Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

04 fev

Gestão de Rogério Cruz, o prefeito que não foi eleito pelas goianienses e pelos goianienses, vai de mal a pior: ações populistas, falta de agenda, politicagem com vereadores e aberração administrativa

A bomba-relógio instalada na prefeitura de Goiânia com a assunção de Rogério Cruz e do projeto de poder do MDB continua tiquetaqueando. Na edição de quarta, 3 de fevereiro, o jornalista Leandro Monteiro dos Santos colocou tudo em pratos limpos com um artigo corajoso em O Popular, veículo de comunicação normalmente avesso a esse tipo de crítica. Diz ele que o Paço Municipal vai muito mal, recorrendo a artifícios da velha política como o tal “conselho político” criado para assessorar o prefeito, no qual três membros da dinastia Vilela têm assento – Daniel, Leandro e Gean Carvalho. Confiram, no parágrafo a seguir, o que diz o jornalista:

“A escolha desses nomes para desenvolver ações altamente influentes, com movimentações diretamente ligadas ao gabinete da prefeitura, remonta a um ar de conchavo, baseado em conveniências políticas com o MDB. Em uma grande articulação política, Daniel Vilela busca espaço de coordenação da cidade, agora de forma oficial, o que reforça que a política exercida por meio de dinastias e coronelismos, apesar de defasada e inconsistente, persiste a latejar na conjuntura brasileira atual. O importante a ser dito é que o principal pilar da política brasileira, da qual Goiânia faz parte, é a democracia. Rogério Cruz, Daniel Vilela e demais envolvidos no Conselho deveriam saber que o modelo de governo que tentam emplacar é, em primeiro lugar, amoral e, em segundo, incompatível com os princípios democráticos que regem o país”.

Está coberto de razão. O “conselho político” criado por Rogério Cruz é uma aberração e também uma auto humilhação, já que ele passa atestado de que não tem capacidade para resolver sozinho os desafios colocados pela complexidade urbana de Goiânia, como compete a qualquer prefeito, com as assessorias convencionais de que dispõe. O cheiro é o de um artifício criado para enfiar Daniel Vilela no Paço Municipal, o que, mesmo sendo filho de Maguito Vilela, não é da sua competência. Como tudo que pode piorar, piora, o prefeito resolveu parar de trabalhar às segundas-feiras e desperdiçar o seu tempo para receber vereadores. É o fim da picada. Imaginem, leitoras e leitores, o governador Ronaldo Caiado paralisando a administração estadual para conversar um dia inteiro com deputados, que, aliás, são muito mais importantes do que os membros da Câmara, a maioria infelizmente dedicada a questões miúdas.

Rogério Cruz não tem agenda. Não uma antenada com as demandas de Goiânia por políticas públicas municipais. Isso é grave porque decorre da sua falta de legitimidade para o cargo que caiu no seu colo, depois do estelionato eleitoral que ungiu um prefeito incapacitado fisicamente para a função. Não é à toa que ele, Cruz, está recorrendo desesperadamente às promessas populistas da campanha de Maguito, como o IPTU social e o auxílio emergencial de R$ 300 reais, que servem para muita propaganda, porém não para cobrir as necessidades da maioria necessitada da população. Ele quer aprovação a qualquer preço, o que não vai acontecer: juntos, esses dois programas não vão atingir nem 20 ou 30 mil pessoas, ou seja, um pingo no oceano das carências sociais que afligem as volumosas parcelas dos economicamente aflitos da capital.

O MDB que está empoleirado no Paço Municipal, em parte expressiva, não corresponde aos setores mais evoluídos da legenda, se é que existem. Daniel Vilela não representa nenhuma mentalidade progressista ou inovadora, ele, como disse o artigo publicado por O Popular, na verdade tem um jeito de ditadorzinho e de estrela precoce da velha política, apesar de jovem, bastando para isso conferir a sua gestão como presidente do partido e a perseguição implacável a quem não apoiou a sua candidatura suicida em 2018, com o apoio do pai, aquele que se quer inscrever na história como o “conciliador” e o “pacificador” que nunca foi. Diz o texto de O Popular: “A gestão adotada por Rogério Cruz, remete a uma estrutura de governança ultrapassada, muito parecida com as oligarquias e com o coronelismo, pelos quais os Estados do Brasil foram condenados durante muito tempo”. Não há como contestar.

Cada vez mais, desponta a visão de que a eleição de Maguito, nas condições em que se deu, foi um equívoco sem tamanho. As consequências, também crescentemente deletérias, caminham para serem as mais dramáticas possíveis e não vão tardar para chegar.

02 fev

Em decadência acelerada, PSDB goiano faz reunião de gatos pingados e mostra o seu vazio ao apenas discutir nomes e não ideias ou alternativas para o futuro de Goiás

Como é que um partido que mandou gloriosamente em Goiás por 20 anos cai para uma posição de insignificância política em apenas dois anos? E, pior, aprofunda a sua decadência ao mostrar a sua completa falta de rumo, sem se preocupar com qualquer tipo de renovação ou de discussão de ideias para o futuro do Estado, pelo menos a ponto de provar que o exercício prolongado do poder serviu para alguma coisa que não alimentar a vaidade ou a ânsia por sobrevivêncvia dos seus líderes que restaram.

O PSDB goiano reuniu os seus cacos neste início de semana. Deu para notar que sobraram mais ou menos 10 heróicos gatos pingados, entre eles os ex-governadores Marconi Perillo e Zé Eliton. Foi sobre eles, mais o atual presidente estadual Jânio Darrot, que a discussão dos tucanos girou. Nomes, enfim, não propostas. Marconi quer ser deputado federal em 2022. Zé está sendo “convocado” para presidir o partido com o fim do mandato de Jânio, que, quem sabe, pode ser candidato a governador na próxima eleição (projeto, cá entre nós, leitora e leitor, sem a menor viabilidade, dada a inexpressividade do PSDB depois do massacre nas urnas de 2018 e do aniquilamento trazido pela eleição municipal de 2020). Algumas figuras menores, como a ex-deputada Eliane Pinheiro e o ex-prefeito de Hidrolândia Paulo Sérgio Rezende, sonham com mandatos de deputados estaduais.

