Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

19 mar

Lissauer Vieira define filiação ao PSD, em evento na próxima semana, e pode até ser o candidato ao Senado, se Meirelles desistir

O presidente da Assembleia Lissauer Vieira acertou sem chances de volta, em reunião com o presidente estadual do PSD Vilmar Rocha, a sua filiação ao partido. Uma definição ficou clara: Lissauer não será mais candidato a deputado federal, mas agradou e muito a ele a ideia de que, com uma eventual desistência do ex-ministro Henrique Meirelles, estará no seu colo a candidatura ao Senado, representando a legenda na chapa da reeleição do governador Ronaldo Caiado.

Pouco mais ou pouco menos, é o que ficou ajustado entre Lissauer e Vilmar, resolvendo, de quebra, a questão do posicionamento quanto a Caiado: a sigla abandonará a neutralidade que manteve até agora e se transferirá para a base governista. A filiação terá também o condão de viabilizar a montagem das chapas proporcionais estadual e federal do PSD, consolidando Vilmar Rocha na presidência e aumentando a sua presença no cenário político goiano.

Haverá um evento, nesta semana, para a filiação do presidente da Assembleia, com a presença do governador, selando a coligação. Pelo menos, é o que ficou estabelecido. Isso liquida com as esperanças do prefeito Gustavo Mendanha, que segue patinando desesperadamente atrás de uma legenda de peso para evitar a desmoralização de se filiar a um partido nanico como o Patriota – caminho que parece ser o que está restando para ele.

19 mar

Acordo lá, greve aqui mostram as duas faces do Sintego: leão feroz com Rogério Cruz e cordeirinho com Mendanha. A diferença? A penca de cargos que privilegia os petistas em Aparecida

É público e notório que o Sintego não é o sindicato dos professores estaduais, mas… o sindicato do PT, a serviço do PT, a ponto de desviar dinheiro dos seus cofres, por exemplo, para financiar candidatos petistas e até para pagar uma multa aplicada pela Justiça ao notório e finório Delúbio Soares. Uma voz insuspeita da esquerda em Goiás, o deputado Elias Vaz, do PSB, já definiu o Sintego como “pelego” e ainda acrescentou que não luta verdadeiramente pelos professores goianos – luta pelo PT.

Na época do falecido prefeito Paulo Garcia, o Sintego chegou a ficar contra uma greve por reivindicações salariais, desautorizando violentamente os servidores da Educação municipal da capital, que então se cansaram das manipulações da então presidente Ieda Leal (posteriormente candidata a deputada estadual pelo PT, derrotada) e decidiram agir por conta própria. Fez o mesmo em Aparecida, onde, agora, faz novamente, ao fechar com o prefeito Gustavo Mendanha um acordo para um reajuste de 20% para os professores municipais, enquanto, em Goiânia, empurrou uma greve em defesa de um aumento de 33,24%, índice para a correção do novo piso nacional.

Dos pouco mais de 8 mil professores da prefeitura de Goiânia, a maioria esmagadora já recebe muito acima do piso. Alguns poucos ainda estão nessa faixa salarial, que o prefeito Rogério Cruz já anunciou que vai atualizar conforme o novo percentual (os 33,24%), aplicando para os demais algo em torno de 10%. É o correto e o justo. Os 33,24% são exclusivamente para quem recebe o piso. Mas o Sintego não aceitou: quer os 33,24% para todos, mesmo o que já escalaram o plano de carreira e conquistaram salários que vão ao dobro ou o triplo. Em Aparecida, é o contrário. O leão feroz de Goiânia agiu como um cordeirinho, traiu a categoria e aceitou os 20% propostos pelo prefeito, ainda por cima em duas parcelas, aliviando a barra para uma prefeitura que passa por dificuldades de caixa e já armou uma bomba fiscal que vai explodir no colo do vice, Vilmar Mariano, que assume a partir de 1º de abril – caso Mendanha tenha mesmo coragem de renunciar ao mandato para a aventura de se candidatar a governador. Em Aparecida, portanto, o novo piso salarial dos professores não será obedecido pela prefeitura, com aval do Sintego.

Por que o Sintego adota uma postura em Goiânia e outra em Aparecida? Simples: lá, o servilismo do Sintego decorre da cooptação das lideranças municipais petistas, que ganharam uma penca de cargos comissionados e estão pendurados no cabide de empregos que Mendanha montou para garantir a falsa unanimidade da classe política em torno do seu nome. Em uma tentativa de reação, os professores aparecidenses montaram um Comando de Luta para defender as suas reivindicações – que, a propósito, não se limitam ao reajuste de 33,24% e vão muito adiante, passando por uma solução para a precariedade física das escolas e a reorganização da carreira, minada pela inexistência de uma série direitos trabalhistas negados por Mendanha, sempre sob a complacência do sindicato.

O Comando de Luta aparecidense tem autenticidade representativa, conhece com exatidão a má situação do professorado municipal e não cede aos subornos políticos comuns na praça, enquanto o Sintego não passa de capacho de Mendanha, assim como, desempenhou o mesmo papel nas gestões de Maguito Vilela, em troca de nomeações. Tanto que nunca levantou uma palavra contra o sucateamento estrutural da rede de escolas municipais, que, apesar dos mais de R$ 40 milhões elencados por contratos de manutenção com empreiteiras e que estão no Portal de Transparência da prefeitura, nos últimos cinco anos, carece de cuidados mínimos, com muitas unidades quase que desabando sobre os alunos graças a infiltração das águas das chuvas – absurdo que o Comando de Luta quer resolver.

Sintego, leitoras e leitores, é sinônimo de esperteza política de baixo nível. Do ponto de vista do que deve ser e atuar um sindicato, é uma excrescência. Rogério Cruz não deveria ceder a uma greve que é uma verdadeira extorsão e que tenta se aproveitar dos dois anos de pandemia que prejudicaram as atividades letivas e usar as carências pedagógicas das crianças da rede municipal goianiense como arma para arrancar vantagens e agradar a sua suposta base, em ano de eleição, atropelando a responsabilidade fiscal e a equidade salarial que deve ser o escopo das decisões do prefeito quanto a folha de pagamento pilotada pelo Paço Municipal.

16 mar

Comunicação municipal sob Tony Carlo cresce e dá presença mais forte para Rogério Cruz no cotidiano de Goiânia, com o aumento da percepção de que a capital tem prefeito e este é atuante

Depois de superar um ano de mandato, o prefeito de Goiânia Rogério Cruz dá sinais de alcançar um nível de aceitação e respeito a que ainda não havia chegado desde os dias iniciais e polêmicos da sua gestão – marca que parece ter começado a se desenhar a partir da ascensão do jornalista Tony Carlo Bezerra Coelho ao comando da área de comunicação do Paço Municipal, depois de uma experiência de acertos a serviço do governador Ronaldo Caiado.

