Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 abr

Grande empresariado goiano pressiona Caiado para reabrir as atividades econômicas, vai na contramão do resto do setor no país e ameaça a vida deas goianas e goianos

A FIRJAN – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro está em campanha nas redes sociais pela manutenção do isolamento social, sem exceções para os setores não essenciais do comércio e da indústria. É o contrário do que faz aqui a FIEG – Federação das Indústrias do Estado de Goiás, que pressiona irresponsavelmente o governador Ronaldo Caiado pelo fim da quarentena e liberação geral das atividades econômicas, sob o argumento de que está sendo criado um risco para a sobrevivência dos negócios e dos empregos.

Existe esse risco, sim, é claro, e ele é bem real. Mas infinitamente menor do que a ameaça às vidas de milhares e milhares de goianas e goianos que estariam mais expostos ao coronavírus caso o cotidiano urbano seja retomado. Sobre isso, não resta a menor dúvida. Localidades onde aconteceu algo parecido viram a  incidência da nova doença saltar exponencialmente, com as vítimas fatais se multiplicando. Cadáveres chegam a ser colocados nas calçadas, por falta de serviços funerários, ou retirados através de empilhadeiras ou caminhões do Exércio para cremação em locais remotos.

É isso que a FIEG e o Fórum Empresarial estão postulando em Goiás, com a cobertura obsequiosa do jornal O Popular, aquele, mesmo se considerando o veículo de comunicação mais importante do Estado, não toma posição condizente com essa suposta grandeza e não diz aos seus leitores qual é a atitude correta a tomar – que seria obviamente o cumprimento rigoroso da quarentena, tal como estão fazendo todos os órgãos de comunicação brasileiros de expressão. Derrubado o isolamento social, como querem os líderes classistas, pode colocar a perder inclusive os sacrifícios que a paralisação impôs nos últimos 15 dias a todos. O que os grandes empresários goianos deveriam fazer é acompanhar o exemplo das suas entidades cogêneres de outros cantos do país, como a FIRJAN e a FIESP, esta de São Paulo, que são a favor das medidas de restrição ao contato e aglomeração das pessoas e se movimentam para colocar recursos para apoiar a rede de saúde e a população carente. E o Popular, sair de cima do muro.