Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 jul

Condenado a 5anos e 10 meses de prisão por fraudes contra o INSS, ex-vereador Amarildo Pereira (pai do deputado Delegado Humberto Teófilo) já está cumprindo pena, usando tornozeleira

Uma das figuras mais horríficas da política em Goiás, o ex-vereador Amarildo Pereira foi finalmente colhido pelos longos braços da Justiça, mas ainda de forma leve: condenado a 5 anos e 10 meses de prisão por fraudes contra o INSS, praticadas quando participava da Mesa Diretora da Câmara Municipal, entre 2001 e 2004, ele de alguma forma se livrou do regime fechado e já começou a cumprir a pena, não em reclusão e, sim, no regime semiaberto, com direito a pernoitar em casa usando tornozeleira, conforme determinação do juízo de execução penal do seu processo. Como diretor da Comob, depois que perdeu a reeleição, repetiu o esquema de burla dos recolhimentos previdenciários e foi igualmente flagrado.

Chegando aos 60 anos, Amarildo Pereira é pai do deputado Delegado Humberto Teófilo, que se exaspera quando lê notícias sobre o pai na imprensa estadual e move processos contra veículos de comunicação que mencionam o fato prosaico de que ele é filho de quem é. Teófilo foi eleito desfraldando a bandeira da “nova política”, com um discurso anticorrupção que chegou a marcar os seus primeiros meses na Assembleia Legislativa. Hoje, abrandou essa retórica.

Amarildo chegou a ser considerado foragido pela Justiça, depois que, esgotados os recursos, não se apresentou para pagar a sua condenação, conforme compromisso feito pelos seus defensores – o que finalmente fez. Ele, hoje, é representado pelo advogado Pedro Paulo de Medeiros, candidato à presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás e tido como o criminalista número um do Estado, tanto em capacidade quanto em cobrança de honorários.

28 jul

Com voto desfavorável do relator, TRE inicia jugamento de recurso de Marconi contra condenação em processo eleitoral que pode levar à sua inelegebilidade com base na Lei da Ficha Limpa

Sem chamar atenção, o Tribunal Regional Eleitoral iniciou o julgamento do processo em que o ex-governador Marconi Eleitoral foi condenado pela prática de caixa 2 e crimes como falsificação ideológica, tipificados como associação criminosa e fraude processual, na época da sua campanha para o Senado em 2006. Marconi pegou uma sentença de 1 ano e 8 meses de prisão, convertida por iniciativa do juiz de 1º Grau Wilson da Silva Dias em pena de prestação de serviços comunitários – substituição que é permitida pela legislação penal.

O Ministério Público Eleitoral recorreu, daí o exame, agora, pelo TRE. Detalhe: o julgamento foi iniciado sob perspectivas negativas para Marconi, já que o relator, desembargador Luiz Eduardo de Sousa, acatou as razões do chamado parquet e rejeitou o apelo do ex-governador. Se o voto for acompanhado pela maioria dos magistrados restantes, o tucano será declarado inelegível, com base na Lei da Ficha Limpa, restando considerações a ver em relação a data a partir da qual deverá cumprir a proibição de registrar candidatura.

Segundo a acusação,  Marconi Perillo teria sido mentor e principal beneficiário de um esquema de captação ilícita de recursos, utilização de notas fiscais frias, pagamento de despesas de campanha por meio de “laranjas”, e outras irregularidades eleitorais na sua campanha para o Senado, em 2006, que ele venceu. O relator junto ao TRE acatou as afirmações do MPE, fazendo constar em seu voto que Marconi, como líder de um grupo político, “exercia a chefia dos seus associados”, o que corresponde em linguagem leiga a comandar uma quadrilha.

Ao condenar Marconi, o desembargador Luiz Eduardo de Sousa ainda entendeu que o ex-governador realmente chefiou um grupo criminoso para tentar se manter no poder e praticou pessoalmente inúmeros ilícitos, tanto que recebeu uma pena privativa de liberdade em 1º Grau (1 ano e 9 meses de prisão, como se viu, que ele, relator, no entanto reajustou para 8 anos de prisão), além de multa no valor de R$70.350,00.

Lido o voto do relator, o juiz revisor, Átila Amaral, pediu vistas do processo, o que suspendeu o julgamento por um pequeno prazo. A sessão do TRE, por teleconferência, ainda chamou a atenção porque o advogado de Marconi, o celebrado Antônio Carlos de Almeida Castro, trajava uma informal camiseta. Mas a sua presença (é um dos advogados mais caros do país) mostra a importância que o ex-governador dá ao julgamento, que pode definir o seu futuro político.

17 jul

Cortar jamelões é o que o prefeito não eleito Rogério Cruz tem a oferecer como realização para as goianienses e os goianienses? Podem apostar, essa gestão não vai dar certo

Sem uma proposta global para Goiânia, o prefeito não eleito Rogério Cruz adotou uma estratégia de realizações miúdas no dia a dia, o “varejão”, para tentar convencer e justificar o seu mandato, até agora sem rumo e disperso quanto aos objetivos. A última é o corte dos jamelões, também conhecidos como “azeitona preta” pelos seus frutos que caem e acabam provocando o descontrole de veículos e acidentes, especialmente com motos, devido aos escorregões – são mais de mil plantados nas ruas da capital, em uma decisão equivocada tomada no passado, dos quais 104 serão agora extirpados e em seguida paulatinamente os restantes.

