Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

26 jul

Mendanha e Vitor Hugo são candidatos apoiados em estruturas políticas frágeis, sem densidade e inaptas para gerar uma agenda consistente para a campanha de cada um

O ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha e o deputado federal Major Vitor Hugo são candidatos a governador que se escoram em estruturas políticas frágeis e inaptas para dar sustentação a uma agenda verdadeiramente pactuada com o futuro de Goiás. Atenção, leitoras e leitores: não falo aqui de agenda no sentido de um roteiro de eventos e todo tipo de reuniões para alavancar a campanha de cada um, mesmo porque eles praticamente não conseguem arregimentar plateias para ouvir o que dizem e para auscultar opiniões, mas do recolhimento de visões e informações, além de um envolvimento com os segmentos populacionais à altura de produzir um programa de governo que não seja o mero resultado de palpites de “técnicos” e publicitários contratados para bolar soluções para os grandes desafios do Estado, se é que ambos os dois têm alguma noção sobre isso.

Pelo que vivem dizendo, não sabem grande coisa sobre o que é um projeto alternativo de poder, a exemplo do que o candidato Ronaldo Caiado apresentou em 2018 e o ajudou no convencimento do eleitorado que o sufragou com a vitória no 1º turno. Mendanha passou a vida confinado e apequenado em Aparecida, segundo maior município goiano, porém, como reconhece o seu marqueteiro Jorcelino Braga, “inexpressivo em relação ao resto do Estado”. Já Vitor Hugo nunca sequer enfiou um prego numa barra de sabão em Goiás, a não ser se candidatar à Câmara Federal e passar poucos meses serelepando pela região do Entorno de Brasília, onde capturou os 31 mil votos que o colocaram na garupa do Delegado Waldir e transformá-lo em parlamentar pelo extinto PSL – e nunca mais voltou.

Nem um nem outro sabe nada sobre o que um governador precisa fazer. E é fácil conferir essa ignorância: basta checar o que falam em entrevistas e discursos e como fundamentam as suas respectivas candidaturas. Seus propósitos são pessoais, individuais. Não têm sintonia com o coletivo. Não formulam conceitos e concepções sociais, econômicas ou políticas. Eles não são capazes de explicar suas pretensões, um, o ex-prefeito, se apoiando no fato de ter sido bem votado na reeleição em seu município, outro argumentando com a proximidade que ostenta em relação ao presidente Jair Bolsonaro. De um lado e de outro, é o mesmo que nada. São cabeças ocas que estarão negativamente expostas quando chegar a hora dos debates entre os candidatos e também o momento do horário gratuito de propaganda pela televisão, ainda que, a cada um, venha a caber um pequeno tempo de visibilidade, à jato. Aparecerão, dirão seus nomes e números, tocarão um jinglezinho e… oooops, programa encerrado.

Em 40 anos de eleições após a redemocratização, o eleitorado goiano nunca saiu dos trilhos e sempre decidiu com sabedoria e propriedade. Ganhou a eleições quem tinha que ganhar, exceto 1998, que, ficou provado, não foi um erro histórico, e, sim, com certeza um acerto, pela renovação introduzida. Governadores notáveis e competentes foram eleitos, como visto na reviravolta protagonizada pelo jovem Marconi Perillo (que venceu com o apoio do deputado federal Ronaldo Caiado), e mesmo no ponto fora da curva que foi Alcides Rodrigues, em 2006, cuja lembrança, hoje, é tênue, embora, do ponto de vista de gestão, possa ser salvo pela classificação da sua administração como sóbria e sem extravagâncias e só. Todos os outros foram, cada um à sua maneira, grandes, de Iris Rezende a Ronaldo Caiado, passando por Henrique Santillo, Maguito Vilela e Marconi. É uma galeria onde só por uma calamidade inesperada e disconforme poderia ser pendurada a foto de Mendanha ou de Vitor Hugo.

26 jul

Eleição para o Senado é coisa séria e depende de perfil apropriado, por isso Luiz do Carmo desistiu. Wilder, João Campos, Zacharias e Marconi (este também para o governo) deveriam fazer o mesmo

Eleição para o Senado da República é coisa séria e depende de perfil apropriado quanto aos pretendentes, o chamado “perfil majoritário”, que soma as características de universalidade e representatividade de cada nome. É fácil entender: vejam, leitoras e leitores, a candidatura de João Campos, que só dialoga com segmentos evangélicos, setor da sociedade em que sequer é predominante, e com algumas lideranças sindicais da Polícia Civil, base pequena demais para sustentar um projeto eleitoral de envergadura. De resto, passou pela Câmara Federal cumprindo uma agenda negativa, como a tentativa de instituir a “cura gay”. Com essas limitações, Campos, ao se meter em uma disputa para a qual não tem estatura, acabou cometendo um suicídio político.

Falta perfil majoritário também a Wilder Morais. Incrivelmente, ele foi senador beirando sete anos, substituindo Demóstenes Torres, e não conseguiu colocar um tijolo sobre outro, falhando na obrigação de se vincular a correntes sociais ou políticas nem a nada nem a ninguém. Uma folha em branco, na mais alta Câmara Legislativa do país. Além disso, é milionário, só que não gasta e teima em economizar na campanha, o que o levou à derrota em 2018 e o levará novamente agora. No pleito passado, ele se agarrou ao então candidato Ronaldo Caiado, de quem se tornou inseparável, sem resultado algum graças ao discurso infantil que desfiava, baseado em lembranças da sua vida de menino pobre. Vestia, nesses eventos, blazers Emiliano Zegna. Se comparado com Delegado Waldir, que faz o mesmo agora, ou seja, anda para cima e para baixo colado em Caiado, Wilder foi um fiasco onde Waldir tornou-se um sucesso. Ao lado do governador, debaixo de sol e de chuva, o delegado consertou sua imaturidade e conseguiu adquirir perfil majoritário e com tal consistência que logrou façanha de encabeçar as pesquisas para o Senado, no momento.

Luiz do Carmo foi abatido pela mesma carência de conteúdo de Wilder, com uma diferença: como é um homem de fé, evangélico do pé rachado, teve a humildade de reconhecer a sua inviabilidade diante das urnas. Para deputado federal, ainda tem possibilidades teóricas e seria com certeza um bom parlamentar na Câmara Federal, pela experiência de bastidores que adquiriu. Pelo sim, pelo não, esteve no Senado por quatro anos. Na Câmara, estaria em um nível de atuação política e institucional adequado. Sim, é um pouco tarde para começar praticamente do zero uma campanha para deputado federal, mas ainda dá, levando-se em consideração que ele, Carmo, tem um grau elevado de reconhecimento e penetração entre o seu “povo de Deus”.

