Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 abr

Sem visibilidade desde que deixou a prefeitura e em desvantagem diante de Caiado e Major Vitor Hugo, Mendanha apela para a campanha extemporânea – ilegal – para continuar aparecendo

Garantir uma boa visibilidade daqui até o início do período legal de campanha é o desafio dos candidatos majoritários em Goiás, mas, para o ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, trata-se de um verdadeiro drama. O governador Ronaldo Caiado não precisa fazer nada, a não ser usufruir naturalmente da exposição pública assegurada pelo seu cargo, que, é bom lembrar, é avassalador, já que se trata de um chefe de Executivo cujas ações diárias repercutem na vida de milhões de goianas e goianos. O deputado federal Major Vitor Hugo, embora em menor proporção, também tem alguma projeção, conforme a agilidade que conseguir imprimir ao exercício do seu mandato.

O caso de Mendanha é diferente. Ao deixar a prefeitura, ele desapareceu do palco. Fora as redes sociais, ele não tem nenhum instrumento para despontar nos meios de comunicação e mesmo no corpo a corpo, pelo menos massivamente. Simplesmente deixou de existir. Esperneando, ele acha que encontrou a saída ao tentar de aproveitar da leniência dos órgãos fiscalizadores como o Ministério Público Eleitoral e a própria Justiça Eleitoral, lançando-se a uma campanha extemporânea ostensiva – como fez ao promover uma carreata em Iporá e ao participar de um “showmício” em Aparecida, por conta da prefeitura, com palco e artistas sertanejos, a pretexto de comemorar os 32 anos do bairro Jardim Tiradentes.

Imaginem só, leitoras e leitores: Aparecida tem 250 bairros, pouco mais, pouco menos. Festejar o aniversário de alguns, com eventos festivos pagos por verbas públicas, seria uma agenda e tanto para qualquer candidato a governador, levando-se em consideração que se trata do segundo maior eleitorado do Estado. Na verdade, o que houve foi uma irresponsabilidade cavalar do prefeito Vilmar Mariano, buscando criar plateia para o seu antecessor em um bairro que os próprios moradores consideram como um dos mais abandonados do município, com as ruas esburacadas, postes com as lâmpadas queimadas, mato alto e lixo acumulado em lotes baldios, que servem também para descartar material de demolição. O dinheiro da “comemoração” teria sido muito mais bem aplicado no atendimento dessas demandas, que irritam quem habita o setor há anos e anos.

Em Iporá, a carreata foi pior por não ter nenhuma justificativa, a não ser a antecipação ilegal de campanha. Na caçamba de uma pickup, o que é proibido pelo Código Nacional de Trânsito, Mendanha desfilou, acompanhado apenas pela esposa Mayara, acenando para escassos moradores atônitos com a figura desconhecida que tentava chamar a sua atenção. Nove veículos acompanhavam o cortejo, melhor dizendo, o féretro.

Dá para entender o desespero de Mendanha. Ele sumiu da mídia e, nas redes sociais, pelas quais é apaixonado, corre o risco de postar imagens e registros da sua movimentação e assim fornecer provas das suas infrações à legislação eleitoral. Enquanto isso, Caiado domina o noticiário, já que é governador, e Major Vitor Hugo dá os seus pulos, na condição de deputado. Os dois evitam exageros. Caiado, por isso mesmo, deixou de comparecer aos mutirões do governo do Estado, que atraem multidões, eliminando o risco de denúncias – exatamente o contrário do que Mendanha está fazendo, com o gravame de que, em Aparecida, recebe a cobertura do prefeito Vilmar Mariano, acumpliciados os dois na mesma prática eleitoral irregular.

Está na cara: confiando na cegueira do Ministério Público Eleitoral e da Justiça Eleitoral.

21 abr

Na política, episódios controversos têm o condão de engrandecer ou desmoralizar seus protagonistas. Em Rio Verde, as vaias elevaram Caiado e diminuíram Major Vitor Hugo

Foi, seguramente, um dos maiores e melhores discursos que Ronaldo Caiado fez em sua longa e alentada vida pública de 36 anos: a fala em Rio Verde, sob vaias da claque montada pelo deputado federal Major Vitor Hugo, mostraram a dimensão e a fibra de um verdadeiro líder, além de mais uma vez deixar plana e clara a coerência de uma biografia que pode ser passada no pente fino sem revelar nenhuma mácula.

Ora, dirá alguma leitora ou leitor, são elogios e ainda por cima exagerados. Não, respondo. São constatações ajustadas à realidade. Nem concordo inteiramente com o que Caiado disse, com as suas posições duras e radicais em relação às esquerdas, embora reconheça que em muitas colocações ele está coberto de razão. Apenas identifico o seu compromisso intransigente com as suas origens ruralistas, em bases racionais e, agora como governador, apresentando-se como um humanista radical – haja vistas ao conteúdo dos seus programas sociais, muito mais eficazes e solidários do que quaisquer outros jamais intentados na história de Goiás. É uma demonstração de sensibilidade que dificilmente se vê em governantes pelo Brasil afora.

Porém, não foi apenas sobre isso que Caiado se manifestou em Rio Verde. Ele puxou o seu currículo de filiação às lutas ideológicas no país e o esfregou na cara do espertinhos de ocasião que buscam se aproveitar da onda direitista, mas nunca correram riscos para se engajar na guerra das ideias. Havia vários ali no palanque. Não é o caso, contudo, do presidente Jair Bolsonaro, que deu exemplo ao ouvir respeitosamente o discurso. O problema dele é outro: refém das suas convicções retrógradas, sua visão e ação, como político, acabam permeadas por uma antropofobia perversa – o presidente não tem empatia emocional e costuma tratar o próximo, como se viu na sua postura genocida na condução da pandemia no país, como descartável. Caiado foi e é o contrário desse tipo de gente.

Vaias – de bolsonaristas ou de esquerdistas – deixaram de ser espontâneas no Brasil, passando a instrumento para calar o debate e produzir factoides. Segundo o presidente da Assembleia Lissauer Vieira, que é de Rio Verde e conhece a região como a palma da mão, o que houve “foi, sim, uma claque do deputado Vitor Hugo, que chegou com a intenção de constranger o governador”. Lissauer ainda acrescentou que “o produtor rural de verdade conhece e respeita a história de Caiado como líder ruralista e seu trabalho para reestruturar Goiás”. Palavras sábias, que resumem o ocorrido. e não precisam de complemento. Nada mais, nada menos do que uma oportunidade que surgiu e o governador abocanhou com maestria e, novamente, com grande coragem pessoal, sem dúvida sua marca mais forte.

