Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 set

Em menos de um ano, Daniel Vilela colhe a segunda traição – primeiro Rogério Cruz e agora Mendanha – e aprende que ingratidão é o escopo de quem está na política, mas não tem caráter

Em um encontro da sede da produtora Kanal Vídeo, do marqueteiro e financista Jorcelino Braga, sexta, 17, o presidente estadual do MDB ouviu do prefeito de Aparecida, seu ex-“irmão”, como Mendanha repetia todo dia, que ele não aceita o resultado da consulta às bases do MDB que apontou maioria esmagadora de mais ou menos 95% a favor da aliança com o DEM – com a quase certa figuração de Daniel na vice da chapa da reeleição do governador Ronaldo Caiado, o que indica um caminho brilhante para o seu futuro, em caso de vitória, ao assumir o governo em 2026 com a saída de Caiado para postular o Senado, e disputar a reeleição com enormes chances de vitória.

Menos de um ano após a morte do pai Maguito Vilela, Daniel colhe a segunda traição, que, como a primeira, de Rogério Cruz na prefeitura de Goiânia, tem como escopo o mau caratismo impulsionado pelos gananciosos interesses pessoais e certos desvios de personalidade. Sabiam, leitoras e leitores, que foi Daniel quem articulou a indicação de Cruz para a vice de Maguito, em um acerto com o deputado federal João Campos, que levou o Republicanos para a coligação com o MDB em 2018? Pois é. O atual prefeito jamais seria sequer resquício do que é hoje, sem Daniel. Mas não quis nem saber: assumiu e chutou a bunda do filho de Maguito, acreditando-se um líder e condutor dos interesses da população de Goiânia, o que não é, não será jamais e ele vai conferir assim que sair a primeira pesquisa de avaliação da sua popularidade, enquanto brinca de administrar um dos maiores centros urbanos do país.

Traído por Cruz, Daniel experimenta agora o mesmo veneno com Mendanha. A reunião na produtora Kanal Vídeo mostrou que o prefeito aparecidense, como já vinha vazando, acha-se mesmo um “mito”, um mal-agradecido crente de que não deve nada aos Vilelas que o transformaram de apagado vereador aparecidense em tudo o que é hoje. Ser prefeito pela segunda vez de um potentado urbano como Aparecida, onde falta tudo para a população, não é pouco, mas inalcançável para Mendanha sem o “padrinho”. O mesmo Mendanha que acaba de dar um pontapé em Daniel. Aguardem, amigas e amigos: isso ainda vai custar caro para ele. O que o velho e fiel emedebista Léo Mendanha diria da sujeira inqualificável que o seu filho está fazendo?

Trair, em política, significa que o mesmo que ser inconfiável. O quer dizer que ninguém podecorrer o risco de acreditar no que o sujeito diz. Assim, a defesa da candidatura própria é papo furado. Mendanha quer mesmo é sair da sombra do antigo “irmão” e cortar os laços, inclusive com a memória de Maguito, que o incomoda ao projetar a imagem de que não se fez pela sua própria liderança e capacidade, o que, a propósito, é a pura verdade. Pelo que se sabe da conversa na Kanal Vídeo, Daniel foi econômico e não perdeu tempo em convencer quem já estava decidido e quer distância dele. Mendanha, ao contrário, falou muito e acrescentou uma novidade às suas reclamações contra supostas perseguições de Caiado, na eleição do ano passado e nas operações policiais que apuram corrupção na prefeitura – que prometem desdobramentos. Disse que foi menosprezado e diminuído ao não ser chamado, como prefeito da maior cidade administrada pelo MDB em Goiás, para participar das negociações para a aliança MDB-DEM. Dor de cotovelo, enfim. Ele não se acha um “mito”?

Sim, existem componentes de disputa e de ciúme na relação entre Mendanha e Daniel. Vá lá: ambos são jovens e, de certa forma, ainda imaturos politicamente, porém o filho de Maguito está léguas adiante do prefeito. Léguas. Mendanha, como articulador político, é burro. Rodeia-se de gente sem credencial, como o deputado Paulo Cezar Martins e… quem mais? Marconi Perillo? Sandro Mabel? Quantos oportunistas mais? Assim como Rogério Cruz traiu Daniel, Mendanha fez o mesmo e piormente. Nunca houve na história política de Goiás nada semelhante. O fel servido deve estar amargando a boca de Daniel, mas a compensação virá quando provocar indigestão no seu antigo “irmão”.

16 set

Hospital Municipal de Aparecida, vitrine da gestão de Mendanha (aliás, era), transformou-se em antro de corrupção e mais uma vez é alvo de operação da Polícia Civil

Pelo menos duas dezenas de agentes da Polícia Civil amanheceram nesta quinta-feira, 16, no Hospital Municipal de Aparecida, vitrine da gestão do prefeito Gustavo Mendanha – até que ele mesmo, depois de operações passadas investigando corrupção na condução do hospital, deixou de falar e de propagandear a suposta excelência do estabelecimento. Em inquéritos anteriores da Polícia Civil, a mulher do secretário municipal de Fazenda André Rosa foi flagrada em uma sala despachando exames laboratoriais superfaturados. Sim: Edlaine Rosa estava lá, com as mãos na massa. Intimada a depor, ela e também o marido alegaram o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmos e permaneceram calados durante os depoimentos.

Mais suspeitos, impossível. Mendanha, na época, não deu um pio. Como não teve a ombridade de se pronunciar nesta quinta, fingindo que não é com ele, mandando a Secretaria de Saúde emitir uma nota balofa. Mas mantém André Rosa na sua equipe, como gerente do bem fornido caixa da prefeitura e rei das consultorias sem licitação, desafiando as evidências e confiando na impunidade. Agora, nesse novo inquérito, a Polícia Civil está levantando pagamentos à OS que gerencia o HMAP baseados em notas frias, além da transferência imediata de dinheiro, a cada crédito, para “pessoas íntimas”, conforme a expressão usada pelo delegado que comanda a Operação Parasitas. Quem são elas?

Aparecida está podre. Como a oposição foi cooptada via folha de pagamento da prefeitura, o grupo de Mendanha tomou os freios nos dentes e acha que pode tudo. É bom que todos saibam, leitoras e leitores, que a defesa da candidatura própria do MDB em 2022, bandeira do prefeito, não passa de fachada para a sua insatisfação com as investigações, que ele atribui espertamente a uma perseguição do governador Ronaldo Caiado e não às irregularidades que saltam à vista: o secretário de Saúde de Aparecida, para quem não sabe, está condenado à prisão por desviar recursos do Hospital Araújo Jorge – logo esse – e só não está na cadeia porque, como todo criminoso, se aproveita da fartura de recursos que a legislação penal do país oferece aos réus, até mesmos os mais depravados. Será que, se por acaso as investigações cessassem, Mendanha apoiaria a aliança do MDB com o DEM?

