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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

26 jan

Governo Caiado está sendo e será medido pelos seus atos concretos, nada mais, não por discursos, declarações de intenção, posts na redes sociais ou pela imensa autoridade moral do governador

Campanha é uma coisa, exercício do poder outra. Embora essa distinção ainda não esteja muito clara na cabeça do governador Ronaldo Caiado, a se julgar pelos motes eleitorais que ele continua desfiando, o fato é que o seu governo está sendo e será julgado exclusivamente pelos seus atos concretos e o que trarão de positivo para os goianos, não não por discursos, declarações de intenção, posts na redes sociais ou pela imensa autoridade moral do governador.

 

De um modo geral, a parte positiva dos primeiros passos da gestão de Caiado é oriunda mais da ruptura que ela representa em relação aos governos do Tempo Novo, que já estavam cansados e não mais ofereciam respostas para as demandas da população. É quase que um efeito automático, decorrente do corte brusco na linha do tempo da administração estadual, e menos consequência de atitudes pensadas e trabalhadas para gerar avanços – que hoje, está claro, serão tanto maiores quanto mais rigoroso e radical for o regime de austeridade a ser implantado pelo governador que se elegeu prometendo mudança.

 

O xis da questão está, portanto, na austeridade. E Caiado não a está levando tão a sério assim. Sem uma avaliação profunda, manteve programas sociais polêmicos como a Bolsa Universitária e a Renda Cidadã. Foi a Catalão e anunciou um investimento do governo correspondente a metade da obra do anel viário da cidade. Fez uma reforma administrativa tímida, que mais consistiu na recriação de pasta e estruturas do que em corte de segmentos dispensáveis da máquina estadual. E baixou um decreto de redução de despesas sem metas nem números específicos, além de dar prazo até o final de março ao seu secretariado para montar um programa de economia, cada um em seu âmbito – veja bem, leitora e leitora, final de março, quando não seria preciso mais do que alguns dias, dois ou três, para elaborar em detalhes um diagnóstico preciso de cada pasta.

 

Goiás nunca teve um governador que fala tanto quanto Caiado, em emissoras de rádio, lives pelo Facebook, programas de televisão, reuniões a torto e a direito e, enfim, em todos os canais e momentos possíveis e disponíveis. Ocorre que, quanto a um governador, falar importa bulhufas, o que vale são os seus atos e o que eles trazem de efetivo e que significado têm. É isso que está fazendo falta.