Em condições normais de vida no Paço Municipal, isso não seria notícia. Ou mereceria um rodapé. Os pobres jamelões desapareceriam sem chamar a atenção. Ocorre que, com um prefeito que busca desesperadamente um propósito para alicerçar a sua gestão, dividida hoje entre a conclusão das obras de Iris Rezende e a procura de uma razão para existir, ganharam notoriedade. É a estratégia de juntar os miúdos para tentar construir algo robusto, que nunca dará certo. Para piorar, o legado de Iris incomoda porque, para sempre, a cada inauguração, a identificação será com o velho cacique e não com Rogério Cruz, obrigado a finalizar o que recebeu inacabado, mas jamais servirá para corroborar o seu desempenho como gestor de Goiânia. Com Maguito Vilela prefeito, seria diferente. Automaticamente, a semelhança de porte entre um e outro daria a ambos os créditos, sem prejuízos a qualquer deles, pelas suas dimensões políticas e pessoais praticamente equivalentes.

Seis meses depois de iniciada, a gestão de Rogério Cruz confirma que o estelionato eleitoral de 2020 jogou Goiânia em uma aventura cujas consequências deletérias estão só no começo e prometem atazanar a vida da capital com uma coleção de equívocos administrativos e gerenciais, haja vistas à polêmica da recalibragem do IPTU – que, acreditem ou não, leitoras e leitores, vai facilitar para os imóveis de valor elevado e complicar para a maioria da população. Enquanto isso, no alto do Park Lozandes, o prefeito e seus articuladores evangélicos do Republicanos, em meio à desordem instaurada no Paço Municipal, onde pouca gente sabe o que está fazendo, oram fervorosamente para que ninguém da imprensa tenha a ideia de contratar e publicar pesquisas de avaliação – na certeza de que os índices apurados serão tão desastrosos quanto os da época do falecido e mal amado Paulo Garcia.

16 jul

Acordo entre DEM e MDB vai criar eixo de poder com possibilidade de durar longos e longos anos, com Caiado e Daniel Vilela como principais protagonistas da política em Goiás

Figuras as mais díspares da política estadual têm se mobilizando, em público ou nos bastidores, contra a aliança entre o DEM e o MDB, ora em processo de montagem acelerada, por vislumbrar, desde já, que dessa aproximação resultará um eixo de poder com força suficiente para durar entre 20 e 30 anos em Goiás – período no qual o protagonismo será do hoje governador Ronaldo Caiado e do atual presidente estadual emedebista Daniel Vilela.

Não é exagero. E é por isso que cresce a contrariedade do prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, do senador Vanderlan Cardoso e também do presidente estadual do PSD Vilmar Rocha. Eles, e mais alguns, não veem com bons olhos a dança ensaiada entre Caiado e o filho e herdeiro político de Maguito Vilela, Daniel, sob as bênçãos de Iris Rezende, com certeza o estrategista maior por trás de toda essa movimentação. Se o acordo DEM-MDB se concretizar, que espaço restará para projetos alternativos, pelos próximos longos e longos anos? Possivelmente, nenhum.

Nem Mendanha e Vanderlan chegariam ao governo do Estado nem Vilmar a uma sonhada senatória nem outros concorrentes eventuais teriam chances. Caiado e Daniel, juntos em uma mesma chapa em 2022, dificilmente perderiam, relegando a oposição a nomes sem representatividade e sem oxigênio para algum fôlego na batalha eleitoral. Na sequência, viria 2026, com Daniel assumindo o governo após a renúncia de Caiado para buscar uma vaga no Senado, candidatando-se à reeleição como beneficiário de toda a força do grupo em formação e até lá consolidado. Em 2030, como Daniel não poderia partir para uma nova candidatura, ele optaria pelo Senado, voltando Caiado a postular o governo. Ganhando, iria para 2034, podendo disputar a reeleição, ou apoiando novamente Daniel. Um outro poderia se eleger, com probabilidades altas, desde que as suas gestões transcorram sem tropeções. Em 2038, novamente. E em 2042 também, com possibilidades elevadas de chegar a 2046.

Ora, alguém dirá, está faltando combinar com os adversários? Claro. Mas… quais adversários? Uma estrutura de poder desse nível de consistência seria avassaladora, cooptando a maioria esmagadora das lideranças e, por outro lado, atropelando sem dó nem piedade quem se disponha a se opor. A hipótese de sucesso só ruiria vitimada por fatores intrínsecos, que não parecem viáveis, diante da postura intransigente de Caiado contra a corrupção e os malfeitos administrativos e da “genética” de Daniel, como disse o governador no histórico encontro de Aruanã, “um rapaz dotado potencial, capacidade e DNA de honestidade, competência e coragem”, em sintonia com tudo o que foi o pai Maguito.

