Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

23 dez

Para onde o estelionato eleitoral nos levou: Maguito vai administrar Goiânia de uma cama de hospital, através de gestos. E o primeiro ato é a criação de 4 secretarias e mais de 300 cargos comissionados

O preço da eleição de um prefeito fisicamente incapacitado para o cargo será caro para Goiânia. E já está sendo pago. O grupo que controla Maguito Vilela, liderado pelo seu filho Daniel Vilela, começou a gastar por conta: em nome do titular do Paço Municipal a partir do dia 1º de janeiro, mas que não tomará posse nessa data, substituído pelo vice Rogério Cruz, as despesas da prefeitura já foram aumentadas em quase R$ 2 milhões de reais por mês, com a criação de quatro secretarias e uma penca de cargos bem remunerados – pasmem, leitoras e leitores, nada mais nada menos que exatos 249 cargos comissionados e 66 funções de confiança.

Tudo isso foi feito em tempo recorde, com aval do atual prefeito Iris Rezende e tramitação à jato na Câmara Municipal, sem que o prefeito eleito, internado na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, tivesse a menor consciência do que está acontecendo. E aí que está o pior: segundo Rogério Cruz, Maguito, assim que melhorar, vai administrar Goiânia à distância, comunicando-se por gestos e acenos, já que até para falar ainda vai demorar um bom tempo – em razão das sequelas do coronavírus e do pesado tratamento a que ainda está sendo submetido.

Se esse arranjo improvisado de pé quebrado vai dar certo, só o tempo dirá. No momento, a dura verdade a engolir é que o “prefeito” de Goiânia é Daniel Vilela, na condição de procurador informal do pai e com a “credibilidade” decorrente do seu estreito laço familiar. Daniel detém o monopólio das informações sobre o estado de saúde de Maguito, que, além dele, somente a mulher Flávia Telles e os médicos do Albert Einstein conhecem. Se está bem, se está mal, se realmente passa por períodos de despertar, se nesses períodos demonstra alguma noção sobre o que está ocorrendo, tanto consigo próprio, quanto com as questões do governo que está prestes a assumir o comando do Paço Municipal, trata-se, no conjunto, de uma grande incógnita. É segredo de Estado.

Vêm aí, leitoras e leitores, dias dramáticos para a gestão de Goiânia e para a vida dos seus quase 1,6 milhão de habitantes. E uma desde já maliciosa usurpação de poder, em que aquele que foi eleito não mostrará a cara e só enviará mensagens de conteúdo penteado pelos seus prepostos, pelo menos conforme vão dizer. Esse vácuo decisório negativo, nos seus primeiros passos, com mais três centenas de cargos de livre nomeação e gastos mensais inflados, não autoriza nenhum otimismo.

 

Atualização às 1625m de quarta, 23 de dezembro: O jornalista Pablo Kossa publicou avaliação, no portal Mais Goiás, concordando com a tese de que é “conversa fiada” a informação do vice Rogério Cruz de que o prefeito Maguito Vilela vai “validar” o novo secretariado da prefeitura com acenos, do leito do Hospital Albert Einstein. Segundo Kossa, trata-se apenas de “estratégia” para passar alguma credibilidade para a indicação de nomes para a equipe – uma “enganação”, nas suas duras palavras. “Não queiram fazer o povo de trouxa”, advertiu o jornalista. Leia aqui.

22 dez

Viaduto da avenida Jamel Cecílio, inaugurado por Iris nesta terça, 22 de dezembro, estava previsto para ser entregue em setembro. Mesmo assim, faz parte de um sistema viário ainda não concluído

O viaduto da avenida Jamel Cecílio, inaugurado pelo prefeito Iris Rezende na manhã desta terça, 22 de dezembro, estava previsto para ser entregue em setembro. A nove dias do encerramento do mandato de Iris, a obra foi entregue sem que os seus complementos – uma trincheira para dar passagem para a Marginal Botafogo e uma rotatória em nível na Alameda Leopoldo de Bulhões. Sem esses adicionais, o tráfego de veículos continuará complicado na região.

Ninguém consegue entender, com clareza, porque grande parte das obras que o atual prefeito prometeu concluir ainda neste ano não o foram. Os canais de comunicação da prefeitura e o próprio Iris nunca deixaram as coisas em pratos limpos, de tal forma que, hoje, com objetividade, não se sabe o que ficará como legado inacabado para a próxima gestão. Porém, a certeza que se tem é que não será pouco.

Nesses últimos dias de gestão, Iris apressa a agenda de inaugurações, como todo e qualquer administrador público, plantando preventivamente a vacina de que deixará R$ 1 bilhão em caixa para que se terminem o que ele vai deixar em aberto. Mas quem vai assumir no próximo dia 1º de janeiro tem consciência de que não é bem assim. Tanto que novas obras foram cortadas do planejamento do prefeito eleito Maguito Vilela, obviamente porque todos os recursos disponíveis terão que ir para o fechamento da pesada herança de ações iniciadas, mas não finalizadas. Dentre elas, uma das mais onerosas será dar sequência para o recapeamento de cerca de 700 quilômetros de ruas e avenidas, cujo ponto exato de efetivação, na transferência de um governo para outro, não é possível determinar a quantas anda.

Maguito, dentre a miríade de realizações futuras que incluiu no seu plano de governo, acrescentou mais mil quilômetros ao projeto de reasfaltamento. É o tipo da coisa em que não se pode acreditar, ainda mais somada a um hospital municipal, “cidade inteligente”, dezenas de CMEIs e um mundaréu de obras que custariam uma fortuna, inexistente no caixa municipal agora e nos próximos anos. A nova gestão terá poucos recursos disponíveis aplicar, já que será forçada a executar o gravoso testamento que Iris está deixando para a cidade, com algumas dezenas de intervenções infraestruturais incompletas, apesar das promessas. Mas está comprometida politicamente com Iris e não dirá jamais um ai de reclamação.

