Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 set

Goiânia não é Aparecida: discurso improvisado de Maguito para justificar sua candidatura é fraco, não faz justiça à gestão de Iris e se escora apenas no recall do seu nome para atrair o voto do eleitor

Alguns dizem que foram surpreendidos. Outros, que já sabiam. A apresentação que Maguito Vilela fez do seu próprio nome para disputar a eleição em Goiânia como candidato do MDB, em substituição a uma potência estelar como Iris Rezende, foi fraca, inconvincente, mostrou a título de propostas um apanhado do que os demais candidatos disseram até agora – dando a nítida impressão de que até mesmo não sabia com exatidão sobre o que estava falando ao empregar termos como “modernização”, “tecnologia” e “cidade digital”. Foi pura e vazia improvisação, que o candidato ostensivamente inventou na hora.

Goiânia não é Aparecida. Lá, Maguito ganhou duas vezes a prefeitura com o forte recall do seu nome – ex-vereador, ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-vice-governador, ex-governador e (ufa) ex-senador, ex-tudo, enfim. Lá, ele era uma dividande que descia dos mais elevados céus da política para aceitar a humilde função de administrar uma cidade coalhada de problemas graves, a maioria dos quais persistem até hoje mesmo depois dos seus oito anos e dos quatro do sucessor, Gustavo Mendanha, que elegeu ao seu belprazer. Se fosse possível, teria conquistado um terceiro mandato e até outros mais, só com a lembrança da força do seu nome em um colégio eleitoral de pessoas simples e despojadas.

Aqui na capital, não. Aqui, as goianienses e os goianienses estão acostumados com Iris, vêm de uma experiencia eleitoral recente em que consagraram Ronaldo Caiado e seguem aprovando com índices elevados tanto um quanto o outro. De resto, Maguito é historicamente desconhecido em Goiânia, não tem referências para a sua população, não é evocado por realizar obras importantes, aliás, nem aqui nem em parte alguma. E nunca é demais lembrar que ele tem um rol extensos de processos por improbidade, foi o governador que botou fora a Usina de Cachoeira Dourada e, se é que tem alguma luz própria, dela está abrindo mão ao gastar metade do tempo em que usa a palavra para cantar loas a Iris, sem o menor conteúdo ou significado além do mais rasteiro puxa-saquismo.

Maguito fará 72 anos em janeiro. Respeitosamente, pode-se dizer que aparenta ser um papagaio velho talvez incapaz de aprender palavras novas. Ou apto para repetí-las sem saber a que se referem exatamente. Com o discurso, entendido discurso como um conjunto de ideias, que mostrou ao lançar a sua candidatura, tem bala para se eleger vereador mais votado, provavelmente, jamais prefeito de uma cidade onde os moradores estão cansados da política tradicional e só desejam que as suas vidas sejam facilitadas e não atrapalhadas pelo poder municipal. Se não mudar, e rápido, a derrota é certa.

10 set

MDB completará 40 anos com os mesmos candidatos – Iris e Maguito – se repetindo nas eleições mais importantes em Goiás (e a única renovação foi o filho de um deles, Daniel Vilela)

Nota publicada em 24 de abril último:

Desde que Iris Rezende se elegeu governador pela 1ª vez, em 1982, o MDB vem se alternando entre apenas dois nomes nas eleições para governador do Estado, o dele próprio e o de Maguito Vilela, com a exceção de Henrique Santillo, eleito em 1986, e a “renovação” dentro de um desses clãs representada por Daniel Vilela, filho de Maguito, na disputa de 2018.

É um caso raro em termos de Brasil e possivelmente o único, que agora estende a sua abrangência para as eleições para prefeito de Goiânia, que, neste ano, terão ou Iris ou Maguito mais uma vez representando o MDB, configurando assim uma das agremiações partidárias, em termos estaduais, mais fechadas de toda a história política do país.

O MDB, hoje, em Goiás, deixou de ser um partido para se transformar em um condomínio familiar. Na prática, é controlado com mão de ferro pelos dois Vilelas, que já mostraram do que são capazes ao expulsar prefeitos de expressão como Adib Elias, de Catalão, e Paulo do Vale, de Rio Verde, que não acompanharam Daniel Vilela na temerária candidatura a governador no pleito passado. Há anos e anos que não surge uma liderança nova ou sequer um arremedo disso nos quadros emedebistas. Com todos os canais de oxigenação bloqueados, por um acordo tácito, que evita um confronto prejudicial aos dois lados, eles, Maguito e Daniel, não interferem com os interesses de Iris, que, se quiser, será o nome emedebista, mais uma vez, para a próxima eleição em Goiânia. Se não quiser, Maguito está pronto -e indisfarçavelmente ansioso – para ocupar o seu lugar. Fora isso, qualquer um que colocar a cabeça de fora em busca de espaço, dentro da sigla, é imediatamente degolado.

O outro nome para o que se instalou há décadas com o MDB estadual é coronelismo. A legenda tristemente virou um partido de coronéis – jovens e velhos.