Assim como Delegado Waldir, é preciso admitir que, de tanto insistir, Alexandre Baldy alcançou êxito em adquirir o seu perfil majoritário. Nem tanto como Waldir, diga-se, porém com um encorpado recheio à base de muito municipalismo via acesso ao encaminhamento de verbas federais para prefeitos, empurrado pelo prestígio construído no mundo das lideranças do Centrão, por meio do seu partido, o PP. O ponto fraco é a dificuldade para converter esse direcionamento de recursos em retorno para a imagem. Baldy, que é outro milionário na política, gasta mais que Wilder, menos, contudo, que o necessário para impulsionar quem não tem uma identificação popular bem definida, seu caso. O capital político que juntou, mesmo artificial, de qualquer modo autoriza a sua candidatura ao Senado, embalada pela habilidade com que a construiu em meio a um ambiente inicialmente adverso que foi superado com maestria em matéria de articulação e posicionamento. Nisso, surpreendeu.

Restam Zacharias Calil e Marconi Perillo. Zacharias é um estranho no ninho: não pertence à política e, se não soube o que fazer com o mandato que conquistou na Câmara Federal, também não saberia como senador. Além disso, seria uma candidatura, como a do presidente da Assembleia Lissauer Vieira, que dependeria de uma oficialização na chapa da reeleição de Caiado e poderia padecer vicissitudes caso lançada de forma avulsa, como serão as postulações de Delegado Waldir e Alexandre Baldy, que entenderam o jogo com antecipação e se prepararam. Como Caiado não vai chancelar nenhum aspirante específico, já era: onde é que encontraria bases para se sustentar?

E Marconi? O ex-governador tem tudo o que se exige de um candidato majoritário. E em abundância: amplitude, conhecimento, experiência, portfólio e capacidade de articulação – um indiscutível perfil majoritário, enfim. Só que essas virtudes se apequenam diante dos pontos negativos, entre os quais se agiganta a rejeição do eleitorado que o premia com o 1º lugar na ojeriza popular. Desde que foi derrotado em 2018 e afundou nos escândalos do final da sua gestão, passaram-se apenas quatro anos, nem isso, tempo insuficiente para curar as feridas quase mortais que seguram a sua recuperação e tornam o seu lançamento na corrida para governador ou senador uma hipótese de alto risco, já que uma nova derrota seria fatal para o seu futuro. Seguro mesmo continua sendo um mandato na Câmara Federal. Se tiver juízo e se não esqueceu o que aprendeu ao longo da sua carreira, será esse o caminho do tucano-mor de Goiás.

Tem ainda Lissauer Vieira. No comando do Poder Legislativo, ele ganhou um espaço de liderança e anexou automaticamente um perfil majoritário, o que significa que é um competidor qualificado. O desafio, para ele, é outro: calcular com presteza as ameaças de uma candidatura avulsa, uma vez que se tornou inexequível a sua confirmação como único companheiro de chapa de Caiado dada a força das postulações de Delegado Waldir, bem-posicionado nas pesquisas, e de Alexandre Baldy, muito bem estruturado pelos municípios afora. Lissauer é um quadro de renovação e de valor – para o qual vale a pena a procura por uma solução capaz de acomodar os seus interesses e os seus projetos, que parece difícil por ora.

18 jul

Horário gratuito no rádio e TV é o principal instrumento de massificação de candidaturas: oposicionistas não terão tempo suficiente para fazer um marketing razoável

Os resultados da segunda pesquisa Serpes, divulgada no último fim de semana, confirmaram as tendências reveladas até aqui pelo processo pré-eleitoral em Goiás e expuseram, para os candidatos de oposição, um quadro de dificuldades que se agravará a partir do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão – a principal ferramenta de massificação disponível para qualquer campanha, desde que se disponha de uma fatia de tempo satisfatória para fazer um proselitismo minimamente convincente.

A menos que conquistem novos partidos – e esses não parecem disponíveis no mercado político estadual, já comprometidos em sua maioria com a reeleição do governador Ronaldo Caiado -, oposicionistas como o ex-governador Marconi Perillo, se realmente confirmar a sua candidatura ao Palácio das Esmeraldas, o ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha e o deputado federal Major Vitor Hugo dificilmente conseguirão mais do que um minuto de programa em cada bloco do TRE, no horário do almoço e no do jantar, com inserções de 30 segundos durante todo o dia também escassas, no máximo três ou quatro para cada um.

Tudo isso será oficializado pela Justiça Eleitoral do Estado de Goiás no dia 12 de agosto, duas semanas antes do início do palanque eletrônico, a 26 de agosto, data em que será anunciada a divisão do tempo de rádio e TV. Mas, desde já, é possível adiantar: será com uma curta exposição na telinha que, a vigorar as coligações partidárias ora articuladas, cada oposicionista tentará fazer o básico do marketing eleitoral em audiovisual: se apresentar, formular uma visão de futuro para Goiás, criticar os antagonistas e se defender das eventuais críticas. Isso, para Mendanha e Vitor Hugo, desconhecidos da grande maioria do eleitorado goiano, seria indispensável e fundamental, nem tanto para Marconi. De qualquer forma, improvável para qualquer um deles conseguir em um espaço de tempo tão diminuto quanto o minuto, no máximo, que um por um terão.

Wolmir Amado, pelo PT e levando a tiracolo o PSB, deverá chegar a mais de dois minutos. É que a distribuição do horário gratuito é feita conforme o tamanho das bancadas partidárias na Câmara Federal no início da atual Legislatura, em 2018. O número de parlamentares petistas, naquela época, era maior. No caso do PL do Major Vitor e do Republicanos de Mendanha, bem menor do que hoje. Quanto ao PSDB, mais ou menos igual. Nas contas que podem ser feitas desde já e, como dito, mantido o quadro de alianças entre os partidos, a vantagem para Caiado será monumental. A turma do contra vai aparecer muito pouco. Vai ser difícil produzir uma reversão das expectativas.

Vale repetir: essa é a realidade projetada a partir dos dados de agora, que ainda podem ter teoricamente alterados (caso, por exemplo, de uma eventual aliança entre o PSDB de Marconi e o PT de Lula, com a exclusão da candidatura do ex-reitor Wolmir Amado).

16 jul

Saiu a pesquisa Serpes e nesta, leitora e leitor, você pode acreditar, porém na interpretação que O Popular deu, não, porque houve desonestidade editorial

Depois de praticamente seis meses, saiu a segunda pesquisa Serpes sobre a sucessão em Goiás, a única em que se pode acreditar plenamente, dada a credibilidade do instituto, a correção da sua metodologia e percentual de 100% de acertos em eleições passadas. Não houve surpresas: o governador Ronaldo Caiado lidera com uma folga que corresponde ao dobro das intenções de voto em relação a Gustavo Mendanha e muito mais do que isso quanto a hipotética candidatura de Marconi Perillo. Vitor Hugo e Wolmir Amado não existem.