22 dez

Daniel Vilela intensifica notícias sobre volta de Maguito à consciência: é claro que o objetivo é anunciar medidas e nomear secretários sob a justificativa de que o prefeito eleito aprovou

O presidente estadual do MDB Daniel Vilela vive dias difíceis; ele precisa arranjar saídas para fugir da acusação de ter sido o mentor de um estelionato eleitoral em Goiânia, promovendo a eleição do seu pai Maguito Vilela sem condições físicas para exercer o cargo de prefeito municipal. Na campanha do 1º e do 2º turnos ele, Daniel, foi a principal fonte de informações manipuladas, dando a entender o tempo todo que o candidato estava perto da recuperação e da alta hospitalar, podendo, sim, ser votado sem que as eleitores e os eleitores se preocupassem com qualquer incapacidade futura para assumir o mandato.

Eleito, por margem apertada, é bom lembrar sempre, Maguito não se recuperou, seguiu como ainda segue em estado grave e não tem a menor perspectiva de um dia vir a comandar o Paço Municipal, diante das decorrências que estará enfrentando após curado da Covid-19. Mas Daniel Vilela segue ativo. Depois de, infundadamente, garantir que o pai estaria restabelecido a tempo de tomar posse em 1º de janeiro, o que estava e está longe da verdade, arvorou-se agora em apregoar a versão de que o doente está se comunicando por gestos e sinais, durante momentos em que a redução do coma induzido permite que abra os olhos e veja o que acontece ao redor.

Mais uma vez, leitoras e leitores, não acreditem. É evidente que se trata de uma estratégia de comunicação que visa a justificar as primeiras decisões do prefeito que realmente estará à testa do poder municipal daqui a nove dias, o vice Rogério Cruz, que agirá – pelo menos no começo – sob a tutela de Daniel Vilela. Se houver necessidade, as medidas iniciais e a nomeação de secretários poderão ser atribuídas ao próprio Maguito, que estaria concordando com acenos da cabeça ou de um dos dedos polegares levantado, símbolo de anuência ou de opinião positiva, legitimando cada ato. Afinal, foi o filho quem seguidamente assegurou às goianienses e aos goianienses que o pai estaria apto para corresponder às pesadas responsabilidades recebidas das urnas. Isso, agora, tem que ser levado às últimas consequências, sendo caso de se perguntar: será que Goiânia vai sobreviver a essa irracionalidade, gerenciada à distância de um leito hospitalar?

O próprio médico-genro de Maguito, o dr. Marcelo Rabahi, já explicou que manifestações de pacientes nessa mesma situação não podem ser interpretadas literalmente e que não é possível determinar até que ponto representam alguma compreensão sobre as coisas de que se tenta comunicar. Há muito de reflexo mecânico, natural nos seres humanos exânimes e imobilizados em camas de hospital. O que se tem como certo é que o prefeito eleito tão cedo não estará pronto para a missão de administrar Goiânia, não se conhecendo ainda a extensão das sequelas que o atingirão – e é certo que, em algum grau, isso acontecerá. O desdobramento disso, infelizmente, é o pior: um vácuo decisório na prefeitura, prejudicando a gestão dos problemas que incomodam o dia a dia da população, que elegeu Maguito e não Daniel Vilela ou Rogério Cruz para essa função.

22 dez

Plano de Maguito para transformar Goiânia em “cidade inteligente”, exaltado por O Popular, beira o ridículo e não passa de uma mera informatização de alguns serviços

O tal plano do prefeito eleito Maguito Vilela para transformar Goiânia em “cidade inteligente”, exaltado em duas matérias de O Popular, não passa de uma mera informatização de alguns serviços através de softwares que serão comprados, passando longe de uma visão integrada de todas as obrigações da prefeitura e da facilitação do seu acesso para a população – principalmente as camadas mais carentes. Para piorar, muitas das propostas, como se vê no gráfico acima publicado pelo jornal, são  antigas e superadas. Algumas delas, como a disponibilização de wi-fi em praças e logradouros, já foram exaustivamente testadas e não deram certo, diante, por exemplo, da democratização da internet via aparelhos telefônicos celulares e o advento do 4K. Até o velhíssimo projeto de “requalificação do centro”, presença infalível no discurso de todo e qualquer candidato a prefeito, nos últimos 20 anos ou mais, foi enfiado no cartapácio.

Maguito, quando começou a sua campanha e antes de ser atacado pelo coronavírus, andou mencionando em entrevistas e discursos a ideia de uma “cidade inteligente”. Quanto mais abordava o assunto, mais deixava claro que não sabia do que estava falando. Quem o conhece sabe que ele sempre foi e é analógico. De digital, o máximo a que chegou foi fazer ligações no smartphone,  responder as mensagens no WhattsApp e abrir um aplicativo ou outro. Suas manifestações sobre a nova Goiânia que ele pretenderia implantar basearam-se em informações e conceitos que provavelmente ouviu de colaboradores, mas não entendeu, se é que estava assessorado nesse nível. O resultado acabava em forma de salada, conforme expresso no plano  de modernização da capital: uma mistura estapafúrdia de ações como a criação de museus do futebol e da música sertaneja com uso de drones para monitorar as ruas.

Na cabeça de Maguito, a vizinha Aparecida, que governou por dois mandatos, é uma “cidade inteligente” só porque o seu sucessor Gustavo Mendanha montou um limitado sistema de videomonitoramento de alguns pontos de maior movimento, cuja utilidade prática não foi demonstrada até hoje – a não ser para receber visitas e apresentar o painel de telas de LED como um trunfo político. A sala foi exibida nos programas de televisão do MDB em Goiânia, ajudando a fundamentar visualmente a promessa de fazer de Goiânia um lugar em que a gestão municipal seria a mais avançada possível. Muitos caíram na esparrela. Pelo que foi resumido na reportagem do entusiasmado O Popular, não vai acontecer.

Hoje, é consenso que não cabe a um município cuidar de políticas de geração de empregos ou de industrialização (itens que também estão no planejamento que Maguito registrou no TRE). O que importa, para valer, é a prestação de serviços de qualidade, dentro de uma concepção integrada da vida urbana, que não deixa de fora setores como a saúde, a educação, a mobilidade, o meio ambiente, o saneamento, o abastecimento e, como escopo para tudo isso, a sustentabilidade. Cidade inteligente, assim, é muito mais que apenas usar tecnologia intensiva ou recorrer massivamente à internet das coisas. Um centro urbano do futuro fundamenta-se em um sistema de inteligência articulado que permita um melhor gerenciamento administrativo, oferecendo conforto para os seus moradores em um ecossistema agradável, seguro e com foco nas cidadãs e nos cidadãos.

