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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 fev

Deputado do chapéu é imprudente com as palavras, irreverente e às vezes incorreto, mas o que está dizendo sobre irregularidades na Assembleia precisa ser ouvido e não punido pelos colegas

Há males que vêm para bem. Um deles, de certa forma, tem o nome de Amauri Ribeiro e foi eleito para uma das 41 cadeiras na Assembleia Legislativa. Nunca foi um homem de atitudes convencionais, é brigão e como político (antes de ser deputado, foi vereador e prefeito de Piracanjuba) envolveu-se em episódios que até o levaram à cadeia, mas nunca por corrupção (desacatou um juiz, que o mandou prender, tudo indica que configurando abuso de poder). No seu novo mandato, que assumiu agora, não poderia ser diferente.

 

O chapelão é uma marca registrada de Amauri Ribeiro e é com ele que venceu suas três eleições. É como a calça ou a camisa, um acessório indispensável no seu caso. Hipocritamente, o regimento da Assembleia proíbe, em plenário, bonés, gorros ou chapéus (ideias, pelo jeito, são permitidas). Não tem sentido. Que influência tem no exercício do mandato parlamentar o fato de uma cabeça estar ou não coberta? O fato é que a discussão está colocada e com um enorme potencial de simbolismo, em uma casa legislativa onde mais do que nunca as práticas de sempre e os costumes de antigamente precisam ser extirpados.

 

Ocorre que Amauri Ribeiro incluiu outros ingredientes na controvérsia do seu chapéu. Desde antes da posse que ele vem criticando o excesso de diretorias e funcionários da Assembleia, além de apontar para a existência de contratos suspeitos, grande parte disso, segundo ele, a serviço dos interesses do grupo do ex-governador Marconi Perillo. E isso, apesar do discurso desfraldado pelo movimento de deputados que se rebelou contra Ronaldo Caiado e elegeu Lissauer Vieira, continua. Ninguém sabe ao certo quantas diretorias há no Poder (seriam entre 13 e 15), mas todos concordam quanto ao seu número excessivo, com salários igualmente idem. E são mais de três mil comissionados, quantitativo que também desperta suspeitas quanto à sua utilidade.

 

O chapéu representa um questionamento para tudo isso. De todos os deputados que tomaram posse na atual Legislatura, Amauri Ribeiro é o único que, rapidamente e do seu próprio jeito, conseguiu justificar a eleição.