10 set

Pelo sim, pelo não, Iris não promove inaugurações, mesmo tendo obras prontas para entregar, e garante a sua elegibilidade até o dia 16

Em um gesto absolutamente típico dentro do seu jeito próprio de fazer política, o prefeito Iris Rezende anunciou a sua aposentadoria da política, mas suspendeu a agenda de inaugurações – e ele tem obras prontas para serem entregues – e assim mantém a sua elegebigilidade intacta até o dia 16 deste mês de setembro, quando se esgota o prazo para que as convenções partidárias oficializem os candidatos às próximas eleições municipais.

Desde que desistiu de disputar mais um mandato, Iris não deu nenhum sinal de que poderia mudar de ideia e voltar ao jogo. Ao menos objetivamente. Só que deixou de promover eventos envolvendo ações da prefeitura, que não são proibidos pela legislação eleitoral – a presença de candidatos, sim, é que é vetada. Pelo sim, pelo não, o Paço Municipal passou a funcionar em regime de discrição. Iris, portanto, não participou de nada que pudesse atropelar a lei e ferir o seu direito de registrar seu nome e se habilitar ao pleito que se avizinha.

A porta para a desistir da desistência, como publicou o Jornal Opção, está aberta para o velho cacique emedebista. Não é demais lembrar que ele, ao renunciar à reeleição, agiu sob pressão da família e não por vontade própria. Ao contrário. Dezenas de vezes, no passado, ele disse que só a morte o afastaria da política, deixando claro que seria um militante até o último fiapo das suas forças, hoje, mesmo aos oitenta e tantos anos, ainda longe da exaustão. Nos seis dias que faltam para o dia 16, embora em uma hipótese remotíssima, Iris teoricamente ainda pode voltar atrás.

09 set

Major Araújo chama o secretário Rodney Miranda de “o pior da história”. É o contrário, leitora e leitor: o atual titular da pasta da Segurança é um dos melhores, senão o melhor, que Goiás já teve

Em um debate na Assembleia, o trêfego deputado estadual Major Araújo desbordou mais uma vez da boa ética e da liturgia parlamentar para agredir um convidado, o secretário estadual de Segurança Rodney Miranda, que falava aos parlamentares sobre o último concurso público para delegados, em Goiás, cujos aprovados o governador Ronaldo Caiado pretende nomear no início do ano que vem, garantindo assim à maioria dos municípios a presença de uma autoridade policial.

Major Araújo é uma figura. Não tem papas na língua, não se importa com a coerência e abusa das suas prerrogativas parlamentares. Felizmente, não é levado a sério e acaba visto como uma figura excêntrica, porém limitada ao palco dos debates legislativos. Mais do que isso, não vai. É candidato a prefeito de Goiânia e move sua campanha pelas redes sociais, postando fotos de buracos e outras picuinhas para atacar Iris Rezende e desmerecer o excelente trabalho que, neste mandato, o prefeito faz pela capital.

E Rodney Miranda? Podem crer, leitoras e leitores, é um dos melhores secretários de Segurança da história de Goiás. Desde que assumiu, todos os índices de violência e criminalidade caíram e continuam caindo, sem exceção. É preciso registrar que isso é consequência do trabalho não só dele, como também da liderança do governador Ronaldo Caiado, que a bandidagem já identificou como rigorosa e duríssima. Juntos, Caiado e Rodney conseguiram uma façanha; durante décadas, imaginava-se que em matéria de paz social e tranquilidade para a população pouco ou quase nada poderia ser feito e que a prevalência da ação de quem prefere andar à margem da lei seria uma fatalidade. Essa estória mudou, com a efetividade das polícias civil e militar subindo a níveis nunca vistos antes: praticamente não há mais roubos de carros em Goiás, desapareceram as explosões de caixas eletrônicos e o principal, que são os homicídios, caiu a menos de 50% da média registrada nos governos do PSDB, enquanto as mortes de deliquentes em confrontos policiais tri ou quadruplicou, mostrando que a tropa de choque não está para brincadeiras. Pelo sim, pelo não, Goiás, em termos de Brasil, transformou-se em uma lugar onde a população, de verdade, tem proteção para desenvolver as suas atividades sociais e econômicas.

De onde se conclui que Major Araújo, ao chamar Rodney Miranda de “o pior da história”, não tem razão nenhuma. Tanto que não apresentou argumentos, restringindo-se a apontar insatisfações corporativas da Polícia Militar que nem se sabe se são reais ou não. Bola fora do destrambelhado deputado, que poderia, se tivesse juízo, se constituir em um defensor do fortalecimento das polícias e de resultados práticos para a população, mas prefere abrir mão de tudo isso para bancar uma espécie de louco manso na Assembleia.

08 set

Iris desistiu da reeleição e ainda não sinalizou apoio ao único nome colocado para o seu lugar dentro do MDB: é óbvio que ele está esperando um compromisso de Maguito com Caiado

O prefeito Iris Rezende desistiu da reeleição, ato contínuo embaralhando a sucessão em Goiânia. Um detalhe nessa estória toda é muito importante e precisa ser melhor entendido: Iris saiu, mas não sinalizou apoio a nenhum outro candidato. Nem mesmo Maguito Vilela, aliás o único a ser cogitado para a vaga de candidato ao Paço Municipal pelo MDB.

