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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

22 dez

Viaduto da avenida Jamel Cecílio, inaugurado por Iris nesta terça, 22 de dezembro, estava previsto para ser entregue em setembro. Mesmo assim, faz parte de um sistema viário ainda não concluído

O viaduto da avenida Jamel Cecílio, inaugurado pelo prefeito Iris Rezende na manhã desta terça, 22 de dezembro, estava previsto para ser entregue em setembro. A nove dias do encerramento do mandato de Iris, a obra foi entregue sem que os seus complementos – uma trincheira para dar passagem para a Marginal Botafogo e uma rotatória em nível na Alameda Leopoldo de Bulhões. Sem esses adicionais, o tráfego de veículos continuará complicado na região.

Ninguém consegue entender, com clareza, porque grande parte das obras que o atual prefeito prometeu concluir ainda neste ano não o foram. Os canais de comunicação da prefeitura e o próprio Iris nunca deixaram as coisas em pratos limpos, de tal forma que, hoje, com objetividade, não se sabe o que ficará como legado inacabado para a próxima gestão. Porém, a certeza que se tem é que não será pouco.

Nesses últimos dias de gestão, Iris apressa a agenda de inaugurações, como todo e qualquer administrador público, plantando preventivamente a vacina de que deixará R$ 1 bilhão em caixa para que se terminem o que ele vai deixar em aberto. Mas quem vai assumir no próximo dia 1º de janeiro tem consciência de que não é bem assim. Tanto que novas obras foram cortadas do planejamento do prefeito eleito Maguito Vilela, obviamente porque todos os recursos disponíveis terão que ir para o fechamento da pesada herança de ações iniciadas, mas não finalizadas. Dentre elas, uma das mais onerosas será dar sequência para o recapeamento de cerca de 700 quilômetros de ruas e avenidas, cujo ponto exato de efetivação, na transferência de um governo para outro, não é possível determinar a quantas anda.

Maguito, dentre a miríade de realizações futuras que incluiu no seu plano de governo, acrescentou mais mil quilômetros ao projeto de reasfaltamento. É o tipo da coisa em que não se pode acreditar, ainda mais somada a um hospital municipal, “cidade inteligente”, dezenas de CMEIs e um mundaréu de obras que custariam uma fortuna, inexistente no caixa municipal agora e nos próximos anos. A nova gestão terá poucos recursos disponíveis aplicar, já que será forçada a executar o gravoso testamento que Iris está deixando para a cidade, com algumas dezenas de intervenções infraestruturais incompletas, apesar das promessas. Mas está comprometida politicamente com Iris e não dirá jamais um ai de reclamação.