O pano de fundo de uma cidade inteligente é o urbanismo, abrindo espaço para a definição de moradias diferentes, uso coletivo dos espaços e prioridade para o pedestre, levando a uma redução da circulação dos habitantes capaz de aliviar o tráfego. Além disso, incentivo à inovação e à pesquisa, mesmo que não se tenha um polo específico para essas atividades, porém viabilizando a conexão com outros pontos – em outras cidades – de desenvolvimento científico, liderando a região metropolitana. Na verdade, é mais do que disponibilizar apps para interagir com as faixas da sociedade e, sim, reorganizar os serviços públicos para garantir uma gestão mais eficiente. Mais também que lotar Goiânia de câmeras e semáforos responsivos, item, em especial, que tem grande destaque no plano de Maguito, copiando a experiência supostamente bem sucedida de Aparecida..

Cidade inteligente é um conceito, enfim. E um dos seus aspectos é a incorporação de tecnologia, que o novo prefeito, um político de corte tradicional e vindo do passado distante, confunde com a ideia em si. Não é o que Goiânia será algum dia, pelo menos através do caminho escolhido por Maguito.

18 dez

Encontro de Rogério Cruz (acompanhado e vigiado de perto por Daniel Vilela) com Caiado, no Palácio das Esmeraldas, tem o significado de “posse” como prefeito de Goiânia

O vice-prefeito eleito Rogério Cruz está extraoficialmente empossado como prefeito de Goiânia. É esse o significado do encontro reservado que ele teve nesta quinta, 17 de dezembro, com o governador Ronaldo Caiado, no Palácio das Esmeraldas, que antecipou na prática a posse formal no comando do Paço Municipal no próximo dia 1º de janeiro, já que o prefeito eleito Maguito Vilela não terá condições físicas para receber o bastão de Iris Rezende. Acompanhado e vigiado de perto pelo presidente estadual do MDB Daniel Vilela, Rogério Cruz foi ao palácio cumprir a sua primeira missão como prefeito de fato da capital.

É certo que os três – Cruz, Daniel e Caiado – discutiram questões administrativas em que as esferas de poder estadual e municipal confluem. Mas houve mais. Daniel Vilela informou que o pai não tem a menor possibilidade de assumir tão cedo a prefeitura, mas que, como filho, continua otimista, porém reconhecendo que Maguito segue em estado grave e com perspectivas de enfrentar sequelas tão dramáticas que corre o risco de ter o seu futuro comprometido, não retornando nunca mais ao que era antes do ataque da Covid-19. Caiado, que é médico, já tinha esse prognóstico. Talvez não com essas palavras exatas, embora com o mesmo conteúdo. O comunicado de Daniel Vilela, acompanhando de um agradecimento emocionado, retribuiu a gentileza do governador, que, logo no começo da doença do prefeito eleito, ligou para sugerir a transferência urgente dele para o Hospital Albert Einstein – o que, se não tivesse sido feito, teria custado a vida de Maguito.

As goianienses e os goianienses escolheram Maguito para a prefeitura acreditando na conversa do MDB e principalmente de Daniel Vilela de que a recuperação estava em andamento e que a alta hospitalar seria iminente. Papo furado, mas funcionou. Quando alguém compra um produto e recebe outro, o nome que se dá a esse delito capitulado no Código Penal é o de estelionato, que também é o mesmo que induzir outrem a erro para tirar proveito. É crime. Mas, na política, não é. E foi exatamente o que houve em Goiânia: um estelionato eleitoral. Até hoje, aliás, não se fala a verdade sobre a situação de Maguito, prestes a completar 60 dias de padecimento em camas de hospitais com o organismo fragilizado ao extremo, inclusive sofrendo com uma perda severa de peso. A lista de consequências danosas a que está exposto, daqui em diante, é imensa. Viver, para ele, terá o sentido de cuidar intensivamente da sua saúde, dia e noite, sem qualquer possibilidade de se dedicar a um cargo que tem responsabilidades com a coletividade e exige diariamente um grande esforço físico e mental. Tudo isso continua oculto em uma zona de sombras.

Podemos, todos, ir nos acostumando com Rogério Cruz na prefeitura. E com Daniel Vilela como eminência parda do Park Lozandes. No que isso vai dar, só Deus sabe.

17 dez

Politização da vacina anticoronavírus, em Goiás, é uma vergonha patrocinada por Marconi para tentar desgastar Caiado e constrange até os prefeitos que ele envolveu na manobra

Valendo-se da sua amizade pessoal com o governador de São Paulo João Dória, um dos maiores beneficiários das verbas de publicidade das gestões tucanas em Goiás, o ex-governador Marconi Perillo montou uma operação farsesca para levar cinco prefeitos eleitos pelo PSDB até o Instituto Butatan, em São Paulo, onde supostamente se prontificaram a adquirir em primeira mão as vacinas que estão na iminência de serem produzidas contra a Covid-19. Aceitaram participar desse triste espetáculo Valmir Pedro (Uruaçu ), Carlos Lereia (Minaçu), Vando Vitor (Palmeiras), Paulo Sérgio de Rezende (Hidrolândia), este último também presidente da Associação Goiana dos Municípios – AGM e Marden Júnior, que foi eleito em Trindade e é do Patriotas, mas integrante do grupo do atual prefeito da cidade, Jânio Darrot (e do padre Robson), presidente estadual do PSDB, partido cuja ficha assinará tão logo seja empossado.

Quem está acompanhando as notícias a respeito já percebeu o constrangimento desses cinco prefeitos. A Coronavac, que o Butantan distribuirá em breve, tem tecnologia científica chinesa e desperta desconfianças – infundadas – a ponto de uma pesquisa do Datafolha mostrar que 70% da população tem receio da sua origem. Além disso, seu preço é elevado: cada pessoa precisa de duas doses, o que duplica o gasto em relação a vacinas como a da Pfizer ou a da AstraZeneca. Isso significa que esses prefeitos estarão comprometendo recursos para o início das suas gestões, enquanto o governo federal, em parceria com o governo do Estado, oferecerá concomitantemente imunizantes a custo zero para as municipalidades.