Ora, se Iris é do MDB e se não há nenhum nome na mesa além de Maguito, por que o velho cacique emedebista fez questão de não demonstrar nem um pequeno fiapo de apoio ou simpatia pelo seu provável substituto, ao menos publicamente? Isso é muito constrangedor para Maguito e só pode ser explicado de uma maneira: falta confiança. Ou existe desconfiança. Dá no mesmo. O fato é que a equação política de Iris para Goiânia continua de pé, mesmo com a sua aposentadoria, e inclui a sua lealdade ao governador Ronaldo Caiado – não existindo o menor sentido em Iris deixar a política permitindo que se instale na capital um foco de oposição que pode teoricamente criar obstáculos para a reeleição de Caiado em 2022.

Embora ninguém saiba nada das tratativas entre Iris e Maguito, é provável tenha sido acertado um compromisso na direção de uma composição com Caiado – contrariando tudo o que Maguito (e seu filho Daniel Vilela) pensaram e fizeram até agora, tendo ambos apostado na oposição ao Palácio das Esmeraldas como uma preparação de terreno para a eleição daqui a dois anos e meio, mas imprudentemente esquecendo-se do peso de Iris nesse jogo. De onde é fácil entender o silêncio do prefeito quanto a Maguito: é evidente que Iris espera um clareamento do quadro e que seja cumprido o acordo – que não se sabe com certeza se foi feito, porém tudo indica o foi – de aproximação com o governador e alinhamento com a sua candidatura a mais um mandato em 2022.

De qualquer forma, o fato de não ter recebido até agora nenhum endosso de Iris pesa como uma tonelada de chumbo nas costas de Maguito. Ele está em uma situação difícil, pois, como todo pai, precisa agir também em favor do filho, que notoriamente criou algum recall em Goiás e está tecnicamente habilitado a disputar a próxima eleição para governador com maiores chances, em especial se tiver a máquina da prefeitura de Goiânia por trás da sua candidatura. Só que Iris espera uma guinada a favor de Caiado e, mais ainda, que a nova posição de Maguito seja oficializada antes do próiximo dia 16, data fatal para as convenções que indicarão os candidatos ao pleito que se avizinha.

07 set

Maguito, que só perde para Marconi em número de denúncias em que são alvos do Ministério Público, responde a 22 processos, nas mais variadas fases, que podem impedir o registro da sua candidatura

O ex-vereador, ex-deputado estadual, ex-deputado federal, ex-vice-governador, ex-governador, ex-senador e (ufa!) ex-prefeito Maguito Vilela é alvo de 22 processos movidos pelo Ministério Público Estadual, conforme os registros do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, a maioria em razão de atos praticados quando dirigiu o município de Aparecida que levaram os promotores locais a discordar quanto a sua regularidade e legalidade.

Como gestor público, Maguito está perto de alcançar o ex-governador Marconi Perillo, que responde a 34 processos por improbidade. Mas há uma diferença: no caso de Marconi, nenhum dos processos passou a fase inicial, ou seja, a etapa de pré-sentença em 1º Grau, enquanto Maguito já foi objeto de sentenças até em 2º Grau, proferidas por colegiado de três ou mais magistrados, o que costuma ser fatal para qualquer político, ao incidir nas proibições da Lei da Ficha Limpa e incluir veto ao registro de candidaturas a quaisquer postos eletivos.

Nas poucas vezes em que se pronunciou sobre o seu currículo judicial, Maguito foi lacônico e se limitou a garantir que não enfrentaria óbices capazes de prejudicar os seus eventuais projetos eleitorais. Mas, desde que deixou a prefeitura de Aparecida, ele não tinha perspectivas de se candidatar a nada. Em 2018, chegou a pedir registro para figurar como 1º suplente do senador Vanderlan Cardoso, tendo como justificativa a intenção de reforçar a chapa do filho Daniel Vilela, candidato a governador pelo MDB. Sem, maiores explicações, Maguito desistiu em favor do ex-deputado federal Pedro Chaves, já gerando suspeitas, na época, de que deseja evitar que a viabilidade jurídica do seu nome fosse questionada na Justiça Eleitoral. Agora, surgiu a oportunidade de disputar a prefeitura de Goiânia, também pelo MDB.

De qualquer forma, os registros do TJGO são frios e objetivos. As pouco mais de duas dezenas de denúncias do MPGO a que o ex-tudo responde estão catalogadas na área online de consulta processual. É óbvio que, se acabar como candidato emedebista a prefeito de Goiânia, como se prevê com a desistência de Iris Rezende, elas serão vasculhadas e vão trazer dor de cabeça para Maguito – com potencial, em hipótese extrema, até para impedir a sua candidatura.

07 set

Iris tinha compromisso com Goiânia, segundo ele mesmo, em retribuição a tudo que recebeu, mas dessa vez, por pressão da família e quando fazia a melhor administração da sua vida, ele não cumpriu

Iris Rezende nunca esteve na política para atender às suas vontades ou interesses pessoais. Isso, conforme suas próprias palavras, insistentemente repetidas ao longo dos seus mais de 60 anos de carreira pública. Ele nunca disputou mandatos ou buscou cargos como um desígnio pessoal, dizia, mas para retribuir a quem – novamente reproduzindo aqui suas colocações literais – sempre lhe deu tudo o que recebeu da vida, quer dizer, o povo.