Certo, certíssimo. É o que se esperava entre os especialistas e no meio político. Por isso, causou espanto a interpretação que O Popular deu para os números. Segundo o jornal da família Câmara, que nunca gerou um único profissional do ramo em mais de 80 anos de presença no Estado, “Caiado lidera, mas quase não avança”, em alusão comparativa aos índices parecidos da primeira pesquisa Serpes, publicada no início de janeiro. Ocorre que qualquer editoria minimamente séria e responsável teria publicado que “Caiado lidera e pode vencer no 1º turno”. Ou então “Caiado mantém a frente e pode vencer no 1º turno”. Sim, porque a soma de votos válidos do governador alcança 49,3%, faltando, portanto, casas decimais ínfimas para liquidar a fatura logo na primeira etapa da eleição. Em uma linha escondida, o texto da matéria respira fundo e admite a contragosto que a possibilidade existe, deixando no ar que se trataria de um desfecho distante e jogando na lata de lixo a revelação mais crucial e importante da pesquisa, optando por insinuar uma prejudicial estagnação, em vez de realçar a a confortável estabilidade, que não foi nem sequer cogitada por esse delírio jornalístico.

Trata-se de uma façanha e tanto a de Caiado, que O Popular trocou por um “quase não avança”, em um esforço para desviar a atenção dos seus assinantes e desmerecer o resultado. O governador está a um passo de liquidar a fatura no 1º turno, bastando conquistar uma ninharia de votos para bater essa meta. E ele está devidamente aparelhado para isso: reuniu a maior coligação de partidos e uma coleção de apoios de excelência, terá quase a metade do horário gratuito de propaganda política no rádio e televisão e, não bastasse tanto, ainda se beneficia da notável exposição proporcionada naturalmente pelo cargo que ocupa. Faz, de resto, um bom governo e mantém incólume a sua biografia imaculada e a conhecida intransigência com a corrupção.

Vigora, na redação de O Popular, uma doutrina não escrita rezando que, em época de eleições, tudo deve ser feito para fortalecer a exaltar a oposição. Seria, na cabeça dessa gente, uma espécie de compromisso democrático. Em seus tempos de fastígio, o então governador Marconi Perillo foi a vítima preferencial dessa jurisprudência jornalística equivocada que agora persegue Caiado. Não tem sentido e é desonestamente editorial porque, em última análise, acaba deturpando a realidade, papel que não de lícito a um veículo de comunicação que se pretende qualificado – ao qual caberia priorizar a verdade, nada mais que a verdade, e não interferir no processo político a favor de A ou B.

02 jul

Esperança dos candidatos oposicionistas, horário eleitoral no rádio e TV tem o impacto diminuído pelo clima da campanha permanente das redes sociais e pela queda de audiência dos canais abertos

Candidatos oposicionistas ao governo de Goiás como Major Vitor Hugo (PL), Wolmir Amado (PT) e Gustavo Mendanha Patriota) só têm um cartucho para enfrentar a reeleição do governador Ronaldo Caiado: o horário gratuito do rádio e televisão, único mecanismo de massa a que eles terão acesso para tentar tornar os seus nomes conhecidos, levar alguma mensagem ao eleitorado, se é que a têm, e ganhar visibilidade e votos para chegar a um desempenho razoável nas urnas de 2 de outubro, o que dificilmente incluirá uma vitória – por ora.

Antigamente, o horário gratuito era decisivo. Foi com a enorme vantagem que tinha nesse quesito, graças ao número de partidos reunidos em torno do seu nome, que Marconi Perillo conseguiu a virada histórica de 1998, talvez a única em mais ou menos 40 anos de eleições após a redemocratização iniciada com o primeiro pleito direto para governador, em 1982. Marconi contou com quase 9 minutos em cada bloco da propaganda eleitoral, mais que o dobro do PMDB de Iris Rezende, sem falar na avalanche de inserções de 30 segundos ao longo do dia.

Isso não existe mais. Neste ano, serão apenas um total de 10 minutos no horário do almoço e 10 minutos à noite, mais um número correspondente de pílulas de 30 segundos inseridas na programação normal, para todos os candidatos. Nesse curto espaço de tempo, no caso de Goiás, pelo menos oito pretendentes se sucederão em aparições de extensão variada, todas reduzidas, com exceção de Caiado, que poderá chegar a cinco minutos, e de Wolmir Amado, com possibilidade de alcançar entre dois e dois minutos e meio. O critério para atribuir a cada candidato a sua fatia no palanque eletrônico é baseado na extensão das bancadas partidárias na Câmara Federal, que se somam, no caso das coligações, privilegiando o União Brasil do atual governador e o PT do ex-reitor da PUC – únicas legendas até agora, em nível estadual, a mostrar capacidade para alianças.

Vitor Hugo e Mendanha estão condenados à insignificância no horário eleitoral, assim como os demais candidatos, todos nanicos. Não haverá oxigênio para fazer o básico: se apresentar, criticar os concorrentes, formular propostas e eventualmente se defender de ataques. Jingle de campanha, só o refrão, com o número. Já Caiado e Wolmir serão estrelas, com as suas vitrines amplificadas, em epecial o governador. Aparecerão muito mais que os concorrentes, Caiado, suficientemente conhecido, usufruirá de folga para mostrar as realizações do seu governo, lançar ideias novas e rebater ofensas. Pelo minguado apital partidário reunido até agora, Vitor Hugo e Mendanha terão que se virar em torno de um minuto, algo menos ou algo mais. É exageradamente pouco para quem precisa produzir quase que um milagre de marketing e comunicação para não fugir do vexame na hora da apuração dos votos.

Contra os postulantes oposicionistas, pesa também audiência baixa do rádio e a queda contínua do número de telespectadores, nos últimos anos, atraídos pelos canais de streaming. Restarão a eles os eventos presenciais, para os quais enfrentarão dificuldades imensas para arrebanhar público, e as redes sociais, território propício para falar a convertidos e manter a simpatia que já se tem, porém de retorno duvidoso quando se trata de conquistar votos fora do círculo formado pelos seguidores já engajados.

A história mostra que, com exceção de Marconi em 1998, sempre ganhou para governador quem começou na frente e tinha expectativas de sucesso. Não é fácil produzir viradas em Goiás, ainda mais em eleições em que a definição das eleitoras e dos eleitores parece cristalizada com antecedência, como é o caso da disputa presidencial e pode ser o estadual, em que Caiado lidera as pesquisas desde a primeira e se mantém com aprovação elevada para a sua gestão, além de conservar intocável a gordura da sua biografia imaculada e da intransigência com malfeitos de qualquer natureza. É por isso, aliás, que ele é o favorito.

27 jun

Mendanha senta-se sobre o próprio rabo ao ensaiar crítica a Caiado: em Aparecida, ele não cumpriu nenhuma promessa de campanha, não erigiu qualquer obra e não implantou programas sociais permanentes

Um candidato a governador, em princípio, deve ser avaliado pelo seu currículo, ainda mais quando exerceu por dois mandatos a administração de um município que é o segundo maior do Estado quanto a população – caso de Gustavo Mendanha. Não que esse seja um critério incontornável em uma eleição majoritária, como exemplifica Marconi Perillo vitorioso em 1998 sem nunca ter administrado antes um carrinho de pipoca, ainda por cima derrotando um gestor experiente e consagrado como Iris Rezende, na época.

