Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

21 maio

Leilão da sede da Editora Abril, em São Paulo, antecipa o final de O Popular, jornal desfibrado cujo desaparecimento será um avanço para Goiás

Olá, leitoras e leitores, voltamos à ativa. O leilão do prédio da Editora Abril, em São Paulo, é mais um sinal a sugerir o fim, iminente, da imprensa em papel, que tem em Goiás o jornal O Popular como sua expressão maior. Observem que, desde há muito tempo, o matutino dos Câmaras vem reduzindo sua presença, sintomaticamente diminuiu de tamanho e hoje pode ser visto com os seus exemplares amontoado, à noite, nas padarias onde é entregue pela manhã e não vende um único exemplar. Não é exagero. É questão de tempo o encerramento da versão em papel, não se justificando a enorme despesa gerada para produzir algo que ninguém quer ler, a exemplo do que ocorre pelo mundo afora.

Particularmente, desde há muito tempo que considero O Popular nocivo para os interesses gerais de Goiás, em especial pela falta de posicionamento ou opinião. Não há praticamente, entre os veículos dessa importância, no país, uma omissão tão grande quanto a ideologia ou alinhamento político. Por exemplo:  para o POP, como o chama o Jornal Opção, hoje concorrente direto caso comparados os sites, tanto faz o presidente da República ser Bolsonaro, Lula, FHC ou qualquer um. Seus editoriais são um primor de falta de senso e de posicionamento, alinhando generalidades que beiram o ridículo.

O fim de O Popular, embora sobrevivendo online, mas como um dentre tantos, vai desobnubilar e tornar mais democrática e inteligente a imprensa em Goiás em sua manifestação final e definitiva, que é o meio digital. Os Câmaras não têm o menor preparo e consciência para uma atualização com a modernidade, como exigida, ainda mais depois do fracasso da gestão de Cristiano Câmara, que deveria ter representado a renovação da família, mas acabou cedendo e devolvendo o comando da empresa ao seu pai – o quadrado e superado Júnior Câmara, cuja identificação com o jornalismo sempre foi zero, do alto da arrogância da supostamente maior empresa de comunicação de Goiás.

Em uma perspectiva de futuro, jornalismo e imprensa dependerão cada vez mais de opinião. O Popular não tem e não terá espaço nesse novo mundo.

20 abr

Caos, bagunça e ineficiência: prefeitura de Goiânia é incapaz de tocar o processo de vacinação anti-Covid-19 sem atazanar e exasperar os idosos e promover aglomerações nocivas

É um vexame. A prefeitura de Goiânia está nesta terça, 20, aclamada em todas as manchetes como incapaz de tocar o processo de vacinação anti-Covid-19 sem promover aglomerações perniciosas, irritar a população idosa supostamente beneficiária e mostrar a maior lentidão possível no acolhimento dos candidatos tanto à 1ª quanto a 2ª dose, em que pese a simpatia e a humildade das enfermeiras nas costas das quais foi jogada a responsabilidade de aplicar a imunização na linha de frente, sem a mínima condição prévia de organização administrativa para atuar com celeridade e eficiência.

Elas não têm culpa nenhuma. A vacina no braço, no final das contas, até que é rápida. O problema é o pré-cadastro, que gasta prolongados dois minutos em que o candidato à Coronavac ou à Oxford-Astrazenca fornece dados minuciosos, enquanto a atendente (são mulheres, em sua maioria) preenche fichas de papel que nunca mais vão servir para nada. Isso significa que, em cada posto de vacinação, por recepcionista, no máximo 30 pessoas serão despachadas por hora. As filas, desse jeito, não andam. E o povo se exaspera.

Por que, leitoras e leitores, a prefeitura ignora os avanços da tecnologia da informação e prefere registrar, em caneta e papel, o movimento de aplicação da vacina? Não tem sentido. E por que também não planeja a disponibilização de postos de imunização e e prevê a procura, quando há dados demográficos precisos para calcular o número quase exato de candidatos à injeção rendetora conforme as faixas etárias das goianienses e dos goianienses? O que impede que as vacinas sejam distribuídas com rapidez apenas mediante a apresentação de comprovação de idade e a declaração de cada um sobre se tratar da 1ª ou da 2ª? Por que provocar aglomerações e longas e absurdas filas, em um mundo automatizado onde tudo, absolutamente tudo, pode ser feito com agilidade nunca vista em outro estágio de desenvolvimento civilizatório e sobretudo respeito humano?

O prefeito Rogério Cruz, se tivesse  um mínimo de autocrítica, deveria pedir desculpas pela lambança na vacinação contra a Covid-19.

19 abr

Ações para a cassação do mandato de Rogério Cruz caminham com celeridade, têm consideráveis chances de sucesso e podem levar a novas eleições em Goiânia ainda neste ano

As duas ações que em última análise podem desencadear a cassação do mandato do prefeito Rogério Cruz ainda não estão sendo avaliadas com a devida seriedade em relação as possibilidades que trazem tanto para um desfecho rápido, que seria um novo pleito em Goiânia, quanto aos reflexos políticos para o mentor e operador do audacioso estelionato que desvirtuou o processo de escolha do gestor de uma capital com mais de 1,5 milhão de habitantes e colocou o poder municipal nas mãos de alguém que não foi votado para essa finalidade.

Por mentor e operador, leia-se o nome do presidente estadual do MDB Daniel Vilela, que enxergou, quando Maguito Vilela estava em 2º lugar nas pesquisas, bem atrás do adversário Vanderlan Cardoso, do PSD, a oportunidade de ouro para uma virada com base na capitalização da compaixão das goianienses e dos goianienses diante do padecimento do seu pai. E o fez, implacavelmente, ao mesmo tempo em que desencadeava, orientado pelo marqueteiro Jorcelino Braga, uma campanha de ofensas e insultos contra o senador do PSD – nunca é demais repetir que Vanderlan teve a dignidade de não responder no mesmo nível, deixando de explorar, por piedade face ao sofrimento do candidato do emedebista, um dos mais monumentais telhados de vidro da política estadual.

Daniel Vilela, seu marqueteiro e a campanha do MDB não respeitaram o sofrimento de Maguito, transformando a infecção pela Covid-19 em trunfo eleitoral. Com a conveniente ajuda de um médico próximo da família Vilela e de outros que foram usados como inocentes úteis, a exemplo do renomado dr. Francisco Azeredo (aquele que gravou um áudio, às vésperas do 2º turno, arriscando a sua credibilidade na afirmação de que o paciente estava bem e portanto sugerindo que ele poderia ser votado porque contava com “expectativas promissoras” de recuperação), montou-se uma farsa nunca vista antes em termos de Brasil e quiçá do mundo todo para que uma eleição fosse vencida por um postulante totalmente fora do mínimo das suas condições físicas e mentais e que mais de 40 dias depois foi a óbito sem saber do resultado das urnas.

