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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

31 mar

Foco da eleição para governador em Goiás será um só: continuidade

Não adianta perder tempo com especulações: o tema central e talvez único da eleição para o Palácio das Esmeraldas, em Goiás, terá como foco a continuidade e isso estará ainda mais em alta na medida em que o governador Ronaldo Caiado estra em campo como candidato a presidente da República com um discurso dia e noite voltado para chamar a atenção para os feitos da sua gestão. Isso porque as pesquisas vêm sendo pródigas em alinhar experiência e capacidade administrativa como fundamentais para a escolha do eleitorado nacional em outubro próximo, o que concorre a favor de Caiado e ele vai usar.

Resumindo: o sucesso do governo Caiado será lembrado o tempo todo e é óbvio que reforçará a tendência das goianas e dos goianos no sentido de acolher a continuidade como o escopo para a decisão de voto ao ponderar entre Daniel Vilela, representante da base governista; Marconi Perillo, o ex-governador que não consegue se livrar do passado; Wilder Morais, cujo trunfo exclusivo é o bolsonarismo (e não é pouco); e um nome da esquerda, seja qual for sem apelo nenhum, mesmo porque a inclinação do segmento é lançar os seus melhores nomes para a Câmara Federal e deixar de lado as disputas majoritárias (governo e Senado).

 

 

Vantagem para Daniel Vilela? Sim, inegavelmente. Ele é quem oferece a certeza de que o legado de Caiado permanecerá de pé. Daniel e Caiado vão repisar esse compromisso, durante a campanha, todos os dias, do começo ao fim, nas reuniões, nos comícios, no horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e na TV e nas redes sociais. Enquanto isso, na corrida presidencial, Caiado seguirá falando nos seus êxitos em Goiás, em áreas sensíveis para a população como a Segurança Pública, a Educação e a Saúde. De fora para dentro, portanto, Daniel Vilela também receberá um impulso: desde já, a grande imprensa já repercute com uma visão positiva a definição de Caiado como candidato do PSD como consequência também dos avanços conquistados estadualmente durante os seus dois mandatos.

Como se posicionarão os adversários de Daniel Vilela? Marconi Perillo, se for até o fim e não desistir para buscar um garantido mandato de deputado federal, tende a persistir no que faz hoje, ou seja, criticar a Era Caiado como improdutiva para Goiás. Aparentemente, é um caminho que não leva a lugar nenhum, diante do volumoso índice de aprovação (inacreditáveis 88%) aferidos por institutos de indiscutível credibilidade para Caiado, algo correspondente a 9 a cada 10 eleitores. Já Wilder Morais, podem apostar, leitoras e leitores, deve arriscar uma crítica a Daniel Vilela, porém não a Caiado. Ele dirá que é o melhor candidato para assegurar a manutenção de tudo o que de bom foi feito, mesclando narrativas ideológicas de extrema direita no seu marketing e outras sandices parecidas. Nada sugere que essa conversa fiada terá algum apelo.

Da esquerda, não virá nada. Não existe pensamento progressista militante em Goiás, além dos muros das universidades públicas – a federal e a estadual. O PT e quejandos estão segregados a lideranças de projeção delimitada, como Adriana Accorsi, Rubens Otoni e Edward Madureira, ponto final. Todos estão obrigados a correr atrás de vagas na Câmara Federal, para ajudar a formar uma bancada grande o suficiente para dar ao petismo as verbas do fundo partidário e eleitoral que, de resto, são a obsessão de todos os partidos políticos em operação no país.

 

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A conclusão é inescapável: a superioridade de Daniel Vilela é clara. Caiado o abençoará como a prorrogação necessária do seu governo. É um filme já visto: governantes com elevada avaliação ou se reelegem com tranquilidade ou influenciam decisivamente na vitória dos candidatos que apontam para a própria sucessão. É uma regra da política no Brasil. Explica a ascensão de postes como Dilma Rousseff ou, em Goiás, como Alcides Rodrigues. Detalhe relevante: Daniel Vilela está longe desse perfil, graças à sua carreira como vereador, deputado estadual, deputado federal e postulante ao governo em 2018, quando se classificou em 2º lugar, à frente do governador tampão que buscava a reeleição, na época, José Eliton. E ainda é filho e herdeiro de Maguito Vilela. Não é pouco.