No entanto, tendo sido prefeito de Aparecida, o nome de Mendanha precisa obrigatoriamente ser avaliado à luz do que foi a sua passagem por uma prefeitura que tem o terceiro ou quarto maior orçamento do Estado, algo em torno de R$ 1,6 bilhão anuais. Mesmo porque ele mesmo vive repetindo que pretende fazer, para Goiás, o que teria feito pela cidade que governou. Mote, aliás, que derrotou Vanderlan Cardoso em duas eleições governamentais sucessivas, nas quais tentou se escudar na administração supostamente revolucionária que fez como prefeito de Senador Canedo.

Nem Senador Canedo nem Aparecida se equivalem ao Estado de Goiás. E nem Vanderlan nem Mendanha produziram, nas suas cidades, mudanças ou avanços de excelência, a tal ponto de justificar uma eleição para governador. Porém, vamos deixar Vanderlan para lá porque o assunto aqui é Mendanha – e não é difícil concluir que a sua passagem pela prefeitura de Aparecida foi desastrosa: ele não tem uma obra de impacto para mostrar, não cumpriu uma única das suas promessas de campanha e, em um centro urbano em que o CadÚnico da União aponta a existência de 51.500 pessoas vivendo em condições de penúria, não implantou nenhum programa social permanente, isso tudo dispondo de 5 anos e 3 meses de mandato.

Mendanha foi reeleito por uma ampla maioria de votos, o que teoricamente corresponderia a uma altíssima aprovação para a sua gestão. Não, leitoras e leitores, não é bem assim. Esse resultado foi obtido à custa de muita manipulação de marketing (R$ 20 milhões anuais), da cooptação da classe política aparecidense graças a um monumental cabide de empregos montado na prefeitura, e do embalo que a prefeitura ganhou com os dois mandatos muito bem-sucedidos de Maguito Vilela. Conteúdo, Mendanha não tinha. E continua sem ter. É formado em Educação Física e nunca teve uma carteira de trabalho assinada, sempre pendurado em salários do poder público. Em uma entrevista, citou um livro de autoajuda ao ser perguntado sobre as suas leituras.

De meados do ano passado para cá, Mendanha deu amplas entrevistas a O Popular, no impresso e em vídeos postados no site. Em nenhuma delas, foi perguntado sobre Aparecida, merecendo em todas um inaceitável e injustificável tratamento reverencial, por antijornalístico. Bom para ele, que não teria o que dizer. Como faz, a propósito, em suas manifestações públicas, evitando se reportar à sua atuação como prefeito, exceto através de declarações genéricas, que escondem a farsa sob a qual se abriga. Isso se projeta na tentativa de crítica que ensaia ao governador Ronaldo Caiado, quando se senta sobre o próprio rabo – comprido – para atribuir ao antagonista os defeitos que exibe em quantidade: não cumpriu as suas promessas de campanha, não fez nenhuma obra e não implantou um só programa social permanente, apesar do volume de famílias em situação de vulnerabilidade em Aparecida.

Para piorar, Mendanha não enfrenta o debate. Escafede-se, como regra geral. Não responde a dúvidas sobre a sua pessoa e a sua conduta. É o pior tipo de político possível, apostando na desinformação e na concepção estúpida de que a sua palavra teria credibilidade acima de toda e qualquer verdade, tal como foram os seus anos de poder em Aparecida, baseados na ignorância e na ingenuidade do eleitorado local. Pode ter dado certo, ali, mas Goiás é muito maior. Não vai funcionar.

27 jun

O que absolve políticos condenados pelas urnas e por escândalos é tempo e vitória – sem nenhum dos dois, Marconi, se disputar eleição majoritária agora, correrá o risco de desaparecer para sempre

Políticos que naufragam nas urnas, em especial sob o impacto de escândalos de corrupção, ainda assim podem muito bem voltar ao jogo, mas dependendo de dois fatores cruciais: tempo e vitória. Ou seja, precisam da passagem dos anos para contar com a diluição dos seus desgastes e, para fechar a equação, necessitam vencer novas eleições. É isso que o ex-governador Marconi Perillo deveria observar para decidir sobre o seu futuro próximo, que passa pelas eleições deste ano, se é que não esqueceu o que aprendeu ao longo da sua carreira política.

O roteiro para a sobrevivência de Marconi e o seu retorno ao palco principal da luta pelo poder em Goiás está desenhado. Candidata-se a deputado federal, elege-se com alguma facilidade, vai para o Congresso Nacional onde tem cacife para se enfiar nas articulações qualificadas da política federal, rearruma-se de lá para cá e, em 2026, quando duas vagas para o Senado estarão disponíveis, apresenta-se com grandes chances à disputa por uma delas. A depender do desempenho que mostrará nos próximos quatro anos, poderia até ambicionar a corrida pelo governo do Estado, opção, no entanto, que desde já prevista como mais viável para 2030. Pressa, nesse caso, é inimiga.

Os bajuladores que cercam Marconi o querem candidato a governador já, é óbvio que para atender ao desespero que experimentam sem as benesses a que se acostumaram durante os 20 anos de mandonismo tucano – em que o ex-governador em alguns momentos foi alçado à condição de semideus e cometeu o erro de acreditar nessa imprudência. Não era e o resultado foi o que se viu em 2018, com a amargura do 5º lugar para o Senado, pior ainda se isolados os votos da região metropolitana, onde ele ficou em 6º, atrás até de Agenor Mariano. Além disso, ocorreram os acontecimentos policiais e ele foi colhido por uma tempestade perfeita, de cujos efeitos, apenas quatro anos depois, está longe de ter se livrado.

Em princípio, dada a rejeição que acumulou e que só se dissolverá, como dito no parágrafo inicial, com tempo e vitória, Marconi é um candidato frágil e vulnerável tanto para o governo quanto para senador. Seus infortúnios ainda são recentes, estão na memória do povo e daqui para ali ressurgirão, com a força dos questionamentos que serão lançados pelos adversários. Será, disparado, a maior vidraça da campanha. Derrotado, só restará dizer adeus para a política porque até mesmo os aduladores de hoje sumirão. O ex-governador é sabido. Por ora, aproveita a visibilidade oferecida pelas pesquisas que o cogitam para as duas vagas majoritárias sob decisão em 2 de outubro. Se acreditar nessa miragem, vai acabar se aposentando como consultor da Companhia Siderúrgica Nacional.

25 jun

Adversários de Caiado, nos casos de Mendanha e Vitor Hugo, dependem de um milagre de marketing para o qual eles não têm tempo no horário eleitoral. Ou de uma facada

Dois dos adversários que se colocaram para enfrentar a reeleição do governador Ronaldo Caiado – o frouxo, moral e politicamente, Gustavo Mendanha, e o ingênuo Major Vitor Hugo – vão depender, assim que a campanha começar, de um milagre de marketing para crescer e chegar até o dia das urnas como alternativas realmente viáveis. Eles teriam que ser beneficiados por algo prodigioso em matéria de sensibilização coletiva, valendo citar aqui, para melhor entendimento das leitoras e leitores, um exemplo: a surpreendente vitória de Marconi Perillo em 1998, quando se beneficiou de um mote acidental, o da “panelinha” do então PMDB, e acabou derrotando o todo-poderoso Iris Rezende convertido em símbolo de um processo de renovação da política estadual.