Um acréscimo: o acordo MDB-DEM, pelo seu potencial de durabilidade, também seria o legado de Iris Rezende, no apogeu da sua carreira de mais de 60 anos, o mais longevo político em atividade em todo o Brasil. Ele, Iris, é o mentor número um dessa articulação, ele a concebeu, na qual investe todo o peso da sua autoridade moral e projeta o que entende ser uma garantia de futuro para Goiás e uma mensagem para as próximas gerações. Um pacto político como nunca se viu antes, em Estado algum, que figuras menores, como o “menino de Aparecida”, jamais entenderão, no seu vazio intelectual.

15 jul

“Neném” na política, Mendanha é “jantado” por Daniel Vilela, em processo de profissionalização e dono de um futuro brilhante com a aliança do MDB com o DEM para apoiar a reeleição de Caiado

O prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha dançou. Ou agindo isoladamente ou se aconselhando com figurinhas não confiáveis, como sempre ocorre com quem tem interesses pessoais acima de qualquer lealdade ou fidedignidade, o rapaz arvorou-se em liderança estadual, o que não é e pelo seu comportamento nunca será, e saiu por esse Goiás afora propondo-se a ser mais do que é e a liderar uma ala do MDB a favor da candidatura própria a governador em 2022 – contra, portanto, a aliança com o DEM do governador Ronaldo Caiado e o apoio à sua reeleição.

O blefe não durou muito. Mendanha foi “jantado” pelo seu “irmão” Daniel Vilela, a caminho de se transformar em fenômeno da política estadual, não só pelo patrimônio político herdado do pai Maguito Vilela, como pelo amadurecimento e rápida profissionalização no ramo da luta pelo poder. O prefeito aparecidense foi desmoralizado pelo manifesto dos 27 prefeitos do MDB articulado pelo filho e herdeiro político de Maguito Vilela (são 28, no total, só Mendanha não assinou) a favor de um imediato alinhamento com Caiado, quando, dias antes, apregoava que mediante as suas informações 80% do grupo estaria a favor do lançamento de um nome da legenda em 2022. Chute.

A verdade apareceu, através da carta encaminhada a Daniel Vilela pela maioria esmagadora dos colegas de Mendanha, em um exercício de realismo e como expressão da ansiedade de todos eles por parcerias administrativas com o governo do Estado, para fortalecer as suas respectivas gestões. Mendanha pagou caro por se aconselhar por um círculo cerebral íntimo desqualificado, tipo seus secretários da Fazenda André Rosa e seu procurador-geral Fábio Passaglia, bons para Aparecida e seu paroquialismo, mas inaptos para uma esfera superior como é a política estadual. E ouvir, ao lado desses pequenos homens, gente como o ex-governador Marconi Perillo e o presidente da FIEG Sandro Mabel, que qualquer político experiente sabe que só se move para atender seus próprios interesses, à custa de inocentes úteis como o “menino de Aparecida”.

Uma explicação adicional para o bate-cabeça de Mendanha é o vácuo de ideias e de propostas, que devem sempre estar por trás das posições de lideranças sérias para demonstrar suas vinculações aos interesses gerais das goianas e dos goianos. Ele é um vazio ideológico, como apontou o deputado federal Major Vitor Hugo e, com adjetivos educados, também o presidente estadual do PSD Vilmar Rocha. Não tem escopo intelectual, o que não é problema para político nenhum, desde que mostre consciência das suas falhas e faça um esforço para superar as suas deficiências, talvez lendo, por exemplo, livros básicos como A República, de Platão, obra indispensável para quem sonha alçar voos mais altos no imaginário da coletividade. Não é o caso e parece que nunca vai ser do professor de Educação Física Gustavo Mendanha.

15 jul

Erro grave de Mendanha, ao inventar que 80% dos prefeitos do MDB seriam a favor da candidatura própria, precipitou as articulações pela antecipação do acordo com o DEM – que agora é irreversível

Mentira tem pernas curtas, diz o ditado popular, ao qual se acrescenta a lembrança de que também geram consequências muitas vezes danosas. Essa é a lição que sobra para o imaturo e inexperiente prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, que cometeu na semana passada o erro grave de inventar que 80% dos prefeitos do MDB seriam favoráveis ao lançamento de uma candidatura própria a governador em 2022 – portanto, contra a aproximação do partido com o DEM do governador Ronaldo Caiado.

Bastou um fim de semana de movimentação para desmascarar Mendanha como um embusteiro. Discretamente acionados pelo presidente estadual do MDB Daniel Vilela, 27 dos 28 prefeitos emedebistas lançaram um manifesto com críticas ao prefeito aparecidense pela dança ensaiada com o PSDB de Marconi Perillo, ao mesmo tempo defendendo não só o acordo com o DEM e Caiado, como também a sua imediata efetivação. Mendanha ficou na chapada como uma liderança isolada, irresponsável e sem qualquer ressonância entre os seus pares, mesmo administrando o segundo município mais populoso do Estado (do que parece não ter a devida consciência).

