nunca se referiu a ela especificamente, falando apenas no geral que a reforma, na sua etapa inicial, diminuiria custos. Mesmo assim, tratou-se de uma derrapada sem tamanho, que afeta a credibilidade do governo – em xeque desde a fatídica decisão de não pagar parte dos salários de dezembro do funcionalismo com a manipulação de argumentos que não convenceram ninguém.

 

Tudo isso é muito grave. Mas, para piorar o que já ficou ruim, o episódio registrou uma vitória moral da oposição: durante a tramitação da reforma na Assembleia, o deputado Gustavo Sebba apresentou um estudo mostrando que, em vez de redução haveria é crescimento da despesa, da ordem de mais de R$ 300 mil reais por mês. Estava certo e até jogou por baixo. Nesta quarta, 30 de janeiro, a Segplan elevou esse número e admitiu oficialmente que, sim, é verdade que, em comparação com a estrutura anterior, a reforma trouxe gastos a mais superiores a R$ 400 mil mensais e em seguida inventou um raciocínio esquisito, em que cortes aqui e ali vão garantir ganhos que, no final das contas, farão com que apenas R$ 10,7 mil sejam economizados. Ah… e veio também a explicação, só agora, de que a 1º etapa da reforma nunca teve a intenção de economizar nada, mas de adequar a máquina administrativa à visão do novo governo. Eles esqueceram de avisar.

 

É uma trapalhada e tanto. Além de fraca, a assessoria de Caiado é sobretudo inexperiente. É nítido que falta unidade e que muitos não sabem o que fazer com clareza, apenas replicando o discurso de austeridade – só discurso, por enquanto – do governador. De maneira atabalhoada, infelizmente.

29 jan

Fatura liquidada: novo presidente da Assembleia será Lissauer Vieira, do PSB, a ser eleito sexta-feira com mais de 30 votos para mostrar a Caiado que ele terá apoio do Legislativo, mas não submissão

Estão praticamente encerradas as articulações de bastidores para a escolha do novo presidente da Assembleia, com a definição de mais de 30 deputados estaduais pelo nome de Lissauer Vieira, do PSB.

 

A candidatura de Álvaro Guimarães, que tinha o apoio do governador Ronaldo Caiado, pode nem ser levada a plenário, diante da folgada maioria construída pelos parlamentares que inicialmente apenas queriam “zerar” a Assembléia, livrando-a da influência do ex-governador Marconi Perillo e ex-presidentes aliados, mas expandiram o projeto para uma espécie de declaração de independência face ao Palácio das Esmeraldas – principalmente depois que Caiado foi até a Casa e tratou alguns deputados com ironia e desconsideração durante um debate sobre a situação financeira do Estado. Lissauer Vieira foi escolhido pelo grupo porque tem perfil moderado em relação Caiado e, portanto, não tem arestas com o novo governo: como presidente, o que ele significa é que a Assembleia dará apoio ao Palácio das Esmeraldas sem submissão e dentro de um convívio respeitoso com todos os 41 deputados estaduais.

29 jan

Microdecisões de Caiado são excelentes, mas na visão macro o que se tem é a repetição dos governos passados, ausência de medidas de economia e manutenção do Estado inchado e ineficiente

O governador Ronaldo Caiado tem o seu lado marqueteiro – não foi atoa que ganhou a eleição com votação recorde e em 1º turno. Essa característica tem aparecido com força nas microdecisões do seu governo, todas de forte apelo popular: 1) mandou leiloar dois carros de luxo que serviam ao Palácio das Esmeraldas, 2) abriu mão do seu salário até que o resto da folha de dezembro seja quitado, 3) mudou o nome da Agetop, segundo ele marcada pela corrupção, para Goinfra e 4) proibiu que radares móveis sejam colocados nas rodovias estaduais para multar motoristas sem aviso prévio.

 

Não se pode negar: são pequenas ações com grande repercussão entre a população, todas muito positivas, mas… sem desdobramentos reais quando a questão principal a enfrentar é a crise fiscal do Estado. Não trazem nenhuma redução de despesa, nem ínfima. Não contribuem, mesmo como metáforas carregadas de significados, com o que importa, no momento, que é a busca do reequilíbrio financeiro e a superação da herança maldita recebida dos governos anteriores.