O HMAP é uma das joias do legado de Maguito Vilela para Aparecida e, por que não?, até mesmo para Goiás. Mas a gestão de Mendanha o mergulhou na lama mais infecta. Aos poucos, as sucessivas ações da Polícia Civil estão abrindo a sua caixa preta e expondo a imundície que não é compatível, de jeito nenhum, com um hospital, caso que é muito mais grave por envolver vidas. Anotem, leitoras e leitores, a corrupção em Aparecida não está só na área de Saúde. Vai muito além. Provavelmente está na raiz das divergências entre Mendanha e Daniel Vilela, podem apostar. Mas isso será objeto de outro comentário.

14 set

Por que Mendanha trocou um político de futuro como Daniel Vilela por um aventureiro destrambelhado como Paulo Cézar Martins? E vestindo a carapuça de traidor aos que fizeram dele o que é?

De algum tempo para cá, não há mais fotos em circulação mostrando juntos o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha e o presidente estadual do MDB Daniel Vilela. Antes “irmãos”, com Mendanha professando sempre que possível a sua lealdade e fidelidade, afastaram-se radicalmente desde que o prefeito refugou a proposta de aliança com o DEM, balançando o espantalho da candidatura emedebista própria a governador, em 2022.

Em contrapartida, aumentaram os registros de Mendanha ao lado do deputado estadual Paulo Cezar Martins, um trêfego que não perde eleição, mas não tem qualquer colaboração para a sociedade nos seus mandatos como vereador e deputado, a não ser o leva-e-traz de pacientes entre as suas bases no extremo sul do Estado e as clínicas e hospitais da capital e agora de Aparecida. Em alguns momentos, é visível o constrangimento do rapaz de cavanhaque mefistofélico posando com o homem da cabeça redonda sem nenhum fio de cabelo(veja acima). Paulo Cézar é um político complicado. Não se preocupa com conteúdo nem muito menos com qualquer tipo de coerência. Fez campanha contra o candidato do MDB em Quirinópolis, no ano passado, o mesmo MDB dentro do qual jura entregar até sua última gota de sangue em defesa do lançamento de um representante na eleição de 2022. Não tem convicções sobre nada, a não ser seus interesses, entre os quais ficar mais rico e se reeleger são as prioridades, e, como ficou conhecido na Assembleia, o de buscar alguma vantagem em tudo, em especial nas votações de matérias de maior importância.

Mendanha trocou Daniel Vilela por isso. Pisoteou uma amizade de raízes profundas e limpidamente familiares, construída com carinho e confluência de intenções. O pai de Daniel, Maguito Vilela, promoveu uma revolução em Aparecida, ao rasgar as amplas avenidas e implantar os polos industriais que revolucionaram a economia do município. Empenhou seu prestígio na eleição de um sucessor que, sem o seu aval, jamais passaria de ser o que já era, ou seja, um apagado vereador de interior. Foram duas eleições vencidas, pela prefeitura, sempre pendurado no prestígio de quem chamava de “padrinho” – aquele que, mal esfriou no caixão, foi imediatamente esquecido e substituído por más companhias como a de Paulo Cézar Martins, por um lado, e da sua vasta entourage de baixo nível, assalariada por conta do caixa do município de Aparecida, por outro.

Essa gente, depois que Maguito se foi, passou a soprar no ouvido do imaturo e inexperiente Mendanha que a oportunidade de sair da sombra de Daniel Vilela estava posta e não poderia ser desperdiçada. Esqueçam, leitoras e leitores, essa prosopopeia de candidatura única. É desculpa esfarrapada, algo que já está desmoralizando seus escassos defensores, a exemplo do “evento” da noite de sexta-feira passada, no Ateneu Dom Bosco, onde, além de Mendanha e de Paulo Cézar, não havia mais ninguém conhecido compartilhando a tese. Um vexame que deixou Mendanha constrangido, como se pode ver nas fotos batidas na ocasião e que ele, Mendanha, não teve coragem de mencionar nas suas redes sociais, onde não tocou na reunião.

Trocar Daniel Vilela por Paulo Cézar Martins e pela arraia-miúda que o aplaude para ganhar benefícios, geralmente cargos na prefeitura de Aparecida, é uma inconsequência que vai custar caro para Mendanha. Daniel tem apelo junto ao eleitorado do município, onde a simpatia pelo nome do seu pai vem antes do aval que o prefeito recebeu na eleição passada. Não só Daniel, como também o MDB, partido que Mendanha pode abandonar para saltar no escuro e tentar atrapalhar e prejudicar a inevitável trajetória do seu “irmão” rumo ao governo do Estado, em 2026.

11 set

Mau jornalismo de O Popular arrasta até vocações promissoras, como a repórter que fez a matéria sobre o “evento” dos emedebistas a favor da candidatura própria, sem emedebistas

Por que diabos O Popular insiste em desvirtuar os fatos e a enterrar a sua credibilidade para vender a imagem de que existe um movimento de expressão dentro do MDB goiano a favor da candidatura própria a governador em 2022?

Vejam a repórter Elisama Ximenes, uma das mais promissoras vocações do jornalismo recente em Goiás. Ela fez uma matéria sobre o “evento” dos emedebistas contra a aliança com o DEM, mas de cabo a rabo, no texto, não mencionou quais emedebistas teriam comparecido, além do prefeito Gustavo Mendanha e do deputado Paulo Cézar Martins e mais ninguém de peso ou importância mínima dentro do partido. Quer dizer: a apuração sobre as presenças no encontro, que seria fundamental para a verificação da existência real interna dentro do MDB de um movimento a favor da candidatura própria… não foi feita. Ficou que “emedebistas” defenderam a candidatura própria. Quais “emedebistas”? A jornalista tinha a obrigação de mencionar. Não o fez.

O encontro, leitoras e leitores, em uma noite sombria no espaço de eventos do Ateneu Dom Bosco, atrás da Assembleia, foi um fiasco. Além de Mendanha e Paulo Cézar, foram apresentados como destaque um obscuro advogado militante do MDB, Ênio Salviano, cujas redes sociais o mostram como um radicalóide bolsonarista que tem o costume desrespeitoso de chamar o Supremo Tribunal Federal de “Tribunal Federal da Mentira”. É alguém que não é ninguém, a não ser segundo O Popular, que o classificou entre os “emedebistas” a favor da candidatura própria. O nível do “evento” desceu ainda mais com a escalação, para a mesa, de um mal afamado Tiago do Piso, dono de uma loja de materiais de construção em Senador Canedo que se candidatou pelo PSL a prefeito, em 2020, saindo-se com ridículos 3,54% dos votos. Se é com esse tipo de “trunfo” que Mendanha conta para a sua aventura político-eleitoral no ano que vem, é inevitável concluir que está muito mal.