19 abr

Vilmar Mariano assumiu mostrando que não tem personalidade, é pequeno (não só na estatura física) e não tem a menor noção do que vai fazer nos 2 anos e 9 meses de mandato que ganhou na bandeija

Não é todo dia que alguém assume a prefeitura do segundo maior centro urbano do Estado e… é completamente ignorado pela mídia, além de, quanto às suas próprias iniciativas, não ser capaz de dar uma reles declaração apontando quais são as suas ideias, propostas e rumo que pretende dar para a administração. Sim, parece mentira, mas é o caso de Vilmar Mariano, anão político que assumiu a prefeitura de Aparecida em substituição a Gustavo Mendanha.

Ser político em Aparecida é uma condição que não recomenda ninguém. Em 100 anos de história, a se completar no próximo dia 11 de maio, a cidade não gerou ninguém que tenha se mostrado acima do provincianismo e da pequeneza de uma corrutela. Tanto que o melhor prefeito que o município já teve, disparadamente, chegou de fora – Maguito Vilela, cujo trabalho foi desmanchado pelo sucessor que teve a infelicidade de escolher.  Mendanha trouxe de volta tudo o que de negativo foi afastado e corrigido nos mandatos de Maguito. Ora, direis, houve Ademir Menezes, que chegou a vice-governador de Goiás. Verdade e ele merece cumprimentos pela conquista heroica, mas daí não passou e só conseguiu andar para trás.

Vilmar Mariano é conhecido como Vilmarzim. Apelidos diminutivos, como se sabe, têm a função de rebaixar ou, como parece ser o caso, apontar para a falta de tamanho ou visão. Se isso é verdade ou não, o fato de Vilmarzim não ter tido a sua ascensão registrada pela imprensa estadual e também não ter sido capaz de se impor, mesmo com a importância institucional do cargo que passou a ocupar, tem muito significado. No fundo, ele é o mesmo que Mendanha, com a diferença do marketing exacerbado que promoveu o seu antecessor – um prefeito que bateu todos os recordes ao não cumprir nenhuma das promessas que fez em duas campanhas e não construir uma única obra ou deixar alguma realização para identificar a sua gestão.

Podem anotar, leitoras e leitores: o que vem aí em Aparecida é a continuidade desse desastre administrativo.

19 abr

Caiado não se “reconciliou” com o agronegócio, como analisou Caio Salgado na coluna Giro, de O Popular: ele sempre foi, continua sendo e será eternamente o próprio agronegócio

São ridículas as avaliações que apontam a reunião do governador Ronaldo Caiado, no Palácio das Esmeraldas, com representantes do agronegócio em Goiás, como uma “reconciliação”. Isso é uma piada. Há mais de 30 anos que Caiado “é” o agronegócio, setor da economia que sempre defendeu com paixão ao longo da sua carreira parlamentar e com o qual, pessoal e politicamente, sempre de identificou – profundamente. Não se recompõe o que não foi quebrado.

Caiado, segundo essas análises, teria se afastado do chamado ruralismo ao se distanciar do presidente Jair Bolsonaro, por conta de divergências na condução do enfrentamento à Covid-19, nas quais, diga-se de passagem, o governador estava do lado certo e 100% coberto de razão. Para começo de conversa, isso não tem nada a ver com a ligação umbilical que tem e sempre teve com o agronegócio. São coisas que não se misturam. Um exagero. E rompimento, a rigor, nunca houve com Bolsonaro. E com a sua base ideológica, menos ainda. Daí, a manifestação de confiança: “Vocês sabem de que lado estarei” nas eleições que se avizinham. A propósito: alguém duvida que o bolsonarista mais radical não tem motivo algum para não votar em Caiado?

Goste-se ou não do governador, é necessário admitir: ele é o mesmo desde quando começou na política até hoje. O mesmo. No máximo, com as adaptações indispensáveis à evolução da sociedade e do mundo nessas suas mais de três décadas como deputado federal, senador e agora onde está. Uma vida pública como essa não tem precedentes no país, ainda mais reforçada pela postura ética imaculada, em todo e qualquer momento da sua trajetória. Trata-se de uma raridade.  Jornalistas jovens, sem a devida visão histórica, talvez não compreendam, treinados para achar que o camaleonismo da política faz parte da normalidade, e por isso mesmo acabam escrevendo besteiras e imbecilidades, pelas quais, lembrando Jesus, devem ser perdoados porque não sabem o que falam. Amém.

05 abr

A montanha pariu um rato: candidatura de Mendanha, por uma aliança de nanicos sem tempo de televisão e, pior ainda, submetida às idiossincracias do complicado Braga, é caminho certo para o desastre

Nada deu certo para Gustavo Mendanha. Fora Deus, que segundo ele e a sua mulher Mayara, o escolheu para governar Goiás, pouca gente parece se alinhar com o autodeclarado “mito” de Aparecida. Há uma parte do eleitorado aparecidense também engajada. Lideranças e partidos de peso, ninguém e nenhum. Até os poucos deputados que o ex-prefeito conseguiu, por algum tempo, foram perdidos para a candidatura bolsonarista do Major Vitor Hugo.

No final das contas, a montanha pariu um rato. Não é à toa que os eventos de Mendanha são realizados em Aparecida, às custas do volumoso funcionariado comissionado da prefeitura, que segue servindo às suas ambições pessoais mesmo com a posse do vice Vilmar Mariano. Fora dos limites do município, ele, Mendanha, não existe. Ainda mais com a proposta de disputar o governo do Estado representando uma fragilizada frente de partidos nanicos – Patriota, DC, PTC e PMN. Anotem aí, leitoras e leitores: desses, só o Patriota é confiável para Mendanha. Os demais são negociáveis -e olha que há um interessado no pedaço, o Major Vitor Hugo, que vai acabar levando um, dois ou os três – e não vai demorar.

Com o Patriota, Mendanha pode contar. Jorcelino Braga, que carrega o partido em uma pasta debaixo do braço, é, como ele mesmo se define, um “homem de palavra”. Certo. Mas é também complicado. Complicadíssimo. Acha-se acima de tudo e de todos, com a autoestima potencializada pelas eleições de 2020, quando ganhou todas as campanhas para as quais foi contratado: Maguito Vilela, em Goiânia; Roberto Naves, em Anápolis: Paulo do Vale, em Rio Verde; Humberto Machado, em Jataí e mais algumas, inclusive a de Marden Jr., em Trindade, o mesmo Marden Jr. que, filiado ao Patriota, não acompanhará a sigla na aliança com Mendanha.

