Rejeição recorde e isolamento travam candidatura de Marconi ao governo
Dois fatos, nesta semana, evidenciam as dificuldades que o ex-governador Marconi Perillo enfrentará caso se decida por uma candidatura ao Palácio das Esmeraldas em 2026. Vale registrar que ele mesmo, Marconi, não admite a ideia, por enquanto, mesmo aparecendo em 2º lugar nas pesquisas que começam a circular, atrás do vice-governador Daniel Vilela, em 1º lugar, e à frente do senador Wilder Morais, em 3º lugar, e Adriana Accorsi, na 4ª posição. Marconi, provavelmente, sabe a pedreira que tem pela frente: conta com uma rejeição recorde, entre 50 e 60%, talvez até mais, e vive em um limbo político partidário com o fim do PSDB, hoje praticamente uma legenda nanica em Goiás e sem nenhuma expressão nacional.

Esse acima, leitoras e leitores, é o gráfico da última pesquisa Real Time Big Data, instituto do sistema Record de televisão (credibilidade: mediana). Vejam só que espanto: Marconi bate 51% de rejeição, mais da metade do eleitorado em Goiás. Barreira intransponível, sem dúvida nenhuma. E o problema maior é que fortemente arraigada, por reportar a uma situação que vem desde 2018, quando o ex-governador perdeu sua primeira eleição para o Senado. Sucedeu-se a mesma história em 2022, ou seja, nova derrota na corrida senatorial, obviamente sob o embalo do cartão vermelho das goianas e goianos para o seu nome. De 2018 ou 2022 para cá, o que mudou? Com capacidade para reverter a rejeição de Marconi, nada, conforme prova o levantamento do Real Time Big Data. O que houve no mesmo período foi uma exponencial crescimento da aprovação popular do governador Ronaldo Caiado, a antítese perfeita de Marconi, tendo como efeito direto a projeção de uma luz com força de sobra para manter o tucano em uma zona de sombras – para qual uma boa tentativa de solução seria correr atrás de um modesto e humilde, porém viável, mandato na Câmara Federal, no ano que vem, esse.
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Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes da rejeição de Marconi. Trata-se de um fardo pesado, que elimina as chances de se sair bem em qualquer eleição majoritária. Infelizmente, não é só isso que configura a bola de ferro de 500 quilos presa na perna do ex-governador. Tem mais. Ele está totalmente isolado, por um lado pelo desaparecimento dos seus antigos aliados, hoje ajustados à realidade caiadista do Estado (até o “fiel” Carlos Alberto Lereia, no momento prefeito de Minaçu, se adaptou), enquanto, por outro lado, também diante da debacle do seu outrora e brilhante PSDB, reduzido a pó de traque tanto em Goiás como no resto do país. Não há sinalização mais clara que a emitida pelas visitas que Marconi fez a Assembleia e a Câmara de Goiânia no início desta semana. No faustoso prédio do Park Lozandes, foi recebido por dois deputados estaduais do baixo clero, Gustavo Sebba e José Machado, enquanto uma outra, Rosângela Rezende, passou para cumprimentar rapidamente o que seria um amigo de antigamente. No final da avenida Goiás, a porta aberta ficou por conta da generosidade da vereadora evangélica Aava Santiago, uma de dois tucanos na edilidade goianiense, hoje próxima do PT (o outro é Michel Magul, no momento substituindo o folclórico Tião Peixoto).
É muito pouco para quem já desfrutou do status de semideus da política estadual, nos bons e idos tempos de poder. Absolutamente, não ajuda a criar expectativas positivas para 2026. Expõe até graficamente, pelas fotos e vídeos esvaziados, a fraqueza de uma liderança que já foi sólida e robusta, mas perdeu a consistência. O problema principal de Marconi é que ele segue refratário a uma autocrítica, fundamental para reencontrar um lugar ao sol na política estadual. Confiram suas entrevistas: o conteúdo é passadista, evocando as glórias e as realizações das suas gestões de antanho, que a marcha geracional e o giro da roda da história relegaram ao esquecimento. Um discurso envelhecido, como esse, não dá votos, no máximo, com a ajuda de muito dinheiro, uma vaga na Câmara dos Deputados.