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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

24 jan

Apoio do PL a Daniel Vilela deixa a Marconi uma única saída: desistir

Com a iminente adesão do PL, a campanha da base governista para eleger Daniel Vilela como o próximo governador do Estado transforma-se em um rolo compressor. Abençoadas pelo ex-presidente encarcerado Jair Bolsonaro, as negociações estão praticamente concluídas e devem culminar a curto prazo em um anúncio oficial, provavelmente com a participação do filho candidato a presidente Flávio Bolsonaro – talvez um grande encontro de todas as lideranças hoje congregadas na aliança presidida pelo governador Ronaldo Caiado, previsto para logo após o carnaval, daqui a 20 dias.

 

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Não se deve alimentar ilusões: com o PL no palanque, através da inclusão do nome de Gustavo Gayer como o 2º candidato ao Senado, ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado, Daniel Vilela pode encomendar o terno de posse. Claro, ele jamais admitirá que o seu caminho é de rosas e repetirá o jargão de que não existe eleição fácil, o que não deixa de ser verdade, a se conferir as surpresas da história eleitoral do Brasil. Não pega bem cantar vitória antecipada e é certo que ele, Daniel, trabalhará com denodo pela sua eleição. Tudo isso, no entanto, será apenas retórica necessária. Com o acordo que trará o PL, desaparece qualquer oposição viável ao projeto governista em Goiás.

Sobram o ex-governador Marconi Perillo e o PT. Marconi lidera um vazio. Seu partido, o PSDB, virou trapo e só consegue atrair fracassados como o ex-prefeito de Aparecida Vilmar Mariano, suplentes de vereador em Goiânia e aqui e ali gatos pingados sem futuro. Para piorar, sua rejeição permanece elevada e em algumas pesquisas chega a 50%. O PT, por sua vez, carece de quadros para disputar o governo e não vai abrir mão da candidatura do ex-reitor da UFG Edward Madureira para garantir a conquista de pelo menos duas vagas de deputado federal, papel que ele já cumpriu em 2022, mesmo não se elegendo. Sem opções, quem sabe até pulará na canoa furada de Marconi para afundar de mãos dadas.

 

 

Para Marconi, é melhor passar mais um tempo beneficiando-se, se isso for possível, da visibilidade como postulante ao Palácio das Esmeraldas, mas desistir logo e passar a cuidar do que é seguro: uma vaga de deputado federal, mandato que permitiria uma tentativa de recolocação na política estadual e nacional. Governador, esquece. Não há a mínima chance depois da consolidação da composição entre o PL e a base governista, cujas consequências serão a unificação da direita e do centro estaduais, com o direcionamento dos votos bolsonaristas radicais para Daniel Vilela. Não haverá espaço para mais ninguém, diante do perfil conservador predominante entre as eleitoras goianas e os eleitores goianos.

Se não desistir da governadoria e não encarar a concorrência por uma cadeira na Câmara dos Deputados, Marconi, aos 63 anos na data das urnas, em outubro, aí, sim, correrá o risco de desaparecer, não só estadual, como nacionalmente falando. Em uma situação dramática como essa, vaidade não leva a lugar nenhum. Nas duas últimas eleições, o ex-governador, se tivesse calçado as sandálias da humildade, emergiria vencedor como candidato a deputado federal, porém, ao acreditar na utopia de uma vitória para o Senado, acabou amargando derrotas acachapantes. Se isso se repetir, sua carreira estará encerrada.