Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 mar

Programas sociais implantados até com rapidez por Rogério Cruz escorregam no baixo número de beneficiários e na ineficiência para compensar os prejuízos da pandemia para os vulneráveis

O prefeito não eleito de Goiânia Rogério Cruz mostrou-se rápido e certeiro para implantar as duas principais promessas de campanha do prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela, infelizmente falecido. Em janeiro, já havia aprovado todas as providências indispensáveis para o IPTU Social, que teoricamente isenta 60 mil famílias de baixa renda de pagar o tributo. Mais um mês, um fevereiro de apenas 20 dias úteis, e estava pronto o programa Renda Família, também em tese destinado a pagar um salário de R$ 300 reais durante seis meses para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Ponto para Rogério Cruz, que de fato anda precisando de algum estímulo. Mas…. ooops, velocidade demais atrapalha o equilíbrio. Será que o IPTU Social e o Renda Família merecem mesmo o nome de programas sociais, isto é, poderiam ser considerados como iniciativas de governo capaz de realmente compensar os prejuízos que a pandemia está impondo para as faixas mais carentes das goianienses e dos goianienses? Se depender do número de beneficiários, negativo. Não dá. Tanto um como o outro são ferramentas diretas de distribuição de auxílio monetário extremamente limitadas, com exigências claramente colocadas para reduzir o total de favorecidos.

Se considerarmos que Goiânia tem 1,5 milhão de habitantes, pouco mais, pouco menos, nem mesmo 5%, ou entre 70 a 80 mil cidadãs e cidadãos, serão providos com a ajuda, conforme as informações do próprio Paço Municipal, que admite, por exemplo,  a concessão desomente 24 mil auxílios do Renda Família. É uma gota de água no oceano, ainda mais quando se avaliam as dificuldades para habilitação aos dois mecanismos, que são muitas. Não pagar o IPTU e receber R$ 300 reais por seis meses, no final das contas, chegaria como realidade para bem menos gente do que o momento de contingência social e econômica está colocando em estado de necessidade.  Para que se tenha uma ideia da mediocridade dos números da prefeitura, o auxílio emergencial do presidente Jair Bolsonaro alcançou em 2020 66 milhões de filhos da pátria amada ou 32% dos mais de 200 milhões de brasileiros.

Não é crível que meramente 5% dos que moram na capital precisam hoje de apoio do Poder Público. Porém, já é alguma coisa, melhor do que nada, dirão os espertos burocratas do alto do Park Lozandes, que trataram primeiro de salvaguardar o caixa municipal para garantir a conclusão das obras milionárias iniciadas e não concluídas pelo ex-prefeito Iris Rezende, espalhadas por todos os cantos da cidade. A eles cabe advertir que o baixo alcance caracteriza os dois programas como eleitoreiros e demagógicos, inventados sob medida para, mediante um custo módico, levar para a população em geral a impressão de que a era da magnanimidade está inaugurada na prefeitura depois dos anos de falta de sensibilidade do irismo obcecado pelo cimento e pelo ferro.

Rogério Cruz, à procura de quem ser, continua sem saber que figurino vestir. O seu próprio ele deixa em casa quando sai para dar expediente. Cá entre nós, parece um menino esforçado que deseja conquistar a benevolência e o afeto de todos. Só que administrar uma metropolezita como Goiânia exige personalidade forte, liderança política e capacidade para inovar. Prefeitos que destoaram desse perfil, como Paulo Garcia, Pedro Wilson ou Darci Accorsi, perderam-se pelos desvãos da história e hoje nem são lembrados mais. O atual, pelo caminho escolhido até agora, caminha para ser jogado no limbo antes mesmo de concluir o seu mandato.

03 mar

Volta de Marconi ao palco principal da política em Goiás, se isso for possível um dia, não se fará pela via dos ataques e agressões a Caiado, porém pelo caminho das ideias e propostas

É natural que uma liderança que passou quase 20 anos reinando como um semideus no governo de Goiás, e de repente caiu, queira recuperar o seu lugar, pelo menos a ponto de ter sua opinião ouvida e as suas posições consideradas. Esse é o caso do ex-governador Marconi Perillo, que experimentou com a eleição de 2018 uma queda raramente vista na história, a ponto de hoje representar nada ou quase nada para a sociedade estadual – sobre a qual ele foi uma estrela a brilhar por perto de duas décadas.

Normal: Marconi esperneia para voltar a ser uma peça importante no xadrez dos partidos em Goiás. É a sua vontade. Que não está de acordo com a maioria das goianas e dos goianos. Em princípio, elas e eles não querem ouvir falar do ex-governador e da sua bandeira, o PSDB. É inconteste que desenvolveu-se em Goiás uma ojeriza extrema aos tucanos, hoje lamentavelmente identificados com a corrupção e a malversação de recursos públicos. Já são duas eleições seguidas em que eles colhem a rejeição do eleitorado, que os levou a uma situação de insignificância na política estadual.

Sejamos pacientes e tolerantes com Marconi, no entanto. Ele tem o direito de tentar a difícil ressurreição, ou seja, quanto ao fim que persegue ninguém pode apresentar qualquer objeção. O problema está nos meios a que o ex-governador recorre – adotando preferencialmente uma linha de ataques e críticas ao governador Ronaldo Caiado, que, a propósito, não é o responsável pelo seu tombo. O responsável, basta pensar um pouco, leitoras e leitores, é o próprio Marconi.

Caiado vai privatizar a Celg GT? Marconi, que vendeu a Celg Distribuidora, é contra. O governador Ibaneis Rocha cogita vedar o atendimento dos pacientes de Covid-19 dos municípios do Entorno nos hospitais de Brasília, uma medida que vai contra o dever humanitário de qualquer autoridade pública? Marconi é a favor. Aqui e ali, o ex-governador cata brechas para na sua imaginação fustigar Caiado, que nem toma conhecimento. Não carece. Mesmo porque o tucano, no momento, está desclassificado como ator do processo político estadual.

Desde antes da massacrante derrota nas urnas de 2018, Marconi já vinha cometendo erros aos borbotões, como continua a fazer. Em grande parte porque, à sua volta, formou-se uma corte de áulicos que raleou, mas persiste. Ele nasceu para ouvir elogios e continua torcendo o nariz para quem fala nos seus ouvidos a indesejável verdade. Se quiser ter a chance de um retorno, o seu caminho deveria ser o da sobriedade e o da ponderação. Ideias e propostas estariam em primeiro lugar, demonstrando preocupação com o futuro de Goiás e da sua população. Caiado tem dois anos e dois meses de governo, Marconi teve 16. Portanto, não cabem pequenezas como gastar tempo com a obsessão por adversários a quem gbusca atribuiri culpas pelas circunstâncias de miserabilidade política em que acabou jogado. Sim, o momento é difícil para Marconi, mas é nessa hora que ele precisaria exibir grandeza.

Quando governava Goiás, Marconi fazia questão de se mostrar preocupado com o Estado e a sua gente. Dizia fazer o melhor que podia para administrar bem e levar benefícios igualmente para todos, mister de qualquer governante ou homem público, assim como ele dizia ser. Por que, apeado do poder, mudaria, como mudou, essa boa intenção?