Basicamente, nessas campanhas, Braga usou o seu modelo pré-fabricado nos programas de TV: pessoas do povo fazem perguntas e levantam problemas, com o candidato apresentando respostas providenciais e inteligentes. Não viabilizou a campanha de Daniel Vilela a governador, em 2018, em que o marqueteiro usou sem sucesso a fórmula, até radicalizada com o candidato emedebista visitando eleitoras e eleitores em suas casas, pelo Estado afora, para mostrar identidade com o dia a dia das goianas e goianos. Nas duas campanhas de Vanderlan Cardoso, em 2010 e 2014, um esquema parecido foi aplicado. Por artificial, não gerou resultados nem para Daniel nem para Vanderlan. 

Poucos comunicólogos têm em Goiás o currículo de vitórias de Braga, mas com um significativo detalhe negativo: para o governo estadual, ele só venceu uma vez, com Alcides Rodrigues, em 2006. Por uma ironia do destino, ocupando o espaço da propaganda televisiva maciçamente com um jingle chiclete que apregoava o refrão: “Alcides e Marconi, Marconi e Alcides”, que conseguiu incorporar a Cidinho a imensa aprovação popular que Marconi tinha na época. Logo Marconi, cujo apoio seria agora a saída salvadora para dar o tempo de TV do PSDB para Mendanha garantir algum espaço para tentar vender o seu peixe, mas foi refugado pela imposição das bizarrices individuais de Braga, para quem o ex-governador tucano é um “inimigo” e não um adversário político – e há uma dose enorme de ressentimento nisso aí, dadas as derrotas acachapantes que Marconi impôs a um Braga que tentou se imiscuir sem credencial e preparo no palco maior da política estadual.

Mendanha teve que se submeter a essa realidade. Ou então teria que se filiar a um dos três supernanicos que também – por enquanto – o respaldam, os tais DC, PTC e PMN, o que provaria que o que está ruim sempre pode piorar. Que candidatura é essa em que o presidente do partido é maior do que tudo e impõe suas vontades, mesmo com prejuízos para a conquista do objetivo final, que é vencer a eleição? Não tem sentido. Ou tem, diante de um Mendanha pequeno, menor ainda que o Patriota e todas as suas inacreditáveis miudezas. Sim, porque Braga também rejeitou as filiações dos deputados Paulo Cezar Martins, Major Araújo e Cláudio Meirelles, alegando que prejudicariam as possibilidades de eleição dos candidatos à Assembleia supostamente novos do Patriota. Com isso, eles foram para o PL e para a base da candidatura do Major Vitor Hugo, deixando Mendanha sem chapa para ajudar na campanha. Mas, ao mesmo tempo, Braga aceitou os deputados Humberto Teófilo e Paulo Trabalho, postulantes à Câmara, claro, enxergando o papel de escada que esses dois pobres-coitados terão para a reeleição de Alcides Rodrigues.

A importância de Mendanha, em tudo isso, foi ignorada. E ele engoliu covardemente calado. Como se disse, o ex-prefeito está muito abaixo das idiossincrasias de Braga, que nunca se saiu bem como articulador, haja vistas ao final catastrófico do governo Alcides Rodrigues, do qual ele foi o primeiro-ministro – uma gestão que não deixou rastros da sua passagem pelo Palácio das Esmeraldas e pela (falta de) direção do Estado. As preliminares para um dos maiores ridículos eleitorais da história política de Goiás estão colocadas e Braga e Mendanha serão os tristes protagonistas.

31 mar

Mendanha planta vacina contra futuras operações policiais para investigar corrupção na prefeitura de Aparecida: que há motivos para suspeitas, há e muitos

O jornal O Popular publicou agora há pouco declarações do prefeito (ex até o fim do dia) Gustavo Mendanha garantindo que tem informações sobre investigações policiais que podem terminar, inclusive, com a sua prisão. Mendanha argumenta que todas as operações da Polícia Civil e da Polícia Federal que vasculharam cantos da sua administração não passariam de “perseguição política” movida pelo governador Ronaldo Caiado. E quaisquer futuras, se houver, igualmente.

Vamos lá, leitoras e leitores: trata-se de uma malandragem e nada mais do que isso. É óbvio que Mendanha está procurando uma vacina para problemas que podem aparecer amanhã. Ele está farejando o impacto de investigações que atingiriam em cheio a sua imagem. Este blog adianta duas: 1) a aquisição superfaturada de materiais escolares, em valor superior a R$ 9 milhões de reais, que são vendidos pela fornecedora, em sua loja, a preços bem menores e 2) os escandalosos e ostensivos desvios apurados na esfera do Hospital Municipal, já varejado por apurações não só da PC, que é estadual, como também da PF, que é nacional.

Seriam só “perseguição política”? Caso existam casos concretos de corrupção na prefeitura de Aparecida e caso tenham a ser descobertos nos próximos dias, ou aprofundados, não é direito de Mendanha que tenham o esclarecimento afastado ou postergado só porque ele é candidato a governador, em oposição a Caiado. Ele não está acima da lei. E lembrando que nem a Polícia Civil nem a Polícia Federal agem por conta própria, mas geralmente impulsionadas pelos Ministérios Públicos federal e estadual, os quais dependem de acatamento judicial para tudo o que fazem. Ou seja: sem ordem da Justiça, Mendanha não seria jamais preso.

Vamos aos fatos: Mendanha recorre à desculpa esfarrapada que todo político brasileiro flagrado com a boca na botija apresenta: se há alguma irregularidade em foco, tudo não passa de perseguição política, nada mais. Só que nenhuma prefeitura e nenhuma esfera da administração pública está acima de ser perpassada pelas autoridades fiscalizatórias e repressoras, buscando clarificar suspeitas – e, podem ter certeza, amigas e amigos, essas são muitas quanto a prefeitura de Aparecida. Vejam só esse número: em seus cinco anos e três meses de gestão, Mendanha assinou mais de 250 contratos sem licitação – com dispensa ou inexigibilidade – para fornecimento de serviços e mercadorias, alguns simplesmente injustificáveis e muito com empresas de Estados nordestinos, que parecem ter preferência nos negócios da prefeitura. Uma delas vendeu e recebeu por fantoches – isso mesmo: fantoches, acreditem se quiserem, leitoras e leitores – e livros, que também podem ser encontrados nas editoras onde foram publicados a preços menores do que os pagos por Mendanha. Está lá, no portal de transparência da prefeitura.

