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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 jan

Prefeito que ainda aposta em obras para se reeleger pode tirar o cavalo da chuva

Pelo menos dois prefeitos da região metropolitana – Rogério Cruz, em Goiânia, e Vilmar Mariano, em Aparecida – montaram uma estratégia de reeleição tendo como conteúdo um suposto efeito positivo e revolucionário de obras futuras para acelerar as suas recandidaturas. É o que restou a eles, ambos em desvantagem significativa nas pesquisas tanto de avaliação da gestão quanto de intenção de votos. Cruz, nas duas, mal chega aos 15%. Vilmarzim se apresenta um pouco melhor, na faixa de 20%, enfrentando um cotejo desfavorável diante de um Prof. Alcides despontando entre 35 e 40%.

As perspectivas são de derrota, para os dois – Rogério Cruz e Vilmar Mariano. Igualmente vices travestidos de titulares em circunstâncias excepcionais, nenhum conseguiu imprimir algum tipo de marca para as suas administrações. Ou, se o fizeram, o que avulta é uma mancha negativa. Apenas mostraram se situar abaixo das necessidades das suas respectivas grandes cidades, as maiores e mais habitadas de Goiás, assim governadas por prefeitos talvez até sem potencial para tocar municípios de porte muito menor.

No momento, Rogério e Mariano estão paralisados pela estação das chuvas. Como se sabe, dá para fazer pouco. Movimentar máquinas, quase impossível. O mato e as erosões tomam conta. Aparecida, historicamente deficiente em matéria de infraestrutura urbana, sofre mais. Quando se vai de Goiânia para lá, a diferença para pior na paisagem das ruas, avenidas, praças, canteiros centrais e calçadas compõe um retrato chocante. Há mais de 40 pontos em que as águas turbulentas abriram crateras e fendas. Em muitos, levando o asfalto de baixa qualidade implantado no passado, mas atualizado para a responsabilidade de quem está na prefeitura.

As eleições estão se avizinhando rapidamente. Janeiro já chega a um terço. Menos de 8 meses nos separam da data das urnas. Como é que, em sã consciência, um candidato no poder municipal pode aspirar uma reação assim que as chuvas cessarem, lá para maio, com a campanha se iniciando em menos de 60 dias? Beira a insanidade. E como o dinheiro agora em falta irá se materializar? Nesse particular, Vilmarzim espera um milagre vindo de Xangai, na China, o tal empréstimo de R$ 120 milhões de dólares teoricamente autorizado pela presidente do Banco do BRICS Dilma Rousseff. Não é um sonho, antes, uma quimera. Se sair um dia, vai cair no colo do próximo prefeito, seja milagrosamente o próprio Vilmarzim, seja o cada vez mais provável Prof. Alcides. A operação nem sequer foi ainda autorizada pela Secretaria do Tesouro Nacional, depende da chancela do Senado e depois de uma odisseia burocrática. Um contrato de R$ 1 bilhão da instituição com o governo Lula, sancionado pela Câmara Alta em maio, só foi liberado em dezembro, deixando claro o tamanho da inviabilidade no curto prazo do dinheiro ambicionado por Aparecida.

Iris Rezende ensinava: o ideal para a afirmação de um mandato executivo seria gastar os 2 primeiros anos arrumando a casa e começando as obras que levariam a uma agenda consistente de entregas no 3º ano, para em seguida correr para o abraço e colher a consagração no 4º e último ano. Sábia receita, desconhecida pelo Rogério e ignorada pelo Vilmarzim (mesmo esse último contando com praticamente 3 anos, poderia tê-la adaptado). Dormiram no ponto. A reeleição, para eles, pode até ser alcançada, porém mediante outros arranjos, não com as inexistentes obras e nem com a baixa qualidade do trabalho oferecido para a população.

 

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