O mesmo povo que sempre o convocava para missões de recuperação do Estado ou da capital e ao qual ele se curvava submisso, de acordo com as justificativas que apresentava durante a sua trajetória. Nesse sentido, evocando ao pé da letra cada palavra que o próprio Iris usou, em todas as eleições anteriores, existiria um compromisso de servir, mesmo às custas de sacrifícios, que agora ele não cumpriu – sabendo-se que menos por sua vontade do que pela pressão escancarada da sua família, legitimamente preocupada com a sua idade avançada e com os riscos à sua saúde aumentados pela ameaça representada pela pandemia do novo coronavírus.

Certo, trata-se de uma esfera de responsabilidade restrita a ele e aos seus parentes, reconheça-se. Mas que o levou a quebrar o elo forte que tinha com Goiânia e as goianienses e goianienses, cidade onde iniciou a sua história e com a qual sempre se identificou, nos bons e nos maus momentos. Nesse sentido, Iris falhou em seu ato final, quando ainda tinha o que oferecer à administração municipal que ele recebeu em 2017 em petição de miséria e a qual recuperou com a maestria e a experiência de décadas como gestor do dinheiro e das necessidades da população. Mais grave, quando desenvolvia a melhor administração da sua vida, aplaudida até por adversários ferrenhos. A aposentadoria provavelmente veio, portanto, dado às suas excepcionais condições físicas, antes da hora. Era recomendável que ficasse para 2024. E esse era o seu desejo, mas a imposição das filhas o fez mudar de ideia e a deixa Goiânia ao alcance de um aventureiro (outra expressão que ele também usava exaustivamente).

02 jun

Um anda de barba em plena pandemia e todos os seus riscos de contágio, outro circula sem máscara e ainda ri: os maus exemplos de Lincoln Tejota e Major Vitor Hugo

Vamos aos fatos:

1) Sem máscara, o deputado federal Vitor Hugo protagonizou um triste espetáculo ao acompanhar o presidente Jair Bolsonaro em uma viagem inesperada a Abadiânia, em Goiás, onde pararam em um posto para comer salgadinhos – provocando uma aglomeração pouco recomendável em tempos de pandemia de coronavírus. Vejam a foto acima, leitora e leitor, que registra um momento da caravana presidencial: Major Vitor Hugo, ainda que meio sem graça, esforça-se para sorrir, desrespeitando as normas do isolamento social e dando, como homem público e detentor de mandato a ele outorgado pelo povo goiano, um péssimo exemplo. É o caso de fazer a clássica pergunta: estava rindo de quê?

2) Lincoln Tejota pode andar barbado e desgrenhado? Pode. Mas um vice-governador não deve e não pode. É péssimo exemplo o que ele está dando, ao continuar circulando e se apresentando com a barba que usa já há alguns anos. Trata-se de um ornamento de pelos que dificulta a higienização do rosto, principalmente fora de casa, e não permite uma vedação adequada quando se usa máscara de proteção (expondo a riscos a saúde de pessoas próximas). Novamente, confiram na foto acima, leitora e leitor, que na verdade é um print de tela da live que Lincoln Tejota com jornalistas de O Popular. Não é uma imagem boa. O presidente do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli tirou o cavanhaque e o bigode logo nos primeiros dias da pandemia. O ex-ministro e secretário de Transportes de São Paulo Alexandre Baldy também se despediu da sua barba igualmente no começo da emergência sanitária que o país passou a viver. Há dezenas de outras autoridades que fizeram o mesmo, por uma questão mínima de bom senso e juízo. O nosso vice precisa se antenar.

Resumo: quem ocupa funções públicas relevantes não pode se descuidar e passar mensagens incorretas para a sociedade. Estão equivocados e deveriam acordar e se conscientizar do que estão fazendo de errado.

28 maio

Mortes por confronto com a polícia dobraram entre 2018 e 2019, segundo “denúncia” de O Popular, mas é provável que decorram da maior efetividade da política de segurança pública de Caiado, só isso

Em mais um prestimoso serviço de desinformação aos seus leitores, O Popular noticiou em tom denúncia a elevação do número de mortes em confrontos policiais, em Goiás, de 2018 para 2019, quando passaram de 424 para 825, dado que colocou o Estado em 2º lugar no ranking nacional de letalidade policial proporcionalmente ao seu número de habitantes. Parece muito e o jornal explora o veio de modo irresponsável, sugerindo, pelo tom da matéria da repórter Thalys Alcântara, que estariam ocorrendo excessos e desrespeito aos direitos humanos por parte das forças de segurança comandadas pelo governador Ronaldo Caiado.

Pelo princípio filosófico e pré-científico da navalha de Ockham, diante de várias explicações para um problema, a mais simples tende a ser a mais correta. Essa é uma ferramenta, leitoras e leitores, que sempre funciona muito bem. E que se aplica com precisão à matéria – especulativa – de O Popular, jornal que é tido como o mais importante de Goiás, porém muitas vezes se comportando abaixo desse compromisso moral e ético com o seu universo ledor. Pois bem: e se o quantitativo de óbitos em intervenções policiais subiu apenas porque as investigações e apurações, bem como a reação de delegados, agentes e PMs a ocorrências de violência contra as cidadãs e cidadãos e danos ao seu patrimônio, passaram a ser muito mais efetivas do que no passado?

