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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 jul

Conscientemente ou não, Zé Eliton assumiu o governo de Goiás com uma proposta ousada: passar por cima dos políticos e se impor falando diretamente com a população. Não conseguiu

Como governador efetivo, desde 7 de abril último, Zé Eliton se lançou a uma maratona de eventos por todo o Estado, atraindo plateias com a distribuição de benefícios como o Cartão Renda Cidadã, escrituras, lotes, bolsas universitárias e até entregando dinheiro vivos a prefeitos.

 

Nesses eventos, discursou em tom messiânico, dizendo-se emocionado por praticar a “política do bem”, promover a “convergência” e desenvolver a “agenda da modernidade”, procurando se distanciar ao máximo da política e dos políticos, reduzindo a sua missão nesta terra a um compromisso pessoal com o futuro dos goianos.

 

Já se sabe que esse caminho não deu certo. Negando a política, em quase 100 dias como governador, Zé Eliton não cresceu um mísero ponto nas pesquisas, patinando até hoje no 2º lugar, com 10% das intenções de votos, em um humilhante empate com Daniel Vilela, que não tem uma fração dos recursos oferecidos pelo governo ao candidato tucano.

 

Tentou, mas não foi bem sucedido em falar direto com a população, mesmo porque há um erro de concepção nessa estratégia: se passar anos e anos fazendo discursos em solenidades governamentais, mesmo com plateias volumosas, só estará se comunicando com uma parcela minúscula do eleitorado, diante da densidade demográfica do Estado. O mundo, hoje, é o da comunicação de massas. O corpo a corpo é uma impossibilidade até física. E falar com o eleitorado, globalmente, somente será possível após o início do horário gratuito de propaganda na televisão e, mesmo assim, com uma série de restrições, uma das quais a baixa audiência, diante da rejeição da população à classe política em geral.

 

E tudo isso com um agravante: as pessoas comuns não entendem o que Zé Eliton fala.