02 mar

Eduardo Prado ganha uma página promocional em O Popular, jornal que gosta de se apresentar como sério e responsável, para fazer média com a vacinação anti-Covid. Não é possível uma coisa dessas

O deputado estadual Eduardo Prado deve estar comemorando: ganhou uma página de O Popular para a sua promoção pessoal, depois de iludir os jornalistas do veículo de comunicação mais importante do Estado com o anúncio de que apresentaria um projeto destinado a garantir, para Goiás, todas as vacinas contra a Covid-19 porventura, em algum momento, adquiridas pelo governador Ronaldo Caiado.

É uma vergonha que um jornal que gosta de se apresentar como sério e responsável embarque em uma empulhação como essa. O projeto de Eduardo Prado é assunto, no máximo, para uma nota de rodapé. Primeiro, porque proposituras de origem no próprio Legislativo costumam ter como destino a lata de lixo, salvo quando se trata de conceder títulos honoríficos ou medalhas de honra. Eduardo Prado, a propósito, é delegado de polícia, foi eleito propagandeando a defesa da segurança pública para as goianas e os goianos, mas até hoje, depois de dois anos de mandato, não apresentou uma ideia por mínima ou ínfima que fosse para colaborar com a bem sucedida política de repressão à criminalidade em Goiás, na qual Caiado alcançou um resultado nunca visto antes nas administrações do passado.

Depois, porque a visão de que deve ser assegurada a qualquer preço a vacinação da população de Goiás, danando-se o resto do país, é humanitariamente equivocada. O governador está coberto de razão ao insistir na integração do Estado ao Plano Nacional de Imunização, do Ministério da Saúde, considerando que, no final das contas, todos somos brasileiras e brasileiros. Esse rapaz, Eduardo Prado, não pensa assim. Acha que faz média com o eleitorado ao ser arvorar em patrono da causa da imunização dos seus, dos nossos conterrâneos, sem se importar com o conjunto de todos os que nasceram nessa sofrida nação. Em última análise, o que ele está sugerindo é um esquema monumental para furar a fila da vacinação.

Não é e não deve ser assim. Não importa a origem dos recursos que serão aplicados na compra das vacinas pelo governo de Goiás, se surgir a oportunidade – e eles são federais, ou seja, provêm de todos os Estados. Não interessam questiúnculas sobre de onde vêm e para onde vão as verbas que, misturadas no caixa, em última análise são de um ente superior denominado Poder Público. O que deveria valer, acima de tudo, é que o direito ao imunizante é universal e deve ser reconhecido como um bem imaterial coletivo, acima de manipulações politiqueiras estapafúrdias, como nesse infeliz caso noticiado com pompa e circunstância por O Popular para promover um parlamentar de baixa qualificação, que só está na oposição porque foi expulso da base governista e teve apaniguados e parentes demitidos pelo Executivo. As páginas do matutino da família Câmara deveriam ser mais valorizadas, óbvio… por eles mesmos.

O saudoso Valdir Prado, pai de Eduardo, era um homem decente, de bem e honesto até onde isso é possível. Deve estar se revirando no túmulo.

28 fev

Gustavo Mendanha deixa de cumprir obrigações fiscais básicas e suja a ficha cadastral de Aparecida junto à Secretaria do Tesouro Nacional. Punição: suspensão dos repasses de recursos federais

O que explica uma das três prefeituras mais importantes do Estado deixar de cumprir obrigações fiscais banais, como a emissão de relatórios, e por isso perder o direito às certidões negativas que autorizam o recebimento de recursos federais? É o que aconteceu com Aparecida, que perfila ao lado de Goiânia e Anápolis como um dos maiores municípios goianos, mas parece ser administrada como uma corrutela qualquer. Vejam só, leitoras e leitores: dos 15 itens estabelecidos como de cumprimento obrigatório pelas prefeituras, no Serviço Auxiliar de Informações para Transferências Voluntárias (CAUC), tipo um “Serasa” da Secretaria do Tesouro Nacional para controle da adimplência dos entes do Poder Público no Brasil, Aparecida aparece com oito pendências dentre os 15 itens de maior importância.

prefeito Gustavo Mendanha e seu secretário da Fazenda não atendem às mais comezinhas exigências da rigorosa Secretaria do Tesouro Nacional. Não enviam para Brasília sequer relatórios fiscais que podem ser extraídos da movimentação diária do caixa da prefeitura, alguns de uma ou duas páginas. Só que é muito pior. Há incorreções graves na gestão financeira de Aparecida. A aplicação mínima constitucional de recursos na Educação não tem sido obedecida – o que já se sabia diante, por exemplo, da crônica falta de vagas nos CMEIs para as crianças em idade de frequentar a Educação Infantil, uma das principais responsabilidades de todo e qualquer município brasileiro. Não são dezenas nem centenas, porém milhares de meninas e meninos aparecidenses, até 6 anos, que não contam com um banco escolar para se sentar, a não ser que seus pais tenham o suficiente para pagar creches privadas.

O marketing do MDB vende Aparecida como a meca da modernidade. Seria até, pasmem, uma “cidade inteligente”, por conta de uma central de videomonitoramento de pontos estratégicos da cidade, nada mais, que não se sabe que resultados produz, já que a prefeitura esconde os dados sobre o que estaria sendo obtido de bom, se é que há, com as câmeras espalhadas pelas ruas e avenidas. Prefeitos de outros municípios caem nessa esparrela e visitam Gustavo Mendanha, que exibe orgulhoso o “Centro Tecnológico”, como a central foi batizada. Poses para fotos e, pronto, para isso, sim, a sala repleta de telas tem servido e muito bem. É uma casca, uma capa atende a fins de publicidade e divulgação da prefeitura, capturando a aprovação e o assombro dos incautos.

Vale o ditado: por fora bela viola, por dentro pão bolorento. As pendências que Aparecida acumula na Secretaria do Tesouro Nacional são só a ponta do iceberg. Quem é que não sabe: o prefeito Gustavo Mendanha, para o seu 2º mandato, criou mais sete secretarias, totalizando hoje 27, enquanto Goiânia, três vezes maior, tem 21 – com Iris Rezende tinha 17, mas Rogério Cruz criou mais quatro, tão desnecessárias quanto as que foram adicionadas à máquina burocrática aparecidense, onde acudem a finalidade de atender a partidos políticos, vereadores, ex-vereadores, suplentes, pastores evangélicos e apaniguados em geral, à custa do dinheiro público. A pandemia, em Aparecida, não provocou nenhum desemprego… na classe política, cooptada em sua totalidade pela folha de pagamento de Gustavo Mendanha. Os salários que vão para os bolsos desses maganos, anualizados e economizados, seriam suficientes para construir, até o fim do mandato do prefeito, os CMEIs necessários para atender a infância desamparada da cidade.

