Descalabro da gestão de Bruno Peixoto chega à manchete principal da Folha de S. Paulo
Demorou, mas o que era inevitável aconteceu: nesta segunda, 25 de maio, o descalabro da gestão do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás Bruno Peixoto chegou à manchete principal da 1ª página da Folha de S. Paulo, o maior importante jornal brasileiro. Trata-se de uma reportagem sobre a lambança administrativa que hoje ocorre em inúmeras Assembleias do país, porém em nenhuma no grau de intensidade e gravidade como a presenciada pelas goianas e pelos goianos.

Acostumada a preencher as suas colunas com escândalos os mais variados possíveis, a Folha se espantou com o que encontrou no Palácio Maguito Vilela, no alto do Park Lozandes, onde trabalham os 41 deputados estaduais por Goiás. “A sede da Assembleia Legislativa de Goiás tem gabinetes de 100 m² para 41 deputados. Os espaços acomodam 5.874 servidores lotados em cargos comissionados. Se todos
fossem trabalhar ao mesmo tempo, cada funcionário teria menos de um metro quadrado para cumprir as tarefas”, começa a matéria, para logo avaliar: “Imaginem”, leitoras e leitores, “essa quantidade de assessores buscando agenda com o parlamentar. Ele não leria projetos, não se reuniria com o governador e não faria política”. Aliás, o Legislativo comandado por Bruno Peixoto é “o que estampa a maior relação entre parlamentares e comissionados dentre as Casas congêneres: 143 para um”, arremata a Folha de S. Paulo.

Não que haja novidade aí, pelo menos dentro das fronteiras regionais. desde que Bruno Peixoto assumiu a presidência da Assembleia, O Popular passou a publicar levantamentos periódicos, mostrando que a contagem de comissionados subiu de 3.721, em 2023, no início do mandato de Bruno Peixoto à frente da Mesa Diretora, para 5.775 – informação que o jornal apurou em 8 de maio. De lá para a reportagem da Folha, nesta segunda, 25, somente 15 dias depois, saltou para 5.874, ou seja, mais 99 comissionados. Não há precedentes para esse triste recorde, ainda mais quando se observa que, na Assembleia Legislativa de São Paulo, Estado mais populoso do país, só existem 2.376 comissionados para 94 deputados. O quadro de comissionados do Legislativo goiano, portanto, inflado pela gestão de Bruno Peixoto, é simplesmente indecoroso e moralmente inaceitável, na medida em que é financiado pelos cofres públicos.
Já seria escabroso se fosse apenas isso. Porém, com a conivência de todos os 41 deputados, vergonhosamente sem exceção, a Assembleia de Goiás se tornou um antro de privilégios, mordomias, viagens para o exterior, carros de luxo, penduricalhos salariais e vantagens pessoais para todos os seus parlamentares. Dizem haver até camas para sonecas. Bruno Peixoto, assim, controla o plenário com mãos de ferro, aprovando ou rejeitando o que convém aos seus interesses. Daí, construiu também uma candidatura a deputado federal capaz de garantir a ele, nas urnas de outubro próximo, o pódio de mais votado da história, um título que paradoxalmente não representará nenhuma honra ao ser conquistado através a manipulação dos instrumentos – lembrando: custeados pelo dinheiro do contribuinte – disponíveis dentro da estrutura da Assembleia.
LEIA TAMBÉM
Série de manchetes negativas de O Popular inviabilizou Bruno Peixoto para vice de Daniel
A medíocre Assembleia sem virtudes de Bruno Peixoto
Agressões chulas entre deputados não é fato isolado e refletem a degradação da Assembleia
No entanto, há um preço para o deus-nos-acuda que Bruno Peixoto fez e faz como o número 1 do Legislativo estadual. Em vez de deputado federal, ele gostaria mesmo é de preencher como vice a chapa de Daniel Vilela para o Palácio das Esmeraldas, o que abriria caminho para uma candidatura a governador altamente viável em 2030, quando Daniel, caso eleito agora, estaria legalmente impedido de concorrer novamente. Só que ele nem ousa falar nisso para não sofrer o vexame de um veto público. Não se imagina que a base governista aceitaria colocar em risco as suas chances elevadas de vencer as eleições, como está claro nas pesquisas, ao cometer o erro infantil de admitir um companheiro para Daniel Vilela com potencial para conspurcar a campanha, abrir brecha para ataques justificados e no final das contas ajudar os adversários. A reportagem da Folha de S. Paulo é nada mais nada menos que mais uma confirmação de que, sim, Bruno Peixoto tornou-se um político tóxico.