 

Esse é o verdadeiro desafio do governo Caiado: não repetir a estratégia de “ajeitamento” que foi a regra entre os seus antecessores e utilizar o enorme capital político que recolheu nas urnas para fazer as reformas necessárias e libertar Goiás de duas camisas de força: uma, a estrutura superada que foi criada no início dos anos 60 pelo então governador Mauro Borges, que domina o Estado até hoje, e outra sair da política de improvisação que enterrou todo e qualquer planejamento em troca de ações de governo inventadas para os próximos dias e não para os próximos anos.

 

Para isso, o novo governador precisa enfrentar a necessidade de reformas e reavaliação de tudo o que o Estado faz hoje. Por quê, por exemplo, manter uma estrutura caríssima como a do Ipasgo, que poderia ser substituída zás trás pelo atendimento médico prestado por seguradoras privadas? Por quê manter uma televisão e duas emissoras de rádio sem audiência e sem utilidade para os goianos? Para quê continuar gastando recursos públicos em estruturas inúteis como a Goiásparcerias, a Goiás Telecom ou a Goiás Gás? Para quê manter caríssimos escritórios de representação em Brasília e São Paulo? Por quê, enfim, Caiado deve manter intacto o que herdou dos governos passados, inclusive a prática de conchavos políticos que ele condena, mas da qual não abriu mão (nomeou o ex-prefeito de Americano do Brasil, região onde tem influência política, para a vice-presidência da Saneago, para a qual o ungido não tem preparo nenhum)?

 

Um governo novo, com um governador com a credibilidade moral de Caiado e a gordura que acumulou com uma espetacular vitória nas urnas, não tem o direito de desperdiçar esse capital e apenas mudar algumas coisas para que, tudo, no fundo, no fundo, permaneça como sempre foi.

29 jan

Aposta no Regime de Recuperação Fiscal foi erro tremendo de Caiado, atrasou o início do seu governo e ainda mostrou que o prestígio de Goiás junto ao governo Bolsonaro é próximo de zero

Tudo por tudo, foi um erro tremendo a aposta que o governador Ronaldo Caiado fez ao colocar todas as suas fichas na conquista do Regime de Recuperação Fiscal, atrasando o início do seu governo e adotando decisões equivocadas como a recusa em quitar o restante da folha de dezembro, em uma tentativa de alcançar os critérios exigidos pelo programa através do acréscimo desse valor aos números consolidados da dívida estadual em 31 de dezembro de 2019.

 

Não deu certo. Embora possa até negar, Caiado confiou na possível força do seu nome junto ao ministro da Economia Paulo Guedes, que o recebeu com festa logo depois da eleição e sinalizou com o maná dos céus do RRF, inclusive passando informações deturpadas, como a notícia de que Goiás cairia para o nível D no ranking da Secretaria do Tesouro Nacional (estava no nível C e assim continua, não houve desclassificação nenhuma). Empossado, Paulo Guedes deu de costas e mudou a conversa com Caiado: nesta segunda-feira, 28 de janeiro, quando o seu Ministério anunciou oficialmente que as regras do RRF não seriam flexibilizadas para acomodar qualquer Estado. Outro ponto que o governador goiano avaliou mal foi quanto ao seu prestígio com o presidente Jair Bolsonaro – esquecendo-se de que só o apoiou no 2º turno, com a fatura já estava definida a seu favor, mas não quando havia riscos, isto é, no 1º turno (neste, Caiado ficou neutro). Por ora, Bolsonaro comporta-se em relação a Goiás como se Caiado não existisse.

 

Mas, na espera do impossível, ou seja, do Regime de Recuperação Fiscal, Caiado atrasou os primeiros passos da sua gestão, não apresentou até hoje um plano de austeridade para consolidar o reequilíbrio financeiro do Estado e, muito pior, adotou decisões contraditórias, sinalizando a necessidade de fazer economia, por um lado, mas abrindo as burras do governo por outro. Entre a economia e a gastança, acabou ficando com a segunda, mantendo programas sociais (como o Bolsa Universitária) sem uma avaliação a fundo, distribuindo recursos a prefeitos (prometeu a Adib Elias que vai pagar a metade da obra do arco viário de Catalão, estimada em R$ 11 milhões) e agraciando o funcionalismo com benesses que vão acrescer a folha de pessoal, por mês, em mais de R$ 60 milhões, não se descartando a hipótese de um aumento de gastos, nessa área, superior a R$ 1 bilhão por ano, só com o que foi presenteado aos servidores até agora – e isso em meio a um discurso de calamidade financeira repetido dia e noite.

