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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 mar

Palavras do ex-reitor da UEG Haroldo Reimer admitindo que não deveria ter nomeado parentes, calam fundo, merecem elogios e servem de alerta para Caiado, que está lotando o governo de familiares

As desculpas são as mesmas: tanto o reitor de saída de Universidade do Estado de Goiás Haroldo Reimer(foto) quanto o governador do Estado de Goiás Ronaldo Caiado deram a mesma justificativa para a nomeação de parentes para as suas administrações: seriam competentes. Um e outro permitiram que dezenas de familiares seus e de pessoas próximas fossem indicados para cargos de destaque, Caiado para o governo, Reimer para a UEG. Mas há uma diferença.

 

E ela está em que Reimer surpreendentemente admitiu com todas as letras que “apesar de não haver objeção legal para as indicações, se tivesse refletido, não teria permitido que parentes fossem selecionados para atuação na UEG. Deveríamos  ter tido o cuidado de não nomear essas pessoas, mesmo com a capacidade comprovada, para evitar esses questionamentos. Repito: não há impedimento legal, mas analisando o caso agora, deveríamos ter feito seleção para todos os cargos”, disse o ex-reitor, conforme matéria publicada nesta sexta-feira em O Popular. No caso de Caiado, que já tem comprovadamente uma dúzia ou mais de familiares ocupando posições maiores ou menores no seu governo, a desculpa é a mesma, ou seja, a suposta competência, mas soa alto e incômoda a convicção de que se trata de um tipo de nepotismo legal, porém imoral.

 

É que Caiado nomeou primos, o que não configura nenhum tipo de transgressão: a legislação proíbe a indicação de parentes até o 3º grau e primos não o são. Mas é evidente que não deixam de ser parentes. Há sobrenomes Ramos Caiado por todo lado, no governo. Com um detalhe: inclusive em posições não formais, como a filha Anna Vitória e a mulher Gracinha, que participam de reuniões oficiais e anunciam decisões de Estado. Difícil de engolir em uma gestão presidida por um político que fez o nome pregando rigor ético radical e decência extrema.

 

O mea culpa de Haroldo Reimer merece aplausos e deveria funcionar como lição para Caiado. É uma atitude rara em ocupantes de cargos públicos, pelo Brasil afora. Em vez de insistir em defender o indefensável, Reimer admitiu – vejam bem, leitor e leitor – que, se tivesse refletido melhor, jamais teria feito o que fez . Depois de atos que o fizeram pequeno, ele se engradeceu. O bom exemplo está aí e Caiado, amiudado pela parentalha empregada, que o aproveite.