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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 abr

Responsabilidade pela “assepsia” do governo é da Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público, diz Caiado. Ora, ora, para quê os goianos elegeram um governador que prometeu moralizar o Estado?

Definitivamente, há um Ronaldo Caiado que construiu uma bela carreira política pregando intolerância total com a corrupção e esse que, assumindo o governo de Goiás, acabou de dar uma entrevista a O Popular tentando justificar a renomeação de funcionários corruptos na atual gestão da Saneago e prometendo, se houver provas contundentes contra eles, tomar “medidas futuras” contra eles.

 

Para piorar o que já estava muito ruim, Caiado acrescentou que a responsabilidade pelo que chamou de “assepsia” do governo, provavelmente com isso querendo dizer a moralização da administração estadual, é obrigação da Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público. Não é não, leitora e leitor. É dele, o governador do Estado. Esses órgãos de investigação que foram citados são acessórios e sua atuação não afasta, em hipótese alguma, a responsabilidade do governo. É o governo que deve zelar pela sua integridade, como o de Caiado não zelou quando permitiu que envolvidos em um caso grave de corrupção fossem mantidos pela nova direção da Saneago, inclusive um que havia sido preso há pouco tempo pela Polícia Federal exatamente em função desses desvios notoriamente sob apuração.

 

Contra a roubalheira, como demonstrou a Operação Lava Jato, só há um tipo de atitude e esta é a de um rigor total na repressão aos malfeitos. E não é exatamente isso que Caiado sempre pregou e prometeu na campanha eleitoral? Como é que aqueles que votaram nele devem se sentir ao vê-lo dizer que não pode tirar da Saneago os suspeitos de sangrar a empresa? Ou ao constatar que nomeou um réu em quatro processos por improbidade para dirigir a Agehab? Ou pedir que a Assembleia Legislativa aprove para o Conselho Estadual de Educação um condenado a mais de sete anos de prisão por corrupção? Ou atulhar o seu governo de familiares, valendo-se de brechas na lei do nepotismo?

 

Caiado fez tudo isso, além de outros escorregões, que começam a se mostrar mais sérios com o caso da Saneago. O máximo que se pode dizer a favor do governador é que ele está procurando um meio termo para salvaguardar a imagem da sua gestão, o que é menos que uma defesa aceitável. Em matéria “assepsia” do governo, não há como contemporizar. É tudo ou nada.