Não foi só isso que elegeu Marconi, claro. Ele tinha uma conjunção de fatores favoráveis, como o apoio da maioria dos partidos de expressão em Goiás, de ex-governadores (Henrique Santillo, Mauro Borges, Otávio Lage, Ary Valadão e Leonino Caiado) e dos deputados federais de maior projeção na época, Ronaldo Caiado entre eles. Até mesmo, de certa forma, o respaldo do presidente da República daquele momento, Fernando Henrique Cardoso, do mesmo partido, o PSDB, através do ministro das Comunicações Sérgio Mota. O prefeito de Goiânia, maior colégio eleitoral, era Nion Albernaz, também do PSDB. Para finalizar, no horário gratuito da propaganda eleitoral no rádio e televisão, Marconi, graças às numerosas e expressivas siglas que reuniu na sua coligação, navegou no dobro do tempo que a aliança comandada pelo MDB conseguiu reunir.

Mendanha e Vitor Hugo estão muito longe do fenômeno que foi a coroação popular de Marconi em 1998. A fragilidade política dos dois é evidente, mesmo, no caso do deputado federal, que ele tenha um apoio que pode ser considerado consistente, o do presidente Jair Bolsonaro, que, em Goiás, tem quase a metade dos votos e vence Lula com facilidade, regionalmente, conforme mostram sucessivas pesquisas. Mas, com Vitor Hugo, só está o PL, nada mais, assim como, pró Mendanha, só se alinha o Republicanos, única estrela em meio a cinco legendas nanicas – inclusive a do ex-prefeito, o Patriota.

Com o que contam, nem um nem outro irão muito longe. O partido de Vitor Hugo e os partidos de Mendanha só vão assegurar a eles em torno de um minuto de rádio de televisão, nos blocos do meio-dia e da noite, e mais duas ou três inserções diárias de 30 segundos. Isso é igual a nada, quando se sabe que para uma boa performance no palanque eletrônico um candidato precisa se apresentar, disparar críticas contra os adversários, mostrar suas propostas e, a depender da evolução da campanha, se defender de eventuais denúncias ou acusações. Para chegar a tudo isso, tem-se como regra que alguma coisa é possível a partir de dois minutos e meio para os programas em áudio e vídeo de um candidato.

Dirão muitos: Jair Bolsonaro, com sete segundos no rádio e TV, foi eleito presidente. Sim, foi. Mas trata-se de mais uma confirmação para a tese de que o milagre de marketing é indispensável para que postulantes sem estrutura e sem visibilidade no horário gratuito do TRE tenham sucesso. Bolsonaro levou uma facada e a partir daí ficou no topo do noticiário desde esse instante até a data das eleições, quase 30 dias, o que valeu mais que mil programas eleitorais. Enquanto isso, o antipetismo caía no seu colo e contribuía para a sua glorificação final, infelizmente para o país.

Nem Mendanha nem Vitor Hugo, em condições de normalidade até 2 de outubro, vão passar perto de alcançar a graça de uma dádiva extraordinária capaz de impulsionar suas candidaturas. Eles só conquistarão algum espaço na base do muque de cada um e esse é mambembe, tanto politicamente quanto em matéria de possibilidades de comunicação com a massa do eleitorado. Ou então se um deles levar uma facada.

21 jun

Pesquisas dos últimos dias em Goiás carecem de credibilidade. Faz muita falta um levantamento do Serpes, o instituto que tradicionalmente baliza a sucessão no Estado

Estão a sair novas pesquisas sobre a sucessão em Goiás. Uma batelada, quatro, no mínimo, inclusive ainda no forno, qual seja, a última a pedir autorização para publicação, por conta do Real Time Big Data, da Rede Record. Enquanto isso, foram publicados levantamentos dos institutos Paraná Pesquisas, Goiás e Fox-Mappin. Todas as três – e mais a quarta, do Real Time – de alguma forma carentes de confiabilidade absoluta.

Ao passo que, nacionalmente, se produz pelo menos uma dezena de levantamentos eleitorais por semana, aqui no Estado as pesquisas continuam raras e escassas. Faz falta, nessa hora, um trabalho de peso, uma apuração das intenções de voto como são os realizados pelo Serpes, que custa caro e por isso mesmo, na atual temporada eleitoral, não estão sendo encomendados nem mesmo pelo jornal O Popular, que, em outras eleições, a essa altura já teria divulgado pelo menos seis ou até mais.

Os tempos são de contenção de despesas, até mesmo para a família Câmara – aquela que, em oito décadas como proprietária de veículos de comunicação, não gerou um único jornalista, só empresários. Mas vamos nos focar nas pesquisas do momento. A do Paraná Pesquisas é a melhor, muito embora seus critérios, confusos, sejam contestados pelo ranking da Folha de S. Paulo e do UOL, que define os seus levantamentos como controversos e, portanto, de credibilidade mediana, além de assinalar que o instituto é contratado pela campanha do presidente Jair Bolsonaro (e foi por isso, aliás, que o Paraná veio a Goiás, apontando uma margem de 10 pontos a favor de Bolsonaro, sobre Lula). De passagem pelo Estado, aproveitaram para sondar as eleições para governador e senador.

O Paraná Pesquisas trouxe números, para o governo, alinhados à média dos resultados já de conhecimento geral, com dois cenários: um, com Marconi Perillo, em que o governador Ronaldo Caiado lidera com 40,8% e outro, sem Marconi, em que Caiado sobe para 45,8%. Tem sentido. A oposição, somada, passa de 35%, em ambas as simulações, porém, na ausência de Marconi, Caiado vence no 1º turno. Dá para acreditar nesses percentuais? Como dito no parágrafo anterior, a fidedignidade do Paraná Pesquisas é mediana. É um típico caso de talvez sim, talvez não.

A segunda pesquisa é a do Goiás Pesquisas. Esse, nem se sabia que existia. Não há informações sobre quem é o dono, nem mesmo no site resumido e enxuto mantido na internet (o endereço da firma é um apartamento residencial em um bairro de Aparecida). O levantamento foi feito por telefone, sem maiores detalhes sobre os critérios seguidos para a abordagem dos entrevistadores, que, quando é assim, necessitam ser altamente preparados, do ponto de vista técnico. É duvidoso que o instituto disponha dessa equipe, cuja qualificação é fundamental para separar o joio do trigo nas conversas telefônicas e chegar à verdade das intenções de voto. Além disso, a questão da amostragem é delicadíssima. Talvez por isso os números processados tenham sido tão divergentes, ou seja, apenas 30,82% para Caiado e índices elevados para os candidatos de oposição. Por ora, não dá para apostar no instituto Goiás. No ranking particular desse blog, ele está no nível de credibilidade baixíssima.

Como a pesquisa do Real Time Big Data ainda não saiu (são 11 horas do dia 21 de junho, terça-feira), resta medir o levantamento do Fox-Mappin, estampado como manchete pelo jornal O Hoje, alegando que há um empate técnico entre Caiado e Gustavo Mendanha, na faixa dos 30 pontos para cada um. Pelas estranhezas do questionário e mistura de critérios para as entrevistas, entre telefônicas e presenciais, domiciliares e na rua, não é possível levar em consideração, nem para análise jornalística nem para tomada de decisões nem para classificação em qualquer tipo de ranking.