O que Daniel, Braga e o MDB fizeram foi lançar Goiânia em um abismo cuja profundidade, até hoje, ainda não está determinada. Tem muito ainda para cair. Ironia do destino, o feitiço se virou contra o feiticeiro, com os azares do destino punindo os responsáveis pela fraude com o expurgo dos emedebistas empoleirados na vasta estrutura de cargos do Paço Municipal. A “justiça divina”, encarnada na ira do pastor evangélico Rogério Cruz, expulsando a todos para o olho da rua. O problema é que agora a maracutaia ameaça se virar contra o prefeito que terminou como o maior beneficiário da ilusão enfiada goela abaixo das eleitoras e dos eleitores de Goiânia.

As duas ações que questionam o embuste eleitoral que deu a Maguito a vitória e a Rogério Cruz o direito de mandar no Paço Municipal são coisa séria. Muito séria. Este blog tem como fontes advogados eleitoralistas de peso e todos convergem para a opinião de que 1) esses processos poderão ter uma solução em instância final, o Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, antes do final do ano e 2) no mínimo, as chances de sentença favorável, ou não, são iguais, na base de 50% para cada tese, a de nulidade do mandato do atual prefeito ou a confirmação. Isso, do ponto de vista judicial, indica que Rogério Cruz deveria se apressar em pôr as barbas de molho.

Em seu blog Notícia Pura, o jornalista Divino Olávio, que também é advogado, acrescenta algumas informações que vale a pena repassar. Lembra ele que “são dois processos tramitando na Justiça Eleitoral: o primeiro referente a uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) e o segundo um Recurso Contra Expedição de Diploma (RCED). Ambos tramitavam em segredo de Justiça, mas em fevereiro, o juiz eleitoral Vicente Lopes da Rocha suspendeu o sigilo do processo referente ao questionamento da diplomação”. O mais grave vem a seguir: ele ouviu um advogado especialista na área, Ênio Salviano, que apontou as inconsistências da eleição, diplomação e posse de Maguito. Escreve Divino Olávio: “Segundo o advogado, a alegação de que desde a eleição do 1º turno o candidato emedebista já havia perdido a consciência, não tendo mais nenhuma noção sobre a sua própria pessoa, tem grande chance de ser acatada. Alguém que perde a governabilidade sobre si perde também a faculdades civis e não pode mais postular cargo público. É como uma pessoa que sofreu um derrame e que precisa arrumar um curador para os atos da sua vida, explicou o advogado Ênio Salviano”.

A pá de cal, conforme ainda Divino Olávio, “é o acostamento aos processos de uma nota técnica assinada por cinco especialistas, segundo a qual uma pessoa que se encontra intubada com traqueostomia, diálise e aquela ECMO a que Maguito foi submetido entra em coma induzido e não tem consciência de nada que está acontecendo. Assim, confirmando-se documentalmente as condições do candidato naquele momento, entre o 1º e o 2º turnos, a diplomação e a posse, mediante inclusive os prontuários do Hospital Albert Einstein, é possível à Justiça decretar a anulação do registro da chapa completa que concorreu à eleição, com o imediato afastamento do atual prefeito, Rogério Cruz, assumindo o presidente da Câmara Municipal pelo prazo de três meses, findo o qual deverá ser realizada nova votação”.

14 abr

Ano eleitoral na OAB-GO começa com 3 pré-candidatos na situação e 3 na oposição, divisão que favorece o nome lançado por Lúcio Flávio – o presidente da ESA Rafael Lara

Com eleição do seu novo comando prevista para 30 de novembro, a disputa pela OAB-GO já começou e promete ser acirrada, como sempre. Seis pré-candidatos estão posicionados, dos quais três pela situação e três pela oposição. O interesse não vem do nada ou só do prestígio institucional da Ordem, que, sim, é o principal órgão de representação da sociedade civil no Estado, reflexo do seu brilho nacional, mas também pela constatação de que conta com um orçamento anual maior que o de 180 municípios goianos.

O atual presidente é Lúcio Flávio de Paiva, que venceu duas eleições e é o maior cabo eleitoral da advocacia goiana. Ele lançou Rafael Lara, diretor da Escola Superior de Advocacia como candidato à sua sucessão. Lara tem luz própria: seu capital eleitoral são os advogados jovens, clientes dos cursos da ESA, que representam a maioria dos inscritos na OAB estadual. Estima-se hoje que entre 60 a 70% dos profissionais do Direito que atuam em Goiás estejam na faixa etária até 35 anos de idade. A maioria passou pela ESA nos últimos anos, período de gestão de Rafael Lara.

Outro pré-candidato da situação é o presidente da Casag Rodolfo Otávio Mota, que tem um currículo complicado. Há muitas áreas de atritos criadas pelo seu estilo franco e agressivo. Ele já se envolveu em brigas com membros da diretoria da caixa de assistência, que chegaram até a contratar seguranças para se proteger. E é acusado de gastar parte dos recursos da instituição com marketing, contrariando as suas finalidades.

O terceiro nome da situação é a conselheira federal e procuradora do Estado Valentina Jungmann, que resolveu se candidatar alegando representar a advocacia feminina, hoje mais da metade dos quadros da Ordem. Valentina é considerada como um nome neutro, por não se envolver nos debates quentes que, vez por outra, abalam a classe em Goiás. Sua aposta é única: a valorização da mulher, movimento que cresce não só quanto a OAB, mas em toda a sociedade.

Pela oposição, são cogitados Pedro Paulo Medeiros, que disputou a eleição passada e perdeu para Lúcio Flávio, depois de uma campanha que pegou fogo na reta final. PP, como é chamado, tem o maior recall de conhecimento dentro da advocacia, inferior apenas ao de Lúcio Flávio, e aparece sempre nas primeiras colocações em todas as pesquisas. Em seguida, vem o advogado eleitoralista Júlio Meirelles, bom de palanque, que participou das últimas administrações da extinta OAB Forte, grupo classista que é rejeitado pela categoria depois de envolvido em episódios que levaram à quase inviabilidade financeira da OAB-GO. A OAB Forte, segundo Meirelles, é a origem política que iguala todas as lideranças em atividade da advocacia estadual, inclusive o próprio presidente da OAB-GO.

Sem muita força, a oposição tem ainda o advogado novato André Abrão, que anunciou ter o apoio de Pedro Paulo, mas foi surpreendido pela disposição de PP em participar novamente do pleito, caso seja reconhecido como catalisador das forças classistas contrárias ao atual comando da Ordem, conforme ele disse à coluna Giro, em O Popular, espaço transformado em mural de notícias da disputa entre os advogados. Em resumo, a campanha já começou e por enquanto se desenvolve dentro de cada grupo, na busca de definição pelas candidaturas. A votação será daqui a quase oito meses, mas é preciso ganhar tempo e é por isso que os postulantes já estão correndo na raia.

