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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 fev

Para a secretária Cristiane Schmidt, incentivos fiscais são “estratégia antiga”, não geram competitividade para a economia e não são compatíveis com o cenário atual. Ela pode estar certa

“Ledo engano que governos estaduais falidos conseguirão gerar competitividade para as suas empresas pela via dos benefícios fiscais. É uma estratégia antiga, que não necessariamente trouxe os resultados esperados e que, certamente, não é sustentável no cenário atual para a maioria dos estados brasileiros. É, indubitavelmente, uma nova realidade a que o Brasil se depara”.

 

O texto acima é da secretária da Economia Cristiane Schmidt e foi publicado há poucos dias como trecho de um artigo sobre a situação de calamidade financeira constatada em Goiás. Isso mesmo, leitora e leitor: há poucos dias. É uma opinião forte, que vai na contramão do que pensa o novo secretário da Indústria & Comércio do governo do Estado, o ex-senador Wilder Morais, totalmente alinhado com os interesses das 600 grandes privilegiadas pelos exageros da política de incentivos fiscais em vigor em Goiás, deixando de pagar quase R$ 10 bilhões em ICMS por ano e produzindo uma renúncia receita que é a grande responsável pela situação de calamidade financeira do Estado. Algo que, nos últimos 20 anos, pode ter levado a uma fantásticaperda de R$ 250 bilhões.

 

E qual é a opinião do governador Ronaldo Caiado? Por enquanto, nenhuma. Depois de eleito, no ano passado, ele tentou mexer com os incentivos fiscais e chegou a falar em um corte de 50%. Recuou, recuou de novo e acabou concordando com um projeto meia boca que o então governador-tampão Zé Eliton enviou à Assembleia, com modificações aparentes que apenas tiveram o condão de deixar tudo como está. Ou seja: o ralo continua aberto, drenando o caixa estadual e inviabilizando qualquer tentativa para alcançar o reequilíbrio financeiro. Mas Caiado nomeou Wilder Morais para a SIC e Wilder é a favor de deixar tudo como está, tanto que a sua posse foi prestigiada pelos cardeais das entidades classistas empresariais. Ele é quem vai defender, dentro do governo, que tudo permaneça como está.

 

A curto prazo, esse conflito terá que ser resolvido pelo governador. Todas as vezes em que isso aconteceu, no passado, os empresários saíram ganhando