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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

31 jan

Caiado não fez o presidente que queria para a Assembleia, mas isso não significa que ele terá problemas de governabilidade e apenas terá que ser mais respeitoso e cuidadoso com o Legislativo

A definição da maioria dos deputados estaduais pela eleição de Lissauer Vieira, do PSB, para a presidência da Assembleia não trará prejuízos ou dificuldades para o governador Ronaldo Caiado em relação aos interesses do Executivo junto ao Poder, mas, em compensação, exigirá que o Palácio das Esmeraldas assuma uma postura de respeito e cuidado no trato com o Legislativo.

 

Lissauer Vieira e os parlamentares que articularam a sua candidatura vitoriosa – entre eles Iso Moreira, Cláudio Meirelles e Humberto Aidar – não têm a menor intenção de fazer oposição ao governo. Eles partiram do princípio, corretíssimo, de que a Assembleia, nos novos tempos da política no Brasil, deve ter autonomia e não mais dobrar os joelhos na direção na Praça Cívica, que é o que vigorava até agora. Houve uma mudança em Goiás, o próprio Caiado é resultado desse sentimento que contaminou os goianos, cabendo ao Parlamento também se adaptar a essa nova realidade

 

Como nunca, a Assembleia necessita de uma faxina urgente, eliminando excessos como as mais de 15 diretorias, as malandragens na tramitação de projetos como as emendas jabutis, o elevado e desnecessário quantitativo de funcionários comissionados e os supersalários, que sobrevivem na Casa A isso, acrescente-se a influência nefasta de ex-presidentes e até mesmo do ex-governador Marconi Perillo, que agora, finalmente, será exorcizada – algo que não se tinha como certo na hipótese de eleição de Álvaro Guimarães, o candidato do peito de Caiado.

 

Nesse sentido, Goiás ganha com Lissauer Vieira – bastando apenas que ele cumpra os compromissos que representa.