Segundo Mendanha, investigar essas aquisições cercadas por nuvens nebulosas seria “perseguição política”. Não é. É dever dos Ministérios Públicos e das polícias Civil e Federal, essa última caso existam recursos federais envolvidos. Alguém pode ser preso em Aparecida, como receia Mendanha? Se meteu a mão e se houve apropriação de recursos públicos, pode, sim.

31 mar

Mendanha termina enfraquecido a busca mal sucedida por um partido de expressão mínima: Patriota é solução desmoralizante que confirma a candidatura como aventura inconsequente

Foi desastroso o desfecho da busca desesperada de Gustavo Mendanha por um partido de expressão mínima para sustentar a sua candidatura ao governo do Estado. Ele foi obrigado a optar pelo Patriota, um partido nanico que só existe em Goiás em uma pasta debaixo do braço do marqueteiro Jorcelino Braga – sem nenhum compromisso com qualquer boa prática da política e totalmente desinteressado em um projeto alternativo de poder para oferecer para as goianas e goianos, a não ser a realização de birras pessoais, tanto do complicado Braga quanto do inconsequente Mendanha.

Que Estado é esse onde Braga é dirigente partidário habilitado a dar entrevista de página a O Popular e Mendanha candidato a governador? É difícil entender. O que vai ser resolvido em outubro, com as urnas, tem a ver com o futuro de Goiás e não com picuinhas e baixos instintos pessoais. Braga foi primeiro-ministro do governo Alcides Rodrigues, que terminou em uma das maiores calamidades administrativas da história, sem legado e sem uma marca para identificar a sua passagem. Destaca-se na vida pública pelas inimizades que pautam a sua orientação política, como a raiva que nutre em relação ao ex-governador Marconi Perillo. Mendanha é um tolo que se acredita tocado por Deus e com quem alega conversar nas madrugadas indormidas, predestinado a cuidar do “povo goiano”, assim como, segundo a sua mulher Mayara, Davi foi escolhido rei por um desígnio divino, nesse caso para defender o “povo de Israel”, conforme o Antigo Testamento.

Em política, o que vale são fatos. Deus não entra nesse terreno de baixarias profanas. E essas são piormente cruéis com Mendanha. Nenhum partido de porte o quis nem muito menos qualquer liderança de conteúdo estadual se alinhou à sua candidatura, hoje resumida ao apoio de Max Menezes, que acabou de assumir na Assembleia como 1º suplente do MDB, e do Prof. Alcides, um milionário do ensino superior mercantilizado que na política não passa de um empresário esperto e oportunista, rompido com o governador Ronaldo Caiado por não aceitar as mudanças introduzidas no programa da Bolsa Universitária – herdado aos cacos dos governos do PSDB e milagrosamente recuperado pela atual gestão.

Uma candidatura alimentada por insatisfações e ressentimentos nunca, em lugar algum, daria certo. Propostas, em disputas majoritárias, são cruciais. Mendanha, que subiu no salto alto com uma boa votação em Aparecida e caiu, não tem nenhuma. Pensem comigo, leitoras e leitores. Qual o significado que ele tem? Marconi Perillo em 1998 era ruptura e Ronaldo Caiado moralização em 2018. O autodeclarado “mito” de Aparecida correu atrás das rebarbas da política real e tentou montar uma estrutura, sem êxito. Mostrou-se frágil. Agora há pouco, em Aparecida, deu uma entrevista coletiva e posou para fotos ao lado de “personalidades” locais, que é o que tem graças à folha de pagamento da prefeitura. De importância, apenas Max Menezes e olha lá. Isso não gera conteúdo para um projeto político sério, que possa ser levado em consideração pelos quase cinco milhões de eleitores registrados em Goiás e que, em 40 anos de eleições, desde a redemocratização a partir de 1982, com a primeira vitória de Iris Rezende, nunca avalizaram um rumo que não fosse o melhor para o Estado. Nenhum dos governantes desse período chegou ao Palácio das Esmeraldas por partidos que não fossem de brilho solar, comprometidos com o futuro. Nanicos, tipo Patriota, nem pensar.

Esse Patriota, na verdade, foi uma humilhante derrota antecipada para Mendanha, consolidando a sua falta de sintonia com as expectativas sociais, que nada têm a ver com o “sonho”, como ele repetiu hoje pela manhã, de governar Goiás. O que é que cinco milhões de eleitores têm a ver com o que Mendanha sonha? E o que uma ficção política como o Patriota representa, a não ser o desvirtuamento do sistema partidário nacional, não passando de mais uma aberração montada para usufruir do milionário fundo à disposição das legendas inscritas na Justiça Eleitoral, ainda que através de fatia minúscula?

O Patriota de Jorcelino Braga e a candidatura de Mendanha são um acinte a Goiás. Mas assim é a democracia. Somos obrigados a tolerar. Se estiver dentro das regras, o “quadrado” a que frequentemente se alude o presidente Jair Bolsonaro, embora não cumpra, entra no jogo. Mas loucos e destrambelhados têm por todo lado. Não se pode fugir deles. A propósito, uma informação final: o deputado estadual Paulo Cezar Martins, primeiro apoiador de Mendanha, que deixou o MDB para se filiar ao PL, comprometendo-se com a candidatura do Major Vitor Hugo, está… refluindo novamente. Se Daniel Vilela aceitar, ele volta para o MDB e vai ao Palácio das Esmeraldas anunciar apoio a Caiado. A conversa já está rolando.

31 mar

“Campo progressista”, que de progressista não tem nada, prepara chapa com Zé Eliton para o governo, PT na vice e Marconi para o Senado, em acordo viabilizado com o fim da candidatura de João Dória

A morte precoce da candidatura presidencial do governador de São Pauolo João Dória tem desdobramentos imediatos em Goiás: um acordo entre PSDB, PSB e PT para o lançamento de uma chapa com Zé Eliton para o governo do Estado, o PT na vice, provavelmente com o ex-reitor da PUC Volmir Amado, e Marconi Perillo como postulante ao Senado.

A desistência de Dória extinguiu automaticamente o compromisso que Marconi tinha com ele, que o amparou após o massacre eleitoral de 2018, aliás retribuindo o que recebeu dos governos do PSDB em Goiás para alimentar a sua indústrimilionária de eventos promocionais. O ex-governador ficou assim liberado para cuidar da própria vida e ajudar a trabalhar uma frente do “campo progressista”, que de progressista não tem nada, para tentar barrar a reeleição do governador Ronaldo Caiado.

