Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 mar

Em 40 anos, Goiás só elegeu governadores conectados a um amplo contexto histórico, como consequência de “movimentos” sociais e políticos e nunca de projetos pessoais ou partidários

A linha do tempo que escorre entre 1982 e 2018, prestes a ter sequência em 2022, mostra que em Goiás nesse período só foram eleitos governadores conectados a um amplo contexto histórico, sempre como consequência de um “movimento” social e político e nunca de projetos exclusivamente pessoais ou partidários.

Vitórias como a de Iris Rezende em 1982, Marconi Perillo em 1998 e Ronaldo Caiado em 2018 estão muito acima de qualquer justificativa partidária ou pessoal, ao envolver a realização, naqueles momentos, de anseios coletivos das goianas e dos goianos por uma repaginação geral do Estado, em ruptura com os processos de poder então em vigor.

Isso mostra que o eleitorado estadual é amadurecido e sabe o que quer. Em praticamente 40 anos, nunca aceitou aventuras, por um lado, e retrocessos, por outro. Não houve passos atrás.

Iris rompeu o ciclo dos governos indicados pelos militares, mas em 16 anos chegou a um estágio de fadiga administrativa, de mais do mesmo e, vale lembrar, também de recorrência de escândalos, mesmos motivos que levaram 20 anos depois à liquidação do PSDB e ao advento de uma nova modernidade encarnada na reorganização da máquina administrativa, na recuperação da sua eficiência inclusive fiscal e na rigorosa disciplina anticorrupção imposta por Caiado – tudo que ele já demonstrava ser na campanha, com o peso da sua biografia.

Entre essas três eleições, não aconteceu nenhuma dissonância: Goiás escolheu governadores que expressavam garantia de continuidade nas políticas públicas dadas como acertadas de Iris e Marconi e que seriam mantidas por gestores com o selo de qualidade do sistema vigente, casos de Maguito Vilela em 1994 e de Alcides Rodrigues em 2006, além, obviamente, das reeleições dos próprios Iris e Marconi.

Henrique Santillo, em 1986, também trazia a certeza da preservação dos parâmetros da boa gestão de Iris, mas, em particular, oferecia para a sociedade o charme de um intelectual magnificamente preparado e com presença na luta pela redemocratização do país, algo que tinha apelo e era extremamente sedutor naquela época.

É fácil constatar que não houve desvios nesse cordão de governantes eleitos mediante critérios que foram além de partidos e de questões pessoais e que, em última análise, tiveram forte identificação com o que a sociedade queria.

O fato é que nenhum deles chegou ao Palácio das Esmeraldas à toa, embalados apenas por partidos ou qualquer liderança individual (o que é provado pelas derrotas de Iris em 2010 e 2014). E isso tende a se repetir em 2022.

Daí, é fácil entender as dificuldades da candidatura do prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha (Patriota) e do deputado federal Major Vitor Hugo (PL), pela ausência de significado e de simbolismo nos seus nomes, nem mesmo como representante do campo oposicionista, a não ser o mero desejo pessoal e uma interpretação equivocada dos resultados da eleição municipal de 2020, no caso do primeiro, e da imposição a Goiás da guerra ideológica nacional, quanto ao segundo.

Candidaturas como a do ex-vice e ex-governador José Eliton, figura impopular e carimbada com a proposta de volta ao passado, mesmo recondicionada com tintas esquerdistas, também podem ser vistas pelo mesmo ângulo. Mendanha, Vitor Hugo e José Eliton são faces do mesmo prisma: projetos que não nasceram na sociedade e não representam qualquer visão de futuro para o Estado.

05 mar

Demora de Meirelles inquieta a base de Caiado e levanta a suspeita de que ele pode, no final das contas, não ser candidato ao Senado

Instalou-se na base do governador Ronaldo Caiado uma inquietação – fundamentada – sobre a possibilidade de desistência do ex-ministro e atual secretário de Fazenda de São Paulo Henrique Meirelles quanto a sua candidatura ao Senado. Suspeita-se que existiriam motivos a levar Meirelles a mudar de ideia, muito provavelmente relacionados com a sucessão presidencial ou, numa outra extremidade, razões de cunho personalíssimo, mas em ambos os casos estritamente sob reserva, ou seja, desconhecidos do público.

O fato é que o ex-ministro não aparece em Goiás, fertilizando as especulações sobre a sua mudança de rumo. Pior: quando vem, mostra-se genérico e pouco assertivo em tudo o que diz, impressão, inclusive, que passou no seu último encontro com Caiado, poucos dias atrás, testemunhado pelo presidente estadual do MDB Daniel Vilela. Este, em avaliações posteriores, chegou a dizer a um interlocutor que Meirelles “precisa mostrar mais disposição”. O governador, por sua vez, não escondeu que a conversa, em algum sentido, transmitiu um preocupante desânimo.

Há duas visões em choque, no contexto estadual, envolvendo a candidatura senatorial de Meirelles. Uma, a inconveniência absoluta do fechamento da chapa governista agora, o que lançaria quase que gratuitamente possíveis insatisfeitos no colo do prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha – e isso, se for inevitável, deveria ser estrategicamente adiado até o limite, ou seja, até a época das convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto. Outra, os reflexos negativos projetados pela indefinição sobre o ex-ministro, na chapa da reeleição de Caiado, na montagem das chapas proporcionais dos partidos aliados, o que, em especial, prejudica o PSD: sem se posicionar dentro da base governista, a legenda não receberá as filiações de candidatos com potencial eleitoral como o presidente da Assembleia Lissauer Vieira e o deputado federal José Nelto, cujo prazo legal para ingressar no partido pelo qual vão disputar o pleito se esgota no próximo dia 2 de abril. Mais: no limite, o PSD pode até perder o deputado federal Francisco Jr, que também necessita de chapa viável para se reeleger, também no grupo de Caiado.

Pelo sim, pelo não, o que ocorre é que Meirelles, sem pressa alguma, acabou enfraquecendo as expectativas em torno da sua candidatura e parece pouco interessado em renová-las, adiando sucessivamente o instante do desembarque em Goiás para iniciar a campanha, que, no caso dele, sempre representa gastos elevados e justamente por isso atrai um enxame de postulantes a deputado estadual e federal em busca de uma bem fornida “dobradinha” (e talvez uma justificativa para a demora).

