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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

07 mar

Ao deixar de pagar os aposentados e pensionistas antes do fim do mês, Caiado faltou com a palavra empenhada de que quitaria a folha do funcionalismo do seu governo até o dia 30? A resposta infelizmente é sim

Palavra de governante, qualquer um, não é algo para se levar muito a sério. Porém, no caso do governador Ronaldo Caiado é diferente: não só pela sua tradição familiar, que ele gosta de ressaltar, mas também pela sua própria trajetória na vida pública, ele é um homem e um político que faz questão de cumprir compromissos e incorporou essa característica à sua personalidade como um trunfo moral.

 

Ocorre que ele passou a viver uma nova experiência: a de gestor do Executivo. Até agora, havia exercido cinco mandatos legislativos, quando conseguiu manter a coerência e reforçou a sua biografia – rigorosamente limpa e íntegra nos mínimos detalhes. Biografia, aliás, que foi decisiva para a sua eleição para o governo de Goiás, abraçado por um eleitorado cansado dos escândalos e das malfeitorias que marcaram os últimos anos no Estado. Como administrador, as suas responsabilidades agora são muito, muito maiores que as de um simples deputado ou senador. E aí cada palavra pronunciada representa um peso, um fardo bem mais opressivo e penoso.

 

Caiado, apesar da sua vasta experiência política, nunca governou nada além das suas fazendas e consultórios médicos. E como parlamentar acostumou-se a falar demais, o que é normal no ramo. Logo nos primeiros dias da sua gestão, quando não tinha ainda conhecimento a fundo da realidade do Estado que herdou, arriscou-se a prometer que no seu governo os salários do funcionalismo seriam pagos até o último dia do mês. Cumpriu em janeiro e foi só. Em fevereiro, atendeu apenas os servidores ativos. Inativos por enquanto não receberam

 

Como a folha é uma só e nunca distinguiu quem está trabalhando de quem se aposentou, conclui-se que Caiado traiu a sua preciosa palavra. Mais grave: ainda não se justificou. E piorando o que já estava ruim, foi desautorizado pela sua secretária da Economia, Cristiane Schmidt, categórica ao anunciar que nem em fevereiro nem em mês algum, tão cedo, os inativos vão receber dentro do mês. Timidamente, uma nota do governo avisou que o mandamento constitucional de pagar até o dia 10 do mês seguinte será respeitado. Ótimo, mas… não foi esse o compromisso do governador. Não foi o que falou: ele prometeu quitar os salários até o dia 30. Em momento algum mencionou que iria pagar conforme o prazo constitucional.

 

Como foi relatado no início desta nota, palavra de governantes, no Brasil, não é para se levar muito a sério. Está provado que, no caso particular de Caiado, também não deve e é um sopro de vento, para cá e para lá, igual a de todos os outros. No entanto, ele está devendo esclarecimentos. Não há problema nenhum em confessar que foi precipitado ou que cometeu um erro. Caiado não pode é continuar calado e deixar que o vácuo da desconfiança se instale sobre o que disse.