10 abr

Patrimônio de Maguito, que alegava viver de aposentadoria do INSS e da advocacia, de repente passa a incluir 620 vacas holandesas, que valem milhões e serão leiloadas para repartir o dinheiro

Vai ser o maior leilão de bovinos da história de Jataí, pelos valores envolvidos. No dia 24 de abril, a partir das 13 horas, lá mesmo, mas em transmissão online e recebimento de lances de todo o país, serão ofertadas 620 cabeças de gado holandês ou exatamente 320 vacas paridas e amojando, 160 novilhas prenhas e 140 bezerras até 13 meses, todas devidamente registradas e portando ainda mais valiosas. Trata-se da liquidação do espólio do prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela, que está sendo promovida pelo filho Daniel Vilela com o objetivo, evidente, de dividir o dinheiro arrecadado entre os herdeiros e tentar facilitar um inventário que, até agora, tem pinta de ser difícil e complicado quanto ao ajuste dos interesses de todos os beneficiários –  a ex-esposa Sandra Carvalho, a última, Flávia Teles, com quem não chegou a se casar, e os quatro filhos, dois do casamento com Sandra (entre eles, Daniel) e dois da união estável com Carmem Estevão.

A divulgação do leilão, a cargo de uma das maiores firmas especializadas do país, a Embral, informa que se trata apenas de uma 1ª etapa, o que sugere que há mais gado e inclusive mais equipamento, entre máquinas, ordenhadeiras e demais instrumentos específicos para a atividade leiteira. Até aí, tudo bem. O problema é que ninguém sabia que Maguito era um dos maiores produtores de leite do Estado, com um plantel que vale uma pequena fortuna. Ele nunca falou sobre isso. Nem mesmo comunicou ao Tribunal Regional Eleitoral ou à Receita Federal, nas declarações obrigatórias em que mencionava suas fazendas, mas jamais essa quantidade espetacular de vacas, novilhas, bezerras de alto nível genético e muito mais. Oficialmente, ele não tinha uma vaca curraleira.

Em 2018, quando chegou a registrar sua candidatura a suplente de senador de Vanderlan Cardoso, porém retirou em favor do ex-deputado Pedro Chaves, Maguito não informou sobre esse rebanho milionário. Não declarou uma única cabeça. Em 2020, como postulante a prefeito de Goiânia, repetiu omissão. Aliás, comunicou à Justiça Eleitoral que o seu patrimônio, que em 2028 era superior a R$ 6 milhões de reais, havia se reduzido para pouco mais de R$ 2 milhões, sem fazer nenhum esclarecimento a respeito. Só as 620 cabeças desse leilão podem representar o triplo disso.

Maguito nunca falou sobre esse fantástico capital acumulado, de onde veio ou como foi construído. O lote de holandesas que será vendido no dia 24 representa entre R$ 4 e 6 milhões de reais, senão mais. Ele costumava andar com uma declaração do INSS no bolso e gostava mostrar que recebia apenas R$ 5 mil reais mensais para levar a vida, aos quais acrescentava alguma renda que viria do escritório de advocacia que supostamente abriu após deixar a prefeitura de Aparecida. Antes, ele nunca advogou. Nos vários ramos da Justiça em Goiás, cível, criminal, eleitoral, trabalhista ou seja o quê, não há até hoje registros de ações patrocinadas por ele.

Tudo isso é estranho. Muito estranho. Um grande produtor de leite de Jataí sobre o qual ninguém sabia nada? E que nunca contou sobre a sua máquina de fazer dinheiro, calcada em ativos rurais de elevada cotação monetária? Nada disso declarado, ao contrário das obrigações de transparência cabíveis a todo e qualquer político e ainda mais legalmente exigida pelas leis eleitorais para o registro de candidaturas, como foi o caso da suplência em 2018 e da prefeitura de Goiânia em 2020? Isso precisa ser explicado. Não é porque morreu que Maguito tem que ser santificado. Ele tinha uma carreira pública, à qual é inerente o dever de colocar todos os atos da sua esfera individual em pratos limpos, ainda mais em se tratando de negócios. Maguito era rico, estamos sabendo agora, mas escondia de todo mundo.

09 abr

Alô Daniel Vilela, Agenor Mariano, viúva Flávia Teles e emedebezada em geral: parem de atrapalhar com picuinhas, agourar fracasso e deixem Rogério Cruz trabalhar. Se não mostrar serviço…

Leitoras e leitores: quem colocou Rogério Cruz na prefeitura de Goiânia não fui eu nem vocês, foi o filho de Maguito Vilela, Daniel, e o MDB, comandando um dos maiores estelionatos eleitorais da história do Brasil, através da manipulação escandalosa de informações visando a capitalizar nas urnas o sentimento de compaixão da população por um candidato que não tinha condições físicas sequer para pedir votos postando vídeos nas redes sociais, quanto menos para participar da própria campanha.

Quem acompanha este blog sabe que aqui foi dito, dezenas de vezes, que escolher Maguito lançaria Goiânia em um abismo de profundidade desconhecida: ele, no 1º turno, já padecia sob os efeitos deletérios da Covid-19, prenunciando uma existência futura, caso sobrevivesse, incompatível com um cargo executivo de peso como o almejado naquele instante. Daniel Vilela e os emedebistas foram fundo na construção da fraude que foi corretamente denunciada pelo concorrente Vanderlan Cardoso, a quem eles retrucaram que processariam para buscar a reparação do que, na época, ardilosamente consideraram como ofensa e deturpação dos fatos. Não o fizeram até hoje.

Vanderlan estava coberto de razão. Como tudo que é construído sobre alicerces podres não se sustenta, a farsa da eleição de Maguito levou à entrega da prefeitura ao vice e, em menos de 80 dias, ao expurgo do MDB do Paço e à queda do castelo de cartas. Venhamos e convenhamos, os emedebistas se empoleiraram no poder municipal para se aproveitar das benesses do poder municipal – já pululavam nos primeiros dias da gestão candidaturas a mandatos eletivos em 2022 baseadas na máquina administrativa da capital, como, por exemplo, a do primo Leandro Vilela a deputado federal – e para fazer de Rogério Cruz uma marionete vigiada até a porta do banheiro, além de completamente desfibrado no que legalmente se tornou, pelo menos por enquanto, isto é, o prefeito de Goiânia.

