Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

26 dez

Crescimento espetacular do PIB goiano nos governos de Marconi é mito, foi menor que na época do PMDB, perdeu feio para Mato Grosso e tudo indica que não passou de “mediano”

Todas as verdades doem, mas algumas são mais doídas ainda. Uma delas precisa ser estabelecida com urgência em Goiás: nos governos de Marconi Perillo, o PIB estadual não teve o crescimento espetacular alegado dia e noite os tucanos, na tentativa desesperada de defender o que chamam de “legado” do Tempo Novo e de provar que Marconi foi o governador que mais fez pelo Estado.

Nesta semana de Natal, por exemplo, o presidente estadual do PSDB Jânio Darrot procurou os jornais e blogs onde publica anúncios pagos com o dinheiro da prefeitura de Trindade para mais uma vez repetir como um papagaio que o seu partido é responsável pelas melhores gestões da história do Estado, citando como exemplo o fato de que o PIB goiano estava em torno de R$ 17 bilhões quando Marconi assumiu o 1º mandato e saltou para mais de R$ 200 bilhões quando chegou ao final do 4º.

Jânio Darrot, como os romanos que crucificaram Cristo, deve ser perdoado porque não sabe o que faz, ou melhor, o que fala. É lícito que ele faça força para defender o seu líder, mas deveria mostrar inteligência e não parlapatar chavões cansativos. Não leu, está à vista, a entrevista que o professor da PUC Wilson Cunha deu ao Jornal Opção, quando observou que os governos de Marconi foram apenas “medianos” e que chegaram a resultados que qualquer um alcançaria. Essa afirmação merece uma reflexão mais séria, mais ainda a se consultar nas estatísticas do IBGE e do Instituto Mauro Borges, criado pelo ex-governador, que expõem a nu e a cru a realidade do que foram as administrações tucanas em Goiás.

Pior ainda se examinados os estudos que a Macroplan fez sobre Goiás, contratada a peso de ouro pelas gestões do próprio PSDB para oferecer algum planejamento para as ações governamentais – sem rumo e aleatórias, principalmente no último mandato de Marconi. Lê-se nas publicações oriundas dessas fontes que, na década de 90, sob a égide do PMDB, a economia goiana teve, sim, crescimento chinês, com uma média anual de avanço espetacular de 5,4%, que os anos Marconi sequer arranharam, ficando abaixo da média anual de 4%. Além disso, nos anos peemedebistas de Iris Rezende e Maguito Vilela, Goiás liderava o Centro-Oeste, caindo para o 3º lugar nas gestões tucanas e engolindo poeira diante da ascensão acelerada do Mato Grosso – o Estado que mais cresceu e ainda cresce na região (em 2º lugar fica o Distrito Federal). Ainda para a Macroplan, nos governos tucanos, o crescimento de Goiás foi menor do que a média do Centro-Oeste.

Há uma profusão de números nesse sentido, que Jânio Darrot e o próprio Marconi precisariam estudar com mais cuidado, para buscar os pontos positivos que existiram nos governos do PSDB – se é que existiram – e, aí sim, partir para uma defesa fundamentada e crível, não simplesmente perpetuar palavras de ordem e raciocínios vazios que  só contribuem para degradar a imagem do ex-governador e dos seus seguidores. Este blog continuará com este assunto em notas próximas.

23 dez

Esclarecimento encaminhado pelo ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela a este blog, a propósito da sua possível inelegebilidade com base na Lei da Ficha Limpa

Este blog recebeu do ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela a seguinte nota de esclarecimento:

“No último 14 de novembro, foi veiculado no Blog do JLB artigo de opinião com o seguinte título: ‘Maguito responde a processos na Justiça, mas alega que tem 40 anos de vida pública limpa. Passa da hora de fazer um esclarecimento defintivo sobre isso, mas ele não o faz’. No artigo, consta que eu estaria incurso na chamada Lei da Ficha Limpa em razão da existência de pelo menos uma condenação em 2º Grau, proferida por ‘três ou mais juízes’. Esclareço ao Blog do JLB e a todos os seus leitores, contudo, que as afirmações lançadas no artigo publicado em 14 de novembro não correspondem à realidade, pois não há contra a minha pessoa nenhuma condenação judicial por ato de improbidade adminstrativa ou por crime, nem em 1º grau e muito menos em 2º grau como equivocadamente afirmado. O processo no qual, segundo o Blog do JBL, eu teria sido condenado em 2º grau, é o de número  01692585207, cuja consulta é publica no site do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. Neste processo, foi proferida sentença de 1º grau julgando improcedente o pedido de condenação por ato de improbidade administrativa. No 2º grau, a 1ª Seção Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás seguiu o entendimento de que não houve qualquer ato de improbidade administrativa da minha parte, mantendo a absolvição proferida em primeiro grau. É bom deixar registrado que na ocasião do julgamento em 2º grau, todos os 10 desembargadores, unanimemente, confirmaram a inexistência de ato de improbidade administrativa que já havia sido atestada por um juiz de 1º grau. Na decisão unânime, ficou expressamente consignado que minha conduta, precipitadamente questionada pelo Ministério Público, não apresentou ‘desonestidade nem má-fé, muito menos enriquecimento ilícito’, e que foi pautada em pareceres técnicos que ‘atestavam a legalidade do ato’. No mesmo sentido, todas as minhas contas como prefeito de Aparecida de Goiânia foram aprovadas. Portanto, sempre estive apto a exercer qualquer função pública, pois não estou incurso em nenhuma das hipóteses da Lei da Ficha Limpa. Qualquer afirmação em sentido contrário visa simplesmente confundir a opinião pública”.