Porém, se vcs, leitoras e leitores, se informam exclusivamente pelo noticiário de O Popular, não ficaram sabendo de nada disso. Talvez tenham até absorvido a impressão de que houve, sim, um pomposo “evento” de emedebistas a favor da candidatura própria, o que não aconteceu: não havia emedebistas, só gatos pingados que o pretensamente mais importante veículo de comunicação do Estado, sem ciência da responsabilidade desse status, divulgou sob o título “Emedebistas defendem candidatura própria em encontro com Gustavo Mendanha”. Pfff…. que “emedebistas”? Mendanha e Paulo Cézar? Isso é muito pouco. Faltou a honestidade de informar, como já dito, que não havia “emedebistas” defendendo a candidatura própria, a não ser um, dois, três, quatro e cinco, sendo dois – André Fortaleza e Vilmar Mariano – do time inferior e subordinado a Mendanha, em Aparecida, um o referido Salviano e mais nenhum, fora as tristes figuras do prefeito e do deputado. Atenção: não havia mais qualquer um de significância lá.

Seguir o acompanhamento de O Popular, pelas suas páginas e site, significa o mesmo que um bom roteiro para desentender o que está acontecendo na política estadual. Antigamente, o então governador Marconi Perillo e seu acólito Zé Eliton eram demonizados pelo POP, chegando mesmo jornalistas conhecidas como Fabiana Pulcineli e Cileide Alves a prever que seriam derrotados em 2010 e 2014, o que, obviamente, não aconteceu. Os mesmos Marconi e Zé, hoje, foram promovidos a bastiões da oposição, premiados periodicamente com páginas inteiras de entrevistas, assim como Mendanha, que não é alvo de uma linha crítica ou de avaliação verdadeira. O pobre jornalismo de O Popular acredita que é seu dever alimentar alternativas contra quem quer que esteja no poder, embora se omita vergonhosamente sobre o presidente Jair Bolsonaro, que nunca mereceu uma linha editorial contra as suas loucuras no matutino dos Câmaras que, em mais de 80 anos de imprensa, nunca geraram um único jornalista profissional, mas muitos homens de negócios.

Na verdade, Gustavo Mendanha é um blefe que só existe porque tem a simpatia dessa gente.

10 set

Coluna Giro aposta na iminência da desfiliação de Mendanha do MDB e induz as leitoras e os leitores em erro sobre o que está de fato acontecendo dentro do MDB: uma conciliação está a caminho

Se vc, leitora ou leitor, tem interesse pelas divergências entre o presidente estadual do MDB Daniel Vilela e o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha e está acompanhando a evolução dessa crise apenas pelo noticiário de O Popular e em especial da coluna Giro, teoricamente o espaço mais importante da cobertura política em Goiás, saiba que nada do que tem sido publicado por lá é verdade.

Os jornalistas da área política de O Popular são vítimas de uma síndrome perniciosa: acham, sempre, que qualquer coisa que possa ser negativa para o governo, seja qual for e em que época for, deve ter prioridade nas páginas do jornal. Nisso, são cegos. Basta ver as perguntas camaradas que a repórter Fabiana Pulcineli faz a oposicionistas e as bolas que ela levanta para que eles chutem a gol. E o comportamento contrário, quando se trata de entrevistas de lideranças ligadas ao governismo, repetindo, qualquer que seja, dependendo da época. O PSDB, no passado recente, foi a vítima preferencial desse desvio de comportamento profissional. Agora, passou a ser beneficiado… porque é parte do que resta da oposição em Goiás.

Segundo o dia a dia da coluna Giro, Mendanha já teria se decidido sair do MDB, pronto para anunciar esse movimento logo após a inevitável formalização da aliança entre o partido e o DEM, em uma jogada de impacto para prejudicar o acordo. É falso, uma infantilidade. Observem que Mendanha anda calado, na moita. Por iniciativa de empresários de grande porte de Aparecida, ele se encontrou com Daniel Vilela (na casa do dono da Costa Brava, empreiteira tamanho gigante do maguitista apaixonado José Luiz Celestino) e acertou alguns pontos que podem levar a uma pacificação entre os dois. Ou seja: Daniel reconhece a importância de Mendanha, alimentando a sua vaidade, e programa uma consulta às bases do MDB que não seja tão resumida quanto ele queria nem tão ampliada quanto o prefeito aparecidense defendia. Só crianças – e a coluna Giro – não sabem que, em qualquer um dos casos e em especial em um meio termo, o resultado será a apuração do apoio esmagadora da maioria emedebista à reeleição de Caiado e à indicação de Daniel Vilela para a vaga de vice. O E da Coisa, como diz o contundente comentarista Reinaldo Azevedo, é a criação de uma saída honrosa para Mendanha escapulir do beco sem saída em que se meteu.

As tratativas podem até não dar certo, mas, digamos assim, processam-se em um cenário de otimismo entre as partes. Mendanha foi longe demais no blefe sobre a sua candidatura, que ele, fora do MDB, não tem a menor condição de sustentar, a não ser submetendo-se aos desígnios de figuras das quais ele desconfia, como o ex-governador Marconi Perillo ou o ex-ministro e presidente estadual do PP Alexandre Baldy. Além disso, em Aparecida, entre as estruturas evangélicas que o sustentam e o empresariado dos polos industriais, é notório o anseio para a sua reconciliação com Caiado, de modo a evitar prejuízos para os interesses desses dois grupos que alavancam tanto a política quanto o mundo dos negócios local.

O Popular sonha com uma ruptura dentro do MDB capaz de constranger Caiado e seu novo parceiro Daniel Vilela. Pelo rumo que as articulações tomaram, isso dificilmente vai acontecer, tendo uma solução conciliatória crescido nas últimas horas, em especial pela intensificação das conversas entre o ex-deputado federal Euler Morais, como representante de Daniel, e todos os envolvidos, empresários, pastores (beneficiados pelas doações milionárias da prefeitura de Aparecida e desejosos por um ambiente de paz que não complique o faturamento) e Mendanha, atrás de uma confluência que não é nada mais nada menos do que um evento no dia 15 de outubro, uma sexta-feira, na sede do diretório estadual do MDB, quando as tais bases se pronunciaram, presencialmente ou via online, sobre a aliança com o DEM – claro, com resultado mais do que previsível a favor.

No entanto, seria um fato capaz de abrir espaço para que Mendanha respire e se sinta reconhecido na sua importância dentro do MDB. Sem problemas. Daniel está disposto a atender a essa demanda. A notícia de que Mendanha está pronto para deixar o partido, assim, é fantasiosa, representando mais um investimento da coluna Giro e do jornalismo político de O Popular e seus conceitos éticos distorcidos, valendo frisar, leitores, que não existe jornalismo neuro, há sempre alguma ponta de interesse em tudo que é publicado. Pior ainda quando se trata de um veículo sem fibra e sem linha editorial digna de respeito.