O vice de Lula, Geraldo Alckmin, que tem interesse nessa composição para melhorar o palanque que ele e o petista terão em Goiás, é o avalista do acordo. Que, assim, pode sair e dividir em definitivo a oposição estadual, repartida em três candidaturas: Zé Eliton, Gustavo Mendanha e Major Vitor Hugo, o que tende a dificultar a visibilidade do eleitor quando chegar a hora das urnas e favorecer Caiado.

30 mar

Zé Eliton tenta se reinventar vestindo o figurino da centro-esquerda, depois de uma vida ideologicamente bem definida como direita radical – mas, quem se importa com isso?

A política em Goiás vive um momento extraordinário. Se houvesse uma normalidade, as coisas estariam correndo dentro dos trilhos, ou seja, um processo eleitoral se avizinha e é dentro das possibilidades reais de cada candidato que eles se posicionariam, cada qual visando a consecução do seu projeto pessoal. Mas não é o que ocorre. Há aberrações aqui e ali. Uma é a candidatura a governador de Gustavo Mendanha, sem base nennuma a não ser a “missão divina” de que ele se julga encarregada depois de receber recados diretos do Senhor. Outra é a filiação do ex-vice e ex-governador Zé Eliton ao PSB, festejada pelo partido de Elias Vaz, diga-se de passagem, mas exibindo uma disfuncionalidade ideológica como poucas vezes se viu não só no Estado, como em termos de país.

Não há, na política estadual, ninguém mais à direita do que Zé Eliton. Quem pensou em Ronaldo Caiado, Delegado Waldir ou na maioria das lideranças conservadoras por esse Goiás afora, esqueça. O Zé está em uma extremidade muito além. Já publicou, por exemplo, um artigo em O Popular declarando-se ideologicamente quando Jair Bolsonaro ainda não havia chegado para deflagrar a onda reacionária no país. Ele antecipou-se. É um regressista empedernido pelas origens familiares, pelos estudos, pelo modo quadrado de pensar – e tudo isso contribuiu para a sua derrota massacrante como candidato a governador, uma missão para a qual foi escalado em um gesto suicida do ex-governador Marconi Perillo e, desculpem o jargão, leitoras e leitores, deu no que deu.

Não é, o Zé, uma pessoa de fácil convivência. A dureza no trato o levou a ser abandonado pela maioria da base governista em 2018, em uma espécie de rejeição ao seu comportamento autoritário e à pouca afabilidade que sempre mostrou, no trato geral com o próximo. Acabou servindo de receptáculo para os 20 anos de erros do PSDB estadual, que ele mesmo, em um desabafo reservado logo após o fiasco nas urnas, definiu como uma cruz que ninguém seria capaz de carregar. Pelo sim, pelo não, acabou imortalizado como o coveiro de um dos grupos políticos mais poderosos e mais duradouros da história de Goiás, reduzido a pó de traque diante do que já foi.

A verdadeira questão, quanto a Zé Eliton se filiar ao PSB, é: quem se importa com isso? Qual a importância desse ato? Nem se ele tivesse a coragem de se candidatar a qualquer mandato nas próximas eleições haveria consequências. E esquerda é ficção em Goiás. Uma utopia, desde os tempos imemoriais de Domingos Velasco, faltando ao antigo vice e governador provisório a grandeza de um Cesar Bastos, o latifundiário udenista que no fim da vida aderiu ao PT e foi até candidato pelo partido, com um discurso surpreendente. Já o Zé em fantasia avermelhada e de braços dados com Elias Vaz, continuará o mesmo que foi até hoje, como político um bom advogado eleitoralista. Só.

29 mar

Entrevista de Marconi a O Popular, ressentido e inventando respostas na hora, mostra que ele deixou de ser o Marconi propositivo que ganhou 4 eleições, mas jogou no lixo esse capital político

Existem dois Marconis Perillos. Um, o que ganhou quatro eleições para o governo de Goiás e uma para senador, sempre manejando com perícia os instrumentos da política e sobretudo se apresentando melhor que os adversários, com propostas consistentes para Goiás e as goianas e os goianos. Esse é o Marconi vitorioso, que não existe mais. No lugar, apareceu um outro Marconi, que só olha para o passado e tem o espírito consumido pelo ressentimento que nutre por aqueles que julga responsáveis pela sua derrocada, a qual, deveria reconhecer com humildade, foi ele mesmo que cavou, mais ninguém.

Marconi não consegue se livrar de 2018. Acha que “tomaram” o seu mandato de senador, como se dele já fosse proprietário antes da manifestação das urnas. Enxerga culpados atrás de cada rocha, considerando-se vítima de uma conspiração. Afff… Isso não honra a sua antiga inteligência, quando engolia opositores às carradas e era tido como um semideus da política estadual. Agora, perdeu a agilidade mental e o faro para a política de resultados. Até a sua imagem, gordo, mostra o quanto está desatualizado e lento para agir de acordo com os novos parâmetros da realidade histórica de Goiás. Vejam a foto de O Popular: esse não é ele. Não pode ser.

A entrevista desta semana é mais um desastre em uma sequência interminável de muitos. Não há uma palavra sobre propostas para Goiás, a não ser voltar atrás, recuar no tempo ao que os seus governos fizeram, projetos que foram bem-sucedidos na época de antanho (sim, no mundo de hoje meia hora já define o que é velho), porém hoje provavelmente não funcionariam mais a contento porque caminha-se é para a frente, em um constante processo de mutação felizmente para melhor. De ré, quem anda é caranguejo.

Falar mal dos prefeitos que estão migrando para a base do governo também é um erro grave. Ninguém, nunca na história de Goiás, abusou tanto dessa estratégia quanto Marconi. Essa era, digamos assim, uma especialidade do ex-governador. Conquistar prefeitos foi o forte dos seus quatro mandatos, característica marcante que ele deveria reconhecer para evitar uma contradição que, surpreendentemente, O Popular cobrou, obtendo uma resposta pífia e inconsistente. De resto, prefeitos para cá e para lá servem para propaganda, não para determinar o resultado de eleições.

Marconi, nesse ritmo, nunca ressurgirá. Nem mesmo se, eventualmente, for eleito para algum mandato no Congresso, que é o que restou para ele depois que perdeu o perfil majoritário. Embarcando em equívocos e beliscando oportunidades aleatórias aqui e acolá, sem uma visão de futuro para Goiás, jamais se recuperará, reduzindo-se ao diminuto círculo de bajuladores que o cerca e mantém a sua cegueira. Ele acostumou-se a isso como governador, caiu por isso e não se mostra disposto a se libertar dessa prisão.

