Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

13 abr

Em um dos maiores retrocessos da história política de Goiás, Caiado prioriza laços de família ao nomear dezenas de parentes seus e de parlamentares para cargos importantes. Isso é mudança, mas para pior

Não há precedentes em Goiás – ou, se tiver, é para além da República Velha – a prioridade que o governador Ronaldo Caiado está dando para a nomeação de parentes seus, de parlamentares e de titulares de órgãos como a OAB-GO para cargos importantes no governo do Estado. Há poucos dias, o jornal O Popular publicou uma reportagem de uma página mostrando que já são 27 familiares, entre afins de Caiado e de deputados e de pelo menos um senador (e do presidente da OAB-GO Lúcio Flávio de Paiva, que indicou seu irmão Luisinho Paiva para chefe de gabinete da Secretaria da Casa Civil), designados para secretarias e autarquias, muitas vezes se acumulando em um mesmo órgão, caso dos dois primos de Caiado que assumiram a presidência e uma diretoria da antiga Agetop, hoje Goinfra. Tudo indica que a conta de O Popular foi modesta.

 

Além dos familiares de Caiado que passaram a enxamear a estrutura administrativa estadual, preparando-se agora para invadir órgãos qualificados como o Conselho Estadual de Educação – detalhes aqui -, uma plêiade de parentes de deputados, por exemplo, foi nomeada, a exemplo da mãe do deputado Virmondes Cruvinel, que foi para a chefia de gabinete da Emater, ou do irmão do deputado Humberto Aidar, colocado em uma superintendência da Secretaria de Comunicação. Ou o irmão do deputado Josué Gouveia, que ganhou uma diretoria da Agehab. Agehab, aliás, cuja presidência foi entregue a um ex-prefeito réu em processos por improbidade que é irmão do senador Luiz Carlos do Carmo. E por aí, às dezenas, que daqui a pouco se transformarão em centenas, no ritmo dessa festa.

 

É uma esbórnia como nunca se viu antes em Goiás. E logo sob os auspícios de um governador que venceu a eleição escorado na sua rigorosa biografia, prometendo mudar os costumes e moralizar a administração estadual, discurso que Caiado tenta manter de pé até hoje, mas que – como nesse caso da parentalha desenfreada – começa a apresentar brechas que vão acabar levando ao rompimento da barragem.

13 abr

Caiado dá sinais de que conseguiu uma base de apoio na Assembleia, por enquanto frágil e sem margem de segurança. E, infelizmente, fazendo o que disse que não faria: dando cargos em troca de votos

Em uma vitória, muitas vezes, esconde-se uma grande derrota. É o caso da base de apoio que o governador Ronaldo Caiado enfim conseguiu na Assembleia Legislativa, por enquanto ainda frágil e com pouca margem de segurança, aguardando uma matéria polêmica para passar por um teste de desempenho – que deve ser o projeto da segunda parte da reforma administrativa, destinado a mexer com a estrutura do Estado e evidentemente gerar muita discussão. O governador parece ter conquistado maioria no plenário da Casa, porém não chegou a essa vantagem devido às suas ideias, propostas ou visão de futuro que tem para Goiás. Não. Estão reunidos ao seu lado entre 24 e 26 deputados, quase todos convencidos por uma das artimanhas mais velhas da política brasileira, que é a troca de apoio por cargos no governo.

 

Infelizmente, Caiado, que pregava contra os “conchavos” e chegou a rezar esse sermão dentro da própria Assembleia, em um encontro com seus integrantes, acabou cedendo e abriu no Palácio das Esmeraldas, na definição do deputado Major Araújo, aliás aliado seu, um “balcão de negócios”. Dentre os atrativos, duas mercadorias parecem ter se mostrado capazes de seduzir até parlamentares que foram eleitos pela atual oposição, como Virmondes Cruvinel, Diego Sorgato ou Tiago Albernaz – que construíram suas trajetórias dentro ao PSDB ou ligados ao partido e principalmente ao ex-governador Marconi Perillo: 1) uma cota de R$ 30 mil reais em nomeações e 2) pelo menos dois cargos de assessoramento de primeira linha, como chefia de gabinete, superintendência ou diretoria (que os parlamentares beneficiados estão aproveitando para uma vexatória farra de indicações de familiares).

 

Sob o poder de arrastão desses pequenos mimos, que atenderam a voracidade das goelas fisiológicas dos deputados, surgiu o esboço de uma base de apoio na Assembleia, frágil porque o governo tem atendido a uns com mais presteza do que outros – levando o líder Bruno Peixoto a um plantão cívico nos sagrados salões do Palácio das Esmeraldas, à espera agoniada e sem pudor dos decretos de nomeações, com direito a notícia nos melhores espaços da imprensa estadual.  E com pequena margem de segurança, já que o número de votos arrebanhados vai pouco além da maioria de 21 para projetos ordinários e de 28 para emendas constitucionais e temas específicos.