É uma constatação básica: Caiado endureceu, e merece parabéns por isso, a política de segurança pública e o fez a partir de uma diretriz simplificada de fortalecimento e apoio aos seus executores. Repetidamente, o governador tem dito que a única limitação para a repressão contra a criminalidade é a lei, abandonando a frouxidão que foi a característica do setor nas gestões do passado, incapazes de articular a proteção da população contra o avanço da bandidagem. Isso é inegável e significa que ninguém que está na ponta de lança do aparelho policial será abandonado à sua própria sorte. Deu resultados: ora, bolas, qualquer um é capaz de reconhecer que Polícia Civil e Polícia Militar, hoje, são mais muito, mas muito mais afirmativas no cumprimento da missão de garantir a proteção de todos contra a violação por poucos do direito de viver em paz e em tranquilidade. Há agora mais competência e mais proatividade nos freios para os infratores das leis penais do que em qualquer dos tempos recentes.

Portanto, pode ser essa a explicação para o aumento de perecimento de marginais em momentos onde o protagonismo policial e o recurso à força são necessários para evitar males maiores e garantir o esclarecimento de situações delituosas. Só isso. O Popular, maldosamente, deixa no ar que estaria havendo excessos, embora sem apresentar fatos capazes de demonstrar os houve aqui ou ali. Não faz também correlação entre as mortes e a redução das estatísticas criminais. Ninguém, nem a polícia, é perfeito e erros podem ser cometidos, porém nenhum tem sido visto além da pouca incidência ou passível de dúvidas maiores. Os esquadrões de segurança desvendam crimes, prendem e em alguns casos chegam a matar, só que é exatamente para isso, dentro dos limites legais, como frisou o governador, que eles existem, como instrumentos protetivos da sociedade.

16 maio

Programa “FIEG Mais Solidária” alega ter doado 100 toneladas de alimentos e insumos a famílias carentes: provavelmente não é verdade, mas, se for, é uma mixaria que envergonha o grande empresariado

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás – FIEG, o impagável Sandro Mabel, deitou falação em uma entrevista à rádio Sagres, onde pontificou sobre assuntos médicos e científicos (“O coronavírus veio para ficar. Não tem esse negócio de que nós vamos ficar livres do corona, não. O coronavírus vai pegar 70% das pessoas. De 60% a 80%, uma média de 70%, todas as pessoas vão pegar”, foi uma das suas declarações estapafúrdias), investiu mais uma vez contra o isolamento social como medida de prevenção contra a pandemia e se gabou de liderar um programa, denominado “FIEG Mais Solidária”, que já teria doado 100 toneladas de alimentos e insumos à população carente do Estado.

Este blog tem acompanhado com atenção o, digamos assim, índice de generosidade dos grandes empresários e milionários que habitam Goiás. E pode afirmar que… é baixíssimo. Não há solidariedade com as goianas e goianos mais humildes entre os favorecidos pela sorte no estado, a não ser quanto a raríssimas e honrosas exceções. Nessa hora, é indispensável uma comparação com os incentivos fiscais, que nas últimas décadas têm repassado entre R$ 8 e 12 bilhões anuais para as 534 maiores empresas aqui instaladas – e pelo menos uma ínfima parte dessa montanha de dinheiro elas deveriam retornar para a população, em especial na situação de calamidade pública trazida pela peste, só que se recusam a fazê-lo.

As 100 toneladas de alimentos e insumos (tipo máscaras e termômetros) arrotadas por Sandro Mabel não passam de uma piada de mau gosto. Para começo de conversa, provavelmente não se trata de um número verdadeiro, vez que os releases distribuídos pela própria FIEG fazem referência, no total, a 7 cargas levadas de camionete a entidades filantrópicas, cada uma em torno de 500 quilos. Presumindo-se que se trata de uma instituição que representa os capitães de indústrias de Goiás e que, portanto, seria uma entidade séria e responsável, vamos admitir que, sim, as tais 100 toneladas são reais. Isso significa, convertendo-se esse quantitativo em cestas básicas, para efeito de raciocínio, teríamos no máximo 2 a 2,5 mil delas, que qualquer um compraria na rede atacadista pr R$ 100 a 150 mil reais – dinheiro de troco quando estamos nos referindo a uma associação classista que se arvora a falar em nome de 30% do PIB estadual.

Isso deveria envergonhar Sandro Mabel, se a tivesse na cara, como se costuma dizer. Não é nada perto da capacidade econômica dos supercapitalistas que a FIEG representa e que, de resto, vivem de parasitar o caixa do governo do Estado, que esvaziam com as suas milionárias isenções e descontos de ICMS – algo perto da criminalidade comum, conforme deixou em pratos limpos o relatório da CPI dos Incentivos Fiscais da Assembleia Legislativa, cujo resumo pode ser lido aqui e comprova que existe um certo gangsterismo na usufruição à vontade e sem qualquer monitoramento das mais absurdas e descabeladas benesses tributárias em vigor em Goiás, em troca de muito pouco em matéria de empregos e geração de renda.

Cantor sertanejo e influencer digital (Gusttavo Lima e Rafa Kalimann) mostraram mais compaixão com os esquecidos da fortuna em Goiás que os nossos milionários, alguns bilionários até, e empresários de alto coturno, ao fazer doações expressivas para socorrer quem mais precisa neste instante de emergência. Perto deles, a poderosa FIEG, inteira, não vale um tostão furado na moeda da solidariedade.