08 set

Luiz do Carmo teve uma chance reservada a poucos, ou seja, 4 anos no Senado, sem um voto para isso, jogou fora e agora, se tiver juízo, candidata-se a deputado federal e olha lá se conseguirá se eleger

O senador pelo MDB de Goiás Luiz do Carmo, na verdade, não é um senador. É alguém que desceu de paraquedas no Senado Federal, a mais importante Casa legislativa do país, sem ter recebido um único voto isso, tendo sido beneficiado pela ocupação da 1ª suplência do titular Ronaldo Caiado, que renunciou ao mandato em 1º de janeiro de 2019 para assumir o governo de Goiás – e não fora isso teria continuado a ser o que, de fato, é: um ninguém da política estadual.

Carmo ganhou uma chance de ouro: quatro anos de mandato como senador, que ele jogou no lixo, como uma figura apagada e sem expressão no Congresso Nacional, maior palco da história política nacional. Pela foto acima, verão as leitoras e os leitores que ele sequer soube se trajar para circular pelo plenário mais sagrado do processo de poder do país. Não pronunciou uma só palavra que servisse para qualquer finalidade, a não ser puxar saco, em nível o mais rastejante possível, do presidente Jair Bolsonaro, que o ignorou completamente e nunca sequer o convidou para qualquer uma das suas visitas a Goiás.

Um senador que é menos do que um vereador de interior não poderia mesmo ter dado certo. Luiz do Carmo não ganhou musculatura com a oportunidade que teve no Senado, mantendo-se no cenário estadual como uma liderança de quinta categoria, a exemplo do mandato inexpressivo que teve na Assembleia, sem adquirir densidade eleitoral ou perfil majoritário. Seguiu em frente como o que sempre foi: membro de uma família de crentes que domina uma das igrejas mais populares da religião em Goiás. Mas isso é muito pouco. Dá para uma deputança estadual. Federal, dificilmente. Continuar no Senado, jamais.

Parte da classe política não entende que o simbolismo e a significância são fundamentais para as suas carreiras. O que é Luiz do Carmo, quanto a essa dimensão? Nada. Ou menos do que nada. Se ele for a favor ou contra algum tema importante, o que isso tem como consequência além do seu voto no Senado, onde se incorporou à tropa que vota automaticamente a favor de Bolsonaro, sem nem explicar o que está fazendo? Tudo bem, ser do baixíssimo clero é um direito dele. Mas o preço a pagar é elevado: ninguém o quer como candidato à reeleição. Se conseguir uma vaga em uma chapa qualquer, e não será fácil, vai apenas disputar o último lugar.

Luiz do Carmo só tem um papel hoje em dia: sinalizar para o seu colega Vanderlan Cardoso, também evangélico e bolsonarista roxo,  qual é o caminho para terminar o mandato em desastre.

01 set

Grande empresariado de Aparecida entra no jogo para tentar pacificar as relações entre Mendanha e Daniel Vilela, mas não só: eles também articulam uma reaproximação entre o prefeito e o governador

Despontou um movimento de proporções entre os grandes empresários de Aparecida, liderados pelo big boss José Luiz Celestino(foto acima), que tem ligações com a família Vilela (foi, inclusive, secretário de Administração quando Maguito Vilela governou Goiás) e é dono da Costa Brava, uma das mais conceituadas e maiores empreiteiras do Estado, embora com atuação quase que restrita à prestação de serviços à prefeitura aparecidense no momento – lembrando que Celestino também foi presidente da ACIAG, a poderosa instituição de classe que representa o PIB do município, o 3º maior de Goiás – e o objetivo é pacificar as relações entre Gustavo Mendanha e Daniel Vilela.

Pois bem: no último fim de semana, na casa de Celestino, encontraram-se face a face Mendanha e Daniel. O empresário falou sobre os prejuízos para a economia local que um desentendimento entre os dois, em uma disputa envolvendo as eleições de 2022, poderia trazer, ao quebrar a estabilidade política sobre a qual, no seu entendimento, se assenta hoje a economia de Aparecida – um eixo sólido que foi construído pelas gestões de Maguito com base no seu celebrado espírito de conciliação e moderação, em perfeito entendimento com o governo do Estado, na época sob o controle de um adversário, Marconi Perillo, do PSDB, situação partidária que não causou nenhum prejuízo para o desenvolvimento da cidade.

Mendanha e Daniel ouviram atentamente. Celestino ressaltou que, para o mundo dos negócios, seria importante não só que os dois caminhassem juntos, como também que prefeitura e governo do Estado voltassem a se alinhar, em benefício do município, que não se procurassem culpas e que mágoas fossem deixadas de lado, propondo-se, ao lado de Daniel, a acionar o governador Ronaldo Caiado para que tomasse a iniciativa de um telefonema a Mendanha, com o compromisso de que seria bem recebido e bem tratado, para dar partida a um processo de reconciliação que na sua visão seria positivo e importante para todos, em especial quanto as condições que a economia aparecidense demanda para continuar crescendo.

Na sequência, Daniel se manifestou, aceitando a argumentação de Celestino. Mendanha, não. Falou longamente, descreveu em detalhes todas as suas reclamações, três, na verdade: 1) julga-se perseguido pela Polícia Civil com os inquéritos abertos para investigar a prefeitura, 2) não superou o apoio incisivo de Caiado a uma adversária na campanha de 2020 e 3) e acredita ser vítima de um suposto cerco de mídia. Não houve contestação a essas colocações nem se discutiu a justeza ou não de cada uma delas. Aconteceu, sim, uma confluência no sentido de que tudo pode ser resolvido e todos os equívocos desfeitos, notadamente através de um contato direto, via telefone, entre Mendanha e Caiado.

Celestino não deixou de alertar para os riscos de uma aventura eleitoral de Mendanha em 2022, desestabilizando o arcabouço político-administrativo construído por Maguito para sustentar o crescimento econômico de Aparecida. Daniel foi comedido, entendendo que a oportunidade estava servindo para o prefeito desabafar as mágoas e colocar suas cartas na mesa. Propôs uma reflexão, a partir dali, para em seguida, em um novo encontro, seguir com a discussão. Mas pediu, e Mendanha concordou, que se suspendesse a ideia de uma carta aberta ao diretório estadual do MDB em defesa da candidatura própria, o que poderia acirrar os ânimos. OK, aprovado: a ideia da carta, por ora, está suspensa.

Talvez as coisas, em razão do tempo prolongado gasto com a reunião, não tenham se dado com tamanha exatidão assim como narrado nos parágrafos anteriores. Mas, em essência, foi como a conversa fluiu. Celestino, a propósito, deixou claro que está credenciado pelos 10 maiores empreendedores com investimentos em Aparecida, todos ansiosos por um abrandamento do quadro político e interessados em evitar uma disputa eleitoral em 2022 que eles entendem como nociva para a economia local. Daniel e Mendanha saíram em clima de apaziguamento, um com a missão de levar os assuntos tratados a Caiado, o outro prometendo suspender as hostilidades, por ora. Uma distensão, ainda que não se saiba em quais termos ou em que proporções, entrou no radar para os próximos dias e próximas semanas.