 

É um governo difícil de compreender, o de Caiado.

29 jan

Álvaro Guimarães queixa-se da indiferença de Caiado com a sua candidatura a presidente da Assembleia e praticamente entrega os pontos ao avisar que aceitará o resultado sem ressentimentos

O deputado Álvaro Guimarães, nome lançado para a presidência da Assembleia pelo próprio governador Ronaldo Caiado, está se queixando ao seus colegas sobre o que define como “indiferença” do Palácio das Esmeraldas com a sua candidatura.

 

Ele começou como favorito, mostrou uma certa inaptidão para articular a sua postulação, cometeu erros graves como deixar vazar que estava prometendo diretorias a ex-deputados tucanos em troca dos votos da bancada do PSDB e acabou atropelado por um movimento de renovação que ganhou força entre os 41 parlamentares estaduais com a proposta de “zerar a Assembleia”, ou seja, libertar o Poder da influência do ex-governador Marconi Perillo e ex-presidentes da Casa aliados, que ainda detêm o controle e se beneficiam de um grande número de cargos comissionados e contratos de serviços.

 

Em um surpreendente ato de inexperiência política, na semana passada, já entrando na delicada reta final das articulações pela presidência, o próprio Caiado foi de surpresa à Assembleia, onde se reuniu com os deputados para debater a crise fiscal do Estado e acabou tratando vários deles de forma que, unanimemente, os membros do Poder consideraram desrespeitosa. Isso praticamente acabou com as chances, já escassas, de vitória de Álvaro Guimarães, disseminando entre a maioria a convicção de que a definição do novo titular do Legislativo deveria adotar um rumo de independência e de afirmação perante o novo governo.

 

Pessoalmente, de resto, Caiado não se empenhou até agora para conseguir votos para Álvaro Guimarães, apesar de ter escalado prepostos como Ernesto Roller, secretário de Governo; Lincoln Tejota, vice-governador; e Samuel Belchior, espécie de articulador informal do Palácio, para ajudar o candidato oficial. Infelizmente, sem nenhum efeito por enquanto, porque, na Assembleia, ninguém gosta e muitos se sentem diminuídos ao conversar com atravessadores, fazendo questão de resolver com o próprio dono do poder.

29 jan

Nos dias finais do processo de escolha do novo presidente da Assembleia, deputados não atendem telefonemas de Marconi para evitar contaminação negativa

O bloco de deputados estaduais que articula uma candidatura alternativa à presidência da Assembleia, liquidando em definitivo as chances de eleição de Álvaro Guimarães, nome da preferência do governador Ronaldo Caiado, adotaram uma posição em comum: até o dia em que o plenário fará a escolha, ou seja, 1º de fevereiro, sexta-feira próxima, não atenderão mais a telefonemas do ex-governador Marconi Perillo.

 

Interessado em ajudar na produção da 1º derrota política do novo governador, Marconi está tentando articular os parlamentares com quem tem relacionamento – ou seja, quase todos – para que engrossem o grupo dos dissidentes e entreguem a direção da Assembleia a qualquer um, menos o preferido de Caiado. O problema é que esses deputados, que hoje podem passar de 24 e portanto formando maioria para eleger o novo presidente do Legislativo, também comungam com a ideia de que o tucano-mor de Goiás tem ingerência excessiva no Poder (ele e os ex-presidentes seus aliados) e precisa ser afastado para evitar que a articulação que estão conduzindo possa ser contaminada negativamente com a proximidade do ex-governador.

 

Após ser derrotado nas urnas (ficou em 5º lugar na disputa pelo Senado) e, na sequência, passar um dia preso pela Polícia Federal, Marconi deu a entender que se afastaria da política, mergulhando em suas atividades particulares em São Paulo, para onde se mudou oficialmente. Mas essa disposição, se é que existiu, durou pouco. Ele não resistiu ao seu forte instinto de animal político e retornou rapidamente aos contatos e manobras de bastidores em Goiás, o que aprofundou ao enxergar a chance de aplicar um golpe em Caiado com a eleição de um presidente da Assembleia com uma certa dose de independência e não de joelhos dobrados para o Palácio das Esmeraldas.

