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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 ago

Continuidade de Caiado será a variável de maior peso nas eleições de 2026 em Goiás

Quando um governo é bom, nada mais natural entre a população que o desejo pela sua continuidade, geralmente muito robusto. Tudo indica que esse será o sentimento majoritário entre as goianas e os goianos nas eleições do ano que vem, quando será escolhido o sucessor do governador Ronaldo Caiado – cujo trabalho, como se viu na pesquisa Genial/Quaest divulgada no último fim de semana alcança uma aprovação de 88%. Detalhe: considerada a margem de erro de três pontos, o índice pode fechar em 91%. Ou, como definiu o analista sênior da Quaest Felipe Nunes, “uma quase unanimidade”.

Tudo isso vai concorrer a favor do candidato ao Palácio das Esmeraldas indicado por Caiado. Mas Daniel Vilela também tem luz própria, está no auge da sua carreira de consecutivos mandatos, é jovem e traduz um avanço geracional inédito na história de Goiás, depois de mais de 40 anos de governos comandados por Iris Rezende, Maguito Vilela, Marconi Perillo e Ronaldo Caiado. Não é uma mudança que acontece rotineiramente. Na verdade, beira uma revolução, caso venham a se confirmar as expectativas sobre o seu favoritismo, grande parte delas decorrente do apoio de Caiado.

 

 

Em uma sinalização altamente significativa, Caiado disse nesta semana que vai “dar a vida”, se necessário, pela vitória de Daniel. Condições para influenciar decisivamente a escolha de quem vai se sentar na cadeira que hoje ocupa, ele ostenta, com folga. Trata-se de um governante com anos de gestão positivamente avaliada, sempre acima de 80%, que já mostrou do que é eleitoralmente capaz: em 2024, desaposentou dois políticos – Sandro Mabel e Leandro Vilela – para com eles ganhar as prefeituras dos dois maiores centros demográficos do Estado, Goiânia e Aparecida. Em ambos os pleitos, virando a mesa para derrotar personagens identificadas com o bolsonarismo, uma corrente política que até dispõe de força em Goiás, chutando bolas que batem na trave, mas… não entram, como se viu nas derrotas do Major Vitor, em 2022,  de Fred Rodrigues, na capital, e de Professor Alcides, em Aparecida, em 2024.

 

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Com o cabo eleitoral número um do Estado no seu palanque e levando nas mãos a credencial mais legítima para seguir em frente com os fundamentos e parâmetros implantados por Caiado no governo, não é à toa que Daniel Vilela é tido desde já como o favorito para 2026. A seu favor, soma-se ainda o fato de que vai enfrentar adversários mancos: por um lado, o ex-governador Marconi Perillo, se tiver coragem de se apresentar, cavalga uma rejeição alucinada e arrasta o fardo em um partido morto-vivo, o PSDB, por outro lado, o senador Wilder Morais, um milionário diletante na política que só conta com o limitado bolsonarismo estadual, sem qualidades pessoais ou políticas, considerado “morno” mesmo pelos seus colegas de partido, o PL, que o acusam de não ser dado ao diálogo nem com o seu suposto grupo político.

Uma regra não escrita da política brasileira diz que governantes bem-sucedidos ou se reelegem com facilidade ou emplacam seus apadrinhados quando não têm a recondução legalmente permitida. Na Bahia, um Rui Costa com 76% de aprovação consagrou Jerônimo Santana sobre o inicialmente líder das pesquisas ACM Neto, em 2022. Lula, nos seus bons tempos, fez Dilma Rousseff duas vezes, em 2010 e 2016, enquanto Marconi Perillo impôs o desconhecido e medíocre Alcides Rodrigues, em 2006. Exemplos há aos montões. É a conhecida fórmula do poste. Em Goiás, para 2026, no entanto, há uma diferença: Daniel Vilela esbanja virtudes políticas e qualidades pessoais próprias, muito além do perfil e do papel de um mero teleguiado. É por ele mesmo e pelo empenho de Caiado que está com todos os trunfos nas mãos para chegar ao pódio das urnas.