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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 fev

Disputa pela presidência do União Brasil é decisiva para Caiado

O resultado da disputa entre o deputado federal Luciano Bivar e o advogado Antônio Rueda(os dois na foto abaixo, Rueda à esquerda e Bivar à direita) pela presidência nacional do União Brasil, em eleição fechada nesta quinta, 29, será crucial para o futuro da candidatura do governador Ronaldo Caiado a presidente da República. Inicialmente houve um acordo para Rueda, atual vice, assumir no lugar de Bivar, ora presidente, mas o acerto acabou rompido por iniciativa de Bivar – que resolveu postular a sua permanência no cargo.

É consenso: o União Brasil, nas mãos de Bivar, hoje ligado ao presidente Lula (por um ajuste entre ambos, o partido ganhou três Ministérios: Turismo, Comunicações e Desenvolvimento Regional), jamais daria legenda para Caiado se apresentar às urnas em 2026. O jogo do UB seria apoiar a reeleição de Lula ou mesmo lançar um candidato sem peso, como ocorreu em 2022, com a senadora Soria Thronicke, não atrapalhando assim o esforço do petista por mais um mandato. Caiado, se quiser ser o nome da sigla originária da fusão entre o PFL e o PSL, terá que contar com Rueda no seu comando, secundado pelo baiano ACM Neto, incluído na chapa como vice.

Ganhando Rueda, como parece mais provável, porém sem uma certeza absoluta até a contagem dos votos dos membros do diretório nacional, o caminho fica limpo para Caiado. Perdendo, as coisas se complicam e muito. A principal consequência poderia ser, de imediato, a possibilidade de desfiliação do governador goiano para buscar um novo prefixo para sustentar a ambição presidencial. Não um movimento imediato. Há tempo para resolver. As especulações a respeito, no entanto, despontariam em um ritmo incontrolável, capaz até de afetar o encaminhamento da sucessão do próprio Caiado em Goiás. Isso ocorreria, por exemplo, com a hipotética abertura de portas do PL e algum tipo de sinalização ou compromisso para sustentar a sua presença na corrida pelo Palácio do Planalto, na qual tem-se como inescapável um lugar para Lula, mesmo na época com mais de 81 anos. Como se sabe, prevê-se a reedição do confronto polarizado entre a esquerda e a direita, a última ainda sem o seu representante oficializado. É essa vaga que começa de alguma forma a ser definida com a eleição desta semana no União Brasil.

 

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