14 maio

Nau dos insensatos, pilotada pela ganância do empresariado e demagogia eleitoreira dos prefeitos, com o apoio de um grupo ingênuo de pesquisadores da UFG, arrasta Goiás para a cova

Está se produzindo, por conta de lideranças empresariais irresponsáveis e do espírito de levar vantagem eleitoral a qualquer preço de prefeitos de cidades importantes, contando com a ajuda de um grupo ingênuo de pesquisadores da UFG, as condições perfeitas para que Goiás e sua população venham a ser arrastados para o buraco de uma cova – ou milhares delas – nos cemitérios que são o destino de parte das vítimas do coronavírus.

Chefes de instituições classistas de peso como a Federação das Indústrias do Estado de Goiás – FIEG, Sandro Mabel, ou a Associação Comercial e Indústrial do Estado de Goiás – ACIEG, Rubens Fileti, associaram-se a prefeitos de municípios populosos como Roberto Naves, de Anápolis, e Gustavo Mendanha, de Aparecida, para pressionar o governador Ronaldo Caiado e forçar um relaxamento ainda maior da quarentena sanitária imposta, mas pouco cumprida pelas goianas e pelos goianos. Para reforçar a tripulação dessa nau dos insensatos, ainda apareceram professores da UFG que passaram a apregoar a falta de necessidade de um novo decreto para reforçar o isolamento social, bastando apenas, segundo alegam infantilmente, exigir que se cumpra o anterior, atualmente em vigor, que não colou e não está sendo observado em parte alguma do Estado.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta avisou nesta quarta, 13 de maio, que o surto da Covid-17 no Brasil está apenas no começo e que dias piores, bem piores, vêm vindo aí. Acrescentou que o tempo e a história mostrarão quem tem razão quanto ao que deve ser feito. Em Goiás, são nítidos os sinais de que a pandemia está se acelerando, produzindo um número maior de pacientes e mortos a cada dia. Dentro de uma visão bolsonarista de preservação da economia em detrimento das vidas, Mabel, Fileti, Naves e Mendanha sustentam com unhas e dentes a extinção das medidas de restrição à circulação de pessoas – que, por critérios técnicos e científicos, precisam é ser endurecidas urgentemente.

O que eles estão defendendo, sem base alguma, é a prática de um crime que seria expresso nas filas de caixões que inevitavelmente acabariam se formando à saída dos hospitais com a explosão nos números da nova doença no Estado. Nos jornais desta quinta, enfileiram-se declarações de todos eles que vão muito além da irresponsabilidade e beiram a incidência em uma gama de artigos do Código Penal. A situação em Goiás, o pior Estado em matéria de cumprimento do distanciamento entre as cidadãs e os cidadãos, é de adoção imediata de um lockdown e não de seguir os palpites sem nexo de grandes empresários que querem continuar ganhando dinheiro às custas do sofrimento do povo e de prefeitos oportunisticamente de olho na reeleição. Essa gente precisa calar a boca ou então, se a abrir, usá-la para propugnar pelo bem comum e pelo interesse coletivo, acatando os princípios humanitários que definem a civilização moderna e que pressupõem que todos, sem exceção, têm direito a proteção da sua saúde e que isso não está abaixo das coisas e do dinheiro.

11 maio

URGENTE: Isolamento em Goiás está abaixo do mínimo aceitável e não há dúvidas de que é necessário o reendurecimento das medidas de restrição à circulação de pessoas e até o lockdown

Está configurado que o isolamento social em Goiás está abaixo do mínimo aceitável e que, em consequência, é urgente e inescapável um reendurecimento das medidas de restrição à circulação e aglomeração das goianas e dos goianos, sob pena de se assistir a uma explosão dos casos de coronavírus e, pior ainda, a uma uma escalada dos índices de letalidade da nova doença no Estado.

Infelizmente, está provado que a população, em sua maioria, tem pouca preocupação com a propagação da peste e está se expondo ao contágio voltando quase que livremente às ruas e às atividades que permitem contato e estimulam a proliferação do vírus assassino. Não estamos bem: os levantamentos quanto a rigidez do confinamento indicam Goiás em último lugar, dentre todas as unidades da Federação, em termos de isolamento social. Isso quer dizer que é praticamente igual aos tempos de normalidade o fluxo das cidadãs e cidadãos, que pouco se ligam, aparentemente, para os riscos da Covid-19.

Tudo indica que o governador Ronaldo Caiado deverá agir, nas próximas horas, para novamente radicalizar a quarentena em Goiás, sob pena de assistirmos a uma evolução descontrolada do número de contaminados. Caiado sempre descartou o lockdown, ou seja, o fechamento total do comércio e de qualquer movimentação afim, mas parece que essa é uma opção que passou a ser considerada.

10 maio

Oposição precipita-se ao enxergar como queda de aprovação a redução da popularidade de Caiado nas redes sociais, que tem mais a ver com críticas de fora do Estado ao rompimento com Bolsonaro

Deputados de oposição na Assembleia, como Major Araújo e os delegados Humberto Teófilo e Eduardo Prado, comemoram em suas redes sociais uma manchete porca de O Popular, que atribuiu ao governador, segundo a consultoria Quest, uma queda de popularidade nas redes sociais – expressa, segundo o levantamento, em uma redução de postagens positivas a partir do irrompimento do vírus assassino em Goiás e do instante em que Caiado, corretamente, distanciou-se com o presidente Jair Bolsonaro basicamente por não concordar com a sua orientação quanto ao isolamento social para diminuir a propagação do novo coronavírus.