Em tudo isso, há que se fazer uma constatação: Meirelles acabou se tornando o postulante ao Senado com maiores possibilidades de vitória, ainda mais se estiver na chapa da reeleição de Caiado. Tem serviços prestados, perfil para o mandato, estrutura de campanha e mais aceitação geral do que qualquer um dos outros, até mesmo o ex-governador Marconi Perillo, que ficou à sua frente na 1ª pesquisa Serpes, mas padece de vulnerabilidades insuperáveis. Será uma eleição relativamente fácil, no contexto das urnas que se desenha hoje para outubro.

18 fev

Pesquisa do instituto RealTime Big Data, associado à TV Record, dá Caiado vencendo em todos os cenários e se alinha com os resultados do 1º levantamento publicado pelo Serpes

Para ter credibilidade, pelo menos em Goiás, os números de um instituto de pesquisas eleitorais devem se alinhar com a média dos demais e principalmente com os resultados apurados pelo Serpes, de longe o melhor e mais confiável produtor de levantamentos quantitativos sobre pleitos no Estado. Assim é que deve ser vista a pesquisa do RealTime Big Data, associado à TV Record, divulgada nesta quinta, 17, apontando o governador Ronaldo Caiado em 1º lugar, em todos os cenários de nomes, a grande distância dos demais colocados.

Na classificação subjetiva deste blog, o RealTime Big Data recebe avaliação média quanto a sua confiabilidade. Em razão de peripécias praticadas em outras eleições, especialmente em 2018, quando ocultou partes de pesquisas relativas ao Senado para beneficiar o então candidato do PSDB Marconi Perillo, o viés desse instituto é de baixa credibilidade. Ou seja: em Goiás, o instituto precisa trabalhar corretamente e com seriedade na atual temporada eleitoral para recuperar a fé pública que perdeu. Nessa manifestação inicial, dá sinais de que vai enveredar por esse caminho.

No geral, a pesquisa do RealTime Big Data foi prejudicada pela salada de nomes, com a inclusão de alguns candidatos a governador que não estão colocados no páreo e dificilmente o farão, como é o caso do Delegado Waldir e do senador Vanderlan Cardoso. Sim, por ora, qualquer um pode vir a postular o Palácio das Esmeraldas, mas ambos já deixaram claro que não o farão. Waldir quer o Senado e Vanderlan pretende honrar a palavra e retribuir o apoio que recebeu de Caiado na eleição de 2020 para prefeito de Goiânia. Os vários cenários cogitados no levantamento, portanto, são inúteis em sua maioria. Só um é importante, na medida até em que permite uma comparação com os números do Serpes, com quais está alinhado.

É esse: Caiado – 41%, Gustavo Mendanha – 18%, Marconi Perillo – 17% e Wolmir Amado – 9%. Mais ou menos dentro da margem de erro, de 3 a 5 pontos para mais ou para menos, é esse o quadro mais provável em outubro próximo, imaginado agora, faltando o acréscimo do deputado federal Major Vitor Hugo, que, no entanto, sabe-se que não pontua de forma expressiva, talvez tirando décimos de Caiado e de um a dois pontos de Mendanha e Marconi, como se viu na pesquisa do Serpes. Detalhe crucial, leitoras e leitores: a escalação do RealTime Big Data confirma, mais uma vez, que o atual governador conquista a reeleição no 1º turno, com 54% dos votos válidos.

Os índices seguem na linha de confirmação da solidez eleitoral de Caiado, que mantém a mesma votação obtida em 2018, cerca de 1,77 milhão de votos, ou até aumentou esse capital, conforme sugerem os cenários do RealTime Big Data. É mais uma má notícia para a oposição em Goiás, desarticulada depois que foi abandonada pelo MDB, com a unção do presidente estadual do partido Daniel Vilela como candidato a vice na chapa da reeleição.

07 fev

Nada do que Mendanha planejou e esperou deu certo, ele não conseguiu criar uma base sólida para a sua candidatura a governador e, se insistir, é óbvio que estará pulando no abismo. Vai desistir

Parece óbvio que o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha tanto planejou quanto esperou bem mais do que conseguiu em quase um ano de luta para viabilizar a sua candidatura a governador, hoje uma aventura que corresponde a saltar no abismo e contar com a sorte para chegar ileso ou pouco machucado ao solo. Nada deu certo. Os supostos 12 partidos que o assediavam desapareceram como fumaça no ar, restando como certos apenas os nanicos PTC, DC e o Patriota de Jorcelino Braga, liberado pela desistência – ou fuga – do ex-prefeito de Trindade Jânio Darrot, por falta de votos até mesmo entre a própria família.

Escrevo sempre neste blog que a política, ainda mais quando se trata de eleições e de forma aguda quanto a pleitos majoritários, é um terreno onde os fracos não têm vez. Está aí o exemplo do próprio Jânio Darrot. Mas é preciso acrescentar: para os despreparados, também não há espaço. Exemplo? O ex-vice e ex-governador José Eliton, um advogado talentoso, porém politicamente inepto, que custou caro ao ex-governador Marconi Perillo diante do investimento que recebeu sem ter a menor qualificação para ser levado aonde foi, o que só resultou na sua transformação anunciada em coveiro do PSDB em Goiás.

Mendanha está incurso nas duas classificações: é fraco e é despreparado. Sempre improvisou e nunca demonstrou qualquer tipo de competência, nem mesmo administrativa (anotem aí, leitora e leitor, porque voltarei ao assunto: ele não  cumpriu nem uma única das promessas que fez, aliás poucas, nas suas campanhas para o 1º e 2º mandatos), já que devolveu Aparecida ao retrocesso econômico (desde que assumiu, não houve mais investimentos industriais no município e isso muito antes da desaceleração trazida pela pandemia) e não soube desfraldar um discurso mínimo que garantisse a atração de apoios significativos para a sua pré-candidatura (além de gente como Magda Mofatto e similares, que cultiva forte ressentimento por não ter sido atendida em seus interesses pessoais pelo governador Ronaldo Caiado). Os mais de 90% de votos que conquistou na reeleição podem ser suficientes para enganar Aparecida. Para convencer Goiás, não. Quem segue Mendanha pelas suas ideias? Ninguém, porque não as há.