Em anexo, Maguito encaminhou uma cópia da decisão judicial citada acima.

21 dez

Atenção servidores: os deputados que pretensamente se arvoram como seus defensores fizeram um péssimo trabalho e não souberam discutir os projetos que extinguiram seus privilégios

Os deputados estaduais – nos próximos parágrafos este blog citará um a um os seus nomes – que pretensamente se arvoram em defensores dos direitos, melhor dizer privilégios, dos funcionários públicos, fortemente afetados pelos projetos reformistas encaminhados pelo governador Ronaldo Caiado ao Legislativo, fizeram um péssimo trabalho durante os debates na Assembleia e, como não poderia deixar de ser… fracassaram redondamente.

Em vez de entender o realidade atual do país e compreender que o funcionalismo representa apenas uma pequena parcela da população (135 mil em Goiás, contra 7 milhões de goianas e goianos), esses parlamentares partiram para uma atuação agressiva dentro da proposta de simplesmente manter, a qualquer custo, todas as regalias e vantagens que diferenciam o servidor do Estado da maioria esmagadora dos trabalhadores da iniciativa privada.

Os argumentos usados foram os piores possíveis. Este blog registrou o deputado delegado Humberto Teófilo afirmando, da tribuna da Assembleia, que as reformas não passariam de uma “covardia” contra o funcionalismo. Ora, isso não é argumento, mais se aparentando a uma bobagem. Igual a deputada Leda Borges dizer que se trata de uma “perversidade”. Ridículo. O que ele, mais os deputados Major Araújo, Virmondes Cruvinel, Alysson Lima, Eduardo Prado e Karlos Cabral fizeram foi recorrer a palavras de efeito, raciocínios emocionais (seria uma contradição?) e a mais deslavada demagogia para defender o que entenderam ser nocivo e negativo para os servidores, nenhum deles, absolutamente nenhum, capaz de apresentar qualquer alternativa para resolver o indiscutível rombo das contas públicas caso a situação financeira do Estado permaneça como está hoje.

Na triste visão de mundo desses parlamentares, somando-se a eles a turma da oposição, que é do contra porque tem de ser, embora, nos governos de Marconi Perillo, tenha se posicionado a favor das mesmíssimas medidas, é tudo uma questão de “maldade” para prejudicar o imenso contigente de trabalhadores do Estado. Não é bem assim. Os projetos reformistas de Caiado, façamos justiça, atacaram de frente situações do passado que, persistindo, não têm mais a menor justificativa no mundo de hoje. Tanto que, na maioria dos Estados e no governo federal, já foram suprimidas. Como é que poderiam continuar sobrevivendo apenas em Goiás?

Anote aí, leitora e leitor que são servidores estaduais: ninguém os defendeu na Assembleia, pelo menos com inteligência e sabedoria. O que os deputados que se enfiam no papel de seus representantes fizeram foi abaixo da crítica. Em discursos e entrevistas, só falaram besteiras. Claro, isso não levaria a lugar nenhum como não levou. Todos os projetos acabaram aprovados praticamente na forma original com que foram encaminhados. É o preço da burrice e da incompetência.

21 dez

Deputados que votaram contra a atualização da previdência e das regras para os servidores estaduais acham que representam o funcionalismo, mas nenhum deles foi eleito pelo segmento

O funcionalismo público do Estado é um contigente de 135 mil pessoas, entre ativos e inativos (meio a meio), esparramado por todos os municípios e com uma concentração na capital, mas formado pelas mais diferentes profissões e características sociais – de forma que, caso submetido a critérios científicos, não poderia jamais ser classificado como uma classe ou sequer uma categoria homogênea.

Tanto isso é verdade que nenhum deputado, talvez com uma única exceção, pode comprovar ter sido eleito com os votos dos servidores estaduais. Vários desses parlamentares, acreditando nessa ilusão, votaram contra a reforma da previdência e contra a extinção de privilégios ultrapassados como o quiquênio ou a licença-prêmio, na esperança de agradar as bases que imaginam ter. Mas é só examinar o mapa de votação de políticos como Virmondes Cruvinel ou Delegado Humberto Teófilo para constatar que foram eleitos por colégios eleitorais específicos, nos municípios, e não por votos espalhados pelo Estado inteiro obedcecendo a distribuição geográfica do funcionalismo.

(O deputado Major Araújo é uma exceção clara a esse raciocínio, vez que recebeu apoio de todas as regiões do Estado, confirmando a sua ligação umbilical com a tropa da Polícia Militar, elegendo-se pela 3ª vez sem contar com prefeitos ou lideranças da política tradicional seja na capital seja no interior).