Agora que a trapaça eleitoral que montaram se voltou contra eles, Daniel Vilela e seu grupo parecem querer dedicar cada minuto a jogar cascas de banana no caminho do pastor evangélico licenciado, ex-vereador por dois mandatos e ex-executivo da Rede Record que eles mesmos festivamente escolheram para compor a chapa com Maguito. Requisitaram até a viúva, claramente disposta a encarar uma carreira política, para a qual redigiram uma nota de ataques ao prefeito que é simplesmente vergonhosa tendo saído de onde saiu, ou seja, de quem deveria manter a compostura e o recato cabível como donatária da missão de preservar a memória do morto ilustre – cuja imagem póstuma está projetada muito acima de quem foi autenticamente em vida.

É o caso de dizer, amigas e amigos: deixem Rogério Cruz trabalhar. Deixem que mostre serviço. Quem o colocou lá foram Daniel Vilela e o MDB. Se o prefeito não conseguir, independentemente do que façam ou digam, a opinião negativa dos moradores da capital cairá sobre ele com a força dos raios flamejantes que os evangélicos acreditam ser um impiedoso Deus capaz de lançar contra os infiéis. Ao pedir a retirada do retrato de Maguito pendurado no gabinete principal do Paço Municipal, a viúva incorreu em mesquinharia da pior espécie, já que a lembrança do marido, que ela imagina defender, não pertence a ninguém senão à posteridade – só o tempo mostrará quem foi e se realmente deixou algum legado além do benéfico impacto emocional do seu óbito em circunstâncias especialmente dramáticas. E pensando bem: por que exibir o retrato de um político em repartições oficiais, que são obrigadas a atender a exigências de impessoalidade e de passar longe do tão nocivo culto da personalidade? Deixem Rogério Cruz trabalhar.

05 abr

Crise na prefeitura de Goiânia(7): argumentos do MDB para romper com Rogério Cruz mostram confusão mental, passam por contradições e vão até a invencionice pura e simples

Uma série de oradores e discursos quilométricos marcaram a cerimônia do adeus em que o MDB se despediu da cargaria que ocupava na prefeitura de Goiânia, onde controlava o orçamento, o preenchimento de cargos comissionados e a agenda do prefeito Rogério Cruz – dizia-se que era vigiado pelos seus “carcereiros” até quando ia ao banheiro. Um arranjo esdrúxulo como esse, imaturamente montado sob o impacto emocional da morte do prefeito eleito Maguito Vilela, jamais, em parte algum, em qualquer época, conseguiria se sustentar, por se basear na derrocada da autoridade do mandatário maior do sistema de poder municipal encastelado no alto do Park Lozandes.

Mesmo assim, acabou antes do tempo previsto, que até o presidente estadual do MDB Daniel Vilela chegou a admitir que seria de um ano. Como é que um chefe do Executivo governaria sem contar com nomes da sua confiança estrita na sua equipe de auxiliares? Ou sem implantar a sua própria concepção de gestão? A extensa carta-testamento do partido, ao ser jogada do barco de Rogério Cruz, alinha argumentos desconexos, mas pelo menos é sincera e honesta nesse ponto, ao reconhecer, textualmente, que “um governante tem o direito natural e legítimo de escolher auxiliares mais próximos, do ponto de vista político e pessoal”.

Foi o que aconteceu, junto com uma operação bem montada para recuperar a administração do orçamento de Goiânia e o controle sobre as centenas de cargos comissionais sobre os quais o MDB havia avançado, em prejuízo, por exemplo, dos vereadores, aqueles que têm na cabeça a certeza de que a governabilidade deve ser paga com a moeda da inclusão dos seus parentes apaniguados na folha de pagamento – a mesma que Daniel Vilela e os seus colegas de partido haviam reservado para o seu usufruto particular e à qual acrescentaram mais de 300 sinecuras bem remuneradas na “reforma administrativa” que passaram em dezembro, aliás muito impropriamente em nome do então paciente em estado terminal Maguito Vilela.

A carta-testamento dos ex-secretários emedebistas cita genericamente o famoso e inexistente “plano de governo” de Maguito, cujo descumprimento seria o crime capital de Rogério Cruz. Não é verdade. Primeiro, por que o tal “plano”, que segundo o texto emedebista seria “manter a cidade no caminho da modernização, com melhorias na mobilidade, na educação, na saúde, no desenvolvimento econômico e na garantia da continuidade das várias conquistas da gestão de Iris Rezende”, acrescentando que “tudo isso casado com uma plataforma de amparo social, marca indelével da trajetória de Maguito”, não é nada disso, apenas um amontoado de propostas eleitoreiras, inclusive a promessa de dar continuidade às obras de Iris Rezende – 89 novas entregues ao seu sucessor inconclusas e com um passivo financeiro impossível de ser coberto sequer a médio prazo. O novo prefeito até que tornou realidade, em tempo recorde, o IPTU Social e a Renda Família, programas fajutos de apoio às goianienses e aos goianienses em situação de vulnerabilidade, criados na época da campanha para angariar votos dos incautos. É, portanto, ao contrário do que o MDB afirma.

Fora a cesta básica, desmoralizada pelos governos de Marconi Perillo ao instituir o cartão magnético do Renda Cidadã, esse hoje também superado tal como foi concebido, ninguém é capaz de citar qualquer outra iniciativa das gestões passadas de Maguito que possa fundamentar que “uma plataforma de amparo social” seria “a marca indelével da trajetória de Maguito”. Isso é uma fantasia, uma tentativa de falsificar a história. Não é porque morreu que um político tem que ser transformado no que nunca foi e receber o galardão de uma grandeza que não teve.

As contradições e os equívocos do MDB na crise com Rogério Cruz dão fartura de panos para mangas. As críticas a novos secretários da prefeitura que vêm de fora são inaceitáveis (veja sobre auxiliares do governador Ronaldo Caiado que vieram de fora e deram muito certo aqui). Em um ato falho e mostrando confusão mental, Agenor Mariano, agora ex-secretário de Planejamento Urbano, lembrou que é neto de um imigrante que veio a pé para Goiás, diretamente do sertão baiano. Pelo critério de naturalidade que os emedebistas agora exigem como condição para atuar nas pastas municipais, o avô de Agenor não poderia nem sequer ocupar funções menores na prefeitura daquela época, se fosse o caso. Pior: depois de três meses suportando humilhações no Paço Municipal, o mesmo Agenor resolveu que “não vou me submeter a alguém que não foi eleito pelo povo”, convicção que ele deveria ter demonstrado quando tomou posse, no início de janeiro.

Paciência, leitora e leitor. Tem muito mais. Continuaremos. Mas vale lembrar a frase curta do deputado Bruno Peixoto, do MDB, mas que não segue a orientação do presidente Daniel Vilela, sobre a situação do prefeito Rogério Cruz: “O CPF e a credibilidade são dele”. Ninguém precisa dizer mais nada.