Foi só isso, mais nada. Os planos do PSDB não passam por Goiás ou pelas expectativas das goianas e dos goianos e só têm a ver com o desespero de náufragos que parecem dispostos a se agarrar até em jacaré pensando que é tábua de salvação. Eles perderam a mão para fazer política e esqueceram o que aprenderam, se é que aprenderam. Foram banidos. Correm o risco até de não eleger nenhum parlamentar em 2022, caso Marconi venha a ser condenado em 2º grau e declarado inelegível por força da Lei da Ficha Limpa, deixando a chapa de um puxador de votos.

30 jan

IPTU Social é marketing populista, prometido irrefletidamente por Maguito e implantado por Rogério Cruz sem atentar a regras de responsabilidade fiscal, pelas quais poderá responder por improbidade

A lei de responsabilidade fiscal, válida para os governantes de todas as esferas, seja municipal, estadual ou federal, é clara: qualquer decisão capaz de provocar renúncia de receita deve ser antecipadamente coberta por uma substituição válida para os recursos que deixarão de entrar no erário. Simples assim. Ora, no caso do IPTU Social implantado pelo prefeito Rogério Cruz, qual é a previsão para o preenchimento do vazio que será aberto pela arrecadação da qual a prefeitura de Goiânia estará abrindo mão?

O projeto aprovado pela Câmara e sancionado pelo prefeito não diz uma palavra sobre isso. Matreiramente, estabelece uma série de requisitos que poucos proprietários de imóveis poderão cumprir para se isentar do pagamento do imposto, a ponto da própria prefeitura admitir que, dos 51 mil beneficiários inicialmente previstos, pouco mais de 10 mil terão efetivamente acesso ao benefício, ao custo de R$ 8,5 milhões. Está na cara que se trata de um projeto populista, de alcance mínimo, destinado muito mais a alavancar o marketing do Paço Municipal do que de fato aliviar o bolso dos contribuintes de baixa renda da capital. Tem um cheiro de malandragem. Na campanha, Maguito Vilela fez essa promessa, mas de modo irrefletido. Não apontou fontes para cobrir o buraco que se abriria na entrada de recursos no caixa da municipalidade nem entrou em maiores detalhes. Rogério Cruz, apressadamente, no esforço para se mostrar como sucessor legítimo do prefeito desaparecido, pode ter metido os pés pelas mãos.

Se houver um mínimo de rigor quanto as regras de equilíbrio fiscal em vigor no Brasil, Rogério Cruz já se candidatou ao seu primeiro processo por improbidade administrativa. Não se faz renúncia fiscal sem apontar uma fonte para tapar o rombo. Abre-se mão aqui desse ou daquele imposto, mas compensa-se ali, com essa ou aquela alternativa para o reembolso do ente governamental envolvido. Essa disposição foi incluída na legislação tributária justamente para impedir que políticos façam média às custas dos cofres públicos. E parece ser um cuidado que não foi observado na invenção do tal IPTU Social, valendo lembrar aqui que o promotor encarregado de assuntos fiscais, no Ministério Público Estadual, é o ferrabrás Fernando Krebs.

Todo cuidado é pouco. Mas parece que Rogério Cruz não se preveniu. Podem vir, pela frente, dissabores amargos.

30 jan

Mabel é um cara de pau: depois de passar 2020 condenando a prevenção sanitária e avisando que a economia goiana seria penalizada, agora comemora a espetacular criação de empregos no ano passado

O presidente da FIEG – Federação das Indústrias do Estado de Goiás Sandro Mabel é um grande cara de pau: passou o ano de 2020 reclamando das medidas adotadas em Goiás para prevenir o contágio pelo novo coronavírus, quase todos os dias avisando que a economia entraria em colapso, mas agora, como isso não aconteceu, foi capaz de distribuir um release à imprensa comemorando a espetacular criação de empregos no Estado no ano passado, que acaba de ser estatisticamente confirmada pelo CAGED, órgão do Ministério do Trabalho.

Mabel teve uma trajetória de triste memória na política. Enquanto foi deputado federal, não houve um único escândalo envolvendo membros do Congresso Nacional em que ele não estivesse envolvido. Sempre foi muito rico, por herança paterna, mas mesmo assim não se preocupou em cuidar da biografia, preferindo correr atrás de trocados – leia-se propinas. Expulso da política, deu um jeito de arrumar o que fazer convencendo os ex-colegas – ele não é mais empresário, vendeu a fábrica de bolachas – a colocá-lo no comando de um órgão de importância como a FIEG, que da posse dele para cá transformou-se em um arremedo de entidade classista. Levantou-se como um leão contra a acolhida em Goiás dos brasileiros que estavam na China e foram expostos, no início da pandemia, ao contágio pela Covid-19, mostrando a sua face desumana e desapiedada. Por determinação do governador Ronaldo Caiado, eles foram recebidos, passaram a quarentena em Anápolis e depois partiram para os seus destinos sem nenhuma implicação negativa para o Estado.

Não houve nenhum momento, em 2020, em que Mabel não se levantasse contra qualquer restrição à aglomeração e à circulação de pessoas como ação de cautela contra o espalhamento da peste. Ele chegou, inclusive, a ser questionado pelos seus pares, preocupados com a imagem da FIEG sendo queimada através das posições anti-salvação de vidas do seu presidente. 24 horas por dia, ele anunciou que a economia goiana quebraria. Não quebrou, ao contrário, até cresceu, pelo esforço dos seus empresários e trabalhadores. E deu show na geração de empregos, o que foi comprovado agora pelos números do CAGED. Sem o menor pudor, Mabel correu para se apropriar da boa nova, engolindo tudo o que fez ou falou, mas fingindo que não era com ele.