 

A avaliação dos deputados que operam para chegar a esse resultado é que a interferência de e Marconi é muito ruim e pode inclusive levar ao insucesso do movimento. Eles fizeram então uma combinação: não vão mais atender, até o desfecho do processo, aos insistentes telefonemas do ex-governador.

29 jan

Aumentos salariais concedidos por Caiado a fatias do funcionalismo não seriam permitidos se Goiás estivesse no Regime de Recuperação Fiscal que o novo governo tanto almeja

O governador Ronaldo Caiado surpreendeu nesta segunda-feira, quando, prestes a completar um mês de mandato, convocou uma entrevista coletiva e anunciou medidas que, na prática, resultarão em aumentos salariais para faixas do funcionalismo da Educação e Segurança, implicando em um acréscimo mensal de R$ 50 a 60 milhões na folha de pagamento.

 

Caiado reajustou em quase 50% os vencimentos dos 19 a 20 mil professores temporários, extinguiu a 3ª classe da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros e promoveu todos os soldados dessa categoria para a 2ª classe,  concedeu vale alimentação de R$ 500 reais para todos os servidores da Educação e o estendeu também a todos os funcionários de todas as pastas, desde que ganhem até R$ 5 mil reais.

 

Nenhuma dessas decisões poderia ser tomada pelo governador caso o Estado tivesse sido incluído no Regime de Recuperação Fiscal, que é o sonho dourado de Caiado. Todas batem de frente com o discurso de dificuldades financeiras em que Goiás estaria vivendo em razão dos “erros e crimes” que os governos anteriores estão sendo acusados de ter praticado. A quitação do restante da folha de dezembro continua em aberto e não foi mencionada na entrevista do governador.

27 jan

Em vez de rever a política incentivos fiscais em Goiás, que é a mais exagerada do Brasil, Caiado já está beneficiando mais empresas e mantendo aberto o ralo por onde se esvai a arrecadação de ICMS

O discurso é um, mas a ação, que é o que vale, é outro. É mais ou menos o que o governador Ronaldo Caiado está fazendo, ao falar dia em noite em crise fiscal do Estado, mas assinar atos que ajudam a aprofundar o rombo financeiro e vão em sentido contrário à necessidade de implantar um regime de austeridade administrativa em Goiás.

 

Nesta semana, quase completando um mês de mandato, Caiado concedeu mais incentivos fiscais – os mesmos que, distribuídos sem maiores critérios pelos governos do Tempo Novo, levaram a uma renúncia tributária de no mínimo R$ 10 bilhões por ano, fazem com que as 600 maiores empresas instaladas em território goiano paguem uma ninharia em ICMS e ainda tenham o faturamento reforçado pela venda de créditos oriundos da compra de matéria prima. É a política de estímulos tributários mais exagerada do país.

 

Em troca, os empreendedores beneficiados se comprometem a gerar empregos e mais nada. É aí que o novo governo está falhando. Somente gerar empregos é muito pouco. As empresas deveriam contribuir com Goiás. E não existe fiscalização para comprovar se essas vagas de trabalho serão, são ou foram efetivamente criadas. Quando Ana Carla Abrão Costa foi secretária da Fazenda, ela começou a auditar as empresas incentivadas e logo nas 50 ou 60 primeiras descobriu que elas não cumpriam as contrapartidas, em especial os tais empregos. Ana Carla, amparada pelos contratos que estavam sendo desobedecidos, tentou cancelar as vantagens, chegou a assinar uma portaria, mas foi desautorizada pelo então governador Marconi Perillo e teve que recuar.

 

Caiado, enquanto fala publicamente em austeridade, em cortar no osso, em sacrifícios para todos os goianos, repete o comportamento dos seus antecessores, que ele condena e aponta como irresponsável e até criminoso. Um governo de mudança não abriria mão de, inicialmente, suspender a concessão de novos incentivos fiscais e em seguida rever toda a política, tornando-a no mínimo menos prejudicial a Goiás. É o certo e é o que se espera, diante das expectativas que as promessas de campanha criaram.

