Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

12 mar

Dividindo espaço na mídia com a questão dos salários, excesso de buraco nas rodovias estaduais é a nova agenda negativa do governo Caiado – também sem perspectiva de solução a curto prazo

A questão dos salários do funcionalismo – o não pagamento de grande parte do mês de dezembro e a divisão da folha entre ativos e inativos, os primeiros recebendo dentro do mês e os demais no mês seguinte – ganhou concorrência no espaço negativo da mídia regional: cresceu e apareceu o noticiário sobre o excesso de buracos nas rodovias estaduais, com trechos em situação de verdadeira catástrofe diariamente destacados pela mídia.

 

Há um quê de descuido do governador Ronaldo Caiado com essa nova polêmica. Ele alega que, quando assumiu, os serviços de manutenção das estradas não estavam sendo prestados pelas empreiteiras em razão do atraso no pagamento das suas faturas. Pode ser. Porém, em vez de atacar o problema com medidas concretas e eficazes, Caiado optou por procurar prefeituras e propor convênios para que elas se encarregassem da operação tapa-buracos – com o claro propósito de reforçar o seu discurso de calamidade financeira e de falta de recursos. Não deu certo, é evidente. Municípios não têm dinheiro para nada. E, de resto, gastar com rodovias que estão fora da sua jurisdição tem o risco de vir a ser declarado ilegal e, mais tarde, trazer a responsabilização pessoal dos prefeitos.

 

Houve uma combinação de amadorismo com ingenuidade, enquanto as chuvas iam se intensificando e destruindo a malha viária pelo Estado afora. Para completar esse quadro danoso, a antiga Agetop, transformada em Goinfra, praticamente entrou em colapso, com a troca do seu presidente – saiu um Caiado, Aderbal, entrou outro Caiado, Ênio – em menos de 20 dias de governo e, fatidicamente até hoje, as suas três diretorias operacionais ainda sem titulares. Esse impasse prejudicou a a busca de uma solução para as estradas, que, agora, chegaram a uma condição de grave comprometimento e passaram a alimentar uma guerra de versões entre o atual governo e o passado que ressuscitou até o ex-presidente da Agetop Jayme Rincon, afeito a um bom bate-boca. Enquanto isso, o que interessa para os usuários, ou seja, tráfego seguro e liberado, segue piorando a olhos vistos.