25 mar

Enquanto Mendanha perde tempo com vereadores de Aparecida, todos no seu bolso graças ao cabide de empregos da prefeitura, o Patriota, seu último cartucho, caminha para Caiado via Jânio Darrot

Vejam a foto, leitoras e leitores. Registra um encontro na manhã de hoje, 25, na casa do presidente da Câmara Municipal de Aparecida André Fortaleza, com praticamente todos os seus vereadores (não foi a vereadora Camila Rosa, do PSD, agredida há poucos dias em plenário por Fortaleza, em uma lamentável exibição de preconceito contra a mulher, que, a propósito, um inquérito já concluído da Polícia Civil considerou como criminosa). Está lá o prefeito Gustavo Mendanha, levantando os braços para cima como se houvesse alguma vitória a comemorar, o que em hipótese alguma não há: trata-se de uma turma que já está há tempos no bolso de Mendanha, cooptada às custas do maior cabide de empregos do Estado, o da prefeitura aparecidense. É mais do mesmo. Observem ainda: a única mulher é a primeira-dama Mayara Mendanha, pormenor acessório que mostra o machismo da política aparecidense sob Mendanha, cujo secretariado inflado de 27 pastas tem 25 ocupadas por homens.

Ora, Mendanha deveria estar atrás de lideranças de representatividade real em termos de Estado. Essa foto, portanto, apenas mostra mais uma vez a essência dos desacertos e erros seguidos, em escala monumental, que o prefeito vem cometendo. Sem querer ser desrespeitoso: é burro, palavra que o presidente estadual do MDB não quis usar para se referir a ele, preferindo “despreparado”. Tá: é despreparado. Lá está o moço, na casa de André Fortaleza, perdendo tempo com um grupo que já o apoia e não significada nada em termos de política estadual – grande e fatal calcanhar de Aquiles do prefeito, que não tem o apoio de nomes de peso nem o respaldo de qualquer tipo de aliado capaz de alguma influência mais ampla fora de Aparecida.

Mendanha, politicamente falando, é quase um coitado. Apesar da sua extraordinária votação em Aparecida, em 2020, todos os grandes partidos bateram a porta no seu nariz. Ele não soube o que fazer com esse capital. É preciso enxergar as consequências disso, ainda mais quando ele caminha para perder o apoio até do nanico Patriota, cujos quadros de maior destaque – o ex-prefeito de Trindade Jânio Darrot e o atual Marden Jr. – já migraram para a base de Caiado e estão preparando um verdadeiro cataclisma para o rapaz de Aparecida que se considera “mito” ou “fenômeno”: a inclusão do Patriota no projeto de reeleição do governador, mediante o trabalho de aproximação que está  em andamento entre Caiado e Jorcelino Braga, presidente do partido, por conta da mediação de Jânio Darrot.

O jornalista Divino Olávio conversou agora há pouco com o ex-prefeito de Trindade e ouviu respostas inequívocas: Jânio está se desdobrando para convencer Braga a colocar o Patriota  com Caiado, que ele acredita ser merecedor de mais um mandato pelo extraordinário trabalho de recuperação das finanças estaduais. “Falta pouco para o entendimento”, disse Darrot a Divino Olávio. Uma paulada e tanto na cabeça de Mendanha, já metaforicamente fraturada por uma série de outras cacetadas que vêm se sucedendo desde que se desfiliou do MDB, nunca mais acertou um único tiro no alvo e está hoje em uma situação humilhante, correndo o risco de ficar sem a alternativa até mesmo de tentar salvar as aparências abrigando-se em um partidinho qualquer.

É o que o Patriota seria para ele. Mas, para Caiado, ocorre o contrário. A conquista do apoio da legenda tem função estratégica, na medida em que deixa um adversário em estado de inanição partidária, sendo obrigado a recorrer a uma sigla ainda menor, tipo o Agir (antigo PTC, do deputado Cláudio Meirelles, ou o DC do inescrupuloso Alexandre Magalhães, este também escapando da área de Mendanha e indo para o terreiro do deputado federal Major Vitor Hugo). Para Braga, é a oportunidade de mostrar grandeza, alinhando-se aos interesses coletivos fundamentais de Goiás, como acreditava fazer na época em que foi secretário de Fazenda e primeiro-ministro do governador Alcides Rodrigues. E se unir a quem combate com efeitos concretos o seu grande inimigo, o ex-governador Marconi Perillo. 

Desista Mendanha, enquanto é tempo. Não ofereça a Goiás o espetáculo vexatório de uma candidatura que não tem base nenhuma e não representa nada a não ser um desejo infantil e pessoal.

22 mar

Ideias precedem a ação: princípio que a oposição em Goiás ignora ao deixar de definir o seu projeto alternativo de poder, ou você, leitora e leitor, conhece uma proposta para o Estado que não seja a de Caiado?

Candidato à reeleição, o governador Ronaldo Caiado leva uma vantagem enorme sobre a oposição: seu nome resume o projeto de futuro que tem para Goiás. Caiado não precisa dizer nada. É público e notório que irá dar sequência ao modelo de gestão que vem aplicando desde que assumiu, há pouco mais de três anos. Uma fórmula que até os adversários reconhecem como positiva: responsabilidade fiscal, ajuste das finanças do Estado, fim do desequilíbrio entre receitas e despesas, e ênfase radical na Educação, nos programas sociais e na Segurança, áreas onde tem alcançado resultados realmente notáveis.

Mais quatro anos de Caiado serão mais quatro anos que têm tudo para levar Goiás a um patamar virtuoso como poucas vezes se viu, sob o embalo da recuperação do fluxo de caixa do governo, que já a partir deste ano mostra uma grande margem de sobras para investimentos. Depois do plantio difícil e trabalhoso que foi o primeiro mandato, um segundo seria destinado à colheita dos frutos dourados. Votar em Caiado em outubro corresponderá a reconhecer essa certeza e ela tem potencial de atração, infelizmente para a oposição, que tem pela frente uma eleição quase impossível de vencer.

As cartas de Caiado, portanto, estão na mesa, com transparência e precisão. Falta agora ver o jogo dos adversários, que já deveria ter sido revelado, mas segue exageradamente atrasado. Dois candidatos estão mais ou menos determinados, Gustavo Mendanha e Major Vitor Hugo, e um terceiro, embora conhecido, carece de fôlego, Wolmir Amado, do PT. Nenhum dos três foi capaz, até agora, de dizer a que virão. O que representam? Que ideias defendem? Qual a visão de amanhã que propõem para Goiás? Ninguém sabe, a não ser um quê genérico de contraposição. Wolmir, pelo menos, é sincero e humilde no afã de apenas garantir um palanque mínimo para Lula em Goiás. Os outros, Mendanha e Major, ainda não lograram deixar claro qual o projeto alternativo de poder que sugerem para o Estado.