 

É a vida, dirão os seguidores e admiradores de Caiado.

13 abr

Depois de quase 4 meses de governo e 7 meses desde a eleição, reforma administrativa será finalmente enviada à Assembleia e vai mostrar a ideia que Caiado tem para o formato do seu governo

Finalmente, depois de quase quatro meses de governo e sete meses desde a eleição, o governador Ronaldo Caiado dará um passo – concreto – da maior importância para a definição do futuro da sua gestão: está confirmado para a semana que vem o encaminhamento da reforma administrativa para a apreciação da Assembleia Legislativa, onde se supõe que, também enfim, o Palácio das Esmeraldas contaria com uma base de apoio suficiente para aprovar a matéria sem maiores modificações.

 

Batizada de “segunda parte” da reforma administrativa, o que se terá para valer é possivelmente uma verdadeira proposta de formatação da máquina que serve ao governo do Estado, já que a “primeira parte” não trouxe nenhuma mudança substancial e,  ao contrário, incorreu no pecado de aumentar ainda mais o número de secretarias e cargos, consequentemente expandindo as despesas. O que virá agora tem a pretensão de corrigir esse erro, enxugando a estrutura do poder estadual, eliminando órgãos, diminuindo o quantitativo de funcionários e de alguma forma produzindo uma economia que possa fazer diferença financeira. Pelo menos é que o próprio governador e alguns auxiliares ligados à elaboração da reforma têm prometido. Só a análise do projeto, após conhecido, poderá revelar se essas intenções serão alcançadas ou não – mais informações.

 

Caiado já mostrou até agora que não é um governante dado a muita ousadia – leia aqui –  que tem pouca propensão para tomar decisões revolucionárias ou que causem impacto. Nada disso. Ele prefere trabalhar dentro de uma linha convencional, com tendência a manter o que sempre existiu (e até trazer de volta o que já fora extinto, como a Secretaria de Esporte ou a Secretaria de Cultura ou, ainda, a Secretaria da Agricultura), de onde é possível concluir que a sua reforma administrativa dificilmente vai virar de cabeça para baixo o esqueleto do Estado ou introduzir novidades de repercussão, porém, antes, procurando seguir uma linha de racionalização e organização do que bem ou mal  já está aí. Se compararmos o Estado de Goiás com um armário de roupas, o que Caiado pretende é fazer um rearrumação, colocando cada peça em um lugar hierarquicamente definido, onde possa pegá-las com mais facilidade, além de recolher a pendurar as que estão espalhadas pelo chão. Poucas seriam descartadas. Mas o projeto, muito mais que as palavras do governador, é que vai informar sobre a sua real funcionalidade, em especial quanto a moderação nos gastos atuais.

 

Tudo isso é especulação, por ora. Vamos aguardar o texto que será protocolado na Assembleia.

12 abr

Revogação dos incentivos da Enel e CPI para investigar a privatização da Celg desgastam Caiado junto ao governo federal e mostram que ele quer ajuda de Brasília, mas não está disposto a dar nada em troca

A Assembleia Legislativa deu dois passos que vão comprometer a relação do governador Ronaldo Caiado com o governo federal e a sua insistência em obter algum tipo de ajuda financeira para a superação da crise fiscal em que o governo de Goiás está metido. A instalação de uma CPI para investigar a venda da Celg, por um lado, e o projeto que revoga os incentivos fiscais concedidos à Enel, por outro, têm reflexos na imagem nacional e internacional das privatizações que o presidente Jair Bolsonaro já começou a fazer e que deverão se intensificar nos próximos meses.

 

Não à toa, o presidente do BNDES Joaquim Levi telefonou para Caiado para reclamar dos eventos que se passam em Goiás quanto as privatizações e que podem afetar a credibilidade do governo Bolsonaro. Não se sabe qual foi a resposta de Caiado, mas se ele procurou ser eximir de culpa, atribuindo o que está acontecendo à iniciativa dos deputados, é certo que a versão não colou. Como é que um governador não tem controle sobre a Assembleia e, mais ainda, um governador que foi eleito com a maioria escandalosa que Caiado obteve nas urnas?

 

No caso da revogação dos incentivos fiscais à Enel, a matéria já foi aprovada em primeira votação pela Assembleia e parece, portanto, irreversível. É claro que a companhia italiana vai alegar quebra de contrato e inclusive buscar na Justiça a recuperação do que considera ser seu direito adquirido. Isso vai dar panos para a manga. Até os fios que conduzem eletricidade de um poste a outro, por esse Goiás afora, sabem que a Enel não cumpriu as obrigações assumidas quando arrematou a Celg e que, em consequência, o sistema se deteriorou. Mas esse deslize exigiria uma ação afirmativa de cobrança e não uma retaliação como a supressão dos benefícios tributários liberados para a empresa – absurdos, de fato, mas oficializados e portanto passíveis de defesa judicial.