Os dados da criação de empregos em Goiás em 2020, na verdade, em alta, sugerem que Mabel deveria renunciar à presidência da FIEG, pelos sérios equívocos que cometeu, imprudente como sempre se comportou ao longo dos seus desvãos no campo da política. É um vexame querer se beneficiar desses resultados positivos, que são exclusivamente oriundos da credibilidade do governador Ronaldo Caiado e do esforço quem labuta comandando e trabalhando no chão das fábricas, não da irresponsabilidade de um dirigente classista que não tem a mínima noção dos seus deveres e da sua missão.

29 jan

Com avanços notáveis na segurança pública, Caiado quebra paradigmas e prova que governos podem resolver desafios que antes imaginava-se eternamente insolúveis

Em dois anos, o governador Ronaldo Caiado provou que desafios antes considerados insolúveis podem, sim, ser enfrentados e resolvidos. O exemplo mais notável é a segurança pública, que hoje chegou a um nível em Goiás jamais sonhado em qualquer época e sem igual em nenhuma outra parte do país. Todos os índices de violência e criminalidade caíram drasticamente. Alguns tipos de ocorrências, como assaltos a bancos, desapareceram. Nestes três últimos dias, só para citar o novo padrão de eficiência alcançado pelas polícias civil e militar comandadas pelo governador, uma operação da polícia civil prendeu aproximadamente 200 homens suspeitos de violência doméstica, descumprimento de medida protetiva e outros crimes contra mulheres. Cerca de 400 policiais nas 19 regionais da PC participaram da ação.

Todo dia tem coisas parecidas. Os governantes do passado reclamam, esperneiam, tentam se justificar, mas o fato é que a política de segurança mudou para valer em Goiás. E radicalmente. Só para que se tenha uma ideia, o seguro de uma pickup cabine dupla, sonho de consumo da bandidagem estadual até há pouco tempo, caiu de R$ 16 mil anuais para R$ 6 mil, devido a colossal redução do risco para as companhias vendedoras de apólices para veículos. Os “profissionais” dedicados a esse tipo de roubo ou foram exterminados em confrontos com agentes policiais ou mudaram de profissão ou foram embora para outros Estados, como reza o mote que resume a repressão ao crime em Goiás desde que Caiado assumiu.

Agora, vejam essa, leitores e leitores: militares da Rotam, a unidade da Polícia Militar responsável pelas intervenções mais pesadas no combate à marginalidade, revelam extraoficialmente que têm tido muito menos trabalho do que antigamente. Este blog ouviu a informação de fontes privilegiadas. Não é brincadeira, é realidade. Em última análise, isso demonstra que Caiado conseguiu passar a mensagem correta para o público certo, isto é: delinquentes não têm trégua e são caçados impiedosamente, tal como aconteceu com os agressores de mulheres nos últimos dias. Goiás, definitivamente, deixou de ser a disneylândia de quem gosta de viver à margem da lei.

28 jan

Rogério Cruz é uma espécie de prisioneiro no Paço Municipal, cercado de carcereiros emedebistas, como Andrey Azeredo e Agenor Mariano, e de vigilantes comandados por Daniel Vilela

O “preso político” mais ilustre de Goiás atende pelo nome de Rogério Cruz. O único, aliás. Ele ocupa o cargo de prefeito de Goiânia, e cumpre “pena” no “presídio aberto” que fica no Park Lozandes e é conhecido por Paço Municipal. Tem direito a livre circulação, a entrar e sair do prédio quando quiser, mas está proibido de manejar a caneta, a não ser sob supervisão direta dos carcereiros Andrey Azeredo e Agenor Mariano – com todos os seus passos acompanhados de perto, exceto quando vai ao banheiro, pelos vigilantes designados pelo presidente estadual do MDB Daniel Vilela, entre os quais vários membros da família Vilela ou da sua confiança estrita, que não afrouxam a coleira nem mesmo quando está fora do seu gabinete.

Fruto de um acaso do destino, Rogério Cruz transformou-se no dono da segunda posição de mando político e administrativo mais importante do Estado, perdendo em importância apenas para o governador Ronaldo Caiado. O fardo que ele carrega nas costas é pesado: não tem, pelo menos por enquanto, autonomia para decidir sobre nada na prefeitura da capital, porém, caso qualquer ação grande ou pequena dê errado, a responsabilidade recairá no seu colo e será ele o sacrificado no altar da opinião pública das goianienses e dos goianienses. Não tem bônus nenhum, só ônus. E ainda: por ora, não absorverá nenhum acerto, que será creditado ao plano de governo deixado pelo prefeito Maguito Vilela, só que, quanto a deslizes e falhas, é ele, Rogério Cruz, quem pagará o pato sozinho.

Esse modelo de exercício do poder, seja em que esfera for, municipal, estadual ou municipal, é um arranjo provisório fadado ao fracasso. No Brasil, há um certo imperialismo adotado pelo sistema republicano vigente, pelo qual a autoridade, em última análise, é do detentor do mandato executivo e indivisível. O que foi montado na prefeitura de Goiânia é exatamente o contrário disso, disfuncional da tampa até o fundo. Não vai dar certo. É uma bomba-relógio, sem data para explodir, apenas contando com a certeza de que um dia vai explodir. Um prefeito legitimamente sentado na cadeira – apesar do estelionato eleitoral que o colocou lá – jamais passará os seus quatro anos de mandato aceitando ser manipulado e compartilhando todas, absolutamente todas as decisões, algumas das quais, como a formação da sua equipe de auxiliares, com uma taxa de 100% de exclusão da sua vontade.

É inédito: pela primeira vez, um governante em Goiás é assessorado com um secretariado no qual não tem cota pessoal ou sequer nomes da sua intimidade em postos estratégicos a não ser o direito que recebeu para a nomeação do seu secretário particular – alguém que cuida dos assuntos particulares do chefe e portanto não tem peso no conjunto da obra. Não há lealdades acima de qualquer suspeita, portanto, com as quais Rogério Cruz possa contar. Haverá um momento, diante de todos esses ingredientes explosivos, em que a casa vai correr o risco de cair. Não é possível fazer a gestão da coisa pública sem uma agenda de trabalho – e Rogério Cruz está impedido de ter a sua, a não ser se comportar como um servidor fiel do MDB e de Daniel Vilela, o que significa que a agenda é deles e que o prefeito é um mero braço executor. Antes até mesmo de um suspiro, ele precisa consultar a eminência parda do Paço Municipal e a horda de atentos zeladores e sentinelas que tem ao seu redor espionando até os seus menores gestos, interpretando suas atitudes e se esforçando para ouvir as suas conversas. Isso é fato, não tem cabimento continuar assim e está acontecendo no alto do Park Lozandes.

