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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

31 jan

Derrota de Caiado no processo de sucessão na Assembleia é completa (o governo não fará nem os presidentes de comissões importantes) e será lembrada com destaque pela história política de Goiás

Ninguém é capaz de lembrar da derrota de um governador no processo de sucessão na Assembleia Legislativa e, de fato, pelo menos desde a redemocratização, de 1982 para cá, não há notícia de uma única ocasião em que o presidente do Poder não tenha sido eleito em consonância com a orientação e os interesses do Palácio das Esmeraldas.

 

Logo Ronaldo Caiado, que contabiliza 30 anos de mandatos e tem experiência profunda com assuntos parlamentares, é que vai quebrar essa rotina histórica e passar para a posteridade como o primeiro Chefe do Executivo, em Goiás, a perder uma eleição para o comando da Assembleia – e o mais incrível é que perdeu cometendo erros infantis e violando as regras mais básicas da articulação política, como, por exemplo, quando em pleno processo de negociações de bastidores na disputa pela presidência foi até o prédio da Alameda dos Buritis para uma reunião em que desacatou deputados com ironias pesadas e até mesmo deboche em alguns momentos.

 

O terreno em que vicejou a rebeldia de um grupo de parlamentares, interessados em “zerar” a Assembleia e dar a ela mais dignidade no relacionamento com os demais Poderes, foi adubado pelo próprio Caiado com uma mistura de arrogância desprezo pelos deputados estaduais, com os quais, por mais absurdo que isso possa parecer, praticamente não teve contato desde que foi eleito em 7 de outubro do ano passado. Resultado: além de não eleger o nome que lançou para a presidência (ignorando outra lei da política, que é a não interferência ostensiva em outras esferas de poder), o governador não terá o consolo sequer de ter representantes da sua preferência  dirigindo as comissões mais importantes do Legislativo, basicamente duas: a CCJ, Comissão de Constituição e Justiça, e a Comissão Mista. Ambas serão presididas por nomes da confiança do grupo vencedor (Humberto Aidar, do MDB, deve ficar com a CCJ), que não serão submetidos à aprovação palaciana.

 

A derrota de Caiado, portanto, é completa. Mas não é total, porque não há entre os vencedores – por enquanto – a disposição de fazer oposição ao governo. Isso vai depender do comportamento que o governador terá daqui para frente.