Na política, para quem não tem ideias o voo é curto. Que alguém me diga o que esse Mendanha pensa sobre Goiás e seu futuro e faço questão de mudar de opinião. Ele não pensa. Diga-se o que se quiser dizer de Caiado, mas o governador, mesmo antes da 1º eleição, em 2018, já representava uma proposta consistente de rumo para o Estado. Depois de assumir, mais ainda. Caiado conseguiu o que aparentava ser impossível em várias frentes, a começar pelo ajuste fiscal que trouxe o fim do histórico desequilíbrio entre receitas e despesas dos governos passados (e não só do PSDB, do MDB também). Só a redução da criminalidade que o governador conseguiu, em três anos de mandato, justifica a sua gestão. Notou, amigo e amiga, que qualquer um pode atender a uma chamada de celular na calçada sem correr o risco de levar um revólver na cabeça ou sacar trocados no caixa eletrônico sem enfrentar risco de vida? Pois é. Não foi por acaso que a pesquisa Serpes/Acieg consignou a Segurança com apenas 4% no ranking de preocupação captado entre os entrevistados. Imaginem o que seria do Estado com Mendanha no comando? Respondo: um pulo no escuro.

Como alternativa de poder para tudo isso e muito mais, Mendanha nunca mostrou nada além de uma cabeça vazia. Como dito, é fraco e é despreparado. Ele se considera um “mito”, como já disse a jornalistas, mas é daqueles com pés de barro. Não é à toa que não atraiu apoios interessantes e se limitou a instrumento de vingança para os insatisfeitos com Caiado. Isso, absolutamente, não constrói uma candidatura da importância de uma postulação ao governo do Estado. Errou monumentalmente ao se afastar de Daniel Vilela, que não conseguiu substituir no imaginário em torno do seu nome. Abriu-se uma lacuna e ela está lá. Daí que a aposta mais provável é a sua desistência, por falta de condições mínimas de segurança para abandonar dois anos e nove meses de mandato em uma prefeitura que é a segunda mais importante do Estado, pelo orçamento e pelo tamanho da população governada.

05 fev

Pesquisas sobre as eleições de outubro já começaram a sair, caso do Serpes e do Voga. Veja os critérios deste blog para avaliar a credibilidade de cada um

Em 2018, em meio a uma profusão de pesquisas sobre a disputa entre Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e José Eliton, este blog manteve uma avaliação permanente sobre a credibilidade de cada instituto, com base em critérios objetivos em sua maioria e subjetivos na menor parte.

Pesquisas eleitorais devem ser encaradas com cuidado. Não influenciam o eleitorado, que delas desacredita, supondo que cada candidato tem a sua, porém são decisivas para o moral das tropas de militantes de cada concorrente. Infelizmente, a maioria dos institutos que operam em Goiás registra no seu currículo episódios de manipulação. Para se acreditar em um levantamento, portanto, é preciso analisar o histórico de quem o fez, em primeiro lugar, e, depois, o contexto em que os índices foram apurados, em especial seu alinhamento com o trabalho produzido pelos institutos de maior somatório de acertos e tradição de seriedade e acerto. Requisitos, a propósito, em que ninguém supera o Serpes.

Vamos lá: até agora, foram divulgadas três pesquisas, duas do Voga, de Anápolis, e uma do Serpes: este, tem credibilidade alta, aquele, ao contrário, a tem baixa – decorrentes da atuação de cada um até hoje. O Serpes deu Gustavo Mendanha em 3º lugar, com 13%, enquanto o Voga, nos seus dois levantamentos, turbinou os índices do prefeito de Aparecida, em completo desalinhamento com o Serpes. Outro ponto: segundo o Voga, Alexandre Baldy tem 7% para o Senado, uma impossibilidade diante do evidente desconhecimento do eleitorado sobre a sua pessoa e da sua falta de perfil majoritário, tanto que o Serpes apurou, em todo o Estado, apenas 1,7% para ele. Não é novidade esse tipo de desvio do Voga. Ejá outros pontos a questionar, que não interessam alongar aqui, dada a pouca repercussão das duas pesquisas do instituto.

O primeiro ranking do blog, sendo assim, considerando a exemplo de 2018 os níveis de credibilidade como alta, média, baixa e baixíssima e talvez, neste ano, incluindo uma nova categoria, ou seja, nenhuma, e obviamente limitando-se a quem publicou pesquisas sobre as eleições de outubro, até o momento, é esse:

Serpes: credibilidade alta.

Voga: credibilidade baixa.

05 fev

Ré em Catalão: ao contrário das informações iniciais, visita de Daniel Vilela a Adib Elias não deu em nada, pode até piorar as coisas e deixar a reeleição de Caiado sem o seu principal apoiador no interior

Neste sábado, 5 de fevereiro, o secretário estadual de Governo Ernesto Roller; o presidente da Codego Renato de Castro; e o prefeito de Anápolis Roberto Naves amanheceram em Catalão para almoçar com o prefeito Adib Elias. Óbvio: o assunto da conversa é Daniel Vilela. O vice antecipado da chapa da reeleição do governador Ronaldo Caiado esteve na cidade há alguns dias e fez uma inesperada visita a Adib, que deveria ter servido para amenizar o clima ruim e resolver as coisas entre dois – porém, não foi o que aconteceu.

O efeito foi exatamente o contrário. Este blog, baseado em informações recolhidas no calor da hora, isto é, logo no dia seguinte ao encontro entre Daniel e o prefeito, chegou a registrar que, “em ambiente de paz e amor, Adib fez o seu desabafo pela expulsão do MDB depois de abrir uma dissidência para apoiar Caiado em 2018, mas aceitou as desculpas apresentadas pelo presidente do partido que o expulsou e ficou de dar uma resposta – que já se sabe positiva – para o convite que recebeu para retornar ao partido, quando e como quiser, recebendo o controle da sigla não só na sua própria cidade, mas na maioria dos 11 municípios que estão no entorno de Catalão”. Pois é: não houve nada disso. E a quem acusar a barrigada deste blog, reconheço e peço desculpas.

O que houve, aliás, foi trágico. Daniel Vilela, antes de ir para a casa de Adib Elias, almoçou com Elder Galdino, que hoje tem o controle do MDB catalano, e correligionários. Garantiu a eles que nada mudaria e que eles seguiriam no comando do partido, talvez tendo que tolerar alguma convivência com o adversário prefeito (Galdino disputou a eleição de 2020 contra Adib, quando teve um resultado pífio, ou menos 15% dos votos). Mais grave: um dia antes de visitar Adib, Daniel recebeu Elder Galdino e sua turma em Goiânia, quando os levou ao Palácio das Esmeraldas para uma tranquilizadora reunião com o envolvimento do governador. Anotem aí, leitoras e leitores: quem conhece Adib sabe que ele não engole esse tipo de desaforo.