Para fazer oposição de qualquer maneira e empenhar-se em desgastar Caiado, Marconi está empurrando seus aliados municipais para uma fria. O prefeito eleito Marden Jr. por exemplo, disse a O Popular que a intenção de comprar as vacinas do Butantan estaria esvaziada caso o Ministério da Saúde decida, como já decidiu, oferecer, por sua conta, o anti-Covid-19 para todos os municípios brasileiros, dentro de uma escala de prioridade para a faixas de risco da população, com dispêndio zero. Comprar as vacinas por conta própria, portanto, seria uma despesa desnecessária, consumindo o caixa de prefeituras que já não estão tão bem assim em termos financeiros, seja qual for.

Um assunto importante e decisivo como a luta contra a pandemia não deveria servir de mote para politicagem barata. A tese do governador Ronaldo Caiado – correta – é a de que as goianas e os goianos devem ser encarados como um conjunto, vacinando-se progressivamente todos eles, sem que uma ou outra cidade saia na frente ou sem privilégios para quem quer que seja, por uma questão de garantia dos direitos fundamentais de  todos. O governador, inclusive, defendeu essa posição em termos nacionais e recebeu aplausos. Marconi, em vez de oferecer suas boas relações com João Dória para o encaminhamento de soluções que atendam ao Estado inteiro, sem deixar ninguém para trás, preferiu se apequenar na tentativa insana de apenas causar prejuízos para a imagem de Caiado. É uma pena e mostra que o ex-governador ainda não tomou o caminho do bem.

17 dez

Investigações policiais no Hospital Municipal de Aparecida, com secretário da Fazenda e mulher se recusando a depor, remetem para a existência de uma caixa preta na prefeitura, que precisa ser aberta

A polícia civil está aprofundando as investigações sobre fraudes praticadas no Hospital Municipal de Aparecida, onde a prefeitura vinha pagando exames laboratoriais a preços superfaturados, além de outras irregularidades. A apuração recebeu o nome de Operação Falso Positivo e flagrou, no escritório de um laboratório particular instalado dentro do hospital, a mulher do secretário da Fazenda do município André Rosa. Trata-se de Edlaine Rosa, encontrada pelos policiais despachando papéis e dando ordens a servidores. Intimados os dois – André e Edlaine – para depor, ambos compareceram, mas não responderam as perguntas invocando o direito de permanecer em silêncio.

É um caso suspeito e também sintomático do que se passa na prefeitura local. Que lá dentro existe uma caixa preta à espera de ser aberta, existe. Contratos e despesas com publicidade, por exemplo, clamam por esclarecimentos, desvendando-se a estrutura de agências de propaganda subordinadas ao prefeito Gustavo Mendanha – que, a propósito, está criando uma Secretaria de Comunicação para trabalhar as verbas de divulgação, ideia que ele não mencionou na campanha. Aparecida já tem 21 pastas, mais que Goiânia, por exemplo, administrada por Iris Rezende com apenas 14 secretarias. Gustavo Mendanha, não satisfeito, está implantando mais três. Além da Comunicação, virão também uma para a Cultura e outra para a Segurança (que é assunto de competência estadual, diga-se de passagem).

Nos dois mandatos de Maguito Vilela, Aparecida foi para as manchetes com as seguidas denúncias de improbidade na gestão, por conta do Ministério Público. Quase 50 secretários e auxiliares tiveram e continuam com as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios. Uma lambança administrativa, enfim. Que pode ter prosseguido. O atual secretário de Saúde Alessandro Magalhães, um dos alvos da Operação Falso Positivo, foi nomeado por Gustavo Mendanha para o cargo mesmo tendo sido condenado por fraudes no Hospital Araújo Jorge, em Goiânia, investigadas pela polícia civil através da Operação Biópsia. Horrorizem-se, leitoras e leitores: Alessandro Magalhães foi sentenciado a 4 anos e seis meses de prisão, em regime semiaberto. Recorreu e encontra-se confortavelmente comandando as verbas públicas que Aparecida destina para a saúde.

A reeleição de Gustavo Mendanha, com maioria esmagadora de votos, não é salvo-conduto para nada. Nem julgamento que o livra de responsabilidade por quaisquer embrulhadas administrativas, pior ainda do tipo da que ocorre no momento no Hospital Municipal. Não justifica o seu endeusamento e transformação precoce em candidato a governador em 2022. Há que se lançar olhos para o que está por trás, em especial a manipulação de notícias sobre a prefeitura e o imenso passivo de carências urbanas e sociais que segue em aberto pelos bairros afora. Um exemplo dessa distorção foi a festiva comemoração do surgimento do nome de Aparecida em um painel luminoso da icônica Times Square, em Nova Iorque, como prova da pujança e do acerto da atual gestão. Não é real. A verdade é que uma grande empresa de maquininhas de cartão, a Stone, comprou o espaço para homenagear empreendedores de 219 cidades brasileiras. De Goiás, foram citadas mais de 10, entre elas Aparecida, mas até o jornal O Popular caiu na esparrela, informando à sua plateia que “empresa homenageia Aparecida na Times Square” na tela da bolsa Nasdaq, e escondendo os demais municípios goianos citados (veja fotos de alguns acima). Há um visível esforço para forçar uma imagem de unanimidade para Gustavo Mendanha. E, como toda unanimidade, essa é perigosíssima por envolver o futuro dos quase 600 mil aparecidenses.

 

Atualização ao meio dia de 17/12: O Popular corrigiu o erro e publicou matéria informando que Aparecida não foi a única citada no anúncio publicado pela Stone no painel luminoso da Nasdaq na Times Square. Exatamente 219 outros municípios foram mencionados, entre eles 12 de Goiás.

 

14 dez

Recuperação total de Maguito, pelo menos a ponto de governar Goiânia, é provável ilusão alimentada pelo MDB e por Daniel Vilela. É melhor já ir se acostumando ao salto no escuro que vem aí

O prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela segue internado em estado grave na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, depois de atacado pela Covid-19 e ter se livrado do vírus, mas enfrentando agora as sequelas desse mal que cobra um preço caro das suas vítimas. No caso de Maguito, as consequências são duplas: por um lado, vai padecer para o resto da vida dos efeitos deletérios da própria doença e, por outro, também sofrerá com as implicações negativas do pesado tratamento a que foi submetido. Tudo confluindo para uma situação de imprevisibilidade no seu futuro, que exigirá um acompanhamento médico intensivo e novos tratamentos para suportar as dezenas e dezenas de decorrências a que estará exposto, envolvendo as suas faculdades físicas, mentais e intelectuais.