O diferencial do trabalho de Tony Carlo é a mesma preocupação e atenção que dá tanto ao varejo quanto ao atacado da sua missão, cuidando com zelo da construção jornalística de uma imagem positiva da administração, com base na realidade e sem criar ilusões ou fantasias para manipular a opinião pública. Dá para notar que, se Rogério Cruz era figura pontual na mídia, agora passou a presença constante, ao mesmo tempo em que a prefeitura também ampliou a percepção de que está atendendo melhor e com agilidade aos desafios do cotidiano da capital, grandes ou pequenos.

Uma visão equivocada comum na atuação dos titulares da comunicação, em qualquer instância de governo, é a confusão entre o que fazem, em última análise a divulgação de fatos, e o papel de marqueteiros, meros mercadores de mercadorias inclusive políticas – e coisas que são bem diferentes na forma e na essência. Um secretário tem o dever institucional de contribuir para informar a sociedade até mesmo quanto a eventuais erros ou desacertos, enquanto aquele outro faz das tripas coração para vender o peixe de um gestor que muitas vezes nem bem está indo – o que implica em uma certa dissonância quanto a realidade.

Quando ao secretário Tony Carlo, ele se sai bem nas suas novas funções no Paço Municipal exatamente porque tem noção da responsabilidade do seu cargo e de que deve entregar verdades para as goianienses e os goianienses. Só isso, pouco depois de um mês depois que assumiu, já trouxe ganhos para Rogério Cruz, hoje sujeito de um encorpado noticiário sobre as suas atividades e sobre a sua agenda, que parece muito mais animada e consistente do que antes. Há muito serviço sendo entregue pela prefeitura, em todos os cantos da cidade, porém agora isso é do conhecimento geral e o importante é que as situações de crise, como o debate do IPTU e greve dos professores, foram e estão sendo enfrentadas com transparência.

Houve um duplo acerto na inserção de Tony Carlo na comunicação da prefeitura: para ele, Tony, dando um oportuno seguimento à sua brilhante carreira profissional, e para o prefeito, ao avançar na prestação de contas do município perante suas cidadãs e seus cidadãos.

15 mar

Novela vai-não-vai sobre a candidatura de Meirelles deve se estender até 1º de abril, com desfecho por ora imprevisível

É bem provável que até 1º de abril não se tenha nenhuma resolução sobre a candidatura ao Senado de Henrique Meirelles, mesmo porque, ao que tudo indica, nem ele mesmo sabe o que vai fazer da vida em relação ao seu futuro político. Dizem que tem convites para preencher a vaga de vice na chapa de Rodrigo Garcia, do PSDB, em São Paulo, que foi convidado por Lula para ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos, como parte dos acenos tranquilizadores do petista ao mercado, que isso e que aquilo, em uma infinidade de situações que dependem basicamente da decisão exclusiva do ex-ministro.

Nem o governador Ronaldo Caiado nem o presidente estadual do PSD Vilmar Rocha nem o presidente nacional Gilberto Kassab nem ninguém, e muito menos o próprio Meirelles, sabem por ora qual será a solução para o imbróglio – que envolve hesitação, incerteza e insegurança pessoais, as piores variáveis possíveis em qualquer processo político, seja qual for a ordem ou monta. Se o ex-ministro não tem noção do que quer, imaginem, leitoras e leitores, todos os demais envolvidos nesse cenário.

Mas uma coisa é certa: o tempo a ser seguido para se chegar a uma definição será… o tempo de Meirelles. Como se trata de uma figuraça, será preciso paciência daqui até a data limite para o desenlace, no máximo em 15 dias. Prejuízos para muitos, mas para ninguém tanto quanto para ele próprio.

14 mar

Entrevista de Daniel Vilela, com frase-resumo que arrastou Marconi para o miolo da oposição a Caiado, azedou o evento de ex-prefeitos (que não teve ex-prefeitos) de Mendanha

O presidente estadual do MDB Daniel Vilela (acima, na foto de Wildes Barbosa) deu a entrevista que estava devendo desde que foi ungido para a vaga de vice na chapa da reeleição do governador Ronaldo Caiado: no sábado, ganhou duas páginas em O Popular, que acabaram inesperadamente coincidindo com a data do evento de ex-prefeitos que serviria de pretexto para o lançamento da candidatura de Gustavo Mendanha ao governo do Estado (ou, quem sabe, propositalmente).

A entrevista azedou a festa fabricada de Mendanha, para a qual foram anunciados 300 ex-prefeitos, mas que, na verdade, acabou impulsionada pelo funcionariado comissionado hoje pendurado na generosa folha de pagamento de Aparecida. Não havia ex-prefeitos, no máximo um ou outro, a tal ponto que a organização do encontro sequer teve condições de divulgar uma lista de nomes – oportuna, se real fosse, para encorpar o projeto político do aparecidense que patina atrás de um partido e se arrasta sem conseguir apoiadores de peso.

As declarações de Daniel Vilela a O Popular, deixando claro que o filho e herdeiro de Maguito Vilela aprendeu a se expressar manejando estrategicamente como um mestre as ditas frases-resumo de impacto, tiveram a medida certa para sobreviver ao noticiário efêmero da imprensa. A melhor e mais feliz foi quando fulminou o âmago da articulação, mesmo pouca, por trás da aventura de Mendanha: “Quem quiser a volta de Marconi já tem opção: é só votar no Gustavo”, uma afirmação que, sim, tem sentido e foi cravada para ser irrespondível, tanto que o alvo principal não replicou, deixando a reação a cargo de Marconi, que assim vestiu a carapuça, de seu lado, e recorreu a mais uma das suas esdrúxulas notas oficiais quase sempre caracterizadas por argumentos sem base na realidade e jogos de palavras até criativos, mas sem o necessário conteúdo.

O mote de Daniel Vilela foi tão, mas tão certeiro que se converteu em manchete de 1ª página de O Popular, como que lançada na ogiva de um míssil russo para explodir no evento “fake” dos ex-prefeitos (sem ex-prefeitos), avinagrando o clima já tenso pelas preocupações quanto ao sucesso da reunião. Não foi só, no entanto. O presidente do MDB estava em dia de pontaria inspirada. Com a autoridade de quem tem anos e anos de convivência com Mendanha, que o chamava de “irmão” (aliás, de “irmãozinho”), definiu Mendanha como despreparado em termos de ideias e sem capacidade de gestão, duas linhas de avaliação que o prefeito prestes a renunciar precisa superar para tentar desenvolver a sua campanha – ele, realmente, não é alguém que pensa em profundidade e não tem uma obra de importância para identificar os seus pouco mais de cinco anos como chefe do Executivo aparecidense.