Durante a visita a Adib Elias, Daniel manteve-se quase silencioso e mostrou-se ostensivamente constrangido, dando a impressão de que foi levado à força pelo deputado federal José Nelto, articulador do encontro. Não seria para menos. Logo após as eleições de 2018, ele e o pai Maguito Vilela (cujo papel nesse triste episódio nunca foi esclarecido) promoveram uma retaliação inédita na história política de Goiás, expulsando do MDB,  os seus principais quadros nos municípios exatamente por fazer o que ele está fazendo agora, ou seja, apoiar Caiado. Foram para a rua portentos geopolíticos como Adib, em Catalão; Paulo do Vale, em Rio Verde; e Renato de Castro, em Goianésia. E houve outros. Ernesto Roller, que era prefeito de Formosa, só não levou o chute no traseiro porque se antecipou e se desfiliou antes. E Fausto Mariano, prefeito da pequena Turvânia, mas barulhento e atuante nos bastidores.

Uma conversa com Adib, portanto, só teria sentido se fosse para a apresentação de um pedido de desculpas e um convite para retornar ao MDB como rei, não como vassalo dos hoje pseudoemedebistas de Catalão, eleitoralmente sem potencial algum. O prefeito catalano, goste-se ou não dele, é uma força da natureza, uma liderança autenticamente forjada nos braços do povo e estadualizada, muito além dos limites do seu município ou da sua região. Por esse Goiás afora, Catalão é a maior e mais importante base que a reeleição do governador tem no interior, à qual só se compara em poderio eleitoral a área de influência do presidente da Assembleia Lissauer Vieira, em Rio Verde e no Sudoeste goiano.

Daniel e Adib tiveram um diálogo de surdos. Nem um nem outro disseram nada que se aproveitasse. A iniciativa de um acordo, claro, deveria ser de Daniel Vilela, que é quem agiu contra Adib Elias e quem mais precisa, no momento, já que é candidato e precisa de votos para uma posição que pode até levá-lo a governar Goiás, no futuro próximo. Só que ele mais uma vez preferiu, ao contrário do que apregoou quando o pai passou à história com a fama de pacificador, “ser mais Daniel e menos Maguito”. Não se desculpou. Não mostrou arrependimento. Nem sequer disse que, se Adib quiser, as portas do MDB seriam reabertas para ele.

Adib é um leão, quieto no seu canto, que absolutamente não compensa provocar e daí que as consequências da visita desastrosa de Daniel Vilela são imprevisíveis. Detalhe: antes, o prefeito falava que o seu apoio a Caiado, mesmo com Daniel na vice, estava mantido. Antes. Depois do encontro com Daniel, passou a formular outra hipótese, que, inclusive, comunicou a Lissauer Vieira, pela identidade de situação que tem com ele (Lissauer também tem rejeição à presença de Daniel na chapa de Caiado): se trabalhar para reeleger o governador, estará também contribuindo para eleger o mesmo Daniel que o perseguiu e expulsou, ajudando a pavimentar a sua escalada rumo ao poder estadual. Por que ele faria isso?

O que, provavelmente, deve ter induzido Lissauer Vieira a pensamentos parecidos. E bem perto de concluir que, se Daniel Vilela coloca as suas questões pessoais acima do projeto político da reeleição de Caiado, por que eles deveriam se submeter e pagar, com prejuízos, a conta dessa fatura?

28 jan

Evangélicos se gabam de não mentir, mas os que estão aboletados na prefeitura de Goiânia não mostraram nenhum apreço pela verdade na questão do aumento abusivo do IPTU

Rogério Cruz deveria parar de brincar de ser prefeito. Como vai, sem avançar um milímetro nas obras inacabadas deixadas por Iris Rezende, com realizações pontuais apenas no varejo, longe de definir um conceito para a sua gestão e periodicamente estrelando manchetes negativas com casos escandalosos envolvendo consultorias milionárias e negócios estranhos que o Ministério Público Estadual tem contestado, tudo isso em apenas um ano de mandato, não chega inteiro ao fim do mandato, ooooops… se chegar.

O recorde de impopularidade em Goiânia pertence ao falecido Paulo Garcia, que deixou o Paço Municipal com apenas 5% de aprovação. Cruz parece determinado a superar essa marca triste. O imbróglio do IPTU, reajustado para a maioria dos proprietários de imóveis na capital mediante índices inaceitáveis, enterra a gestão do atual prefeito para sempre, sem possibilidade de ressurreição. Ele, milagrosamente, tem escapado de ver a sua baixa avaliação estampada em pesquisas sérias, como a do instituto Serpes, divulgada nesta semana, que só perscrutou a aprovação do governo do Estado e não mexeu com a prefeitura de Goiânia. Mas, cedo ou tarde, os seus índices de reprovação e rejeição virão à tona.

Cruz, crente do pé rachado, integra uma seita religiosa cujos membros se gabam de não mentir. Mas, segundo o Popular, ele não só é mentiroso, como também, usando uma expressão de Jesus Cristo, “o pai da mentira”. É que, garante o jornal, com toda a sua credibilidade, “o Executivo municipal mentiu ao afirmar na época da votação que não haveria aumento na arrecadação de IPTU e ITU caso o projeto de mudanças no imposto fosse aprovado. Tanto o prefeito Rogério Cruz, como o secretário municipal de Finanças, Geraldo Lourenço, e o de Governo, Arthur Bernardes, garantiram que a Prefeitura não arrecadaria mais com as mudanças. Na verdade, a previsão subiu de R$ 931 milhões para R$ 1,17 bilhão, bem acima da inflação oficial de cerca de 10%”.

Está aí, com números, a prova de que o prefeito e sua equipe têm pouco respeito pela verdade, mesmo evangélicos em sua maioria. Cruz, que não tem legitimidade por não ter sido eleito, é um que, segundo o Popular, “mentiu” – e lembrando aqui às leitoras e aos leitores que não é comum um grande jornal usar esse verbo para definir declarações de autoridades ou políticos. O prefeito, no entanto, merece. É mais um tijolo na construção do desastre moral e administrativo que se desenha na lambança comanda do alto do Park Lozandes.

