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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 abr

Dois anos de ajustes e desgastes, terceiro ano com R$ 1 bilhão para obras e investimentos e quarto ano para a colheita política: estratégia antiga de Iris é mais uma vez bem sucedida

Depois de dois anos de ajustes e acúmulo de desgastes na prefeitura de Goiânia, Iris Rezende começa o seu terceiro ano de mandato com previsão de aplicação de R$ 1 bilhão em obras e investimentos, inclusive a recuperação do asfalto das principais vias da capital, e caminha para o ano eleitoral de 2020 com perspectivas de contar com um amplo capital político para gastar com a sua reeleição ou a de um apadrinhado.

 

Iris aplicou, mais uma vez, a fórmula que fez sucesso das suas administrações passadas. Assume, passa os dois primeiros anos organizando a casa e enxugando a máquina, sobe os impostos para aumentar expressivamente a arrecadação e chega ao terceiro ano esbanjando recursos para, enfim, iniciar de fato a parte de realizações da sua gestão. No quarto ano, que é o político, é só correr para o abraço, seja para si próprio, seja para beneficiar algum candidato da sua preferência. Com essa estratégia única, o velho cacique emedebista numa chegou desgastado ao fim de qualquer uma das suas passagens pelo Executivo, seja estadual, seja municipal, e sempre venceu no pleito a seguir com o seu nome ou o de um candidato do seu peito.

 

Há mais um estratagema adicional. Iris não acredita em nenhum tipo de ajuda de fora – especialmente de instâncias superiores de governo – e sempre defendeu a tese de que o administrador público deve trabalhar contando exclusivamente com os seus recursos. Se eventualmente aparecer alguma coisa, uma transferência de verba ou um empréstimo, por exemplo, isso vai para a conta dos lucros extraordinários. Assim, ele garante realismo para os seus mandatos e evita perda de tempo perseguindo quimeras ou lançando projetos que nunca sairão do papel e, no final, só servem para consumir o prestígio do governante (se vocês, leitora e leitor, chegaram até aqui e pensaram no desespero do governador Ronaldo Caiado atrás de um milagroso e utópico apoio financeiro de Brasília, sim, é isso mesmo, a lembrança é correta e saibam também que Iris já aconselhou Caiado a andar com as próprias pernas e jamais apostar em qualquer ajuda vinda de quem quer que seja).

 

Enquanto a maioria dos prefeitos, em Goiás, já começa a mirar um final de mandato melancólico e Caiado, meio perdido, inicia o seu atolado em impasses desnecessários, Iris voa em céu de brigadeiro e navega em mar de rosas, depois dos dois anos iniciais em meio a uma floresta de espinhos. Novamente, ele é uma das raríssimas exceções em um quadro geral de administrações fracassadas e goradas, Estado e país afora.