A deputada Adriana Accorsi é um caso exemplar:  é delegada de polícia, mas não tem grande ressonância dentro da sua área profissional. Na verdade, ela é produto do que restou dos bolsões petistas em Goiás, que nunca conseguiram eleger mais do que dois deputados estaduais, e do fato de ser uma das poucas mulheres de expressão atuando no cenário institucional do Estado, em razão do seu inegável conteúdo intelectual e preparo político. Ela votou contra as reformas, quando, se tivesse liberdade partidária e coragem para assumir a visão moderna do mundo que tem, este blog aposta que votaria a favor – pois está longe de ser atrasada ou aferrada a conceitos antigos.

Nenhum dos deputados que se colocaram contra os projetos mais importantes que já caíram na Assembleia, pelo menos nos últimos tempos, conseguiu dar explicações racionais para o seu voto. Todos apresentaram argumentos emocionais, com frases de efeito e pouca justificação racional. Isso foi e é ruim para Goiás. Uma parte do Legislativo goiano, infelizmente, vive no passado e não sabe onde tem os pés. Vive no equívoco e não tem o que contribuir para construir um futuro melhor para as goianas e os goianos. Tem os que fazem oposição ao que aprovaram nos governos anteriores e tem os que imaginam agradar setores do funcionalismo que não votaram e não vão votar neles, pelo menos não a ponto de garantir suas eleições. É um autoengano. porque servidor público é disperso e não elege ninguém. Azar deles, enfim.

19 dez

Mudanças sugeridas pelo Fórum Empresarial ao ProGoiás, novo programa de incentivos fiscais do governo do Estado, são marotas e prova maior de os grandes empresários só pensam no próprio lucro

Corretamente, o governador Ronaldo Caiado agiu com firmeza e colocou na Assembleia um projeto que cria uma nova política de incentivos fiscais, 100% mais transparente que a atual e radicalmente condicionada a avaliações periódicas e garantia de cumprimento das contrapartidas a que se devem obrigar os grandes empresários para ter acesso a isenções ou descontos no ICMS.

Mas nesta quinta, 19 de dezembro, em O Popular, estão listadas as “sugestões” que as entidades representativas do supercapitalismo goiano, o de grande porte, é claro, porque o médios e pequeno empreendedores e continuam ao léu e não recebem dessa gente uma palavra em sua defesa, levaram até a secretária Cristiane Schmidt, da Economia, para, segundo justificaram, o “aperfeiçoamento” do ProGoiás.

Só que não tem nada disso. Sob a capa das suas supostas boas intenções, o que o Fórum Empresarial, que reúne as organizações do superbaronato da indústria estadual, formulou foram itens que na verdade deveriam causar vergonha aos seus autores: o objetivo, que não é possível disfarçar, é distorcer o novo programa de incentivos fiscais e torná-lo adequado aos interesses particulares das grandes empresas instaladas em Goiás, inclusive com uma tentativa de golpe para tomar o seu controle – o que equivaleria a designar à raposa a administração do galinheiro.

Confiram aqui: O Popular informa que foi sugerida “a criação de um Conselho de Deliberativo que teria a função de pensar estrategicamente o ProGoiás, arbitrando e decidindo questões relevantes que surgirem no decorrer do funcionamento do programa. Para os empresários, isso faria com que ele não tivesse apenas uma visão financeira da
Secretaria da Economia, mas também seguisse uma linha de promoção do desenvolvimento econômico e social do Estado, uma das principais funções dos incentivos”.

Onde, leitora e leitor, onde é que os nossos empresariados já demonstraram, até hoje, serem capazes de “pensar estrategicamente Goiás”, quando nenhum deles, absolutamente nenhum, ultrapassa os limites determinados pela vontade de lucrar cada vez mais e a qualquer custo? E a afirmação maliciosa de que a Secretaria da Economia só tem uma “visão financeira” dos incentivos fiscais é contraditada pela criação do próprio ProGoiás, que, se limitado apenas a uma finalidade fiscal, simplesmente jamais existiria. Entregar o programa a um “Conselho Deliberativo” influenciado pelos capitães da indústria goiana seria o mesmo que abrir mão da sua gestão mediante critérios sérios e submetidos à lei, reeditando a farra irresponsável dos 20 anos dos governos Marconi em que o megaempresariado estadual tomou nos dentes os freios e praticamente administrou a política de cobrança de ICMS em Goiás, o que resultou em um malcheiroso sarapatel de vantagens inadmissíveis que felizmente agora está sendo eliminado.

Outras ideias do Fórum Empresarial não merecem comentário, como, por exemplo, a proposta indecente de retirada do Protege de 10% do ProGoiás, taxação destinada ao combate à pobreza contra a qual foi montada uma mobilização permanente. Mas o pior de tudo é que a secretária Cristiane Schmidt admitiu atrasar a apreciação do ProGoiás na Assembleia para estudar detalhadamente as sugestões do empresariado. Isso não tem cabimento, ainda mais com os antecedentes negativos dos anos de conluio entre esse pessoal e a gestão fiscal dos anos Marconi. O novo programa deveria significar um ponto final nesse tipo de convivência toxica e prejudicial para o Estado e os sete milhões de goianas e goianos. Espera-se que Caiado não permita esse atraso inadmissível. Claro que, em função da liturgia do cargo que ocupa e sendo pessoal e profissional responsável e séria, a dra. Cristiane Schmidt jamais faria isso e nem poderia, mas deveria ter encerrado a reunião com o Fórum Empresarial jogando na lata de lixo as tais supostas sugestões.

