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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

20 jun

Candidato precisa de sorte e Mabel mostra que tem

Para vencer uma eleição majoritária, qualquer candidato precisa de recursos, capacidade de trabalho, campanha organizada e um conjunto de qualidades pessoais e políticas. Há um item, no entanto, nem sempre lembrado: a sorte. O acaso – ou a fortuna – agrega pontos valiosos. E é exatamente o que o representante da base governista em Goiânia Sandro Mabel (UNIÃO BRASIL) está exibindo. Mabel parece ser um sortudo nato. Já entrou na corrida atendendo a um chamamento do governador Ronaldo Caiado, hoje o cabo eleitoral número um na capital, a bordo de espetaculares 86% de aprovação popular, privilégio inegável.

Na sequência, vem a desistência de Gustavo Gayer (PL). O Sandro é o principal beneficiado. Um aluvião de votos, equivalente aos 20% conquistados por Gayer nas pesquisas, tornou-se subitamente disponível. Dentro do PL, não há um herdeiro viável. O tal de Fred Rodrigues não é nem de longe uma alternativa de peso para um páreo tão importante quanto a briga pelo Paço Municipal. De resto, pode nem ter condições de elegibilidade, depois de ter o mandato de deputado estadual cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral em razão de irregularidades na sua prestação de contas. Sim, é positivo para ele a lembrança de ter sido eleito para a Assembleia com mais de 42 mil votos, em 2022. Mas… e daí? Qual a serventia desse capital político se ele for declarado inapto pela Justiça Eleitoral?

 

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O PL pode até aceitar uma composição com o União Brasil e fechar com Sandro Mabel mediante a indicação do vice. Difícil, mas não impossível. Já é um avanço para Mabel. Não dando certo e de fato parece que não dará, salta inelutável: a fartura de votos de Gayer foi liberada para a concorrência. Para Vanderlan Cardoso (PSD), desafeto de Gayer, jamais irão. Vanderlan o processa por difamação no Supremo Tribunal Federal e é permanentemente bombardeado pelos bolsonaristas como “traidor”, depois de aderir à base do presidente Lula no Senado. Para a petista Adriana Accorsi, esse turbilhão de sufrágios também não seguirá, nem é necessário explicar. Sobra Mabel, ao ser visto como um candidato com chances de vitória e de representação da direita extremada encarnada pelo desistente Gayer. E mesmo da direita moderada, em que já navega.

As coisas correm em céu de brigadeiro para o candidato de Caiado. À imagem de bom gesto, bem-sucedido na área empresarial, reforçada pelo aval de Caiado, acrescenta-se agora o trunfo de encarnar o conservadorismo amplamente disseminado entre as goianas e goianos, ocupando o espaço deixado pelo Gayer. Isso caiu no colo de Mabel. E é um fator decisivo para o sucesso nas urnas de outubro, não se descartando nem mesmo uma aclamação em 1º turno – diante das dificuldades cada vez maiores que se antepõe para Adriana Accorsi como procuradora de um petismo em baixa nacional e localmente muito malvisto, a se julgar pelos resultados das eleições recentes. Logo, logo, virão as pesquisas para atestar que Caiado agiu com inteligência estratégica ao definir o seu nome em Goiânia.