 

Pelo sim, pelo não, a bomba explode no colo de Caiado. Do ponto de vista de Brasília, é ele quem será responsabilizado pela ameaça que o que está acontecendo em Goiás representa para as privatizações do governo Bolsonaro. O governador quer apoio financeiro de Brasília, mas, evidentemente, não parece disposto a dar nada em troca. É um caminho curto para queimar o filme.

12 abr

Alegações de Caiado de que cortou despesas e faz economia, além de ter aumentado a arrecadação em R$ 1 bilhão/ano com redução dos incentivos fiscais, carecem de comprovação

Ronaldo Caiado, em mais de 20 anos como parlamentar, acostumou-se com o poder da palavra. E especialmente a própria, respaldada por uma biografia ímpar e indiscutivelmente limpa. Assim, enquanto atuou no Congresso Nacional, o serviço de Caiado era falar e falar, sustentando a oratória abundante em sua enorme credibilidade.

 

Agora no Executivo, pela primeira vez na vida, os desafios são outros. Discurso importa pouco, o importante é fazer. Apresentar ações concretas. E fundamentar o palavrório em documentos, dados, planilhas, números que não possam ser contestados. Pois é o que está faltando ao governador. Ele parece achar que, por ser Caiado, o manto da verdade recobre tudo o que diz. Ajuda. Mas não é bem assim – leia aqui.

 

A propósito dos seus 100 dias, Caiado anunciou valores expressivos que o seu governo estaria economizando com medidas de contenção de despesas já adotadas. Garantiu, mais uma vez, que haverá a partir deste mês de abril uma diminuição dos incentivos fiscais, resultando em um aumento de R$ 1 bilhão de reais na arrecadação anual. Ótimo. Melhor, impossível. Mas tudo isso sem o acompanhamento de uma mísera tabela do Excel ou um reles demonstrativo matemático. Nada, nada. Só palavras e palavras, como se sabe, o vento as leva, a menos que ditas nos salões parlamentares de Brasília, onde ficam guardadas para sempre nos anais legislativos, embora inutilmente. Uma fórmula que não serve aqui em Goiás.

 

Dias atrás, Caiado também falou em redução da criminalidade depois que a sua gestão começou. E exibiu índices informados pela própria Secretaria de Segurança, que têm a tradição de se chocar com os levantamentos independentes  da área policial e sofrer de um notável déficit de clareza. Por exemplo: 54 quadrilhas teriam sido desbaratadas em menos de três meses de governo, mais que em todo o ano passado. Ora, como assim? Como se chegou a essa soma? Que critério foi utilizado? Ele não esclareceu. É dever de todo jornalista sério e responsável duvidar e pedir uma elucidação mais pormenorizada.

 

Outro caso delicado é o dos incentivos fiscais. No final do ano passado, Caiado concordou com um projeto redigido pelos próprios empresários beneficiados e, ao final, aprovado pela Assembleia Legislativa, baseado na promessa de que haveria um incremento de arrecadação de R$ 1 bilhão anuais. De novo, foi só gogó. Não houve nenhuma corroboração por parte da Sefaz ou de órgãos autônomos como o Sindifisco. Na prática, um chute que assumiu ares  de realidade ao ser assumido pelo novo governador, que repetiu a provável fantasia no seu pronunciamento sobre os 100 dias de gestão. R$ 1 bilhão de reais/ano a mais no caixa estadual? Está mais para lenda do que para a vida como ela é – veja mais informações .

 

Este blog já anotou que Caiado fala demais, muito além do necessário. Parte com razão e fundamento, parte sem muita reflexão e suporte, como a promessa de pagar os salários do funcionalismo dentro do mês trabalhado, que foi moída pelas contas estouradas do governo. Ele não é mais o Caiado legislador e se transformou no Caiado gerenciador. Precisa se adequar com urgência.

12 abr

Fim de foto oficial de governante nas paredes das repartições é mudança histórica. Falta proibir a propaganda institucional e definir o brasão, e não logos que mudam a cada 4 anos, como marca do Estado

Terminou em Goiás a era das fotografias oficiais de governantes que eram emolduradas e penduradas nas paredes das repartições públicas. Por decreto, Ronaldo Caiado proibiu o costume, ultrapassado e considerando-o como o que realmente é: um deplorável culto à personalidade, quando as exigências constitucionais e éticas apontam o rumo da impessoalidade para as gestões governamentais.

 

Ponto para Caiado, portanto. Já houve quem mandasse distribuir não só a sua, mas a foto oficial também da primeira-dama. Agora, acabou. É preciso ter desapego para abrir mão de um mecanismo de promoção a custo zero – para o governador, não para o contribuinte -, que garante em locais de grande movimento (como o Vapt Vupt) uma espécie de marketing permanente. Quanto aos efeitos pecuniários, é óbvio que, para um Estado declarado em situação de calamidade financeira, o significado é limitado. Economiza, mas não muita coisa. Prevalece o valor simbólico.

