Pesquisa mostra que candidatura de Wilder é aventura capaz de derrotar Gayer para o Senado
O deputado federal Gustavo Gayer lutou como um leão pela formalização de um acordo entre o PL e a base governista, pela qual ele seria oficializado como o 2º postulante ao Senado, ao lado da ex-primeira-dama Gracinha Caiado, na chapa de Daniel Vilela. O ajuste esteve perto de acontecer, mas foi frustrado à última hora por um movimento mal esclarecido do senador Wilder Morais, depois de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na cadeia e sair apregoando um suposto aval para concorrer ao Palácio das Esmeraldas (que o Jair nunca confirmou de viva voz) – e daí matando o celebrado acordo do PL com Caiado e Daniel.

Gayer disputando a eleição no mesmo palanque de Daniel Vilela e Gracinha Caiado seria simplesmente o mesmo que antecipar o resultado das urnas, isto é, uma vitória estaria extremamente facilitadas para o representante da aliança governista e para Gracinha e o próprio Gayer. Vale lembrar: o projeto maior do bolsonarismo é conquistar, no pleito deste ano, uma maioria de senadores capaz de viabilizar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, um objetivo para o qual a eleição de alguém como Gayer seria decisivo.
Agora, pendurado na chapa de Wilder Morais, as chances de Gayer reduziram-se e muito. Wilder segue com índices baixíssimos nas pesquisas e caracterizado como um candidato frouxo, que não se movimenta (não faz campanha) e carece de discurso, aparentando confiar em uma reviravolta de última hora impulsionada pelo voto bolsonarista (como aconteceu na sua eleição para o Senado, em 2024, quando despontou nas pesquisas apenas às vésperas das urnas e venceu, em meio à onda direitista que acometeu o pleito senatorial na maioria dos Estados). Como ninguém mais mais acredita na repetição desse milagre, a última pesquisa Genial/Quaest simplesmente arrasou com esse cenário.

Sim, os números da Genial/Quaest, um dos mais abalizados institutos do país, são desastrosos para Wilder. De cara, ele aparece em 3º lugar, entre 9 e 11% de intenções de voto, mais ou menos com a metade do índice alcançado por Marconi Perillo, em 2º lugar, e com um terço do percentual atribuído a Daniel Vilela, esse entre 33 e 34%. Depois, vem o pior: Goiás deixou de ser o “Estado mais bolsonarista do país” (23% em agosto do ano passado. Hoje, essa margem baixou para 19% (o Paraná assumiu a liderança do bolsonarismo, com 27%). E esse público é fortemente atraído por Daniel Vilela e pelos senatoriáveis governistas Gracinha Caiado e Zacharias Calil (ou até Vanderlan Cardoso): os bolsonaristas querem um governador e senadores identificados com o segmento (30%), porém Wilder (9% das intenções de voto) e Gayer (8%) não conseguem mostrar força dentro do grupo.
Além disso, grande parte das intenções de votos de Daniel Vilela vem do bolsonarismo estadual. A jornalista Cileide Alves, em O Popular, analisou a pesquisa e observou que, “do total de 33% de intenções de voto de Daniel, 46% se declaram de direita não bolsonarista e 38%,
bolsonarista. O governador pontua bem nesse público pela identificação desse eleitorado com o ex-governador Ronaldo Caiado, que é de direita e com forte base política neste grupo”. Matematicamente, essas revelações da Genial/Quaest fulminam as chances de Wilder em outubro próximo. Ele não tem nem a fidelidade do eleitorado bolsonarista que, arrogantemente, sem nunca ter defendido o Jair no Senado Federal, diz representar, não passando de um reles oportunista à procura de vantagens pessoais, como o definem amigos do ex-presidente Jair Bolsonaro em Goiás (como, por exemplo, o secretário municipal de Cultura Uugton Batista).
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Tudo isso leva a uma conclusão: a candidatura de Wilder ao Palácio das Esmeraldas é uma aventura inconsequente com potencial para sacrificar os interesses do bolsonarismo nacional ao comprometer as chances de vitória de Gustavo Gayer e diminuir o tamanho da bancada de extrema-direita na mais alta Câmara Legislativa do país. Wilder se lançou por um partido, o PL, muito poderoso nacionalmente, infelizmente de pouca expressão em Goiás. Para além, não conseguiu ainda nem vai conseguir legendas para formar alianças (a não ser sem peso político e eleitoral, como o Novo). Nenhuma liderança de reconhecimento estadual anunciou apoio até agora ao seu nome. Alguém dirá que seria o caso de Ana Paula Rezende, filha de Iris Rezende. Só que não é. Ana Paula aderiu ao PL e aceitou ser vice de Wilder sem levar um único prefeito ou vereador de qualquer município. Piorando ainda mais as coisas, o senador é ruim de discurso, não faz campanha (gosta mesmo é da sua casa em Agra dos Reis e de viajar pelo mundo) e nem mesmo é fiel aos “ideais” e “projetos” bolsonaristas, como comprovou em mais um episódio de profunda importância para a extrema-direita, como foi o cancelamento de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal: ele não compareceu à sessão do Senado em que a votação aconteceu nem deu qualquer justificativa. A omissão de Wilder, recorrente, representou uma nova e amarga decepção para os defensores, já poucos, da sua candidatura a governador.