Sobram desarranjos em Aparecida. Se chover forte, na região do Hospital Municipal de Aparecida, UTIs são alagadas e leitos molhados. Considerado e exibido como o diamante da vitrine administrativa do prefeito Gustavo Mendanha, o hospital, na verdade, está repleto de problemas graves e até hoje não consegue funcionar a contento, apesar da suposta parceria anunciada com o Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo – que até foi tentada, mas não andou. Faltam remédios básicos, que precisam ser solicitados às famílias dos internados. Pacientes Covid-19 são misturados com outros que não têm a suspeita da doença. Administrado por uma organização social envolvida em repetidos escândalos policiais, afastada sumariamente da gestão de três outros hospitais do Estado, o HMAP clama por uma intervenção. Antes que coisas piores aconteçam. A saúde em Aparecida é um escândalo. O secretário municipal da área, Alessandro Magalhães, está condenado à prisão em 1º grau por desviar recursos do Hospital Araújo Jorge, em Goiânia. A mulher do secretário de Fazenda, André Rosa, foi flagrada dirigindo um esquema de superfaturamento de exames, sentada em uma mesa dentro das próprias instalações do Hospital Municipal. Ambos tiveram os gabinetes, na prefeitura, vasculhados por agentes policiais obedecendo a mandados judiciais. Todos, intimados para depor no inquérito, recusaram-se a responder às perguntas alegando o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmos.

Há muito mais e voltaremos ao assunto, para não cansar aqui as leitoras e os leitores com a infinidade de desmandos da gestão de Gustavo Mendanha. Ele se comporta como uma avestruz, enfiando a cabeça no chão para não ver a dramática realidade à sua volta. Da mesma forma que se recusa a esclarecer como e por que Aparecida chegou à situação de inadimplência cadastral com a União, passando a prejudicar a população com a impossibilidade de receber transferências federais, dentre as quais o maior volume vai para a Saúde – e com importância amplificada em tempos de luta contra a pandemia. Gustavo Mendanha admite que passa por dificuldades e que o dinheiro para enfrentar a Covid-19 está cada vez mais curto. Sua gestão sujou a ficha fiscal de Aparecida e deu a ele um passe-livre para um ou mais dos processos por improbidade administrativ que vêm vindo aí.

25 fev

Políticos disputam o comando dos diretórios estaduais dos partidos não só por visibilidade e influência, mas para ter acesso privilegiado ao dinheiro do milionário Fundo Partidário

Para qualquer político, em qualquer Estado no país, presidir um diretório estadual de partido passou a ser um privilégio e tanto. Não só pela visibilidade, cujo grau depende da importância da sigla, nem apenas pelo poder e influência que o cargo oferece, mas principalmente em razão do acesso privilegiado que os diretórios estaduais garantem às verbas do milionário Fundo Partidário. É muito dinheiro, que serve para cobrir despesas mensais como aluguel, telefone, secretária, assessoria jurídica e de comunicação, veículos, combustível, diárias e tudo o mais que pode ser lançado como gastos de interesse do partido. O melhor: em épocas de campanha eleitoral, o Fundo Partidário aporta verbas que o presidente do diretório entrega aos candidatos que mais o interessam ou ao partido.

É por isso que Vilmar Rocha não quer largar a direção do PSD em Goiás, depois de rebaixado pela filiação à distância do banqueiro Henrique Meirelles, que nem se dignou a vir a Goiás para disfarçar  a sua imposição ao projeto político do partido. Pelos mesmos motivos, o ex-governador Marconi Perillo está escalando o seu hoje fiel escudeiro José Eliton para presidir o PSDB goiano e o ex-deputado federal e desempregado Daniel Vilela não abre mão de administrar o MDB estadual. Nenhum deles jamais admitirá, mas é o dinheiro que explica tudo isso.

O Fundo Partidário mudou a realidade política do país. É mais do que mi, é bilionário, alimentado basicamente com verbas do orçamento União, ou seja, com uma parcela dos impostos extorsivos que eu, vc, nós cumprimos a triste sina de pagar nessE inferno fiscal em que o Brasil se transformou. São, em sua inteireza, verbas públicas usadas para atender a interesses geralmente particulares, financiando helicópteros, carros de luxo, hospedagens em resorts, empregos para parentes e apaniguados e uma infinidade de mordomias nas quais, como se sabe, a classe política nacional é especializada.

Atualmente, são R$ 2,5 bilhões a cada ano, repartidos conforme as bancadas de cada legenda na Câmara, no Senado e ainda com 2% reservado a todos os partidos inscritos na Justiça Eleitoral, o que beneficia a nanicada. A roda gira com os diretórios nacionais recebendo uma bolada, engolindo uma parte geralmente substanciosa, e remetendo o que sobra para as suas seções estaduais – e essa sobra ainda é uma pequena fortuna. Essas, por sua vez, também separam a fatia mais gorda para uso próprio, só encaminhando aos departamentos municipais o que discricionariamente acham que devem, ou seja, quase sempre nada. Há variações, reconheça-se, a depender do estofo ético e dos princípios de cada presidente.

Sendo ano de eleição ou não, é com esses cobres que os partidos, ou melhor, os seus dirigentes estaduais se sustentam. Diretórios como o do PT, do PSL, do MDB, do PP, do PSD ou do PSDB, que são agremiações maiores, fartam-se com um mínimo de R$ 50 a 100 mil por mês, em alguns casos mais até. Não é um numerário desprezível, dada a regularidade do recebimento a cada 30 dias. E com a vantagem da liberdade para gastar conforme o livre arbítrio do presidente estadual. Daí que o comando direto do diretório é um trunfo para qualquer político e não pode gratuitamente cair no colo de qualquer zé mané, mesmo um de nível superior.

O Fundo Partidário criou distorções imensas na política brasileira. Sim, alguém dirá, os partidos são obrigados a prestar contas detalhadas sobre os seus dispêndios, contabilidade que é fiscalizada pela Justiça Eleitoral. Mas as brechas são colossais. A auditagem dos balancetes é superficial, além de não exister um regramento objetivo e cristalino sobre o que são desembolsos propriamente “partidários”. Um político processado pode, por exemplo, ter o seu advogado pago com esses haveres. Qualquer tipo de viagem também pode ser coberta. E até salários elevados, a quem quer que seja, são permitidos, mesmo imorais. O que vale é a capa de legalidade.

Entendem agora, leitoras e leitores? Esses são os motivos pelos quais a presidência de um diretório estadual de partido, em GoIás, passou a ser uma valiosa prebenda pessoal e não mais uma missão, como chegou a ser no passado. E explica a condução próxima de José Eliton à liderança do PSDB e a manutenção de tantos outros que já usufruem dessas vantagens, inclusive partidecos espalhados por aí a torto e a direito. Na essência, é uma questão de dinheiro. E quando é o caso, quem sai à frente e atropela é que se dá bem.

21 fev

Rogério Cruz abriu mão de ser a voz mais alta do Paço Municipal, tornou-se menor que Andrey Azeredo e, mais de 50 dias depois de empossado, deixa claro que Goiânia não tem prefeito

Alô leitoras e leitores: ouviram falar que Goiânia tem um prefeito chamado Rogério Cruz, que não foi eleito para o cargo, mas mesmo assim está sentado na principal cadeira do Paço Municipal, embora não se saiba o que está fazendo lá? Sim, provavelmente ouviram. Mas ninguém é capaz de dizer o que ele, esse Rogério Cruz, faz na condição de substituto indesejado de Maguito Vilela, aquele que foi eleito pelo maior estelionato eleitoral jamais produzido na  história de todos os pleitos disputados em Goiás, pelo menos em termos estaduais ou nas suas maiores cidades.