Atualização, às 12h15m de quinta, 28/janeiro/2020: Em vez de melhorar, está piorando. O Diário Oficial do município publicou agora há pouco decreto do prefeito Rogério Cruz criando um “conselho político”, formado por oito membros da sua equipe e pelo presidente estadual do MDB Daniel Vilela, que não tem posição alguma no organograma da prefeitura, o que sugere algum tipo de irregularidade (usurpação de poder, delito tipificado no Código Penal). Esse grupo vai “assessorar” a tomada de decisões do prefeito. Juízo passou a ser atributo raro no Paço Municipal. É uma aberração sem tamanho. 

27 jan

Hospital Municipal de Aparecida, inaugurado sem estar pronto e daí para cá com problemas graves de estrutura, não tinha sustentação para receber doentes graves de Manaus

Se chover forte, na região do Hospital Municipal de Aparecida, UTIs são alagadas e leitos molhados. Considerado e exibido como a gema dourada da vitrine administrativa do prefeito Gustavo Mendanha, o estabelecimento, na verdade, está repleto de problemas graves e até hoje não consegue funcionar a contento, apesar da suposta parceria anunciada com o Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. Uma extensa matéria publicada pelo jornal O HOJE, nesta semana, conta uma história diferente (link aqui, procure pela página 9). Faltam remédios básicos, que precisam ser solicitados às famílias dos internados. Pacientes Covid-19 são misturados com outros que não têm a suspeita da doença. Enfermeiras denunciaram que não havia a menor condição de receber pacientes graves de Manaus, mas o prefeito Gustavo Mendanha insistiu em fazer média e autorizou o acolhimento de 14 – dos quais 3 três já morreram e mais quatro estão no mesmo rumo.

Administrado por uma organização social envolvida em repetidos escândalos policiais, afastada sumariamente da gestão de três outros hospitais do Estado, pode ser que seja o caso de uma intervenção no Hospital Municipal de Aparecida. Antes que coisas piores aconteçam. A chuva do último fim de semana inundou a UTI onde estava um dos amazonenses. A saúde em Aparecida é um caos. O secretário de Saúde, Alessandro Magalhães, que está condenado em 1º grau por desviar recursos do Hospital Araújo Jorge, tirou férias nos primeiros 20 dias de janeiro. A mulher do secretário de Fazenda, André Rosa, comandava um esquema de superfaturamento de exames, despachando dentro das próprias instalações do hospital. Ambos tiveram os gabinetes, na prefeitura, vasculhados por agentes policiais obedecendo a mandados judiciais. Todos, intimados para depor no inquérito, recusaram a responder às perguntas alegando o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmos.

O diretor do Hospital é um médico conceituado, o dr. Júlio Resplande. Tudo o que existe e é feito dentro do HMP é terceirizado – enfermagem, UTIs, aparelhagem, medicamentos e exames. Virou indústria de fazer dinheiro. Um bom conselho para ele seria: sai daí, dr., o sr. não merece ser envolvido nos crimes que estão acontecendo aí dentro. É caso de polícia, que não pode deixar chamar à responsabilidade o prefeito Gustavo Mendanha. Já está passando da hora. E nada disso é de agora, já vem desde quando o prédio e as instalações foram inaugurados inconclusos pelo então prefeito Maguito Vilela. Começou errado. E piorou.

25 jan

Aniquilamento de Marconi, ascensão de Caiado, aposentadoria de Iris e morte de Maguito abriram espaço na política de Goiás para uma nova História – depois de décadas de mais do mesmo

Este, hoje, é um momento em que fatores de influência raríssimos se agruparam para produzir, em Goiás, uma nova História, politicamente falando. Em 2018, o ex-governador Marconi Perillo se candidatou ao Senado e foi aniquilado pelas urnas, passando a ser alvo de uma perseguição judicial sem precedentes, que o isolou radicalmente. Ao mesmo tempo, despontou a liderança do governador Ronaldo Caiado, trazendo um nível de reoxigenação para a administração estadual antes inimaginável. Sobreveio a aposentadoria de Iris Rezende e, inesperadamente, a morte de Maguito Vilela, depois de 40 anos de rodízio dentro do MDB, alternando entre eles as principais candidaturas e cargos do partido. Tudo, de uma só vez, agora que 2021 está no começo, trazendo para o Estado uma perspectiva de renovação da política como nunca se viu antes. O ar está mais arejado.

Um clarão se abriu. O velho foi varrido do mapa, depois da vitória de Caiado na última eleição e sua posse trazendo práticas inéditas para a administração pública, em especial a prioridade no combate à corrupção que foi a rotina dos anos emedebistas e tucanos, seguindo-se a eliminação voluntária de Iris e o afastamento involuntário de Maguito. O que era antigo, em pouco tempo, deixou de existir. Pode voltar, de repente, com Iris insistindo em se candidatar a senador, em 2022, apesar dos quase 90 anos que terá na época, e Marconi disputando uma vaga de deputado federal, que é o que lhe restou. Ou, de alguma forma, sob o disfarce do filho de Maguito, Daniel Vilela, se não souber se posicionar dentro dessa realidade emergente, comportando-se como um jovem que dentro da cabeça é mais idoso que todo e qualquer ator da velha guarda recorrente da política em Goiás.