31 ago

Aliança para o futuro(final): Daniel Vilela já tem em mãos o resultado da consulta às bases do MDB, majoritariamente a favor da aliança com o DEM; Mendanha pode pegar a portar da rua

O resultado da consulta às bases do MDB sobre a aliança com o DEM já está nas mãos de Daniel Vilela, que analisa o momento oportuno para a sua divulgação: a maioria esmagadora dos poucos mais de 140 membros da comissão executiva do partido, dos diretórios e das comissões provisórias municipais posicionou-se a favor do apoio à reeleição do governador Ronaldo Caiado, vetando a tese da candidatura própria em 2022 e – detalhe que ainda precisa ser acertado quanto a sua formalização – da indicação de Daniel para a vaga de vice na chapa governista.

São favas contadas, portanto. Em um dos movimentos de maior profundidade na história política de Goiás, o MDB e o DEM vão se unir para as eleições do ano que vem, retirando todo o oxigênio da oposição e lançando para a beira do caminho quem não se adequar, isso em termos da base do Palácio das Esmeraldas e dentre os emedebistas. Não será fácil se levantar contra esse acordo, que cria um eixo de poder sem precedentes no Estado e se projeta, caso seja bem-sucedido nas urnas de 2022, para um futuro que pode ultrapassar a próxima década, com facilidade, com o revezamento das candidaturas de Daniel e Caiado ao governo e ao Senado.

Quem ficará contra? Óbvio, o PSDB, ou o que restou dele, o que não é muito, bastando avaliar o encontro que os tucanos promoveram em Valparaíso: um verdadeiro fiasco de plateia e de palco, em que o partido mostrou o que é hoje, ou seja, nenhum prefeito, três deputados estaduais (Gustavo Sebba, Leda Borges e Hélio de Sousa), Marconi Perillo e José Eliton. Nada mais. Depois do PSDB, vem entre os contrariados a aventura solitária do prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, um político muito abaixo das exigências de uma candidatura majoritária em nível estadual. A esquerda, liderada pelo PT e pelo PSB, pesa pouco e depende das conexões que se fizerem com a candidatura presidencial de Lula. Alguém acrescentará que o PL estará alinhado contra Caiado e o MDB, mas o partido de Magda Mofatto oscila para cá e para lá e só tem coerência quanto a apoiar Jair Bolsonaro. Ou então o PP, do tortuoso Alexandre Baldy, que quer ser candidato a senador, embora sem consistência nenhuma, mas nenhuma mesmo para tanto, mesmo assim ameaçando também se perfilar em contrário a chapa Caiado-Daniel se Baldy não ganhar a vaga senatorial – projeto impossível, sobre o qual ele deveria ter a consciência de compreender que o governador jamais se alinhará a quem passou pela cadeia da Polícia Federa e continua réu em processo de corrupção.

Basicamente, é isso. Há por aí um Patriota ou outro, um Jânio Darrot e quejandos, sem peso para redefinir ou reorientar o processo de ascendência política aberto pelo convite formal de Caiado para que o MDB participe da sua chapa. O que importa é que essa articulação esgota o fôlego da oposição para 2022. É fato. O MDB tem mais de 20 anos de candidaturas perdidas a governador e parece que aprendeu a lição, raciocinando a longo prazo. Compor agora, para voltar ao poder em 2026, quando Daniel Vilela, se for o vice de Caiado em 2022 e se vencerem, assumirá o governo para se candidatar à reeleição, com a renúncia do titular para disputar o Senado, como se espera.

Ao aparecer no diretório estadual do MDB, de surpresa, para colocar na mesa a proposta de aliança com o DEM, Caiado simplificou o processo político para o ano que vem e deixou os adversários desconcertados com uma jogada que eles só esperavam muito mais adiante. Mais de 10 dias já se passaram e ninguém reagiu, nem na base do Palácio das Esmeraldas nem dentro do MDB. Provavelmente porque, na verdade, não há reação possível.

30 ago

Aliança para o futuro(6): antes da visita surpresa ao diretório do MDB, Caiado foi ético ao avisar aliados como Lincoln Tejota, Lissauer Vieira, Adib Elias e deixar claro que ninguém ficará na chapada

O principal assunto do noticiário político em Goiás, de uma semana para cá, é a visita surpresa que o governador Ronaldo Caiado fez ao diretório estadual do MDB, quando convidou o partido para participar da sua chapa em 2022 – surpreendendo com uma antecipação de mais de ano em relação ao pleito do ano que vem. Foi uma cartada de mestre. Mas o que precisa ser dito é que, antes, Caiado foi correto e ético com os seus aliados, prevenindo a todos que têm interesses de peso dentro da sua base sobre o seu movimento e reforçando o compromisso de que cada um deles será preservado e respeitado quanto aos seus projetos futuros.

Em palácio, Caiado recebeu para jantar, em dias diferentes, o prefeito de Catalão Adib Elias e o conselheiro Sebastião Tejota, acompanhado do seu filho Lincoln Tejota, atual vice-governador. Do alto da sua autoridade moral, o governador deixou em pratos limpos, para cada um deles, os seus planos para 2022, reafirmando sua solidariedade e sua lealdade, mas fixando com clareza a sua estratégia para a reeleição – onde até os mais ingênuos enxergam o acerto do esvaziamento da oposição, através da retirada do oxigênio representado pelo MDB. Essa manobra vale ouro. Ninguém, em sã consciência, pode se levantar contra, ainda mais sob argumentos pueris como a condenação da aproximação com um adversário como Daniel Vilela supostamente desprestigiando os chamados aliados de primeira hora – ainda com tudo o que significa hoje o filho e herdeiro de Maguito Vilela para a política estadual.

Lissauer Vieira, hoje no papel fundamental de fiador da governabilidade, também foi avisado. Caiado foi muito habilidoso ao não só antecipar o processo, porém informar os mais emblemáticos componentes da sua base. O gesto em relação ao MDB pegou muita gente de surpresa porque antigamente o governante da vez cozinhava seus aliados, que depois ficavam na chapada às vésperas das eleições. É preciso reconhecer: o governador sempre age com retidão, seja na política, seja na administração. Conversou com Lissauer, com os cinco ex-emedebistas que o apoiaram em 2018, com Lincoln Tejota e seu pai, entre outros, a mais de ano da eleição. Deu detalhes sobre o seu passo. Diferente, por exemplo, do prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, que rifou o seu antigo vice Veter Martins a poucos dias da convenção, escolheu um outro vice e no final ainda trocou esse quase vice para escolher Vilmarzim, o então presidente da Câmara de Aparecida – e, pior de tudo, em quem não confia nem um pouco.