Em forma de carta ao presidente estadual do partido, o manifesto dos prefeitos emedebistas é primorosamente redigido, sugerindo um assessoramento intelectual de altíssimo nível que nenhum deles tem, porém sobra no entorno de Daniel Vilela. Ponto para ele. Uma manobra dessa envergadura requer perfeição para atingir o seu objetivo sem qualquer desgaste, o que foi plenamente alcançando, ao custo de deixar Mendanha exposto em um constrangimento sem tamanho, resultado da balela dos 80% a favor da candidatura própria – que nunca existiram.

É o que acontece com quem mistura ressentimentos pessoais com ação política (campo em que a inspiração deve ser sempre coletiva). Mendanha tem ódio por Caiado. Muitos imaginam que em razão do apoio que o governador deu na eleição passada para a sua adversária Márcia Caldas, do Avante, senão por um motivo muito mais sério: as duas operações da Polícia Civil que investigam desvios na prefeitura de Aparecida, uma das quais no Hospital Municipal, onde a mulher do secretário municipal de Finanças André Rosa foi flagrada comandando um esquema de superfaturamento de exames. Para piorar, o casal foi intimado a prestar esclarecimentos, mas recusou-se, alegando o direito de não produzir provas contra si próprios, o que corresponde a uma eficiente autoincriminação.

Para Mendanha, esses inquéritos – que prosseguem – têm motivação política, desculpa esfarrapada de todos os que são alvo de apurações da polícia ou do Ministério Público. Como ele não sabe em que pé estão as averiguações e vive incomodado pela premência de novos desdobramentos – ainda mais quando não promoveu nenhuma auditoria interna e não afastou do seu secretariado os suspeitos. Há algo cheirando mal no prédio da Cidade Administrativa, onde o prefeito tem o seu gabinete. O seu secretário de Saúde, por exemplo, está condenado a mais de cinco anos de prisão, por desvios praticados no Hospital Araújo Jorge, logo lá, onde se cumpre uma das missões mais nobres e humanitárias da Medicina em Goiás, que é o atendimento a pacientes oncológicos sem recursos.

O “menino de Aparecida”, ideia destrambelhada que meteram na cabeça de Mendanha para alimentar a sua vaidade com a hipótese de repetição do fenômeno do “moço da camisa azul”, mote da eleição de Marconi Perillo em 1998, passou um atestado público de incompetência e despreparo depois do tapa na cara que recebeu dos seus 27 colegas. O secretariado miúdo que o rodeia apregoa que ele precisa sair da sombra de Daniel Vilela, por ser maior, na medida em que tem nas mãos o poder de administrar um portento como Aparecida e Daniel não tem nada, depois de descamisado pelo prefeito Rogério Cruz. E que, pelo peso político e pessoal, representaria sozinho, sim, 80% da força dos 28 prefeitos emedebistas.

Acredite quem quiser: a insanidade, como se vê, tomou conta de Mendanha e dos seus acólitos.

07 jul

Vexame: O Popular acaba de comprovar o fiasco da prefeitura de Goiânia na vacinação ao mostrar que somos uma das 3 capitais do país mais atrasadas na redução da faixa de idade para a imunização

A palavra certa para definir o que a prefeitura de Goiânia está fazendo na vacinação contra a Covid-19 é a mesma que foi usada na abertura da nota anterior deste blog: lambança. Há instantes, o site de O Popular postou matéria comprovando, via levantamento realizado pelos repórteres do jornal, que a maioria das capitais já reduziu em muito o patamar de idade para a vacinação, algumas já atendendo a toda a população adulta, enquanto a cidade administrada por Rogério Cruz ainda patina nos 44 anos de idade.

Isso sem falar em falhas gravíssimas que estão tomando as manchetes da imprensa, de cabo a rabo. Quem tem comorbidades – se descobriu recentemente ou se perdeu a vez – não está podendo se vacinar. O aplicativo para o agendamento, que nunca funcionou, piorou. Há semanas que não dá resposta para quem o aciona, sustentando-se em desculpas esfarrapadas do setor de TI do Paço Municipal, se é que isso existe e, se existir, deveria ser imediatamente trocado por gente mais competente. As filas nos postos de drive-thru são quilométricas (e prejudicam o tráfego), geradas pela má comunicação sobre como cada candidato à vacina deve proceder. O prefeito Rogério Cruz, acuado, apelou para o marketing de impacto, anunciando atendimento 24 horas, que, no entanto, está longe de se transformar em realidade, sendo lícito acreditar que, em meio a essa bagunça toda, jamais acontecerá.

É uma vergonha o que ocorre. Mas, infelizmente, expondo pessoas ao risco de vida.