Um parêntese: O Real Time Big Data é listado pelo ranking da Folha de S. Paulo e do UOL como confiável. Mesmo assim, em Goiás, dadas as estrepolias do passado, não é. É preciso por um pé atrás. Já os institutos Goiás e Fox-Mappin, por atuar apenas no Estado, não foram incluídos nessa avaliação.

Como dito no início, faz falta uma pesquisa do Serpes, que tradicionalmente baliza a sucessão estadual. E, enquanto não sai, lamentavelmente seguimos no escuro, contando apenas com a força das tendências. O que está sendo publicado não pode ser tomado a sério.

15 jun

Candidatura de Mendanha se baseia na mentira de que ele fez uma boa gestão em Aparecida, mas, como mentira tem pernas curtas, nenhum marketing convencerá goianas e goianos de que é alternativa

A suposição de que Gustavo Mendanha teria feito uma gestão de qualidade em Aparecida, estimulada pela boa votação que teve para a sua reeleição, é que acabou criando condições para a apresentação do seu nome como candidato ao governo do Estado. Atenção, leitoras e leitores: Mendanha foi um prefeito medíocre, incapaz de qualquer obra de expressão em um município onde as carências estão em todas as equinas, não cumpriu nem uma única das suas promessas de campanha – e isso não é exagero: não cumpriu nenhuma, como qualquer um pode verificar nos planos de governo que registrou na Justiça Eleitoral – e, pior de tudo, em tempos de pandemia, com milhares de aparecidenses passando necessidade, não implantou ao menos um – unzinho – programa social permanente no 2º município mais populoso do Estado.

É um desempenho pífio, porém, perguntarão as amigas e os amigos, como é que ele chegou à reeleição com o expressivo apoio da população local? Primeiro, ao absorver o embalo de Maguito Vilela, este, sim, um prefeito realizador, que assina a transformação de Aparecida em potência econômica através da sua política de implantação de polos industriais e de obras estratégicas. Mendanha, para variar, não implantou um único polo. De quebra, em sua gestão, a economia aparecidense desacelerou e não só por causa da Covid-19. Empresas de grande porte deixaram de vir, pela falta de articulação de um prefeito envolvido com questiúnculas provincianas, como a cooptação de toda a classe política através do maior cabide de empregos jamais visto em uma prefeitura em Goiás. Até investimentos já programados, como a nova fábrica do Guaraná Mineiro, avaliada em R$ 60 milhões, foram cancelados e isso, repita-se, muito antes da pandemia.

Quem examinar os 5 anos 3 meses de Mendanha na prefeitura concluirá que ele não gosta de pobres. De vez em quando, distribuía cestas básicas, obtidas por doação junto ao empresariado. Sua mulher, a ex-modelo Mayara, é uma fanática evangélica que não sabe o que é empatia pelos vulneráveis. Para os bebês de mães desfavorecidas, providenciou caixas de papelão para substituir berços dignos desse nome. Comprou milhões em tortas, bolos e refrigerantes, alimentos pouco saudáveis, para as crianças e idosos abrigados em instituições mantidas pela prefeitura. É um escândalo. Programas sociais permanentes, que são o que funciona para aliviar as agruras das famílias em situação de precisão, ou seja, dinheiro no bolso, nenhum.

Um farsante como esse quer governar Goiás, acreditando-se predestinado por Deus, mas, para isso, não se envergonha em trair companheiros como Daniel Vilela e a própria memória de Maguito, aos quais deve ter chegado aonde chegou. Aliou-se à escória da política estadual, reunindo no seu entorno gente do pior tipo, que enxerga nele uma tábua de salvação para voltar ao palco de onde foi escorraçada: corruptos, molestadores de mulheres e, em sua maioria, cretinos ressentidos com a punição que receberam da vida pelos seus malfeitos. Além de tudo isso, é bolsonarista de quinta categoria, puxa-saco, mesmo tendo sido rejeitado pelo presidente que preferiu impor o Major Vitor Hugo como seu candidato do peito em Goiás. Vexame maior, impossível.

Despreparado, sem nunca ter lido um livro e sem formação humanista, treinado para o fisiologismo no mais deletério ambiente político de Goiás, que é Aparecida, um inepto cercado de ineptos, Mendanha comanda hoje um simulacro de campanha que nada mais é do que a tentativa de imposição ao Estado de uma visão caolha e personalista para o futuro. Ou velha política, em sua versão mais medonha. Só a sua candidatura já desmerece o que somos e o que podemos ser no amanhã. Como é que alguém com tantas bizarrices se arvora a pretender o Palácio das Esmeraldas? Que o Deus a que ele se apega, acreditando-se seu emissário na terra, tenha piedade de todos os que habitam o chão goiano e nos livre dessa praga.

13 jun

Viaduto da região Norte, que Iris deixou com apenas 15% das obras realizadas, marca a superação e o início real do mandato de Rogério Cruz

A inauguração, na semana passada, do viaduto batizado com o nome de Iris Rezende no cruzamento da avenida Goiás com a avenida Perimetral Norte, tem uma importância simbólica para a avaliação do desempenho do prefeito de Goiânia Rogério Cruz, a esta altura dos fatos completando um ano e cinco meses de gestão – depois do começo dramático sob o impacto do trauma da morte do prefeito eleito Maguito Vilela, vítima da Covid-19.

O viaduto é um dos melhores exemplos da herança senão de caos, pelo menos de complicações administrativas e uma desordem financeira, deixada por Iris Rezende, apesar de ter encerrado o seu mandato em clima de consagração da sua carreira política. Em Goiás, certas mortes equivalem a um passaporte para a santificação, como ocorreu, também, com Maguito. No caso de Iris, um mandato que não foi bom ou no máximo mediano, acabou alçado à categoria de arrojado e extraordinário, quando, na verdade, não tinha consistência diante de um volume de obras tocadas muitas vezes de improviso e no final deixadas inconclusas, como aconteceu com o viaduto inaugurado por Rogério Cruz, que o encontrou ao assumir com a sua edificação em estágio inicial, não mais que 15% e assim, portanto, pode ser considerado como integralmente construído pelo atual prefeito.

Quem ousar falar de Iris, pelo menos em termos da sua última passagem pelo comando do Paço Municipal, corre o risco de ser execrado, tal a comoção que a sua transferência para a eternidade causou. Mas Rogério Cruz nunca deu um pio sobre o estado em que encontrou a prefeitura, respeitoso com a família. Pode não ter sido uma situação trágica, porém crítica era. E daí para pior. O caixa municipal estava em descontrole, pressionado pelo volume elevado de obras iniciadas para as quais não existiam recursos assegurados, não para todas. Iris, que prometeu entregar tudo até o final do seu mandato, engoliu o compromisso e não falou mais em prazos. Na prática, transformou o governo do seu sucessor, seja quem fosse, em extensão forçada do seu.