Embora a jornalista que fez a entrevista acredite que a votação recorde de Mendanha na reeleição em 2020 seja suficiente para atestar a sua “capacidade intelectual e de gestão”, um desvirtuamento absoluto sobre a finalidade das urnas no Brasil e em qualquer parte do mundo, Daniel Vilela transformou a cretinice em brecha para infiltrar conceitos: “Vai chegar uma hora em que as pessoas vão querer saber qual é o projeto para Goiás. Vai chegar uma hora em que será exposto, vai ter de mostrar sua condição, a sua capacidade intelectual para apresentar propostas para o Estado. E vai ser também uma oportunidade para apresentar o que fez para Aparecida”, cobrou por antecipação, colocando no debate dois pontos cruciais sobre Mendanha, que o próprio jornal O Popular, em mais de 10 entrevistas extensas com o prefeito, nunca questionou: qual a sua visão de futuro para Goiás e quais as obras que construiu em Aparecida?

No sábado, depois de ler a entrevista de Daniel Vilela, Mendanha foi apreensivo para o evento dos 300 ex-prefeitos, porém sem ex-prefeitos, onde fez um discurso sem graça e sem chamariscos (ausente de frases-resumo de impacto), com o olhar distante, quase de cabeça baixa, perdendo a oportunidade para responder aos obuses metaforicamente atirados  no seu peito. Calou-se, mesmo falando muito, e consentiu, sugerindo sem querer que o seu ex-“irmão” ou ex-“irmãozinho” é que está certo.

12 mar

Políticos que admitem composição com qualquer partido ou qualquer grupo político, sem compromisso com ideias, mostram falta de coerência e ausência de princípios – e no final das contas perdem

Este blog tem uma ojeriza natural – e acredita que as eleitoras e os eleitores, também – por políticos que não mostram posições definidas e admitem, para atender aos seus interesses, qualquer acomodação em termos de partidos ou grupos. É aquela estória conhecida sobre alguém que quer se candidatar e sai procurando o que imagina ser o melhor para si, sem o menor compromisso com bandeiras ou com as aspirações da sociedade, praga que tomou conta da política brasileira e principalmente da sua vida parlamentar, estimulada uma legislação eleitoral casuística que incentiva o apequenamento dos políticos.

Para exemplificar e deixar essa linha de raciocínio bem clara: em Goiás, temos dois pré-candidatos ao Senado, nenhum com chances reais, Alexandre Baldy e João Campos, que diariamente repetem estar à procura de uma composição seja com a base do governo seja com a oposição para chegar às urnas de outubro. Para eles, tanto faz se situar a favor ou contra isso ou aquilo, o crucial é conseguir ajeitar as suas candidaturas – cujas possibilidades de sucesso, pela ausência de perfil majoritário que ambos ostentam, são escassas e dependem um verdadeiro milagre.

Baldy e Campos, sem perceber a mensagem de pusilanimidade que passam, se esmeram em entoar os dois uma cantiga igual: vão aguardar e oportunamente tentarão se meter nas chapas ou de Caiado ou de algum oposicionista, dependendo da conjuntura do momento. Não há palavra, empenho, engajamento, conexão com nada, seja uma visão sobre o futuro de Goiás seja a condenação ou a aprovação de linhas de políticas públicas mais ou menos produtivas para as goianas e os goianos. Nada. O que existe é a obediência cega a conveniências individuais e a busca mesquinha pelas condições mais vantajosas para as suas candidaturas, sem vinculação com conceitos, propostas ou concepções éticas, sem falar no vazio de conteúdo ou de significado coletivo para o Estado. E de fibra moral.

Isso não leva ninguém muito longe. Participar de eleições com espinha dorsal de borracha é construir uma derrota antecipada. No caso de Baldy e Campos, já se disse aqui que não possuem o perfil majoritário exigido para quem quer concorrer a um mandato senatorial, que exige um discurso universal, abrangente, muito adiante de uma candidatura proporcional, para deputado estadual ou federal. Essas se baseiam no mais das vezes em segmentos sociais localizados e colégios eleitorais circunscritos geograficamente. Há exceções? Sim. O Delegado Waldir é uma delas. Tem as suas bases específicas, como todo deputado federal, mas ultrapassa esse limite e recebe uma enxurrada de votos, talvez a maior parte, em razão da sua postura e das suas opiniões. Waldir é um dos poucos, em Goiás, que incorporou hoje as características para disputar o pleito para o Senado, tanto que foi o 3º colocado na 1ª pesquisa Serpes, atrás apenas de Marconi Perillo e Henrique Meirelles (que também têm perfil majoritário) por uma estreita diferença de pontos, enquanto Baldy e Campos se saíram mal.

Não por acaso, Delegado Waldir já apresentou sua definição: apoia a reeleição de Caiado, sendo ou não bem-sucedido na consulta que fez ao Tribunal Superior Eleitoral para confirmar a hipótese de se lançar de maneira avulsa para o Senado. Os outros dois, não. Admitem formar em qualquer chapa e proclamam essa disposição aos quatro ventos, quase que praticando um suicídio político, sem se preocupar com a reação do mesmo eleitorado cujos sufrágios eles querem para chegar ao Senado. Fazem um joguinho que se volta contra eles próprios.

Esse tipo de candidato dúbio nunca prospera, ao assumir uma ambiguidade que mantém na obscuridade o que viria caso conquistasse o mandato. Como não dão certezas, plantam dúvidas na cabeça das eleitoras e dos eleitores, caminho que só dá como garantia a perda de votos. Baldy e Campos, na essência, são e serão políticos menores, porque é assim que eles fazem questão de se exibir abertamente. O horizonte deles é a Câmara Federal, uma meta que se alcança com dinheiro, quanto a Baldy, ou com o apoio de faixas demarcadas da sociedade como os evangélicos, quanto a João Campos. Mais do que isso é querer muito.

11 mar

Vilmar Mariano assumirá a prefeitura de Aparecida e, se não se ajoelhar a Mendanha, pode fazer o que não foi feito até agora: obras, programas sociais permanentes e tolerância democrática

Para lá de simples, porém com histórico de raposice e esperteza política, o vice-prefeito Vilmar Mariano tem um encontro com o destino no início de abril: assumirá a prefeitura de Aparecida, com a renúncia de Gustavo Mendanha para se meter na aventura de disputar o governo do Estado, provavelmente pelo nanico Patriota e sem o apoio de nenhuma liderança de peso expressivo na política de Goiás.