05 abr

Crise na prefeitura de Goiânia(6): missa de réquiem para o MDB teve discursos intermináveis, tentativa de constranger Rogério Cruz e citação “épica” da dupla sertaneja Tião Carreiro & Pardinho

Terminou o curto casamento entre o MDB e o prefeito de Goiânia Rogério Cruz. Sob direção do presidente estadual do partido Daniel Vilela, 14 secretários municipais assinaram pomposamente seus pedidos de demissão, enquanto oradores se sucediam em discursos intermináveis, quesito que chamou a atenção no caso do ex-titular da pasta do Planejamento Urbano Agenor Mariano e do próprio Daniel. A esses 14 que se exoneraram agora foram acrescentados, para reforçar o impacto, os 7 que já haviam sido afastados, totalizando 21.

Todos eles se esforçaram para tentar dar um ar de grandeza à decisão coletiva de abandonar o Paço Municipal, menos, na visão de todos eles, uma preocupação com cargos, e mais uma questão de responsabilidade quanto ao futuro da capital – já que a previsão que fizeram é a de um iminente desastre administrativo. A reunião foi inteiramente transmitida pelo Instagram, acompanhada pelos tradicionais comentários irados e negativos, nesse caso em sua maioria contra os emedebistas, acusados de fisiológicos.

Houve ainda uma enxurrada de revelações. Daniel Vilela, por exemplo, contou que tentou falar com Rogério Cruz durante 15 dias, mas não foi atendido, nem mesmo por telefone. Euler Morais deu uma informação picante: o Paço Municipal, silenciosamente, instalou uma auditoria para apurar os contratos de obras que foram assinados na gestão de Iris Rezende, em especial os que dizem respeito ao recapeamento asfáltico de ruas e avenidas de Goiânia. Agenor Mariano acusou as interferências da cúpula do Republicanos, em Brasília, sugerindo que interesses escusos estariam por trás das trocas de nomes no secretariado. O ponto alto foi quando Agenor fez uma citação “épica” de dois versos da música Boiadeiro de Palavra, quais sejam “Prefiro morrer de pé / Do que viver de joelhos”.

O argumento principal compartilhado pelos ex-secretários é o de que eles foram substituídos por pessoas que, não sendo de Goiás, nada conhecem de Goiânia e vão colocar o Paço Municipal em um voo às cegas. Esse mote é um tanto exagerado; o governador Ronaldo Caiado trouxe grande parte da sua equipe de fora, alguns inclusive que nunca haviam pisado no Estado ou sequer desfrutavam do seu relacionamento pessoal, porém teve reconhecido sucesso com a estratégia. Todos eles, criticados inicialmente, deram certo nas suas funções, valendo aqui citar expoentes como Rodnei Miranda, na Segurança; Cristiane Schmidt, na Economia; Andréa Vulcanis, no Meio-Ambiente; e Fátima Gavioli, na Educação.

Curiosidade: pelo menos um dos oradores, Euler Morais, contou que pesquisas durante a o período de proselitismo comprovaram que a presença de Rogério Cruz como vice na chapa de Maguito provocou uma sangria de votos. Ele não detalhou, embora se saiba que isso provavelmente aconteceua partir da denúncia do senador e concorrente Vanderlan Cardoso, apontando manipulação de informações e a ocultação de Cruz, que seria o verdadeiro prefeito em caso de vitória de um candidato que já naquela época, logo após o 1º turno, não dispunha de condições físicas para tocar a campanha, receber o diploma, tomar posse e ocupar um cargo espinhoso como o de gestor administrativo de Goiânia. Tardiamente, mas ainda em tempo, a realidade dos fatos da começa a ser restabelecida, com os próprios emedebistas externando inconscientemente a responsabilidade pelo estelionato eleitoral que elegeu Maguito, empoderou Rogério Cruz e terminou se voltando contra o partido.

05 abr

Isso ninguém nunca viu antes: Gustavo Mendanha aproveita infecção pela Covid-19 para se promover e inventa o marketing político hospitalar

O prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha foi infectado pela Covid-19 justamente no município onde, coincidência ou não, vigoram as medidas mais flexíveis para o enfrentamento à Covid-19 em Goiás e a marca das 1.000 mortes deve ser registrada ainda nesta semana.  Mendanha teve que ser internado no Hospital Santa Mônica, em Aparecida. Seu pai, o ex-deputado estadual Léo Mendanha, encontra-se em estado grave no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o mesmo onde morreu o prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela. De resto, dois filhos, a mulher, a mãe e cinco ou seis tios também se contaminaram, ampliando ainda mais a coincidência. Mas, para Mendanha, não há problemas: a vida continua mesmo com a sua transferência para o hospital e ele continua fazendo o que gosta, dia e noite, ou seja, marketing político.

Ninguém nunca viu antes alguém aproveitar uma temporada hospitalar para fazer média, nem mesmo um ou outro político, tipo de gente que costuma não ter meias medidas quando se trata de aparecer e tentar conquistar votos. Mendanha não se avexou. Ele começou quando o pai foi internado no mesmo hospital, publicando uma foto em que Léo aparece deprimido, aparentando sonolência, com um cateter de oxigênio no nariz. A foto circulou e levou o próprio prefeito a reclamar dos adversários que estariam “usando a imagem” do ex-deputado para atingi-lo de alguma maneira que ele não esclareceu. Só não disse que foi quem teve a iniciativa de publicar a foto.

Após pegar o coronavírus, Mendanha ficou em casa, tendo anunciado nos seus perfis sociais que nem mesmo faria postagens nos próximos dias, atendendo a recomendação médica para repouso absoluto. Horas, depois lá estava ele, pendurando áudios jurando que tudo estava indo bem e que ele seguia antenado com a gestão da prefeitura, em especial em relação às ações de enfrentamento à Covid-19. Vários vídeos se seguiram até que, piorando, acabou levado para um leito hospitalar, onde, pelo jeito, encontrou o cenário ideal para enviar sem parar mensagens sentimentais para os seus seguidores. E pôs as mãos à obra.

Alguém deve ter dito ao prefeito ou ele se convenceu por conta própria de que exibir o rosto em imagens sofridas, com camisola de hospital e o indispensável cateter de oxigênio(veja os prints acima) no nariz, mais frases dramáticas do tipo “estou vivendo dias difíceis” ou “estou refletindo muito, é um aprendizado”, rende pontos para as suas pretensões eleitorais. É a dimensão pessoal levada às últimas consequências para a praça pública. São várias postagens, já. Uma, até, expondo os filhos, que apareceram em uma chamada de vídeo acompanhados de frases melosas de Mendanha. Tudo gera dúvidas e questionamentos, mas, vamos lá, em última análise é cada que decide o que fazer com a sua vida privada, optando ou não pelo bom senso e pela moderação. Não, nada como o que acontece em Aparecida foi visto até hoje, em qualquer parte. Está inventado o marketing político hospitalar. Só falta saber o que os médicos acham da ideia de um paciente de risco (tem comorbidades) transformado em comunicador 24 horas por dia. E as enfermeiras. E os vizinhos de quarto. E todos, enfim, que estão assistindo a esse inacreditável espetáculo midiático.

