Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

17 out

Articulação para a eleição de Álvaro Guimarães à presidência da Assembleia, e ele seria o candidato natural ao cargo, começou mal ao configurar imposição de Caiado aos deputados estaduais

Espécie de decano entre os 41 deputados estaduais, com vários mandatos no currículo e uma conduta sempre moderada e equilibrada, o deputado estadual Álvaro Guimarães, reeleito pelo DEM (foi um dos primeiros parlamentares a se alinhar com Ronaldo Caiado), tinha tudo para ser conduzido à presidência da Assembleia Legislativa navegando em um mar de rosas.

 

Mas, diante dos erros de articulação que estão sendo cometidos, inclusive com a participação direta do governador eleito, o que estava previsto para ser fácil e tranquilo pode se transformar em processo difícil e doloroso. O primeiro ponto a ser considerado é que o Legislativo é um Poder independente e isso tem importância litúrgica, não cabendo ao Executivo, teoricamente, interferir para não abalar o pacto institucional nem cutucar suscetibilidades dos deputados. Por isso, Álvaro Guimarães jamais poderia ter sido apresentado como postulante à presidência na condição de candidato oficial do novo governo. Ele, antes, teria que produzir um consenso mínimo entre os colegas. Só após esse passo é que o seu nome deveria ser levado a Caiado para, digamos, assim uma espécie de bênção. As últimas 20 eleições para presidente da Assembléia seguiram esse script, que virou uma espécie de jurisprudência na Casa. É o próprio Poder que encaminha o seu preferido ao conhecimento do Palácio das Esmeraldas e não o contrário.

 

Desprezando esse roteiro, Caiado informou assim que ganhou a eleição que tem compromisso com Álvaro e que ele é, sim, o seu escolhido para a presidência. “Caiadistas afirmam que Álvaro é ponderado e de linha mais conciliadora”, acrescentou a coluna Giro, colocação que desdoura os demais deputados de uma pena só. Ou seja: a impressão passada é que se pretende uma nomeação para a presidência – e aí um clima de discórdia já começa a proliferar, alimentado também pela polêmica em torno da manutenção ou não do orçamento impositivo. Estão fazendo tudo errado.