07 jul

Prefeitura de Goiânia dá show de incompetência na vacinação e irrita a população, porém o mais grave é deixar quem tem direito correndo risco de vida sem a imunização, como os portadores de comorbidades

A lambança no processo de vacinação contra a Covid-19 em Goiânia segue à vontade. O aplicativo da prefeitura não funciona, conforme nova denúncia publicada em O Popular desta quarta, 7 de junho, provocando congestionamentos nos pontos onde o impossível agendamento não é exigido. E faixas da população que deveriam estar sendo imunizadas, como os portadores de comorbidades (e se alguém descobrir agora que tem uma comorbidade, não vacina?), deixaram de ser atendidas – sem qualquer explicação. A comunicação do Paço Municipal, nesse particular, é confusa, servindo mais para alimentar as manchetes negativas do que para efetivamente orientar as cidadãs e os cidadãos.

Seria mais uma demonstração de incompetência da prefeitura da capital, que sempre foi incapaz de lidar com a sua obrigação de levar vacinas para as goianienses e os goianienses, não só a que previne a Covid-19, mas as de todo o espectro da área. Mas dessa vez é um pouco pior, já que não existe drama pessoal maior, no momento, do que ter direito às preciosas doses e não as receber, contraindo a nova doença enquanto isso. Em especial, no caso das pessoas com comorbidades, há mais de 15 dias “proibidas” de se vacinar. Não tem sentido. E, aliás, não é drama, e, sim, tragédia.

Prefeitura, em qualquer cidade, é prestação de serviços. E não há nenhum mais importante do que garantir com eficiência as vacinas que evitam a proliferação de enfermidades e até mesmo a morte, a que estão expostos os acometidos pela praga. O prefeito Rogério Cruz precisa acordar, ler os jornais, tomar as providências que está negando para Goiânia e deixar claro que tem consciência das responsabilidades do cargo que ocupa

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06 jul

Caiado e Daniel Vilela, juntos, é o fato mais relevante da política de Goiás desde 1982 e tende a constituir um eixo de poder tão sólido que pode durar décadas

Dois dos políticos mais intransigentes e durões, digamos assim, que Goiás já viu em todos os tempos, mudaram completamente as suas trajetórias pessoais e evoluem para uma aliança, nas eleições de 2022, capaz de se constituir em um eixo de poder tão sólido que poderá durar anos e anos – como vai ser o resultado da união do governador Ronaldo Caiado e o presidente estadual do MDB Daniel Vilela para passar uma borracha no passado e criar uma nova realidade para o Estado de Goiás.

Daniel Vilela foi adversário de Caiado em 2018, em uma eleição que o emedebista não tinha a menor condição de vencer, mas na qual procurou marcar presença atirando pesado no adversário. Este, por sua vez, nunca foi de contemporizar com quem quer que seja, muitas vezes até chamando para resolver no braço. O emedebista despontou na política na sombra do pai, o conciliador Maguito Vilela, mas mostrando estopim curto e intolerância com quem atravessava seu caminho, o que o levou a um dos maiores erros que um presidente de partido já cometeu no Estado, qual seja a expulsão dos prefeitos do MDB que corretamente  não apoiaram a sua candidatura suicida a governador, cansados de 20 anos de derrotas, como deixou bem claro – e, repetindo, coberto de razão – o prefeito de Catalão Adib Elias.

Dois homens cabeçudos e determinados, portanto. Mas agora amaciados, um pela experiência do poder, que para ser bem sucedida precisa de universalização e ele entendeu isso melhor do que qualquer antecessor seu, outro pelo drama individual pelo qual passou, com a Covid-19 levando a sua referência de vida. Quem diria que seria justamente da junção desses dois cabeçudos que Goiás está prestes a assistir ao nascimento de um projeto de futuro que começa pela formatação de uma chapa DEM-PSDB, com Caiado buscando a reeleição acompanhado de Daniel Vilela na vice, programado para assumir o governo em 2026 e se candidatar à reeleição, após a renúncia do titular para postular uma senatória (serão duas vagas). E, quatro anos depois, com Caiado disputando novamente o governo, já que o filho e herdeiro de Maguito, em 2º mandato, não poderia se recandidatar e provavelmente teria a sua vez quanto ao Senado.

Esse desenho, hoje, é natural, e não tem nada de artificial ou forçado. A viagem conjunta de Caiado e Daniel a Aruanã, com a troca pública e eloquente de elogios entre os dois, sacode a política estadual na medida em que representa um passo concreto na construção do acordo entre os dois maiores partidos do Estado, enviando para as calendas o pouco que resta do PSDB e sinalizando para as demais forças políticas que a trilha a seguir é a da agregação e não da contestação – recado claro para que partidos como o PP, o PSD e o Republicanos, dentre outros, se incorporem a um processo de hegemonia política quase impossível de ser detido. Lembrando o mote da campanha de Caiado, em 2018, a fila vai andar.