A bomba caiu no colo de Rogério Cruz, ponto fora da curva na fiada de prefeitos que a elite política, cultural e econômica de Goiás historicamente elege para a capital (o próprio Iris é um exemplo, Maguito é outro). Negro e sem raiz nas castas privilegiadas que sempre dominaram a gestão de Goiânia, pode-se dizer que ele quebrou essa sequência por também ser de origem popular e humilde. O desafio para afirmação do seu nome foi maior por isso mesmo e continua sendo. Onde seus precursores ganharam tolerância e facilidades, para Rogério Cruz só se colocaram óbices e questionamentos. Com o legado adverso que recebeu ao se sentar na cadeira número um do alto do Park Lozandes, pisou na beira do abismo.

O viaduto da região Norte, para o prefeito, é um emblema superação. Em pouco mais de um ano, ele passou o pé na maioria dos esqueletos de ferro e concreto que vieram junto com o seu diploma de posse – e não foram poucos. De quebra, saneou o erário, pagou em dia e implantou programas sociais permanentes e relevantes, o IPTU Social e a Renda Família, hoje, os dois, com mais de 70 mil beneficiários, uma obrigação em tempos de fome e miséria no país que nem todos os governantes cumprem. Ao lado, em Aparecida, Gustavo Mendanha, que tem a pretensão de se mudar para o Palácio das Esmeraldas, passou cinco anos e três meses como prefeito e não implantou uma única iniciativa, para ajudar os pobres, não em caráter contínuo. Inacredivelmente, não existem programas sociais permanentes, por conta da prefeitura, em Aparecida.

Em Goiânia, os estorvos ficaram para trás. Até aqui, o que houve foi uma preparação. O mandato real de Rogério Cruz começa agora.

09 jun

Se Marconi quiser se suicidar politicamente e desaparecer para sempre, o caminho está aberto à sua frente: basta acreditar nos bajuladores e se candidar a governador ou a senador

Marconi Perillo sempre teve uma queda por bajuladores. Chegou muito novo, ainda imaturo, ao governo do Estado e derrotando justamente um todopoderoso como Iris Rezende. Isso sobe à cabeça. Ainda mais com três eleições na sequência, em que uma vez venceu Maguito Vilela e mais duas o próprio Iris Rezende. É um currículo respeitável. E com vitórias não ocasionais, mas construídas com inteligência e estratégia. Acrescente-se a isso a conquista de um mandato de senador e teremos 20 anos de sucesso absoluto, em que o outrora jovem tucano se habituou a ser tratado como um semideus pelo seu círculo próximo.

Esse mesmo pessoal, agora, defende nos jornais a candidatura de Marconi a governador. Muito raramente, ao Senado. Que ele está pronto para enfrentar uma eleição majoritária, depois de ter sido massacrado nas urnas há apenas três anos e pouco, quando ficou em 5º lugar para o Senado, com o agravante de que, na região metropolitana, Goiânia e Aparecida, teve um desempenho pior ainda e caiu para o 6º lugar, atrás até do emedebista Agenor Mariano.

Esperto, como sempre, Marconi deixa a fofoca fluir. Não diz que sim nem que não porque, claro, isso beneficia a sua visibilidade. Os aduladores que o rodeiam se assanham e usam como argumento a recente decisão do ministro do STF Gilmar Mendes (sim, o velho Gilmar) que desclassificou a Operação Cash Delivery para a Justiça Eleitoral e anulou as provas até então obtidas. Sim, porém isso não significa uma absolvição. As mochilas com dinheiro vivo entregues no apartamento de Jayme Rincón em São Paulo continuam reais. Existiram e foram sobejamente provadas. Além disso, há outros processos, pelo menos três dezenas ou mais, que prosseguem e vão continuar absorvendo as atenções tanto do ex-governador quanto da sua numerosa banca de advogados.

Vamos resumir, leitoras e leitores: Marconi, no momento, é basicamente o mesmo Marconi de 2018. Sua rejeição inercial, mostram as pesquisas, é elevada. Se ele botar a cara a tapa, não há dúvidas de que se elevará, sob o fogo dos adversários, e dinamicamente subirá ainda mais. Candidatar-se a governador ou senador, no rescaldo do que aconteceu nas eleições passadas, é suicídio político, já que teria algo como 99% de chances de não dar certo e 1% de êxito. Significa que desapareceria da história de Goiás, para nunca mais voltar, independentemente do que dizem os áulicos carentes de juízo que o cercam, um bando de puxasacos. Quer alguma certeza de sobrevivência? Candidate-se a deputado federal, assumindo a estatura a que foi reduzido depois de 2018 e apostando para o futuro na falta de memória do eleitor.

06 jun

“Agro” em Goiás é lenda inventada por O Popular, não tem votos para eleger ninguém e representa muito mais uma vocação econômica, com alguma expressão política, mas jamais uma força nas urnas

Todas as edições recentes de O Popular, mais a “coluna” Giro, assinada pelo jornalista Caio Salgado, têm feito referência a um suposto “agro”, que, em resumo, seria uma força política e eleitoral que viria do campo, principalmente da região Sudoeste do Estado, onde a produção agrícola é muito expressiva, porém a pecuária nem tanto. Prestem atenção, leitoras e leitores: esse “agro” inventado pelo jornal da família Câmara, que nunca gerou um único jornalista, mas somente comerciantes do setor de comunicação, esse “agro” é uma invenção que não para de pé.

Não há um único deputado, estadual ou federal, eleito pelo “agro” em Goiás. Todos eles tiveram que se reportar a colégios eleitorais tradicionais, gastando as suas moedas, porque, assim como o setor industrial, a estruturação do negócio de grãos e gado se dá em bases territorialmente esparsas, um fazendeiro aqui, outro acolá. Nem José Mário Schreiner, presidente da Federação da Agricultura, foi levado pelo “agro” para a Câmara Federal, por onde, aliás, teve uma passagem pífia, sem nada para assinalar o seu mandato como minimamente importante para quem quer que seja, muito menos para os seus colegas ruralistas.

O próprio O Popular publicou um levantamento sem pé nem cabeça, estimando o potencial eleitoral do “agro” em Goiás em torno de 200 mil votos. Primeiro, é um chute vergonhoso, diante da falta de critérios objetivos ou científicos para se chegar a esse número. Segundo, se uma corrente de opinião, em qualquer Estado brasileiro, se escora em reles 200 mil votos, isso significa que ela não tem presença real na vida da sociedade. Um Delegado Waldir, sozinho, com mais de 274 mil sufrágios em 2018, vale mais do que isso, ou seja, tem mais peso que o tal do “agro”. Imaginem só: nosso Estado tem 4,7 milhões de eleitores, o que representaria, nesse universo, apenas 200 mil votos?