Maguito não vai assumir a prefeitura no dia 1º de janeiro. Nesse dia, o estelionato eleitoral armado pelo MDB e pelo filho Daniel Vilela resultará na posse do vice Rogério Cruz, em quem as goianienses e os goianienses não votaram, porém terão que engolir. Rogério Cruz é uma incerteza. Ninguém sabe como ele se comportará, o que fará e quais as aptidões que possui para o cargo, fora o suposto amadurecimento pela idade (tem 54 anos) e os oitos anos de mandato como vereador em Goiânia. Todas as dúvidas crescem ainda mais diante das hipóteses traçadas para o seu relacionamento com o MDB e com o pimpolho herdeiro de Maguito, candidato a eminência parda na nova gestão que tomará conta do passo municipal daqui a alguns dias.

A receita explosiva. É ilusão acreditar que Maguito vai se restabelecer e poderá, em um certo momento, sentar-se na cadeira de comando do Paço Municipal. Salvando-se, não será nunca mais o mesmo de antes. Pela sua faixa etária, nem deveria insistir, caso venha milagrosamente a ter um mínimo de condições para exercer um cargo que tem um elevado comprometimento coletivo e exige dedicação absoluta, assim como não deveria ter sido candidato, arriscando-se imprudentemente ao contágio quando já tinha conhecimento da sua falta de resistência ao coronavírus (duas irmãs igualmente idosas morreram em um espaço de 10 dias, atacadas pela Covid). Seria a continuação de uma irresponsabilidade, quando poderá, inclusive, ser novamente reinfectado. O Maguito sobrevivente, se houver, deveria ficar em casa, cuidando-se. O que está em curso, portanto, é um jogo de faz de conta, que não teria maior importância se estivesse limitado à família ou aos amigos. Ao contrário, diz respeito ao futuro de toda uma cidade. O que vem aí é um salto no escuro.

11 dez

Enquanto Maguito entra em fase de cuidados paliativos, crescem as dúvidas e preocupações com o vice Rogério Cruz, que pisa em ovos, enquanto Daniel Vilela também pisa

O prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela encontra-se em situação desesperadora na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, a essa altura submetido a cuidados paliativos, ou seja, destinados a minorar o seu sofrimento, diante da falta de perspectiva para a sua recuperação depois do forte ataque que sofreu do novo coronavírus, para o qual, de resto, não tinha nenhuma resistência genética (duas irmãs, igualmente idosas, morreram atacadas pela doença) e ao qual  jamais deveria ter sido exposto pela condução irresponsável da sua campanha. Pode ser, hoje, que Maguito seja, em termos mundiais, o paciente que mais recebeu e recebe cuidados qualificados para tentar sobreviver à Covid-19, a um custo inimaginável para a maioria dos mortais e viável apenas em um hospital de elevado nível de tecnologia  e também considerado como o melhor da América Latina, o Albert Einstein, em São Paulo, destaque em excelência na América Latina.

Enquanto isso, um falso processo de transição foi instalado na prefeitura de Goiânia. Parece até que aqui a 20 dias, Maguito vai assumir o comando do Paço Municipal, mas isso não vai acontecer. E provavelmente não acontecerá nunca. As sequelas que enfrentará são as piores e, ainda mais pela sua idade, caso sobreviva, deverá – ou deveria – se recolher a uma vida de cuidados médicos intensivos e pouco desgaste físico, o contrário que se espera de quem está em um cargo pesado como o de gestor administrativo da capital. Por ora, o fato é que, sem Maguito, qualquer transição é fake, um espetáculo montado para dar falsas satisfações a Goiânia. O prefeito Iris Rezende nomeou cinco secretários e a campanha do MDB, oficialmente através de ofício assinado pelo vice-prefeito eleito, indicou seus representantes para a discussão sobre a saída de um governo e a entrada de outro. São também cinco, sob a direção já aguardada de Daniel Vilela. A novidade, quase despercebida, é que, sintomaticamente, um deles, o desconhecido José Alves Firmino, foi escalado em atendimento a Rogério Cruz, de quem é chefe de gabinete na Câmara Municipal. É um primeiro e significativo sinal, da maior importância em tudo o que está ocorrendo em nome de Maguito, na sua ausência, e vai sobrevir.

Sim, leitoras e leitores, Rogério Cruz é uma perigosa incógnita. Daqui para ali, pode virar titular da prefeitura em definitivo, pelos próximos quatro anos e não é possível antecipar como procederá. Pelos seus antecedentes e pelo respaldo que tem de uma instituição poderosa como a Igreja Universal, tem tudo para não aceitar cabresto. Como é um homem experimentado e amadurecido, pode ser que se abra ao diálogo, mesmo porque qualquer prefeito precisa de uma base política na qual possa se sustentar, mas dependendo das circunstâncias de igual para igual – e elas estão batendo à porta. O MDB inteiro treme só de pensar nessa hipótese. Daniel Vilela também. Ganhar a eleição exigiu sacrifícios, um deles do próprio Maguito, exposto inconsequentemente ao novo coronavírus durante a campanha. De repente, entre os dedos, o troféu conquistado ameaça escorrer. É por isso que se diz que o filho, herdeiro e dono de tudo no MDB pisa em ovos ao se relacionar com o vice (e daí a inusitada presença de um preposto dele na comissão de transição), que por sua vez também anda como um gato sobre brasas ao interagir com Daniel Vilela. Que Rogério Cruz vai ser prefeito, vai. Se efetivo ou provisório, não se pode dizer ainda. Que vai ser prefeito, de qualquer maneira, por um longo período de tempo, também vai. A caneta será dele, só que, se de alguma forma Maguito voltar, vira fumaça no ar. Fica sem tinta. Portanto, todo cuidado é pouco, tanto no caso de Rogério Cruz quanto no de Daniel Vilela, enquanto duram as incertezas. O que vem aí para Goiânia só Deus sabe. A cidade elegeu um e vai ter que engolir outro.