03 abr

Crise na prefeitura de Goiânia(5): “plano de governo” de Maguito, que Cruz seria obrigado a executar, é ficção; para piorar, herança de Iris (89 obras inacabadas e caixa raspado) engessou a prefeitura

O MDB e seu presidente estadual Daniel Vilela cobram, desde já, a fidelidade do prefeito não eleito de Goiânia Rogério Cruz ao suposto “plano de governo” do prefeito eleito Maguito Vilela. Esse discurso, anotem aí leitoras e leitores, vai crescer nos próximos dias, na tentativa de se dar algum escopo moral para o rompimento da aliança com o Republicanos e com o Paço Municipal por absoluta falta de interesse de uma das partes – a que está entronizada e tem a caneta na mão no alto do Park Lozandes.

O que precisa ser dito: não existe “plano de governo” de Maguito. O candidato, antes de ser afastado pela negligência e imprudência diante da Covid-19, não só a dele, como também a dos familiares e a da coordenação de campanha emedebista, apresentou um amontoado desconexo de “ideias” baseadas no marketing e não em levar benefícios reais para a população da capital. Desde propostas repetitivas como “revitalizar o centro”, há mais de 30 anos apresentadas por todos os que postulam a prefeitura, até impossibilidades como a construção de 15 mil casas, que uma avaliação na coluna Giro, em O Popular, na época assinada pelo jornalista Marcos Nunes Carreiro, mostrou exigir R$ 2 bilhões de reais para o seu custeio – dinheiro que obviamente jamais apareceria.

Nunca foi da natureza de Maguito perder tempo discutindo planejamento ou analisando situações para extrair soluções ou algo que, no caso da eleição do ano passado, tivesse a aparência mínima de um “plano de governo”. Ele sempre foi superficial, sem paciência para tertúlias, acostumado a inventar na hora o que iria falar em entrevistas, reuniões ou debates, sem se apoiar em dados da realidade – que não se interessava em conhecer e tinha indisposição para ver e ouvir. Nesse sentido, Maguito era um político vazio. Essas características ficaram claras como a luz do dia no único debate de que participou na campanha, o da FECOMÉRCIO, quando seu tradicional semblante distraído foi mais uma vez exibido enquanto entoava generalidades tipo “melhorar a qualidade de vida” dos moradores da capital ou “investir em tecnologia para transformar Goiânia em cidade inteligente”. Tudo besteirol para pescar votos. Tanto que quem elencou as promessas para mostrar na televisão foi o marqueteiro Jorcelino Braga, expert em maquiavelismo publicitário, mas sem noção alguma dos desafios que o futuro de Goiânia coloca para quem tem a intenção de governá-la.

Rogério Cruz não deveria se preocupar com a cobrança do MDB e de Daniel Vilela para que se mantenha leal a algo que nunca existiu, ou seja, o tal “plano de governo” de Maguito. Já passou da conta o prefeito gastar tempo e recursos, embora poucos, com os programas IPTU Social e Renda Família, compromissos de campanha rascunhados sobre as coxas, sem nenhuma criatividade e menos ainda qualquer propósito social de profundidade – tanto que, levados à prática em tempo recorde pela prefeitura, não tiveram nenhuma adesão diante da formulação mesquinha, improvisada para afastar e não atrair os possíveis beneficiários. Nem um nem outro deram em nada até agora a não ser em monumental fiasco.

Para engessar a gestão de Cruz, já bastariam as 89 obras que o ex-prefeito Iris Rezende deixou inacabadas, sem recursos em caixa para sequer garantir um ou dois meses de andamento. Para se livrar desse passivo, o atual comando do Paço Municipal vai ser obrigado a consumir os anos de mandato que tem pela frente, isso se a administração dos Republicanos conseguir vencer as turbulências e chegar a um encerramento normal. Buscar uma marca, nessa área, será impensável. Nem Hércules, que fez os 12 trabalhos, daria conta. O cipoal de viadutos, duplicações, avenidas, asfaltamento, CMEIs e mais uma infinidade de construções que Iris deixou como legado para o seu sucessor é trágico, mais ainda quando se lembra a intensa propaganda sobre uma revolução na prefeitura, com as finanças saneadas e a cidade transformada em uma moderna metrópole graças aos investimentos na sua infraestrutura, tudo ilusão.

Com o MDB e Daniel Vilela empoleirados na prefeitura, insistindo na fantasia do “plano de governo” de Maguito e acrescendo-se a desordem das obras deixadas por Iris, Rogério Cruz e o Republicanos não passariam de marionetes de um morto, em nome dos quais alguns vivos falavam – e ponha-se vivos nisso -, e de um passado cuja tentativa de reedição, nos últimos quatro anos, deixou um caos para Goiânia em matéria de engenharia pública. Não havia alternativa e eles resolveram romper. Se vão dar certo no rumo que escolheram, isso são outros quinhentos.

03 abr

Crise na prefeitura de Goiânia(4): reação de Rogério Cruz e do Republicanos visou recuperar o controle do orçamento, abrir diálogo com a Câmara e direcionar a ocupação de cargos comissionados

O MDB está sendo expurgado do secretariado do prefeito não eleito de Goiânia Rogério Cruz por três motivos que podem ser facilmente entendidos: 1) a recuperação do controle do orçamento da capital. o segundo maior do Estado, que estava todo nas mãos dos indicados de Daniel Vilela; 2) a necessidade de abrir diálogo com a Câmara Municipal e garantir governabilidade para o Paço Municipal, ainda mais diante das frequentes citações sobre a possibilidade de impeachment cujo gatilho seria a ilegitimidade do prefeito; e 3) a retomada dos cargos comissionados, inclusive os mais de 300 que foram adicionados no fim do ano passado pela “reforma administrativa” urdida por Daniel Vilela e aprovada na Câmara pelo então vereador Andrey Azeredo, a toque de caixa.