Há um frissom no ar. Um frenesi. Depois de quase 40 anos, parece próxima a chegada de algo diferente. Temos um político não profissional no Senado, Vanderlan Cardoso. O banimento de Marconi, seguido pelo jubilamento de Iris e o infeliz desaparecimento de Maguito excluíram do palco principal da luta pelo poder estadual figuras que estavam há décadas no mesmo lugar, em um sistema de troca-troca, fazendo as mesmas coisas em termos de políticas públicas e, no final das contas, propondo um eterno retorno ou uma perpetuação do passado e de parâmetros já vencidos, mas ainda impostos às goianas e aos goianos. Caiado foi a primeira quebra desse paradigma, ao chegar empurrando Marconi de roldão para os desvãos da política. A extinção de Iris e Maguito veio em seguida. Agora, uma oportunidade única se abriu. Estamos livres de protagonistas que um dia foram ilustres ou talvez até tiveram uma contribuição, mas terminaram extrapolando os prazos de validade e quem sabe passaram a prejudicar Goiás. Vê-se que ninguém aguentava mais.

Houve uma ruptura. Sem nada de extraordinário, de revolucionário, apenas pelo andar macio da carruagem e pelo movimento normal da roda da História. Podemos sentir, depois que tudo isso aconteceu, o quanto era necessário. E aconteceu. Possibilidades infinitas estão disponíveis para Goiás, depois desse passo adiante na trajetória dos donos do poder subitamente retirados de cena. De Estado com a menor taxa de renovação política, no Brasil, demos um salto largo. Haja euforia. Finalmente, estamos livres. E o céu é o limite.

25 jan

Legado de Maguito, fabricado após a sua morte, acabará sendo útil para Goiás ao indicar para o MDB e até para a classe política em geral que o caminho da conciliação é o mais adequado

Inventaram que Maguito Vilela foi uma espécie de apóstolo da conciliação e da pacificação na política.  Não é verdade, mas, mesmo assim, tudo indica que essa criação terá um papel no futuro de Goiás, de cara ao induzir o seu filho e presidente estadual do MDB Daniel Vilela a um comportamento moderado e amigável, coisa que nunca fez parte do seu perfil. Daniel é impulsivo, vingativo e truculento. Ou era. Basta conferir a virulência com que reagiu ao que chamou de “traição” à sua candidatura intempestiva a governador em 2018, quando uma ala pragmática do partido, cansada de 20 anos de derrotas consecutivas, resolveu apoiar o projeto vitorioso do governador Ronaldo Caiado.

Com apoio do pai, Daniel perseguiu prefeitos da estatura de Adib Elias, em Catalão, ou Paulo do Vale, em Rio Verde, expulsando-os do MDB como se estivesse punindo moleques travessos. Com Renato de Castro, em Goianésia, foi muito pior, ao cassar ditatorialmente a sua reeleição – no que teve, também, o respaldo de Maguito. O conciliador e o pacificador, naquele momento, ficou ao lado do filho, ambos duros e insensíveis como uma rocha. Foi uma caça às bruxas como se nunca viu na política estadual, levando, no final das contas, a um encolhimento do MDB – já que todos os proscritos pela dupla de Vilelas terminaram como grandes vencedores da última eleição municipal.

Em 1994, quando se elegeu governador, Maguito teve um enfrentamento pesado com Caiado. A campanha foi agressiva, com os dois quase chegando aos tapas nos intensos debates que travaram. Um deles nunca esqueceu e nunca perdoou. Pelos mais de 25 anos transcorridos desde então, não mais se encontraram, trocaram palavras ou sequer se cumprimentaram. Uma pesquisa aprofundada no Google Imagens mostra no máximo um par de fotos o exibindo juntos, durante a campanha de Iris Rezende ao governo do Estado em 2014, quando Caiado integrou a chapa do MDB como candidato a senador.

No ano passado, atendendo a uma orientação de Iris, Maguito foi ao Palácio das Esmeraldas para uma audiência reservada com Caiado. Seu objetivo era aparar arestas para abrir caminho para a sua eventual candidatura a prefeito de Goiânia, na época uma incógnita: Iris ainda não havia se decidido pela aposentadoria. Apesar do tom cordial e civilizado, a reunião deu em nada, mas provavelmente deve ter sido a única conversa que Maguito teve com Caiado desde os embates de 1994. Nem o governador nem o emedebista falaram ou deram qualquer esclarecimento sobre o que um disse ao outro e o outro disse ao um, no “evento”.

Em 1998, a candidatura de Iris a governador navegava em mais de 70% das intenções de voto, com a oposição desorientada, sem candidato competitivo para lançar. De Brasília, onde já se prenunciava a vitória de Fernando Henrique Cardoso, veio a inspiração para um acordo entre o MDB (PMDB, então) e o PSDB. Iris, esse sim um conciliador e um pacificador, até onde isso pode existir na política, quis. Maguito, candidato ao Senado, também embalado pelas pesquisas, vetou. Na calçada do prédio de apartamentos onde morava Otoniel Machado, primeiro irmão e coordenador da campanha, ele esfregou o pé direito no chão e determinou: “Vamos esmagar a oposição como se fossem baratas”. Depois, cedeu, para humilhar os adversários com a oferta da 2ª suplência de senador para Marconi Perillo, em vez da pretendida vice-governadoria, maior erro histórico que o MDB cometeu em toda a sua trajetória em Goiás e que culminou com a derrocada do partido diante do Tempo Novo.

