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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

16 abr

Maratona de prestação de contas pelos 100 dias de Caiado ainda não acabou, mas revelou um governo que ainda não adotou medidas de profundidade e está à procura de um rumo para Goiás e os goianos

Até a noite desta última segunda-feira, 15 de abril, o governador Ronaldo Caiado ainda estava prestando contas dos seus 100 dias de mandato, ao protagonizar uma live no Facebook sobre o assunto. Como sempre, Caiado falou muito sobre essa primeira centena do seu governo, assim como não economizou o palavrório nos eventos anteriores, como a entrevista coletiva, discursos em solenidades e falas à imprensa em que apresentou o que entende ser um balanço rico e proveitoso sobre os seus passos iniciais no Executivo – aliás, ele só foi econômico e sintético no artigo que publicou em O Popular, naturalmente limitado pela pouca disponibilidade de espaço que o jornal oferece aos seus articulistas.

 

Claro, um governante que fala de si próprio e da sua gestão sempre envereda pela auto-exaltação e trata de arrendondar os fatos conforme o reflexo do  sucesso que enxerga ao olhar no espelho. É natural. No caso de Caiado, ele mostrou uma vontade enorme de mostrar acertos, mas esbarrou na pouca relevância da maioria dos dados que exibiu. Tropeçou também ao citar, por conta dos 100 dias passados, objetivos que ainda serão perseguidos no futuro. Para quem, mais uma vez, esperou extrair do aranzel do governador uma visão de futuro para Goiás ou, dizendo de outra maneira, o rumo que pretende para o Estado, o que veio foi insuficiente e, pior, misturado com micromedidas que, vá lá, têm a sua importância, mas estão longe de possuir um significado quanto a um conceito de governo capaz de atender as demandas dos goianos.

 

Caiado continua o parlamentar verborrágico que sempre foi e ainda não vestiu o figurino de Executivo. Ele não se incomoda nem com a sua comparação com o presidente Jair Bolsonaro, que, aos trancos e barrancos, já abriu uma agenda tão ampla quanto auspiciosa para o Brasil: reforma da previdência, pacote anticrime, início da discussão sobre a reforma tributária, reaproximação com os Estados Unidos, modernização das relações trabalhistas e muito mais, isso nos mesmos 100 dias que Caiado desperdiçou com firulas e erros graves como o drible que aplicou no funcionalismo ao deixar de pagar os salários de dezembro – ideia infeliz que, hoje, parece ter sido adotada para atender a finalidades políticas, ou seja, caracterizar Goiás como um Estado em situação de calamidade financeira e necessitado de ajuda federal.

 

Governo mesmo, de propostas de profundidade e decisões que tenham repercussão na macroestrutura social e econômica, Caiado ainda não começou.

 

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