Verdadeiro nessa estória de “agro” é que há um agronegócio poderoso em Goiás, que pode chegar a 40% do PIB estadual com a sua intercessão com a indústria de transformação de alimentos. Aí, sim. Mas estamos falando de economia e não de política ou menos ainda de eleições. Esse “agro”, ao contrário do que O Popular insiste quase que diariamente, está fechado com a reeleição do governador Ronaldo Caiado e mais: trabalha para que o presidente Jair Bolsonaro desista da aventura representada pelo Major Vitor Hugo e coloque a sua tentativa de reeleição em sintonia com a de Caiado. Entidades articulada com as lideranças goianas, como a ABCZ, de Uberaba, ou a própria CNA, cuja presidência será assumida por José Mário Schreiner, já manifestaram essa opinião ao presidente. O “agro” quer Caiado pela sua vinculação histórica com o setor e Bolsonaro porque colocou fim nas invasões de terras e na infiltração esquerdista dos órgãos governamentais voltados para os seus interesses. O resto é lorota.

04 jun

Aprovação de Caiado mostra que a reeleição é viável, com pontos fortes como segurança pública, ajuda maciça aos pobres, valorização da Educação e, apanágio de tudo, a recuperação fiscal do Estado

O cenário para as eleições estaduais está praticamente definido, afora surpresas de última hora, que não podem ser consideradas, por ora, porque surpresas não se preveem. O governador Ronaldo Caiado, montado em uma aprovação espetacular que oscila entre 55 e 62%, vai para a reeleição enfrentando uma oposição debilitada e consumida por uma fragmentação simplesmente incontornável entre o deputado federal Major Vitor Hugo e o ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, com o ex-governador Marconi Perillo correndo por fora.

O cruzamento entre os índices positivos da avaliação de Caiado com os seus percentuais de intenção de voto comprova que o governador é um candidato potencialmente a caminho da vitória. Isso é mérito dos êxitos alcançados pela sua gestão: o antigo Caiado defensor do agronegócio permanece vivo, mas surgiu um novo, que faz o governo que trouxe a paz social para Goiás e reduziu drasticamente todos os índices de criminalidade, implantou os programas sociais mais consistentes da história do Estado, a favor dos pobres, e promoveu uma inacreditável recuperação fiscal, com o fim do desequilíbrio entre receitas e despesas que levou todos os governos anteriores ao naufrágio, no final das contas.

Isso é muito para um candidato, muito mesmo. Mas não é só. O cenário que se desenha para a eleição também favorece Caiado. Dos seus três hipotéticos adversários, dois parecem inviabilizados desde já, o coitado do Mendanha por não ter uma identificação sólida com algum tipo de proposta alternativa para o futuro de Goiás nem com nada e Marconi pela sua monumental rejeição, se tiver peito para se lançar na corrida pelo Palácio das Esmeraldas, o que dificilmente fará. Além disso, um e outro estão condenados à desidratação em razão da candidatura do Major Vitor Hugo. Atenção, leitoras e leitores: não desprezem o Major, por ora com números pífios nas pesquisas. A base bolsonarista é forte em Goiás, deu uma vitória acachapante para o presidente sobre o petista Fernando Haddad em 2018 e, aos poucos, vai empalmar Vitor Hugo. Menos do que 10% ele não terá jamais, mas também não passará de 15%, votos que vai tirar de Mendanha e, se botar a cara, de Marconi, não de Caiado, conforme explico a seguir.

Major Vitor Hugo tende a ocupar o 2º lugar e não vai demorar. Seria mais rápido se ele se lançasse a uma pré-campanha menos tímida, mas algo o segura. Dizem que instituições nacionais do agronegócio pressionam Bolsonaro para desistir dessa aventura e fechar apoio a quem tem tradição na história do ruralismo, no caso, o governador. De qualquer modo, fora Caiado, beneficiado pela visibilidade natural do cargo de governador, nenhum outro postulantes tem conseguido aparecer o suficiente para se tornar mais conhecido e escalar nas pesquisas. Aqui vem o mais importante: parte do bolsonarismo estadual fica com Caiado, atendido pelo seu perfil ideológico, como as forças do agronegócio, por exemplo, e, inacreditavelmente, grande parcela do eleitorado que escolhe Lula também ficará, em razão da amplitude dos programas sociais do governo do Estado, nenhum deles prometidos na campanha de 2018, mas hoje uma caracterização forte do atual mandato. É uma conjunção rara, que deixa o governador em uma posição privilegiada, para azar dos seus adversários.

27 maio

Atenção, leitoras e leitores: descartem a pesquisa do instituto Real Big Data sobre as eleições em Goiás. Em por um motivo simples: pelas estrepolias já feitas no passado, não tem credibilidade

Entrou em circulação uma pesquisa do instituto Real Big Data, pelo que consta ligado à Rede Record de televisão. Os números para o governo lembram, mas nem tanto, aqueles apurados pelo Serpes, que baliza as eleições para governador em Goiás. O governador Ronaldo Caiado está em 1º lugar, com 33%. Seguem-se o ex-governador Marconi Perillo com 18% e o ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha com 16%.

Fica evidente a tendência de vitória de Caiado, um fato incontestável hoje, haja vistas às pesquisas do Serpes e do Brasmarket, que estão alinhadas. Mas, estranhamente, no Real Big Data com índices bem menores. E com incongruências, como enfiar o senador Vanderlan Cardoso, que não é candidato, na apuração para o governo do Estado. Em 2018, em Goiás, o Real Big Data envolveu-se em manipulações, juntamente com a Rede Record, escondendo números prejudiciais à candidatura a senador do ex-governador Marconi Perillo. Ficha suja, portanto.

E justamente para o Senado, aí então que o instituto viaja na maionese na pesquisa desta semana. Dá o deputado federal João Campos com 9%, em 2º lugar, atrás de Marconi, em 1º, com 27%. Em ambos os casos, exagero claro e evidente, com cheiro de coisa arranjada. Delegado Waldir, o nome da vez na corrida senatorial, é jogado para uma modesta 4ª posição, com 7% das intenções de voto. Tudo dentro da margem de erro das duas pesquisas já publicadas – Serpes e Brasmarket – para conferir alguma veracidade.

Não se comparam pesquisas distintas, sabe-se. Mas elas servem mutuamente de parâmetro. Nenhum jornal ou site de notícias de respeito deu o levantamento do Real Big Data em manchete. Nem poderiam, mesmo. Empurrar Delegado Waldir para baixo é afrontoso, da mesma forma como turbinar João Campos, um candidato a senador sem nenhum perfil majoritário, que fala apenas para o seu grupo fidelizado, suficiente para mandatos proporcionais e olhem lá. Esses 9% significam que, hoje, o deputado-delegado teria mais de 400 mil votos, talvez 500 mil, na disputa senatorial. É inacreditável, dada a sua atuação com baixo conteúdo de universalidade e trajetória de 20 anos na Câmara Federal sem destaques, a não ser negativos, como a fria em que se meteu ao tentar oficializar a “cura gay” e foi execrado nacionalmente.

Acreditem, amigas e amigos, no conselho que é o título desta nota: não levem essa pesquisa a sério. A sua única finalidade é ser mostrada por João Campos para a cúpula do Republicanos em Brasília, na tentativa de comprovar que ele é o “cara” na eleição para o Senado. Só que não é.