Vilmarzim, como é chamado e lembrando aqui que todo apelido diminutivo envolve falta de respeito e algum desprezo, tem um histórico de desentendimentos com Mendanha. Não indicou ninguém para o atual secretariado, o que o levou, na cerimônia de posse em janeiro de 2021, a se negar a discursar e abandonar o plenário da Câmara não sem mostrar irritação. No final das contas, teve um irmão nomeado para um cargo subalterno na prefeitura, dentro do tradicional processo de cooptação que transformou a folha de pagamentos aparecidense no maior cabide de empregos jamais visto, para a classe política, em todo o Estado.

Tudo bem, isso é olhar para o retrovisor. O fato é que Vilmar Mariano não é bobo e tem se desdobrado para deixar patente que Mendanha pode confiar nele e que, como prefeito, seria um mero preposto do seu antecessor. Claro, não poderia ser diferente. A centímetros de se assenhorear do comando da segunda cidade mais populosa de Goiás, com um orçamento de quase R$ 2 bilhões anuais, somente se fosse doido agiria de maneira diferente. Como não é, tem feito das tripas coração para passar a certeza, por ora, mas sem garantia nenhuma para o futuro, de que o prefeito pode renunciar em paz que não será traído pelo vice.

Ooooops… traição em Aparecida é uma palavra-chave. Mas, não vamos especular, leitoras e leitores. Vilmarzim vai assumir e terá uma chance de ouro para fazer o que, nos últimos cinco anos e três meses de governo, Mendanha não fez. Por exemplo, cumprir as promessas da primeira e da segunda campanhas. Estão lá registradas na Justiça Eleitoral, qualquer um pode consultar, porém o “fenômeno” ou o “mito”, como o prefeito se autodenomina, não asfaltou todos os bairros, não construiu o Hospital do Câncer, não implantou as 6 avenidas do Eixo Leste-Oeste, não acabou com o déficit de vagas nos CMEIs, não abriu um banco de alimentos para socorrer as famílias vulneráveis e não instalou um programa de reemprego para trabalhadores demitidos. Não tornou realidade nem um único item dos seus planos de governo.

Fez muito pouco, enfim, com estudos e pesquisas de instituições de credibilidade nacional como a FIRJAN, o Centro de Liderança Pública da Bovespa e o Instituto Rui Barbosa comprovando com dados da própria prefeitura que Aparecida deu uma grande marcha à ré, sob Mendanha. A economia parou. A nova fábrica do Guaraná Mineiro, de R$ 60 milhões, foi cancelada. Não, não foi por causa da pandemia. Foi porque o prefeito não ofereceu as condições mínimas necessárias, muito antes do advento da Covid-19.

Tudo isso cria um espaço para Vilmar Mariano se afirmar, se não se ajoelhar e for dominado pelo receio de desagradar Mendanha. Afinal, o vice que assumirá será candidato à reeleição em 2024 e pode concluir que, com o atual titular contra ele, teria as chances diminuídas. De um jeito ou de outro, Vilmarzim pode, se tiver coragem, estabelecer um diferencial e tanto. Por exemplo, instituir programas sociais permanentes, que hoje não existem em Aparecida, a despeito da sua imensa margem de famílias vulneráveis, com seus filhos desempregados e todos passando fome. Ou construindo as obras que Mendanha prometeu e não fez, a tal ponto que renunciará sem deixar uma marca para identificar o seu período de administração. Aqui, as seis avenidas do Eixo Leste-Oeste, prometidas, duas iniciadas, mas não concluídas, representam sem dúvidas uma das maiores oportunidades.

Por fim, uma ação que será fácil para o vice convertido em prefeito: mudar o histórico de intolerância de Mendanha com as categorias do funcionalismo aparecidense que têm reivindicações salariais ou trabalhistas. Desde o ano passado, a Guarda Municipal está acampada defronte ao prédio da prefeitura, reivindicando apenas ser recebida pelo prefeito para dialogar sobre os seus direitos. Ele se recusa. Assim como com os servidores da Saúde e outros mais. Mendanha é intransigente. Porém, Vilmarzim, como vice, esteve com os líderes da Guarda Municipal e provocou uma convulsão. Resultado: foi publicamente repreendido pelo secretário de Fazenda André Rosa, chamado em Aparecida de “primeiro-ministro”, de que não responde pela prefeitura, seguindo-se a advertência de que a Guarda Municipal não deveria ouvi-lo por falta de autoridade. Tá: como vice, não. E como prefeito?

Perceberam, amigas e amigos, qual será o desafio do vice Vilmar Mariano ao assumir a titularidade de uma prefeitura de porte monumental como a de Aparecida? Isso mesmo: mesmo se não quiser, porém buscando se afirmar como prefeito, irá desnudar a gestão de Mendanha como incompetente, inepta e improdutiva, se fizer o mínimo, com poucas iniciativas, sem necessidade de muita complicação. Depois do desastre que o “fenômeno” e “mito” foi para a cidade que governou, qualquer um se sairá melhor.

11 mar

Sintego ameaça Rogério Cruz quanto ao reajuste para os professores, mas minimiza e é amigável com Gustavo Mendanha. A diferença? Em Aparecida, o PT foi cooptado com cargos na prefeitura

O Sintego tem duas caras: uma, a face radical, que mostra em Goiânia ao claramente enfrentar o prefeito Rogério Cruz com propósitos de exploração política, recusando-se a enxergar a realidade salarial dos 8.327 professores municipais, que já estão desde há muito tempo acima do piso da categoria e, com a maioria recebendo em média mais de R$ 6 mil reais. Cruz propôs um acréscimo de pouco mais de 7%, que talvez até vá mais adiante e se aproxime da casa dos 10%, mas não vê sentido – e está correto – em aplicar para quem já recebe acima do piso o aumento de 33,24% instituído pelo decreto do presidente Jair Bolsonaro que estipulou o novo valor vencimental.

Resultado: o Sintego rosna com a chantagem de uma paralisação, que prejudicaria milhares de alunos em pleno início do ano letivo, depois de tudo o que os estudantes passaram em termos de atraso no ensino nos últimos dois anos de pandemia, mas, diante de situação muito pior em Aparecida, facilita as coisas para o prefeito Gustavo Mendanha, que tem a maior parte dos professores municipais no raio de alcance do aumento do piso, mas está fazendo de tudo para não sobrecarregar os cofres da prefeitura com a sua concessão e talvez protelando para deixar a bomba para o vice-prefeito Vilmar Mariano, que deve assumir no início de abril.