11 dez

Nota da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro sobre morte de médico em situação parecida com a de Maguito é alerta para a gravidade da Covid-19 e do que está acontecendo no Brasil. Leia

A Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, em manifestação sobre a morte do médico associado Ricardo José Lopes da Cruz, de 66 anos, ocorrida no dia 7 de dezembro, depois de um ataque da Covid-19 com gravidade semelhante ao que acometeu o prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela, emitiu uma nota oficial que é um documento perfeito do que está acontecendo no Brasil, no momento, e a propósito do tratamento que essa vítima recebeu para tentar superar a nova doença.

Vale a pena tomar conhecimento, leitoras e leitores. O texto pode ser acessado aqui. Lembrando que há dois aspectos a considerar: um, coletivo, quanto a ameaça que o novo coronavírus continua representando para todos os brasileiros e outro, individual, que remete às coincidências com o caso de Maguito. Em grupos médicos, existe a avaliação de que o político emedebista recebeu e está recebendo um tratamento que poucos pacientes no mundo tiveram, mas mesmo assim não apresenta melhoras.

Leiam.

11 dez

Com ajuda de Dória, Marconi abre “guerra da vacina” contra Caiado, mas algo tão importante para as goianas e os goianos, como se livrar da Covid-19, não deveria ser objeto de politicagem

O ex-governador Marconi Perillo voltou à ativa e está novamente mergulhado até o pescoço na política, depois de passar em regime de discrição quase que absoluta a última campanha municipal – não por opção, porém por imposição da sua difícil e complicada situação desde que foi massacrado nas urnas, em 2018, e foi lançado no ostracismo alegadamente para trabalhar em uma consultoria empresarial em São Paulo e ao mesmo tempo dar atenção total às dezenas de processos judiciais a que responde. Não pensem, no entanto, leitoras e leitores, que ele voltou para discutir políticas públicas ou debater propostas para o futuro de Goiás e dos seus habitantes, fazendo oposição, com ideias, ao governador Ronaldo Caiado – como é a obrigação de todo político desalojado do poder, em qualquer parte do mundo.

Nada disso. Marconi está agora envolvido com quimeras e bobagens desajuizadas, além de trilhar um caminho perigoso, que pode implicar em prejuízos para as goianas e os goianos: ele está abrindo uma “guerra da vacina” contra Caiado, ou seja, está buscando a instrumentalização do mais importante tema de preocupação coletiva, no momento, em todo o mundo, que é a eliminação do novo coronavírus através de um amplo e confiável programa de vacinação, para tentar desgastar o governador. Para isso, ele enviou a São Paulo um preposto de confiança – o prefeito de Hidrolândia e presidente da Associação Goiana de Municípios Paulo Sérgio – para um encontro com o governador João Dória e a abertura de uma negociação direta para que as prefeituras comprem as vacinas produzidas pelo Instituto Butatan, que pertence ao governo paulista.

É triste. Dória, claro, entrou na articulação deletéria do amigo e parceiro de Goiás, retribuindo os favores que recebeu quando era apenas um empresário de comunicação e se fartava com verbas publicitárias de milhões de reais do governo então presidido pelo aliado. Em meio a um noticiário confuso, onde não ficou claro se ele recebeu ou não o prefeito Paulinho, deixou passar a sinalização de que poderia atender a demanda. Se isso vier a acontecer, Caiado seria atropelado, ao assistir emparedado a um ou outro município vacinando as suas cidadãs e os seus cidadãos, enquanto o resto do Estado continuaria aguardando uma solução abrangente, que, como defende o governador, deveria obrigatoriamente vir do governo federal, dentro de uma coordenação nacional. É o lógico e o esperado, no sentido de que os direitos à saúde de toda a população brasileira, equanimemente, sejam garantidos, com tratamento igual para todos. Fora daí, qualquer outra decisão envolvendo a vacina contra a nova doença não passaria de inaceitável manipulação politiqueira.

Felizmente, o governador de São Paulo tem uma limitação: é candidato a presidente da República em 2022 e precisa mostrar para o país que é confiável e responsável. As vacinas que o Instituto Butatan está começando a produzir, por muito tempo, mal serão suficientes para atender às paulistas e aos paulistas. Vender para outros Estados e municípios pegaria mal. O lance armado por Marconi, assim, ficará restrito a um jogo de cena. O prefeito de Hidrolândia, que se prestou a um papel deplorável, vai voltar com o rabo entre as pernas e ser reconhecido como inocente útil para manobras inescrupulosas, em pouco tempo. Quanto a Marconi, deveria aceitar que, entre puxar o tapete de Caiado e apoiar o que é melhor para o povo goiano, deveria ficar com a segunda hipótese. Seria mais condizente com a sua biografia, se é que se preocupa em preservá-la.

11 dez

Enquanto Daniel Vilela anunciava que “ele estará em breve em plenas condições não só para tomar posse, como para liderar a gestão”, Maguito piorava e agora está mais grave do que antes

Mais uma vez, não se confirmaram as previsões otimistas do filho Daniel sobre o estado de saúde do prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela. A exemplo do que fez durante a campanha, continuou e continua fazendo depois de encerrada a eleição, se esmerando em criar expectativas falsas para uma rápida melhora e uma iminente alta hospitalar, Daniel Vilela disse nesta quinta-feira, 10 de dezembro, que o paciente ilustre “estará em breve em plenas condições para não só tomar posse, como também para liderar a gestão tão importante e escolhida pelos goianienses pelos próximos quatro anos”. Poucas horas depois, na madrugada desta sexta-feira, 11 de dezembro, internado na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Maguito teve uma hemorragia nos pulmões e acabou submetido a uma cirurgia de emergência, com o seu médico particular (e genro) Marcelo Rabahi admitindo que, com isso, ele está agora “pior do que antes”.

