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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 fev

Jayme Rincón assume ser o dono dos mais de R$ 1 milhão apreendidos com ele e seu motorista, mas dá à Polícia Federal uma versão que não é sustentada por Beto Rassi, sua principal testemunha de defesa

As investigações da Operação Lava Jato, com seus desdobramentos nas Operações Cash Delivery e Compadrio, prosseguem a todo vapor, na esfera das diligências e apurações que estão sendo desenvolvidas pela Polícia Federal, sob orientação do Ministério Público Federal.

 

Além do arresto dos bens imóveis do ex-governador Marconi Perillo e do ex-presidente da Agetop Jayme Rincón, há mais novidades. E uma delas é uma bomba: Rincón, em novos depoimentos à PF, admitiu ser o dono dos mais de R$ 1 milhão de reais apreendidos com ele e seu motorista, alegando ter recebido a quantia do empreiteiro Luiz Alberto Rassi, conhecido como Beto Rassi, em decorrência de negócios de venda de imóveis em Aparecida. O problema é que, chamado a se manifestar, como principal testemunha da defesa, Beto Rassi confirmou que, sim, fez o pagamento em moeda a Rincón, mas… em 2016. Como parece pouco provável que alguém guarde um numerário tão elevado por tanto tempo, a situação jurídica do ex-presidente da Agetop pode ter se complicado muito e parece tornar irreversível a sua condenação, dentre outros crimes por lavagem de dinheiro e peculato.

 

Beto Rassi é figura presente em todos os inquéritos e apurações que envolvem tanto Marconi quanto Rincón, desde a deflagração da Operação Monte Carlo, na qual apareceu em gravações discutindo negócios dentro do governo do Estado com o também empresário Carlos Cachoeira. Ele chegou a ser sócio de Marconi em aquisições de imóveis e foi também o empreiteiro responsável para construção da milionária obra do prédio que hoje abriga o Tribunal de Contas do Estado. Estranhamente, confirmou a versão de Rincón, mas deu uma data que acabou agravando as circunstâncias penais do seu ex-parceiro de negócios.

 

Pode anotar, leitora e leitor: vai ser muito difícil para Marconi e seu ex-auxiliar na Agetop escaparem de consequências mais sérias nessas ações policiais em que estão enrolados.