O que Caiado fez e como em fez, em especial pelo momento escolhido, tem a marca da dignidade e da hombridade que já são características suas, porém parâmetros que outras lideranças de expressão substituem pela raposice e até mesmo pela malandragem explícita no processo político, pelo menos em Goiás. Mais de 10 dias depois da visita surpresa ao diretório do MDB, não houve nenhuma reação da parte de quem quer se possa especular como prejudicado, a não ser Mendanha (que não é do grupo governista), mesmo assim dentro da sua tradicional falta de conteúdo e da matreirice que ele imagina ser motivo de orgulho para a sua “persona” política, só que, na verdade, é uma vergonha para alguém tão jovem. Não enfrenta abertamente Daniel Vilela, não diz se é ou não candidato a governador e, em consequência, se vai ou não terminar o mandato em Aparecida. Escora-se em dúvidas e incertezas. Esconde o jogo. O contrário, exatamente o contrário, de Caiado.

28 ago

Aliança para o futuro(5): antecipação da aliança DEM-MDB causou espanto entre jornalistas, não no meio político, onde se sabe que Caiado agiu para consolidar a sua reeleição e tirar o oxigênio da oposição

É uma lenda urbana a afirmação de alguns jornalistas, em especial os da equipe de cobertura política de O Popular, de que a visita do governador Ronaldo Caiado ao diretório estadual do MDB, para convidar o partido a integrar a sua chapa em 2022, causou espanto entre a base do Palácio das Esmeraldas e da mesma forma em meio a emedebistas, como o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, por exemplo, e que ninguém entendeu a motivação do governador.

Uma repórter de O Popular beirou a histeria ao pressionar o presidente regional do MDB Daniel Vilela, com perguntas cavilosas, sobre a obrigação de promover prévias para aprovar ou rejeitar o acordo com o DEM. Diante da resposta tranquila de Daniel, informando que uma consulta amplificada não faria sentido por sequer estar prevista no estatuto partidário, ela, a jornalista, usou o argumento de que o PSDB nacional está fazendo as suas para escolher o candidato a presidente. “Não sei como é o estatuto do PSDB. Eu sigo o que o meu estatuto determina”, ripostou com tranquilidade o dirigente maior do MDB em Goiás.

Outra jornalista escreveu um cartapácio em cujo título avisa abordar a questão das “vítimas da aliança DEM-MDB”, induzindo as leitoras e os leitores a acreditar que elas estariam entre a oposição. Mas, não. Com a leitura do artigo, vê-se, basicamente, que essas “vítimas” seriam o “menino de Aparecida”, como Mendanha ridiculamente se autodenomina, e o “trator do interior”, como também se chama a si próprio o prefeito de Catalão Adib Elias. “Vítimas”? Como assim? Por terem sido preteridos nos seus interesses pessoais, ambos interessados em vingança, o primeiro contra Caiado e o segundo contra Daniel? Não tem sentido.

O movimento de Caiado e a reação rápida de Daniel Vilela surpreenderam é certo tipo de profissional de imprensa, que se invoca como intérprete oracular dos fatos políticos e não gosta de ser atropelado por acontecimentos fora do seu radar. Gente, também, que nutre simpatia pela oposição, qualquer que seja, apenas por considerar que governos, todos eles, não merecem ser elogiados ou aprovados. Em 5 entrevistas que fez com Gustavo Mendanha, de página inteira em diante, em menos de 45 dias, O Popular não questionou o prefeito sobre o impulso que a família Vilela deu à sua carreira política e sobre o estigma de traidor que hoje está sendo lançado contra ele ao se posicionar contra o filho e herdeiro de Maguito. Nem perguntou sobre os ressentimentos que ele nutre em relação ao governador, por ter apoiado uma adversária em Aparecida em 202o e pelas operações da Polícia Civil que investigam corrupção na prefeitura e no hospital municipal da cidade.

Na verdade, a jogada de Caiado foi, sem exagero do adjetivo, primorosa. Tira o fôlego ao mesmo tempo da oposição, hoje beijando a lona em Goiás, e daquela imprensa que se acredita investida n dever de manter vivas as enfraquecidas forças que se propõem a antagonizar a reeleição do governador. Se espanto há, é para aí que deveria se dirigir. Políticos sabem muito bem que o motor da visita surpresa ao diretório do MDB foi o propósito de fazer uma boa e inteligente articulação entre partidos para montar uma chapa convincente e sustentada para disputar as eleições, ampliada em seus fundamentos. Mais de ano antes das eleições? questionou a jornalista que entrevistou Daniel Vilela. Ora, sim, por que não? Não há regras determinando que isso se faça às vésperas das convenções. E definição de vice é sempre foco de alguma crise, quando se trata de uma base governista, ao contrário dos grupamentos oposicionistas, não importando se pouco mais de um ano antes ou proximamente ao pleito. O prazo estendido tem a vantagem extra de adicionar tempo para a resolução de eventuais conflitos.

Podem anotar, amigas e amigos: em se tratando de um governador com a autoridade moral que Caiado tem de sobra, a aliança entre o DEM e o MDB é irreversível e dificilmente provocará rachas no entorno do Palácio das Esmeraldas, pelas garantias que acrescenta à conquista de mais um mandato para o seu atual inquilino. No fundo, o que interessa é a manutenção do poder e por meios limpos e éticos, no caso honrando uma biografia imaculada. É por isso que Adib Elias recusou-se a dar entrevista a O Popular, para não servir de massa de manobra em um momento em que está refletindo (viajou par o interior de São Paulo para pagar uma promessa) sobre as consequências de um gesto imprudente. E ninguém mais se manifestou. O circo, no final das contas, só continua armado na vizinha Aparecida, através da aposta na qual O Popular embarcou e que não vai durar muito tempo, como ocorre com blefes em geral.

25 ago

Em 45 dias, O Popular publica 5 entrevistas de página inteira e 2 de texto corrido com Gustavo Mendanha, além de quase uma centena de notas na coluna Giro

Para o jornal O Popular, o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha é o principal político em ação em Goiás. De 7 de julho passado até hoje, o matutino publicou em sua edição impressa cinco entrevistas em estilo perguntas e respostas de página inteira, a última, nesta quarta, 25, ocupando duas páginas, além de duas entrevistas em texto corrido e quase uma centena de notas na coluna Giro, espaço mais nobre do principal veículo de comunicação de Goiás.

Todas as matérias foram escritas pela repórter Fabiana Pulcineli, sempre sobre o mesmo tema: Mendanha fala sobre a aliança do seu partido, o MDB, com o DEM, condena, faz críticas a Caiado e insinua que pode sair da legenda para se candidatar a governador, o que nunca afirma com clareza. No mesmo período, os principais protagonistas do acordo entre emedebistas e democratas, ou seja, o presidente estadual do MDB e o governador Ronaldo Caiado e Daniel Vilela, não foram entrevistados nem uma única vez. O que eles pensam saiu em O Popular apenas em declarações curtas e retiradas de discursos, inseridas no contexto das reportagens que trataram do assunto.