 

É por isso que há necessidade de que sobrevenham as medidas necessárias para complementar essa bela decisão. Duas saltam aos olhos: a proibição de toda e qualquer publicidade institucional, resguardando-se as verbas do governo com divulgação apenas para fins educativos, informativos ou comunitários. Uma campanha de vacinação, por exemplo. Ou um comunicado repentinamente indispensável para orientar a população em momento de crise. Só isso e mais nada. Eugênio Bucci, que tem bons livros sobre ética e imprensa, garante que simplesmente não existe propaganda oficial sem finalidades políticas subjacentes. No final das contas, o objetivo é privilegiar a imagem de quem está no poder – leia mais aqui.

 

O orçamento do governo Caiado para comunicação é uma fábula superior a R$ 100 milhões anuais, só na administração direta. Acrescentem-se as despesas com os salários de um exército de jornalistas, somando-se a eles motoristas, veículos, combustíveis, passagens,e diárias e sabe-se lá o que mais. E mais as estruturas das duas rádios RBC e a TBC. O total é uma fortuna que se perde mensalmente pelo ralo. O decreto inicial de corte de gastos aplicou uma navalhada de 20% nas mídias pagas, quando poderia ter chegado muito mais longe, com a vedação dos anúncios promocionais e a permissão exclusiva para campanhas efetivamente de interesse da sociedade.

 

A outra ação que daria sequência a esse conjunto moralizador seria cessar a troca insana de logomarcas a cada quatro anos ou mesmo em períodos menores, como ocorria nos governos de Marconi Perillo, implicando em um custo elevado quanto a papeis, atualização de sites e fachadas e demais utilizações visuais. Não tem sentido. Contraditoriamente, o próprio Caiado já criou e oficializou uma marca para a sua administração, com o objetivo de fazer exatamente o que se recusa quando fulmina as fotos oficiais: a personalização e a identificação do seu mandato. Já é hora de avançar e fazer em Goiás o que o governo de São Paulo já fez há mais de 20 anos, ao adotar o brasão oficial como única referência da iconografia do Estado.

11 abr

CPI dos Incentivos Fiscais passou a exalar cheiro ruim com a decisão de restringir as investigações aos empresários beneficiados e ao retorno que deveriam ter dado pelas regalias recebidas. Entenda

A Comissão Parlamentar de Inquérito que foi constituída na Assembleia Legislativa para apurar as isenções de ICMS distribuídas a empresas privilegiadas nos últimos 20 anos, está exalando um cheiro ruim.

 

Gerou estranheza a decisão da CPI ao restringir a sua atuação esclarecedora ao eventual retorno que os empresários beneficiados estariam contratualmente obrigados a dar para compensar as regalias recebidas, em termos de geração de empregos e ampliação da capacidade produtiva. Suspeita-se que não há uma única, dentre as usufrutárias, que tenha cumprido o contrato que é assinado quando ganham o direito de não pagar ICMS ou pagar uma mixaria, momento em que se comprometem a gerar e manter empregos  e a preservar certos níveis de produção. Quando a economista Ana Carla Abrão Costa foi secretária da Fazenda, em 2011/2012, ela escolheu aleatoriamente 60 empresas que tinham incentivos e mandou fazer uma auditoria, cujo resultado mostrou que nenhuma estava cumprindo a reciprocidade. Ana Carla cancelou as vantagens tributárias atribuídas a todas elas, mas o mundo veio abaixo e em menos de 30 dias foi obrigada a recuar e a deixar tudo como estava antes – leia mais aqui.

 

Isso tem, sim, que ser esquadrinhado, está claro. Mas a apuração precisa ir mais longe e mostrar o que aconteceu na Secretaria da Fazenda quanto aos incentivos fiscais – confira. Está no ar a impressão de que a CPI só tem interesse em apenas pressionar os empreendedores implicados, quando seria fundamental a averiguação da legalidade das benesses concedidas e quais autoridades governamentais foram responsáveis.

 

Lembrete: uma CPI com o mesmo objetivo, no Mato Grosso, terminou em um escândalo maior ainda, com os deputados membros trocando acusações de cobrança de propinas para maneirar a mão nas investigações – veja mais informações.

