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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 set

Resultados de Goiás no IDEB, celebrados por Zé Eliton e Marconi, foram alcançados graças a exclusão dos alunos dos cursos noturnos da rede estadual na gestão de Raquel Teixeira na Seduce

Não tem a menor seriedade o resultado que Goiás alcançou no IDEB, cantado em prosa e verso pela campanha do PSDB e pelos candidatos Zé Éliton e Marconi Perillo. O tal 1º lugar é fruto da manipulação e principalmente de uma jogada da então secretária Raquel Teixeira, que excluiu da aferição do IDEB os alunos dos cursos noturnos da rede estadual.

 

É fácil entender como foi montada a fraude: o IDEB leva em consideração os resultados de uma prova, mais os índices de evasão e de aprovações no final das séries. Ou seja: exame presencial + taxa de abandono + taxa de aprovação. Todos esses três indicadores foram convenientemente “trabalhados” pela gestão de Raquel Teixeira, para confluírem na suposta boa colocação de Goiás no ranking.

 

Mas, para o cômputo do IDEB, os índices de evasão e de aprovação são os mais importantes. A redução de um e a elevação de outro implicam automaticamente no avanço da posição de um Estado. E o que Raquel Teixeira fez? Ela retirou os alunos dos cursos noturnos da rede estadual do cálculo da taxa de evasão e de aprovação. Por um motivo simples: quem estuda à noite trabalha durante o dia, quando vão para a escola, está cansado e não mostra rendimento adequado – e há também muita reprovação. E, consequentemente, o número que abandona as aulas ou não consegue aprovação é muito alto. E sem falar que não se dariam bem na prova presencial. Raquel criou um emaranhado de portarias e resoluções, transferindo os alunos dos cursos noturnos, sem que eles soubessem, para um programa chamado PROFEN – Programa de Fortalecimento do Ensino Noturno, que, na prática, equivale ao ensino supletivo (tecnicamente chamado de EJA – Educação de Jovens e Adultos) e não entra na conta do IDEB. Cerca de 17 mil estudantes foram migrados, sem saber até hoje que isso aconteceu.

 

Essa manobra foi descoberta, em 2017, pelo jornal O Popular, que fez uma denúncia: a Seduce havia simplesmente extinguido o ensino médio noturno regular em Goiás, com o objetivo de alcançar artificialmente um salto no IDEB do Estado. O Popular concluiu que a operação, que não foi informada aos alunos, foi montada exclusivamente para que o Estado chegasse a esse objetivo.