O destino, pelos seus descaminhos, designou Rogério Cruz como prefeito da capital. Mas isso é só o começo dessa triste narrativa. Não é suficiente para que determinar ele seja o prefeito. E isso, de fato, ele não é. No acanhado e superado prédio sede da municipalidade no alto do Park Lozandes, ouvem-se muitas vozes. A mais alta é a do secretário de Governo Andrey Azeredo, que tem a função de vigiar de perto e informar o presidente estadual do MDB Daniel Vilela de todos os passos e atos de Rogério Cruz, talvez com exceção de quando ele vai ao banheiro.

Andrey Azeredo opina sobre tudo na prefeitura. É advogado, mas palra como um pardal pardo sobre as estratégias de enfrentamento da segunda onda da Covid-19 como se fosse médico. Em ocasiões que se repetem cada vez com mais frequência, atravessa entrevistas para deixar claro o que o chefe deveria estar falando, porém se esqueceu ou não deu conta de formular. O secretário municipal de Governo na verdade é um vigilante implacável. Vejam a foto acima, amigas e amigos. Essa tem sido regra em pequenos e grandes eventos, embora haja mais pequenos do que qualquer outros no cotidiano em que a prefeitura mergulhou depois das glórias da gestão de Iris Rezende. Que ninguém se engane, tudo isso acaba vendendo a imagem de que Rogério Cruz é uma autoridade de uma perna só ou até mesmo meia perna – a outra são as de Andrey.

Goiânia já teve prefeitos fracos do ponto de vista da autoridade e do reconhecimento público. Só que, como o atual, nenhum. Que ele reze para que não se encomenda por aí uma pesquisa sobre a repercussão dos seus primeiros 60 dias. O resultado será pavoroso. Nem o falecido Paulo Garcia,, um dos maiores equívocos da história do Paço Municipal, invenção de Iris Rezende, se saiu tão mal, mesmo longe da estambótica engenharia que levou Rogério Cruz fpara a chapa Maguito pelo filho Daniel Vilela, interessado em consolidar a aliança com o deputado federal João Campos que foi profícua em 2018 e, nas articulações pré-eleição em Goiânia do ano passado, estava pensada para se projetar em 2022, isso sem falar na ideia obtusa de criar um contraponto a altura de tirar votos do adversário evangélico Vanderlan Cardoso.

O que Goiânia tem é um infelizmente é um simulacro de prefeito. Que, a depender das decisões da Justiça Eleitoral, onde tramitam questionamentos sérios ao seu mandato carente de legitimidade, pode nem prosperar no posto que ganhou graças a uma empulhação eleitoral raras vezes visto antes. O mais grave é que, por trás da cordialidade e do esforço sobre-humano para exibir como alguém humilde e consciente da própria pequeneza, Rogério Cruz não percebe que está sendo esmagado pelos seus pseudoaliados do MDB de Daniel Vilela, cujo único projeto, depois da morte de Maguito, passou a ser a manutenção desesperada do poder municipal em Goiânia para como instrumento político fundamental para o enfretamento das próximas eleições. Como algo tão esdrúxulo assim poderia dar certo?

19 fev

Ao investir em uma CPI para apurar especulações e questionar o direito do governador de nomear auxiliares, oposição coloca em risco a boa imagem da Assembleia conquistada na atual Legislatura

Comissões Parlamentares de Inquérito são um dos instrumentos de investigação mais interessantes e proveitosos em qualquer democracia. Há países, como os Estados Unidos, em que elas são permanentes, atuando o tempo todo para esclarecer fatos em áreas específicas, como a segurança nacional. No Brasil, já permitiram bons momentos para as duas Casas do Congresso Nacional e até mesmo em Goiás têm um saldo positivo no caso da Assembleia Legislativa, bastando lembrar o exemplo recente da CPI da Enel – que produziu um relatório substancioso e extremamente documentado, infelizmente arquivado nos escaninhos do Ministério Público Estadual.

CPIs, portanto, são coisa séria. São políticas, como mecanismo de trabalho do Poder Legislativo, que é essencialmente político. Mas política no sentido de ser essa uma prática dos homens virtuosos, para tornar justo o que é injusto, escopo da República, de Platão, livro que infelizmente é substituído pela nossa classe política nas suas preferências de leitura por obras de autoajuda. Uma CPI se faz para buscar o bem e não o mal, ainda que seja admissível a sua utilização como artilharia para a oposição. É aceitável. Mas há limites.

O principal, afora as considerações do parágrafo anterior, é a definição clara e límpida do objeto da apuração. Não se instala uma CPI para buscar a dilucidação de fofocas, como propõe o trêfego deputado estadual Delegado Humberto Teófilo, que convenceu colegas de oposição na Assembleia a embarcar na canoa furada de um pedido de comissão parlamentar de inquérito para deslindar interferências na ação profissional da Polícia Civil e o que estaria por trás da troca de nomes no comando da corporação. Parlamentares de peso como o decano Hélio de Sousa, do PSDB; o jovem, mas experiente Henrique Arantes, do MDB, que triunfou como presidente da CPI da Enel; e o cada vez mais amadurecido Talles Barreto, do PSDB, cujo único defeito é o bico comprido de tucano, caíram no logro e emprestaram suas biografias para a tal CPI das Interferências na Polícia, nome obtuso que já indica um desarranjo sem tamanho na tentativa de justificar qualquer investigação sobre algo que não pode ser demarcado com um mínimo de lógica formal e material – incluído o despautério no questionamento de nomeações de auxiliares que o governador Ronaldo Caiado, como qualquer governante, faz no cumprimento do seu mister constitucional. O requerimento de Humberto Teófilo, rapaz de poucas letras, diga-se de passagem, é uma peça mal redigida e acorrentada a argumentos tão mal expostos como carentes de qualquer consistência, que provavelmente alguns dos deputados que o endossaram provavelmente não examinaram com um mínimo de atenção e respeito ao próprio intelecto.

É uma pena que quem foi eleito falando em “nova política”, como o delegado, desperdice suas energias com picuinhas para atingir um governador que ele já defendeu entusiasticamente e do qual foi afastado pelos interesses fisiológicos e contradições pessoais. O Caiado que Humberto Teófilo elogiava é o mesmo que ele hoje insulta, comprovando que quem mudou não foi o governador. Daí, arrastar a imagem da Assembleia para essa aventura desinteligente dessa CPI é um desatino que o atual presidente, o correto e decente Lissauer Vieira, certamente ainda tentará evitar diante do zelo que tem com a imagem do Poder que ele reergueu perante a opinião pública desde que assumiu a liderança dos 41 deputados estaduais. Espera-se que venha a ter sucesso. A Assembleia vai cada vez melhor, só não avançando mais em razão dos desníveis de qualificação que exibe no plenário, o que, no entanto, é do processo democrático e da natureza da representatividade popular. É assim mesmo, menos quanto aos injustificáveis e perniciosos exageros. E essa CPI é um deles.