11 abr

Vender a Iquego e sua sucata é mais uma quimera do governo Caiado: o caso é de liquidação urgente e imediata. Já a privatização da Metrobus (com a linha do Eixão, a mais lucrativa do Brasil), é outra estória

O governador Ronaldo Carece parece ter acordado, pelo menos quanto ao destino que precisa ser dado a estatais sem sentido e ineficientes mantidas pelo governo de Goiás, como a Iquego e a Metrobus: a solução é se livras delas. A O Popular, Caiado anunciou que o caso dessas duas companhias públicas é de privatização, evidenciando que, pelo menos quanto a Iquego, desistiu da ideia inicial de tentar reativar a empresa, detentora de um amontoado de máquinas e equipamentos que não passa de sucata e tendo como único atrativo o prédio que possui na saída para Trindade – mais informações aqui.

 

Estado fabricando remédios é um contrassenso no mundo de hoje. Mais de 60 anos atrás, quando a Iquego foi criada pelo então governador Mauro Borges, até havia lógica: o país não tinha uma indústria farmacêutica como a atual, muito avançada. Nas gestões de Marconi, foi feito de tudo para tentar reativar a Iquego, a um custo de milhões em dinheiro público. Não adiantou. No final, foi aberto um leilão para uma venda, mas não houve candidatos. O melhor, portanto, é deixar de alimentar ilusões e liquidar a estatal de uma vez, fechando um ralo que drena preciosos recursos governamentais.

 

Quanto a Metrobus, a conversa é outra. Pelo seu patrimônio físico, ela não vale muita dinheiro. Tem uma frota de ônibus que foi adquirida em 2011 e portanto está perto do prazo de validade de 10 anos, máximo permitido pela legislação do transporte coletivo na região metropolitana de Goiânia. A maioria dos veículos são biarticulados, com baixo preço no mercado de usados. Sem atrativos, portanto. A garagem, também na saída para Trindade, não representa algum valor extraordinário. Mas a empresa conta um ativo de valor incalculável: detém a concessão para a exploração da linha do chamado Eixão, ou seja, 13 quilômetros ao longo da avenida Anhanguera com um movimento diário de 200 mil passageiros – e no Brasil inteiro não há nada que se compare em termos de rentabilidade.

 

Em resumo: o patrimônio da Metrobus importa pouco, o que tem peso é a sua concessão, ainda com 15 ou 16 anos de validade pela frente e com possibilidade contratual de renovação por mais 25 anos. É uma mina de ouro. Colocada em leilão, a depender da formatação da operação, a Metrobus provocará entre os empresários do transporte coletivo o mesmo efeito que um pedaço de filé de boi lançado a lobos famintos. Caiado precisa é andar rápido nesse rumo.

11 abr

Caiado destroça o Conselho Estadual de Educação com nomes que contrariam a Constituição. Agora, indica uma doutora e filha de ex-deputada como representante do movimento estudantil

Onde é que o governador Ronaldo Caiado está com a cabeça ao encaminhar à Assembleia Legislativa, para apreciação, nomes sem qualificação para tomar assento em uma instituição da importância do Conselho Estadual de Educação, maior  órgão normativo, consultivo e fiscalizador do Sistema Estadual de Ensino?

 

Nenhum dos seis indicados por Caiado dispõe da competência exigida pela Constituição Estadual para a função de conselheiro do CEE. Eles foram apresentados, no ofício encaminhado aos deputados, como representantes da Secretaria Estadual de Educação, condição reservada exclusivamente – por dispositivo constitucional expresso – para quem possui experiência comprovada no magistério estadual. Esse requisito não é preenchido por nenhum deles, entre os quais figuram uma prima do governador, que é advogada, e um ex-vereador do DEM de Crixás que foi condenado em dezembro passado a mais de 7 anos de cadeia, por corrupção – mais informações aqui.

 

As opções de Caiado para o CEE são tão injustificáveis como inaceitáveis, além de atropelar a legislação. E, nesta semana, ele acrescentou mais um nome, o da doutora em filosofia Júlia Lemos Vieira, para também compor o colegiado, na condição, conforme descrito no ofício remetido à Assembleia e assinado pelo governador, de “representante das entidades representativas, no âmbito estadual, dos estudantes”(texto copiado do ofício). Júlia Lemos Vieira é filha da ex-deputada estadual Isaura Lemos, não tem qualificação profissional ou acadêmica na área educacional e ganha um doce quem souber explicar como uma doutora em filosofia pode representar os estudantes no CEE melhor que os próprios estudantes?

 

Tudo indica que as vagas de conselheiro estadual de educação passaram a servir a todo tipo de interesse, menos os do Sistema Estadual de Ensino, algo que não ocorreu nos governos passados, que Caiado considera como uma época de “vandalismo administrativo” em Goiás. O Conselho está, na prática, sendo destroçado pela nova administração, ao ser loteado entre profissionais que não atendem as finalidades estabelecidas pela Constituição Estadual – que Caiado está desrespeitando, a mesma que, no seu juramento de posse, prometeu cumprir e defender. Isso também é um tipo de vandalismo. Sobre a participação da secretária Fátima Gavioli nesse desregramento, leia aqui.