18 dez

O Popular, que não tem opinião sobre nada, é uma desgraça para Goiás ao defender o corporativismo do funcionalismo e os absurdos incentivos fiscais dos últimos 20 anos, nocivos para as goianas e os goianos

O fato de ser o mais importante veículo de comunicação do Estado e, consequentemente, o de maior repercussão, não deveria servir de justificativa para os absurdos cometidos por O Popular – um jornal desfibrado pela falta de opinião e de qualquer compromisso com Goiás, limitado à visão supostamente técnica da sua equipe e à alienação política dos proprietários, a família Câmara.

Nunca, como nas últimas edições, O Popular foi tão nocivo para Goiás. Encontram-se na Assembleia os projetos mais cruciais que já se viram para a implantação de uma agenda de mudanças no Estado, dentro de um filtro liberal – e por que não?, que atende a uma necessidade inadiável de redução de gastos e de racionalização da máquina pública – que o jornal obrigatoriamente deveria reproduzir, pelo menos noticiando igualmente as concepções em confronto. Mas não é o caso. O que se lê nas páginas do que deveria ser um órgão de comunicação comprometido com a modernidade são as entrevistas e os pontos de vistas daqueles que são contrários a qualquer avanço, na tentativa de salvaguardar os privilégios que detêm, caso tanto dos representantes sindicais dos servidores quanto dos mais apaixonados procuradores do megaempresariado beneficiado pelos privilégios fiscais.

É a única explicação para que O Popular conceda uma página para o advogado Flávio Carvalho, que tem contrato com a nefanda Adial, para atacar o governo do Estado e sua proposta de revisão das isenções de ICMS que se constituem no maior crime praticado contra os interesses das goianas e goianos, ao implicar em uma renúncia fiscal de R$ 8,2 bilhões (conforme a previsão orçamentária de 2020). Veja bem, leitora e leitor, sem a concessão de qualquer espaço para a apresentação dos argumentos que justificam a revisão  ora em andamento, o que poderia vir através da secretária da Economia Cristiane Schmidt ou de qualquer funcionário da pasta.

É um suplício abrir O Popular diariamente, sob o condicionamento da sua possível influência construída em décadas de história nem sempre digna ou brilhante, para se deparar com editoriais descritivos e manchetes longe, mas muito longe da isenção e da imparcialidade. Venhamos e convenhamos: a sua equipe não está acima de críticas. Ao contrário, deve satisfações correspondentes ao peso que o produto colocado diariamente no mercado tem… embora tão equivocadamente.

15 dez

Nenhum lugar é mais importante em Goiás, hoje, que o prédio da Assembleia, onde trabalham os 41 deputados que estão com a mais decisiva agenda de reformas da história do Estado nas mãos

O futuro de Goiás está hoje literalmente nas mãos dos 41 deputados estaduais que trabalham no prédio que invadiu ilegalmente a reserva do bosque dos buritis para sediar a Assembleia Legislativa, a quem compete, agora, a apreciação da mais crucial agenda de reformas jamais colocada na suas mãos em qualquer momento anterior da sua história. Trata-se do pacote de projetos enviado pelo governador Ronaldo Caiado, mostrando uma ousadia que só poderia vir de quem foi ungido pelo voto de sete entre cada dez goianos – o que, em termos eleitorais, praticamente corresponde a uma unanimidade.

Quase tudo de que o Estado precisa para reencontrar o caminho virtuoso do equilíbrio entre receita e despesas e voltar a investir tanto no aperfeiçoamento quanto na ampliação das políticas públicas que beneficiam diretamente a população, está lá. Fim dos injustificáveis privilégios do funcionalismo, eliminação das distorções dos incentivos fiscais, extinção de fundos orçamentários ultrapassados, racionalização administrativa, privatização de empresas públicas inúteis para as goianas e os goianos e mais alguma coisa. Nada que não seja da mais profunda repercussão na reorganização das finanças estaduais e da sua adequação aos interesses gerais da sociedade – e não de segmentos específicos.

A pauta que Caiado apresentou à Assembleia é tão pesada que os parlamentares ficaram momentaneamente desorientados. Corretamente, o governador decidiu fazer tudo de uma só vez, depois de quase um ano avaliando e analisando os possíveis caminhos a seguir. Ninguém é obrigado a concordar com tudo o que ele pensa e faz. Mas é preciso admitir que se trata de um gestor bem intencionado. São 70 anos de idade e uma longa carreira política, até hoje imaculada. Ele já estava inscrito na história de Goiás, mas o que pode resultar do seu governo é uma vaga ao lado de nomes essenciais para o Estado como Pedro Ludovico, Iris Rezende e Mauro Borges.

Não há mais nada entre o necessário e inadiável ajuste fiscal do Estado, consubstanciando no pacote de matérias que Caiado colocou na Assembleia, e a sua efetivação a não ser a pequenez ou o amiudamento da visão de alguns poucos deputados. De um lado, os da oposição que acreditam que o seu exercício institucional é ficar contra tudo o que vem do Executivo, inclusive as propostas que defenderam quando estavam vinculados aos governos do passado. De outro, alguns poucos representantes do corporativismo mais atrasado, que buscam uma impor um filtro aos objetivos maiores da ação do governo estadual, condicionado ao atendimento das demandas de setores minúsculos dentro do conjunto de sete milhões de goianas e goianos – caso dos parlamentares militares, policiais civis ou membros do escalão mais privilegiado do funcionalismo, como Virmondes Cruvinel, procurador do Estado (em Roraima, salário superior a R$ 30 mil mensais).

