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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 fev

Falar mal de Gayer é mais um erro grave de Vanderlan, a caminho do fim

Paciência, leitoras e leitores, o senador Vanderlan Cardoso não sabe nada de política e continua cometendo equívocos graves no atacado, inviabilizando em definitivo as suas já difíceis chances de reeleição. Em mais um erro crasso, Vanderlan passou a acreditar na imposição da sua candidatura na marra à base governista, contra qualquer lógica eleitoral, inclusive escolhendo atacar o deputado federal Gustavo Gayer – a essa altura já integradíssimo na 2ª vaga senatorial da chapa de Daniel Vilela, ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado – e não há volta possível.

 

 

Segundo Vanderlan, a opção por Gayer mancha a chapa. É exagero. Gayer, de fato, tem escorregões no seu currículo – e não são leves. Mas a sua candidatura ao Senado junto com Gracinha se baseia em uma lógica essencialmente eleitoral: traz para o palanque de Daniel Vilela o PL e o bolsonarismo estadual, reunindo forças inimagináveis para a busca de uma vitória em outubro próximo, em troca assegurando um belo lugar ao sol para ele, Gayer, ou seja, uma cadeira senatorial. É o que o ex-presidente Jair Bolsonaro deseja, no seu afã de constituir uma maioria na mais alta Câmara Legislativa do país capaz de viabilizar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, dentre outras demonstrações de poder.

 

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Vanderlan tem pendências pessoais com Gayer. O problema é dele, contudo. Gayer acusou o senador de traidor, por declarar amor ao Jair, mas votar em Rodrigo Pacheco para presidir o Senado, abandonando o bolsonarista Rogério Marinho. Bem dentro do seu estilo, disparou pesado contra Vanderlan, que reagiu propondo um processo no STF por difamação – hoje suspenso por decisão da Câmara dos Deputados. Repetindo: é problema de Vanderlan, não da base governista. Esta, pragmaticamente, só deseja vencer com tranquilidade nas urnas vindouras e atua para minimizar todos os riscos, mesmo os pequenos. Atirando contra Gayer, Vanderlan simplesmente atinge todo o grupo de Caiado e se distancia ainda mais de uma solução favorável.

Impressiona assistir ao espetáculo da empáfia de Vanderlan ao proclamar seu direito à reeleição, mesmo dentro da nova realidade do PSD após a filiação do governador Ronaldo Caiado. Parece até criança mimada. Ele exige. É um senador e por isso deve ser atendido? Não é assim que as coisas funcionam na política. Ainda mais em se tratando de um parlamentar decadente, em fim de mandato, oriundo de derrotas acachapantes na última eleição municipal (em 2024, ele e a mulher Izaura Cardoso sofreram derrotas humilhantes em Goiânia e Senador Canedo). Por que a vontade dele deveria prevalecer sobre um acordo da importância do ajuste entre Caiado e o PL? Não tem sentido. Gilberto Kassab, ouvido por O Popular, deu a senha: no PSD goiano quem manda a partir de agora é o governador Ronaldo Caiado.

“Eu imagino que o senador Vanderlan, que tem muito espírito público, possa ser também desprendido para entender que hoje tem uma nova realidade”, sentenciou Kassab. Tradução: Vanderlan está descartado. É melhor se acostumar com a ideia e procurar outro partido para concorrer ao Senado ou, quem sabe, até desistir da política, um ramo para o qual o rei dos salgadinhos ultraprocessados da Cicopal não tem vocação. Fim. Acabou. Não dá mais para um pseudopolítico inassessorável, que não escuta ninguém e só age por conta própria, crente que é dono da verdade e se recusa a perder tempo considerando opiniões de quem não ganhou tanto dinheiro como ele. Não conta com amigos nem muito menos com aliados. É um zero à esquerda no Senado, conquanto não se trate de um caso isolado já que seus colegas Wilder Morais e Jorge Kajuru também são apagados (Goiás tem hoje a pior bancada senatorial da sua história). A bancada é toda do baixíssimo clero. Felizmente, dois, Vanderlan e Kajuru, já estão fora. Fica faltando somente Wilder.