11 abr

Na avaliação de 100 dias, Caiado, claro, só falou sobre o que fez de bom. Mas acertar é obrigação. O importante, que é mostrar consciência sobre os erros, para que sejam corrigidos e não se repitam, ele não fez

Em um artigo em O Popular e também no palavrório que despejou durante uma entrevista coletiva, o governador Ronaldo Caiado fez um balanço dos seus primeiros 100 dias de governo – e é claro que enumerou apenas os fatos que considera positivos e que comprovariam, segundo ele, o acerto das suas decisões e o quanto a sua gestão tem feito de bom para Goiás.

 

Não poderia ser de outra forma. Governantes, de um modo geral, têm pouca humildade e no mais das vezes, quando falam de si próprios, é só para se engrandecer e para a autoglorificação. Claro que Caiado, com o seu conhecido ego, jamais seria capaz de admitir erros ou inconsistências na sua gestão, apesar de ter dito, na mesma entrevista, que é capaz de reconhecer equívocos e corrigir sua atitudes.

 

Na verdade, não é e, se fosse, a primeira afirmação que teria colocado no artigo e no colóquio com a imprensa seria a admissão do tremendo engano que cometeu ao deixar de pagar a folha de dezembro ao funcionalismo. Parece evidente, hoje, que se tratou de uma medida destinada a carimbar a imagem nacional de Goiás como um Estado mergulhado em calamidade financeira e, na sequência, atrair apoio do governo federal para a superação da suposta crise fiscal. Em uma matéria publicada nesta semana, o jornal O Globo lista Estados que estariam em dificuldades a partir justamente do critério dos salários atrasados dos seus servidores. Caiado, ao aplicar a barrigada de dezembro na barnabezada, conseguiu caracterizar  e dar visibilidade para a má situação do caixa estadual.

 

Voltando aos 100 dias: tudo o que o governador celebrou nas resenhas que fez não passa de mera obrigação de qualquer administrador público. Óbvio que não há problema algum na constatação de que ele cuida de exaltar o que é o seu dever fazer, embora possa ser identificado nesse comportamento um quê de coisa antiga e superada. A verdadeira e necessária reflexão, completados os 100 dias, seria sobre os erros em que o governo incorreu. Há o caso da Saneago, que nomeou funcionários suspeitos (presos anteriormente, inclusive) para o seu alto escalão – mais detalhes aqui – ou das nomeações de pessoas sem qualificação para os Conselhos de Educação e de Cultura, sem falar na parentalha que se infiltrou em cargos estratégicos e continua entrando. Ou na ausência de um plano de desenvolvimento para o Estado. Sobre esses temas, Caiado não deu uma palavra.

10 abr

Maiores destaques dos 100 dias do governo Caiado foram a infeliz decisão de não pagar dezembro e a acachapante derrota na disputa pela presidência da Assembleia

Os maiores destaques dos primeiros 100 dias do governador Ronaldo Caiado foram negativos: um, a fatídica e infeliz decisão de não pagar ao funcionalismo o mês de dezembro, que está origem dos acentuados desgastes que a nova gestão sofre em seus passos iniciais, e, outro, a fragilidade política revelada pela monumental derrota na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa, que se projeta até hoje na falta de formatação de uma base parlamentar em condições de garantir a governabilidade do Palácio das Esmeraldas.

 

Nos balanços que fez sobre a sua centena no poder, em um artigo de auto-exaltação em O Popular e também em uma entrevista coletiva, Caiado não citou nenhum desses dois tropeções e ressaltou, como referência para o período, 1) o que acredita ser a volta da ética e do republicanismo ao governo, com a sua posse, e 2) projetos que mal começam a sair do papel, como o sistema de compliance público que pretende implantar nas repartições, mas escorregou feio em sua estreia na Saneago – onde servidores que até haviam sido presos em operações policiais contra a corrupção foram renomeados pela nova gestão e só afastados, agora, porque um juiz federal assim o determinou. No artigo em O Popular, a festa de domingo passado na Praça Cívica mereceu duas menções e foi apresentada pelo governador como a prova de que o “povo” está satisfeito e apóia a sua gestão, afirmação que chega a preocupar quanto a sintonia do novo governador com a realidade.

 

Mas a verdade é que a comemoração dos 100 dias deve ter levantado as antenas de Caiado. Ele é um político experiente e deve ter notado que suas mãos estão um pouco vazias: no artigo e na entrevista, não havia muito para exibir, pelo menos não no sentido da mudança que foi prometida na campanha e motivou o toró de votos que os eleitores deram ao seu nome. A mensagem continua a mesma de antes da eleição: vocês, goianos, confiem em mim para a construção de um Estado melhor. Quando e como, ninguém sabe ainda.