Levada a efeito, a agenda reformista de Caiado consagrará a sua liderança na criação de um novo Estado, livre do modelo de desequilíbrio entre receita e despesa que vigorou no passado. Isso nunca foi tentado antes. Mas os deputados estaduais também serão julgados nesse episódio crítico para o futuro de Goiás. Eles receberam uma oportunidade ímpar para estar ao lado de cada um dos seus eleitores, de verdade, e não apenas no discurso demagógico. A hora é essa.

13 dez

O Jesus gay da Neflix e a reação dos evangélicos defendendo a censura: se Ele voltasse, ia preferir a companhia dos LBGTs e não de fariseus como Josué Gouveia, Pastor Jeferson e Glaustin Fokus

O deputado estadual Rafael Gouveia, do PP, que deve a sua eleição ao pai líder evangélico Josué Gouveia, finalmente arrumou um assunto para aparecer da tribuna da Assembleia: fez um discurso para repudiar a nova série da Netflix, realizada pelo grupo humorístico Porta dos Fundos, que apresenta Jesus como homossexual – o que, segundo o jovem parlamentar, seria inaceitável.

Para ele, talvez. E para o deputado pastor Jeferson, do PRB, que o seguiu na tribuna, também. E ainda para o deputado federal Glaustin Fokus, que protocolou um requerimento na Câmara Federal exigindo que a Netflix abra os critérios mediante os quais seleciona títulos para exibição. Em resumo, foram muitos os deputados que, pelo Brasil afora, ecoaram uma farisaica repulsa contra a plataforma de streaming, propondo desde um boicote por parte dos assinantes até mesmo uma censura pura e simples capaz de impedir que programas como o especial de Natal do Porta dos Fundos fosse reproduzido.

Quem esse pessoal pensa que é? Pode conferir, leitora e leitor: Jesus, quando andou sobre a terra, preferia a companhia de ladrões, prostitutas e coletores de impostos, gente muito mal vista pela sociedade daquela época. Fossem enviados para dois mil e cento e poucos anos atrás, os rafaéis gouveias, pastores jefersons e glaustins fokus, como aqueles que simbolizaram a autoridade política da velha Palestina, jamais conseguiriam se aproximar do Filho de Deus. Nas escassas oportunidades que tivessem, seriam renegados ou até mesmo chicoteados, conforme documentam os evangelhos em relação aos seus iguais daque momento histórico.

Não há notícia documentada de gays nos tempos de Jesus. Provavelmente, existiam, mas sem espaço para aparecer socialmente, como hoje. De toda forma, é certo que, se os houvessem, eles estariam entre a trupe de marginalizados e escorraçados que seguiam o Divino Mestre. Teriam lugar assegurado até mesmo entre os 12 apostólos, já que Cristo, grande apreciador de vinhos e festas, ostensivamente priorizava os excluídos e os pisados em detrimento dos privilegiados e dos bem posicionados, dos ricos e dos situados nos extratos superiores. Os pobres, os infelizes, os errantes, os depossuídos, esses, sim, foram os bem-aventurados que Jesus queria ao seu lado nos céus, como prometeu ao ladrão pendurado ao seu lado na cruz, que até virou santo da Igreja Católica – São Dimas. Nossos deputados, preconceituosos e retrógrados, até poderiam receber o perdão, mas jamais seriam chamados para se sentar junto a quem tinha um espírito tão aberto para toda a humanidade.

12 dez

Projetos que estão na Assembleia compõem a mais profunda e necessária reforma já feita no Estado, mas nem todos os deputados estão entendendo que se trata de um avanço como poucas vezes se viu

pacotaço de projetos que o governador Ronaldo Caiado depositou no colo da Assembleia merece aprovação integral. Isso, se a maioria dos deputados estaduais tiver juízo e pensar de fato nos interesses da população – o que seria, mas nem sempre é, o dever de cada um. As matérias, em um volume inédito na história do Legislativo, deixou os nossos parlamentares momentaneamente atônitos, sem saber o que fazer. Quase nenhum, até agora, conseguiu dar uma entrevista ou se pronunciar com clareza e profundidade sobre o que começam a votar nas próximas sessões.

O Estado nunca passou por uma reforma de conteúdo e tão bem articulada como a proposta que salta dos mais de 20 ou mais projetos que Caiado enviou para a Assembleia. Basicamente, são prioritariamente atacadas as duas maiores fontes de desequilíbrio fiscal do governo, qual sejam os excessivos e onerosos direitos atribuídos ao funcionalismo, inclusive um sistema de aposentadorias totalmente injusto em relação aos trabalhadores privados, e as distorções da política de incentivos fiscais, que tira anualmente R$ 8,2 bilhões (valor previsto para 2020) do caixa estadual e os deixa retidos no bolso dos proprietários das 534 empresas privilegiadas com isenções de ICMS em alguns casos simplesmente absurdas.

