Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 dez

Não se iluda, leitora e leitor, em cada esquina há um João de Deus vendendo relações com o sobrenatural para colocar a mão no seu dinheiro ou… em algo mais sensível

João de Deus não é um fenômeno isolado: no Brasil e pelo mundo afora há um em cada esquina, vendendo relações privilegiadas com o sobrenatural para colocar a mão no seu dinheiro ou, principalmente se tratando de você, leitora, em algo mais delicado ou sensível.

 

A exploração da credulidade do ser humano é um ótimo negócio, seja para faturar materialmente seja para satisfazer instintos que deveriam estar sob controle em uma sociedade civilizada. Centenas, milhares de pastores evangélicos vendem até na televisão a cura milagrosa ou uma vida financeiramente melhor. Um deles, Valdemiro Santiago, apresentou ha poucos dias uma proposta sedutora para os seus equivocados fiéis: se você quer um salário melhor, então pague o dízimo sobre esse salário desejado e em breve Jesus o proverá. Isso mesmo: Jesus, em nome de quem se praticam as maiores barbaridades, as mesmas que ele, ao caminhar sobre a terra, tentou coibir ao chicotear os vendilhões do templo – episódio que provavelmente nunca aconteceu e em que pode ter se enganado, ao espancar pequenos comerciantes para atrapalhadamente favorecer os grandes negociantes da época.

 

Mas não são só os evangélicos. Outras religiões também concorrem, quase todas, menos os budistas, que não têm um deus a quem prestar contar. Vejam o caso do Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade, máquina de fazer dinheiro sem pagar impostos e sem prestar contas a ninguém, administrada por um demiurgo que voa em uma frota de Kings Air e que em breve estará na ante-sala do governador Ronaldo Caiado para pedir o vil metal, assim como sempre esteve atrás de Marconi Perillo para transformar o seu apoio político em retorno financeiro.

 

Um João de Deus foi preso e está fora do jogo. Outros, talvez milhares, continuam soltos por aí.