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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 dez

Futuro da indústria automotiva em Goiás é incerto, mas não só pelo corte nos incentivos fiscais: o Estado também ficou fora da MP que esticou as vantagens tributárias federais para o setor até 2025

A indústria automotiva instalada em Goiás – Mitsubishi, Suzuki, Caoa Chery e John Deere, basicamente – enfrenta um momento de incerteza com o anunciado corte dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado – decisão da qual o governador Ronaldo Caiado não vai recuar, faltando apenas a definição dos percentuais que serão aplicados – e também com a a aprovação da Medida Provisória do novo programa de apoio tributário aos fabricantes de automóveis e máquinas agrícolas, o Rota 2030, do qual Goiás foi excluído.

 

A perda de parte dos incentivos estaduais e da totalidade dos federais vai impactar as montadoras hoje em atividade em Anápolis e Catalão. Pelo menos uma, a Caoa Chery, já anunciou que, uma vez suspensos ou reduzidos os incentivos estaduais, além de confirmada a perda dos federais, pretende se mudar imediatamente para São Paulo, na tentativa de recuperar a competitividade, conforme alega o seu dono, o médico Carlos Alberto Oliveira Andrade.

 

A fuga dessas fábricas para fora do Estado tem potencial para desestabilizar politicamente a gestão do governador eleito Ronaldo Caiado, ainda que não seja sua a responsabilidade pelas agruras que elas com certeza vão enfrentar. O que valerá é a imagem ou a mensagem simbólica que esses fatos passarão aos goianos: Caiado assume, a indústria automobilística que hoje orgulha o Estado vai embora. De quem será a culpa? Dele e de mais ninguém.