Ninguém é perfeito, menos ainda na política. Maguito era assim, tocado pelas picuinhas do dia a dia, sempre superficial e distante, impenetrável pelo tom cortês com que pautava suas relações. Fez gestões e mandatos sem realizações capazes de chamar a atenção da História (a não ser pela desastrosa venda da usina de Cachoeira Dourada, maior erro que um gestor estadual já cometeu em Goiás). Porém, com os retoques que a sua biografia ganhou após a sua morte, vai acabar dando a Goiás uma contribuição da máxima importância. Ser “conciliador” e “pacificador” agora são atributos notáveis para qualquer liderança. Entrou na moda. Em especial, no caso filho Daniel Vilela, que com certeza contempla hoje a transferência do pai para a eternidade e o que ficou de alegoria como um reflexo do seu próprio destino na política. Menos impulsividade. Menos frieza. Mais humanidade. Ele pode e deve, sim, assumir o figurino que o marketing da posteridade está vestindo em Maguito. Já está convivendo com Caiado, a quem, depois da eleição de 2018, só dirigia críticas e alfinetadas irônicas. Cabe a ele ser mais que o pai e ir além de posar sorridente ao lado de governantes de outros partidos, como as fotografias que Maguito foi pródigo em produzir no período em que estava na prefeitura de Aparecida e Marconi Perillo no Palácio das Esmeraldas, em uma espécie de “conciliação” e “pacificação” de fachada. Daniel Vilela vai querer? Ninguém sabe. Mas, para honrar o legado arranjado para o pai, o caminho é esse.

23 jan

Não existia antes, mas agora é realidade: Caiado e Daniel Vilela abriram canal para o diálogo DEM-MDB, que tem amplas possibilidades para o futuro e já pode render frutos para 2022

O governador Ronaldo Caiado e o presidente estadual do MDB Daniel Vilela abriram e estão mantendo em pleno funcionamento um canal de diálogo que pode revolucionar o futuro da política em Goiás, gerando frutos a partir de 2022. É precoce antever resultados, mas, mesmo assim, as possibilidades são grandes, culminando até mesmo com uma aliança DEM-MDB para disputar a próxima eleição majoritária.

Ambos aproximaram-se a partir do início do padecimento do prefeito Maguito Vilela sob o ataque da Covid. Todos se lembram: Caiado, como médico, tomou a iniciativa de telefonar para Daniel Vilela para aconselhar a transferência do pai para São Paulo, onde teria menos exposição, preservaria a família e veria aumentadas suas chances com um tratamento de ponta, como, de fato, acabou acontecendo no hospital escolhido, o Albert Einstein, considerado como o melhor da América Latina, onde Maguito passou 80 dias internado na UTI e só não se salvou devido, infelizmente, à sua fragilidade genética para o enfrentamento da Covid. A partir daí, o governador e o presidente emedebista passaram a se falar regularmente por telefone, até que Daniel Vilela, entre o fim do ano passado e o início deste ano, fez duas visitas ao Palácio das Esmeraldas, uma acompanhando o prefeito Rogério Cruz e outra sozinho, nesse último caso para conversar sobre a candidatura do deputado Baleia Rossi, amicíssimo de Daniel, a presidente da Câmara.

Em meio a tudo isso, sobreveio a morte de Maguito e não é exagero dizer que, a partir das cerimônias fúnebres em Goiânia e Jataí, acompanhadas de perto por Caiado, o que era um relacionamento amparado em critérios de solidariedade transformou-se em algum tipo de amizade. Logo depois, mais uma passagem de Daniel Vilela pelo Palácio das Esmeraldas, rompendo o luto para participar de um jantar, dois dias atrás, em torno de Baleia Rossi e do atual presidente da Câmara e seu principal apoiador Rodrigo Maia, que é do mesmo partido do governador. Em um momento e outro, durante essas ocorrências, anotaram-se conversas prolongadas, a sós, abraços, demonstrações de carinho, uma intensa comunicação telefônica, no conjunto levando, no final das contas, ao surgimento talvez de um sentimento parecido com o que existe entre um pai e um filho, lembrando-se que Caiado tem praticamente a mesma idade com que Maguito morreu.

A política se nutre de fatos concretos e este é um deles, com potencial para desenhar um novo cenário para a próxima eleição. A isso se acrescenta a hipótese de inclusão do Republicanos liderado pelo prefeito de Goiânia Rogério Cruz para ingressar na base governista, com a indicação de representantes para cargos importantes no Estado. E ainda somando a identificação do ex-prefeito Iris Rezende com ambas as partes, em especial com Caiado, e a adesão do prefeito de Aparecida, segundo maior colégio eleitoral do Estado, Gustavo Mendanha. O movimento é tão amplo que praticamente extinguiria a oposição em Goiás – ou então provocaria o surgimento de uma nova – e criaria um novo e poderoso eixo de poder, com expressão nacional, apto a durar não anos, porém décadas, dada a sua força e os elementos sociais e emocionais coletivos sobre os quais estaria assentado, como o legado de Maguito, por exemplo, e a historicidade de Caiado e seu rigor ético, como outro exemplo. Não haveria nada tão autêntico e tão forte na política de nenhum outro Estado brasileiro. Pode acontecer em Goiás? Pode e não será ruim.

19 jan

Nova gestão da prefeitura, em nome de Maguito, usou artifício para dobrar cargos do 1º escalão, atender apaniguados e até burlar a Lei do Nepotismo

A “reforma administrativa” que a nova gestão da prefeitura de Goiânia implantou em nome do prefeito Maguito Vilela, antes mesmo de assumir, através de um projeto vergonhosamente assinado pelo então prefeito Iris Rezende nos últimos dias de dezembro e em seguida aprovado pela Câmara Municipal, não só criou mais de 300 cargos comissionados com salários privilegiados (entre R$ 8 e mais de 12 mil reais mensais), como também acrescentou um penduricalho indecente à estrutura administrativa de todas as 21 secretarias: o cargo de de secretário executivo ou superintendente, com status de 1º escalão.

No total, as despesas com pessoal foram infladas em mais de R$ 30 milhões/ano, com uma só canetada. Dinheiro suficiente para construir no mínimo 4 CMEIs tamanho gigante, que ajudariam a resolver o mais grave problema social de Goiânia, hoje: o déficit crônico de vagas na Educação Infantil, violando o direito das mães trabalhadoras dos bairros que ficam sem ter onde deixar suas crianças enquanto cumprem o expediente diário. Mas não foi só isso. A ‘reforma administrativa” de araque incluiu também a adição dos tais secretários executivos ou superintendentes em cada pasta, inclusive nas quatro novas que somadas ao organograma do Paço Municipal, com salários praticamente iguais aos dos titulares, em torno de R$ 17 mil /mês. Isso é quase criminoso.

