Vanderlan se estrepa e só tem PSDB de Marconi como saída desesperada
Vanderlan Cardoso se estrepou: disse que o presidente nacional do PSD Gilberto Kassab garantiu que ele receberia respaldo do PSD disputar a reeleição para o Senado, não era verdade e o que ele ouviu na segunda-feira, do próprio Kassab, em São Paulo, na presença do governador Ronaldo Caiado, é que deveria ter “desprendimento” e seguir em frente procurando uma solução para o seu caso – simplesmente inexistente. Caiado, dentro do seu estilo, acrescentou: com o PSD na base governista em Goiás, os dois candidatos senatoriais serão primeira-dama Gracinha Caiado e o deputado federal Gustavo Gayer – arranjo, aliás, politicamente fabuloso, ao unir todos os partidos de importância em torno de Daniel Vilela para o Palácio das Esmeraldas e assim praticamente assegurar uma vitória tripla, de Daniel, de Gracinha e de Gayer.
A palavra é dura, mas não dá para imaginar outra mais apropriada: Vanderlan foi descartado. Descartado. “Se não me querem, há quem queira”, apregoou o senador encurralado. Segundo ele, seis legendas manifestaram interesse na sua filiação, disponibilizando uma vaga de candidato avulso ao Senado. Outra inverdade. Nenhum dirigente de sigla alguma chamou Vanderlan. Piedosamente socorrido pelo colega evangélico e deputado federal Glaustin da Fokus, ele é que bateu na porta do Podemos. Esteve com a presidente da sigla, a deputada federal Renata Abreu. Ofereceu-se, mas saiu sem uma resposta concreta, mesmo porque, repetindo, o Podemos é outra agremiação que está alinhada com a base aliada de Caiado em Goiás, tem até indicados no governo e não tem motivos para arriscar um rompimento (Caiado não vai permitir que partidos da sua base apresentem postulantes independentes ao Senado e prejudiquem a eleição dos 2 nomes oficiais da chapa, a exemplo do que aconteceu em 2022 e explica o mandato acidental de Wilder Morais).
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Dias amargos para o milionário rei dos ultraprocessados da Cicopal, portanto. Ele não percebeu os danos provocados pela rápida aproximação do final do seu esvaziado mandato senatorial, pelo seu histórico de deslealdades e pelas recentes e acachapantes derrotas (ele em 5º lugar para prefeito de Goiânia e a mulher Izaura Cardoso na 3ª posição em Senador Canedo). Seu cacife reduziu-se a zero. A reunião no apartamento de Kassab foi humilhante. Ele tentou falar grosso, mas só piorou as coisas. O mesmo, aliás, que faz agora, inventando lorotas sobre o interesse de “seis partidos” pelo seu passe. É papo furado.

Uma análise pragmática do momento indica que Vanderlan só conta com a alternativa de ingressar no PSDB de Marconi. Em princípio, Marconi, igualmente traído por Vanderlan no passado, seria obrigado a aceitar – assim como aceitou até o ex-prefeito de Aparecida Vilmar Mariano e outros cacos. Enquanto alimentava a vã esperança de conquistar a 2ª vaga da base governista para o Senado, ele deu declarações jurando manter distância do tucano. Depois de desenganado por Kassab e Caiado, mudou o discurso. Agora, pode, sim, abrir diálogo com Marconi, que, “pensando bem”, foi um “bom governador”. Os tucanos estaduais provavelmente garantiriam a Vanderlan a legenda para concorrer à reeleição, mesmo que Marconi previsivelmente não siga em frente com a candidatura a governador e apesar do baixo valor da adesão do senador (afinal, ele ainda está no mandato).
Lição que salta de tudo isso: a gratidão é a principal moeda da vida política. Vanderlan nunca sequer viu umazinha, sempre ele, ele e mais ele, sem compromisso com quem quer que seja. Agora, com a bolsa vazia, não enxerga a quem recorrer. Marconi vai agarrar as mãos do senador por conveniência, não por algum sentimento elevado. O ex-governador apoiou Vanderlan para prefeito de Goiânia em 2016 contra Iris Rezende. Na campanha, receando desgastes, Vanderlan escondeu Marconi, que já ostentava os primeiros sinais de alta rejeição. Coerente com a sua infidelidade crônica, ele nunca agradeceu e só agora, por necessidade extrema, descobriu que Marconi teria sido um “bom governador”. As chances de se ver os dois juntos no PSDB, na eleição deste ano, é grande, Marconi disputando ou não o governo estadual, em um abraço de afogados. Um final de carreira adequado para Vanderlan.