As candidaturas de Mendanha e Major nasceram de vontades individuais e ainda não se transformaram em um propósito coletivo, se é que vão conseguir um dia. Nesse sentido, a postulação do deputado federal tem vantagem sobre a do prefeito de Aparecida, por uma razão óbvia: ele se comunica e bem com a base bolsonarista, que, mesmo sem a expressão do passado, ainda mostra um certo alento em Goiás e sabe o que quer. Mendanha, fora os desígnios divinos de que acredita piamente ser destinatário, só conta com a simpatia que ainda atrai nos limites do seu município, permanecendo 100% desconhecido fora.

Em pleitos majoritários, não há como subverter o maior fator de decisão do eleitorado, que é a representatividade ou o significado de cada candidatura. Assim, Marconi Perillo foi eleito em 1998 encarnando um sentimento de ruptura diante da fadiga do MDB e Jair Bolsonaro e Caiado ganharam em 2018, o presidente simbolizando o antipetismo e Caiado como intérprete perfeito da luta contra a corrupção dos governos tucanos de antigamente. Apenas como nomes isolados, sem conexão com os anseios gerais da população, não teriam vencido. Para cada um deles, e antes, estavam colocados conceitos maiores que a personalidade ou a individualidade de cada um, precedendo a ação que levou à vitória. É isso que decide uma eleição.

22 mar

Apoio de Jânio Darrot à reeleição de Caiado é porretada na cabeça de Marconi e mais combustível para a fogueira que consome a oposição em Goiás

Terrivelmente surpreendente, o anúncio do apoio do ex-prefeito de Trindade e megaempresário Jânio Darrot à reeleição do governador Ronaldo Caiado é mais uma porretada metafórica na cabeça do ex-governador Marconi Perillo – de quem Darrot foi um dos maiores aliados – e mais um ingrediente para o pesadelo que a oposição está vivendo em Goiás, completamente desorganizada e ainda por cima sem projeto para enfrentar as eleições de outubro próximo.

A desarticulação e a falta de preparo e conteúdo do oposicionismo estadual, no momento, podem ser notada com ênfase na reação dos tucanos, endossada por notinhas antiéticas, jornalisticamente falando, publicadas pela coluna Giro, em O Popular, e por uma matéria maledicente da repórter Fabiana Pulcineli, no mesmo jornal e na mesma desonesta vertente, acusando Jânio Darrot de ter se rendido a pressões do Palácio das Esmeraldas a partir de supostos processos a que ele responderia na esfera da Polícia Civil, sem maiores detalhes ou fontes.

É tudo mentira. Que as leitoras e os leitores me desculpem, mas não há outra palavra para definir o que O Popular veiculou sobre o apoio de Jânio a Caiado: sacanagem. E do mais baixo veio. O ex-prefeito é talvez um dos 10 homens mais ricos do Estado, passou pela Assembleia, pelo secretariado de Marconi e por dois mandatos pela prefeitura de Trindade sem registrar uma única denúncia ajuizada pelo Ministério Público. Tem a ficha limpíssima, ao contrário dos seus detratores. Também não depende de favores de governo, do ponto de vista pessoal e comercial, já que os seus negócios são bem estruturados, é um patrão que cumpre a legislação trabalhista até quanto a qualidade das tampas das privadas dos banheiros das suas empresas (e estou citando isso aqui porque já as visitei e testemunhei o cuidado com que os direitos dos funcionários de Jânio são obedecidos), e está muito acima de ameaças abusivas de qualquer nível de poder.

Vem um jornal que se propõe a sério e responsável como O Popular e esculacha sem meias palavras com a biografia do talvez melhor empresário do Estado, sem falar na tentativa de esgarçar a honra de Caiado, que tem uma vida inteira para provar que não é de recorrer a esse tipo de jogo sujo e é inclusive frequentemente acusado de não fazer política, não nomear aliados a torto e a direito, não distribuir benesses pessoais e até de não atender a tudo que os donos do PIB goiano exigem, saudosos dos tempos em que foram isentados de pagar ICMS por conta dos descabelados benefícios fiscais a eles atribuídos irresponsavelmente por Marconi.

Jânio e Caiado, que são pessoas de bem, se entenderam por um motivo para lá de simples: o ex-prefeito enxergou um cenário em que o governador dominou o histórico desequilíbrio entre receitas e despesas que sempre existiu em Goiás e marcou os governos anteriores e está montado sobre uma montanha potencial de recursos para investir e espalhar obras pelos municípios. Isso não pode cair na mão de um despreparado qualquer. Para Jânio, os prefeitos, visando a atender aos interesses dos seus municípios, devem trabalhar em sintonia com o Estado, caso do compromisso que tem com Trindade, onde funciona parte das suas empresas e cidade com a qual a sua história é comum, aliás, com um prefeito, hoje, Marden Jr., que só está no cargo em razão do apoio que recebeu de Jânio.

Não é só. Em relação a Jânio Darrot, nem Marconi nem Gustavo Mendanha nem o resto da oposição souberam se comportar. O próprio Jânio deixou claro: ninguém o procurou, ninguém conversou com ele, ninguém o valorizou, a não ser… Caiado. “Quem viu a importância do nosso grupo foi o governador”, lembrou, com a espontaneidade natural e às vezes meio ingênua que sempre foi a marca da sua personalidade política. Sim, mais uma vez, com Jânio Darrot ao seu lado, o governador que frequentemente é acusado de “não fazer política” acabou fazendo mais política que os seus pobres e perdidos adversários.

21 mar

Bem que Mendanha não queria ir: encontro com Bolsonaro foi um fiasco tão esmagador que pode ter enterrado em definitivo a candidatura

Na sexta-feira passada, 18, a coluna Giro, em O Popular, noticiou o encontro que aconteceria no sábado entre alguns deputados estaduais (notem bem, leitora e leitor: nem todos que estiveram lá apoiam Gustavo Mendanha, como é o caso de Paulo Trabalho e Zé Carapô) e os federais Magda Mofatto e Prof. Alcides (esses apoiam) e o presidente Jair Bolsonaro, registrando textualmente que Mendanha havia sido convidado, porém estava hesitando quanto a comparecer.