O Sintego faz o quê? Alega que está negociando com Mendanha e desautoriza o Comando de Luta que os professores aparecidenses criaram justamente para suprir a ausência de uma representação autêntica e combativa. Petistas, tal como os que comandam o Sintego, estão no secretariado de Mendanha. O presidente do diretório municipal Adriano Mantovani, por exemplo, está espertamente pendurado em uma secretaria executiva, um cargo que foi criado sem nenhuma necessidade ou função, com o objetivo apenas de premiar financeiramente aliados e garantir a “unanimidade” que o atual prefeito se gaba de ter entre a classe política local.

O Sintego, que em Aparecida é um, age em sentido contrário ao mesmo Sintego, que em Goiânia é outro. O Comando de Luta dos professores aparecidenses tem credibilidade: é altamente mobilizador, promove manifestações na porta da prefeitura e fala com propriedade em greve, caso Mendanha não dê logo a resposta que ele está protelando para a atualização do piso salarial. Na capital, mesmo com o diálogo a que Rogério Cruz se propõe, a intransigência do sindicato é a tônica, ao contrário da pusilanimidade exibida na cidade vizinha. Isso, leitoras e leitores, é uma vergonha.

11 mar

Foco da nova agenda de Meirelles em Goiás é reafirmar a candidatura ao Senado e é o que ele está fazendo desde ontem, quinta, 10

Como previsto, o ex-ministro e atual secretário de Fazenda Henrique Meirelles desembarcou nesta quinta, 10, em Goiânia, para uma repetitiva rodada de conversas com aliados – agora tendo como foco reafirmar a candidatura ao Senado e dissipar a boataria sobre a sua possível desistência.

Mas, em se tratando de Meirelles, ou seja, de alguém que opera em um nível muito acima da política estadual, por enquanto tudo pode acontecer. Ser candidato ou não, tal como as coisas estão no momento, é uma dúvida que se arrastará pelo menos até um gesto mais efetivo, como a desincompatibilização do cargo de titular do mais importante cargo da equipe do governador João Dória.

Até esse instante, nada é impossível, quanto a Meirelles. E, mesmo depois, igualmente, até a época das convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto. Há uma enormidade de variáveis e fatores que pesam e vão continuar pesando para produzir a decisão final do ex-ministro.

10 mar

Atenção: Meirelles estará cumprindo agenda nesta quinta, 10, à noite, no Castro’s Hotel e já chamou Daniel Vilela e Vanderlan Cardoso para conversar

Em meio à boataria sobre a sua desistência quanto a candidatura ao Senado, Henrique Meirelles, ex-ministro e atual secretário da Fazenda do governador João Dória, estará em Goiânia na noite desta quinta, 10, tendo programado uma série de encontros no Castro’s Hotel. Entre outros, foram chamados o presidente estadual do MDB Daniel Vilela e o senador Vanderlan Cardoso, do PSD.

Corre a informação de que Meirelles esteve com o ex-presidente Lula, que o teria convidado para algum posto de importância caso seja eleito em outubro próximo. Uma das cogitações seria o cargo de embaixador nos Estados Unidos, de relevância muito superior a um mandato de senador. O ex-ministro faria parte da estratégia de Lula para convencer o mercado de que é confiável e de que o seu governo não se aventuraria em projetos esquerdistas, tal como foram os seus dois governos, no passado. Meirelles tem tudo para acreditar em Lula, que o levou para o Banco Central, onde ele permaneceu impávido e inabalável por oito anos.

10 mar

Filiação ao Patriota é o reconhecimento antecipado da derrota por Mendanha: partidos nanicos jamais elegeram um governador desde a redemocratização, iniciada com a vitória de Iris em 1982

Não será fácil para o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha deglutir o impacto negativo da sua filiação ao Patriota, partido nanico que só existe em Goiás dentro de uma pasta debaixo do braço do marqueteiro Jorcelino Braga, que combina essa profissão esdrúxula com a sua vocação para financista – tanto que foi secretário da Fazenda do governador Alcides Rodrigues, iniciado, em 2007, quando se meteu a articulista político e terminou, tanto ele quanto Alcides, engolindo derrotas seguidas para o grupo do senador, na época, Marconi Perillo, que acabou vencendo a eleição de 2010.

Um “mito” ou um “fenômeno”, como Mendanha passou a chamar a si próprio depois da vitória que teve com ampla votação na reeleição em 2020, precisa de espaço para florescer e não cabe na caixinha de sapatos que é o Patriota, mesmo agregando os dotes supostamente mágicos de Braga, hoje o marqueteiro estadual mais bem sucedido da história, com uma coleção impressionante de sucessos – muito embora guarde debaixo do tapete algumas derrotas acachapantes, como, por exemplo, a de Daniel Vilela em 2018, com um programa de televisão ridículo, em que o candidato visitava eleitores pelo Estado afora, como se isso fosse rotina na sua carreira política e terminou com três ou quatro vezes menos votos que Ronaldo Caiado, que liquidou a fatura no 1º turno.

Esse, aliás, é o padrão do marketing autoral de Braga. Em 2020, ele venceu com uma batelada respeitável de prefeitos, todos com o mesmo visual e conteúdo na TV: eleitoras e eleitores apareciam levantando questões que os candidatos respondiam mostrando intimidade e sobretudo espírito aberto à participação popular. Deu certo para Adib Elias, em Catalão; Humberto Machado, em Jataí; Roberto Naves, em Anápolis; Paulo do Vale, em Rio Verde, e para muitos mais, inclusive em praças onde não houve horário gratuito do TRE, como Trindade, onde Marden Jr.; cliente de Braga, foi eleito. Maguito Vilela, em Goiânia, também cliente de Braga, não entra nessa conta porque se tratou de uma eleição atípica, totalmente fora dos padrões, graças a Covid-19.

Sem apoios de expressão mínima, sem partidos e filiado a uma sigla nanica, o marketing televiso é o que restará para Mendanha correr atrás de algum resultado positivo, que seria perder a eleição com uma votação minimamente suficiente para a sua sobrevivência futura. Braga, nesse sentido, daria segurança a ele, muito embora, em eleições estaduais, o currículo do marqueteiro só tenha a apresentar o êxito de Alcides Rodrigues em 2006, com um programa de TV muito ruim, resgatado por um jingle fortíssimo para aquele momento, que só repetia o bordão “Alcides e Marconi, Marconi e Alcides”, buscando absorver o imenso poderio político do governador tucano então concluindo o seu bem sucedido segundo mandato – e essa foi a verdadeira razão para Alcides conquistar o Palácio das Esmeraldas, não qualquer artifício chulé ou pouco criativo, quais sejam as famosas falas quilométricas de Alcides encerradas com um “muito obrigado” que soava como brega, mas de aproveitável mostrava respeito diante das eleitoras e eleitores.