É grave. A sina das goianienses e dos goianienses é atravessar os próximos três anos, até a eleição de um novo prefeito, submetida à incúria, incompetência e falta de bom senso, mesmo mínimo, nas decisões inerentes ao conjunto da população. Paulo Garcia, onde se encontra, pode descansar tranquilo. Surgiu alguém que vai passar para a história de Goiânia como o pior que já se assentou na cadeira de prefeito municipal. O pior dentre os piores. Esse título ninguém tira de Rogério Cruz.

28 jan

Daniel Vilela reage, avança no dever de casa, já pacificou as relações com Roberto Naves (Anápolis) e Adib Elias (Catalão) e tenta caminhos para a conciliação com Lissauer Vieira e Rogério Cruz

Maior beneficiário do acordo entre o MDB e o DEM, já que ganhou a vaga de vice na chapa da reeleição do governador Ronaldo Caiado, hoje a caminho da vitória nas urnas conforme comprovado pela divulgação da 1ª pesquisa Serpes sobre a sucessão estadual, com cenário de eleição liquidada no 1º turno, Daniel Vilela resolveu se mexer para buscar soluções para o passivo que a sua aproximação com Caiado criou.

O presidente estadual do MDB já esteve duas vezes com o prefeito de Anápolis Roberto Naves, que tinha a vida atazanada por vereadores emedebistas. Naves, corretamente, reclamou de ser compelido a apoiar uma chapa que privilegia Daniel Vilela, mas ao mesmo tempo enfrentar a oposição de emedebistas quanto a sua administração. Um diálogo se estabeleceu, por iniciativa do filho e herdeiro político de Maguito Vilela, com as coisas caminhando para um entendimento necessário para a campanha de Caiado no 3º maior colégio eleitoral do Estado. Parece bem resolvido.

Nesta semana, Daniel surpreendeu ao visitar o prefeito de Catalão Adib Elias(veja a foto), em sua própria casa, na tarde desta quinta, 27, acompanhado pelo deputado federal José Nelto como testemunha. Em clima de paz e amor, Adib desabafo pela expulsão do MDB depois de abrir uma dissidência para apoiar Caiado em 2018, mas aceitou as desculpas apresentadas e ficou de dar uma resposta – que já se sabe positiva – para o convite que recebeu para retornar ao partido, quando e como quiser, recebendo o controle da sigla não só na sua própria cidade, mas na maioria dos 11 municípios que estão no entorno de Catalão. Isso, para Adib, será decisivo para viabilizar a eleição do seu candidato a deputado estadual, o atual secretário municipal de Habitação Leovil Júnior.

Em Aparecida, quintal eleitoral do prefeito Gustavo Mendanha, Daniel Vilela finalmente vai partir para a ofensiva. Lá, a obrigação de ganhar a praça é dele e de mais ninguém na base governista. Na próxima terça, dia 1º de fevereiro, à noite, ele reúne seus aliados locais, a maioria egressos da equipe que acompanhou e trabalhou com Maguito nas suas duas gestões como prefeito, para propor um plano de mobilização, começando imediatamente com reuniões pequenas nos bairros até alcançar amplitude quando chegar a hora da campanha oficial, tendo como tema, sempre, o legado do seu pai para os aparecidenses – e a tese principal será a de que as obras e projetos importantes para Aparecida foram feitos por Maguito e não por Mendanha.

Daniel Vilela vai indo bem, portanto, recuperando o espaço que deixou de ocupar depois que foi privilegiado como vice de Caiado, porém omitiu-se ao deixar preencher o seu espaço para articular e superar as arestas que a sua consagração na chapa da reeleição do governador abriu em volta do Palácio das Esmeraldas. Só faltam dois itens, agora: 1) resolver a encrenca com o presidente da Assembleia Lissauer Vieira, muito irritado e contrariado com o lançamento de um candidato a deputado federal do MDB no seu terreiro natural, que é o Sudoeste goiano (trata-se do empresário Renato Câmara, de Montividiu) e 2) cauterizar as feridas que restaram do rompimento entre o MDB e o prefeito Rogério Cruz, no início do ano passado, não permitindo, assim, que esses resquícios, de lado a lado, venham a ser usados para inviabilizar uma aliança com o Republicanos a favor da chapa de Caiado.

Da parte de Rogério Cruz, já houve sinais positivos, entre os quais declarações do seu chefe de Gabinete José Firmino garantindo que, por conta do Paço Municipal, não há objeções e que o campo está aberto para a retomada do diálogo. Com Lissauer Vieira, dado ao temperamento forte do presidente da Assembleia, as coisas não serão tão fáceis assim. Mas uma recomposição, como tudo na política, não será impossível.

27 jan

Caiado conseguiu o impossível: em 3 anos de governo, não teve desgastes como inevitavelmente acontece com todos os governantes, é o que comprova a 1ª pesquisa Serpes

Três anos de mandato são um tempo suficiente para desgastar qualquer governante, em qualquer parte do mundo. É natural. Inevitável. Faz parte do jogo. Mas não no caso do governador Ronaldo Caiado: a 1ª pesquisa Serpes sobre a sucessão estadual deste ano comprova que a corrosão da sua imagem foi igual a zero, ou seja; não houve. Numericamente falando, o percentual de intenções de votos que Caiado alcançou no Serpes, ou seja, 37,1%, corresponde a 1,7 milhão de votos, quando, nas urnas de 2018, o resultado contabilizado pela Justiça foi de 1,78 milhão de sufrágios, uma diferença, a mais, em torno de 80 mil votos.

Dentro da margem de erro da pesquisa Serpes, de 3,5 pontos para mais e para menos, essa pequena diferença está plenamente coberta. Comprova, sem discussões, que Caiado não experimentou desgastes desde que assumiu ou que, mais possivelmente, até que os teve, mas foram compensados pela conquista de eleitores antes contrários e talvez também conquistados dentro do contingente de novos inscritos para votar. De qualquer modo, o raciocínio e a conclusão permanecem na mesma: o governador vai buscar mais um mandato com o seu potencial eleitoral praticamente intacto, depois de 3 anos de gestão. Isso o transforma em franco favorito.

