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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

07 fev

Derrota na eleição para presidente da Assembleia mostra a erosão do capital político de Caiado que, no 1º mês do seu governo, poderia ter sido usado para um ajuste fiscal duro. Agora, será muito mais difícil

Um dos motes de Ronaldo Caiado, desde que foi eleito governador, há mais de quatro meses, é o de que não tem pressa e que, aos poucos, irá mostrando o que pretende para buscar o reequilíbrio do Estado e trazer a mudança que prometeu e convenceu os goianos a elegê-lo com votação recorde e em 1º turno.

 

Mas Caiado errou feio. Ele deveria, sim, ter tido pressa… e muita. A política tem regras que exigem respeito e ir contra nunca é saudável. Uma delas é que um governante deve aproveitar o capital político que conquista nas urnas e acelerar a adoção das medidas mais duras e impopulares, mas que vão colocar a sua administração em um caminho virtuoso, antes que a marcha do governo comece a trazer os desgastes inevitáveis e venha a diminuir a sua margem de manobra.

 

No caso do novo governador de Goiás, isso é tanto mais grave quanto o tamanho do golpe que levou, ao ser fragorosamente derrotado na eleição para presidente da Assembleia. Caiado foi obrigado a engolir Lissauer Vieira, um deputado com o qual não tem a menor identificação e que representa o encolhimento do necessário respaldo que deveria ter do Legislativo para a sua governabilidade. Para vencer a crise fiscal que trouxe o descalabro financeiro para o Estado, não há como prescindir do apoio da Assembleia – que, antes da eleição que consagrou Lissauer Vieira, era avassalador, mas agora nem tanto.

 

Esse apoio não virá mais com a prontidão com que teria acontecido, por exemplo, durante as sessões extraordinárias do mês de janeiro, quando teria sido brincadeira de criança aprovar medidas duríssimas de ajuste fiscal, como cortes de incentivos fiscais, redução de vantagens do funcionalismo, extinção de órgãos ou uma nova estrutura para o governo. O clima na Alameda dos Buritis mudou. Entre os deputados estaduais, que enxergam com clareza a fragilização política do Palácio das Esmeraldas, já há até uma batalha campal marcada com Caiado, que será a apreciação da segunda parte da reforma administrativa. O governo pode se preparar porque essa matéria vai se transformar em uma espécie de segundo turno da eleição para presidente – e com probabilidades altas de nova derrota.

 

A pressa era aliada de Caiado, mas ele perdeu o bonde.