03 jul

Entrevista quilométrica de Marconi a O Popular ainda está longe da autocrítica que ele continua devendo e traz só mágoas em vez de alguma proposta para Goiás, obrigação de quem foi governador 4 vezes

A caudalosa entrevista que O Popular arrancou do ex-governador Marconi Perillo apenas confirma a continuidade dos equívocos de alguém que se hospedou por 4 mandatos no Palácio das Esmeraldas, de certa forma chegou a ser grande e considerado quase que um semideus da política estadual, mas perdeu a compreensão do seu papel na história de Goiás – afinal, o que se lê são manifestações de mágoas pessoais e uma formulação conspiratória dos fatos que levaram à ruína da sua carreira, na verdade consequência de ações produzidas por uma visão distorcida que marcou os últimos anos do PSDB no poder e o trágico desfecho que veio com as eleições de 2018, quando ele, Marconi, ficou em 5º lugar para o Senado e seu poste José Eliton terminou em 3º para o governo.

A jornalista que entrevistou Marconi foi camarada. Avançou em questões até então intocadas pelo ex-todopoderoso, porém aceitou sem retrucar as respostas irreais, não só para quem lê o material, como também para o próprio ex-governador – mergulhado em confortável autoengano, de onde partem explicações ilusórias para o buraco aonde a sua liderança foi arrastada. Continua faltando uma autocrítica, com o reconhecimento de que, em sentido contrário ao que afirma o título escolhido por O Popular, o PSDB tem, sim, do que se envergonhar.

Não, Marconi não foi derrotado nas urnas, massacrado, melhor dizendo, em 2018 por uma conjuração maquiavélica dos seus adversários, do governador Ronaldo Caiado e do Ministério Público. Isso é conto da carochinha. Sem os eventos policiais que o envolveram, na época, o fiasco chegaria da mesma forma. Havia um acúmulo de casos de corrupção que vinha de longa data nas suas gestões, por um lado, e uma inexorável ruptura política a caminho, daquelas que periodicamente acontecem em Goiás – produzidas pelo cansaço do eleitorado com os mesmos atores em cena – e beneficiaram até a ele mesmo, em 1998, quando a vítima da vez foi o então onipotente Iris Rezende. Dentro da base comandada pelo PSDB, vozes como a de Vilmar Rocha já alertavam desde 2015 para a fadiga das goianas e dos goianos diante de um modelo de governo que não se renovava e procurava se perpetuar com os mesmos desgastados nomes e a falta de projetos de sempre.

Esse assunto foi o escopo da entrevista, em alguns momentos constrangedora, como quando, por exemplo, Marconi admitiu práticas de caixa 2, só que tentando livrar as suas campanhas – inutilmente, já que está inclusive condenado em um dos processos a que responde por esse tipo de delito, no caso sentenciado pela Justiça Eleitoral a 1 ano e 8 meses de prisão, detalhe da maior importância que a jornalista convenientemente ignorou na inquirição do ex-governador. A pena foi convertida em prestação de serviços comunitários, encontrando-se, no momento, sob recurso para o 2º Grau.

Da mesma forma, não se pode levar a sério o que Marconi diz de Caiado, um falatório que na verdade mostra dor de cotovelo e passa longe de configurar uma crítica séria e honesta ao trabalho do atual governador, cuja gestão não se resume a trocar nomes de programas antigos, coisa em que o próprio entrevistado, nas suas administrações, fez repetidamente em relação ao que recebeu do PMDB. Caiado, goste-se ou não dele, é responsável por uma mudança de paradigmas administrativos sem precedentes em Goiás, o mais importante deles a recuperação da simetria entre receitas e despesas – cujo desequilíbrio brutal talvez tenha sido o fator que mais corroeu os mandatos tucanos no Estado. Isso dá ao seu governo uma dimensão semelhante ao de Mário Covas, em São Paulo, que reorganizou as finanças do Estado há mais de 20 anos, trabalho que perdura com solidez até os dias hoje.

Do que se aproveita na entrevista de Marconi, salta uma conclusão: ele segue vivendo no passado, saudoso dos bons tempos em que mandava e desmandava e que, a depender do que sai da sua boca, dificilmente voltarão.

02 jul

Preview de entrevista de Henrique Meirelles ao Jornal Opção mostra arrogância, mistificação e irrealidade de alguém que quer representar Goiás, mas não tem a menor identidade com o Estado

Em mais um lance de eficiência jornalística muito acima da média da imprensa em Goiás, o Jornal Opção entrevistou o ex-ministro e atual secretário de Fazenda de São Paulo Henrique Meirelles, hoje pretendente a uma cadeira no Senado Federal como representante do Estado com o qual nunca teve, não tem e jamais terá qualquer identidade – mesmo porque é alguém que se considera superiormente credenciado para a política nacional, muito acima das questões menores da terra onde nasceu.

Banqueiro que nunca foi dono de banco, Henrique Meirelles desceu de paraquedas na política goiana, comprando um mandato de deputado federal em 2002, que não exerceu por um único e miserável dia, atraído para presidir o Banco Central pelo então presidente Lula. Aliás, agora inventou, conforme o preview da entrevista ao Jornal Opção, que “muitos goianos saíram da pobreza naquele período em que eu estava no Banco Central. Tudo isso me posiciona bastante bem”, disse. E ainda relembrou, sem nada citar especificamente, “tudo aquilo que fizemos pelo Estado no Banco Central e no Ministério da Fazenda”, que ninguém sabe o que é.