E é uma façanha, leitoras e leitores. Caiado tem seus méritos, mas não está acima de críticas e de contestações. Só que essas, até o momento, se mostraram incapazes de abalar o seu prestígio junto a população. A oposição fracassou. No andar da carruagem, a reeleição virá no 1º turno, apontado pela pesquisa Serpes ao configurar para o governador o percentual de 54% dos votos válidos. Troquei mensagens com o experimentado jornalista Afonso Lopes, colega de análise política, e ele referendou essa opinião: “Sim, não houve desgaste na imagem do governador. O cenário é realmente de 1º turno”, teclou ele.

27 jan

Surpresa da 1ª pesquisa Serpes não é Marconi em 1º lugar para o Senado ou Meirelles em 2º, mas Delegado Waldir com 9%, no 3º lugar

A avaliação da 1ª pesquisa Serpes sobre a corrida pela única vaga disponível ao Senado, nas eleições de outubro próximo, trouxe uma revelação que pode mudar o rumo da disputa: pelos números apresentados, ou seja: Marconi Perillo em 1º lugar com 16,6%, Henrique Meirelles em 2º com 14,1% e Delegado Waldir em 3º com 9%, fica comprovado em definitivo que Waldir, enfim, adquiriu perfil majoritário. É um cenário, leitoras e leitores, que se aproxima de um empate técnico entre os três.

Significa ainda que a cogitação de Waldir para a chapa da reeleição do governador Ronaldo Caiado, na vaga senatorial, tem fundamento eleitoral e solidez política, mesmo integrando ele o mesmo partido (por ora o DEM, mas na verdade o União Brasil, logo após a conclusão da fusão com o PSL prevista para daqui a 60 dias). O deputado-delegtado não pode mais ser descartado a troco de nada porque cresceu e se impôs, ao exibir uma popularidade já indicada pelas suas eleições espetaculosas em termos de número de votos para a Câmara Federal e agora pelo seu ótimo posicionamento no levantamento do Serpes.

Portanto, não foi Marconi em 1º lugar na disputa pelo Senado a grande novidade ou surpresa da pesquisa. Assombro mesmo foi o índice do Delegado Waldir, mesmo porque, no caso de Marconi, trata-se previsivelmente do recall do seu nome depois de 20 anos no palco principal da política em Goiás (e o ex-governador tem desafios difíceis para vencer a sua alta rejeição). Quanto a Waldir, o seu trabalho solitário como parlamentar e como influencer nas redes sociais acabou dando resultado – e, apesar de sozinho politicamente, sem problemas porque Henrique Meirelles, outro concorrente bem-posicionado, também não tem grupo, assim como os dois senadores eleitos em 2018 (Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru) não tinham.

Isolamento político, quanto a disputar o Senado, não é problema. Delegado Waldir, corretamente, tem procurado preencher essa lacuna aproximando-se intensamente do governador Ronaldo Caiado. Não há evento, nas grandes cidades, em que ele não compareça ao lado de Caiado, com direito a discurso, fotos e vídeos nos seus perfis no Instagram e no Facebook. Agora, com os números do Serpes, ele ganhou o argumento que faltava para defender a sua candidatura.

27 jan

1ª pesquisa Serpes, instituto que baliza a sucessão em Goiás, mostra vitória de Caiado no 1º turno, com a mesma votação que teve em 2018 (dentro da margem de erro)

As avaliações sobre a 1ª pesquisa do instituto Serpes abordando as eleições de outubro próximo, em Goiás, não trazem muito de novo para o processo político estadual. O governador Ronaldo Caiado, com 37,1%, está em 1º lugar, com o ex-governador Marconi Perillo surpreendendo em 2º lugar (14,1%) e Gustavo Mendanha decepcionando em 3º, ao alcançar apenas 13% depois de mais de um ano em pré-campanha, visitando, segundo ele mesmo, mais de 100 municípios por todos os cantos do Estado. Os candidatos restantes – Major Vitor Hugo (2,6%), Jânio Darrot (1,3%) e Wolmir Amado (0,4%) – simplesmente não existem, com percentuais insignificantes. Mas, de qualquer forma, vale anotar que alguma atenção deve ser dada ao Major Vitor Hugo, a grande novidade revelada pela pesquisa.

Caiado pode comemorar. Na contagem dos votos válidos, ganharia no 1º turno com uma margem folgada ao conquistar 54% dos sufrágios. Além disso, dentro da margem de erro da pesquisa, que o Serpes definiu em 3,5 pontos para mais ou para menos, conserva intactos os quase 1,8 milhões de votos que obteve em 2018, quando faturou a eleição no 1º turno. Isso mostra que o governador conseguiu criar, para a sua gestão, um clima positivo entre as goianas e os goianos, que indicam desde já uma aprovação para o 2º mandato- nos termos desse levantamento do Serpes, já a caminho.

É preciso anotar que o governador sofre uma campanha agressiva por parte da oposição, que muitas vezes tem sido desrespeitosa em relação a ele, como se pode verificar nas redes sociais dos deputados Major Araújo e Delegado Humberto Teófilo, dentre outros. No caso de Marconi, Mendanha e do deputado federal Major Vitor Hugo, eles se pronunciam até certo ponto dentro das regras de educação política, mas sempre contundentes e belicosos. A pesquisa Serpes sugere que, tanto uma quanto a outra linha de retórica, não estão funcionando. Caiado, até agora, não contabilizou prejuízos. Motivo principal? O que dizem não bate com a realidade e daí, pela falta de fundamentação, não pega, configurando um erro infantil de estratégia oposicionista.

Outra conclusão que a pesquisa Serpes permite é que buscar o MDB para a sua base, entregando a vaga de vice na chapa da reeleição ao presidente estadual do partido Daniel Vilela, foi um acerto monumental de Caiado. A manobra tirou o oxigênio da oposição, impedindo, por exemplo, a formação de uma frente de antagonização de alguma solidez. Os cinco oposicionistas citados na pesquisa se assemelham mais a pretendentes avulsos e menos a integrantes de um movimento de reação à hegemonia do atual governador. Atenção: o Major Vitor Hugo, por navegar impulsionado pelos ventos do bolsonarismo, é o único do grupo que tende a crescer, pela ligação com os 27,8% de intenções de voto que o presidente Jair Bolsonaro alcança em Goiás, segundo a mesma pesquisa (Lula lidera, com 40%).  Esse índice do presidente vai assanhar Gustavo Mendanha atrás do PL e do aproveitamento de uma base de votos ideologicamente já consolidada, embora ele não seja capaz de explorá-la como Major Vitor Hugo, esse sim um bolsonarista 100% definido e não um oportunista como o prefeito de Aparecida, que sofre uma forte rejeição entre o grupo identificado com Bolsonaro em Goiás.

