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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

18 jan

Pior que Lula não vir a Goiás é marcar visitas e depois cancelar

Está na imprensa nacional o balanço do 1º ano do governo Lula, no qual o presidente deixou de marcar presença em 8 Estados, Goiás entre eles. Normal, se o atual presidente não estivesse há quase 15 anos sem aparecer na terra do pequi e se não se suspeitasse da existência de um forte ressentimento com as goianas e pelos goianos que eternamente o premiam com sucessivas derrotas eleitorais, com exceção de uma única eleição, a de 2002. Parece não haver dúvidas: o petista não se sente bem em um colégio eleitoral onde, mais uma vez, ele perdeu nas urnas do ano passado, dessa vez, aliás, por uma diferença expressiva face a Jair Bolsonaro.

Pelo sim, pelo não, pior do que simplesmente não dar as caras em Goiás é Lula marcar visitas, como fez por duas vezes em 2023, e cancelar na última hora. É muita falta de consideração, diriam os antigos. O presidente agendou uma viagem a Rio Verde em junho, para mais uma vez inaugurar um trecho da Ferrovia Norte-Sul, porém desistiu na última hora, alegando um suposto mau tempo para o pouso do seu avião no Sudoeste goiano – quando o sol brilhava e até o governador Ronaldo Caiado estava a caminho do aeroporto para a recepção. Logo a seguir, em julho, combinou em meio a um grande estardalhaço com o senador Jorge Kajuru uma participação em uma reunião “reconciliatória” com 100 empresários em Goiânia. Claro, não veio. Mandou o vice Geraldo Alckmin no seu lugar, esvaziando um evento que, de resto, não deu em absolutamente nada além da discurseira

 

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Houve também tratativas para que Lula viesse em setembro, quando daria uma olhada no paralisado canteiro de obras do aeroporto de cargas de Anápolis – uma iniciativa do ex-governador Marconi Perillo sem andamento há 20 anos. Poderia conferir o Anel Viário de Goiânia-Aparecida ou a duplicação Rio Verde-Itumbiara, essas, sim, obras federais. Nada disso saiu do lugar. E novamente o presidente deu de ombros. Até dentro do PT se pergunta sobre as razões dessa indisposição com Goiás. Enquanto isso, petistas candidatos como Adriana Accorsi em Goiânia e Antônio Gomide em Anápolis recorrem a fotos de antanho, ao lado de um Lula bem mais moço, para sugerir alguma proximidade ou intimidade benéfica caso vençam as suas respectivas eleições municipais.

Se alimentava alguma ojeriza pelo Estado como consequência dos péssimos resultados das urnas aqui obtidos, o presidente provavelmente piorou essa avaliação. Goiás é assumidamente um dos redutos bolsonaristas mais consistentes do Brasil. Mais até, uma espécie de quintal ou parque de diversões do Jair, acostumado a circular com frequência tanto na capital como no interior, quase sempre ovacionado em clima de apoteose por multidões fidelíssimas, mesmo depois de não se reeleger e de ser cassado pela Justiça Eleitoral. Nem pensar ou sonhar com Lula exibindo o mesmo desempenho. Como se sabe, o petista gosta de plateias amestradas, diante das quais não corre o risco de constrangimentos ou de se expor a agressões.