Com tantas vagas de emprego em tempos de contração econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus, o Diário Oficial do município, desde o início de janeiro, exibe uma enxurrada de nomeações. São candidatos derrotados, ex-vereadores, filhos de vereadores (driblando a Lei do Nepotismo), pastores da Igreja Universal e uma malta de apaniguados, ou seja, indicados por partidos políticos – cimentando a salada de siglas que fundamentou a candidatura de Maguito e agora está sendo turbinada para respaldar a de Daniel Vilela a governador, em 2022. Como nunca, a prefeitura foi inteiramente aparelhada e abarrotada de quadros sem qualificação, mas até que nos tempos do PT velho de guerra e especialista histórico nesse tipo de operação. Não é possível que uma irresponsabilidade como essa vai dar certo.

18 jan

Aposentadoria de Iris e morte de Maguito vão interromper o troca-troca de 40 anos entre os mesmos nomes no MDB de Goiás? Pode ser, mas os “filhotes” estão aí para continuar as 2 dinastias

Iris Rezende se aposentou. Mas, menos de uma semana depois de deixar a prefeitura de Goiânia, abriu um escritório político para receber correligionários e dar conselhos. Além disso, tem uma filha, a advogada Ana Paula Rezende, pronta para ingressar na política, atividade para a qual já mostrou gosto discursando em palanques e participando de ações públicas. Enquanto isso, Maguito Vilela morreu, vítima da imprudência com que se expôs ao novo coronavírus durante a campanha passada e também da negligência com que deixou de ser protegido pelos seus familiares e assessores. Porém, antes mesmo do seu desaparecimento, um herdeiro político já havia se apresentado, o filho Daniel Vilela, que segue a trajetória do pai passando por uma penca de cargos públicos eletivos.

Durante 40 anos, Iris e Maguito se revezaram como os donos de todas as candidaturas importantes do MDB, depois PMDB, em seguida MDB de novo, em Goiás. A cada pleito, ou um ou outro, abrindo-se uma honrosa exceção apenas em 1986, quando não foi possível impedir que Henrique Santillo ganhasse o governo de Goiás pelo partido. Em nenhuma outra parte do país, uma legenda, qualquer delas, ficou tão bitolada assim, nas mãos dos mesmos de sempre, ano após ano, década após década, sem nenhuma renovação. Que agora, pela força do destino, parece se aproximar, mas…

…só parece, no entanto. O MDB goiano vai continuar submetido ao DNA dos Rezende e dos Vilelas. Dificilmente Ana Paula, legatária legítima, haverá de deixar que o patrimônio construído pelo pai na política seja jogado no ralo. Mais cedo ou mais tarde, ela inevitavelmente será candidata. Se não for, permitirá que a história de mais de 60 anos de Iris no exercício de funções e mandatos de todos os matizes se perca sem que seja exercitada em suas últimas consequências. Do mesmo jeito, Daniel Vilela, que, como se sabe, já vinha usufruindo do espólio imaterial de Maguito e daqui para frente o fará com toda a intensidade possível.

Conclusão: os 40 anos de rotatividade entre Iris e Maguito tendem a se prolongar por mais 40 ou quem sabe até mais, projetados nos “filhotes” que fatalmente procurarão se beneficiar das trajetórias paternas. Na era republicana, será inédito em termos de país e quem sabe de mundo. Coisa parecida só se viu nos tempos da realeza, quando o poder passava desse para aquele e daquele para esse, dentro de rígidas estruturas de parentesco. Sim, eis aí uma definição para o fenômeno caracterizado por essa modalidade arcaica de controle do poder: realeza. Em Goiás, a realeza do cerrado.

16 jan

Quem é? O que pensa? Como vai se sair no cargo? Será refém do MDB ou vai impor o seu próprio jeito de administrar? O desconhecido Rogério Cruz é a maior incógnita da história política do Brasil

Ninguém sabe quem é o prefeito de Goiânia Rogério Cruz. De tudo o que foi publicado até agora sobre ele, pouco se avançou além de ser carioca, ter desenvolvido uma carreira como executivo da Rede Record e atuado como pastor da Igreja Universal, inclusive como missionário em países africanos. Tem 54 anos e foi vereador por dois mandatos em Goiânia, cidade onde acaba de completar meros 10 anos de residência.

É só. E, fora isso, é liso como um bagre ensaboado. Ri para todos e dá declarações tão equilibradas quanto insossas, fugindo como um mestre das armadilhas espalhadas no seu caminho e configuradas em perguntas de jornalistas e avaliações de analistas políticos. Não comete erros. Mas, por outro lado, é uma esfinge. Um enigma impenetrável e indecifrável. Nem Maguito Vilela nem o filho Daniel o conheciam até que foi indicado para compor a chapa como vice, sob o patrocínio do deputado federal João Campos e do Republicanos, dentro da estratégia de fazer contraponto para a chapa de Vanderlan Cardoso, que também é evangélico, porém de outra denominação, e que dentro do mesmo raciocínio escalou o católico Wilder Morais na sua vice.

Para complicar as coisas, Rogério Cruz cruzou a campanha em brancas nuvens. Não apareceu. Seu lugar foi ocupado por Daniel Vilela, que passou a falar pela chapa e pela campanha desde que o pai foi afastado pela Covid-19. O resultado é que o prefeito empossado nunca teve a oportunidade de dizer o que pensa, regra que, mesmo agora, já efetivado, continua seguindo. Fez discursos, deu entrevistas e tudo o mais que se espera de alguém investido em um cargo tão importante como o de prefeito de Goiânia, só que perseverando em não enunciar e não conceituar além de garantir que será fiel ao legado de Maguito.