Os itens 1 e 3 representam, na prática, um patrimônio político valioso, capaz de projetar para cima qualquer grupo ou partido político – e foi o que Daniel Vilela imaginou para o MDB ao tomar posse de tudo e não deixar nem migalhas para o prefeito e o Republicanos, menos ainda para vereadores e aliados menores. Não havia alternativa: ao assumir o mandato sob a carga emocional da morte do prefeito eleito Maguito Vilela, o vice acabou naturalmente intimidado a ceder 100% das decisões, atordoado com o fardo que de repente desabou sobre os seus ombros. O arranjo, no entanto, mostrou-se rapidamente insustentável. É possível concluir que Daniel e o MDB foram ingênuos ao acreditar que levariam para casa, sem dividir com ninguém, um butim sobre o qual na verdade não tinham domínio formal.

Sim, porque o prefeito é Cruz. E o seu partido o Republicanos, que não ganharam o pleito em Goiânia e, pior ainda, não contribuíram em nada para a vitória de Maguito, que teve a Covid-19 como maior cabo eleitoral e Daniel Vilela como o seu manejador número um. Juntamente com a coordenação de campanha do MDB, ele montou o estelionato político que colocou um vereador do baixo clero, crente do pé rachado e ex-executivo 100% comprometido com a Rede Record no trono do alto do Pak Lozandes. Cruz é o que restou de concreto do golpe matreiramente aplicado no eleitorado goianiense. De Brasília, logo veio a orientação e os meios (leia-se: a indicação do secretário de Governo Arthur Bernardes) para que se providenciasse uma reação e a prefeitura recolocada nos trilhos: o poder é do prefeito e não tem como entregue ou sequer compartilhado a terceiros, ainda que moralmente tenham eles algum direito já que foram os que venceram a eleição, coisa que não existe na política.

É o que aconteceu, embora mais cedo do que o esperado, porém de acordo com a velocidade dos acontecimentos no mundo da internet e da pandemia do novo coronavírus. O MDB e Daniel Vilela, coitados, foram engolidos pela imaturidade e por não perceber que o único instrumento de pressão, sobre Rogério Cruz, seria a Câmara Municipal, onde o partido tem seis vereadores, que no entanto não vão seguir outra orientação que não seja a do Paço Municipal, convenientemente azeitados, com o resto da Casa, com a farta distribuição das benesses que antes estavam aproveitadas pelos emedebistas – alimentando suas ambições para o futuro, com prejuízo para o prefeito e seu partido, o que é inconcebível. Isso não poderia dar certo, como não deu. O orçamento da prefeitura e os cargos não são do MDB e sim de Rogério Cruz e dos Republicanos.

02 abr

Crise na prefeitura de Goiânia(3): Arthur Bernardes ocupa todos os espaços, aproxima-se de Caiado e organiza o projeto de poder da Igreja Universal, agora baseado em Goiânia, mas com projeção nacional

O MDB foi tragado pela evolução dos acontecimentos na prefeitura de Goiânia. Isso depois da posse sob a carga emocional da morte do prefeito eleito Maguito Vilela, quando Rogério Cruz entregou 100% do Paço Municipal à ganância do filho Daniel Vilela, que não se preocupou em deixar sequer migalhas para o titular do poder municipal e o seu partido, o Republicanos. Pelo primarismo politicamente falando, esse arranjo não poderia durar muito tempo – como não durou.

Rogério Cruz, sabemos, é incapaz de voar alto. Não é águia, tem mais jeito para coruja. O que houve é que ou procurou orientação junto a direção nacional do Republicanos, onde abundam raposas, ou foi alvo de uma intervenção. Seja uma ou outra hipótese, a consequência é que o partido mandou para Goiânia um quadro altamente qualificado, Arthur Bernardes(foto), designado para a secretaria municipal de Governo no lugar do petulante Andrey Azeredo e em poucos dias capaz de ocupar um espaço significativo na articulação política do alto do Park Lozandes, inclusive com a retomada dos espaços orçamentários antes apropriados pelo MDB. Talvez, até, possa ser definido como o prefeito de fato de Goiânia, sem exagero.

Bernardes foi quem levou Rogério Cruz a aderir ao decreto 14×14 do governador Ronaldo Caiado para o isolamento social com vistas ao combate à Covid-19. Ele enxergou rápido a inconveniência de seguir o escalonamento intermitente por regiões inventado pelo prefeito emedebista de Aparecida Gustavo Mendanha, que entrou em processo intenso de desgastes com essa deliberação infeliz, ao contrariar a totalidade dos municípios goianos com as medidas flexíveis que adotou na sua cidade. Este blog não dispõe de informações concretas, mas deduz que, hoje, Arthur Bernardes tem diálogo direto com o governador Ronaldo Caiado, pelo alinhamento que a prefeitura tem mostrado em relação ao Palácio das Esmeraldas, para azar da emedebezada em geral.

Tudo isso tem a ver com o estelionato eleitoral que o MDB e Daniel Vilela impuseram a Goiânia em 2020. Por um lado, Rogério Cruz acabou se transformando no beneficiário final de uma fraude que corre o risco de levar a consequências judiciais sérias, dado ao acúmulo de fraudes – como, por exemplo, a posse de Maguito por assinatura digital, figura que não existe no ordenamento jurídico brasileiro. Por outro lado, ao se expressa em uma série de decisões adotadas em nome de um paciente que, na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, sequer sabia que havia vencido o 2º turno. Do jeito que estava é que não poderia continuar.

Somente crianças acreditariam em uma armação como a que foi avidamente orquestrada por Daniel Vilela no início da atual gestão de Goiânia, esfolando Rogério Cruz e mostrando que não aprendeu com o pai de longa e até certo ponto carreira política vitoriosa. Arthur Bernardes, ao vir para o jogo, foi o instrumento adequado para desmanchar a farsa emedebista e o gatilho para recolocar as coisas no seu devido lugar, isto é, Rogério Cruz é o prefeito, o Republicanos é o seu partido e é desse princípio que o concerto de forças da prefeitura da capital deve partir, se é que política tem alguma lógica.

01 abr

Crise na prefeitura de Goiânia(2): legado de Iris, com 89 obras inacabadas e caixa raspado para a sua conclusão, levou Rogério Cruz à decisão de afastar o MDB e viabilizar a gestão

O legado que o prefeito Rogério Cruz recebeu do seu antecessor Iris Rezende não é leve, ao contrário, consiste em um fardo pesado com potencial para inviabilizar a sua gestão: são 89 obras de tamanho expressivo, nenhuma com mais de 50% de execução e, da mesma forma, sem recursos assegurados para a sua conclusão. É por isso que a promessa da campanha do MDB e do então candidato Maguito Vilela, garantindo que todas seriam terminadas, não tem hoje a menor possibilidade de realização. Seria necessária uma montanha de dinheiro que simplesmente não existe.