Mas é uma falácia (falácia, leitoras e leitores, é a alternativa educada para “mentira”). No Banco Central, ele ignorou Goiás e se pautou por uma condução técnica, aliás corretamente tendo em vista as finalidades do cargo. Só que nem uma mãozinha ele deu para destinar recursos para o Estado ou ajudar qualquer um dos seus 246 municípios. Estava em um Olimpo e dele não desceu sequer para um “alô” aos seus conterrâneos. Se houve “goianos que saíram da pobreza naquele período”, isso se deve aos programas de aumento de renda do presidente Lula, contrariando as teses do PSDB, partido de Meirelles, de que reajustes salariais provocariam aumento do consumo e levariam a uma escalada inflacionária. Lula foi pródigo em aumentos do salário mínimo, sem medo do seu efeito cascata, que… não provocaram inflação.

Meirelles, se tivesse sido ouvido pelo presidente petista, teria sido contra, seguindo a cartilha liberal que professa. Fora isso, é um mistificador arrogante. Quer dizer: os “goianos que saíram da pobreza naquele período” teriam continuado na miséria no que dependesse do presidente do Banco Central, felizmente atropelado por Lula. Excluindo-se abundância de dinheiro para gastar na campanha para o Senado, que é o que de pior existe na política, não há nada que justifique a entrega a ele de um mandato tão importante como o de senador. Até Luiz do Carmo, na sua insignificância, é melhor.

02 jul

Captura e morte de Lázaro Barbosa: os equívocos na avaliação da operação policial, que beirou 100% de eficiência e resolveu o problema sem novas mortes ou sequer feridos

Uma jornalista de renome escreveu em um diário de primeira linha, O Popular, que a demora na captura do assassino Lázaro Barbosa configurava o fracasso da política de segurança do governador Ronaldo Caiado. Uma insanidade, mas previsível da parte de quem acreditava, na época em que os hospitais estaduais foram transferidos à administração das organizações sociais, que bastaria um paciente sem atendimento para caracterizar o insucesso do governo na área de Saúde. Em um e outro caso, aberração travestida de opinião abalizada e, também em um e outro caso, conclusão que ofende a lógica mais simples e o respeito que profissionais de imprensa deveriam ter diante dos fatos.

A operação policial que caçou Lázaro Barbosa beirou os 100% de eficiência. Pacientemente, o secretário de Segurança Rodney Miranda cansou-se de explicar que a estratégia adotada era a de certo, com o objetivo de minar a capacidade de resistência do procurado e, principalmente, garantindo que fizesse novas vítimas, inclusive entre as forças policiais, o que é mais do que legítimo. Provavelmente, para que cada passo fosse dado com a certeza de evitar riscos, é que o desfecho demorou três semanas, mas acabou chegando inexoravelmente diante do meticuloso aperto que foi sendo aplicado à busca.

Para que uma política de segurança ou de saúde seja definida como fracassada não se pode considerar exemplos isolados, lembrando que o assassino de Brasília não escapou e que os hospitais estaduais deixaram as manchetes dos jornais. O que vale são as estatísticas que mostram o comportamento geral e essas, em especial no caso da criminalidade em Goiás, podem ser definidas como espetaculares em termos de redução de ocorrências – a tal ponto que o preço do seguro de veículos foi reduzido diante do quase desaparecimento dessa modalidade delituosa no Estado.

Gostem ou não, a repressão policial é duríssima em território goiano, atestada pelo elevado número de mortes de bandidos em confrontos policiais, mais de 800 no ano passado, comprovando que caminhar à margem da lei é uma opção de vida arriscada desde que o governador Ronaldo Caiado assumiu.

22 jun

Candidatura ao Senado de alguém que não tem a menor identidade com Goiás e não aparece no Estado há anos e anos não tem cabimento: o caso Meirelles

Henrique Meirelles já deu o que tinha que dar na política brasileira sem deter um mandato, conseguindo até ser candidato a presidente da República, desafio que o levou a um fracasso acachapante, terminando a eleição de 2018 com menos votos que o cabo Daciolo – apesar das dezenas de milhões de reais que gastou. Dizendo de outra maneira, ele foi até onde o seu dinheiro o levou, mas enfrenta hoje um desgaste e um esgotamento que imagina superar candidatando-se ao Senado por Goiás, em 2022, e conquistar a vaga às custas do seu poderio financeiro.

Tudo bem, é um milionário a mais que acha que pode comprar posições de destaque e isso, em certa medida, é aceitável em uma democracia capitalista, embora condenável, por presumir a superioridade insalubre da pecúnia sobre ideias e propostas. Mas é preciso um mínimo de fundamentação, de escopo. Como é que alguém que não conhece a realidade de um Estado pode pretender a sua representação na mais alta Câmara Legislativa do país? Meirelles não aparece em Goiás há anos, não é nem eleitor registrado na Justiça Eleitoral estadual e sequer tem residência aqui. Com alguma generosidade, para evitar expressões mais pesadas, pode ser definido como um aproveitador, alguém que persegue a realização das suas ambições pessoais às custas do sentimento coletivo e da unidade de origem que cria um elo de ligação entre todas as goianas e todos os goianos, da qual o ex-ministro não faz nem nunca fez parte.