Nos próximos posts, continuaremos analisando a 1ª pesquisa Serpes. Tem muito a ser dito.

26 jan

Em manobra arriscada, Caiado zera a estrutura de comunicação do governo a apenas 8 meses da eleição e renuncia a um trabalho estruturado que divulgava com consistência à sua gestão

A saída do jornalista Tony Carlo Bezerra Coelho da Secretaria estadual de Comunicação teve uma consequência que deveria preocupar o governador Ronaldo Caiado: significou o desmonte da eficiente e produtiva rede de divulgação montada e pilotada por Tony Carlo – com amplitude suficiente para cobrir mais de 300 pontos de mídia territorialmente espalhados e dar, diariamente, consistência para as ações do governo do Estado dentro de uma visão coerente e de sequência e conexão para as suas realizações. Não se tratava de divulgar notícias aleatórias, enfim, mas da montagem de uma imagem fundamentada e articulada, conceitual, enfim.

Consta que o afastamento de Tony Carlo está sendo seguido pela desmobilização da sua equipe, liderada pelo veterano e muito mais do que qualificado Deusmar Barreto, com a sua argúcia incomparável e texto tido como entre os melhores da história do jornalismo em Goiás. Com isso, foi para o ralo a estrutura criada desde o início da gestão desse grupo na Secom estadual – e quem conhece do ramo sabe que a remontagem desse projeto de comunicação custará tempo precioso e esforços que poderiam ser destinados a outras áreas, com as eleições se aproximando rapidamente em um horizonte de oito meses e desafios imensos no caminho de Caiado. Vejam bem, leitoras e leitores: eleições daqui a apenas oito meses.

Secretários de comunicação, em qualquer governo, costumam enfrentar fadiga funcional entre um ano e meio a dois anos de governo, muitas vezes menos. Não foi o caso de Tony Carlo. Porém, quase sempre, surge entre os demais secretários e o entorno do governante, inevitavelmente sob agressões e ataques da oposição, seja de onde for, uma tese bajulatória: a de que a gestão vai bem, se desenvolve maravilhosamente e atende a todas as expectativas, mas a comunicação dos seus atos é que não é a ideal. A intriga floresce por encontrar terreno propício entre os auxiliares que se imaginam vítimas inocentes das críticas e, sem entender o contexto social político, acreditam que poderia existir uma situação diferente em que as contestações seriam anuladas e eles e o governo reconhecidos. Alguns por ingenuidade, outros por malícia. Só que isso é uma fantasia infantil.

E ainda mais sob o domínio das redes sociais, campo onde só se destacam o deboche e o palavreado pesado – e quem quiser vencer uma eleição terá que fazê-lo sob o fogo pesado das dezenas, talvez centenas, de perfis que muito raramente dizem verdades, pródigas quase sempre tolices e fake news, em um mundo de superficialidades e bobagens que, no entanto, abala e mexe com os seus alvos. Caiado, se quiser mais um mandato, terá que aprender a conviver e a contornar esse cenário, não ceder a ele.

O novo secretário, não se sabe se provisoriamente ou em definitivo, é um técnico que nada entende de comunicação, Adriano Rocha Lima. Não há precedentes de titulares ex-machina que tenham dado certo na Secom estadual. O lugar também não é para aprendizes, pior ainda com as urnas aguardando o governador em um prazo tão curto. Seja mantido ou substituído, o fato é que qualquer novo ocupante, da área ou não, de Goiás ou de fora, gastará um bom tempo até que consiga recompor a máquina de disseminar notícias até então entregue a Tony Carlo, que ele, aliás, conseguiu também manter dentro de limites éticos e da seriedade e responsabilidade. Seria um ato de inteligência e de pragmatismo, até eleitoral, Caiado reconsiderar.

17 jan

Rogério Cruz precisa reagir e concluir as obras de Iris antes que apareçam pesquisas mostrando a sua baixa aprovação diante da falta de realizações de importância para Goiânia

Rogério Cruz completou um ano à frente da prefeitura de Goiânia. Para não esticar a conversa, é fácil avaliar que, até agora, até que deu algum movimento para o varejão dos serviços públicos a cargo do Paço Municipal. Há poucos buracos nas ruas, mesmo com as chuvas intensas, e a cidade está limpa. Por aí. Mas é muito pouco. O principal é que não conseguiu concluir nem uma única das obras deixadas inacabadas pelo seu antecessor, Iris Rezende.

E, assim, o prefeito não tem nada que apresentar de expressivo. As obras de Iris cobrem toda a cidade e estão por toda parte. Inconclusas, infelizmente. Rogério Cruz não avançou em nenhuma, deixando acumulado sem solução um passivo que impacta a infraestrutura da capital. Pior: o site G1 levantou as 30 principais promessas da chapa liderada por Maguito Vilela, claro, herdadas obrigatoriamente pelo seu vice, e concluiu que apenas duas foram cumpridas: o IPTU social e o auxílio mensal para famílias em vulnerabilidade. Só.

Rogério Cruz, no momento, está recolhido, curtindo uma segunda infecção pela Covid-19. Deveria aproveitar o tempo de repouso para uma reflexão. Vêm aí as pesquisas inerentes ao ano eleitoral, que sempre perscrutam também a avaliação dos governantes. Façam suas apostas, leitoras e leitores: provavelmente, ele, o prefeito, aparecerá com índices baixíssimos. Se não, será uma surpresa.

Não à toa, o desembargador prestes a se aposentar Walter Carlos Lemes, tradicionalmente excêntrico e irreverente (em uma eleição em Goiânia em que presidiu o Tribunal Regional Eleitoral, disse no final que, “graças a Deus, o nosso candidato venceu”) fez uma piada significativa com Rogério Cruz: de positivo, até agora, só apresentou os exames de Covid-19, ironizou.

Abra os olhos, prefeito. Não há nenhum motivo para rir.

17 jan

Em pouco mais de 2 meses, Jackson Abrão repete entrevista com Mendanha e não faz nenhuma das perguntas que o prefeito de Aparecida precisa responder

Nesta segunda, 17 de janeiro, o Jackson Abrão Entrevista, de O Popular, voltou a receber o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, o mesmo que esteve no programa em outubro último e agora retornou com um leque enorme de explicações para dar, mas infelizmente nenhuma das quais levantadas pelo entrevistador.

