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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

16 nov

Lissauer Vieira eleva-se da sua origem como político interiorano para ascender ao papel de presidente que conduz a Assembleia como poder moderador para as decisões cruciais do Estado

É um fenômeno: o presidente da Assembleia Lissauer Vieira saiu de uma atuação apagada, na Legislatura passada, para a condição de maior influenciador do processo político estadual e das decisões que interessam ao conjunto da população, a partir do momento em que ascendeu, com o apoio hoje unânime dos seus pares, ao comando do Parlamento goiano.

Nunca houve, em Goiás, uma presidência legislativa como a de Lissauer Vieira. Em nenhum momento da sua trajetória, houve qualquer dependência de aval do Executivo, geralmente o Poder de maior peso político, para chegar onde chegou. Ele alcançou essa posição graças a um processo espontâneo de busca de maior autonomia para os deputados estaduais, compartilhado pela maioria esmagadora dos seus colegas, inclusive os que se pautam pela submissão absoluta ao Palácio das Esmeraldas. Ao primeiro mandato como chefe da Assembleia, seguiu-se a garantia antecipada para um segundo e o resultado é que Lissauer Vieira estará à testa do Poder até 31 de janeiro de 2013, um mês a mais que o governador Ronaldo Caiado, com o apoio unânime da Casa.

Em todo regime político, há necessidade de elementos de moderação capazes de aparar arestas e conduzir as escolhas finais que impactarão toda a sociedade. No microcosmos de Goiás, esse papel foi assumido pelo presidente da Assembleia, de uma maneira inédita até agora. Em décadas e décadas, coube ao chefe do Legislativo apenas a incumbência de encaminhar os interesses do eventual inquilino do prédio principal da Praça Cívica, nada mais. Foi assim tanto nos governos do PMDB (hoje MDB) quanto nos do PSDB. Mais de uma dezena de políticos se revezou na direção do Parlamento, sem novidades. Lissauer Vieira quebrou essa até então interminável sucessão de mais do mesmo.

É fato que, hoje, a Assembleia evoluiu para uma espécie de poder moderador entre a ação resolutiva do governador Ronaldo Caiado, de fato pressionado pela difícil herança administrativa e financeira que recebeu, e a adequação desse desafio aos proveitos da população e de todos os atores, mesmo corporativos, envolvidos. Interessante: Lissauer Vieira aparece como o ponto de equilíbrio entre as demandas de um e de outro, sem veiculações partidárias ou de facção política. É um avanço para o Legislativo e é um alento observar que praticamente todos os deputados convergem nessa direção. O que temos é uma Assembleia como nunca houve antes e é preciso que essa situação seja definida como marco do qual jamais recuará, em qualquer momento. Essa é a inovação que seu presidente representa, com toda a sua humildade e modéstia. Daqui para a frente, espera-se que nada menos.