Naquele momento, até que o prefeito deu uma demonstração de que não seria tão bobo para embarcar numa evidente canoa furada, diante de dois precedentes. Um, a notória afinidade que Bolsonaro tem com outro pré-candidato a governador, o deputado federal Major Vitor Hugo, e, outro, a costumeira desatenção e falta de foco que o presidente tem com seus interlocutores, muitas vezes se limitando em suas conversas a uma enxurrada de piadinhas e brincadeiras. Mendanha resolveu correr o risco, ouviu os conselhos errados, pensou na foto, foi… e quebrou a cara. Posou de bobo, justamente o que não queria.

Foi um dos maiores vexames da história política de Goiás. O prefeito acabou submetido ao constrangimento, que ele mesmo provavelmente já havia previsto, de ouvir de viva voz do presidente, com direito a gravação em vídeo, que ele tem compromisso com o Major Vitor Hugo para a eleição para o governo de Goiás. Antes não tivesse ido. Nem 24 horas depois, Vitor Hugo anunciou que se filia ao PL nesta semana e que é pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas, como nome do bolso do colete de Bolsonaro.

É difícil imaginar uma candidatura a governador tão cercada de improvisos e tão desarticulada quanto a de Mendanha. E que acumula no seu percurso tantas derrotas e humilhaçõe s- a principal delas a falta de um partido político minimamente de expressão para a sua filiação. Ele tentou se salvar da tragédia que foi a reunião com Bolsonaro postando, como sempre, algumas mentirinhas nas suas redes sociais. Disse que esteve no Palácio do Planalto com os deputados que o respaldam, o que não é verdade, ou seja, nem todos que estavam lá estão fechados com o seu nome. Depois, tentou oferecer a sua fidelidade futura ao presidente, aludindo a desentendimentos entre Bolsonaro e o governador Ronaldo Caiado que teriam prejudicado Goiás. Isso é absolutamente falso. Beira o ridículo. Ninguém é capaz de apontar um único ponto em que o Estado tenha perdido alguma coisa, qualquer uma, por conta de arestas entre Caiado e o chefe da nação. Ao contrário, o que existe é uma sucessão inequívoca de benefícios, a exemplo da recente adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, plenamente aprovada pelo governo federal e já em vigor.

O governador e o presidente podem ter as suas divergências – e essas basicamente se deram por causa do negacionismo de Bolsonaro no enfrentamento à Covid-19 -, mas mantêm um relacionamento respeitoso e administrativamente produtivo. A depender dos acontecimentos futuros, um pode até apoiar o outro nas eleições que se aproximam. Mendanha, mais uma vez, atirou no alvo errado.

O que houve em Brasília, na manhã de sábado, é suficiente para levar o prefeito de Aparecida, se tiver juízo, a desistir de abrir mão de dois anos e nove meses de mandato em troca de uma aventura condenada ao fracasso. Dizem que ele, evangélico do pé rachado, está determinado porque teria recebido uma mensagem direta de Deus informando sobre a sua escolha para governar Goiás nos próximos quatro anos. Deveria ter cuidado. Quem decide sobre assuntos como esse é o eleitor. E Deus, do alto da sua onipotência, não se envolve com política. Que o digam Iris Rezende e Vanderlan Cardoso, outros dois evangélicos que em 2010 e 2014 acreditaram nessa fantasia messiânica e dançaram.

19 mar

Mendanha vai de penetra a encontro de deputados com Bolsonaro, pena para conseguir uma foto e faz postagem dúbia nas redes sociais, sem se comprometer com apoio ao presidente

O presidente Jair Bolsonaro recebeu na manhã deste sábado, 19, os deputados federais Professor Alcides (Progressistas) e Magda Mofatto (PL) e mais os estaduais: Cláudio Meirelles (PTC, cujo novo nome é Agir), Major Araújo (UB, porém de saída), Zé Carapô (DC, partido que não garante a reeleição de ninguém), Paulo Cézar Martins (MDB, também de saída), Paulo Trabalho (UB, de saída), o suplente Max Menezes (MDB, possivelmente também cruzando a porta para fora), o presidente estadual do PL, Flávio Canedo e o senador Luiz do Carmo (sem partido, desesperado atrás de um milagre para permitir a sua recandidatura, que, desde já, tem chances iguais a zero).

De penetra, apareceu o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha (sem partido). Sim, penetra. O encontro foi agendado pelos parlamentares, todos atrás de soluções partidárias, urgentemente, que permitam de alguma maneira facilitar as suas reeleições – a maioria em situação difícil, com o fim das coligações. Mendanha não queria ir e acabou convencido em razão do número razoável de deputados presentes, o que poderia ajudar a vender a ilusão de que a sua candidatura a governador está arrebanhando mais apoios. Claro, a possibilidade de registrar uma imagem com o presidente também foi atrativa, em especial para quem vive de fantasiar nas redes sociais, como ele.

Não se enganem, leitoras e leitoras. Muito pouco ou quase nada de concreto resultou desse fandango no Palácio do Planalto. Bolsonaro não tinha nada a perder, por isso recebeu a turma, de resto puxada por dois deputados federais e isso conta em Brasília. Filiação de Mendanha ao PL? Não. Quem resolve é o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, em conjunto com o senador Flávio Bolsonaro, designado coordenador do partido nos Estados, que não avança um milímetro em abrir as portas para quem quer que seja em Goiás em ouvir o deputado federal Major Vitor Hugo.

E isso tanto é verdade que o deputado federal Prof. Alcides saiu afirmando que ainda espera ver Mendanha no PP, partido que ele integra, mas no qual não tem nenhum poder, cabendo esse tipo de assunto exclusivamente ao arbítrio do presidente estadual em Goiás, Alexandre Baldy. Dos seis deputados estaduais que compareceram, podem apostar: no máximo um ou dois se filiarão ao PL, em razão das inevitáveis contas sobre o quociente eleitoral que todos estão fazendo neste momento, não só eles. Eles vão se espalhar por siglas onde enxergarem mais oportunidades.

Mendanha, como sempre, permaneceu sobre o muro: em uma postagem burocrática no seu perfil no Instagram, tentou se aproveitar das fotos ao lado de Bolsonaro, só que malandramente não disse aberta e objetivamente que vai apoiar a reeleição do presidente em Goiás. Não. Saiu pela tangente, prometendo que, se for eleito, vai trabalhar em conjunto com o governo federal, acusando o governador Ronaldo Caiado de não o fazer, o que é uma inverdade monumental – haja vistas a que todos os programas de Brasília tiveram continuidade no Estado nos últimos anos e até o Regime de Responsabilidade Fiscal, concedido por Bolsonaro a Goiás em sintonia com Caiado.

Vale lembrar aqui o título de uma peça de Shakespeare – Muito Barulho por Nada., aliás, uma comédia. É o que houve