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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 mar

Marconi abraçado com Alcides e Vilmarzim é irreconhecível e não ganha eleição

No passado, o então governador Marconi Perillo chegou a representar o que havia de mais progressista em Goiás. Sucessivamente, derrotou as tentativas de ressurreição de Iris Rezende e Maguito Vilela – e, junto, tudo que o velho PMDB e MDB representavam naqueles tempos de outrora. Hoje, tudo mudou em Goiás, inclusive o MDB, mas Marconi, não. Como não poderia deixar de ser, ele não é mais o mesmo, assim como as águas do rio de Heráclito, só que não evoluiu, haja vistas às suas companhias recentes. O que aconteceu para levar uma figura tão poderosa e tão aclamada a se deteriorar a um ponto em que nem ele se mostra feliz e tranquilo com a situação em que se meteu atualmente?

 

 

Altos e baixos na política são absolutamente normais. Depois de ganhar uma fieira de eleições, Marconi perdeu duas seguidas (para o Senado, em 2018 e 2022) e parece agora, se insistir em se candidatar a governador, na direção da terceira e provavelmente última e avassaladora derrota. Ninguém sobrevive a tamanhos baques. Ou o ex-governador acha que pode vencer com as más companhias em que vem andando? Olhem bem para a cena acima, leitoras e leitores. Sim, é Marconi, abraçado com o deputado federal Professor Alcides, que responde a acusações de pedofilia e agressão a mulheres. Ao lado, outro tipo tenebroso da política de Aparecida, o ex-prefeito Vilmar Mariano, que tem processos que vão de roubo de galinha (segundo o Ministério Público, embolsou trocados de um contrato de treinamento de funcionários quando foi presidente da Câmara Municipal) até denúncias milionárias, como a aplicação de R$ 40 milhões do dinheiro do fundo de previdência dos servidores, durante a sua gestão, no – acreditem – Banco Master, contra todas as recomendações técnicas, na época.

Marconi não está bem. Outro dia, em um podcast, a sua explicação foi a de que o efeito de arrasto do governo estadual não deixa brechas, que esses aliados são os que restaram no mercado político e que, no caso dos dois, ainda não houve condenações judiciais transitadas em julgado. Isso não justifica nada. Alcides e Vilmarzim são tóxicos e faz bem quem mantém distância deles enquanto ainda não chega o banimento definitivo que ambos merecem. Ah, alguém dirá, esse retrato capturou um milésimo de segundo e não serve para avaliar um possível estado de espírito geral e negativo de Marconi. Não é verdade. Vejam as duas fotos a seguir, registradas na mesma hora e local, ou seja, na solenidade de anúncio da filiação do Professor Alcides ao PSDB, semana passada, provas incontestes de que o ex-governador não está convicto de que está agindo da maneira correta.

 

 

Uma imagem vale por mil palavras, diz o surrado ditado popular. E há muitas outras na conta do Professor Alcides no Instagram (confiram aqui), sempre com Marconi com essa cara de tacho. Convenhamos, é preciso reconhecer o mérito de que ele não escondeu o desalento e a tristeza – e não seria para menos. O nível de radiatividade de alguém como Professor Alcides é exageradamente danoso. Não é porque detém um mandato ou porque é rico que a sua presença se torna desculpável ao lado de uma liderança que pretende retornar ao palco principal da história de Goiás, como sonha Marconi. Está tudo errado e por aí o caminho a seguir é apenas o de uma marcha batida rumo ao abismo.