10 abr

Viagem de Lissauer Vieira e Humberto Aidar para os Estados Unidos, levando a tiracolo um assessor, não teve interesse público. Os 3 deveriam devolver os R$ 100 mil que receberam para o passeio

O presidente da Assembleia Legislativa Lissauer Vieira e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça Humberto Aidar, inexplicavelmente acompanhados de um assessor, consumiram quase R$ 100 mil reais em uma viagem aos Estados Unidos, no final de março, para participar de um fórum sobre políticas de gestão de lixo, na Califórnia. E essa pequena fortuna torrada em apenas cinco dias

 

É um caso de polícia. Não tem sentido que dois deputados e um assessor se desloquem para o exterior por conta dos cofres públicos sob a desculpa de “adquirir experiências inovadoras que poderão ser aplicadas no Brasil”, como os dois alegaram em uma prestação de contas que foi pendurada no site na Assembleia e logo após escondida, conforme denunciou o jornal O Popular.

 

A rigor, não há como justificar viagens de parlamentares estaduais a outros países. Nem de longe. E mesmo nacionalmente falando, raramente haveria sentido em custear a presença de deputados goianos em outros Estados – quem dirá fora do Brasil.

 

No fundo, trata-se de turismo por conta dos contribuintes.

10 abr

Ajuda que Caiado espera do governo federal é improvável, mas pode até vir e, se vier, infelizmente será mais nociva do que positiva para Goiás

O governador Ronaldo Caiado sonha acordado com o apoio financeiro do governo federal para resolver as suas agruras financeiras, mas, se pensar melhor, desistiria dessa ilusão para implantar um severo ajuste fiscal imediatamente e por conta própria, sem depender de nada ou de ninguém, a não ser a sua própria coragem ou vontade política.

 

Na verdade, a ajuda que Caiado espera é o afrouxamento das regras que, hoje, impedem o acesso de Goiás a operações de crédito. É um mau começo, portanto. E de onde se deduz que os bilhões e bilhões que o Estado já deve serão acrescidos de mais bilhões e bilhões. Ora, onde é que aumentar a dívida é solução para quem já está no buraco? É bom, leitora e leitor, saber que todo esse desespero do novo governador atrás de amparo em Brasília não passa da busca de uma autorização para aumentar o endividamento do governo goiano. No fundo, um tipo submissão à agiotagem que vai explodir no colo dos governadores do futuro – confira aqui.

 

Isso não é solução. É paliativo e dos piores. Caiado quer que o governo federal conceda à sua gestão um prêmio pelo mau comportamento dos seus antecessores, repetindo em parte os malfeitos que eles fizeram quanto ao não enfrentamento dos problemas reais. E, até agora, Goiás não sinalizou com a mudança de nenhuma das políticas públicas equivocadas do passado, como gastar com programas sociais sem ter condições para isso ou distribuir desenfreadamente benesses aos seus funcionários públicos – o que Caiado, no seu primeiro mês, fez ao adicionar mais de R$ 70 milhões à folha mensal, a título de promoções, vale alimentação e outras vantagens que ele se comprometeu, na campanha, a autorizar, mesmo sem saber se o caixa estadual teria condições para tanto.

 

Não é só. Se vier alguma ajuda federal, mesmo em forma de liberação de empréstimos, Caiado vai ganhar sobrevida para postergar as duras e difíceis reformas que o seu governo teria que fazer para melhorar os fundamentos da máquina administrativa estadual. Quer dizer, a pressão será aliviada e ele, como todo governante, enveredará pelo caminho das decisões que atraem simpatia política e social, adiando as medidas impopulares de corte e enxugamento que ninguém, no poder, gosta de adotar. E isso tanto é verdade que, desde já, mediante apenas a expectativa vazia de um futuro amparo do governo federal, o governador segue adiando indefinidamente a implantação de um programa consistente para a superação da crise fiscal e não enfrenta para valer a necessidade de um novo pacto de governo.

 

Vamos torcer, seguidoras e seguidores deste blog, para que esse tal socorro de Brasília nunca chegue. Será melhor para Goiás.

10 abr

Desde a eleição, Caiado já passou dos 200 dias (ou quase 7 meses) e por isso seu balanço poderia ser mais consistente, em vez de mostrar um governo de improviso e sem planejamento estratégico para Goiás

Em que pese o notável esforço de auto-exaltação, cuja maior demonstração é o artigo que publicou nesta quarta na página 2 de O Popular, quando citou o evento da domingo passado na Praça Cívica como prova de que a sua gestão é aprovada pela população, o governador Ronaldo Caiado precisa fazer uma autocrítica e avaliar a hipótese de que, talvez, a sua gestão não venha caminhando tão bem quanto imagina.