Tudo o que Iris disse nos seus dois últimos anos de mandato não corresponde à verdade. Isso sem falar que ele prometeu concluir todas as obras que iniciou, meta da qual passou longe. E os supostos R$ 1,2 bilhão que apregoou ter deixado em caixa são uma fantasia. Rogério Cruz recebeu os cofres raspados e um passivo monumental em matéria de asfalto, viadutos, CMEIs, extensões de avenidas e o tal de BRT que não tem a menor possibilidade de ser concluído nos próximos anos. Se tivesse sido sucedido por um adversário político radical, Iris estaria hoje no foco de um tiroteio que provavelmente abalaria a imagem de bom gestor público que sempre tentou construir.

Sem trocadilho, se tivesse que carregar essa cruz sem abrir o bico para reclamar, como pretendiam o MDB e o seu presidente estadual Daniel Vilela, o prefeito de Goiânia estaria cometendo suicídio e assumindo uma dívida com a população da capital que não é da sua responsabilidade. Da mesma forma, se ficasse submetido ao hipotético “plano de governo” de Maguito Vilela, ao qual o emedebismo cobra fidelidade e que, passado a limpo, é uma ficção. Do que tinha de supostamente importante, o IPTU Social e o programa Renda Família, Rogério Cruz já concretizou, com repercussão mínima na vida das famílias vulneráveis da capital. IPTU Social e Renda Família são fiascos, sem o impacto que a decantada preocupação de Maguito com a vida das pessoas carentes esperava que tivesse – mesmo porque são projetos que foram concebidos mais para catar votos e do que de fato apoiar quem precisa de apoio.

Atrelado à extensa lista de obras não terminadas de Iris e aos projetos marqueteiros de Maguito, Rogério Cruz não teria futuro nenhum, ainda mais diante das suas limitações pessoais para o cargo de governante de uma metrópole de 1,5 milhão de habitantes. Ou se libertava da opressão do passado – Iris – e de um morto – Maguito – ou se furtaria de ter pelo menos uma chance de acertar. Com o braço forte dos seus pares da Igreja Universal, resolveu reagir, no que está certo. A questão agora é ver onde tudo isso vai dar.

01 abr

Crise na prefeitura de Goiânia(1): estelionato eleitoral que levou um candidato sem condições físicas à vitória e deu o poder a um vice desconhecido acabou se virando contra o MDB e Daniel Vilela

Os dias têm sido amargos para o MDB e para o presidente estadual do partido Daniel Vilela. Na eleição do ano passado, um e outro se desdobraram para convencer o eleitorado de Goiânia a votar em um candidato fisicamente incapacitado e já naqueles dias irremediavelmente comprometido quanto a uma vida normal no futuro, caso sobrevivesse, muito embora a campanha emedebista e o filho comemorassem a cada dia melhoras que contrariavam as expectativas médicas e anunciassem uma próxima alta que só aconteceu, digamos assim, quando o paciente faleceu e deixou o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, dentro de uma urna funerária.

Que houve um estelionato eleitoral, houve. Que agora se volta contra os seus formuladores. O senador Vanderlan Cardoso, o candidato que tinha como destino manifesto vencer aquela disputa, liderando as pesquisas com folga até a reta final e só perdendo no 2º turno por uma ninharia de votos, cansou-se de denunciar a farsa em andamento. A campanha do MDB, eticamente uma das mais sujas já feitas na capital quanto ao conteúdo, aproveitou a trégua que os adversários respeitosamente concederam ao concorrente em estado pré-terminal para atacar e bater à vontade em Vanderlan, ele mesmo um dos que suspenderam críticas ou questionamentos mais pesados ao Maguito Vilela, cujo telhado de vidro passou incólume pelo 1º e pelo 2º turnos.

Maguito provavelmente morreu sem saber que havia vencido no 2º turno. É uma lenda urbana o que o MDB propaga, ou seja, que ele escolheu ou pelo menos aprovou nomes para o secretariado municipal, em uma época em que, devido ao seu estado de saúde gravíssimo e sustentado por máquinas extracorpóreas que substituíam as suas funções vitais, não tinha consciência de nada. A posse só foi possível graças a um documento fraudado com uma assinatura digital, figura jurídica que não existe no ordenamento jurídico brasileiro.

Daniel Vilela prometeu estrepitosamente processar Vanderlan pelas acusações de que um embuste teria ocorrido nas eleições e se prolongado até as providências formais para a assunção do seu pai ao cargo de prefeito. Passado o momento em que a ameaça serviu às finalidades malandras da campanha, não cumpriu e não o fez até hoje, aliás com o senador repetindo as denúncias, como na semana passada, na nota principal da coluna Giro, em O Popular, quando insistiu em que “as eleições em Goiânia foram uma fraude do início ao fim”. Daniel Vilela não respondeu.

Tudo o que é alicerçado sobre uma base apodrecida não resiste muito tempo. O MDB e seu presidente estadual se empoleiraram na prefeitura de Goiânia, achando que o grande beneficiário do engodo em que o eleitorado de Goiânia foi induzido, Rogério Cruz, aceitaria passivamente o papel de fantoche, esquecendo-se de que ele é quadro de destaque da igreja politicamente mais poderosa do país, a Universal, que tem um dos 10 maiores partidos brasileiros, o Republicanos, e é dona da 2ª maior rede nacional de televisão – uma religião que, notoriamente, tem projeto de poder.

Nesta Semana Santa, foi tudo por água abaixo. Se não deixar o secretariado municipal, nos próximos dias, o MDB e Daniel comprovarão que não têm fibra nem coragem para se posicionar e que preferem a humilhação de carguinhos aqui e ali na estrutura do Paço Municipal. Rogério Cruz não pode ser acusado de nada, nem de “deslealdade” e muito menos de “mentiroso”, como Daniel Vilela disse a ele em um telefonema movido a sangue quente. É só um prefeito que, de uma maneira ou outra, quer dar a sua cara à sua própria gestão. Direito dele.

22 mar

Caiado entra na fila da vacina às 8h da manhã desta terça, dando exemplo: ele é médico e já poderia ter se imunizado há semanas, mas preferiu esperar a chamada para a sua faixa etária

Dando um belo exemplo, já que abriu mão da preferência que tinha como médico e se vacinado há semanas, o governador Ronaldo Caiado entra na fila às 8h da manhã, no drive-thru da área 1 da Pontíficia Universidade Católica, no setor Leste Universitário. O governador tem 71 anos e atende ao chamado da sua faixa etária, conforme as disposições da prefeitura de Goiânia, válidas para todas as cidadãs e cidadãos que residem na capital.

Em se tratando de quem é, com uma história de vida sem concessões sejam pessoais ou políticas, não seria de se esperar outra atitude. E não se diga que ele não tinha direito a se vacinar antes por não estar no exercício da profissão. Estava, sim. E está. Desde que a pandemia começou, Caiado é médico de 7,2 milhões de goianas e goianos, felizmente.