A decisão forçada de se filiar ao Patriota, caso Mendanha não encontre uma alternativa miraculosa até o dia 15, data que ele mesmo marcou para a sua definição partidária, fulmina, na arrancada, um projeto de poder que já não tinha bases concludentes e é confuso quanto às suas preliminares, pela falta de apoios consistentes e agregação de partidos, parecendo mais produto de vontade individual, desejo de retaliação em relação ao governador Ronaldo Caiado, favorito para as urnas de outubro, e, no limite, reflexo de imaturidade pessoal  e experiência política.

10 mar

Grupo político de Mendanha, que ele batizou de “bloco oposicionista”, cabe em uma van pequena e comprova que não existe apoio para sustentar minimamente a candidatura a governador

Vejam a foto acima, leitoras e leitores e se impressionem. Trata-se do registro de uma reunião na noite desta terça, 8, daquilo que o próprio prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha chamou de “bloco oposicionista”, ou seja, as lideranças e partidos que ele imagina suficientes sustentar a sua candidatura ao governo do Estado. O grupo, enfim, que vai tocar a candidatura de Mendanha. O “evento” praticamente não foi noticiado. E nem mesmo citado nos perfis sociais de todos os poucos que compareceram, o que não deixa de ter algum significado. Em política, tem certas coisas que é melhor esconder.

O “bloco oposicionista” é uma denominação para lá de generosa para os gatos pingados reunidos por Mendanha. Não há ali ninguém de expressão superior ou habilitado para produzir uma ressonância política à altura de ultrapassar suas bases municipais ou então de entoar um discurso cuja amplitude seja satisfatória para se comunicar universalmente com a sociedade. O melhor é o deputado estadual Major Araújo, que foi o vice desconhecido de Iris Rezende em Goiânia em 2016 e depois se candidatou em 2020 à sucessão do próprio e Iris, quando teve desempenho pífio, recebendo ridículos 3,38% dos votos das goianienses e dos goianienses ou 20.300 sufrágios, pouco mais do que a metade do que alcançou para deputado estadual em 2018 (38.200 votos). São números que não mentem e que atestam a condição real de Major Araújo, sem nenhuma universalidade e longe de ostentar um perfil majoritário. E lembrando que o fiasco em Goiânia teve a ajuda da escabrosa falta de respeito com que se refere aos adversários e aos inaceitáveis abusos verbais que são a sua triste marca registrada.

Respeitosamente: em uma congregação onde Major Araújo é destaque, imaginem o resto, leitoras e leitores.  Está lá a deputada federal Magda Mofatto, como liderança política sem dúvida nenhuma uma grande empresária. Falta o seu colega Prof. Alcides, outro da mesma linhagem, ineptos, ambos, para explicar de forma persuasiva o que pensam e defendem como parlamentares e para que servem os mandatos que arrancaram das urnas às custas de poder financeiro. E mais três deputados estaduais: Delegado Humberto Teófilo, cópia mal acabada de Major Araújo, inclusive na língua de trapo, Paulo Cézar Martins, um eterno e destrambelhado meninão, e Cláudio Meirelles, de todos o mais preparado e maquiavélico, tanto que a cada eleição só cuida de garantir o seu mandato na Assembleia, limite do seu horizonte, e nada mais, todos eles – os deputados federais e estaduais ali emparelhados – de olho nos votos que Mendanha pode arranjar para eles em Aparecida, senão a casa cai e o prefeito perde o aliado interesseiro.

A foto mostra ainda, em uma das extremidades, um pastor evangélico, chamado para esconjurar os maus espíritos e afastar os eflúvios tóxicos, e três representantes de partidos nanicos, que é o que Mendanha amealhou até agora: Levy Rafael, do Avante; Fernando Meirelles, irmão de Cláudio, do PTC; e Alexandre Magalhães, da DC. Desponta também Flávio Canedo, presidente estadual do PL, que, juntamente com a esposa Magda Mofatto, fracassou em convencer o presidente nacional Valdemar Costa Neto a franquear o partido em Goiás para a filiação de Mendanha nem muito a autorizar uma declaração definitiva de apoio à candidatura do prefeito aparecidense.

Fora todos esses quase desconhecidos, ainda há uma figura incógnita entre Paulo Cézar Martins e Cláudio Meirelles. Seria alguma das supostas lideranças de peso cujo apoio Mendanha vive anunciando, sem revelar nomes? Quem sabe? E, enfim, o vice-prefeito Vilmar Mariano, de todos os que sorriem na foto o único com motivos palpáveis para comemorar: ninguém mais, a não ser ele, tem a ganhar desde agora com uma eleição que ainda virá daqui a quase sete meses e será pautada pelo favoritismo do governador Ronaldo Caiado. Vilmarzim é o felizardo que assumirá em no início de abril a prefeitura da segunda maior cidade do Estado e comandará a partir de então um orçamento anual de quase R$ 2 bilhões de reais. fato que deveria fazer Mendanha chorar ao invés de sorrir, pelo tamanho do butim que escapará por entre os seus dedos.

Imagens são indesmentíveis. E essa foto vale por mil palavras. O grupo político que vai carregar a cruz da candidatura de Mendanha ao governo cabe dentro de uma van pequena. Nada similar deu certo em lugar nenhum e que ninguém venha com comparações em relação a Jair Bolsonaro, em 2018, ou Marconi Perillo, em 1998. Ambos, cada qual em seu momento, representavam anseios da sociedade e tinham estruturas poderosas que os respaldaram, mesmo inicialmente com a aparência de inviáveis. Sim, eles contaram com uma dose monumental de sorte, em razão das conjunturas e variáveis extraordinárias nas eleições que venceram, Bolsonaro sem Lula como adversário e Marconi com a fadiga que o eleitorado subitamente descobriu quanto ao MDB de Iris Rezende e Maguito Vilela. Nem o momento em Goiás repete o clima daqueles dois pleitos nem Mendanha parece agraciado por algum tipo de fortuna, ao contrário, só padecendo limitações.