26 jan

Quase todas as medidas do Regime de Recuperação Fiscal um Estado pode adotar por conta própria, menos parar de pagar a dívida ou contrair empréstimos. Só depende de Caiado…

De todas as medidas previstas pelo Regime de Recuperação Fiscal, sonho dourado do governador Ronaldo Caiado, apenas duas não podem ser adotadas por conta própria pelos Estados que o almejam: a suspensão do pagamento das parcelas da dívida e a contratação de empréstimos. Fora isso, tudo o que o RRF em sua programação de sobriedade financeira prevê está ao alcance de qualquer governador, desde que tenha vontade política e coragem para fazer.

 

Cortar despesas de cabo a rabo, promover a concessão de serviços públicos, fazer privatizações, suspender concursos, proibir aumentos salariais, eliminar drasticamente os privilégios previdenciários do funcionalismo, radicalizar o teto de gastos, efetuar leilões de pagamentos para diminuir o valor dos contratos de serviços e fornecimento de mercadorias e, aí o principal de tudo, que é fechar o ralo dos incentivos fiscais, este o dreno que consome a receita do Estado – são as medidas que o RRF prevê e que qualquer governador, a qualquer tempo, pode adotar sem a menor limitação legal, bastando para isso assinar decretos e enviar leis para a Assembleia Legislativa.

 

Tudo isso está ao alcance de Caiado e poderia ter sido baixado a partir do minuto seguinte ao encerramento da sua posse na Assembleia Legislativa, mas ele não o fez. E por que não o faz? Ora, Caiado é político e sabe que essas medidas colocariam o seu governo em um baixíssimo patamar de aprovação popular, o que, caso obtivesse o aval do Regime de Recuperação Fiscal, ainda existiria, mas provavelmente em dose menor. O RRF é a desculpa ideal com que todo governador sonha para tomar decisões purgativas com uma considerável redução de danos políticos. Todos eles, sem exceção.

 

Caiado ganhou a eleição prometendo austeridade. Isso é cristalino. Pode-se dizer que ele recebeu dos goianos um cheque em branco para chegar a esse objetivo. Sem dúvida nenhuma. Mas ele tem cabeça de político e deve estar pensando que, sim, precisa cumprir esse compromisso, só que ao menos custo possível. Não dá. Não vai acontecer. O que fez até agora é o mínimo, ou até nem isso, para trazer o reequilíbrio financeiro do Estado. Enquanto espera o milagre do Regime de Recuperação Fiscal.

26 jan

Governo Caiado está sendo e será medido pelos seus atos concretos, nada mais, não por discursos, declarações de intenção, posts na redes sociais ou pela imensa autoridade moral do governador

Campanha é uma coisa, exercício do poder outra. Embora essa distinção ainda não esteja muito clara na cabeça do governador Ronaldo Caiado, a se julgar pelos motes eleitorais que ele continua desfiando, o fato é que o seu governo está sendo e será julgado exclusivamente pelos seus atos concretos e o que trarão de positivo para os goianos, não não por discursos, declarações de intenção, posts na redes sociais ou pela imensa autoridade moral do governador.

 

De um modo geral, a parte positiva dos primeiros passos da gestão de Caiado é oriunda mais da ruptura que ela representa em relação aos governos do Tempo Novo, que já estavam cansados e não mais ofereciam respostas para as demandas da população. É quase que um efeito automático, decorrente do corte brusco na linha do tempo da administração estadual, e menos consequência de atitudes pensadas e trabalhadas para gerar avanços – que hoje, está claro, serão tanto maiores quanto mais rigoroso e radical for o regime de austeridade a ser implantado pelo governador que se elegeu prometendo mudança.

 

O xis da questão está, portanto, na austeridade. E Caiado não a está levando tão a sério assim. Sem uma avaliação profunda, manteve programas sociais polêmicos como a Bolsa Universitária e a Renda Cidadã. Foi a Catalão e anunciou um investimento do governo correspondente a metade da obra do anel viário da cidade. Fez uma reforma administrativa tímida, que mais consistiu na recriação de pasta e estruturas do que em corte de segmentos dispensáveis da máquina estadual. E baixou um decreto de redução de despesas sem metas nem números específicos, além de dar prazo até o final de março ao seu secretariado para montar um programa de economia, cada um em seu âmbito – veja bem, leitora e leitora, final de março, quando não seria preciso mais do que alguns dias, dois ou três, para elaborar em detalhes um diagnóstico preciso de cada pasta.