Irrelevante e dispensável, o material. Jackson Abrão deveria ler uma reportagem do jornalista Rodrigo Ratier sobre o rapper Mano Brown, que tem um podcast de entrevistas hoje fazendo o maior sucesso. Sim, um rapper. Jornalisticamente falando, com 1º da experiência do ex-apresentador da TV Anhanguera. Suas conversas com os convidados são antológicas. O papo com o médico Dráuzio Varela foi espetacular. Com o ex-presidente Lula, sensacional. “Mano Brown é um entrevistador de poucas certezas. Escuta muito mais do que fala e, quando fala, não tem medo de fazer perguntas básicas. Quando expressa pontos de vista, os apresenta como hipóteses e não como verdades evidentes. Parece preocupado em criar pontos de contato com o interlocutor e deixá-lo seguro para se expressar. Acima de tudo, se apresenta como uma pessoa curiosa, genuinamente interessada no que os entrevistados têm a dizer”, avalia Rodrigo Ratier.

O resultado são entrevistas originais, em que sempre aparece alguma coisa de novo. O contrário do que é essa segunda entrevista com Gustavo Mendanha, cá entre nós um político somente pragmático, paupérrimo em ideias e repleto de contradições, que Jackson Abrão não explorou nem na primeira nem na segunda edição do seu programa. Por exemplo, os índices negativos que Aparecida passou a registrar na gestão de Mendanha, mediante pesquisas e estudos de instituições de credibilidade nacional. E o que dizer das 30 mil crianças sem vagas nas creches municipais, o que é obrigação constitucional do município? Ooooops: o que o prefeito diz das sucessivas operações policiais no Hospital Municipal? Por que não consegue um partido para se filiar? E sobre muito mais? Pois é: Jackson Abrão não perguntou. Serviu de escada para a autopromoção do rapaz.

Oba-oba, no jornalismo, não leva a lugar nenhum.

15 jan

Apoio do MDB a Caiado e Daniel Vilela na vice foram jogadas políticas de profundidade, mas falta o filho e herdeiro de Maguito sair do imobilismo e mostrar que tem uma contribuição a dar

Não há segredo: a maior e mais profunda justificativa para a aliança do governador Ronaldo Caiado com o MDB e a consequente indicação de Daniel Vilela como vice é o bem-sucedido objetivo de tirar o fôlego da oposição, praticamente esvaziando e impossibilitando, como demonstrado, qualquer mobilização mais agressiva de forças antagônicas capazes de barrar a reeleição de Caiado.

Sem o MDB, a oposição ficou sem oxigênio. Isso está claro. Não há sequer candidatos claramente definidos, a menos de nove meses da data das urnas. A manobra de Caiado pode ser considerada como uma das mais ousadas, ambiciosas e exitosas da história política de Goiás e, de fato, o é.

Mas, como perfeição é uma meta inatingível, há brechas que precisam ser calafetadas. Não da parte de Caiado, que fez o seu dever de casa até em excesso. Mas por um dos grandes beneficiários da operação, ou seja: Daniel Vilela.

A designação de Daniel para a vice-governadoria trouxe junto um passivo que tem aumentado ao invés de diminuir: 1) a permanência da rejeição dos prefeitos que ele expulsou do MDB exatamente porque apoiaram Caiado em 2018; 2) as reclamações de prefeitos como Roberto Naves, de Anápolis, que tem o caminho atapetado de cascas de banana jogadas por emedebistas locais; 3) a insatisfação de candidatos proporcionais da base governista, como o presidente da Assembleia Lissauer Vieira, que viu despontar na sua principal região de influência, o Sudoeste, um candidato emedebista (Renato Câmara) para dividir a sua votação a deputado federal; 4) a falta de ação em Aparecida, terreno teoricamente natural para a movimentação de Daniel Vilela, onde o prefeito Gustavo Mendanha segue sem enfrentar qualquer oposição ou articulação política alternativa ao seu comando; e 5) a persistência do estremecimento com o prefeito Rogério Cruz, que representa o Republicanos, talvez o principal partido a conquistar para a coligação que vai sustentar a reeleição de Caiado.

Tem mais, mas esses são os pontos cruciais que não deixam de caracterizar uma certa omissão ou, no mínimo, a falta de resultados práticos que Daniel Vilela deveria ter produzido para a campanha de Caiado. No atacado, surpreende a constatação de que ele não age e deixa tudo para Caiado, como, aliás, tem dito nos bastidores. Chama atenção o receio que ele tem quanto a fazer críticas a Mendanha, que o traiu sem nenhum pudor. Até hoje, em meses, limitou-se a dizer que foi o seu pai, Maguito Vilela, que fez as obras de importância para Aparecida e que o atual prefeito se limita a fazer uma “gestão de likes e lives” – o que, convenhamos, é muito pouco para o tamanho do embate eleitoral que se prenuncia para o 2º maior colégio eleitoral do Estado. No ritmo de hoje, os votos para a chapa da reeleição serão ralos em Aparecida, por culpa exclusiva de Daniel Vilela.

Daniel nunca deu um passo para mostrar arrependimento e se recompor com alguns dos prefeitos que ele expulsou. Adib Elias, de Catalão, e Renato de Castro, ex-prefeito de Goianésia, aguardam seu pedido de desculpas, que mostraria nobreza e seria um gesto de enorme empatia. O anapolino Roberto Naves apanha dos vereadores emedebistas, sem um aceno de pacificação por parte do segundo principal candidato na chapa que ele, Naves, vai apoiar em outubro próximo. Lissauer Vieira não foi procurado nem para ouvir a desculpa de que o MDB necessita ter candidatos pelo Estado afora para formar uma chapa competitiva para a Câmara. Aparecida segue politicamente ao léu: em meses, Daniel Vilela só esteve lá acompanhando Caiado em eventos do governo. E Rogério Cruz, apesar de ter sinalizado positivamente e até esperar uma abordagem, continua ignorado pelo presidente estadual do MDB.

Em tudo isso, tem muito de errado. Do ponto de vista dos interesses da base governista e da conquista de mais um mandato, Caiado tem sido impecável e nenhum desses equívocos pode ser atribuído a ele. É Daniel Vilela quem precisa acordar.