17 fev

Como está hoje, o PSD não fica: partido tem a chance de disputar com o MDB o 2º lugar como mais importante do Estado ou sucumbir como feudo pessoal de Vilmar Rocha

O PSD é o partido que tem os quadros de elite mais importantes do Estado, no momento, depois do DEM, este obviamente pelo peso do governador Ronaldo Caiado e pelo fato de administrar Goiás. Fora o DEM, o PSD tem peso simbólico equivalente ao do MDB, que leva ligeira vantagem por controlar Goiânia em uma espécie de meia-sola administrativa e arriscada representada pelo prefeito Rogério Cruz e Aparecida, gerenciada integralmente com um emedebista da gema como o é Gustavo Mendanha. Mas o MDB se resume a essa estrutura geopoliticamente contida na região central de Goiás, enquanto o PSD exibe qualidade com uma brilhante vitrine que tem o senador Vanderlan Cardoso (ora, dirão, o MDB também tem um senador, Luiz Carlos Carmo, que infelizmente não conta porque é um vereador ou no máximo um deputado estadual em exercício no Senado), o recém-chegado ex-ministro Henrique Meirelles e o deputado federal bem comportado Francisco Jr, valendo acrescentar a essa lista, mesmo sem mandato, porém pela credibilidade, o presidente estadual cinco estrelas Vilmar Rocha.

É um time dos sonhos para qualquer sigla partidária. Qual o problema, então? Ocorre que há um desnível cada vez mais latente entre Vilmar Rocha e o restante da turma. O que o presidente quer é uma coisa, o que Vanderlan, Meirelles e Francisco Jr miram é outra. Não é difícil prever que, como está, com cara de feudo pessoal do seu presidente estadual, o PSD não vai continuar. Algo vai acontecer, senão agora, daqui a alguns dias, ou semanas ou meses, este ano ainda, a tempo de preparar o partido para sua participação proporcional e majoritária nas eleições de 2022. E a aposta mais consistente implica no afastamento de Vilmar Rocha, pelo bem, mediante algum tipo de acordo em que ele aceitaria a orientação dos colegas, ou pelo mal, através da destituição pura e simples que viria da intervenção do diretório nacional.

Poucos políticos são tão respeitados e respeitáveis, em Goiás, como testado com sucesso ao longo de décadas. Vilmar já perdeu eleições por se recusar a transigir com seus princípios e por insistir em manter uma coerência suicida. E ainda tem um defeito grave: não é bom na matéria em que lideranças na sua posição são mais cobradas, que é a articulação política. Vilmar não é um bom articulador talvez exatamente por essas virtudes pessoais que na maioria das vezes acabam prejudicando a ele próprio – e esse é um preço que ele faz questão de pagar, tanto que já disse ao autor dessas mal traçadas que “todas as eleições que ganhei, ganhei com o mínimo de concessões”. Verdade, ganhou, mas não passou da Câmara Federal.

Somados todos esses fatores, o que o presidente do PSD goiano defende, no momento, é uma impossibilidade política. Mesmo com a excelência dos nomes que estão no partido, ele quer manter a indefinição ou a neutralidade, deixando para o ano que vem um posicionamento sobre qual lado – Caiado ou a oposição – irá preferir. Isso não é viável para Vanderlan, Meirelles e Francisco Jr nem para os peixes pequenos pessedistas, tipo o deputado estadual Lucas Calil, a vereadora Sabrina Garcez e os nove ou dez prefeitos da agremiação, esses últimos ansiosos por parcerias administrativas com o governo do Estado. Se deliberasse em conjunto, ouvindo a maioria dos seus membros de importância, o PSD já estaria há tempos ocupando espaço no governo Caiado e não alimentando utopias.

Quem está segurando esse movimento pró-Palácio das Esmeraldas, no limite das suas forças, é Vilmar Rocha. Sim, houve uma inimizade de anos e anos entre ele e Caiado, enfim superada pelo amadurecimento de parte a parte, tanto que na semana passada o governador ligou para cumprimentar Vilmar pelo aniversário. Ele perdeu a ligação, mas retornou e ouviu os merecidos parabéns pelas mais de sete dezenas de primaveras em um tom acima do protocolar. De certa forma, são amigos, agora. Indo mais longe, não há mais óbices individuais e menos ainda políticos para que o próprio presidente do PSD, em uma hipotética composição, venha a perfilar no secretariado de Caiado. Passa da hora. Como ele não aceita a ideia e ainda vai adiante com a afirmação esdrúxula de que o partido não participa de gestões que não ajudou a eleger, o que é tanto infantilidade quanto falta de realismo, instalou-se o impasse. E, na política, impasses são resolvidos com o sacrifício da banda mais fraca, ele, o sem mandato Vilmar.

O PSD é o partido errado para Vilmar Rocha. Em Brasília, integra o abominável Centrão. Vilmar negou por muito tempo esse alinhamento, mas depois se calou ante os fatos. Seu presidencial nacional é o enrolado ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro Gilberto Kassab, presença constante em escândalos de propinas, de quem o dirigente goiano se gaba de ser amigo do peito e por isso deduz que provavelmente jamais seria atropelado em suas decisões, esquecendo-se de uma lição primária da política – a de que não há amigos, só interesses. Nesse sentido, Vilmar no comando estadual do PSD já seria uma aberração, uma vez que as seções regionais dos partidos são sempre entregues a quem tem cadeira em Brasília, pelo reflexo direto que isso tem nas negociações dentro do Congresso Nacional.  Se houvesse lógica estrita na política, Vanderlan é quem estaria no leme do PSD goiano, se é que, logo, logo, não vai estar.

15 fev

Ações judiciais que questionam eleição, diplomação e posse de Maguito não tinham sentido quando ele estava vivo, mas agora representam um risco real para Rogério Cruz

As ações que questionam a eleição, a diplomação e a posse de Maguito Vilela como prefeito de Goiânia – são duas, em tramitação na Justiça Eleitoral – devem ser acatadas e vão correr normalmente. Atenção: não representam, juridicamente falando, um caso perdido, como se imaginava a princípio.. Há situações nesses três momentos do processo eleitoral que despertam dúvidas e podem, sim, ser reposicionadas. E mais: essas ações não teriam o menor sentido com Maguito vivo, mas agora, depois da sua perda, a situação é outra.

Uma delas, talvez a mais grave, foi a posse através de um estranho documento que teria sido assinado digitalmente pelo emedebista eleito prefeito de Goiânia, mesmo internado na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo e sem sequer um vídeo comprovando que foi ele mesmo quem apôs a sua rubrica digital. Ocorre que, na legislação brasileira, não existe “assinatura digital”, que qualquer um pode falsificar com a maior facilidade. Há o certificado digital, que permite a autenticação de documentos acima de qualquer suspeita e é usado, por exemplo, por todos os advogados do país para movimentar online processos judiciais. Mas Maguito não usou um certificado, se é que o tinha (como advogado inscrito na OAB é provável que ele o tivesse). O documento de posse, assim, tornou-se uma estranheza, que provavelmente não sobreviverá a uma perícia técnica sobre a sua veracidade.

