Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 fev

Caiado fala bobagens (fiado para funcionários com salário atrasado, concordata do Estado, vender bens de Marconi para pagar a folha) incompatíveis com quem deveria conhecer a lei e respeitar o bom senso

A coleção de besteiras que o governador Ronaldo Caiado desfiou neste seu primeiro mês de mandato é absolutamente incompatível com o elevado padrão de comportamento institucional que se exige de uma autoridade investida na chefia de um Poder Executivo estadual.

 

Tem algo errado quando um governante pede a prefeitos que avalizem funcionários públicos com salários atrasados para que comprem fiado em farmácias e supermercados. Nem factível a providência é, muito menos legal e, pior ainda, caracterizaria alguma humilhação para os servidores e além de tudo o mais, caso fosse levada adiante, estaria impondo sacrifícios a empresários que nada têm a ver com as dificuldades do Estado.

 

E a “concordata” do Estado, a que Caiado e seus secretários de Governo Ernesto Roller e da Economia Cristiane Schmidt referiram-se inúmeras vezes durante o transcorrer de janeiro, ao falar da crise fiscal em que Goiás se meteu? O instituto da concordata foi extinto da legislação brasileira há mais de uma década. Se ainda existisse, não poderia ser aplicado a entes do Poder Público, mas somente a pessoas jurídicas privadas. No caso de Ernesto Roller, vale lembrar que ele deveria saber da impropriedade de uso do termo, já que é advogado, enquanto Caiado e Cristiane ainda têm uma desculpa porque um é médico e outra economista.

 

Houve mais extravagâncias, porém a última foi a que mirou mais longe na esquisitice: após o anúncio de que a Justiça Federal tinha arrestado os bens imóveis do ex-governador Marconi Perillo e do presidente da Agetop Jayme Rincón, Caiado comemorou a decisão informando que venderia esses bens e destinaria o dinheiro arrecadado para o pagamento dos salários atrasados dos servidores estaduais. Isso, leitor, só aconteceria no mundo de fantasia da cabeça do governador, já que o arresto apenas coloca os imóveis em indisponibilidade até que haja uma sentença, transitada em julgado, reconhecendo a culpa de Marconi e Rincón e os condenando a ressarcir os prejuízos que causaram nem se tem clareza ainda a quem, se ao Estado ou se à União.

 

Bens arrestados não são vendidos, portanto, a não ser após a sentença condenatória final do processo, o que está longe de acontecer e, aliás, nem vai acontecer durante o atual mandato de Caiado, dada a lentidão da Justiça brasileira e aos meios de defesa disponíveis para qualquer acusado. Portanto, o que ele falou, falou com desconhecimento de causa. Provavelmente, quis fazer marketing às custas da infelicidade de Marconi, Rincón e do funcionalismo, o que é igualmente condenável.