Nessa postura editorial de O Popular, chama atenção a estranheza. Mais ainda quando se constata em, em suas entrevistas, Mendanha se dedica com afinco a driblar Fabiana Pulcineli, que não consegue arrancar declarações realmente jornalísticas para justificar o tremendo espaço ao prefeito. Em nenhuma nelas, por exemplo, mesmo instado, o prefeito não dá nomes sobre quem o apoiaria dentro do MDB. Não admite sequer ser candidato a governador. E fala sempre em um “modelo aparecidense de gestão”, que entende ser o ideal para Goiás, mas cujos parâmetros e condicionantes não revela, mais parecendo releases da milionária Secom de Aparecida, que gasta R$ 10 milhões por ano com publicidade e marketing para tentar construir uma imagem positiva para uma gestão assentada na falta de respostas para os enormes desafios que afligem as aparecidenses e os aparecidenses, sem marca, sem identidade e sem obras, físicas ou não, de referência.

Em uma análise precisa, o Jornal Opção avaliou que Mendanha “tem fala mole e o discurso tosco”. No alvo, leitoras e leitores: ele é oco como um papo de anjo. Na entrevista quilométrica desta quarta, 25, em duas páginas e 2.500 palavras, não apresenta uma ideia original, inovadora ou interessante nem muito menos qualquer proposta para o Estado, a não ser a implantação do tal “modelo aparecidense” – na verdade baseado, como se sabe, no loteamento político dos cargos da prefeitura para garantir ausência de oposição e uma falsa “unanimidade”. Para o título, não havia nada para Fabiana Pulcineli escolher, a não ser uma frase sem sentido e sem explicação: “Se o MDB estivesse morto, Caiado jogaria terra, como sempre”. O que significa isso? Nada

23 ago

Aliança para o futuro(4): com o convite ao MDB, Caiado “provocou” a sua base, abriu o jogo e passou a iniciativa para Daniel Vilela, que agora precisa mostrar competência para responder ao desafio

A batalha da sucessão de 2022, dentro da base governista, foi aberta pelo governador Ronaldo Caiado com a visita surpresa do diretório estadual do MDB e o convite ao partido para formar na sua chapa da reeleição em 2022. Caiado colocou as suas cartas nas mesas, mexendo com o seu próprio grupo político, dentro do qual, lembrando, ele é a estrela maior e quase que solitária na sua grandeza. Aqui e ali, apareceram e devem continuar aparecendo uma e outra contrariedade, nenhuma, no entanto, que não possa ser resolvida dentro do prazo extenso que o governador tem até as convenções do ano que vem e de acordo com os instrumentos que detém como chefe do Poder Executivo e sua imensa capacidade de manobra.

Caiado, com a vantagem de jogar com as brancas, assumiu os riscos, se é que existem, de incorporar o MDB ao leque de partidos que sustentará a sua recandidatura, praticamente definindo o presidente estadual da legenda Daniel Vilela como seu vice. Mas isso deixou de ser novidade. Novidade é o que Daniel fará com a bola que recebeu em um passe magistral que o colocou diante do gol.

Isso mesmo: a iniciativa está agora com o filho e herdeiro político de Maguito Vilela. Venhamos e convenhamos: afora discursos e declarações elogiosas para Caiado, sinalizando uma forte aproximação, ele, Daniel, fez muito pouco, não mais que produzir o manifesto dos 27 dos 28 prefeitos emedebistas a favor do apoio à reeleição de Caiado e da sua figuração na chapa. Claro, tem valor, na medida em que deixou acachapado o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, o mesmo que apregoava mentirosamente ter colhido o aval de 80% desses prefeitos para o lançamento de uma candidatura própria do MDB.

Daniel precisa agir. Na sua área, existem dois focos de contestação ao acordo com o DEM: 1) o ressentimento, justo, do prefeito de Catalão Adib Elias, que ele expulsou do MDB por fazer o que ele mesmo vai fazer, ou seja, apoiar Caiado e 2) outro insatisfeito, também em razão de ressentimento, no caso Mendanha, que reclama de Caiado ter apoiado uma adversária contra a sua candidatura em 2020 e alega ser perseguido com inquéritos da Polícia Civil hoje a investigar corrupção na sua administração.

É só. Não parecem ser contratempos de difícil resolução. Adib merece um mea culpa de Daniel. Tem os seus defeitos, como todo mundo, mas é um político de coração limpo, que nunca digeriu a humilhação da porta da rua que Daniel mostrou a ele, em uma das injustiças mais emblemáticas da história política de Goiás, que, como não poderia deixar, cobra uma reparação. A obrigação de resolver não é de Caiado. É de Daniel, em uma oportunidade única para mostrar sua competência, pacificando de alguma forma suas relações com o prefeito de Catalão e os demais que foram expulsos, arrependendo-se publicamente do seu gesto – um dos maiores erros que qualquer político jamais cometeu em Goiás.

Quando a Mendanha, a avaliação é que deve ser deixado por conta própria para que se verifique até onde o seu blefe pode ir. Ele é figura isolada dentro do MDB, por um lado, enquanto, por outro, só tem a seu favor apoios fora do partido que podem ser definidos cesse ainda no MDB, além de, em um futuro inevitável, do ex-ministro Alexandre Baldy, do PP. A dissidência que ele tenta criar é vista como uma resposta ao seu círculo provinciano mais próximo, que o convenceu de que não terá um lugar ao sol na política se não sair da sombra do “irmão” Daniel Vilela. Com a mesma idade e no mesmo campo, Mendanha nunca vai ser nada em Goiás.

23 ago

Aliança para o futuro(3): confluência do DEM com o MDB é evento de relevância histórica e, como disse Caiado, “tem significado político muito forte para Goiás”

Uma manobra política é tanto mais importante ou relevante quanto maior é a oposição ou contrariedade que desperta. Por esse viés, a visita do governador Ronaldo Caiado ao diretório estadual do MDB e o convite oficial ao partido para indicar um nome para a sua chapa da reeleição, pode ser considerada como um primor de tática, primeiro pela surpresa do movimento, segundo pelo estabelecimento de um caminho seguro para a eleição do ano que vem e terceiro por jogar as cartas na mesa, deixando a quem não concorda o desafio de responder ou se calar para sempre. Só que eles, os insatisfeitos, pasmos, não sabem ainda como reagir.

Gol de placa, portanto. Com pouco mais de um ano de antecedência, Caiado praticamente definiu, do alto da sua inconteste autoridade moral, a composição do cerne da sua chapa: ele na cabeça e Daniel Vilela na vice, ao que tudo indica. Sobrou a senatória, um problema menor. A nomeação do vice, dentro de uma base governista, é sempre motivo para encrenca ou crise. Se não fosse Daniel Vilela, qualquer outro teria o mesmo efeito sobre os descontentes de plantão, a começar pelo atual ocupante da vaga, Lincoln Tejota.

O governador parece ter muita consciência do momento e do trajeto que irá percorrer até a data das urnas em 2022. Ele esbanja força: tem boa aprovação, conserva a vantagem do perfil de honestidade e de intransigência anticorrupção, segura nas mãos um feixe de poder que é o mais significativo do Estado, seu partido, o DEM, é o de maior expressão nos municípios e de fato conseguiu passar uma borracha no passado representado pelo PSDB e suas tristes situações afins. Tudo isso forma um capital político imenso. Que, agora, é potencializado pela aliança com o MDB e com Daniel Vilela, que simboliza o legado que o partido deixou para Goiás com o seu pai Maguito Vilela e a referência que é Iris Rezende.