Há mais entre os projetos forjmulados pelo Palácio das Esmeraldas. De um modo geral, o que produziriam, caso acabassem saindo do Legislativo como entraram, seria a consolidação de um caminho viável para a superação do modelo de desequilíbrio entre receita e despesa – este sim, prejudicial e danoso para Goiás, suas cidadãs e seus cidadãos. Não é possível mais insistir apenas com remendos e curativos para tentar resolver situação de calamidade financeira em que o Estado foi lançado principalmente a partir do último mandato do ex-governador Marconi Perillo e seu substituto tampão Zé Eliton.

Serviços qualificados de Segurança, Saúde e Educação são o que inevitavelmente viriam com a transformação das reformas de Caiado em fato concreto, como consequência da estabilização das finanças do governo. Esse é um objetivo coletivo que não deveria esbarrar no corporativismo desse ou daquele deputado – nem é preciso citar nomes porque todos sabem quem são. Mas isso se houvesse grandeza neles e infelizmente, nem sempre há.

09 dez

Visão de O Popular, ao definir em editorial a destinação de ambulâncias para prefeituras como “prática nociva”, é tão elitista quanto inaceitável

Um jornal que ocupa o 1º lugar no ranking de importância do Estado, como O Popular, deveria ser mais criterioso e preocupado com os interesses coletivos em vez de atacar como “prática nociva” as soluções que atendem às necessidades imediatas das goianas e goianos carentes em termos de atendimento de saúde.

Segundo O Popular, em editorial nesta segunda, 9 de dezembro, “a utilização de um terço do dinheiro das emendas impositivas dos deputados estaduais para a compra de veículos indica a perpetuação de uma prática nociva, apelidada de ‘ambulancioterapia’. Trata-se da tradição de enviar pacientes para tratamento na capital, mantendo
localidades menores sem estrutura necessária para atendimento de sua população”.

O editorial imagina que o certo seria destinar esses recursos para instalar, até mesmo nas pequenas cidades, unidades de prestação de serviços médicos, dispensando a necessidade de transporte dos pacientes até Goiânia. Isso não tem sentido. Não há nem haverá jamais serviços qualificados de medicina em cidades de porte reduzido. Nas médias, talvez alguma coisa, mas ainda longe do que sempre estará garantido em termos de assistência a doentes nos grandes centros urbanos.

Ao contrário do que diz O Popular, os deputados estaduais deveriam ser parabenizados por enviar ambulâncias para os municípios. Serão veículos novos e, dentro dessa condição, inevitavelmente mais confortáveis e eficientes. Os senhores parlamentares mostram que estão, nesse caso, antenados com as necessidades reais e imediatas da população. Ah, sim… em um mundo ideal, talvez o jornal tivesse razão. Mas, até lá, estaremos todos mortos.

09 dez

Fim de ano de Caiado: com o governo no azul, Estado continua no vermelho – e só a aprovação das reformas abrirá caminho para a conquista do modelo de equilíbrio entre receita e despesa

O governador Ronaldo Caiado conseguiu: o seu governo vive um momento em que as suas contas estão no azul, enquanto a situação financeira do Estado continua no vermelho. Não há nenhuma contradição nessa constatação, ao contrário do que supõem jornalistas e analistas que apontam para uma dúvida ou antinomia entre um quadro e outro. Caiado alcançou uma estabilidade momentânea graças a aportes vultosos que viabilizou para a sua gestão, como os mais de R$ 1,8 bilhão dos depósitos judiciais (na verdade, um empréstimo sem data de vencimento) e a suspensão do recolhimento mensal de cerca de R$ 250 milhões correspondentes às parcelas da dívida estadual, dinheiro que, assim, fica disponível nos cofres estaduais. Acrescente-se o aumento na arrecadação de ICMS, fruto da ação fiscalizadora da Secretaria da Economia e da reorganização fiscal iniciada neste ano.

Com esses e mais recursos que o governador está se mostrando extraordinariamente habilidoso em conseguir, como os R$ 185 milhões em verbas do leilão dos campos extras do pré-sal, que vêm vindo aí, houve uma estabilização financeira, ainda que provisória e sem sustentação a longo prazo, para o governo. Um dos sintomas mais fortes dessa nova realidade é a antecipação que vem sendo feita a cada mês da data de pagamento da folha de pessoal, que, relativamente a novembro, saiu no dia cinco e caminha para ser liquidada até o dia 30. O alívio, indiscutível, dá para o governador um fôlego para trabalhar politicamente nas reformas que estão na dependência de aprovação da Assembleia – e que são cruciais para o futuro do Estado.

É esse passo que pode resolver o desequilíbrio entre receita e despesa que Caiado herdou dos seus antecessores: mudar regras que perpetuam privilégios, tanto para o funcionalismo como, por exemplo, para os grandes empresários que têm indústrias instaladas no território goiano e usufruem de benesses tributárias imcompatíveis com uma economia moderna. Os projetos que estão se acumulando no Legislativo deixam claro que o governador tem a coragem necessária para assumir desgastes e fazer o que precisa ser feito, a despeito das reações localizadas e corporativas, em defesa dos interesses coletivos e não de grupo minoritários face aos sete milhões de goianas e goianos.