Estão todos enganados. E misturando alhos com bugalhos. Primeiro, porque popularidade digital é uma coisa, quando aprovação ou reprovação de governo pela sociedade é outra. E depois levando em consideração que Caiado é um político de repercussão nacional e suas redes sociais são acompanhadas somente em parte por goianas e goianos e em outra parte, não pequena, por seguidores de todo o país. O Popular não prestou esses esclarecimentos na matéria que publicou e, admitindo-se o que dificilmente seria verdade, ou seja, que a oposição ao governador embarcou ingenuamente na teoria de que a sua aceitação diminuiu, foram todos induzidos a um erro monumental.

Não há pesquisas promovidas por institutos sérios, no momento, sobre a qualificação do governo do Estado, dentro dos tradicionais critérios de ruim, péssimo, regular, bom e ótimo. Um dos motivos é que esse tipo de levantamento, em termos estaduais, custa caro. Nem mesmo a maior empresa de comunicação do Estado, o Grupo Jaime Câmara, que banca O Popular, se dispõe a abrir as burras para contratar o seu tradicional instituto fornecedor de diagnósticos sociais e políticos, o Serpes, e colocar em pratos limpos, mais de dois meses depois da chegada a pandemia a Goiás, o que a população pensa das ações comandadas por Caiado.

Lembrando mais uma vez: redes sociais são passíveis de manipulação e não têm nada a ver com correntes solidificadas de opinião pública. Caiado afastou-se de Bolsonaro e automaticamente passou a alvo da milícia online do bolsonarismo raiz, cuja atuação envergonha as brasileiras e os brasileiros de bem. Esse tipo de gente, que o levantamento da consultoria Quest publicado por O Popular não especificou, é que rompeu com o governador goiano e passou a atacá-lo nos canais da internet. A maioria é de fora de Goiás. A tal “queda de popularidade”, apontada pelo jornal, se é que existe, não tem nada a ver com as medidas que foram adotadas por Caiado para combater a peste, mas sim com a pobreza ideológica que é a característica dos jagunços e o exército de robôs que atuam cegamente a favor do capitão e suas ideias genocidas.

Ao contrário do que dizem Major Araújo, Humberto Teófilo e Eduardo Prado, se há um governador que honrou depois de eleito os seus compromissos de campanha, este é o atual inquilino do Palácio das Esmeraldas, no sentido inverso ao do presidente Jair Bolsonaro, hoje protagonista de um dos maiores estelionatos eleitorais da triste história da Terra de Santa Cruz. O autor dessas mal traçadas tem alguma experiência com a avaliação do trabalho de governantes e de políticos em geral e está à vontade para afirmar que Caiado, provavelmente, tem mais a somar do que a diminuir com os dividendos da sua atuação liderando o Estado contra a crise da mortífera Convid-19. Mas é preciso admitir que isso só será esclarecido com uma pesquisa de espectro amplo e não com conjecturas geradas a partir de análises do Twitter, Instagram, Facebook e outras malhas sociais. Nossos deputados oposicionistas quebraram a cara.

09 maio

Iris passa a sinalizar que não será candidato, mas não porque não quer e sim porque foi tomado pelo medo da repercussão negativa do fracasso do seu cronograma de obras para este ano

Como fez em todo o seu mais de meio século de carreira política, o prefeito de Goiânia Iris Rezende mais uma vez investiu no samba de uma nota só de uma gestão exclusivamente baseada em obras de infraestrutura – e, navegando em águas tranquilas a partir da suposta recuperação fiscal do município, imaginou que a sua reeleição para mais um mandato seria como atravessar um mar de rosas e também uma exigência da maioria das goianienses e dos goianienses. Tudo muito, mas muito fácil, até que…

…até que a realidade mostrou que tudo, na atual passagem de Iris pela prefeitura, havia sido superestimado. Por um lado, chegou a pandemia do coronavírus, trazendo um quadro de dificuldades que, mesmo do alto da sua experiência gerencial, Iris não esperava e ao qual simplesmente não soube como reagir. Por outro lado, a administração de um extenso e ousado leque de obras mostrou-se muito mais complicada e custosa do que se previa, a ponto de, hoje, ser pacífico que mais de 50% dos viadutos, do asfalto novo ou recuperado e das construções não mais será entregue nos prazos anunciados, ainda que as eleições venham a ser adiadas. Essa é a verdadeira razão da amargura que ostensivamente passou a ser exibida pelo prefeito e tem permeado, para um bom entendendor, todas as suas declarações recentes.