Tomara que vá em frente e dê com os burros n’água. Uma boa derrota, a essa altura da sua vida, seria benéfica para a sua comprensão do mundo.

21 maio

Leilão da sede da Editora Abril, em São Paulo, antecipa o final de O Popular, jornal desfibrado cujo desaparecimento será um avanço para Goiás

Olá, leitoras e leitores, voltamos à ativa. O leilão do prédio da Editora Abril, em São Paulo, é mais um sinal a sugerir o fim, iminente, da imprensa em papel, que tem em Goiás o jornal O Popular como sua expressão maior. Observem que, desde há muito tempo, o matutino dos Câmaras vem reduzindo sua presença, sintomaticamente diminuiu de tamanho e hoje pode ser visto com os seus exemplares amontoado, à noite, nas padarias onde é entregue pela manhã e não vende um único exemplar. Não é exagero. É questão de tempo o encerramento da versão em papel, não se justificando a enorme despesa gerada para produzir algo que ninguém quer ler, a exemplo do que ocorre pelo mundo afora.

Particularmente, desde há muito tempo que considero O Popular nocivo para os interesses gerais de Goiás, em especial pela falta de posicionamento ou opinião. Não há praticamente, entre os veículos dessa importância, no país, uma omissão tão grande quanto a ideologia ou alinhamento político. Por exemplo:  para o POP, como o chama o Jornal Opção, hoje concorrente direto caso comparados os sites, tanto faz o presidente da República ser Bolsonaro, Lula, FHC ou qualquer um. Seus editoriais são um primor de falta de senso e de posicionamento, alinhando generalidades que beiram o ridículo.

O fim de O Popular, embora sobrevivendo online, mas como um dentre tantos, vai desobnubilar e tornar mais democrática e inteligente a imprensa em Goiás em sua manifestação final e definitiva, que é o meio digital. Os Câmaras não têm o menor preparo e consciência para uma atualização com a modernidade, como exigida, ainda mais depois do fracasso da gestão de Cristiano Câmara, que deveria ter representado a renovação da família, mas acabou cedendo e devolvendo o comando da empresa ao seu pai – o quadrado e superado Júnior Câmara, cuja identificação com o jornalismo sempre foi zero, do alto da arrogância da supostamente maior empresa de comunicação de Goiás.

Em uma perspectiva de futuro, jornalismo e imprensa dependerão cada vez mais de opinião. O Popular não tem e não terá espaço nesse novo mundo.

20 abr

Caos, bagunça e ineficiência: prefeitura de Goiânia é incapaz de tocar o processo de vacinação anti-Covid-19 sem atazanar e exasperar os idosos e promover aglomerações nocivas

É um vexame. A prefeitura de Goiânia está nesta terça, 20, aclamada em todas as manchetes como incapaz de tocar o processo de vacinação anti-Covid-19 sem promover aglomerações perniciosas, irritar a população idosa supostamente beneficiária e mostrar a maior lentidão possível no acolhimento dos candidatos tanto à 1ª quanto a 2ª dose, em que pese a simpatia e a humildade das enfermeiras nas costas das quais foi jogada a responsabilidade de aplicar a imunização na linha de frente, sem a mínima condição prévia de organização administrativa para atuar com celeridade e eficiência.

Elas não têm culpa nenhuma. A vacina no braço, no final das contas, até que é rápida. O problema é o pré-cadastro, que gasta prolongados dois minutos em que o candidato à Coronavac ou à Oxford-Astrazenca fornece dados minuciosos, enquanto a atendente (são mulheres, em sua maioria) preenche fichas de papel que nunca mais vão servir para nada. Isso significa que, em cada posto de vacinação, por recepcionista, no máximo 30 pessoas serão despachadas por hora. As filas, desse jeito, não andam. E o povo se exaspera.

Por que, leitoras e leitores, a prefeitura ignora os avanços da tecnologia da informação e prefere registrar, em caneta e papel, o movimento de aplicação da vacina? Não tem sentido. E por que também não planeja a disponibilização de postos de imunização e e prevê a procura, quando há dados demográficos precisos para calcular o número quase exato de candidatos à injeção rendetora conforme as faixas etárias das goianienses e dos goianienses? O que impede que as vacinas sejam distribuídas com rapidez apenas mediante a apresentação de comprovação de idade e a declaração de cada um sobre se tratar da 1ª ou da 2ª? Por que provocar aglomerações e longas e absurdas filas, em um mundo automatizado onde tudo, absolutamente tudo, pode ser feito com agilidade nunca vista em outro estágio de desenvolvimento civilizatório e sobretudo respeito humano?

O prefeito Rogério Cruz, se tivesse  um mínimo de autocrítica, deveria pedir desculpas pela lambança na vacinação contra a Covid-19.