Quem olha só para a superfície enxerga o governo que Caiado tirou do buraco em seu primeiro ano de mandato, mas não vê que ainda não conseguiu resgatar um Estado que continua afundado em vícios estruturais, vícios que, a permanecer como estão, logo reaparecerão com as suas consequências deletérias – já que as causas obviamente persistem. O fim deste ano, para a administração estadual, é bem melhor que o apagar das luzes de 2018, quando ficou evidente que o novo governador estava prestes a ser obrigado a engolir um legado pernicioso de caos, desmazelo e, infelizmente, muita corrupção. O curto prazo vai bem. O longo é que é o problema.

08 dez

O que o jornal O Popular trata pejorativamente como “ambulancioterapia” e condena, na verdade é o único direito que os mais pobres têm para conseguir acesso a tratamento médico especializado

Não é de hoje que o O Popular publica reportagens execrando a estratégia das prefeituras do interior ao colocar ambulâncias à disposição da população para transporte até Goiânia, com hospedagem em abrigos mantidos pelos municípios, visando a acessar tratamento médico geralmente especializado. É uma visão elitista e de certa forma cruel do jornal, já que se trata de uma solução – digamos assim – que corre atrás da natural hierarquização da medicina, não só em Goiás, mas em termos mundiais.

Fácil explicar. Atendimento de saúde em casos graves e específicos custam caro, exigem profissionais qualificados e exames de última geração – fatores que se subordinam às regras de mercado e dependem de procura para funcionar como negócio viável. Não é algo que pode ser encontrado por aí. Quem mora em um município pequeno não tem saída a não ser se deslocar para um outro maior e daí em diante ir atrás de núcleos urbanos mais estruturados e mais habitados que, em última análise, obedecem a uma escala planetária.

Essa realidade independe de categorias econômicas. Quem tem recursos, sai do interior e vai de carro para a capital atrás de atendimento médico que não existe nem nunca existirá em suas cidades. Quem mora na capital, podendo, busca socorro em São Paulo, em caso de doenças graves. E quem está lá, em circunstâncias especiais, vai para Nova Iorque ou Paris. Um circuito que não tem fim, mas vai na direção certa, que são os grandes centros. Pessoas carentes só se diferenciam das demais, nesse quesito, por não não ter como pagar as suas despesas – e por isso vão de âmbulância. No mais, são doentes que têm o direito de ser protegidos pelo Poder Público e por isso devem receber gratuitamente o traslado e a hospedagem enquanto se tratam.

Não há nem haverá um dia política de governo capaz de acabar com as necessárias e indispensáveis ambulâncias felizmente oferecidas pelas prefeituras., cuja frota em Goiás em boa hora está sendo reforçada pelas emendas impositivas dos deputados estaduais – sob as críticas injustas e desumanas de O Popular. O governador Ronaldo Caiado vai lançar, no começo do ano, um projeto inovador na forma, mas repetitivo no conteúdo, na medida em que tenta reeditar a fase dos hospitais regionais, que no passado não deram em nada: as policlínicas, que serão instaladas em regiões afastadas para tentar diminuir o fluxo para Goiânia, avalizadas pelo compromisso moral que o governador tem como médico e como político de trajetória ímpar. É válido e deve diminuir em alguma medida o tráfego de pacientes, mas é claro que as ambulâncias vão continuar cortando as rodovias rumo ao qualificado parque médico goianiense, dizem que, hoje, de referência nacional. O Popular deveria saber que, para quem não tem nada, isso pode ser tudo.

06 dez

Fim de ano do governo Caiado é bem diferente – e melhor – que o início e dá consistência ao inadiável projeto de reorganização administrativa e financeira do Estado

Ninguém, nem mesmo os adversários mais ferrenhos, pode negar que o fim do primeiro ano do governador Ronaldo Caiado se dá em meio a uma realidade bem diferente – e indiscutivelmente melhor – que aquela em que a atual gestão deu seus passos iniciais, a partir de janeiro passado. Caiado demorou, mas colocou as suas cartas na mesa, assumindo de peito aberto um inadiável e necessário projeto de reorganização administrativa e financeira do Estado, depois de 20 anos (ou mais) de prevalência do modelo de desequilíbrio entre receita e despesa e de improvisação das decisões sem planejamento ou concatenação.

O pacotaço de matérias que o Palácio das Esmeraldas mandou para a Assembleia mexe com os pontos mais fundamentais do setor público em Goiás e a verdade é que deixou os deputados perplexos e sem reação, dada a sua profundidade e efeitos revolucionários para setores que consomem a maior parte dos recursos estaduais, como o funcionalismo e a política de incentivos fiscais para os grandes empresários. É fato: poucas vezes questões tão importantes estiveram nas mãos dos nossos 41 parlamentares, sendo algumas de difícil compreensão para a maioria deles.

São vespeiros com os quais, até hoje, ninguém se atreveu a mexer. Os antigos governos do PMDB não chegaram nem perto. Os do PSDB até que mostraram vontade, mas não avançaram, provavelmente sob o peso do compromisso que Marconi Perillo gostava de alegar com os servidores estaduais e a influência do tratamento dourado que recebia dos maiores industriais do Estado, que o tratavam como um semideus e chegaram a ousar com uma homenagem a ele logo após os evento policiais que antecederam a sua derrota nas urnas em 2018. Pelo sim, pelo menos, não houve nada de significativo quanto a pelo menos um ensaio de reforma na legislação estadual face aos exagerados direitos do funcionalismo e aos não menos exagerados benefícios tributários distribuídos com o objetivo de inflar a economia regional.