A peste jogou por terra a fantasia de uma prefeitura reorganizada financeiramente e em ótima situação quanto ao seu caixa, que Iris e seus auxiliares apregoavam aos quatro ventos até o primeiro paciente da Covid-19 ser internado  em Goiânia. De um dia para o outro, todos, tanto o prefeito quanto a sua equipe, passaram a falar em um cenário de finanças complicadas e perto do colapso, motivo, aliás, alegado pelo Paço Municipal para não investir um centavo em qualquer proposta ou ideia de apoio à população, mesmo a carente, a não ser algumas barracas e cobertores para os sem teto que vivem nas ruas e ainda assim obedecendo a uma decisão judicial. As mais de 100 mil crianças matriculadas nos CMEIs e centros educativos foram largadas sem merenda escolar desde o dia em que as unidades foram fechadas para obedecer à quarentena, mal atendidas por um arremedo de programa emergencial que recolheu sobras de alimentos já adquiridos e estocados nas escolas e recorreu aos pífios recursos de um fundo federal para montar kits fajutos que estão sendo entregues às famílias dos alunos a passo de cágado. Um vexame.

Para piorar, Iris entrou na Justiça para suspender o pagamento das parcelas de financiamentos contraídos junto a Caixa Federal e ganhou seis meses de prazo. Aparentemente, uma boa notícia. Só que isso implicou na suspensão dos repasses referentes celebrado empréstimo de R$ 780 milhões, obtido junto à mesma instituição, que foi dividido em seis repasses trimestrais, dos quais só um entrou. Em um zás-trás, o dinheiro que garantiria a folga para gastar com as dezenas de obras em andamento simplesmente desapareceu. Isso, somado à queda da arrecadação provocada pela redução das atividades econômicas e a inadimplência que sobreveio, e ainda considerando-se as adversidades que as empreiteiras passaram a enfrentar, indo desde a aquisição de insumos e contratação de máquinas até a mobilidade dos seus operários, acabou tornando inevitável o atraso, e grande, do calendário inicialmente estabelecido, ou seja: neste ano, muito do que foi prometido não será concluído.

Politicamente falando, Iris levou um tiro no coração. Sua retórica tornou-se vazia, desconectada do mundo real, o que torna impressionante a imagem de isolamento retratada em uma foto distribuída pela sua própria assessoria de comunicação, sozinho, cabisbaixo, caminhando ao longo de um trecho de rua com a pavimentação em reforma, porém sem ninguém trabalhando ou qualquer serviço sendo executado(veja acima). É quase um adeus. Ou a despedida de um modelo de homem público que se tornou fora de moda, ainda mais diante da incapacidade demonstrada diante da calamidade pública da nova doença. Ainda mais com a emergência do coronavírus. Abandonar a candidatura à reeleição, assim, não é um ato voluntário e, sim, uma imposição. Iris está saindo não porque quer, porém por estar sendo constrangido e obrigado a abrir essa porta e se despedir, para evitar o desastre de uma derrota nas urnas a esta altura da sua biografia.

08 maio

Maguito dá como favas contadas que Iris não disputará a reeleição e já está até elaborando um plano de governo para Goiânia

O ex-prefeito de Aparecida e ex-tudo em Goiás Maguito Vilela não admite, não assume e não fala sobre o assunto, mas dá como favas contadas que o prefeito Iris Rezende não disputará a reeleição e, como consequência, será ele o candidato do MDB e do velho cacique emedebista à prefeitura de Goiânia.

Um político como Maguito precisa ser entendido como ele exatamente é. Antes de mais nada, não é dado a qualquer tipo de confronto e por isso mesmo é chamado com frequência de dissimulado. Isso quer dizer que, quando pretende chegar a um objetivo, procura a dar a impressão de que não. Quer desesperadamente ser candidato a prefeito de Goiânia, por exemplo, só que nunca assume jamais essa vontade. Como o chinês que se senta à porta de casa para esperar a passagem do cortejo fúnebre dos seus inimigos, Maguito não faz nada para contrariar Iris e aguarda silenciosamente o anúncio da desistência do prefeito.

Mesmo assim, não dorme no ponto. No seu escritório próximo à avenida Rio Verde, em Goiânia, perto da divisa com Aparecida, o seu braço direito Carlos Eduardo de Paula Rodrigues, ex-secretário de Finanças ao longo dos seus anos como prefeito de Aparecida, reúne grupos de colaboradores para produzir uma proposta de governo para a capital. E também, de certa forma, buscando uma estratégia de campanha, que terá a ver com a crise do coronavírus e de alguma forma ressuscitará o que foi o forte do mandato de Maguito como governador do Estado, quando, digamos assim, a única obra visível foi a distribuição de cestas básicas para a população carente. Em uma campanha que tende a se dar sob o signo da pandemia devastadora, essa, incrivelmente, poderá ser a bandeira do candidato que se imagina substituto de Iris.

Para os planos de Maguito, o único problema é… Iris, alguém em que não se pode confiar de jeito nenhum em matéria de projetos eleitorais. Sabe-se hoje que o prefeito, até há pouco convencido da facilidade da sua reeleição, passou a alimentar uma forte insegurança, em razão da falência do cronograma das dezenas de obras que toca em Goiânia e não tem uma face humana e solidária. Sim, uma grande parte, ao contrário do que foi prometido, não será entregue até a eleição, criando um foco de desgastes para um administrador que só se baseia em viaduto, asfalto e construções – o tipo da prioridade que, em tempos de emergência social, econômica e sanitária trazida pela peste, caiu em matéria de importância. Anotem aí, leitoras e leitores, Iris, até a eleição, não conseguirá inaugurar nem a metade das obras que prometeu. É por ter consciência dessa impossibilidade que ele balança, hoje, sobre a sua recandidatura, e abre caminho a Maguito.