Parte das atitudes irresponsáveis de Daniel Vilela sugerindo que tudo estará bem “em breve”, o que sempre fez, pode ser explicada e entendida pela sua estreita ligação familiar: é compreensível que, ansiando pela salvação e recuperação do pai, ele alimente expectativas fora da realidade, até mesmo a de um milagre. Mas não é apenas isso. Há interesses ocultos, infelizmente. Antes das urnas, ele quis salvaguardar as intenções de voto de Maguito, evitando prejuízos para a campanha do MDB. Depois, se esforça para evitar que as goianienses e os goianienses que escolheram o candidato emedebista se decepcionem e aceitem uma situação provisória que, com certeza, será negativa para a prefeitura e no final das contas provavelmente prejudicará a cidade. Daí as informações estrategicamente vazadas sobre lágrimas que Maguito teria derramado ao ser comunicado por uma enfermeira da vitória no 2º turno ou a propósito de um início de superação da doença e das suas consequências nefastas ao responder com gestos a informações sobre o que passa na transição da gestão em Goiânia.

Este blog sempre alertou: não acreditem nisso, leitoras e leitoras. A motivação primordial é política, conforme esclarecido no parágrafo anterior. De certa forma, é uma falta de respeito para com o público e para com Maguito, em um processo de padecimento que deveria ser objeto da maior seriedade e da maior transparência possível. Faltou e continua faltando sobriedade na abordagem, desonesta, dada ao assunto durante a campanha e mantida até hoje. Maguito, desde que foi atacado pela Covid-19, repita-se, por negligência sua, dos seus familiares e dos seus assessores (aliás, com os antecedentes de duas irmãs igualmente idosas mortas em poucos dias pela doença, jamais deveria ter assumido uma candidatura que implicava em exposição ao contágio), nunca teve avanços positivos. Suas condições só se agravaram a cada dia. Está recebendo o mais qualificado tratamento que existe no mundo, a custos inimagináveis, e mesmo assim não dá sinais de restabelecimento.

Que Maguito sobreviva, é o que todos desejam, inclusive este blog. Mas que prevaleça sempre a verdade, somente a verdade e essa é dura: não vai assumir o Paço Municipal no próximo dia 1º de janeiro e pode ser até que jamais o faça, mesmo escapando.

09 dez

Condições físicas de Maguito são impeditivas para diplomação, posse e talvez até o exercício do mandato. Assunto não é tabu, por envolver o interesse coletivo, e precisa ser tratado objetivamente

Com 50 dias de internação hospitalar, atualmente intubado e submetido a hemodiálise contínua no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, o mais caro do país, com despesas médicas que a esta altura já devem ter superado os R$ 2 milhões de reais, o prefeito eleito de Goiânia Maguito Vilela segue em condições físicas que ninguém, no momento, sabe precisar com exatidão – talvez nem mesmo os qualificados profissionais de saúde que o assistem. A linguagem fria e técnica, além de resumida, dos boletins oficiais do Albert Einstein não possibilitam uma visão desanuviada sobre o que está se passando com o paciente, levando a uma conclusão inevitável: ele continua em estado grave ou gravíssimo, perdeu peso, não tem consciência de nada e não estará em condições de ser diplomado, em solenidade marcada para os próximos dias, e muito menos de tomar posse no dia 1º de janeiro. Em uma linha: tão cedo não falará, não se alimentará normalmente e não ficará de pé. Seus pulmões, que chegaram a quase 100% de comprometimento, jamais voltarão a funcionar como antes.

É a dura realidade, infelizmente. Em grupos fechados de médicos, isso é dito sem censura. Que, no entanto, está sendo ignorada, sob a desculpa de que abordar da doença de Maguito e das suas perspectivas de vida, neste instante, seria preconceituoso ou desumano. O assunto foi transformado em tabu, enquanto políticos e pessoas que não foram eleitas para a prefeitura preparam-se para tomar de assalto o Paço Municipal. Isso tem de ser falado, debatido, tratado às claras, sob o risco de mergulhar Goiânia em uma aventura administrativa que pode ter efeitos deletérios para a cidade e seus habitantes. Ninguém quer reconhecer que, no último pleito, a capital escolheu um prefeito sem condições para cumprir o mandato que recebeu da benevolência das goianienses e dos goianienses, não em razão de um projeto político ou de propostas, mas da compaixão que despertou e foi habilmente manipulada pela campanha do MDB. Só que foi exatamente o que ocorreu.

Vítimas idosas do novo coronavírus pagam um preço alto. Os danos ao organismo são terríveis e duradouros. O painel acima, extraído da revista acadêmica Nature, já com 150 anos de circulação na Inglaterra e de credibilidade indiscutível, resume algumas sequelas que perseguem os sobreviventes dos grupos de risco, na maioria dos casos para sempre. Notem bem, leitoras e leitores, são mencionadas apenas poucas, não todas, porque a Covid-19 abriu um novo foco para a medicina mundial, a partir deste ano com larga margem dos seus esforços concentrados no seu estudo, em um vasto campo de investigação. Não é uma “gripezinha”. E sem falar na hipótese de reinfecção ou de exposição a cepas mutantes, como a descoberta agora na Dinamarca. O que seria “desumano”, quanto a Maguito, é esperar que, diante dos 72 anos que completará em janeiro, venha a exercer atividades laborais intensas, sujeitando-se a tudo isso, em um cargo que traz obrigações diárias pesadas, em vez de recolher-se a uma rotina de cuidados intensivos consigo próprio. Sim, pode sobrevir um milagre e ele se restabelecer plenamente, derrubando os prognósticos ora colocados. Porém, “milagre” já terá sido sobreviver ao ataque do vírus, dada a sua fragilidade genética específica para a patologia.

É urgente conversar sobre todos esses pontos. Insistir na cortina de silêncio sobre as verdadeiras circunstâncias de Maguito é prejudicial tanto para ele individualmente quanto para Goiânia coletivamente. O futuro, ou seja, 2021 está chegando rapidamente. Se o novo prefeito é o vice Rogério Cruz, tutelado pelo menos inicialmente por Daniel Vilela, em um organograma de poder que não foi previamente revelado às eleitoras e aos eleitores, ao contrário escondido pelas falsas notícias da iminente melhora e alta hospitalar do candidato, que nunca aconteceram e até hoje não têm previsão de acontecer, é preciso que venham a público para dizer o que pensam e qual é o programa que propõem para a gestão municipal. Está faltando inteligência, enquanto se brinca de transição no Park Lozandes. O que vem aí, para Maguito e para a cidade, não parece ser bom.