Quem está na foto: da esquerda para a direita: deputado estadual Humberto Teófilo, deputado estadual Major Araújo, deputado Paulo Cezar Martins, deputado estadual Cláudio Meirelles, um desconhecido, deputada federal Magda Mofatto, Gustavo Mendanha, representante do Avante Levy Rafael, presidente estadual do PL Flávio Canedo, presidente do PTC Fernando Meirelles, presidente da DC Alexandre Magalhães, vice-prefeito de Aparecida Vilmar Mariano e pastor da Igreja Renascer João Queiroz.

09 mar

Vanderlan tem conversa esclarecedora com Vilmar Rocha, avisa que não vai apoiar Caiado e que, na eleição, ficará ao lado do candidato que representar a base bolsonarista

Quem confia na palavra do senador Vanderlan Cardoso? Pois é: pouca gente. Em política, a credibilidade de um player é construída a partir dos seus atos concretos e não por vãs declarações de intenção. Vanderlan, nesse sentido, é muito complicado. Não se preocupa em constituir uma meada consistente ao longo do tempo quanto ao que pensa e faz.

Exatamente para conferir, mais uma vez, a verdade sobre os sinuosos movimentos do senador que o presidente do PSD Vilmar Rocha se reuniu com ele, nesta semana. E saiu com algumas certezas:

1 – O senador não apoiará a reeleição do governador Ronaldo Caiado, que teve como aliado quando foi candidato a prefeito de Goiânia e prometeu retribuir. A menos que Caiado receba o apoio do presidente Jair Bolsonaro, hipótese hoje distante.

2 – Vanderlan ficará com o candidato a governador apoiado, em Goiás, pelo presidente Jair Bolsonaro. Qualquer que seja ele.

3 – Izaura Cardoso, sua esposa, lembrada vagamente para a vice de Gustavo Mendanha (ela é filiada ao PSC), não estará nas próximas eleições. Ela e o filho Victor estão concentrados na administração da Cicopal, que reúne as empresas do senador.

4 – Vanderlan, de fato, atropelou Vilmar Rocha e levou o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha para um encontro com o presidente nacional do PSD Gilberto Kassab. Mas não agora e, sim, no ano passado. Há um bom tempo, enfim.

5 – Mantém relacionamento com Mendanha, que apoiou com força seu adversário Maguito Vilela na eleição de 2020 em Goiânia e chegou a excluir o PSD da sua coligação em Aparecida, como retaliação contra a candidatura de Vanderlan pelo partido, na capital. Só que não tem compromisso com o prefeito aparecidense, a menos que seja o candidato do bolsonarismo em Goiás.

6 – E, por último, o mais importante: Vanderlan, categoricamente, negou qualquer intenção de disputar a eleição para o governo de Goiás. Só estará na eleição como apoiador, não como protagonista.

É, leitoras e leitores, o que ele garantiu a Vilmar Rocha, lembrando que, quando se trata de Vanderlan, nada é definitivo.

09 mar

Data base, novo piso dos professores, programas sociais, queda nos índices de criminalidade e mais: depois desidratar oposição, ao se aliar com o MDB, Caiado também tirou o discurso dos adversários

A oposição em Goiás, que ainda não definiu com clareza o projeto eleitoral (ou projetos) que colocará nas ruas para enfrentar a reeleição do governador Ronaldo Caiado, vai ter dificuldades para construir um discurso ou uma proposta alternativa de poder, se conseguir chegar a tanto, talvez tão grande quanto as adversidades pelas quais padece para viabilizar um candidato (ou candidatos).  Não há como negar que uma das razões foi a aliança que levou o MDB para o governismo e abalou profundamente os pilares do movimento oposicionista em Goiás, fortemente desidratado a partir daí.

Caiado ostenta hoje uma coleção de sucessos administrativos. Acaba de atender ao maior questionamento à sua gestão, que motivava a mobilização de sindicalistas e deputados ranhetas em eventos públicos do governo do Estado, ou seja, a retomada da data base para os reajustes anuais do funcionalismo. Ele autorizou um aumento de 10,16% para a categoria, com a aprovação das entidades corporativas, que já será incluído na folha de março. Provavelmente, restarão por aí os eternos insatisfeitos e os gigolôs das causas perdidas, que só visam aproveitamento eleitoreiro, nada, contudo, que tenha importância ou se mostre capaz de deslustrar o gesto do governador.

Antes da data-base, Caiado tinha também resolvido outro impasse pesado: o novo piso salarial dos professores, que o presidente Jair Bolsonaro usou como arma para tentar atingir os governadores, assinando um aumento espetacular de 33,24% que evidentemente tem impacto no caixa dos Estados. Em Goiás, pouco mais de 26 mil mestres seriam, como foram, beneficiados, com um acréscimo de R$ 1 mil reais em seus vencimentos, que passariam, como passaram, para R$ 4 mil mensais. Goiás foi o primeiro Estado a fazer a atualização, mesmo com um encargo adicional de R$ 500 milhões a mais por ano. De quebra, um acréscimo de 7,3% foi liberado para os professores que estão acima do piso salarial, atendendo a mais de 35 mil profissionais da Educação. Em seguida, esse percentual subiu e foi equiparado ao da data base, de 10,16%. Lembrando que os professores estaduais têm sido privilegiados com uma política de valorização real, convertida em dinheiro no bolso, nunca vista antes.

O ajuste fiscal e a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, o RRF, foram fundamentais para essas decisões de Caiado. Não há quem não reconheça o trabalho que ele desenvolveu para recuperar as finanças estaduais e liquidar com o histórico desequilíbrio entre receitas e despesas, antes crônico em Goiás. Da mesma forma, outro problema grave tido como irresolvível também foi atacado e desapareceu: os elevados e descontrolados índices de criminalidade. Isso já era. E a tal ponto que a última pesquisa Serpes apontou a Segurança completamente fora do radar das preocupações das goianas e goianos, chamando a atenção de somente 4% da população.

As ocorrências policiais caíram a um nível tão baixo, em Goiás, que voltou a ser seguro usar o celular na calçada e sacar dinheiro à noite no caixa eletrônico. Os preços dos seguros de carros foram reduzidos, inclusive os das pick-ups cabine dupla, antigamente prioridade absoluta para os assaltantes. Há paz social no Estado, o que se assemelha a um milagre, mas na verdade foi resultado de um completo reordenamento do aparelho policial e dos seus métodos e equipamentos e pode, pelo reflexo direto em vidas poupadas, ser classificado como a maior realização do atual governo.

