Marconi recolhe o rebotalho da política de Goiás para construir a 3ª derrota
O ex-governador Marconi Perillo já foi uma espécie de semideus da política em Goiás. Quatro vezes vitorioso para o governo do Estado, ainda jovem, meteu-se, contudo, em um labirinto sem saída e passou a colher derrotas – duas, para o Senado, em 2018 e 2022, parecendo agora que caminha para a terceira, se realmente se candidatar ao Palácio das Esmeraldas. Completa e totalmente isolado, dono de um partido esfrangalhado, o PSDB, e sem gente de peso e brilho ao seu lado, Marconi é uma sombra do vencedor de quatro eleições para governador e uma para senador. A triste verdade é que ele construiu com as suas próprias mãos esse desastre inimaginável na carreira de uma das lideranças mais bem sucedidas da história estadual.

Se insistir na candidatura a governador, um projeto que tem a ver unicamente com a sua vaidade pessoal, Marconi vai mergulhar fundo no fogo do inferno. Em Goiás, ninguém se chega ao trono da Praça Cívica sem traduzir um significado profundo para a população. Essa é a principal característica das goianas e dos goianos: escolher governantes conectados com os seus planos para o futuro. O próprio Marconi é prova disso ao derrotar o administrador nato Iris Rezende, em 1998, sem nunca ter gerenciado sequer um carrinho de pipoca – como o MDB irista erroneamente o acusou naquela campanha e pagou com o fiasco nas urnas.
Marconi, na sequência, faturou mais três mandatos executivos e um legislativo (senador) ao mostrar um político progressista, enquanto os adversários propunham uma volta ao passado. No intervalo, elegeu como sucessor o apagado e inexpressivo Alcides Rodrigues como uma garantia de continuidade das suas gestões inovadoras – o que Alcides não era e levou ao chamamento do tucano para consertar o estrago, bandeira que falou mais alto que a ressurreição de Iris Rezende, a essa altura já cumprindo uma espécie de condenação não escrita: para a prefeitura de Goiânia, sim, para o governo do Estado, não.
Veio Ronaldo Caiado em 2018 como um nome de inegável mudança de rumo, principalmente ética. Caiado ganhou por tudo que a sua biografia impecável sinalizava para a frente, em um momento em que Goiás mostrava cansaço com a interminável fieira de escândalos de corrupção. Triunfou de novo em 2022, mesma eleição em que Marconi perdia de novo para o Senado. E agora? Se quiser a certeza de um palco para tentar engatar um retorno, o ex-governador só tem como alternativa correr atrás de uma cadeira na Câmara dos Deputados. Isso aí ele leva. Mais, não. Pior ainda quando reúne em torno do seu nome o rebotalho da política em Goiás, oportunistas e fracassados como o deputado federal Professor Alcides (acusado de pedofilia e de agressão a mulheres) e o ex-prefeito de Aparecida Vilmar Mariano, hoje com a Polícia Federal nos calcanhares em razão de investimentos irregulares da prefeitura no Banco Master na época da sua desastrosa gestão.
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Marconi deveria se cercar de fichas limpas. E tirar os olhos do retrovisor. Se tivesse boa memória, não se esqueceria que o discurso saudosista de que Iris não conseguia se livrar foi decisivo em todos os revezes do velho cacique emedebista. E deixaria de lado a obsessão em atacar o governador Ronaldo Caiado, candidato a presidente da República e não a governador de Goiás. Caiado nem se dá ao trabalho de responder. Caberia a Marconi, caso soubesse aproveitar a imensa experiência de quem passou 16 anos governando um Estado, se lançar ao debate dos grandes temas de interesse do povo – e são muitos. Apresentar ideias e projetos, enfim. Esse seria o caminho virtuoso, o campo fértil a semear.