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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 dez

Em Goiás, incentivos fiscais distribuídos sem critérios inviabilizaram o Estado, sem contrapartida dos empresários. Veja o caso da CAOA, que gera apenas 1.414 empregos diretos em troca do perdão do ICMS

A CAOA Chery, que tem uma montadora de carros e minicaminhões em Anápolis, é uma das empresas mais beneficiadas pelos excessos da política de incentivos fiscais distribuídos sem critério pelos governos do Tempo Novo.

 

Para vir para Goiás, a então CAOA (o Chery foi incorporado neste ano) ganhou o terreno e os galpões onde funciona, construídos pela Celg, através de uma operação de compensação de ICMS futuro articulada pelo governador da época, Marconi Perillo. A isso acrescentaram-se benefícios fiscais praticamente eternos, além de uma série de outras vantagens que, em resumo, significam que a empresa foi praticamente liberada de pagar os impostos estaduais.

 

Em troca, uma série de obrigações foi imposta à CAOA – e, de resto, a toda e qualquer empresa beneficiada por incentivos fiscais em Goiás, hoje mais ou menos 600. Mas nunca houve fiscalização quanto ao cumprimento dessas metas. Na semana passada, o presidente da CAOA, o médico Carlos Alberto Oliveira Andrade(foto acima com Marconi, em sua casa em São Paulo), ameaçou deixar o Estado se houver qualquer cortes nos seus privilégios tributários. “200 mil empregos deixarão de existir”, disse ele a O Popular. Só que isso não bate com a realidade. A Secretaria da Fazenda levantou, em auditoria, que a empresa gera apenas 1.414 empregos diretos. Quanto aos indiretos, não há como precisar. Mas não são muitos: tudo o que a empresa usa para montar seus veículos vem de outros Estados e do exterior.

 

Conclusão: a CAOA embolsou uma fortuna em Goiás, ganhando de presente uma fábrica e deixando de pagar o ICMS, oferecendo como retorno uma retórica, o de que existe uma indústria automobilística em Goiás. Nada mais.