Outro dia, em discurso para as suas plateias de gatos pingados, o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha tentava levantar a voz mole para dizer que Caiado faz um governo voltado para as elites e que não se preocupa em atender os segmentos vulneráveis da população. Em que mundo vive Mendanha? Os programas sociais implantados por Caiado são tão volumosos e patentes que ele, o governador, tem repetido ser o ponto forte da sua gestão e que, em 3 anos, já investiu mais de R$ 4 bilhões para atender, de forma contínua, as famílias em situação de necessidade e isso de uma maneira inteligente: em sua maioria, os benefícios chegam através das mães, que na base da pirâmide na maioria das vezes são as encarregadas de criar os filhos.

Há programas sociais sobrando: renda mensal, distribuição direta de comida, moradia (com o Aluguel Social), apoio ao microempreendedorismo (Crédito Social), distribuição de absorventes, ajuda mensal em dinheiro para todos os alunos das escolas estaduais, bolsas de estudos para o Ensino Superior, uma infinidade de projetos na área de Saúde e mais uma lista que parece não ter fim, atestado a completa falta de veracidade das críticas do prefeito de Aparecida. E logo Mendanha, que como prefeito durante mais de cinco anos de administração não instituiu um único programa social permanente em Aparecida.

Não vai ser fácil achar o que falar de Caiado. Perfeito, ele não é, nem governante algum. Mas que tem as mãos cheias de realizações, é fato. Talvez reclamar das estradas, mas grande parte já foi reformada e o restante o será ainda antes das eleições (e há dinheiro farto para pagar a conta). Ou se venha a repisar a surrada tese de que o ICMS é responsável pela alta dos combustíveis, visão cansativamente já desmentida pela política de reajustes da Petrobrás, guiada pelo dólar – e o dólar é indomável. Ou qualquer outra coisa, a depender da criatividade e da imaginação da turma do contra diante do desafio de encontrar uma versão consistente para propagar no afã de desgastar Caiado. Mas, possivelmente, apenas pontos aleatórios e não uma crítica encadeada com a realidade e capaz de apontar para um projeto alternativo de poder para Goiás. A vantagem, no debate eleitoral que se avizinha, é do governador.

07 mar

Vanderlan comprova que não tem palavra, atropela o presidente estadual do PSD Vilmar Rocha levando Mendanha diretamente ao presidente nacional Kassab e confirma que joga com os seus interesses, na política

O senador Vanderlan Cardoso é uma espécie de fantasma da política em Goiás. Está presente, mas não existe. Não é orgânico, isto é, não representa na política nenhum segmento da sociedade e desenvolve uma carreira baseado em suas vontades pessoais e na sua fortuna pessoal. Nas democracias capitalistas, é normal. Admissível. Mas também estabelece limitações que ele, pelo menos há duas décadas, não consegue superar, mesmo porque sua biografia mostra que é volúvel e muito pouco confiável. Ah, virou senador? Sim, mas como se verá adiante, isso não tem um significado tão grande assim.

Ele, em um gesto de deselegância incompatível com a sua altura, levou o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha diretamente ao presidente nacional do PSD Gilberto Kassab, atropelando o presidente estadual Vilmar Rocha – alguém de quem não se pode falar jamais que foi indelicado ou grosseiro com quem quer que seja, até com quem o ofende. Vilmar é assim. E assim tratou Vanderlan, mesmo consciente, o tempo todo, de que ele, Vanderlan, estava usando o PSD para atender a seus interesses individuais, sendo fácil prever que jamais agiria de forma diferente: o senador nunca, nunca atendeu a qualquer projeto coletivo ou de grupo ao não ser aos seus próprios, sem segredo algum, daí o vaivém do seu currículo político. E pior: envolver-se com Mendanha em termos de um partido sério como o PSD é um equívoco sem perdão.

Vanderlan, sendo um cavaleiro solitário, reclama de não ser chamado e de não ser ouvido pelo governador Ronaldo Caiado, assim como nunca o foi por lideranças do passado como Marconi Perillo ou Iris Rezende. O que teria a dizer? A senatória que exerce atende exclusivamente a alguns prefeitos que são beneficiados pelas suas emendas, no estilo despachante dos municípios que o senador adotou  em Brasília e que é um convite ao desastre, haja vistas ao que aconteceu com Lúcia Vânia, quando trocou o exercício institucional do mandato na Câmara Alta pela distribuição de verbas, tratores e ambulâncias e foi varrida pela derrota de 2018 – atividade que para qualquer parlamentar deveria ser secundária, mas que todos ou pelo menos a maioria adotou como prioridade para conquistar bases no interior e reforçar as suas chances de reeleição.

Caiado e Vanderlan, sentando-se, teriam pouco a conversar. Imaginem, leitoras e leitores, o tamanho da dimensão do governador perto do senador, que é pouco mais que um vereador qualificado, na verdade. O que leva a consequências psicológicas, que envolve questões de caráter. Vanderlan recebeu o apoio de Caiado na sua desastrada campanha para a prefeitura de Goiânia, que ele perdeu para um morto (desculpem aqui a crueza, mas essa é a verdade). Retribuir? Isso não entra na cabeça de um milionário que se julga acima de tudo e de todos. Aliar-se? Somente se atendidos nos seus desejos de reconhecimento e glorificação. Com Caiado, não vai acontecer.

Vanderlan não é leal a ninguém, a não ser a ele mesmo. Sua concepção da política é deturpada e parte da busca de realização de vontades particulares, não da defesa de bandeiras amplas e conexas com a sociedade. É um estranho no ninho. Não percebeu que sua eleição para o Senado não decorreu de nenhuma consagração ou de alguma liderança sua, mas do quadro que se desenhou no pleito de 2018. Foi acidental e não expressão de um movimento consistente, um anseio do eleitorado. Teria perdido o lugar para Wilder Morais, se esse não fosse igual a ele, um empresário rico e vazio que cometeu o erro de não acreditar nas próprias chances e acabou em 3º lugar quando poderia ter chegado em 2º. Qual a diferença entre os dois? Nenhuma.

Nesta segunda, Vilmar Rocha deve ter um encontro terminativo com Vanderlan. Vão conversar e o assunto principal não pode ser outro senão a sinuosidade do senador. Vilmar, politicamente falando, é um delicado beija-flor. Vanderlan, um abutre cruento, que só pensa na sua candidatura ao governo do Estado e acredita que isso o livra de qualquer coerência ou integridade, fracamente neste ano, intensamente em 2026. Nesse sentido, parece-se com Gustavo Mendanha na falta de conteúdo e de fidelidade a princípios e companheiros. Esse tipo de gente não costumar dar certo por muito tempo na política e Goiás tem exemplos aos montes. Afinal, a lógica da política é diferente das regras dos negócios, onde a palavra não vale nada e o lucro é tudo.