Outro ponto é que, ao ser eleito em dois turnos, Maguito não tinha, em cada um deles, condições físicas para concorrer ao cargo de prefeito. Certo, diriam alguns, na época imaginava-se que ele se recuperaria. Pode ser, mas que houve manipulação de informações sobre o seu estado de saúde, houve, induzindo as goianienses e os goianienses a cair em um estelionato eleitoral. Tanto que essa situação (a divulgação de notícias falsas sobre as condições do candidato do MDB) foi denunciada pelo adversário Vanderlan Cardoso, com Daniel Vilela retrucando que abriria um processo contra Vanderlan – o que não ocorreu até hoje, pois levaria inevitavelmente a uma perigosa abertura dos prontuários médicos do candidato emedebista.

Prontuários médicos não mentem e não manipulam informações, sob pena até de perda do registro profissional dos médicos que os assinam. Esses documentos, no caso de Maguito, detêm a verdade sobre o que se passava com ele e como ele estava. A hipótese de revelação do seu conteúdo arrepia o MDB e mais ainda o filho Daniel Vilela, que escalaram o médico-genro Marcelo Rabahi para uma entrevista em que assegurou que nunca, jamais, em tempo algum esses papéis poderiam ser revelados porque protegidos pelo sigilo médico-paciente. Só que não é bem assim. Mesmo não se servindo para uma ampla divulgação ao público em geral, os prontuários podem ser acessados pelo juiz do processo, em caráter reservado, para fundamentação da sua decisão final.

Politicamente, quanto mais fraco o prefeito Rogério Cruz se mostrar e quanto pior for a sua administração, mais vulnerável ela ficará a um desfecho desfavorável desse processo, que o atingiria em cheio ao levar a uma nova eleição em Goiânia. Pode demorar? Sim, pode, a Justiça no Brasil, como se sabe, é lenta e caminha a passos de cágado, mas, como tudo na vida, um dia cada processo chega ao fim, ainda mais se marcado pela necessidade de uma solução urgente para prevenir a consolidação de eventuais prejuízos para a sociedade. No Paço Municipal, os emedebistas que aprisionaram e vigiam Rogério Cruz dia e noite deveriam acordar e se preparar para uma surpresa desagradável, de repente.

13 fev

Nota de Marconi e Zé Eliton contra a privatização da Celg D é de uma infantilidade política sem tamanho ao comprar uma briga na qual eles ficam em posição muito constrangedora

Em Goiás, alguns políticos com carreira longa insistem em cometer erros e provar que, como disse Talleyrand dos reis luíses na França pós-revolucionária, não só não aprenderam nada positivo durante a sua passagem pelo poder como também nada esqueceram quanto ao que fizeram de equivocado, insistindo em práticas deletérias para si próprios. Esse é o caso dos ex-governadores Marconi Perillo e José Eliton, que mais uma vez romperam o silêncio obsequioso que deveriam estar obedecendo, em proveito dos seus próprios interesses pessoais, para assinar uma “nota oficial” sem o menor sentido contra a privatização da Celg GT, em andamento por iniciativa – corretíssima – do governador Ronaldo Caiado.

Para começo de conversa, ser tucano, ou melhor, ter no currículo a filiação ao PSDB, é ser a favor de toda e qualquer privatização. Nenhum partido jamais terá no Brasil antecedentes tão poderosos quanto a venda de estatais como eles, por exemplo, ao passar para a iniciativa privada o complexo bilionário das telecomunicações no país. Aliás, merecendo aplausos efusivos eternos. O salto tecnológico que se seguiu para o setor foi monumental. Não é exagero dizer que há um Brasil antes e depois que Fernando Henrique Cardoso liquidou a presença governamental nos serviços de telefonia até então pautados por uma tecnologia jurássica e altamente prejudicial tanto para a vida privada das cidadãs e cidadãos quanto para o desenvolvimento nacional. Graças a isso, temos hoje um dos mais modernos parques de telefonia do mundo.

Não há como justificar tucanos falando contra privatizações. É oportunismo político de baixa categoria ou, desculpem a expressão, leitoras e leitores, burrice em grau extremo. Foi o que Marconi e Zé Eliton fizeram, esquecendo-se de que eles torraram a Celg por alguns trocados, depois que a empresa acabou arrebentada pela perda da usina de Cachoeira Dourada, por iniciativa do então governador Maguito Vilela, e pela má gestão dos governos do PSDB. E o pior é que nem um (Maguito) nem outros (Marconi e Zé) nunca souberam dizer o que foi feito com o dinheiro arrecadado, igualando-se na dilapidação do patrimônio público das goianas e dos goianos.

Somadas as peripécias contábeis e administrativas que “sanearam” a Celg, em razão dos empréstimos que foram contraídos para limpar a companhia e possibilitar a sua entrega para a incompetente Enel chilena sem contas a pagar, o rombo foi grande. Nos cofres estaduais, em troca de uma de uma empresa listada entre as 150 maiores do Brasil, ingressaram pouco mais de R$ 800 bilhões, deixando para trás um acréscimo à dívida estadual de R$ 4 5,6 bilhões – que você, eu e todos os que pagam impostos em Goiás passaremos os próximos 20 anos quitando. Jamais, em tempo algum, algo tão danoso foi feito para arrasar o caixa do governo estadual, a não ser quando Maguito alienou Cachoeira Dourada, o maior de todos os crimes que foram cometidos até hoje contra Goiás.

A Celg GT foi o que sobrou de bom nessa infelicidade toda. É uma empresa enxuta e bem encaminhada, que vale ouro para os investidores do setor elétrico. Precisa ser privatizada porque atua em uma área onde não se justifica mais a presença do Estado. E também para arrecadar recursos – seu preço, embora bem menor em tamanho, será superior ao da Celg estourada pelos tucanos, em torno de R$ 1 a 1,5 bilhão – importantes no momento em que Goiás tem a chance de se reorganizar financeira e voltar a praticar políticas públicas e a construir obras para beneficiar a população, em uma brecha história raríssima que não pode ser perdida.

A Marconi e a Zé, fica o conselho: por que não se calam?

11 fev

Sem identidade e fazendo uma gestão que, por um lado, é projeção de alguém que já morreu, e, por outro, mera continuidade ao focar em obras inacabadas de outrem, Rogério Cruz é um prefeito fantasma

O pastor evangélico Rogério Cruz ganhou um prêmio da mega-sena, infelizmente por conta da tragédia que se abateu sobre Maguito Vilela, em cuja chapa havia pousado por injunções mais religiosas do que políticas (o MDB queria “roubar” votos pentecostais que acreditava comprometidos com o “irmão” Vanderlan Cardoso) e da noite para o dia transformou-se em prefeito de Goiânia. Só que isso apenas, ou seja, somente se sentar no espinhoso trono do Paço Municipal, não é suficiente para a afirmação de ninguém como um gestor qualificado e aprovado para Goiânia. É preciso mostrar serviço.

E é justamente esse o drama de Rogério Cruz. Ele não é ele, mas uma projeção de alguém que já partiu deste mundo e uma continuação de outrem que estava antes no seu lugar. O prefeito adotou uma estratégia arriscada. Apregoa aos quatro ventos que trabalha no alto do Park Lozandes para implantar o programa de governo deixado por Maguito, aliás um amontoado de propostas sem maior profundidade, temperadas com muito populismo e linguagem pseudotecnológica para dar a impressão de modernidade, mais material para o marketing eleitoral do que para definir um futuro para a capital. Ele não hesita em garantir que a sua administração também é sequência da realizada pelo seu antecessor Iris Rezende, na medida em que a única prioridade é concluir entre 20 e 30 obras prometidas para até o final do ano passado, mas deixadas inconclusas e, pior ainda, com recursos duvidosos para a sua conclusão.

