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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 fev

Arresto do patrimônio de Marconi comprova que ele é alvo de um processo judicial pesado, está com a reputação manchada e por um longo, longo tempo não tem chances de voltar para a política

A decisão da Justiça Federal de arrestar os bens patrimoniais do ex-governador Marconi Perillo prova que a perseguição judicial a ele não está para brincadeiras: o tucano é alvo de um processo judicial pesado, está com a reputação manchada – a se julgar pela repercussão nacional que a medida alcançou, com amplo destaque no Jornal Nacional – e em função dos desgastes acumulados com as investidas do Ministério Público Federal e da Polícia Federal não tem a menor chance de voltar à política, pelo menos por um longo tempo.

 

Além do arresto propriamente dito, Marconi foi também constrangido pela divulgação da lista de imóveis apreendidos, com a revelação de propriedades que ninguém sabia que ele detinha, como lotes no Alphaville, em Goiânia, apartamento de luxo em Goiânia e mais um apartamento em uma das praias de Guarujá. Outro motivo de embaraço para o ex-governador foi que, junto com ele, foi também atingido pela deliberação de captura de bens o ex-presidente da Agetop Jayme Rincón, que se tornou figura carimbada em escândalos de corrupção em Goiás e com o qual, em seu depoimento à PF, Marconi negou peremptoriamente ter qualquer relacionamento pessoal, tendo jurado às autoridades policiais que conhece Rincón apenas por tratativas profissionais decorrentes da sua presença na equipe de governo durante seus dois últimos mandatos.

 

Após perder a eleição para o Senado, na qual ficou em 5º lugar e em seguida passar 24 horas na cadeia, o tucano-mor de Goiás sinalizou um afastamento do cenário político, mudou-se para São Paulo – onde também tem apartamento – e, de fato, esteve desaparecido por algum tempo. Mas não durou muito. Animal político por excelência, com gosto acentuado pelas manobras dos bastidores do poder, Marconi voltou e, já no processo de escolha do novo presidente da Assembleia, tentou interferir com telefonemas aos deputados e articulações inicialmente a favor da candidatura de Álvaro Guimarães, que não prosperou, e depois contra o governador Ronaldo Caiado, qualquer que fosse o candidato – obrigando os parlamentares comprometidos com a postulação vitoriosa de Lissauer Vieira à decisão coletiva de não atender suas chamadas, para evitar contaminação.