A missão ficou para Caiado, credenciado pela votação espetacular que recebeu nas urnas e pelo seu histórico de ficha limpíssima. E ele, neste final de ano, a está encarando de frente. É isso que dará ao governador uma dimensão histórica diferenciada: um mandato focado na reestruturação do Estado, com a volta da estabilidade fiscal perdida e da eficiência e maior racionalidade da máquina administrativa. Caso seja bem sucedido, superando os obstáculos que poderão ser colocados pela Assembleia, Caiado, como já se registro neste blog, justifica plenamente o seu mandato, sem precisão de obras físicas de repercussão – que ele, mesmo todas as dificuldades com que se depara, está começando também a programar (a primeira policlínica no interior, uma das promessas principais da sua campanha, será inaugurada em fevereiro).

29 nov

Com deboche e piadas, oposição do PSDB e de Marconi a Caiado está condenada ao fracasso, ao ignorar que críticas rasteiras não substituem ideias e propostas alternativas

As escolhas da oposição ao governador Ronaldo Caiado, representada pelo PSDB e pelo seu maior líder, Marconi Perillo, são as mais equivocadas que poderiam ser feitas quando se trata de combater alguém que saiu das urnas com a aprovação de quase sete entre dez eleitores goianos. O que os tucanos estão fazendo é uma lambança sem tamanho, enveredando pelo caminho do deboche e do humorismo de baixo nível para tentar desconstruir um nome que tem história pessoal sólida e está concluindo o seu primeiro ano de governo com medidas que mudaram radicalmente a agenda política do Estado.

Em qualquer sistema democrático, oposição é fundamental – sabe-se. Mas o que é que se tem em Goiás ? Um simulacro disso, nada mais. Para o PSDB e seu líder caído, em vez de discutir a fundo as propostas com que o governador está avançado no debate de soluções para Goiás, a reação é ficar na superfície e partir para a zombaria. Isso nem de longe arranha a poderosa blindagem que o governador conquistou quando foi eleito, como candidato da luta anticorrupção e da mudança administrativa depois de 20 anos de mais do mesmo do Tempo Novo.

A maior prova de que a estratégia tucana não funciona foi o resultado da pesquisa do instituto Paraná, depois de sete a oito meses de governo, mostrando que Caiado elevou em sete pontos o percentual que obteve na eleição de 2018. Não é aleatoriamente que uma coisa dessas acontece (teve quase 60% dos votos, subiu para pouco mais de 67% na aprovação apurada pelo levantamento do instituto Paraná). Esses números revelam que toda campanha desenvolvida pela  oposição, em alguns momentos recorrendo a ataques infames e sórdidos, não levou… a nada.

Quer os seus adversários gostem ou não, o fato é que Caiado segue neste fim de ano em vôo de cruzeiro, com uma vantagem crucial para a qual a oposição, aferrada à sua antiga visão da política estadual, não acordou: a pauta da sociedade mudou e o governo do Estado evoluiu junto, especialmente por propor um programa de reformas que mexe com os pilares da máquina administrativa e com os seus fundamentos financeiros. A turma tucana do contra prefere classificar esse movimento como uma “maldade” do governador, em um esforço para trazer elementos emocionais subjetivos para o debate político. Não, não dá certo, não vai dar certo e apequena um partido, o PSDB, que mandou em Goiás por 20 anos e seu líder maior, hoje engrunado em São Paulo. Eles mais uma vez estão falhando com as goianas e os goianos.

29 nov

Caminho sugerido pelo ministro Moro para afastar a Enel de Goiás é aprovado por Caiado: um pedido de liminar à Justiça Federal, através da Procuradoria Geral da República

Uma reunião entre o deputado federal José Nelto, consultores jurídicos do Senado e o ministro da Justiça Sérgio Moro, na casa do senador David Alcolumbre, pode ter selado a cassação da concessão da Enel e a transferência dos serviços de distribuição de energia elétrica em Goiás para uma outra operadora.

Moro sugeriu, com a concordância dos consultores do Senado, que o governador Ronaldo Caiado faça uma representação à Procuradoria Geral da República para que, diante dos dados e documentos que atestam a péssima qualidade do atendimento da Enel, a instituição solicite uma liminar à Justiça Federal para decretar a caducidade da concessão pelo fundamento da quebra de contrato.

Segundo o ministro, o caminho é o mais rápido e eficiente para resolver a crise entre o governo de Goiás e a empresa, que não cumpriu os termos da privatização da Celg e em seguida também desrespeitou os termos de ajustes celebrados para a melhoria dos seus serviços no Estado. Há abundância de provas nesse sentido. Caso a liminar seja concedida, o que é bem provável, a concessão seria imediatamente retomada, com a sua atribuição provisória a outra empresa, até que o processo seja julgado em caráter final. A Aneel seria judicialmente obrigada a agir contra a Enel.

José Nelto informa que Caiado recebeu por seu intermédio a sugestão de Moro e a aprovou, já tendo encaminhado providências com a Procuradoria Geral do Estado para a manifestação junto à PGR.