Podem apostar, leitoras e leitores: na tentativa de absorver o que Maguito e Iris legaram, em parte uma lavoura de abacaxis, Rogério Cruz nunca será ninguém, a não ser um fantasma vagando perdido pelos corredores do Paço, situação, aliás, que interessa e muito ao MDB e aos seus propósitos nos sentido de manter o prefeito sob controle e de se aproveitar das burras municipais para consolidar suas ambições para o futuro – a exemplo da indecente criação de mais de 300 cargos comissionados, com salários entre R$ 8 e 12 mil mensais, para distribuição a aliados e apaniguados políticos.

Não há como vencer na política, pelo menos no time de primeira linha, sem ideias próprias e sem representar um ideal. Vejamos o exemplo recente de Alcides Rodrigues, que era vice de Marconi Perillo e foi catapultado para o cargo de governador, para o qual não estava à altura e do qual saiu sem deixar um rastro, um vestígio da sua passagem, depois de se debater durante todo o seu mandato com a dúvida hamletiana entre assumir a continuidade a Marconi ou partir para uma ruptura a Marconi. Rogério Cruz nem essa ambiguidade tem: está convicto de que pode ser Maguito e Iris, ao mesmo tempo, quando jamais será nenhum dos dois, nem mesmo uma cópia pálida. E, até agora, não é também Rogério Cruz, se é que há um.

Quarenta dias depois de empossado, permanece o mistério: quem é esse prefeito que o destino colocou para administrar Goiânia sem ter sido eleito?

06 fev

Oposição não tem projeto para Goiás e está hoje à mercê da reeleição de Caiado. cada vez mais inevitável face ao andamento do seu governo e da bem sucedida reconstrução do Estado

A oposição em Goiás, além não ter um projeto alternativo para o Estado, também não tem sorte e perdeu o rumo com a morte do prefeito de Goiânia Maguito Vilela, que nem mesmo poderia ser chamado de líder oposicionista, mas de alguma forma, através da projeção do seu peso político no filho Daniel Vilela, encarnaria uma possibilidade de mudança – embora às custas de 40 anos de mais do mesmo, em que ele, Maguito, e Iris Rezende se alternaram no aproveitamento das chances que se apresentaram para o MDB.

Outra morte, essa política, a do ex-governador Marconi Perillo, ajudou a enfraquecer ainda mais a hipótese de um enfrentamento à altura para a reeleição do governador Ronaldo Caiado, cada vez mais inevitável diante do andamento correto e decente do seu governo e da bem sucedida proposta de reconstrução do Estado. Hoje, Caiado tem aprovação elevada diante da combinação da sua biografia de intransigência com a corrupção com a reorganização financeira do governo, a sua racionalização administrativa e o encaminhamento de políticas públicas complexas como a da área de segurança, por exemplo, em que os resultados são simplesmente notáveis.

Oposição, no regime democrático, é necessária e indispensável. Não é o que ocorre em Goiás. O PSDB virou farinha, em uma comprovação de que só subsistiu durante 20 anos de glórias na política estadual porque estava de posse do poder. Sem essa cola, todos os arranjos presididos pelo partido mostraram falta de solidez e desvaneceram-se no ar. Já o MDB, para começo de conversa, está dividido entre iristas pró-Caiado e o grupo de Daniel Vilela, que desde o desaparecimento de Maguito aparenta não saber o que fazer e passou a correr desesperadamente através de garantias de que a prefeitura de Goiânia é sua e não do inesperado Rogério Cruz. Só que essa certeza não existe e não existirá jamais. Rogério Cruz é uma incógnita com mandato de quatro anos nas mãos que mais cedo ou mais tarde se revelará, provavelmente quando sobrevier a falência do esdrúxulo modelo de gestão compartilhada entre ele os emedebistas que o vigiam 24 horas por dia no Paço Municipal.

A esquerda, ora a esquerda… essa saiu massacrada de mais uma eleição, a última, e está reduzida à deputada estadual Adriana Accorsi e seu colega Antônio Gomide, ambos com pouco significado para o cenário regional da política, da mesma forma que a miríade de partidecos pseudo-socialistas ainda remanescente. Esse grupelho, supostamente de corte ideológico, também não tem projeto nenhum para Goiás e protagoniza o pior momento do segmento no Estado. É pouco mais do que pó de traque, tal qual o moribundo PSDB goiano.

Caiado só tem o que comemorar. Ele e seu parceiro Iris são os governadores mais influentes nacionalmente que Goiás já teve, além de que Caiado, pelo meio do mandato, é que maior aprovação popular alcançou, entre 60 e 70% – e isso superando as duras adversidades colocadas pela pandemia do novo coronavírus. Não é exagero afirmar que, para 2022, desde já, o desafio da reeleição será fácil para o atual inquilino do Palácio das Esmeraldas.

04 fev

Gestão de Rogério Cruz, o prefeito que não foi eleito pelas goianienses e pelos goianienses, vai de mal a pior: ações populistas, falta de agenda, politicagem com vereadores e aberração administrativa

A bomba-relógio instalada na prefeitura de Goiânia com a assunção de Rogério Cruz e do projeto de poder do MDB continua tiquetaqueando. Na edição de quarta, 3 de fevereiro, o jornalista Leandro Monteiro dos Santos colocou tudo em pratos limpos com um artigo corajoso em O Popular, veículo de comunicação normalmente avesso a esse tipo de crítica. Diz ele que o Paço Municipal vai muito mal, recorrendo a artifícios da velha política como o tal “conselho político” criado para assessorar o prefeito, no qual três membros da dinastia Vilela têm assento – Daniel, Leandro e Gean Carvalho. Confiram, no parágrafo a seguir, o que diz o jornalista:

“A escolha desses nomes para desenvolver ações altamente influentes, com movimentações diretamente ligadas ao gabinete da prefeitura, remonta a um ar de conchavo, baseado em conveniências políticas com o MDB. Em uma grande articulação política, Daniel Vilela busca espaço de coordenação da cidade, agora de forma oficial, o que reforça que a política exercida por meio de dinastias e coronelismos, apesar de defasada e inconsistente, persiste a latejar na conjuntura brasileira atual. O importante a ser dito é que o principal pilar da política brasileira, da qual Goiânia faz parte, é a democracia. Rogério Cruz, Daniel Vilela e demais envolvidos no Conselho deveriam saber que o modelo de governo que tentam emplacar é, em primeiro lugar, amoral e, em segundo, incompatível com os princípios democráticos que regem o país”.

Está coberto de razão. O “conselho político” criado por Rogério Cruz é uma aberração e também uma auto humilhação, já que ele passa atestado de que não tem capacidade para resolver sozinho os desafios colocados pela complexidade urbana de Goiânia, como compete a qualquer prefeito, com as assessorias convencionais de que dispõe. O cheiro é o de um artifício criado para enfiar Daniel Vilela no Paço Municipal, o que, mesmo sendo filho de Maguito Vilela, não é da sua competência. Como tudo que pode piorar, piora, o prefeito resolveu parar de trabalhar às segundas-feiras e desperdiçar o seu tempo para receber vereadores. É o fim da picada. Imaginem, leitoras e leitores, o governador Ronaldo Caiado paralisando a administração estadual para conversar um dia inteiro com deputados, que, aliás, são muito mais importantes do que os membros da Câmara, a maioria infelizmente dedicada a questões miúdas.