Convenhamos, isso é quase um zero absoluto. É preciso, de qualquer forma, admitir que o momento é de luto e que seria talvez imprudência ir além. Certo. Ainda assim, dá para prever que algumas condicionantes, em breve, vão gritar bem alto. Rogério Cruz vai aceitar trabalhar no gabinete número um do Paço Municipal como prisioneiro do MDB, vigiado dia e noite pelo carcereiro e secretário de Governo Andrey Azeredo?  Vai, provavelmente devagar, pelo menos no começo, impor um jeito próprio de administrar? Mexerá no secretariado para torná-lo parecido com a sua cara e superar a limitação de ser um governante sem cota pessoal na equipe de auxiliares, na qual só tem como gente da sua confiança particular o chefe de gabinete? Aceitará, enfim, o papel de marionete, quando, no final das contas, a bomba estourará é no seu colo se algo der errado?

As respostas não demorarão. A aposta deste blog, leitoras e leitores, é que Rogério Cruz, de bobo, não tem nada.

14 jan

Irresponsabilidade que levou à morte de Maguito acabou se replicando no seu funeral, com aglomerações, pessoas sem máscara, contato físico e tudo o que o coronavírus precisa para se multiplicar

Vejam a foto acima, leitoras e leitores, publicada agora há pouco pelo jornal O Popular, de autoria do profissional de primeira linha Fábio Lima. Centenas, talvez milhares de pessoas, se aglomeram no cemitério de Jataí, acompanhando os passos finais das cerimônias fúnebres de Maguito Vilela. Trata-se de uma irresponsabilidade, tão grande quanto a que levou ao fim do prefeito de Goiânia, que também não se cuidou e não foi cuidado pelos familiares e equipe que o cercavam durante a campanha. Isso aí, do jeito destrambelhado que aconteceu, com certeza vai levar a mais mortes.

A amontoação de pessoas não ocorreu só em Jataí. Deu-se também em Goiânia, na Praça Cívica, e em Aparecida, em frente ao prédio da prefeitura. Tudo na contramão das recomendações mais básicas para a prevenção do contágio pela Covid. Mas aconteceu. E vai cobrar um preço, daqui a alguns dias.

14 jan

Busca de poder, imprudência pessoal e negligência de quem o cercava e assessorava levaram Maguito à contaminação pela Covid e à sua morte precoce

Sim: morrer com 71 anos é morrer precocemente. Maguito Vilela, com a sua boa saúde e forma física de ex-atleta, além de uma vida tranquila, poderia chegar sem maiores sustos aos 80 e até aos 90 ou quem sabe mais. Só que ele foi atropelado pela busca de poder, quando não precisava mais de nenhuma afirmação na política, pela imprudência pessoal com que se dedicou, sem maiores cuidados preventivos, à campanha para a prefeitura de Goiânia e pela negligência criminosa de todos que o cercaram enquanto candidato, desde familiares como o filho Daniel Vilela até a entourage velha de guerra e faminta por cargos públicos do MDB. Maguito não foi sensato e menos ainda a sua, digamos assim, equipe, o seu círculo mais próximo. O preço que todos pagaram, no final, foi alto.

No início de outubro, este blog observou: “Um homem com quase 72 anos de idade, ou seja, integrante do grupo de alto risco, não deveria ser exposto a contatos com apoiadores, reuniões, carreatas e uma intensa agenda de eventos, como acontece com Maguito e, pior, sem requisitos sanitários rigorosos. Aliás, a candidatura, neste momento de pandemia, pode ter sido uma loucura, conforme o autor dessas mal traçadas considerou na época em que foi anunciada. E ele continuou dando mau exemplo ao brincar com a sorte. Por exemplo, usando máscaras parciais de acrílico, teoricamente para facilitar o reconhecimento do seu rosto pelas plateias e pelos bairros por onde desfilou em cortejo eleitoral. Mas, segundo especialistas, esse equipamento não protege nem a quem o usa nem as pessoas com quem se tem contato. Como é que alguém da importância de Maguito, um dos dois candidatos com possibilidade de vencer a eleição para prefeito de Goiânia, comete ou é submetido a um desleixo dessa magnitude? Há um preço e ele foi cobrado com a inevitável contaminação. Gente com a idade de Maguito, ainda mais com as suas condições financeiras, deveria ficar em casa e evitar se expor, ao contrário do que ele fez, atrás da eleição para o lugar de Iris Rezende e sem tomar as devidas precauções. Sim, porque, na maioria das vezes, ou pelo menos em muitas delas, quem contrai a Covid-19 infelizmente relaxou quanto as normas de prevenção. Parece ser o que houve”.

Tudo isso é incontestável. Em vez de se recolher e não circular de modo algum, diante da certeza da sua fragilidade genética perante a Covid depois que duas irmãs da mesma faixa de idade morreram atacadas pelo vírus em um espaço de 10 dias, Maguito não tinha que se meter com proselitismo eleitoral e, ao contrário, entender que o sinal para ele estava vermelho. É fácil dizer isso agora, depois do desfecho, mas este blog apenas repete o que apontou antes. Aliás, foi exatamente porque a sua família vislumbrou o risco que Iris Rezende não foi candidato à reeleição. Ele queria – e queria muito. Sua mulher, filhas e filhas não permitiram. A exposição como prefeito já era grande. Como candidato, poderia ser letal. O resultado é que Iris está vivo, enquanto Maguito feneceu como vítima da falta da preocupação dele mesmo e dos seus sobre as suas expectativas e possibilidades quanto à nova doença. Essa é a verdade. E verdades precisam ser ditas, agora mais do que nunca, depois do festival de mentiras e omissões que marcaram, do começo ao fim, o padecimento do prefeito de Goiânia. O seu martírio e consequente desenlace não deveriam ser em vão.

 

Atualização: Daniel Vilela, enfim, fez as pazes com a transparência e a autenticidade dos fatos. Deu uma entrevista a O Popular em que, pela primeira vez desde que Maguito Vilela adoeceu, é possível acreditar. Contou tudo e, de certa forma, desmentiu todas as “comemorações” e declarações farsescas de antes, que tinham o escandaloso e indecente objetivo de auferir vantagens eleitorais e políticas. Felizmente, ele acabou entendendo, com a morte do pai, às custas de uma dor pessoal sem tamanho, que esse é o melhor caminho. Nossas condolências a toda a família.