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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 mar

Sob ataque na política e na Justiça, Marconi não é defendido por ninguém, nem por ele mesmo, e enfrenta isolamento inacreditável para quem foi a principal figura do Estado nos últimos 20 anos

É um caso fantástico e extraordinário: o maior líder político do Estado nos últimos 20 anos, o homem que venceu eleições impossíveis e viveu momentos em que chegou a ser tratado como um semideus, enfrenta hoje uma pesada artilharia de críticas e denúncias, inclusive judicializadas, e não é defendido por ninguém (nem por ele mesmo), a não ser a equipe de advogados que, claro, recebe para fazer esse trabalho.

 

Marconi desceu do céu ao inferno em um prazo de poucos dias, durante o qual saiu da condição de líder da disputa pelas duas vagas no Senado, na eleição passada, para o 5º lugar na apuração das urnas e uma ordem de prisão que o levou a passar 24 horas no cárcere da Polícia Federal, em Goiânia. Junto com ele, seus aliados engoliram uma derrota eleitoral monumental, que reduziu o PSDB, seu partido, a apenas seis deputados estaduais e um federal. Na rua da amargura, passou a ser responsabilizado pela situação de calamidade financeira em que o governador Ronaldo Caiado garante ter encontrado o Estado e entrou na mira do Ministério Público, com quase 15 ações civis públicas de improbidade (e uma gravíssima, na área criminal) que produziram arrestos e bloqueios dos seus bens e ativos financeiros em valor superior a R$ 6 bilhões de reais, em razão de atos praticados nos anos dourados de exercício do poder.

 

Fora os advogados, que o fazem por dever profissional remunerado, hoje ninguém levanta uma palha para defender Marconi de tudo que é acusado. Nem ele mesmo sabe o que dizer ou como fazer para se resguardar da carga negativa que é lançada diariamente sobre o seu nome. Durante os seus governos, Marconi apoiou e deu guarida a centenas e centenas  de apaniguados, alguns dos quais enriqueceram com  as benesses que receberam, outros ganharam projeção, muitos tiveram até carreiras parlamentares, mas nenhum, absolutamente nenhum, é capaz de abrir o bico para falar bem do ex-governador ou sequer levantar um talvez diante da pesada artilharia que o tem atingido.

 

Pior: o próprio Marconi não tem qualquer noção sobre como deve proceder. Erroneamente, resolveu mergulhar, isto é, sair de circulação, refugiando-se em seu apartamento no Jardins, bairro nobre de São Paulo. O equívoco foi grande porque partiu da suposição de que Caiado ocuparia os espaços positivos do noticiário com os seus passos iniciais no governo, o que não aconteceu. Ao contrário, o novo governador cometeu e segue cometendo desacertos inesperados, reduzindo a aprovação que recebeu nas urnas e fazendo, até agora, uma gestão rotineira e sem imaginação. Há um vácuo no cenário político estadual, que deveria ser preenchido por Marconi, dentro de uma proposta de refundação da sua liderança, agora na oposição, e não apenas infantilmente dentro de uma visão pseudogovernista de salvaguarda de um “legado” que não existe (explicaremos em outra próxima nota).