Daí que, com o MDB na sua chapa, Caiado escreve um roteiro para um futuro que pode ter repercussões em Goiás até pela próxima década e, repetindo mais uma vez, cria um eixo de gestão como nunca se viu antes, reunindo a sua experiência com a juventude de Daniel Vilela – que ainda precisa corresponder, mas provavelmente conseguirá, às expectativas em torno do seu desempenho como liderança do primeiro time, com exigências especiais em matéria de requisitos como a moderação, a conciliação, a inteligência e a capacidade de inovar. “Tomei essa decisão com muita tranquilidade. A aliança entre o DEM e o MDB tem um significado muito forte para o futuro de Goiás”, disse Caiado na visita ao diretório estadual emedebista. Palavras proféticas.

21 ago

Aliança para o futuro(2): base de Caiado tem insatisfações diante da aliança com o MDB, mas é refém da imensa autoridade moral do governador e da sua decisão quanto ao melhor para 2022

Sim, é verdade que existem insatisfações dentro da base do governador Ronaldo Caiado diante do iminente acordo com o MDB para formar na chapa liderada pelo DEM para as eleições de 2022. E são até expressivas, envolvendo um prefeito de peso como Adib Elias, de Catalão, e dois senadores da República, Luiz do Carmo, do MDB, e Vanderlan Cardoso, do PSDB. Não é pouca coisa.

O problema são as motivações que empurram esse grupo de descontentes, todas relacionadas com interesses pessoais contrariados e bem distantes, mais muito longínquas mesmo, de qualquer fundamento público relevante ou discordância quanto a propostas para o futuro de Goiás. No caso de Adib Elias, trata-se de um ressentimento pessoal, aliás até justo: ele foi expulso do MDB, partido da sua vida, por Daniel Vilela justamente por ter apoiado Caiado em 2018, liderando um núcleo dissidente de prefeitos emedebistas formado por Paulo do Vale (Rio Verde), Renato de Castro (Goianésia), Fausto Mariano (Turvânia) e Ernesto Roller (Formosa). Pois bem: após essa  monumental humilhação, ele, Adib, é chamado para apoiar quem apontou a porta da rua para ele? Não é fácil.

Luiz do Carmo tem um escopo diferente. Sem um único voto, transformou-se em senador porque era 1º suplente de Caiado e assumiu com a renúncia desse quando assumiu o governo do Estado. Lógico, quer continuar. Só que não tem nem densidade eleitoral nem perfil majoritário para figurar em uma chapa que se pretenda competitiva para o ano que vem. Para piorar, é político de segmento, ligado à Assembleia de Deus, munição insuficiente para conquistar a vaga senatorial na principal chapa que será apresentada em 2022, a da reeleição de Caiado. Como não é bobo, sabe que se estiver ao lado do governador, tem chances teóricas de se reeleger, mas isso desaparece se Daniel Vilela for o vice, já que não fariam sentido dois nomes emedebistas em uma mesma chapa.

Em relação a Vanderlan, há uma combinação de mágoa pela derrota em Goiânia em 2020, quando foi vítima de um estelionato eleitoral comandado por Daniel Vilela, com o desejo de assegurar um cenário futuro mais favorável para a sua carreira – Daniel, sendo o vice de Caiado e com uma vitória em 2022, fatalmente assumiria o governo em 2026, com a renúncia do titular para disputar o Senado, e seria candidato à reeleição, bloqueando todos os espaços para quem quer que seja, pelo menos na base governista. O xis da questão é que qualquer vice, não só Daniel, ofereceria o mesmo risco para o senador nos dias que virão, a menos que ele queira indicar a sua mulher Izaura Cardoso para formar na chapa de Caiado, como se comenta.

Em resumo, são obstáculos internos dentro do grupo de apoio atual a Caiado que podem até incomodar, mas sucumbem pela falta de legitimidade moral ou política, baseando-se apenas em interesses pessoais contrariados e não, como dito aqui, em teses de conteúdo ou ideias para Goiás. Nada disso. Com a sua indiscutível autoridade em matéria de conceitos e princípios, Caiado se livra disso sem maiores dificuldades e dá o melhor rumo para 2022.

21 ago

Aliança para o futuro(1): Caiado, ao visitar o diretório estadual do MDB para convidar o partido para a sua chapa em 2022, surpreendeu e tornou irreversível a aliança com Daniel Vilela e Iris

A política, escreveu o pensador chinês, é a arte da guerra em tempo de paz. Em uma guerra, o poder de iniciativa e o elemento surpresa contam muitas vezes mais que o poderio dos Exércitos e até podem definir o resultado de batalhas mais que o armamento e as tropas. O governador Ronaldo Caiado, ao visitar de supetão o diretório estadual do MDB na sexta-feira, 20, para convidar o partido a indicar um representante para figurar na sua chapa da reeleição em 2022, mostrou que tem conhecimento de estratégia e a que chegou onde está não só pela sua biografia impecável e intransigente disposição contra a corrupção, porém também porque sabe mexer as peças do tabuleiro.

O MDB com o DEM no pleito do ano que vem significam a desidratação de toda e qualquer oposição, que fica sem oxigênio, ou seja, perde o fôlego que somente um partido da dimensão do comandado hoje por Daniel Vilela poderia garantir. Esse é o escopo maior da formação da chapa Caiado governador-Daniel vice, que gera um eixo de poder duradouro para Goiás, imprimindo seus efeitos lá na frente, talvez até, sem exagero, ultrapassando 2030: Caiado eleito em 2022, Daniel em 2026, Caiado de novo em 2030, sendo seguido por ele mesmo -a depender da capacidade física, uma vez que estará perto dos 80 – ou então Daniel de novo e por aí em diante.

O encontro entre Caiado e Daniel na sede do diretório do MDB foi a formalidade que abriu a temporada eleitoral, o que já estava passando de hora: são apenas 13 meses daqui até a data de urnas do ano que vem. Era hora. Existem reclamações dentro da base do governador quanto a essa aliança, assim como há emedebistas desesperados com a suja inevitabilidade. Essas insatisfações entram agora no radar de ambas as partes, mas, em princípio, não têm a menor possibilidade de criar atrapalhos significativos. São amplamente solucionáveis, tanto para Caiado quanto para Daniel, o primeiro enfrentando a indisposição de um conhecido criador de casos como o prefeito de Catalão Adib Elias, e o segundo com o inexperiente e imaturo prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha tentando se atravessar na sua garganta, mas nenhum, Adib ou Mendanha, com altura suficiente para impedir o sucesso da mais surpreendente e audaciosa articulação político-eleitoral já vista em Goiás.