 

Caiado já tem mais de 200 dias desde que foi eleito, em 7 de outubro do ano passado. Ou quase 7 meses. A exemplo do artigo em O Popular, que gasta mais da metade do seu texto criticando com razão os governos passados, esse largo espaço de tempo foi gasto muito mais com o discurso da herança maldita e das dificuldades financeiras do que com uma agenda positiva. A duzentena caiadista foi marcada por medidas aleatórias e declarações de intenção que, na prática, estão longe de configurar o que Goiás realmente precisa – que é um planejamento estratégico e uma definição para os seus rumos, através de projetos efetivamente estruturantes e não micromedidas das quais nenhum governo pode fugir, mas jamais suficientes caracterizar a essência de uma gestão.

 

É possível que a origem de todos os males do atual governo – como, por exemplo, a fatídica decisão de dar uma pança nos servidores quanto aos salários de dezembro – tenha a ver com a espetacular vitória que Caiado colheu nas urnas, dando a ele a convicção ter ganho mais que um mandato, mas o direito de se considerar um ser tão superior como clarividente, devidamente autorizado pelas urnas a fazer do jeito que entender o bem pelo povo. Foi uma votação que, exagerando, beirou a unanimidade. Isso está claro no artigo em O Popular, quando o governador se arvora a ter finalmente introduzido a ética e o republicanismo no governo de Goiás – ignorando ostensivamente a nomeação de parentes, a indicação de auxiliares que são réus em processos por improbidade, o acolhimento de funcionários já presos antes em investigações de corrupção na Saneago e a indicação de pessoas legalmente desqualificadas para os Conselhos de Educação e de Cultura, inclusive um condenado por corrupção a mais de 7 anos de prisão.

 

Mas isso também é micro. Vamos lá: o que falta para o Caiado é apresentar uma visão com conteúdo para o futuro dos goianos, muito além da mera repetição diária da arenga sobre a crise fiscal – que não é tão grave quanto a de outros Estados (Rio Grande do Sul e Minas Gerais, por exemplo) e pode ser resolvida por um ataque corajoso na própria esfera de resolução do governador, sem necessidade da sonhada e milagrosa ajuda que poderia um dia vir de Brasília – e provavelmente não virá. O que Caiado pretende para Goiás? A bússola do governo está com a agulha quebrada e precisa de conserto, antes que seja tarde demais.

10 abr

Dois anos de ajustes e desgastes, terceiro ano com R$ 1 bilhão para obras e investimentos e quarto ano para a colheita política: estratégia antiga de Iris é mais uma vez bem sucedida

Depois de dois anos de ajustes e acúmulo de desgastes na prefeitura de Goiânia, Iris Rezende começa o seu terceiro ano de mandato com previsão de aplicação de R$ 1 bilhão em obras e investimentos, inclusive a recuperação do asfalto das principais vias da capital, e caminha para o ano eleitoral de 2020 com perspectivas de contar com um amplo capital político para gastar com a sua reeleição ou a de um apadrinhado.

 

Iris aplicou, mais uma vez, a fórmula que fez sucesso das suas administrações passadas. Assume, passa os dois primeiros anos organizando a casa e enxugando a máquina, sobe os impostos para aumentar expressivamente a arrecadação e chega ao terceiro ano esbanjando recursos para, enfim, iniciar de fato a parte de realizações da sua gestão. No quarto ano, que é o político, é só correr para o abraço, seja para si próprio, seja para beneficiar algum candidato da sua preferência. Com essa estratégia única, o velho cacique emedebista numa chegou desgastado ao fim de qualquer uma das suas passagens pelo Executivo, seja estadual, seja municipal, e sempre venceu no pleito a seguir com o seu nome ou o de um candidato do seu peito.

 

Há mais um estratagema adicional. Iris não acredita em nenhum tipo de ajuda de fora – especialmente de instâncias superiores de governo – e sempre defendeu a tese de que o administrador público deve trabalhar contando exclusivamente com os seus recursos. Se eventualmente aparecer alguma coisa, uma transferência de verba ou um empréstimo, por exemplo, isso vai para a conta dos lucros extraordinários. Assim, ele garante realismo para os seus mandatos e evita perda de tempo perseguindo quimeras ou lançando projetos que nunca sairão do papel e, no final, só servem para consumir o prestígio do governante (se vocês, leitora e leitor, chegaram até aqui e pensaram no desespero do governador Ronaldo Caiado atrás de um milagroso e utópico apoio financeiro de Brasília, sim, é isso mesmo, a lembrança é correta e saibam também que Iris já aconselhou Caiado a andar com as próprias pernas e jamais apostar em qualquer ajuda vinda de quem quer que seja).

 

Enquanto a maioria dos prefeitos, em Goiás, já começa a mirar um final de mandato melancólico e Caiado, meio perdido, inicia o seu atolado em impasses desnecessários, Iris voa em céu de brigadeiro e navega em mar de rosas, depois dos dois anos iniciais em meio a uma floresta de espinhos. Novamente, ele é uma das raríssimas exceções em um quadro geral de administrações fracassadas e goradas, Estado e país afora.

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