 

Goiás nunca teve um governador que fala tanto quanto Caiado, em emissoras de rádio, lives pelo Facebook, programas de televisão, reuniões a torto e a direito e, enfim, em todos os canais e momentos possíveis e disponíveis. Ocorre que, quanto a um governador, falar importa bulhufas, o que vale são os seus atos e o que eles trazem de efetivo e que significado têm. É isso que está fazendo falta.

26 jan

Tanto Cultura quanto Esportes, que tiveram Secretarias recriadas por Caiado, não necessitam de mais que departamentos para cuidar dos seus interesses, evitando estruturas e gastos inúteis

A recriação das Secretarias de Cultura e de Esporte & Lazer, uma das primeiras das poucas decisões do governador Ronaldo Caiado até agora, bate de frente com a disposição do novo governo de implantar um regime de austeridade no Estado.

 

Ambos os setores estão longe de se caracterizarem como prioridades, pelo menos no nível de áreas como Saúde, Educação ou Segurança. E mais: reduzidos à condição de departamentos da Secretaria de Educação, vinha funcionando muito bem, dentro das suas possibilidades. No setor cultural, o que interessa são as verbas para o financiamento de projetos, enquanto, para o esporte & lazer, a única demanda é a administração do patrimônio que o Estado tem em matéria de ginásios de esportes e pouca coisa a mais. Nem uma nem outra área necessita de mais do que isso.

 

Caiado recriou as duas Secretarias com o propósito óbvio de valorizar a imagem de governante comprometido com as tradições em artes do Estado, que são, reconheçamos, fraquíssimas e de escassa projeção, tanto interna quanto nacionalmente, e com o apoio genérico à juventude. Houve influência do marketing na decisão, mas o que importa é o resultado: aumento de gastos, que virão dentre outros ralos através da multiplicação de cargos como o de secretário executivo, secretário adjunto e secretário geral, que cada pasta terá, cumulativamente com chefia de gabinetes e isso e aquilo. No fundo, dinheiro  público jogado fora, apesar do discurso de corte de gastos, de economia e de fim dos desperdícios desfiado pelo novo governador.

26 jan

Recado que a Assembleia quer passar a Caiado elegendo um presidente independente é um só: nenhum governador pode tudo e deve antes de mais nada ouvir e prestigiar a sua base parlamentar

A candidatura de Álvaro Guimarães a presidente da Assembleia, praticamente liquidada, não está perto do fim apelas em razão da inaptidão do deputado para a articulação de bastidores, mas muito mais em consequência das mudanças de comportamento do governador Ronaldo Caiado antes e depois de ser eleito.

 

Caiado obteve uma vitória consagradora nas urnas, em 1º turno e com votação recorde. Ele tem experiência eleitoral e sabe que chegou a esse resultado quase que sozinho, em decorrência do imenso prestígio que acumulou e da sua biografia limpa, que foi valorizada ao extremo pelo momento político nacional e o cansaço da população com os escândalos de corrupção envolvendo políticos. A  Claro, ele teve muita ajuda, como por exemplo dos dissidentes do MDB, talvez o fator coadjuvante de mais peso para a sua jornada bem sucedida. Mas, em última análise, Ronaldo Caiado ganhou porque… era e é Ronaldo Caiado.

 

Se isso subiu ou não à sua cabeça, não se sabe e é de se presumir que não, já que é um homem de 69 anos e uma agitada história de vida. Mas nunca se sabe e o fato é que é unanimidade entre os que o apoiaram na campanha a opinião de que era um antes e é outro agora De salto alto ou não, montou um secretariado de forasteiros sem ouvir absolutamente ninguém e até hoje não atendeu as demandas e menos ainda as expectativa dos deputados eleitos em sintonia com a sua liderança e dispostos a se perfilar na sua base de apoio na Assembleia. Não atende mais seus telefonemas nem lê ou responde suas mensagens de WhatsApp, o que fazia com presteza quando ainda candidato.

 

Há um desejo espontâneo vicejando entre a maioria dos deputados: Caiado precisa receber uma lição, para entender que não pode tudo e que tem necessidade de cultivar a sua base parlamentar para ser bem sucedido no governo. Os deputados não querem apenas ser ouvidos, mas, indo mais longe, participar da gestão com indicações, não somente como apoiadores para aplaudir figuras desconhecidas que vieram de fora e ficaram com as fatias maiores do bolo do poder estadual.

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