Rogério Cruz não tem agenda. Não uma antenada com as demandas de Goiânia por políticas públicas municipais. Isso é grave porque decorre da sua falta de legitimidade para o cargo que caiu no seu colo, depois do estelionato eleitoral que ungiu um prefeito incapacitado fisicamente para a função. Não é à toa que ele, Cruz, está recorrendo desesperadamente às promessas populistas da campanha de Maguito, como o IPTU social e o auxílio emergencial de R$ 300 reais, que servem para muita propaganda, porém não para cobrir as necessidades da maioria necessitada da população. Ele quer aprovação a qualquer preço, o que não vai acontecer: juntos, esses dois programas não vão atingir nem 20 ou 30 mil pessoas, ou seja, um pingo no oceano das carências sociais que afligem as volumosas parcelas dos economicamente aflitos da capital.

O MDB que está empoleirado no Paço Municipal, em parte expressiva, não corresponde aos setores mais evoluídos da legenda, se é que existem. Daniel Vilela não representa nenhuma mentalidade progressista ou inovadora, ele, como disse o artigo publicado por O Popular, na verdade tem um jeito de ditadorzinho e de estrela precoce da velha política, apesar de jovem, bastando para isso conferir a sua gestão como presidente do partido e a perseguição implacável a quem não apoiou a sua candidatura suicida em 2018, com o apoio do pai, aquele que se quer inscrever na história como o “conciliador” e o “pacificador” que nunca foi. Diz o texto de O Popular: “A gestão adotada por Rogério Cruz, remete a uma estrutura de governança ultrapassada, muito parecida com as oligarquias e com o coronelismo, pelos quais os Estados do Brasil foram condenados durante muito tempo”. Não há como contestar.

Cada vez mais, desponta a visão de que a eleição de Maguito, nas condições em que se deu, foi um equívoco sem tamanho. As consequências, também crescentemente deletérias, caminham para serem as mais dramáticas possíveis e não vão tardar para chegar.

02 fev

Em decadência acelerada, PSDB goiano faz reunião de gatos pingados e mostra o seu vazio ao apenas discutir nomes e não ideias ou alternativas para o futuro de Goiás

Como é que um partido que mandou gloriosamente em Goiás por 20 anos cai para uma posição de insignificância política em apenas dois anos? E, pior, aprofunda a sua decadência ao mostrar a sua completa falta de rumo, sem se preocupar com qualquer tipo de renovação ou de discussão de ideias para o futuro do Estado, pelo menos a ponto de provar que o exercício prolongado do poder serviu para alguma coisa que não alimentar a vaidade ou a ânsia por sobrevivêncvia dos seus líderes que restaram.

O PSDB goiano reuniu os seus cacos neste início de semana. Deu para notar que sobraram mais ou menos 10 heróicos gatos pingados, entre eles os ex-governadores Marconi Perillo e Zé Eliton. Foi sobre eles, mais o atual presidente estadual Jânio Darrot, que a discussão dos tucanos girou. Nomes, enfim, não propostas. Marconi quer ser deputado federal em 2022. Zé está sendo “convocado” para presidir o partido com o fim do mandato de Jânio, que, quem sabe, pode ser candidato a governador na próxima eleição (projeto, cá entre nós, leitora e leitor, sem a menor viabilidade, dada a inexpressividade do PSDB depois do massacre nas urnas de 2018 e do aniquilamento trazido pela eleição municipal de 2020). Algumas figuras menores, como a ex-deputada Eliane Pinheiro e o ex-prefeito de Hidrolândia Paulo Sérgio Rezende, sonham com mandatos de deputados estaduais.

Foi só isso, mais nada. Os planos do PSDB não passam por Goiás ou pelas expectativas das goianas e dos goianos e só têm a ver com o desespero de náufragos que parecem dispostos a se agarrar até em jacaré pensando que é tábua de salvação. Eles perderam a mão para fazer política e esqueceram o que aprenderam, se é que aprenderam. Foram banidos. Correm o risco até de não eleger nenhum parlamentar em 2022, caso Marconi venha a ser condenado em 2º grau e declarado inelegível por força da Lei da Ficha Limpa, deixando a chapa de um puxador de votos.

30 jan

IPTU Social é marketing populista, prometido irrefletidamente por Maguito e implantado por Rogério Cruz sem atentar a regras de responsabilidade fiscal, pelas quais poderá responder por improbidade

A lei de responsabilidade fiscal, válida para os governantes de todas as esferas, seja municipal, estadual ou federal, é clara: qualquer decisão capaz de provocar renúncia de receita deve ser antecipadamente coberta por uma substituição válida para os recursos que deixarão de entrar no erário. Simples assim. Ora, no caso do IPTU Social implantado pelo prefeito Rogério Cruz, qual é a previsão para o preenchimento do vazio que será aberto pela arrecadação da qual a prefeitura de Goiânia estará abrindo mão?

O projeto aprovado pela Câmara e sancionado pelo prefeito não diz uma palavra sobre isso. Matreiramente, estabelece uma série de requisitos que poucos proprietários de imóveis poderão cumprir para se isentar do pagamento do imposto, a ponto da própria prefeitura admitir que, dos 51 mil beneficiários inicialmente previstos, pouco mais de 10 mil terão efetivamente acesso ao benefício, ao custo de R$ 8,5 milhões. Está na cara que se trata de um projeto populista, de alcance mínimo, destinado muito mais a alavancar o marketing do Paço Municipal do que de fato aliviar o bolso dos contribuintes de baixa renda da capital. Tem um cheiro de malandragem. Na campanha, Maguito Vilela fez essa promessa, mas de modo irrefletido. Não apontou fontes para cobrir o buraco que se abriria na entrada de recursos no caixa da municipalidade nem entrou em maiores detalhes. Rogério Cruz, apressadamente, no esforço para se mostrar como sucessor legítimo do prefeito desaparecido, pode ter metido os pés pelas mãos.

Se houver um mínimo de rigor quanto as regras de equilíbrio fiscal em vigor no Brasil, Rogério Cruz já se candidatou ao seu primeiro processo por improbidade administrativa. Não se faz renúncia fiscal sem apontar uma fonte para tapar o rombo. Abre-se mão aqui desse ou daquele imposto, mas compensa-se ali, com essa ou aquela alternativa para o reembolso do ente governamental envolvido. Essa disposição foi incluída na legislação tributária justamente para impedir que políticos façam média às custas dos cofres públicos. E parece ser um cuidado que não foi observado na invenção do tal IPTU Social, valendo lembrar aqui que o promotor encarregado de assuntos fiscais, no Ministério Público Estadual, é o ferrabrás Fernando Krebs.

Todo cuidado é pouco. Mas parece que Rogério Cruz não se preveniu. Podem vir, pela frente, dissabores amargos.