07 dez

Administração de Iris falhou em setores delicados para a qualidade de vida da população e vai deixar um passivo que comprometerá os primeiros meses e talvez anos da nova gestão

Uma série de reportagens de O Popular está configurando, para 2021, um ano dramático na prefeitura de Goiânia, graças ao excesso de obras inacabadas que serão legadas pelo prefeito Iris Rezende para o seu sucessor. É muita coisa, tudo prometido para conclusão neste ano, antes da eleição, porém não cumprido. E dentro de um quadro de descontrole que torna impossível marcar uma data para a entrega, casos, por exemplo, da arrastada reforma do Terminal Isidória, do complexo da avenida Jamel Cecílio (um viaduto que estava com inauguração prevista para julho último), dos quatro trechos da avenida Leste-Oeste (um no Jardim Novo Mundo, outro no Bairro Goyá, mais um entre a avenida Manchester e Senador Canedo e por último o trecho que na verdade é um prolongamento entre a Praça do Trabalhador e a Rua 402, que tem partes ainda não desocupadas), tudo isso sem falar no BRT Norte-Sul, que está longe, muito longe de estar pronto mesmo na sua etapa inicial.

É uma herança trágica, sob certos aspectos, já que vai engessar a nova gestão da prefeitura, obrigada a consumir recursos e gastar tempo com projetos que não são seus ou que deveriam vir na sequência das obras que deveriam estar funcionando, mas que Iris não conseguiu terminar – muitas delas, pasmem leitoras e leitores, iniciadas no mandato de Iris que começou em 2005. Não há como negar que instalou-se um descontrole administrativo no Paço Municipal, capaz de impactar os primeiros meses do novo prefeito – que, por enquanto, deve ser o vice Rogério Cruz. Ainda mais com dívidas estimadas em R$ 150 milhões vencendo no ano que vem e que o governo estreante será obrigado a pagar ou a renegociar, a juros exorbitantes.

Há mais. Um dos mais graves pepinos de Goiânia, hoje, é a falta de vagas nos CMEIs para que as mães trabalhadoras abriguem seus filhos enquanto cumprem expediente. Iris deixou essa carência se ampliar e chegar, em 2021, a um número entre 15 e 20 mil vagas, o que é inaceitável, ao de certa forma afeta os direitos básicos da mulher goianiense. Não haverá como resolver a curto prazo, nem mesmo copiando-se a solução improvisada que Maguito Vilela adotou em Aparecida, quando foi prefeito lá, ao assinar convênios com instituições privadas para expandir a educação municipal infantil local – algo que precisa ser investigado pelo Ministério Público. Aliás, entre as dezenas de obras inacabadas de Iris estão também 10 CMEIs, em diversos estágios de construção, que exigirão um razoável volume de recursos para a sua finalização. No geral, O Popular relacionou 21 problemas que afetam diretamente a qualidade de vida da população e que serão repassados, em aberto, para os novos dirigentes do Paço Municipal. É uma lista extensa, que inclui itens do atendimento básico de saúde às faixas carentes da população, inundações periódicas sem prevenção, a falta de definição de um foco para a guarda municipal (resguardar o patrimônio da prefeitura ou ajudar na prevenção ao crime?) e ocupação desenfreada de espaços públicos, sem nenhum controle. Sim, leitoras e leitores, não existe nenhuma situação de mar de rosas na prefeitura de Goiânia. Era propaganda.

07 dez

Em reunião que não seguiu as regras de prevenção à Covid, PSDB ouve discurso sem conteúdo de Marconi, não considera os resultados da eleição em Goiás como derrota e continua a recusar a autocrítica

Em mais um mau exemplo para a população, ao promover uma aglomeração que não obedeceu as regras de distanciamento e uso de máscaras para prevenção à Covid-19(foto acima), o PSDB juntou os cacos, no último fim de semana, em um almoço oferecido pelo presidente estadual Jânio Darrot em sua cinematográfica chácara em Trindade, para – acreditem, leitoras e leitores – celebrar a “vitória” que os caciques sobreviventes do partido enxergaram na eleição municipal deste ano em Goiás (veja vídeo no canal da rádio Sagres no Youtube aqui).

A recusa à autocrítica tem sido a marca dos tucanos, nacionais e locais, desde as derrotas de 2018 e os acontecimentos policiais que envolveram suas principais lideranças. No encontro trindadense, assim foi. O ex-governador Marconi Perillo e Jânio Darrot fizeram discursos ufanistas, comemorando a eleição de 21 prefeitos, dentre os 47 candidatos lançados em nome da legenda, criando a teoria de que houve uma taxa de sucesso de pouco mais de 45%. É ridículo. Esses números apenas confirmam mais um vexame nas urnas para  a sigla que foi dominante no Estado entre 1999 e 2018 e hoje está perto da condição de nanica.

Pois o PSDB goiano, pelo que se viu no triste ágape, perdeu o rumo de vez. Não há projeto nenhum na cabeça dos líderes tucanos, a não ser acusar conspirações – como a derrota de Marconi para o Senado em 2018, em que eles enxergam uma tramoia comandada pelo Ministério Público Federal para eleger Jorge Kajuru para a vaga que seria do ex-governador. É muita falta de humildade e de discernimento. Marconi caiu diante da coleção de episódios que mergulharam seus governos em uma zona cinzenta, que as eleitoras e os eleitores repeliram, cansados da sequência sem fim de escândalos de corrupção. É a rejeição a tudo isso que fulminou e continua fulminando o partido, como observou o secretário de Governo Ernesto Roller. Outro ponto repassado nos discursos foi a comparação entre as administrações do passado e a gestão do governador Ronaldo Caiado. Isso não passa de choradeira vazia, quando o que políticos bem intencionados deveriam estar fazendo é apresentar ideias e propostas para o futuro de Goiás. Mas é a praia do PSDB: exaltar o que já foi feito e cobrar o agradecimento – ou o voto – do eleitorado, tal como foi o discurso da campanha malsucedida de 2018 e até mesmo agora pelo candidato do partido em Goiânia Talles Barreto.

Nem vale a pena discutir as ditas “críticas” dos tucanos a Caiado, pela falta de consistência. O PSDB, que antigamente lotava ginásios de esportes, não conseguiu completar nem a metade do varandão de Jânio Darrot. E, com as suas palavras vazias, provou que se distancia cada vez mais das mentes das goianas e dos goianos.